C O L E �� �� O O L H O M �� G I C O S �� R I E A M A R E L A P r �� x i m o l a n �� a m e n t o :
O T O Q U E D O P R A Z E R
R i c a r d o V e r o n e s e
P e d i d o s p e l o R e e m b o l s o P o s t a l :
C E D I B R A ��� E D I T O R A B R A S I L E I R A L T D A .
R u a F i l o m e n a N u n e s , 1 6 2
3 1 . 0 2 1 ��� R I O D E J A N E I R O ��� R J
FASCINA����O
Ricardo Veronese
Cedibra
Copyright C M C M L X X X
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21.021 ��� RIO DE JANEIRO RJ
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a expressa autoriza����o do detentor do copyright.
Capitulo 1
O caminh��o descreveu uma curva pe-
la rua silenciosa parou diante do de-
p��sito, cuja porta de a��o iluminou com
os far��is.
Jeff Blunder esperou por algum tem-
po. E se irritou:
��� Droga! Ser�� que n��o ficou ningu��m
para recolher a carga?
��� N��o deve haver ningu��m nesse de-
p��sito.
Jeff rosnou um palavr��o.
__Des��a e v�� verificar ��� ordenou.
Bill Frommer, seu ajudante, n��o argu-
mentou. Abriu a porta e saltou para o
ch��o. Atravessou a faixa de terreno ilumi-
- 5
nada pelos far��is. Na entrada, ao lado da
porta de a��o, encontrou uma campainha.
Tocou-a v��rias vezes, a curtos intervalos.
Ent��o, virou-se para a cabina do caminh��o
e balan��ou a cabe��a.
��� Venha! ��� berrou Jeff.
Bill correu para o seu lugar.
���- E agora? ��� perguntou.
��� Teremos que passar a noite em Cot-
ton Hills ��� resmungou Jeff. ��� Isso n��o
est�� direito! Vou exigir que me paguem em
dobro esta noite perdida!
Bill correu os olhos pela rua deser-
ta.
��� Ser�� que a gente encontra uma pen-
s��o decente ?
��� Vou dormir na bol��ia do caminh��o
��� vociferou Jeff. ��� N��o estou com vonta-
de de gastar dinheiro.
No primeiro posto de gasolina que ele
encontrou, saiu da rua. Foi estacionar no
terreno deserto, ao lado das bombas de
gasolina.
O vigia, ressabiado, veio interpel��-los.
Ouviu a est��ria de Jeff e foi embora, sem
dizer nada. Muitos motoristas de caminh��o
costumavam dormir ali J�� era um neg��-
cio corriqueiro.
6���
��� Vou dar uma volta por ai ��� decidiu
ir para cama im-
provisada atr��s dos assentos da bol��ia.
��� Veja l��. N��o v�� encher a cara. Que-
ro voc�� inteiro, amanh��.
��� N��o se preocupe. Sabe que n��o bebo
muito.
Bill abriu a porta do caminh��o. Jeff
enviezou-lhe um olhar penetrante:
��� Tome cuidado. Cotton Hills �� dife-
rente daquele fim de mundo onde voc�� vi-
ve. N��o v�� bancar o ot��rio e deixar que
o depenem. Guarde bem o dinheiro..
Bill soltou uma risada.
��� Que h��, Jeff pensando que
sou uma crian��a?
��� Voc�� �� uma crian��a.Principa��mente,
em Cotton Hills.
��� Est�� at�� parecendo meu pai! ��� re-
clamou Bill.
Jeff encolheu os ombros:
��� S�� estava querendo preveni-lo...
Mas, tem raz��o: o problema �� seu. N��o te-
nho o direito de me meter na sua vida.
Apenas, n��o se esque��a que pretendo vol-
tar para Jefferson amanh�� cedo.
Bill saltou para o ch��o, sem despedir-
se do amigo. Enterrou as m��os nos bolsos
��� 7
e, de cabe��a baixa, avan��ou pela rua deser-
ta. Estava irritado. N��o gostava que o tra-
tassem como uma crian��a! Afinal, embo-
ra s�� tivesse dezoito anos, conhecia muito
a vida. N��o trabalhava desde os dez anos,
para ajudar os pais?
Depois de uma s��rie de pr��dios escuros,
que ladeavam o beco pr��ximo ao posto de
gasolina, ele desembocou na rua principal
de Cotton Hills. Como ajudante de Jeff
Blunder, j�� estivera naquela cidade umas
quatro vezes. Mas, sempre com tanta pres-
sa que nem dava tempo de visit��-la.
Os an��ncios luminosos encheram-lhe os
olhos. Cotton Hills era cinco vezes mais
movimentada do que Jefferson. E, ao con-
tr��rio de sua cidadezinha, que virava um
deserto depois das dez horas, possu��a vida
noturna.
Bill contou uns cinco bares, durante o
seu trajeto. At�� que descobriu uma boate,
cujo cartaz, em letras douradas, prometia
um "sensacional show com as mais lindas
garotas do Arizona."
Ele parou para observar as fotografias.
As garotas, em poses er��ticas e quase nuas,
eram interessantes. E a lourinha, estrela
do show, tinha um rostinho lindo, al��m do
busto suculento e de um par de coxas mo-
numentais.
8���
Mentalmente, Bill contou os trocados
no bolso. Dava para beber umas cervejas,
enquanto assistia ao show.
Ele empurrou a porta vermelha, com
o cora����o mais r��pido. Era a primeira vez
em que entrava em uma boate. E faz��-lo
sozinho representava uma aventura atre-
vida. O cartaz luminoso era sugestivo:
"Only For Men" (S�� para homens). Ele
sentiu-se um macho, como tantos outros
de Jefferson que, ao contar aventuras com
mulheres, deixavam-no babando de inveja.
A escurid��o do sal��o deixou-o atordoa-
do. O primeiro ��mpeto foi recuar, bater em
retirada. Mas, apareceu um homem com
uma lanterna, para iluminar-lhe o cami-
nho.
Bill achou muita gra��a. At�� parece ci-
nema com lanterninha, pensou, divertido.
��� Balc��o ou mesas?
Ele respondeu o que primeiro lhe veio
�� cabe��a:
��� Balc��o.
��� Por aqui, senhor.
O gar��om afastou-se r��pido. Foi preci-
so apressar o passo, para n��o perder o fa-
cho de luz que deslizava �� sua frente.
Toda a extens��o do balc��o de bebidas
era iluminada por l��mpadas vermelhas.
��� 9
Ele se acomodou na banqueta. Veio o bar-
man.
��� Uma cerveja ��� pediu, fingindo-se
desinibido.
Um perfume denso denunciou a pre-
sen��a de algu��m a seu lado. Ele virou-se.
Uma morena robusta acabara de se aco-
modar na banqueta cont��gua. Usava um
vestido que soltava fa��scas, a cada movi-
mento, como se fosse met��lico. O decote
em "V" descia at�� a altura do umbigo,
mostrando as curvas opulentas do busto.
��� Paga um drinque para mim, boni-
t��o?
O sorriso felino da mulher o intimidou.
Ele sentiu o sangue subir ao rosto. Engoliu
em seco.
_ Cl-claro ��� gaguejou, tentando mos-
trar-se desinibido. ��� Cerveja?
��� U��sque.
Ele chamou o gar��om.
��� Um u��sque para a senhorita ��� or-
denou.
A mulher achegou-se. Bill sentiu o ca-
lor do busto queimar-lhe o bra��o. Nos l��-
bios vermelhos, o sorriso era convidativo e
provocante.
��� Nunca o vi aqui.
10���
��� N��o sou de Cotton Hills.
��� Chamo-me Katty. E voc��?
��� Bill. Bill Cummings, ao seu dispor
A morena projetou-se para a frente. Ro-
��ou a parte nua do busto no bra��o de Bill.
Ele sentiu, atrav��s da camisa, a maciez
da carne el��stica e quente.
��� Vamos nos entender muito bem bo-
nit��o ��� sussurrou a mulher.
A m��o que desceu, displicente, ao lon-
go da coxa de Bill, deixou-o transtornado.
Quase se engasgou com a cerveja. Um ar-
repio percorreu-lhe a espinha e eri��ou os
cabelos na base da sua nuca.
��� Realmente, acho que vamos nos en-
tender muito b e m . . . ��� balbuciou, com es-
for��o para ser desinibido.
* * *
Sem o menor constrangimento pela
presen��a de Clay Gardner, Sally abriu o
z��per do vestido e o deslocou dos ombros,
fazendo-o rolar ao longo do corpo. A cal-
cinha que restou era m��nima e transparen-
te, nada ocultando.
Diante do espelho, soltou os cabelos
louros, que ca��ram numa cascata faiscan-
te at�� os ombros. A fotografia na entrada
��� 1 1
do "Only For Men" n��o iludia a fregue-sia. Ela era aquilo mesmo: uma beldade
curvil��nea, com n��degas rijas, seios empi-
nados e coxas perfeitas. Merecia o papel
principal, no show er��tico, que se limitava
a uma sucess��o de n��meros de striptease.
Da sua cadeira, Clay apenas a observa-
va. A seminudez, a impon��ncia dos qua-
dris e das coxas, n��o lhe despertavam in-
teresse ou desejo. Todas as garotas da boa-
te tinham passagem obrigat��ria em sua
cama. E ele se enfastiava r��pido de todas
elas.
��� Voc�� tem que decidir, Sally.
A loura girou bruscamente. Os olhos
azuis soltavam chispas.
��� Eu n��o vou, Clay! J�� disse mais de
mil vezes; eu n��o vou!
��� Don Nesken n��o vai gostar.
��� Pois eu quero que ele v�� para o
inferno!
Com movimentos lentos, Clay tirou o
ma��o de cigarros do bolso. Acendeu o ci-
garro com o isqueiro de ouro.
��� Don Nesken �� um sujeito muito im-
portante. N��o vale a pena desafi��-lo.
��� Ele n��o me mete medo.
Sally acabou de pentear os cabelos dou-
rados. Veio apanhar as roupas do show,
12���
bem diante de Clay. Mesmo assim, ele n��o
demonstrou rea����o diante de sua beleza.
A calcinha voou para longe, Sally ves-
tiu meias de n��ilon negras, que tornaram
suas coxas mais er��ticas, e colocou uma
cinta-liga tamb��m negra, e rendada. Por
cima, um vestido de seda colante, com
uma longa abertura do lado. S�� isso.
Bateram na porta do min��sculo ca-
marim, enquanto cal��ava os sapatos.
��� Est�� na sua vez, Sally.
��� J�� vou, Tom.
Ela deu uma ��ltima inspe����o no espe-
lho e caminhou para a porta. As n��degas,
apertadas pelo tecido faiscante, bambolea-
vam graciosamente.
��� At�� o final do show ele espera uma
resposta ��� insistiu Clay.
��� J�� disse que minha resposta �� n��o!
��� Sally abriu a porta e virou-se para
Clay. Tinha uma express��o desafiadora e
beligerante. ��� E nada de amea��as, Clay.
Sabe que voc�� n��o me mete m e d o . . .
��� Vai complicar minha vida, Sally.
��� Azar o seu.
��� Sabe que posso...
��� . . . despedir-me? ��� completou Sal-
ly, com ironia. ��� Duvido muito. Sabe mui-
to bem que, sem mim, essa porcaria ia fi-
���13
car ��s moscas. Esses ot��rios v��m para c��
me v e r . . . Eu poderia arranjar emprego f��-
cil em outro lugar. J�� lhe disse: todos os
dias h�� gente que me sonda, tentando levar-
me para outra boate. J�� imaginou se eu
fosse trabalhar no "Blue Dog", a�� em fren-
te? Sua espelunca ia �� fal��ncia!
Ela saiu e fechou a porta. Clay conti-
nuou enterrado na poltrona, ruminando
sua raiva. A cada dia, Sally tornava-se
mais atrevida. E o diabo era que tinha ra-
z��o: sem sua presen��a no show, por que
os fregueses iriam escolher o "Only For
Men", em detrimento de dezenas de bares
que se enfileiravam naquela rua?
Ele se levantou e amassou o cigarro
no cinzeiro. Mas, com raiva. Como se esti-
vesse apertando o pesco��o daquela presun-
��osa que tinha a ousadia de desafi��-lo.P��g 14
Capitulo 2
Bill estava atingindo uma alegria pe-
rigosa, quando o rufar de tambores anun-
ciou o ponto m��ximo da noite. A apresen-
ta����o de Sally Fenson, a rainha das noites,
anunciou a voz anasalada do apresenta-
dor. Como todos os ocupantes das banque-
tas, Bill girou para o palco.
A morena n��o o largava. Pediu mais
um uisque ao gar��om, sempre se esfregan-
do no seu corpo. A cerveja j�� afogara a
inibi����o de Bill, que passou o bra��o ao re-
dor de sua cintura e apalpou as ancas car-
nudas e redondas. Katty empurrou o copo
de cerveja para a sua m��o livre. P 15
��� Bebe, bonit��o. Quero que a noite se-
ja bem divertida. Gosto de ver homens fe-
lizes, ao meu lado.
Bill esvaziou o copo de um gole s�� e
pediu outra dose.
No palco, as cortinas abriam-se deva-
gar. O cen��rio representava um quarto de
dormir, com uma cama imponente no cen-
tro.
O facho de luz ofuscante deslizou at��
o canto, onde, entre duas cortinas brancas,
surgiu Sally. Aplausos discretos e assobios
agitaram a pequena clientela.
Ela avan��ou com passos felinos, ajus-
tando os movimentos ao ritmo dolente da
musica gravada em fita. Na beira do palco,
dan��ou eroticamente, ora ondulando os
quadris para a frente e para tr��s, ora es-
fregando as m��os nas coxas e nos seios.
O sil��ncio refletia o impacto de sua
sensualidade. Bill partilhava do fasc��nio ge-
ral. Nem percebia as provoca����es de Katty,
que continuava a apalp��-lo.
Depois de alguns minutos de dan��a er��-
tica, Sally desceu por uma escadinha. Ca-
minhou entre as mesas mais pr��ximas do
palco. O facho de luz a acompanhava. Na
16���
passagem, m��os tocaram em seu corpo.
Nos seios, nas coxas, nas ancas... Bill
amaldi��oou seu azar! Por que n��o esco-
lhera as mesas, quando o gar��om pergun-
tara?
Sally movia-se ligeiro, sem perder a sen-
sualidade, desafiando, com um sorriso pro-
vocante, as m��os que ansiavam pelo seu
corpo. At�� que parou diante de um homem
idoso. Deu-lhe as costas e puxou os cabelos
louros acima da nuca, revelando o fecho
do z��per.
Houve um zunzum de vozes, enquanto
c homem abriu o z��per. Sally jogou o ves-
tido para o palco e fingiu resguardar-se
das m��os que a apalpavam. Avan��ou entre
as poltronas sempre iluminada pelo facho
de luz.
Bill engoliu em seco, quando viu as n��-
degas muito brancas, alternando-se na on-
dula����o do seu caminhar er��tico.
Gritos de todos os lados chamaram Sal-
ly. Ela sorriu, fingindo avan��ar em v��rias
dire����es. At�� que se sentou numa mesa e
cruzou as pernas. Um felizardo ganhou a
honra de tirar-lhe a cinta-cal��a.
Bill observava tudo com as t��mporas
latejando. Jamais presenciara momentos
���17
t��o excitantes. A morena a seu lado dei-
xara de existir, embora estivesse debru��a-
da em seu bra��o e o acariciasse de forma
atrevida.
Por um momento o homem que ganhou
a cinta-liga como trof��u foi dono das co-
xas de Sally. Mas, ela n��o permitiu mui-
to. Logo escapulia, para, em outra mesa,
permitiu que outro fregu��s lhe tirasse as
meias de n��ilon brilhoso.
Os gritos e chamados intensificaram-
se. Mas, ela tornou-se dif��cil. Fugindo das
m��os, voltou para o palco, onde deitou-
se na cama. Durante v��rios minutos, es-
teve ��s voltas com um amante invis��vel,
ao qual oferecia o corpo inteiro para pre-
tensas car��cias que a alucinavam. Seus ge-
midos completaram o quadro de intensa
sensualidade. At�� que o facho de luz se
apagou e a m��sica cessou.
Aplausos e gritos exigiram sua volta.
Mas, ela n��o apareceu mais. Quem quises-
se mais, que retornasse no dia seguinte,
na mesma hora.
Aos poucos, a tranq��ilidade retornou ��
plat��ia. Os gar��ons movimentaram-se entre
as mesas, para atender os pedidos. O ho-
mem que ficara com a cinta-liga sacudia-a
18���
acima da cabe��a, satisfeito com o seu tro-
f��u.
��� Que mulher! ��� exclamou Bill, ex-
tasiado.
��� N��o �� s�� Sally que agrada aos ho-
mens! ��� reclamou Katty, beliscando-lhe a
perna. ��� Se quiser, fa��o um show exclusi-
vo para voc��.
Excitado com o striptease de Sally, Bill
estava com o sangue fervendo nas veias.
Espalmou a m��o sobre o busto seminu da
garota. Ro��ou os dedos na carne sedosa e
os afundou no estreito vale entre os mor-
ros monumentais.
Por um momento, Katty permitiu a in-
timidade. Depois, recuou, com um sorriso
sedutor.
��� Pague a conta, bonit��o ��� murmu-
rou, com voz rouca. ��� H�� um hotel aqui
perto... Vamos nos divertir �� vontade.
O efeito da cerveja e a fome sexual n��o
permitiam que Bill raciocinasse direito.
Ele chamou o gar��om, enquanto enfiava a
m��o no bolso.
��� Quanto foi a despesa? ��� pergun-
tou. P��g 19
��� Trinta e dois d��lares.
��� Como?!
O gar��om fechou a cara e repetiu a
quantia. Atordoado, Bill contou o dinheiro.
Nunca pagara tanto, por alguns goles de
cerveja.
Sentiu um frio na boca do est��mago,
quando viu que s�� tinha vinte e seis d��-
lares. Botou o dinheiro sobre o balc��o com
um sorriso torto nos l��bios.
��� Olha, amigo, aconteceu um neg��-
cio chato. Meu dinheiro n��o d�� para pa-
gar a conta... Mas, n��o precisa se preocu-
par. Semana que vem devo voltar a Cotton
Hills-. Prometo que pagarei o resto. N��o
sou caloteiro.
��� Quero o dinheiro agora! ��� rosnou
o gar��om, entre dentes.
Bill se apavorou. Ingenuamente, virou-
se para a mulher:
��� N��o tem dinheiro para me empres-
tar?
O rosto pintado sofreu uma radical
transforma����o. Foi-se a do��ura, a sensua-
lidade. Katty ficou agressiva, cheia de re-
pulsa.
20���
��� �� por isso que n��o gosto de me en-
volver com crian��as. Arranjam sempre
confus��o... O neg��cio �� transar com ho-
mem de verdade.
E ela se afastou, deixando Bill �� merc��
da impaci��ncia do gar��om.
��� Olha, amigo, n��o adianta me olhar
com essa cara. Estou sem dinheiro. Mas,
j�� disse que n��o sou caloteiro. Semana
que vem passo por aqui para saldar a d��-
vida. Quer que eu assine um vale?
Com a m��o direita, o gar��om fez um
gesto impercept��vel. Somente quando dois
grandalh��es encostaram em Bill, um de ca-
da lado, foi que ele compreendeu o chama-
do discreto.
��� Qual �� a do nosso amizade aqui?
��� perguntou um dos brutamontes.
��� N��o tem dinheiro para pagar a des-
pesa.
Uma manopla pesou no ombro de Bill.
��� Vamos l��, amizade. Venha com a
gente. No nosso escrit��rio, resolveremos a
parada.
Bill deixou-se conduzir at�� um corredor
nos fundos do sal��o. Suava frio. A noite
21
excitante transformar-se em um pesa-
delo. Amaldi��oou a hora em que decidira
dar uma volta. Se tivesse permanecido no
caminh��o, estaria, agora, dormindo na
maior tranq��ilidade.
Eles ultrapassaram uma s��rie de portas,
de onde vinham vozes femininas. Depois,
desembocaram numa esp��cie de dep��sito,
onde havia restos de cen��rios.
Um dos grandalh��es abriu uma porta e
os tr��s sa��ram para um beco escuro e de-
serto. O sopro frio do ar noturno aumentou
a ansiedade de Bill.
��� Que h��? ��� perguntou ele, for��ando
um sorriso. ��� Est��o brincando? Cad�� o
escrit��rio?
��� Esse �� o nosso escrit��rio. Aqui, resol-
vemos nossas paradas com espertinhos me-
tidos a caloteiros.
��� Ora, n��o v��o querer m e . . . Ufa!
Bill curvou-se, sem f��lego, com a de-
sagrad��vel sensa����o de que jamais volta-
ria a respirar. O soco no est��mago tivera
a viol��ncia de um coice de mula.
Um novo murro, na boca, projetou-o pa-
ra tr��s. Esbarrou num amontoado de cai-
22���
xotes e teve dificuldade em se manter de
P��.
Agora, ficava claro porque os granda-
lh��es resolviam suas paradas naquele "es-
crit��rio". Eles precisavam de escurid��o e
tranq��ilidade para massacrar os clientes
sem dinheiro.
Longinquamente, Bill sentiu o p��nico
de ser destru��do. Quis reagir, mas os m��s-
culos n��o obedeceram ao comando. �� eram
dois gigantes a esmurr��-lo. Embora n��o
fosse fraco, faltavam-lhe as condi����es m��-
nimas de enfrentar uma briga.
O ru��do seco e soturno dos socos do-
minaram o sil��ncio do beco, acompanha-
dos pelos rosnados dos agressores e os ge-
midos de Bill.
Quando viram que ele j�� n��o se ag��en-
tava de p��, os homens recuaram.
��� Que lhe sirva de li����o. Da pr��xima
vez que vier beber sem ter dinheiro para
pagar, vai ser bem pior.
Os homens se afastaram. Ofegante, Bill
permaneceu v��rios minutos encostado nos
caixotes. Em v��o, tentou recuperar-se. En-
saiou alguns passos e perdeu a firmeza
nas pernas. Oscilou e afundou no meio
das caixas.
��� 2 3
Uma angustiante vontade de vomitar
agitava-se no seu est��mago. Tudo girava.
Da virilha para cima, o corpo todo do��a.
Jamais se sentira t��o m a l . . .
Ele ficou quieto, louco para que as do-
res abrandassem. Encostou a cabe��a na
parede e tentou respirar fundo. Teve a
impress��o de que lhe haviam espetado mil
alfinetes nos pulm��es.
N��o soube quanto tempo passou, at��
que uma porta se abriu. Dois vultos passa-
ram para o beco, iluminados pela luz que
vinha do corredor da boate.
Bill encolheu-se, assustado. Seriam os
goril��es que vinham acabar com ele, defi-
nitivamente?
Mas, os homens n��o avan��aram na sua
dire����o. Caminharam at�� a beira da cal-
��ada oposta, onde havia um carro estacio-
nado, e pararam.
��� Acredite em mim, Nesken. Estou for-
��ando a barra. Mas Sally �� uma garota or-
gulhosa. N��o se deixa vergar com facili-
dade.
��� Voc�� n��o �� o patr��o dela?
��� Sim, sou. Mas, n��o posso for����-la a
fazer tudo que desejo.
2 4 -
��� Pois arranje um meio. J�� estou co-
me��ando a ficar impaciente.
��� Olhe, Nesken, essa garota �� indiges-
ta. Vai lhe dar mais aborrecimento do que
prazer. Por que n��o escolhe outra? Lilian,
por exemplo. �� uma coisinha fofa. E d��cil
como uma cachorrinha.
��� Quero Sally.
Ap��s as palavras bruscas e autorit��rias,
houve sil��ncio. Ao soar de novo, a voz do
sujeito que dialogava com o tipo chamado
Nesken ficou mais insegura.
��� Estou fazendo o poss��vel, Nesken.. .
��� Afinal, quem essa guria pensa que
��? Alguma rainha? Fica rid��culo, fazer-se
de t��o dif��cil. J�� falou a ela que pago alto?
��� J��, Nesken.
��� E mesmo assim ela n��o topou?
��� Sally �� uma garota cheia de id��ias.
N��o �� como as outras, que s�� pensam em
dinheiro... Ela gosta de escolher.
��� Ela tem que parar de bancar a gos-
tosa, ou se arrepender�� amargamente. Nin-
gu��m desafia Don Nesken impunemente.
���25
Vou dar uma semana de prazo. Se at�� l��
ela n��o se decidir .
Ele parou a frase pelo meio, deixando
no ar sinistras insinua����es.
��� Vou ver o que posso fazer, Nesken.
��� Trate de ajudar seus amigos, Clay.
Sen��o, nas horas de sufoco, quem estar��
do seu lado? Sabe que minha amizade faz
falta a qualquer u m . . .
��� Claro, Nesken! N��o desejo perder
um amigo como voc��... tenho o m��ximo
de interesse em atender suas vontades.
Depois de ouvir as frases servis, Don
Nesken afastou-se. Uma porta de carro se
abriu, para fechar-se em seguida. O motor
roncou, no sil��ncio da noite. Jatos de luz
dos far��is vasculharam o beco, enquanto
o ve��culo manobrava.
��� At�� outro dia, Nesken!
O carro avan��ou, at�� que seu barulho
perdeu-se na distancia.
Rosnando palavr��es, o outro homem en-
trou no cabar�� e fechou a porta com um
estrondo. A escurid��o e o sil��ncio voltaram
a imperar no beco
2 6 ���
Bill esperou alguns minutos e tentou
erguer-se. O corpo doeu tanto que desis-
tiu. Procurou a melhor posi����o entre os
caixotes e fechou os olhos. Sem perceber,
adormeceu.
A claridade do novo dia o despertou.
Ele abriu os olhos, atordoado, e custou a
perceber que estava sentado num beco su-
jo, ladeado por caixotes mal-cheirosos e
com a cabe��a apoiada numa parede dura e
��mida.
Devagar, recordou-se do pesadelo da
v��spera. Lento e cheio de dores, p��s-se de
p��. Andou devagar, com a m��o pronta pa-
ra apoiar-se na parede.
Cotton Hills despertava. Seu rel��gio pa-
rar��, mas imaginou que passava de sete
horas da manh��.
Um sobressalto o invadiu. Jeff dissera
que queria sair cedo. A essa altura, j�� de-
via ter partido. Era um sujeito inflex��vel,
que jamais concedia uma segunda chance
��s pessoas.
Bill avan��ou o mais r��pido que p��de.
Como o beco desembocava numa rua que
n��o conhecia, custou a achar o posto de
gasolina. Com amargura, constatou o que
j�� esperava: Jeff partira.
- 2 7
Ele ainda tentou encontr��-lo no dep��-
sito visitado na v��spera. Em v��o. Foi in-
formado que Jeff descarregara muito cedo
e partira imediatamente para Jefferson.
Um profundo des��nimo invadiu Bill
Sentiu-se o mais miser��vel dos homens
Tr��pego, caminhou at�� a estrada e ficou
fazendo sinal, at�� que uma alma bondosa
lhe deu carona at�� Jefferson.
2 8 -
Capitulo 3
Bill, n��o se deixou abater com o inci-
dente em Cotton Hills. Durante v��rios dias,
ficou cheio de dores, sem condi����es de co-
mer direito. Evitou, por��m, lamentar-se da
sorte. Disse para si mesmo que a experi��n-
cia fora v��lida, no seu aprendizado de ho-
mem. Todos os seus amigos tinham casos
semelhantes, ou piores, para contar sobre
as andan��as em busca de sexo e diverti-
mento.
Tamb��m n��o ficou zangado com Jeff.
Ele tivera suas raz��es em m��o esper��-lo.
Principalmente, porque fizera uma adver-
t��ncia clara sobre seu desejo de viajar
bem cedo.
���29
De tudo, restara uma recorda����o in-
quietante: a conversa que ouvira no beco.
O homem chamado Don Nesken fora bem
expl��cito em suas amea��as. Se Sally con-
tinuasse a recusar o que ele desejava, aca-
baria sofrendo s��rias conseq����ncias. Quem
sabe n��o pagaria sua recusa com a pr��pria
morte.
Se os dois homens tivessem falado de
outra pessoa, talvez ele n��o ficasse t��o en-
cimesmado. Mas de Sally n��o conseguia
se esquecer. Bastava fechar os olhos e a
via, toda exuberante, caminhando entre as
mesas, rebolando o corpo monumental no
palco. Encarava como um absurdo o fato
de algu��m ter coragem de lhe fazer mal.
Chegou o final da semana e, no des-
canso do domingo, longe das atribui����es
do dia-a-dia, pensou muito no caso. �� noi-
te, deu um pulo �� casa de Jeff. Podia con-
versar com seu pai, mas sentia-se mais ��
vontade com Jeff. Entendiam-se bem. Ele
n��o era prepotente nem se exibia como
dono das verdades do mundo como seu
pai.
Jeff estava na varanda, fumando um
cachimbo. Ao alcance da m��o, havia um
copo e uma garrafa de cerveja.
30���
��� Boa-noite, Jeff, Podemos bater um
papo?
��� Claro. Suba at�� aqui.
Bill galgou a escada da varanda. Sen-
tou-se ao lado de Jeff.
��� Aceita um gole?
Bill recusou com um movimento de
cabe��a.
��� Descansou bastante? Vamos ter uma
semana b r a b a . . . Arranjei frete para todos
os dias, at�� s��bado.
��� Sabe que n��o tenho medo do tra-
balho.
Bill recostou a cabe��a na cadeira e fi-
cou observando o c��u estrelado. Jeff agar-
rou o copo de cerveja e o esvaziou deva-
gar. A noite estava pregui��osa, pouco con-
vidativa para qualquer atividade.
��� Queria falar um neg��cio com voc��.
��� Ent��o, desembuche.
Devagar, cheio de hesita����es. Bill con-
tou a conversa que ouvira no beco atr��s
do "Only For Men".
��� Estou com esse neg��cio atravessado
na garganta. Aquele sujeito parecia muito
perverso. �� bem capaz de matar a garota.
��� N��o acredito que chegue a esse ex-
tremo. Os malandros s��o espertos. Jamais
se complicam com a pol��cia.
���31
��� Mesmo assim, ela est�� correndo ris-
��� Voc�� parece muito preocupado com
o assunto.
��� E estou, j�� imaginou o que pode
acontecer a uma mulher indefesa, nas gar-
ras de dois patifes?
Jeff riu da revolta de Bill, que se abor-
receu.
��� N��o acho gra��a nenhuma no assun-
to!
��� Acontece que voc�� ainda �� uma
crian��a. N��o entende da vida. Essa mu-
lher n��o �� nenhuma donzela ing��nua, ��
merc�� de dois bandidos. Dan��arinas de
cabar�� n��o s��o mo��as de fam��lia que des-
conhecem o mundo. Na certa, trata-se de
uma mulher escolada, que sabe lidar com
situa����es desse tipo.
��� Sei que ela n��o �� uma garota ing��-
nua. Mas isso n��o exclui o fato de que
est�� correndo risco de vida.
Jeff desgrudou-se da cadeira para obser-
var Bill melhor.
��� Trate de esquecer esse assunto. �� o
melhor que tem a fazer.
��� J�� tentei. Mas, n��o consigo.
Jeff tornou a se recostar na cadeira.
Soltou lentas baforadas do cachimbo.
32���
- Que pretende fazer?
Dar um pulo a Cotton Hills ��� res-
por
pondeu Bill, baixinho, j�� pronto para a
r e n :
reprimenda de Jeff.
Mas, ela n��o veio.
��� Ir a Cotton Hills para qu��? Pro-
curar a pol��cia?
��� Talvez.
Jeff examinou-lhe o rosto com um olhar
profundo e encolheu os ombros.
��� Est�� bem, voc�� �� quem sabe. Cada
louco com a sua mania.
Bill alegrou-se com a velada aquies-
c��ncia de Jeff.
��� Estou com vontade de ir amanh�� ��
noite e voltar na ter��a pela manh��. Acho
que, assim, n��o vou atrapalhar demais o
trabalho com o caminh��o...
��� D��-se um jeito.
��� Puxa, Jeff, voc�� �� um amig��o!
Durante um momento, houve sil��ncio
na varanda. Jeff tornou a encher o copo
com cerveja.
��� O problema �� que estou completa-
mente duro ��� lamuriou-se Bill, brusca-
mente.
Jeff captou a indireta:
��� De quanto precisa?
���33
��� Umas cem pratas. Eu lhe pagarei
no final da semana, quando receber.
Jeff levantou-se. Entrou na cass e vol-
tou com uma nota de cem d��lares. Entre-
gou-a a Bill, que se desmanchou em agra-
decimentos.
��� Tome cuidado. N��o v�� se meter em
encrenca. Essa gente �� muito esperta e
cruel.
Bill p��s-se de p��, emocionado com a
atitude de Jeff.
��� Puxa, voc�� �� um amig��o!
Ele voltou para casa, feliz da vida. As-
sobiou pelo percurso inteiro. Deitou-se,
pensando em Sally, e sonhou com ela.
Acordou cedo e trabalhou com empe-
nho redobrado. Ao cair da tarde, foi para
casa, tomou um banho e trocou de roupa.
Para os pais, disse que ia com Jeff a Cot-
ton Hills, para entregar uma encomenda.
Ningu��m lhe perguntou nada. O que j�� era
de praxe, pois nem seu pai nem sua m��e
se interessavam muito pela sua vida.
Para economizar dinheiro, ele viajou
de carona. Quando chegou a Cotton Hills,
j�� escurecia.
Fez hora, perambulando pelas ruas re-
pleta de pessoas apressadas em retornar
34���
para casa. J�� passava de nove horas, quan-
do se encaminhou para o "Only For Men".
Estava nervoso. Nem valia a pena ten-
tar se iludir. As m��os suadas e o aperto
na boca do est��mago tiravam-lhe a tran-
q��ilidade. N��o era apenas a incerteza acer-
ca da receptividade de Sally.Havia, tam-
b��m, a perspectiva desagrad��vel de retor-
nar ao lugar onde ganhara uma surra im-
piedosa.
A boate j�� estava aberta, mas ele n��o
entrou pela frente. Preferiu tentar a sorte
por tr��s, no beco onde o tinham massacra-
do.
A porta ladeada por lat��es vazios esta-
va aberta. Ele foi entrando.
��� Ei, rapaz, aonde pensa que vai?
��� Quero falar com Sally ��� disse Bill,
virando-se para o velhote que veio no seu
encal��o.
��� �� parente dela?
��� N��o.
O velho o analisou detidamente. Fez
uma careta.
��� N��o o conhe��o ��� resmungou.
��� Preciso ver Sally. Tenho um assun-
to urgente para tratar com ela.
O velho arreganhou a boca num sorriso
matreiro, exibindo os dois ��nicos dentes
que lhe restavam.
���35
��� Todas as noites, h��, pelo menos,
vinte caras que aparecem aqui, com um as-
sunto urgente para tratar com Sally.
��� Estou falando s��rio! O assunto �� im-
portante para ela!
Sua veem��ncia abalou a convic����o do
velhote.
��� Se quiser, eu o levo ao escrit��rio do
Sr. Clay.
O nome n��o era estranho para Bill. Ele
se lembrou da conversa ouvida no beco. Um
dos homens se chamava Clay.
��� N��o. Com ele n��o quero falar.
��� Ent��o, nada feito, Sally n��o me dis-
se que estava esperando visitas.
Bill abriu os bra��os, ansioso.
��� Ser�� que n��o entende? �� importan-
te para ela.
��� V�� dando o fora, rapaz. Se me en-
cher a paci��ncia, chamo o pessoal da se-
guran��a.
Bill estremeceu, ao pensar nos granda-
lh��es.
��� N��o �� justo. S�� quero ajudar Sal-
l y . . .
��� D�� o fora!
Algu��m entrou pela porta de servi��o.
Parou ao lado de Bill.
36���
��� Que h��, bonit��o? Por acaso, gosta
de apanhar e armar encrenca?
Virando-se, Bill topou com Katty.
Custou a reconhec��-la. Sem a maquilagem
pesada, ela parecia dez anos mais velha.
Ele a encarou sem ressentimento. No mo-
mento, s�� conseguia pensar em ajuda.
��� Foi bom voc�� chegar. Diga a esse
senhor que preciso falar com Sally. Ela po-
de estar correndo um s��rio risco.
Katty franziu a testa:
��� Voc�� �� maluco, por acaso?
��� Ora, por favorl Voc��s t��m que me
ajudar!
��� J�� estou de saco cheio, rapaz. V��
dando o fora!
��� Calma, vov��. Ele agora est�� comi-
go. Deixe-o falar.
O velhote resmungou alguns palavr��es
e se afastou. Katty fitou Bill dentro dos
olhos:
��� Ou voc�� �� doido ou realmente tem
alguma coisa muito importante para falar
a Sally. Caso contr��rio, n��o se atreveria a
aparecer aqui.
Bill suspirou, com al��vio:
��� Ent��o voc�� vai me ajudar?
Katty n��o veio trabalhar h o j e . . .
��� Por qu��? P��g 37
��� �� o dia de sua folga. Mas, eu vou lhe dar o endere��o dela. S�� espero que n��o esteja dando uma mancada. Sen��o, Sally vai
me devorar viva.
Ela arranjou l��pis e papel. Rabiscou o
endere��o de Sally e o entregou a Bill.
��� Sally �� uma boa garota. Gosto de-
la. N��o quero que nada ruim lhe aconte-
��a.
Bill mastigou um agradecimento e saiu
��s pressas. Quanto antes visse Saly, me-
lhor.
38���
Capitulo 4
Bill estava com o cora����o na m��o,
quando parou diante do apartamento de
Sally. Imaginou-a gritando, agredindo, fa-
zendo um escarc��u dos diabos.
O primeiro ��mpeto foi bater em retira-
da. Mas, ele se conteve. Estendeu a m��o e
tocou a campainha. A porta se abriu e ele
se viu diante de uma loura com os cabe-
los puxados at�� a nuca. Com ela, acontecia
o inverso de Katty: sem a maquilagem no-
turna, parecia mais nova e mais bonita.
��� Que deseja?
��� Preciso falar com voc��.
Sally botou-se na defensiva.
��� Sobre o qu��?
��� 3 9
��� Sobre Don Nesken e um sujeito cha-
mado Clay.
Sally franziu a testa:
��� Eu j�� o conhe��o?
��� N��o.
��� Quem o mandou aqui?
��� Ningu��m.
��� Certamente voc�� �� capanga de Nes-
ken.
��� Juro como n��o sou!
��� Ent��o, o que quer de mim?
��� Vim apenas avis��-la de determinado
risco que est�� correndo.
��� Risco?
��� E. H�� gente que pretende prejudi-
c��-la.
Depois de meditar por um momento,
Sally recuou:
��� Entre.
Bill a acompanhou at�� o centro da sa-
la, onde sentaram em poltronas. O vestido
leve e despretencioso insinuava os contor-
nos mais suculentos do corpo todas as noi-
tes cobi��ado no "Only For Men".
��� Outro dia, eu ouvi uma conversa en-
tre Clay e Don Nesken, nos fundos da boa-
te. O tempo todo falaram a seu respeito...
��� Bill enrubesceu levemente, sem saber
como prosseguir. ��� Nesken est�� muito in-
40--
-
teressado em voc��. Prometeu tirar uma des-
forra, caso continue a desprez��-lo.
Sally encarou Biu com muito interes-
se:
��� Se voc�� nem me conhece, por que
veio me contar tudo isso?
��� Piquei preocupado. Achei que sua vi-
da estava em risco.
��� Voc�� mora em Cotton Hills?
��� N��o. Sou de Jefferson.
��� Ent��o, veio de l o n g e . . . ��� ela me-
neou a cabe��a, pensativa. ��� Francamente,
n��o d�� para entender.
��� N��o �� necess��rio que voc�� entenda a
minha atitude. Basta, apenas, que tome
precau����es.
��� Nesken �� um sujeito autorit��rio e
tir��nico, mas n��o acredito que tome uma
atitude dr��stica contra mim. Sabe que se
me matasse colocaria a pol��cia da cidade
em p��-de-guerra. A cidade �� muito paca-
ta. Todos ficariam horrorizados com um
assassinato e exigiriam a puni����o imedia-
ta do criminoso.
��� H�� v��rias maneiras de atingir uma
pessoa, sem mat��-la.
Sally respirou fundo. Inflando o pei-
to, aproximou o busto do tecido do vestido.
Bill viu, com nitidez, os contornos dos ma-
milos escuros. Engoliu em seco, confuso.
���41
Sally levantou-se.
��� De qualquer maneira, agradou seu
interesse. E dif��cil encontrar pessoas assim,
hoje em d i a . . . Qual �� mesmo o seu nome?
��� Bill.
Com um sorriso nos l��bios, ela lhe es-
tendeu a m��o.
��� Voc�� foi muito bacana. Obrigada.
Ele apertou a m��o oferecida, sem entu-
siasmo. Na sua imagina����o adolescente,
criara desfechos bem mais emocionantes
para aquele encontro.
��� Voc�� n��o vai fazer nada?
��� Que poderia fazer?
��� Pedir prote����o �� pol��cia, por exem-
plo.
Sally sorriu. Seus dentes eram muito
bonitos.
��� Certamente a pol��cia iria ficar mui-
to preocupada com o meu destino, se eu
aparecesse por l�� e dissesse que algu��m me
falou que Don Nesken pretende se vingar
de mim ��� ironizou.
Bill baixou o olhar, encabulado.
��� Bom, eu s�� quis ajudar voc��...
Ela o conduziu at�� a porta. Era dona
absoluta da situa����o.
4 2 ���
��� Adeus, Bill. Foi um prazer imenso
conhec��-lo.
N��o houve jeito sen��o dizer adeus e
passar para o corredor. Sorrindo-lhe, Sal-
ly fechou a porta suavemente.
Ele caminhou at�� o elevador, de om-
bros encolhidos e cabe��a baixa. No fundo
da mente, ampliava-se a convic����o de que
fizera o papel de um tolo. ��quela altura
dos acontecimentos, Sally devia estar dan-
do boas gargalhadas ��s custas do matuto
que viera de t��o longe para lhe encher
os ouvidos de bobagens.
��� Fui um perfeito ot��rio! ��� resmun-
gou, arrependido da atitude tomada.
Estava decidido a seguir direto para a
esta����o rodovi��ria e pegar o primeiro ��ni-
bus para Jefferson. Sua aten����o, por��m,
foi atra��da para dois grandalh��es que con-
fabulavam junto a um carro e, depois, ca-
minharam at�� a porta do edif��cio.
Na sua imagina����o, pintou-os como
gangsters. Mais precisamente: capangas de
Don Nesken.
Deu de ombros e seguiu em frente, dis-
posto a se esquecer de Sally. Mas, d��vidas
interromperam sua trajet��ria. Ele voltou.
Parou diante do pr��dio, indeciso. Depois,
tomou uma decis��o: por que n��o averiguar?
Custava t��o pouco. P��g 43
Logo que saiu do elevador, no andar de
Sally, percebeu que estava acontecendo al-
guma coisa de errado. A porta do aparta-
mento dela estava aberta. Do seu interior
vinham vozes exaltadas. Ele correu at�� l��.
Um dos grandalh��es agarrara Sally por
tr��s, enquanto o outro tentava esfregar al-
go em seu rosto.
��� Se gritar �� pior, boneca!
Ela se debatia, dominada por um p��ni-
co incontrol��vel.
��� Deixem essa mulher em paz!
O grito de Bill chamou para si a aten-
����o dos tr��s. Os grandalh��es se irritaram.
Voc�� deixou a porta aberta, Mick!
Resoluto, Bill avan��ou.
��� Se n��o deixarem Sally em paz, cha-
marei a pol��cia!
��� V�� embora, garoto. N��o arranje en-
crencas. Meta-se com a sua vida.
��� D��em o fora! Ou chamarei a pol��cia.
Olha que n��o estou brincando!
O goril��o chamado Mick ficou enfure-
cido.
��� Vou lhe dar uma li����o. Depois que
arrebentar seus dentes todos, vai aprender
a n��o se meter onde n��o �� chamado.
Bill p��s-se em guarda. Pelo menos, bri-
gar, ele sabia. E a profiss��o de ajudante
9
44
de caminh��o o mantinha em constante
exerc��cio f��sico.
Ele escorou o primeiro soco do bruta-
montes e acertou-lhe um murro no quei-
xo. Apesar da viol��ncia do golpe, o efei-
to foi m��nimo. A montanha de carne ti-
nha uma resist��ncia incr��vel. E despencou
para cima de Bill, que saltou para o lado
e fugiu do bote.
O grandalh��o tentou atingi-lo de novo
e recebeu uma cadeirada na cabe��a. Um
filete de sangue brotou em sua testa, mas
o ��mpeto de destruir continuou intenso.
Grunhindo, ele tentou encurralar Bill no
canto de uma parede. Um brilho assassino
cintilava em seus olhos frios.
Bill escapou do primeiro bote, mas viu
que a situa����o estava preta. Se o gran-
dalh��o o agarrasse, pouco poderia fazer,
al��m de ganhar uma surra.
Duas velhotas apareceram na porta.
��� Deus do c��u! O que est�� acontecen-
do aqui?!
��� Eles est��o brigando!
��� Deve ser um assalto!
��� Venha, Margot! Vamos chamar a
pol��cia!
T��o logo as velhotas desapareceram, o
sujeito que segurava Sally a largou. Cor-
reu para a porta.
���45
��� Venha Mick. N��o d�� mais... As
coisas v��o engrossar. �� melhor dar no p��
o quanto antes.
Mick fez um gesto de quem lamenta
perder uma brincadeira, mas n��o resistiu
ao comando de seu companheiro. Lan��ou
um derradeiro olhar maligno para Bill e
fugiu.
Sally caiu de joelhos, chorando convul-
sivamente. Bill fechou a porta e veio aten-
d��-la. Ergueu-a, segurando-lhe os ombros,
e a levou para o sof��. Sentiu-se magn��ni-
mo, temo.
��� N��o fique assim. O pior j�� passou.
��� Ele ia passar ��cido no rosto! Imagi-
ne s��! Ia me desfigurar completamente.
Sentaram-se no sof��. Bill ficou em
sil��ncio, embevecido com a sua beleza e a
sua fragilidade. Sentia-se muito feliz, no
papel de protetor.
Depois do desabafo, Sally enxugou os
olhos com o dorso das m��os e sorriu.
��� Voc�� foi maravilhoso, Nem sei como
lhe agradecer.
��� Eu vim para ajud��-la. Ainda bem
que voltei a tempo.
��� Agora vejo que voc�� n��o estava exa-
gerando. Don Nesken �� mais cruel do que
eu imaginava. P��g 46
��� Eu a aconselho a h��o passar esta
noite aqui.
��� N��o tenho para onde ir.
��� Hospede-se em um hotel.
Os olhos de Sally cintilaram com uma
do��ura capaz de derreter o cora����o do
mais cruel dos homens.
��� Se voc�� passasse a noite aqui, no
meu apartamento, eu me sentiria mais pro-
tegida.
O aperto na garganta de Bill foi t��o
grande que ele n��o conseguiu falar.
��� N��o acredito que eles voltem. Mas,
aqui ou em um hotel, eu iria me sentir
muito solit��ria.
Bill quis dizer que teria imenso prazer
em proteg��-la, mas as palavras n��o sa��-
ram.
Os dedos macios e gelados de Sally des-
lizaram em seu rosto.
��� Fique ��� balbuciou ela. ��� Garanto
que n��o se arrepender��.
Sem esperar pela resposta de Bill, Sally
ergueu-se sobre os joelhos. Passou os bra-
��os ao redor do pesco��o dele e apertou-lhe
o rosto contra o busto macio e t��pido.
��� Um homem bondoso, forte e prote-
tor faz falta na vida de qualquer mulher.
Bill fechou os olhos. Uma paix��o incon-
trol��vel turbilhonava em seu sangue. Para
���47
a sua inexperi��ncia, aquela situa����o era
fonte de uma excita����o maravilhosa. Dava
para sentir a pulsa����o do corpo de Sally,
generosamente quente e perfumado.
Agindo na base dos instintos, ele espal-
mou as m��os sobre as n��degas redondas.
Fez press��o, para sentir a pujan��a da car-
ne. Sally estremeceu e apertou a virilha
no seu corpo. Suspirou baixinho.
��� Fique comigo ��� balbuciou, em tom
de s��plica.
��� Eu vou f i c a r . . .
Por um momento, ela intensificou o
abra��o, apertando a boca e o nariz de Bill
no sulco profundo entre os seios. Depois,
afastou-se. Fitou-o com ternura pelo agra-
decimento e pousou um beijo s��frego nos
l��bios de Bill. Ele entreabriu os dentes,
para permitir o avan��o da l��ngua que esta-
va doida para invadir sua boca.
Depois do beijo ofegante, Sally mordis-
cou-lhe a orelha, enchendo-o de delicio-
sos arrepios.
��� Tenho conhecido poucos homens ba-
canas. Quando encontro um, fico barati-
nada. Nunca mais esquecerei voc��.
As m��os de Bill tatearam os contornos
das n��degas. E desceram para as coxas,
Sally rodopiou o corpo, para sentar-se no
seu colo. Continuou com os bra��os de seda
48���
ao redor de seu pesco��o. Brindou-o com
outro beijo delicioso.
O envolvimento emocional foi t��o in-
tenso que Bill nem se deu conta do que
acontecia. Com seu fasc��nio hipnotizante,
Sally fez-se dona da situa����o. Tratou de
despir os dois e, deitada sobre ele, con-
duziu-o ao para��so.
Enquanto estremecia de prazer, Bill
compreendeu que enfrentava uma expe-
ri��ncia ��nica em sua vida. Pouco conhecia
do amor e da paix��o, mas duvidava que
viesse a conhecer outra mulher com o
mesmo calor e a mesma do��ura de Sally.
Apertou-a em um abra��o sufocante e
gemeu de prazer. Sally era uma mulher
completa. Nos seus bra��os, sentiu-se um
homem realizado. P��g 49
Cap��tulo 5
Bill estendeu bra��os e pernas. Fechou
os olhos, com um sorriso nos l��bios. Nem
deva vontade de se mexer. O torpor mus-
cular era delicioso.
��� Agora vista-se e v�� embora.
Ele abriu os olhos. Sally voltara do ba-
nheiro sem fazer ru��do. Tomara banho,
porque tinha os cabelos molhados. O rou-
p��o branco e felpudo exibia o sulco entre
os seios e metade das coxas.
��� Como disse?
��� Vista-se e v�� embora.
Bill sentou-se na cama. Analisou as fei-
����es de Sally, sem sucesso. Franziu as so-
brancelhas.
50���
��� Por que est�� me mandando embo-
ra?
Sally baixou o rosto.
��� �� melhor assim.
��� Por qu��?
Ela afastou-se da cama. Apanhou a es-
cova e foi pentear os cabelos molhados
diante do espelho.
��� Voc�� pediu para eu passar a noite
aqui.
��� Mudei de id��ia.
��� N��o posso acreditar. D��-me um mo-
tivo, pelo menos, para eu ir embora.
Sally virou-se bruscamente. Havia triste-
za em seus olhos.
��� Voc�� �� muito crian��a para enten-
der certas coisas!
Com raiva, Bill esmurrou o colch��o.
��� Porcaria! Todo o mundo vive dizen-
do isso para m i m . . . Palavra como n��o
entendo. Afinal de contas, n��o fui crian��a
para defender voc�� daqueles sujeitos, nem
para fazer sexo.
��� Por favor, Bill, n��o complique as
coisas.
��� Est�� com medo de que seu namora-
do descubra que passei a noite aqui?
��� N��o tenho namorado ��� resmungou
Sally, mastigando as palavras.
���51
Bill levantou-se da cama. Aproximan-
do-se de Sally por tr��s. Pousou as m��os em
seus ombros e observou seu rosto atra-
v��s do espelho.
��� Eu quero ficar com voc�� ��� murmu-
rou.
Os olhos tristes buscaram os seus.
��� Acontece que n��o quero envolv��-lo
nesse assunto, Bill. Pode haver encrenca
da grossa. Don Nesken �� um sujeito vin-
gativo. Vai ficar uma fera, quando souber
que seus capangas sa��ram derrotados.
��� Mais uma raz��o para eu ficar ao
seu lado.
Com ternura, Sally afagou a m��o quen-
te que fazia press��o no seu ombro.
��� Voc�� �� um rapaz muito bacana. N��o
�� justo que eu transtorne sua vida.
��� Mas eu quero ajud��-la!
��� N��o, Bill. �� melhor voc�� ir embora.
��� Eu vou ficar! Nem quero pensar em
perder v o c �� . . .
O sorriso de Sally foi amargo.
��� N��o se perca por causa de um en-
tusiasmo passageiro. N��o sou a ��nica mu-
lher bonita e carinhosa do mundo. Outras,
talvez superiores a mim, cruzar��o seu ca-
minho. P��g 52
��� Mas nenhuma ser�� igual a voc��.
��� Oh, Bill, n��o complique as coisas...
Curvado, ele beijou o rosto macio e com
cheiro de sabonete. Enfiou a m��o pela aber-
tura do roup��o, excitado com a possibili-
dade de ser dono da intimidade de uma
mulher t��o bonita.
Sally protestou debilmente. Largou o
pente e tentou conter os dedos que contor-
navam um seio. Lutou contra a ousadia de
Bill. Mas, sem entusiasmo, sem a m��nima
vontade de vencer.
O roup��o ficou pelo ch��o e os cabelos
molhados foram umedecer o travesseiro
amarfanhado. Durante v��rios momentos, o
corpo de Bill oscilou furiosamente, num
vaiv��m dominador, num p��ndulo que dei-
xou Sally louca. Ela acabou por gritar de
prazer, com as unhas cravadas em seus
flancos.
��� Agora, mande-me embora ��� desa-
fiou ele.
Sally virou o rosto para o outro lado.
��� Voc�� �� um louco, Bill.
Ele a calou com um beijo. Depois, sen-
tou-se na cama, para melhor observ��-la.
��� Precisamos fazer alguma coisa ���
murmurou. ��� Se Don Nesken �� t��o vinga-
tivo quanto voc�� disse, voltar�� �� carga.
���53
Nesse caso, seria melhor que voc�� abando-
nasse bem depressa Cotton Hills.
��� Mas, eu n��o tenho para onde ir.
��� Por que n��o passa uns dias comigo,
em Jefferson?
��� Ora, n��o quero abusar da sua boa-
vontade.
��� Na minha casa h�� um quarto espe-
cial para h��spedes. Voc�� poder�� ficar l�� o
tempo que quiser.
��� E seus pais? Ser�� que concordar��o
com a id��ia?
��� Para essas coisas, eles s��o muito
compreensivos. Duvido que digam uma
��nica palavra de reprova����o.
��� N��o, sei, B i l l . . .
Ele a abra��ou, cheio de ternura:
��� Vamos! ��� insistiu. ��� Prometo que
cuidarei direitinho de voc��.
A proposta era muito tentadora. E Sal-
ly, que necessitava terrivelmente um apoio
emocional, acabou aceitando.
��� Est�� bem. Passarei uma semana na
sua casa. Ent��o, verei qual rumo dar �� mi-
nha vida.
��� Puxa, vai ser o maior barato!
Eles se abra��aram. Come��aram com bei-
jos despretensiosos e acabaram fazendo se-
xo com intensidade e paix��o.
54
Por volta das seis horas da manh��, Bill
acordou Sally.
��� Trate de arrumar suas coisas. Que-
ro pegar o primeiro ��nibus para Jeffer-
son.
Ela sentou-se na cama, esfregando os
olhos.
��� Talvez fosse melhor eu viajar mais
tarde. Quero falar com Clay. Ele me deve
uma semana de trabalho.
��� Ficou maluca? N��o faz sentido botar
as cabe��a na toca do lobo.
Sally levantou-se. Encantadoramente
nua, perambulou pelo quarto. Encheu uma
mala com as coisas mais necess��rias. De-
pois, encarou Bill de frente.
��� Tem certeza de que n��o irei trans-
tornar sua vida?
��� Absoluta. Passarei a semana mais
feliz de minha vida!
O entusiasmo de Bill enterneceu Sally.
Ela o beijou levemente no rosto.
��� Ent��o, vamos ��� murmurou.
Bill sentiu-se orgulhoso de desfilar pe-
las ruas de Gotton Hills com aquela lou-
ra bonita e charmosa, que atra��a olhares
masculinos. Sentiu-se homem, muito ho-
mem, por ter realizado uma conquista de
causar inveja.
- 5 5
O destino parecia conspirar a favor de-
les. O pr��ximo ��nibus com destino a Jef-
ferson j�� estava de partida. Nem tiveram
que esperar dez minutos. Fizeram a viagem
abra��adinhos. Sally pousou a cabe��a no
ombro de Bill e acabou adormecendo. Com
um soriso nos l��bios, ele a envolveu com
um bra��o protetor e ficou saboreando o
perfume dos cabelos louros que esvoa��a-
vam contra seu rosto.
Quando desembarcaram em Jefferson,
a confian��a de Sally se desvaneceu. Ela he-
sitou era acompanhar Bill.
��� N��o seja boba. Meus pais v��o ado-
rar conhecer voc��.
Na verdade, seu pai j�� sa��ra para tra-
balhar. Em casa, havia apenas sua m��e.
Ela o recebeu secamente, como de h��bito.
E lan��ou um olhar desconfiado at�� Sally,
que, envergonhada, baixara o rosto.
Com um movimento de cabe��a, a m��e
de Bill o interpelou. Ele sorriu.
��� Essa �� Sally. Ela vai passar uma se-
mana conosco.
��� Eu n��o queria vir. Mas, seu filho
insistiu m u i t o . . .
Amanda Frommer continuou em sil��n-
cio.
��� O quarto de h��spedes est�� arruma-
do, n��o?
56���
��� Nossa casa sempre est�� arrumada ���
retrucou sua m��e, secamente.
Bill puxou Sally pelo bra��o.
��� Venha, vou mostrar-lhe o seu quar-
to.
Os dois subiram a escada, sob o olhar
desconfiado de Amanda Frommer.
��� Parece que ela n��o gostou da id��ia
��� murmurou Sally, quando desembocaram
no corredor superior.
��� N��o ligue para mam��e. Ela �� assim
mesmo. Vive eternamente de nariz torcido.
Parece que brigou com o mundo.
Bill abriu a porta do quarto.
��� Agora, fique �� vontade. Arrume suas
coisas e descanse um pouco.
��� Aonde voc�� vai? ��� murmurou Sal-
ly, a quem n��o agradava a id��ia de ficar
sozinha naquela casa estranha.
��� Vou procurar Jeff. Talvez possa dar
uma m��ozinha a ele, na parte da tarda
H�� um bocado de frete para n��s.
Ela passou os bra��os ao redor do seu
pesco��o e o beijou na boca:
��� Voc�� �� um rapaz formid��vel.
O elogio calou fundo em Bill. Ao des-
cer a escada, teve a impress��o de que
flutuava numa nuvem cor-de-rosa. P��g 57
Sua m��e o esperava na sala.
��� Quem �� essa mulher? ��� perguntou,
secamente.
��� Ela mora em Cotton Hills... ��� Bill
vacilou e preferiu ocultar a verdade. ���
Teve um problema de fam��lia e precisou
passar uns dias fora. Por isso eu a convi-
dei.
��� Como a conheceu?
��� Numa das viagens a Cotton Hills.
Amanda o analisou com olhos frios e
Bill sentiu-se desarmado, igual a um me-
nino que luta para ocultar uma verdade da
m��e.
��� Essa est��ria est�� mal contada ���
resmungou, por fim.
Bill tentou um sorriso em v��o. O san-
gue fluiu para seu rosto.
��� Voc�� �� desconfiada, mam��e.
Para fugir da situa����o constrangedora,
ele caminhou at�� a porta.
��� Aonde voc�� vai?
��� Procurar Jeff, na pens��o onde ele
sempre almo��a.
��� Voc�� n��o disse que tinha ido a Cot-
ton Hills com ele?
Pego na mentira, Bill desarvorou-se por
completo.
58���
��� Bem, s i m . . . Acontece que mudamos
de plano. A��, fui buscar Sally sozinho.. .
At�� logo. mam��e.
Ele acabara de abrir a porta, quando
Amanda o Chamou, para a estocada fi-
nal:
��� Por acaso essa mulher est�� gr��vida
de voc��?
Bill arregalou os olhos. Ent��o sorriu,
com um suspiro de al��vio:
��� Ora, mam��e, que bobagem! Onde foi
arranjar essa id��ia mais maluca?
���59
Capitulo 6
Bill enfrentou o trabalho com um hu-
mor fora do normal. N��o criou caso al-
gum, aceitou tudo de boa vontade. E, ao
ser liberado por Jeff, n��o fez a costumei-
ra ronda dos bares para beber cerveja com
os amigos. Voltou direto para casa. Estava
louco para rever Sally.
Seu pai, na sala, chamou-o no momen-
to em que ia subir a escada de dois em
dois degraus:
��� Bill, venha c��. Precisamos conver-
sar.
Ele se aproximou devagar, ressabiado.
J�� fazia id��ia do assunto.
��� Sente-se.
60���
Ele obedeceu, o velho Thomas Frommer
gostava de ser cerimonioso e teatral, vez
por outra.
��� Que id��ia foi essa de trazer essa mu-
lher para a nossa casa?
��� Ela s�� vai ficar uma semana.
��� O certo seria voc�� nos consultar
antes de tomar uma atitude.
��� N��o deu tempo. As coisas acontece-
ram muito r��pidas.
O olhar de Thomas se tornou penetran-
te, como que pretendendo desvendar to-
dos os segredos de Bill.
��� Sua m��e ficou preocupada.
Bill tentou um sorriso.
��� Ela enfiou uma id��ia maluca na ca-
be��a.
��� Mas a mo��a n��o est��, realmente,
gr��vida de voc��?
��� Claro que n��o, papai!
��� Ent��o, por que a trouxe?
��� Ela n��o tinha para onde ir.
��� �� sua amante?
Bill relutou.
��� Digamos que �� uma boa amiga.
��� N��o minta para seu pai!
��� 6 1
O grito autorit��rio de Thomas provo-
cou um tremor em Bill.
��� E se fosse minha amante? Qual se-
ria a diferen��a? ��� ele tentou ser desa-
fiador, sem resultado.
��� Esta �� uma casa de respeito. N��o
admito pouca-vergonha aqui.
��� Por que voc��s n��o mostram um pou-
quinho de boa vontade? Sally s�� passar��
alguns dias conosco.
��� Tenho medo de que voc�� se meta em
encrencas.
��� J�� tenho idade suficiente para pen-
sar por conta pr��pria, pai.
��� Mas �� inexperiente.
��� Experi��ncia a gente s�� ganha en-
frentando a vida.
Thomas Frommer respirou fundo, pro-
metera �� esposa que teria uma conversa
s��ria com o filho, mas faltava-lhe vontade
de enfrentar uma discuss��o.
��� Est�� bem. Ela ficar�� conosco. Mas,
ser�� uma semana, apenas. E, outro dia,
voc�� me contar�� direitinho essa estaria.
Um homem n��o traz uma mulher desco-
nhecida para dentro de sua casa sem um
motivo forte. P��g 62
Biu sorriu.
��� Obrigado pela compreens��o, pai.
Ele saiu da sala e subiu depressa a es-
cada. Bateu no quarto de Sally e ela gri-
tou que estava trocando de roupa. Bill j��
ia dizer que queria entrar assim mesmo,
quando viu sua m��e na extremidade do
corredor. Ficou vermelho como um pimen-
t��o. Afastou-se depressa, qual um gato es-
corra��ado, e entrou no seu quarto..
Acabou s�� vendo Sally na hora do jan-
tar. Ela estava linda, com o cabelo amar-
rado num coque. Sua beleza sensibilizou o
velho Thomas, que a tratou com uma cor-
tesia especial. Apenas Amanda ficou na
defensiva, cheia de desconfian��as e agres-
sividade.
Depois do jantar, Bill tentou reter Sal-
ly na varanda, para uma conversa a s��s.
Mas, ela bateu em retirada, alegando can-
sa��o. Frustrado, Bill observou a noite es-
trelada durante algum tempo. Depois, en-
trou. Seus pais estavam vendo televis��o e
ele subiu sem lhes desejar boa noite.
Parou diante da porta de Sally. N��o
havia luz sob a porta. Imaginou-a deita-
da. Relembrou o corpo perfeito e arden-
te. O sangue pulsou nas veias. Engoliu em
-63
seco. Percebeu que desejava Sally inten-
samente. Foi um esfor��o grande caminhar
at�� seu quarto.
Tentou ler, arrumar o arm��rio, mas n��o
conseguiu. A inquietude era grande de-
mais. Por volta das dez horas, trocou de
roupa, apagou as luzes e deitou-se. Ficou
ouvindo os ru��dos da noite, sem ��nimo pa-
ra dormir.
Nem percebeu a chegada do sono.
E acordou assustado, com um leve ro-
��ar no bra��o.
Ergueu a cabe��a.
��� Hein? ��� resmungou, tonto de sono.
��� Sou eu, Sally ��� disse uma vozinha
mansa.
Ele ligou o abajur. Sally estava senta-
da na beira da cama. A camisola, transpa-
rente, exibia os contornos dos seios perfei-
tos. Um calor gostoso percorreu o corpo de
Bill. Ele sorriu. Com a m��o direita, alisou
o bra��o nu e macio.
��� Que visita gostosa ��� comentou, j��
liberto da sonol��ncia.
��� Estou muito preocupada. N��o con-
segui dormir direito. P��g 64
Bill sentou-se na cama e fitou o rosto
triste.
��� Que aconteceu? Est�� pensando em
Don Nesken?
��� N��o, n��o se trata disso... ��� ela
respirou fundo. ��� Estou com vontade de
arrumar minhas coisas e ir embora.
��� Por qu��? ��� balbuciou Bill, alarma-
do.
��� Seus pais n��o gostaram da minha
presen��a nesta casa.
Bill sorriu. Acariciou-lhe mais profun-
damente o bra��o nu.
��� N��o ligue para os velhos. S��o uns
chatos. Se mam��e lhe disse alguma coisa
desagrad��vel, esque��a. Ela �� assim mes-
mo. Gosta de agredir as pessoas com obser-
va����es duras. Mas, no fundo, �� de boa paz;
quase nunca engrossa.
��� N��o quero ser um transtorno para
voc��.
��� Voc�� s�� me criar�� problemas se for
embora. Enquanto estiver aqui, tudo fica-
r�� bem. Mesmo que eu tenha de brigar
com os velhos.
��� Nem fale nisso!
- 6 5
Bill a abra��ou com ternura. Buscou-
lhe os l��bios e os sugou num beijo longo
e arrebatado. Por um momento, Sally fi-
cou im��vel, como que indiferente. Mas,
acabou fechando os olhos. E seus l��bios se
amoleceram, para depois sugar os dele do-
cemente. E a l��ngua arisca veio duelar com
a de Bill.
Ele a deitou na cama e acariciou-lhe o
busto e o ventre por cima da camisola.
Sally envolveu-o com um olhar terno.
��� Assim �� covardia ��� reclamou. ���
N��o me deixa raciocinar com tranq��ilida-
de.
Bill puxou a camisola e beijou as co-
xas roli��as, desde os joelhos at�� as cerca-
nias da calcinha, Sally deixou a m��o dele
afundar no ��mago das suas pernas. Estre-
meceu. Suspirou.
Ajoelhado na cama, ele puxou a calci-
nha de Sally, que arfava, com os olhos se-
micerrados. Os bicos dos seios, duros e in-
chados, queriam perfurar o tecido macio.
Bill estendeu-se ao lado de Sally, para
beij��-la novamente na boca. Sentiu uma
coxa dobrada, fazendo press��o em seu
66���
flanco, e se aproveitou da posi����o para fa-
zer uma investida com a m��o.
Sally estremeceu. Calor e umidade em
grande quantidade. Ela ardia de desejo.
Dissolvia-se na vontade de ter um homem.
Ansiava por car��cias. Mas que viessem de
Bill. De repente, necessitava terrivelmente
daquele rapaz que surgira de forma abrup-
ta em sua vida, para ganhar uma impor-
t��ncia avassaladora.
Ela mordeu e lambeu a orelha de Bill,
at�� deix��-lo arrepiado. Faminta, provocou-
o de todas as maneiras que conhecia, at��
deix��-lo incontrol��vel, louco para possuir
o seu corpo. E o recebeu com um gemido
de prazer.
Muitos homens tinham passado em sua
vida. Mas nenhum de forma t��o marcante.
Eram rostos nebulosos, lembran��as vagas
sem nenhuma import��ncia. Mas Bill ���
ele sabia muito bem ��� ia ser diferente.
Viera para marc��-la. E, possivelmente, pa-
ra faz��-la sofrer. Talvez fosse o amor que
sempre temera e do qual sempre fugira
com sua m��scara de mulher experiente e
c��nica.
Seus dedos tr��mulos e suados pousa-
ram no flanco de Bill, acompanhando o
���67
vaiv��m da fren��tica escalada da posse. A
l��ngua ro��ou nos l��bios inchados. Ela teve
que dilatar as narinas, para permitir o
tr��nsito ofegante do ar.
��� Querido, querido...
Ela projetou os quadris para cima,
quando perdeu a capacidade de resistir.
Sofreu os ��ltimos golpes de Bill, que lhe
mordia o pesco��o, rosnando palavras in-
compreens��veis. Juntos, os dois corpos sua-
dos e incontrol��veis escalaram a colina do
prazer. Atingiram o ��pice e explodiram
em convuls��es e gemidos.
Bill saciou-se no corpo de Sally, para
cair ao seu lado, prostrado e sem vida.
Ficaram abra��ados, embevecidos com o m��-
tuo pulsar dos corpos.
Depois de vencida a doce lassid��o, Bill
moveu-se para encarar Sally dentro dos
olhos.
��� Sei que vai me chamar de bobo, mas
tenho que lhe confessar uma coisa ��� dis-
se ele, alisando a parte mais branca de um
seio, onde a pele estava vermelha e exibia
as marcas de seus dentes.
Sally alisou-lhe os cabelos despentea-
dos. Sorriu.
68���
��� Para mim voc�� n��o �� bobo. �� uma
pessoa muito bacana.
Por um momento, Bill a fitou. Depois,
soltou bruscamente:
��� Eu me apaixonei por voc��.
Sally ficou sem a����o. Meigo, Bill co-
me��ou a beijar a curva de seu pesco��o,
com o nariz enterrado nos cabelos perfu-
mados. Por isso, ele n��o p��de ver as l��-
grimas de tristeza que brilharam em seus
olhos.
���69
Cap��tulo 7
Jeff j�� estava dentro do caminh��o, ��
espera de Bill.
��� Bom-dia. Est�� com pressa, nem?
Ainda �� cedo.
��� Temos muito servi��o para hoje.
��� Ainda vamos arrebentar de traba-
lho.
��� Temos que aproveitar a mar�� favo-
r��vel. Depois, os fretes v��o rarear.
Bill subiu na bol��ia, enquanto Jeff li-
gava o motor. Devagar, abandonaram o
p��tio da garagem.
Transitaram pelas ruas desertas de Jef-
ferson em sil��ncio. J�� na estrada, Bill vi-
rou-se para Jeff:
70���
��� Aonde vamos?
��� Pegar uns caixotes na McFergen
Produtos Aliment��cios. Enquanto estiverem
sem caminh��o, ganharemos um bom di-
nheiro com eles.
Penetraram em uma estrada arboriza-
da, sem tr��nsito.
��� Seu velho me procurou ontem �� noi-
te ��� disse Jeff.
Bill virou-se para analisar seu perfil. O
velho Frommer n��o era amigo de Jeff.
Cumprimentavam-se, quando cruzavam na
rua, mas jamais se reuniam para bater
papo.
��� Que �� que meu pai queria?
Jeff continuava com os olhos fixos na
estrada.
��� Voc�� trouxe aquela mulher para a
sua casa?
��� Trouxe.
��� N��o acha que foi um bocado teme-
r��rio?
��� N��o. Por qu��? Sally �� uma excelen-
te pessoa. N��o podemos conden��-la, s�� por-
que dan��ava num cabar��. P��g 71
��� Voc�� contou a seus pais onde a co-
nheceu?
��� N��o ��� e, empalidecendo, ele com-
pletou: ��� S�� espero que voc�� n��o tenha
dito...
��� Sabe que n��o me meto na vida dos
outros.
Bill sorriu, aliviado.
��� Ainda bem.
��� J�� parou para pensar, garoto? Pode
ter-se metido numa encrenca dos diabos.
��� Sei o que estou fazendo, Jeff. Sally
�� ador��vel... ��� ele sorriu, satisfeito. ���
T��o ador��vel que j�� me apaixonei por ela.
��� Todo homem se apaixona pela pri-
meira mulher que conhece na vida. �� um
mal passageiro.
��� S�� disse bobagem, Jeff. Sally n��o ��
a primeira mulher que conhe��o. Tamb��m
n��o a considero um mal, muito menos pas-
sageiro. �� um sentimento que veio para fi-
car.
��� Meus p��sames, ent��o.
��� Por qu��?
��� Ela s�� vai lhe trazer dores de cabe-
��a. Conhe��o de sobra essas mulheres. No
72-
come��o, s��o af��veis, atenciosas. Depois,
mostram as garras e transformam a vida
de um homem em um inferno.
��� Sally �� diferente.
��� Todos os teimosos dizem a mesma
coisa. At�� que se estrepam.
Bill sorriu.
��� Seu pessimismo n��o me assusta. Jeff.
Vou arriscar. ��s vezes, temos que tomar
atitudes contr��rias �� opini��o geral.
��� Se estivesse t��o confiante em sua de-
cis��o, n��o esconderia de seus pais as cir-
cunst��ncias em que conheceu Sally.
��� Qual a necessidade de arranjar pro-
blemas? Ela Vai passar pouco tempo em
Jefferson.
��� Bote os p��s no ch��o, garoto. Re-
freie esse entusiasmo. N��o se estrague por
causa de uma dan��arina de cabar��.
Bill se irritou com as palavras de Jeff.
Lan��ou-lhe um olhar severo, carregado de
censura:
��� Antes que eu me esque��a, v�� para o
inferno!
���73
Virou o rosto para o lado e nada mais
disse, at�� chegarem �� f��brica de alimen-
tos.
Sally estava na sala, lendo uma revis-
ta, quando viu Amanda Frommer cami-
nhar at�� a porta da rua.
��� Vai fazer compras? ��� perguntou.
A m��e de Bill lan��ou-lhe um olhar frio.
��� Vou ao supermercado.
Sally levantou-se.
��� Posso acompanh��-la? Eu a ajudarei
a fazer as compras.
��� N��o �� necess��rio.
��� Mas eu fa��o quest��o.
Amanda Frommer encolheu os ombros,
num gesto de capitula����o, e Sally correu
ao quarto, para retocar a apar��ncia e apa-
nhar sua bolsa.
Durante todo o trajeto, n��o houve con-
versa. Sally at�� que tentou, Lan��ou m��o
de v��rios assuntos, mas esbarrou no mu-
tismo. obstinado da Amanda. At�� que fi-
cou irritada.
74���
��� Por que me trata assim, Sra. From-
mer? Que mal lhe fiz?
Amanda a fuzilou com um olhar frio.
��� Temo pelo futuro de meu filho.
Sally sorriu com mansid��o.
��� Sei que a senhora me v�� como um
dem��nio pronto para destruir a vida de Bill.
Pode ficar tranq��ila. Eu o considero um
excelente rapaz. Jamais lhe faria mal.
Talvez Amanda tenha percebido since-
ridade nas palavras de Sally. Pelo menos,
esbo��ou um sorriso com o canto dos l��-
bios.
��� Voc�� n��o me parece uma m�� pessoa.
Ela manobrou o carro pelo estaciona-
mento do supermercado, at�� encontrar
uma vaga pr��xima �� entrada. Desligou o
motor e se virou para Sally.
��� Jura que me responder�� com total
sinceridade?
��� Claro.
��� Voc�� est�� gr��vida de meu filho? ���
murmurou Amanda, cheia, de ansiedade.
��� Ora, Sra. Frommer, que bobagem! P 75
�� por isso que anda t��o preocupada? N��o h�� motivo para receios.
��� Ent��o, n��o est�� esperando um fi-
lho de Bill?
��� Claro que n��o!
A ��nfase de Sally aquietou as ��ltimas
d��vidas de Amanda. Ela suspirou, alivia-
da. Sorriu com espontaneidade.
��� N��o sabe o peso que tira do meu
cora����o!
J�� estavam prestes a entrar no pr��dio,
quando Amanda voltou �� carga:
��� Como conheceu Bill?
��� Ele n��o lhe contou?
��� N��o.
Sally desarvorou-se.
��� Foi numa casa noturna...
��� Casa noturna?!
A ang��stia de Sally aumentou.
��� �� . . . Uma esp��cie de restaurante ���
mentiu. ��� Eu estava jantando com uma
amiga. Ele se aproximou, lan��ou uma pia-
dinha... ��� Sally sorriu for��ado. ��� Sabe
como s��o essas coisas, Sra. Prommer. Hou-
o primeiro papo e n��s nos tornamos bons P��g 76
amigos. Quando me vi em apuros, ele fez
quest��o de me ajudar. �� um excelente ra-
paz.
��� Quanto a isso, n��o se discute ��� res-
mungou Amanda, enquanto digeria as in-
forma����es de Sally.
Entraram no supermercado e avan��a-
ram pela alameda entre as estantes de
mercadorias. Amanda continuava silencio-
sa, remoendo seus pensamentos. N��o pa-
recia de toda convencida da hist��ria de Sal-
ly. Queria detalhes, esclarecimentos para
pontos obscuros.
Junto ao balc��o dos alimentos congela-
dos, algu��m aproximou-se delas.
��� Como vai, Sally?
Ela se virou bruscamente. Encarou o
louro que a fitava sorrindo, e o sangue su-
miu do seu rosto.
��� Voc��?! ��� balbuciou, com voz rou-
ca. ��� Que est�� fazendo aqui?
��� N��o.se lembra, eu moro em Jeffer-
s o n . . .
Amanda, cujas desconfian��as tinham
crescido bruscamente, intrometeu-se na
conversa:
���77
��� Como vai, Tommy? E sua m��e? J��
melhorou do resfriado?
��� Vai se recuperando aos poucos, Sra.
Frommer. ��� respondeu Tommy sem des-
grudar os olhos do rosto de Sally.
Houve as despedidas, e cada um seguiu
seu rumo. Amanda fez as compras sem a
concentra����o habitual. Seus pensamentos
fervilhavam. Tomou uma decis��o para
cumprir imediatamente: entraria em con-
tato com Tommy Schorer, longe das vistas
de Sally, para arrancar dele toda a verda-
de a respeito daquela h��spede indesej��vel.
78���
Cap��tulo 8
Sally fechou os olhos e trincou os den-
tes. Suado e ofegante, Bill possu��a o seu
corpo. Cada arremetida tornava-se mais
furiosa que a anterior. Para evitar os gol-
pes profundos, Sally teve que contrair os
m��sculos, dificultando o movimento pen-
dular.
Em meio a gemidos, arranh��es e mor-
didas, eles atingiram o cl��max. T��o logo re-
cuperou-se da explos��o sexual, Bill ergueu
os quadris. Libertou Sally de seu peso e
de sua presen��a. Caiu pesadamente na
cama, a seu lado.
��� N��o foi bom ��� reclamou, sem agres-
sividade. ��� Voc�� estava distante, desinte-
ressada . . . P��g 79
Sally fechou os olhos. Engoliu em se-
co. Bill acertara no alvo. Realmente, n��o
fora bom. Realmente, ela estivera distante
e desinteressada.
Tudo por causa de Tommy Shorer.
Desde que o vira, amaldi��oava a cada
momento o destino, que tinha coragem
de lhe armar uma pe��a daquelas. E mos-
travam-se in��teis as tentativas de esque-
cer o homem pelo qual experimentara uma
paix��o violenta, que quase lhe destru��ra a
vida.
Inconformado, Bill quis uma segunda
vez. Esfor��ou-se, lan��ou m��o dos recursos
sexuais que normalmente baratinavam
Sally, mas o efeito foi inferior �� primeira
vez.
Amargurando sua frustra����o, ele foi
embora do quarto sem dizer mais uma pa-
lavra.
Sally teve at�� vontade de ir no seu en-
cal��o, para consol��-lo. Mas acabou ficando
na cama, rolando de um lado para o outro.
Bill era uma excelente pessoa. Mas seu
corpo clamava pelas car��cias de Tommy
Shorer. Ele fora um, na lista de muitos,
80���
dos que a queimaram no fogo de uma pai-
x��o arrasadora e irracional.
Tommy fizera dela o que bem entende-
ra. Chegara ao c��mulo de tirar-lhe dinhei-
ro; para comprar roupas bonitas e outras
frivolidades. Ela, escrava de suas car��cias,
aceitara tudo. At�� que um dia, sem o me-
nor aviso, Tommy desaparecera. Durante
uma semana inteira, ela se embebedara
diariamente. E por pouco n��o cometera
suic��dio.
Agora que acreditava-se livre de tais
loucuras, Tommy Schorer atravessava-lhe
o caminho. E os sentimentos, afogados pe-
lo desespero, voltavam �� tona com inten-
sidade id��ntica ou maior a que a atormen-
tara tempos atras.
Ela custou a dormir e acabou acordan-
do tarde. Quando desceu ao pavimento
inferior, ouviu Amanda Frommer falan-
do no telefone.
��� Diga a seu filho que lhe telefonei.
Preciso conversar com ele, Flora. Tommy
conhece essa mulher que Bill trouxe para
a minha casa. Poder�� me contar tudo a
respeito dela. Uma coisa eu lhe garanto:
boa coisa essa garota n��o ��!
Sally sentiu uma vertigem e teve que se
amparar no corrim��o da escada. Se Aman-
���81
da Frommer conversasse com Tommy, es-
taria tudo perdido. Teria que abandonar
aquela casa imediatamente. E pior que
isso: causaria um golpe mortal nos senti-
mentos de Bill, que j�� n��o ocultava a pai-
x��o que nutria por ela.
Mago��-lo seria a ��ltima coisa que dei-
xaria acontecer. Bill era um excelente ra-
paz e ela conhecia de sobra o que significa-
va sofrer por paix��o. N��o lhe desejava o
mesmo mal.
��� Preciso falar com Tommy ��� disse
para si mesma, recome��ando a descida da
escada.
Amanda desligou o telefone e veia re-
ceb��-la com um imenso sorriso nos l��-
bios.
��� Querida, dormiu bem? Voc�� est�� um
pouco p��lida...
Mentalmente, Sally recusou a amabili-
dade de Amanda Frommer. Entendia sua
atitude. Era a adula����o da serpente que
se prepara para um golpe mortal.
* * *
Tommy encarou Sally com um sorriso P 82
de vit��ria, quando se sentaram �� mesa
do barzinho deserto, nos arredores de Jef-
ferson.
��� Eu sabia que voc�� acabaria me pro-
curando. Mas, n��o imaginei que fosse t��o
r��pido.
A arrog��ncia de Tommy deixou Sally
enfurecida. Mas, ela se controlou. N��o fa-
lou o que estava pensando. Era a parte
mais fraca: se agisse com insensatez, bota-
ria tudo a perder.
��� Eu quero lhe pedir um favor, Tom-
m y . . .
��� O que voc�� est�� fazendo na casa dos
Frommers? ��� cortou Tommy, trespassan-
do-a com um olhar inquiridor. ��� Est�� de
caso com Bill?
Sally baixou o rosto.
��� Isso n��o �� importante, no momen-
to.
��� Claro que ��! ��� objetou Tommy, com
veem��ncia. ��� N��o quero voc�� transando
com outro homem bem nas minhas bar-
bas!
A mesma prepot��ncia dos outros t��m- P83
pos. Ele se imaginava dono do seu destino.
Tratava-a com uma sordidez imperdo��vel e
ainda se arvorava de ser seu dono.
��� A m��o de Bill quer conversar com
voc�� a meu respeito ��� come��ou ela, com
dificuldade. ��� Por favor, n��o diga nada
a respeito de mim. Ela n��o deve saber que
fui dan��arina do "Only for Men".
O rosto de Tommy se encheu de des-
confian��a.
��� Por qu��? Est�� bancando a boa mo-
��a para fisgar aquele imbecil?
Ela negou, com um veemente movi-
mento de eabe��a.
��� N��o adiantaria explicar. Voc�� n��o
iria entender.
Tommy arreganhou a boca numa ca-
reta.
��� Voc�� �� engra��ada. Pede-me para di-
zer uma mentira para uma velha conheci-
da de minha fam��lia e me nega qual-
quer explica����o. Por que n��o confessa de
uma vez que est�� de olho em Bill? Ele,
por sinal, �� uma ��tima presa para uma
84-
mulher esperta. Imagino que esteja se ba-
bando todo por v o c �� . . . N��o passa de uma
crian��a.
Sally respirou fundo. Aquela conversa
come��ava a angusti��-la.
��� Vai me ajudar? Sen��o, irei embora
agora mesmo!
Tommy segurou-lhe o pulso com for��a,
evitando que ela se pusesse de p��.
��� Calma, mocinha. Ainda n��o termi-
namos nossa conversa... ��� ele fez uma
pausa, para sorrir com mal��cia. ��� Por si-
nal, nem come��amos.
Os olhos de Sally brilharam, com s��bi-
tas l��grimas. Ela pressentia que Tommy
desejava divertir-se ��s suas custas. Era
um s��dico. J�� a torturara uma vez. Por que
n��o repetiria a dose?
��� N��o estou lhe pedindo muito. Ape-
nas diga �� m��e de Bill que me conheceu
numa loja, ou coisa assim��� E acredite
em mim: n��o �� minha inten����o fisgar Bill.
Meu ��nico intuito �� evitar que se arme
um esc��ndalo naquela casa e ele sofra.
��� Como ela est�� boazinha! ��� excla- P 85
mou Tommy, com deboche. ��� para mim,
isso �� um sintoma forte de paixonite agu-
da.
Sally respirou fundo. O atordoamento
se aprofundava. Os sentimentos embara-
lhavam-se, dificultando o racioc��nio.
��� Por que precisa ser t��o cruel, Tom-
my? Que prazer sente em magoar as pes-
soas?
��� Mas, eu n��o quero ser cruel... Mui-
to pelo contr��rio. Estou cheio de boas in-
ten����es para com v o c �� . . .
Um sorriso cruel desenhou-se em seus
l��bios, enquanto seus dedos aumentavam a
press��o no pulso de Sally .A outra m��o in-
filtrou-se sob a toalha da mesa. Sally estre-
meceu, quando a sentiu na coxa, empur-
rando vestido para cima.
��� Lembra-se do nosso primeiro encon-
tro? Voc�� veio �� mesa do "Only For men"
por causa de Gus, seu namorado na ��poca.
Mas, ele foi embora, porque tinha um
compromisso familiar. E voc�� ficou comi-
go. Eu estava b��bado e fui logo tomando
intimidades... Assim, n��o foi? P��g 86
Sally moveu as pernas nervosamente.
Olhou ao redor.
��� Tire a m��oo! ��� exigiu. ��� Algu��m
pode v e r . . .
��� Voc�� gostou como est�� gostando
agora...
Os olhos de Tommy injetavam-se de
desejo. Ele j�� respirava com dificuldade.
Sua m��o intrometia-se no ��mago das co-
xas roli��as, buscando calor e resposta ��s
suas car��cias.
��� Naquela noite, voc�� me levou para
o seu apartamento. E ficou louca por
m i m . . . ��� ele ampliou o sorriso sarc��sti-
co. ��� Hoje, haver�� uma pequena modifi-
ca����o. Serei eu quem a levarei para um
motel. Mas, v�� se preparando: vou deix��-
la doidinha!
��� N��o, eu n��o quero...
Os dedos, por��m, sabiam onde provo-
car. Sally sentiu um ardor incontrol��vel no
peito. As pernas ficaram fracas. Amoleceu
os m��sculos. Permitiu um avan��o maior.
A m��o resvalou em umidade.
O sorriso vitorioso de Tommy foi sim-
plesmente nojento.
-87
querer.
Sally fechou os olhos. Sentia os l��bios
inchados. Os bicos dos seios se enrijeciam.
Os arrepios na nuca eram arrasadores.
��� Voc�� vai tomar um banho quente e
muito demorado, para ficar com a pele
bem perfumada e macia. Ent��o, eu a deita-
rei nua na cama do motel e a beijarei
dos p��s �� cabe��a... Lembra-se de quando
eu fazia assim? Voc�� chegava a gritar para
que eu n��o parasse.
Sally compreendeu que seu corpo era
um aliado da sordidez de Tommy. Seus ins-
tintos conspiravam contra ela. A velha pai-
x��o voltava com um ��mpeto avassalador.
Ela fechou os olhos. Um leve tremor sa-
cudiu seus quadris. Um solu��o de desespe-
ro e ansiedade escapou dos seus l��bios.
A m��o parou de suplici��-la. Devagar,
os dedos recuaram da calcinha, cujos do-
m��nios tinham invadido.
��� Vamos? ��� sugeriu Tommy, sarc��s-
tico. ��� Quero ver se a fabulosa Sally
continua t��o boa de cama quanto antiga-
mente.
88���
Tommy chamou o gar��om. Sally ainda
ofegava, com os seios intumescidos e o san-
gue ardendo no rosto. O instinto sexual a
aniquilava.
Paga a conta, Tommy levantou-se. Pu-
xou Sally. Agia como se fossem amo e es-
crava. Sua vontade n��o era ouvida. S�� lhe
restava a alternativa de servir de repasto
para a arrog��ncia e a sordidez daquele
homem que ela tentava, com todas as for-
��as, odiar.
Ele pousou a m��o em sua cintura e a
conduziu at�� a porta.
��� Ia ser muito divertido se Bill nos
visse agora, hem? ��� Tommy riu, com de-
boche. ��� A gente at�� que poderia lev��-lo
para o motel. Aposto como ia aprender
muita coisa em mat��ria de sexo
Uma revolta incontrol��vel percorreu o
corpo de Sally. L��grimas brilharam em
seus olhos.
��� Voc�� �� um canalha! �� o mais vil de
todos os homens!
Ela se libertou do seu bra��o e correu
para a estrada.
���89
��� Volte aqui! ��� berrou Tommy, auto-
rit��rio.
Ela nem olhou para tr��s. Sua fuga me-
xeu com os brios de Tommy:
��� Volte ou contarei tudo sobre voc�� a
Amanda Frommer!
Nem mesmo essa amea��a arrefeceu o
��mpeto de Sally. Ela continuou correndo
desesperadamente. P��g 90
Cap��tulo 9
O jantar terminara. Durante a refei����o
inteira, Bill tentara alimentar uma con-
versa. Puxara v��rios assuntos, mas fora
in��til. Estavam todos distantes, antag��ni-
cos.
Os olhos vermelhos de sua m��e evi-
denciavam a certeza de que ela andara cho-
rando. Seu pai pouco comeu, o que era
sinal de profunda preocupa����o; em condi-
����es emocionais normais, ele sempre devo-
rava dois pratos cheios de comida. E Sal-
ly, para completar sua inquietude, n��o lhe
sorriu uma vez sequer.
Ao t��rmino da refei����o, Amanda le-
vantou-se, com ares solenes: P��g 91
��� Esperem-me na sala ��� pediu. ��� Lo-
go que arrumar a cozinha, irei at�� l��. Te-
nho um assunto importante para lhes co-
municar. .. ��� uma pausa e seu dedo apon-
tou Sally. Cercou-a de aten����es. At�� que se
desesperou com sua indiferen��a.
��� Afinal, o que aconteceu? Parece
que voc�� anda me evitando.
��� Impress��o sua.
��� Olhe para mim.
Sally obedeceu.
��� Seus olhos est��o muito tristes...
Por que n��o me conta tudo que est�� acon-
tecendo? Sabe que estou aqui para ajud��-
la.
Sally virou o rosto.
��� Por favor, n��o insista ��� suplicou
Temeroso de que ela batesse em retira-
da da sala, Bill calou-se. Mas, ficou a obser-
v��-la com um olhar comprido, cheio de
ang��stia.
Finalmente, Amanda Frommer apare-
ceu na sala. Desligou o aparelho de televi-
s��o, apesar do olhar agressivo do marido,
e se p��s de p�� diante dos tr��s. P��g 92
Tommy Schorer me procurou hoje e tive-
mos uma conversa muito interessante.
Enquanto Sally empalidecia, Thomas
fez uma careta.
��� Voc�� anda selecionando suas compa-
nhias, hem? ��� debochou.
��� Sei que Tommy n��o �� um bom ele-
mento, mas n��o chega a ser um marginal
desqualificado. �� um rapaz com bons sen-
timentos. ..
��� Basta de elogios e vamos ao assun-
to ��� resmungou Thomas, louco para que
a conversa terminasse e pudesse assistir
de novo ao seu programa predileto das
noites de quarta-feira.
��� Tommy me contou coisas muito in-
teressantes.
Para Sally, as palavras de Amanda ti-
veram o efeito de chicotadas. A vista fi-
cou turva. Tudo girou ao seu redor.
Com um ar vitorioso, Amanda Virou-se
para o marido.
��� Eu n��o disse que havia algo de er-
rado nessa hist��ria? Pois ��: Tommy me
contou aonde conheceu nossa h��spede...
��� suas fei����es se enrijeceram. ��� Ela n��o P93
passa de uma dan��arina de cabar��. Faz
striptease num inferninho de Cotton Hills.
Thomas empertigou-se na poltrona,
abandonando sua apatia. Relanceou o
olhar de Sally para o filho.
Apesar de at��nito, Bill soube se con-
trolar:
��� �� verdade, sim. E da��?
��� Voc�� teve coragem de trazer uma
mulher dessas para a nossa casa?
��� Sally �� uma excelente mo��a. Por que
conden��-la pelo simples fato de que dan-
��ava num cabar��?
��� O h , sim. Isso n��o tem nada demais!
��� rebateu Thomas, com sarcasmo. ��� To-
das as mulheres que trabalham em infer-
ninhos s��o mo��as de fam��lia. Donzelas pu-
ras e respeit��veis... S�� falta, agora, voc��
nos dizer que pretende casar com ela.
��� Se eu quiser casar com Sally, nin-
gu��m vai me impedir! ��� rosnou Bill,
agressivo.
Amanda come��ou a chorar e levou as
m��os ��s t��mporas.
��� Deus do c��u, acabarei morrendo de
vergonha!
94���
��� Deixe de ser tola, mam��e! Sally ��
superior a muita gente que se diz honesta
e recatada.
Thomas p��s-se de p��. Seus olhos fuzi-
lavam.
��� �� bobagem insistir nessa discuss��o.
Voc�� agiu como um idiota, Bill! N��o v�� que
essa mulher o est�� envolvendo para tirar
vantagem?
��� N��o fale assim de Sally, papai!
A discuss��o e o desespero de Am anda
deixaram Sally atordoada. Ela se p��s de
p��
��� Espere, Bill, n��o discuta com seus
pais. Eles t��m raz��o... N��o existe lugar
para mim, nesta casa.
Ela fez men����o de caminhar para a por-
ta. Bill a agarrou pelo bra��o:
��� Aonde pensa que vai?!
��� Arrumar minhas coisas e ir embo-
ra... �� o que j�� devia ter feito.
��� Nada disso. Voc�� fica! ��� berrou
Bill, vermelho de f��ria.
��� Minha casa n��o �� pensionato para
vigaristas! ��� vociferou Thomas.
���95
Bill enfrentou-o com olhos febris.
��� Se ela tiver que ir embora, eu tam-
b��m partirei! ��� exclamou, em tom de ul-
timato.
Amanda ergueu as m��os para o alto.
��� Meu Deus, por que permite tama-
nha desgra��a dentro desta casa? Abra os
olhos de meu filho. N��o deixe que ele co-
meta uma insensatez.
��� S��o voc��s que est��o for��ando a si-
tua����o ��� lembrou Bill, agressivo. ��� Pelo
menos uma vez na vida, tentem ser com-
preensivos.
Sally sacudiu o bra��o, para se livrar
dos dedos poderosos de Bill. Ele n��o a lar-
gou.
��� Por favor, Bill, deixe-me ir. N��o
quero servir de pomo da disc��rdia...
��� Voc�� fica! ��� atalhou Bill, aos ber-
ros.
O choro de Amanda tornou-se convul-
sivo. Thomas Frommer ficou vermelho de
��dio.
��� Voc�� �� um burro, est�� ouvindo? Um
burro! P��g 96
Gritou os improp��rios e saiu, batendo
a porta com estrondo. Desconsolada, Sally
fitou Bill.
��� Deixe-me ir. N��o quero arruinar seu
relacionamento com seus pais...
Bill passou o bra��o ao redor dos om-
bros de Sally. Puxou-a para si, substituin-
do a express��o furiosa por um sorriso mei-
go.
��� Venha, vou lev��-la para seu quarto.
Eles subiram a escada, ouvindo os solu-
��os e suspiros de Amanda. No pavimento
superior, Bill abra��ou Sally com f��ria e
a beijou longamente na boca.
��� Eu a adoro! ��� exclamou, extasia-
do.
Sally meneou a cabe��a.
��� N��o devia ter brigado com seus pais
por minha causa. N��o mere��o tanto...
��� Merece muito mais!
Houve novo beijo, depois r��pidas mor-
didas no pesco��o aveludado. Sally fechou
os olhos. Seu corpo correspondia ��s car��-
cias de Bill, mas havia um fantasma a se
interpor entre os dois. A lembran��a de P��g 97
Tommy voltava. O s��rdido e mesquinho
Tommy, de quem, infelizmente, n��o conse-
guiu se libertar.
Mansa e agradecida, ela se deixou ar-
rastar at�� o quarto.
Fora um dia estafante. Tinha trabalha-
do horas seguidas, sem um minuto de re-
pouso, para dar conta do frete. Bill encos-
tou-se no balc��o e pediu uma cerveja ge-
lada.
Quatro rapazes que conversavam na
extremidade do bar silenciaram, para ob-
serv��-lo. Bill tomou, de um gole s��, metade
do copo. Depois, limpou a boca com o dor-
so da m��o.
��� Como vai, Bill? ��� perguntou um
dos rapazes.
Ele se voltou. Conhecia todos os qua-
tro. Eram metidos a filhinho de papai ri-
co. Embora vivessem constantemente sem
dinheiro, faziam quest��o de n��o trabalhar
e gastar os dias entre uma partida de si-
nuca e bebida.
��� Venha para c��. Vamos conversar.
98���
Bill esvaziou o copo e balan��ou a ca-
be��a.
��� N��o. Fica para outro dia. Estou com
pressa...
Ross, um ruivo de cabelos cor de fogo,
arregalou os dentes com deboche:
��� A gente entende. Vai correndo para
os bra��os da sua amiguinha, n��o ��?
Bill pressentiu a provoca����o. Ficou em
sil��ncio.
��� Ela faz um striptease a cada noi-
te? ��� insistiu Ross.
��� Tommy disse que ela �� uma mulher
muito fogosa ��� juntou outro. ��� Ser�� que
voc�� d�� conta do recado sozinho?
Bill crispou as m��os. Jogou algumas
moedas sobre o balc��o e preparou-se para
ir embora. Melhor tomar a cerveja em ou-
tro bar.
��� Espere! ��� gritou Ross, ao v��-lo ca-
minhar para a porta. ��� N��o deixe a gen-
te morrendo de curiosidade. Conte como
s��o as coisas entre voc�� e aquela dan��ari-
na. Ela faz servi��o completo, n��o?
O sangue subiu ao rosto de Bill.
��� 9 9
��� Por que n��o me deixam em paz?!
M��o tenho que lhes dar satisfa����es de mi-
nha vida.
��� Acontece que voc�� est�� virando len-
da em Jefferson... Ningu��m fala de outra
coisa, sabia?
��� Certamente, ganhar�� o t��tulo de rei
dos ot��rios ��� ajuntou Jody, um granda-
lh��o que jogava futebol na universidade
local.
��� Quando �� que sua garotinha retor-
nar�� aos palcos? ��� insistiu Ross. ��� Ou
ser�� que ela d�� shows particulares, quan-
do voc�� n��o est�� em casa?
��� Miser��vel! ��� rosnou Bill.
Cego de ��dio, ele partiu para cima de
Ross. Gra��as ao ataque ligeiro, pegou-o
desprevenido. Acertou-lhe um murro no
meio do rosto, que fez espirrar sangue do
nariz.
Os outros tr��s entraram em a����o ime-
diatamente. Jody golpeou a nuca de Bill,
que viu estrelas. Algu��m segurou-lhe o
bra��o direito. Outro torceu o esquerdo e
Ross, refeito do golpe, esmurrou-o violen-
tamente na barriga.
100���
Bill dobrou-se em dois, mastigando um
gemido. Estava sem condi����es de reagir.
Ross voltou �� carga. Usou de toda a for��a
no segundo murro, que causou v��mitos se-
cos em Bill.
A partir dai, tudo come��ou a girar pa-
ra ele. A dor dos sucessivos golpes foi fi-
cando distante, at�� que as sombras domi-
naram seus olhos e a mente. Ele deu gra-
��as a Deus por desmaiar. Pelo menos repre-
sentava um al��vio. P��g 101
Cap��tulo 10
Bill abriu os olhos com um tremor de
inquietude. Tentou erguer-se e sentiu uma
dor profunda ao longo do peito. Era como
se um caminh��o o tivesse atropelado e lhe
quebrado todas as costelas.
Ele desistiu de se erguer. Largou-se na
cama e respirou com cuidado, para evitar
as dores no t��rax. Olhou ao redor. Estava
na sua cama, no seu quarto. Um filete de
sol infiltrava-se pela cortina.
Na poltrona ao lado da cama, sua m��e
dormia, com o rosto virado para cima e a
boca escancarada.
��� Mam��e, mam��e... ��� chamou, bai-
xinho.
102���
Ela acordou sobressaltada. Empertigou-
se na poltrona, sem entender o que acon-
tecia. Ent��o, ao v��-lo acordado, afrouxou
os m��sculos.
��� Como se sente?
Bill tentou um sorriso.
��� Nem fa��o id��ia.
Tristeza nublou os olhos de Amanda
Frommer.
��� Foi uma surra terr��vel. O Dr. Schu-
man queria intern��-lo. Voc�� estava muito
mal, quando o trouxeram para casa.
��� Aqueles miser��veis me pagam ���
rosnou Bill, entre dentes. ��� Pegaram-me
na base da covardia!
Amanda soltou um longo suspiro.
��� Antigamente, voc�� n��o brigava na
rua. Jamais agia como um baderneiro.
��� N��o tive culpa. Eles me provocaram.
��� Dan Guzman estava no bar e me
contou tudo... ��� Amanda meneou a ca-
be��a, em sinal de reprova����o. ��� Ficou lou-
co por acaso? Onde j�� se viu brigar por
causa de uma mulher desqualificada?
���103
��� Por favor, mam��e, n��o vamos reco-
me��ar.
��� Mas essa �� a verdade. Voc�� est�� ce-
go para tudo, meu filho. Essa v��bora con-
seguiu enfeiti����-lo. N��o v�� o papel rid��cu-
lo que f a z . . . A cidade inteira comenta a
respeito.
��� N��o me interessa o que os outros
dizem.
��� Todos riem de voc��. Eu at�� me sinto
envergonhada, quando saio �� rua. Todos
me fitam com zombaria... ��� ela ergueu
as m��os, com desespero. ��� Por que n��o
manda essa mulher embora, filho?
Bill agarrou-se ��s suas convic����es.
��� Sally ia embora dentro de alguns
dias. Agora, pedirei que fique mais. Quero
mostrar a essa gente mesquinha que ela
�� uma excelente mo��a. E que eu n��o te-
nho que dar satisfa����es a ningu��m!
Amanda suspirou.
��� Est�� ficando cada vez mais dif��cil
conter seu pai. Ele acabar�� cometendo
uma loucura!
��� Se Sally for obrigada a sair desta
104-
casa, irei com ela. E nunca mais voc��s me
ver��o!
A amea��a causou l��grimas em Aman-
da. Ela sacudiu a cabe��a, pesarosa:
��� Que mal eu fiz, meu Deus, para me-
recer tanto sofrimento? ��� lamentou-se,
com voz desesperada.
* ��� *
Pacientemente, Tommy esperou que
Amanda Frommer sa��sse para fazer as
compras. Thomas fora trabalhar na hora
de sempre. Agora, na casa, restavam ape-
nas Bill e Sally. Bill, ali��s, n��o contava.
Ainda n��o se recuperara d�� surra e, pelo
que soube, continuava na cama, sem or-
dens do m��dico para se levantar.
Tommy amassou o cigarro no ch��o e
atravessou a rua devagar. A perspectiva do
encontro deixava-o excitado. O sangue pul-
sava mais r��pido.
Tocou a campainha j�� tenso, com a res-
pira����o alterada. A porta foi aberta, Sal-
ly viu que se tratava dele e tentou fech��-
la de novo. Tommy n��o permitiu, por��m.
105
��� V�� embora. N��o quero v��-lo nunca
mais!
��� Tenho um assunto urgente para tra-
tar com voc��.
��� Se n��o deixar eu fechar a porta, cha-
marei a pol��cia!
��� Aposto como voc�� mudar�� de id��ia,
quando souber que vim conversar a res-
peito de Don Nesken.
D��vida brilhou nos olhos de Sally. Sua
f��ria se arrefeceu.
��� Don Nesken? ��� repetiu, atordoada.
��� Estive ontem �� noite em Cotton Hills.
Fui ao "Only For Men". Trago novidades.
Por um momento, Sally ficou em d��-
vida. Custou a se decidir. Mas, acabou
abrindo a porta. Manso, com um sorriso
debochado nos l��bios, Tommy entrou.
Sally cruzou os bra��os, numa postura
defensiva.
��� Diga logo o que tem para me con-
tar.
O olhar de Tommy percorreu-a lenta-
mente, saboreando os pontos mais er��ti-
106���
cos que o vestido de malha lustrosa coloca-
va em evid��ncia.
��� Voc�� continua muito gostosa.
Ao pressentir sua aproxima����o, Sally
foi para o outro canto da sala Interrogou-o
com um olhar agressivo. Tommy sorriu e,
dando de ombros, sentou-se numa poltro-
na.
��� Conversei como Clay, no "Only For
Men". Ele est�� uma fera com voc��. Disse
que voc�� desapareceu, sem lhe dar a me-
nor satisfa����o.
��� Clay �� um canalha. Queria me en-
tregar de bandeja a Don Nesken.
��� Pelo que ouvi dizer, Nesken tamb��m
n��o anda satisfeito com voc��. Parece que
botou gente no seu encal��o...
Um arrepio gelado percorreu a espinha
de Sally.
��� N��o acredito.
��� Foi Clay quem me disse.
Sally deu de ombros.
��� E da��? ��� resmungou. ��� N��o v��o
me encontrar. Ningu��m sabe que vim pa-
ra Jefferson.
���107
��� Eu sei ��� revidou Tommy, arrastan-
do as palavras.
Sally engoliu em seco. Empalideceu.
��� N��o acredito que voc�� tivesse cora-
gem d e . . .
Ela deixou a frase incompleta, t��o ter-
r��veis eram as palavras.
Tommy arreganhou os l��bios em um
sorriso ir��nico.
��� Para os meus amigos, sou um sujei-
to legal. Para quem me esnoba, por��m, n��o
tenho a menor considera����o.
Foi uma amea��a bastante clara.
��� Por que n��o me deixa em paz? ���
retrucou Sally, com desd��m. ��� Quando
precisei de voc��, tive que amargar sozinha
minha fossa. Agora, quero dist��ncia.
��� N��o acredito ��� murmurou Tommy,
estreitando os olhos. ��� Voc�� ainda se
amarra em mim. Sei que est�� louca para
transar sexo comigo.
��� H u m . . . quanta pretens��o!
Devagar, Tommy p��s-se de p��.
��� Vamos tirar isso a limpo? ��� desa-
fiou.
108���
Imediatamente, Sally procurou o canto
extremo da sala.
��� V�� embora! ��� rosnou.
Tommy caminhou na sua dire����o.
��� S�� avan��ar mais, ou gritarei!
��� Para atrapalhar o repouso de seu
amiguinho?
S�� ent��o, Sally lembrou-se que, em um
quarto do pavimento superior da casa, Bill
dormia. Sua afli����o aumentou.
��� V�� embora, Tommy! Voc�� n��o pode
ficar mais nesta casa. Depois telefonarei
para voc��. At�� marcaremos um encontro...
��� Para ir embora, quero um beijo.
��� Pelo amor de Deus, deixe-me em
paz!
Sally correu, visando a porta da rua.
Mas, Tommy foi ligeiro. Agarrou-a pelo
ombro. Ela se debateu, os dois perderam o
equil��brio e ca��ram sobre um sof��. Tommy
por cima, ela por baixo.
O contato do corpo quente e curvil��-
neo aumentou a excita����o de Tommy. Ele
���109
oscilou os quadris, para mostrar a Sally
a quanto chegava seu desejo por ela.
��� V�� embora... V�� embora...
Ela se debateu com vigor, mas os bra-
��os de Tommy fecharam-se ao seu redor
como duas tenazes. E havia o peso de sua
virilha, a esmag��-la contra o sof��.
Tommy conhecia os pontos fracos de
Sally. Beijou-lhe suavemente o pesco��o,
deixando-a arrepiada. Mordeu e lambeu a
orelha. Ela tremeu em seus bra��os.
��� N��o, T o m m y . . . Eu n��o quero! Dei-
xe-me em p a z . . . Eu o odeio!
Mas ele continuava o ass��dio. Como o
corpo ardente j�� n��o se agitava com o ��m-
peto inicial, ele pode usar as m��os para
car��cias. Tocou nos flancos, na curva da
virilha, nos seios. E a boca sempre traba-
lhando, na sua insidiosa tarefa de minar
a resist��ncia de Sally.
De olhos fechados, ela tentou lutar con-
tra o dem��nio da atra����o f��sica que Tom-
my lhe impunha. No come��o, ainda p��de
ignorar as car��cias, as mordidas e o toque
dos dedos inquietos. Mas, chegou o mo-
mento de sua resist��ncia fraquejar.
110���
Quando Tommy buscou sua boca, en-
controu-a entreaberta, para dar passagem
a suspiros e uma respira����o pesada. Os l��-
bios estavam inchados do desejo f��sico. ��mi-
dos. Terrivelmente apetitosos.
Durante o beijo faminto, Tommy repu-
xou a saia de Sally e acariciou-lhe a coxa,
subindo e descendo a m��o vagarosamente.
Ela afrouxou completamente o corpo e
passou um bra��o ao redor do pesco��o de
Tommy, num gesto claro de submiss��o e
desejo.
Ele a deixou sem f��lego, com o beijo.
Ergueu-se ligeiramente e a fitou com aque-
le nojento sorriso de vit��ria. Sally fechou
os olhos, humilhada.
��� Eu o o d e i o . . . ��� murmurou, masti-
gando as palavras.
��� Mas n��o quer que eu v�� embora,
n��o ��?
��� Canalha!
Tommy abriu-lhe a parte superior do
vestido. Deliciou-se com a vis��o graciosa
dos seios contidos pelo suti�� transparente
e come��ou a massage��-los. Os biquinhos
111
cresceram ligeiros, endurecendo-se sob os
seus dedos.
A atitude de Sally era de total entre-
ga. Seu peito-subia e descia numa respi-
ra����o vertiginosa. No rosto, acumulavam-
se sinais de uma excita����o profunda. A ba-
talha fora vencida por Tommy.
O suti�� foi deslocado do lugar e os
seios sens��veis ganharam novas caricias,
al��m de beijos. Suspirosa, Sally contor-
ceu-se sob Tommy. Seu corpo inteiro cla-
mava por aquele amante maldito, embora
ela o odiasse com todas as for��as.
No meio do ��xtase que se aproximava,
ela abriu os olhos. Com a vis��o turva,
observou a cabe��a de Tommy movendo-se
sobre seu busto. Depois, por acaso, esten-
deu o olhar para cima. Teve um sobres-
salto, ao notar a silhueta de Bill no alto
da escada.
��� Pare! ��� implorou a Tommy, em-
purrando-o com viol��ncia.
Tommy ia reclamar. Mas, acompanhan-
do a dire����o de seu olhar fixo, notou Bill
no alto da escada. Sorriu, debochado.
��� Desculpe, companheiro, mas estava
tirando uma casquinha do seu sof��.
1 1 2 ���
L��grimas rolavam dos olhos de Bill.
Sally ficou terrivelmente sensibilizada.
Um aperto na garganta quase a impediu
de falar.
��� Bill, eu posso lhe explicar tudo...
E u . . .
��� Fora! ��� berrou ele, transtornado.
��� Saia da minha casa! Nunca mais que-
ro ver voc��!
E, com passos incertos, voltou para o
seu quarto.
���113
Cap��tulo 11
O caminh��o avan��ava ligeiro pela es-
trada. O sol j�� atingia o poente. Logo se-
ria noite. E, ent��o, estariam, em Cotton
Hills.
��� Voc�� est�� calad��o ��� comentou
Jeff. ��� Aconteceu alguma coisa?
��� N��o.
��� Desde que aquela mulher partiu, vo-
c�� mudou. Parece que a paix��o era forte,
hem?
��� Prefiro n��o tocar no assunto, Jeff.
Com um r��pido olhar, Jeff examinou
o rosto de Bill.
��� N��o �� por falta de conselhos que vo-
c�� est�� sofrendo. Eu o preveni bastante:
114���
essas mulheres n��o prestam. Est��o sempre
atr��s de aventuras novas.
��� Vamos falar de outra coisa? ��� re-
clamou Bill, secamente.
��� Espero que voc�� aprenda a li����o. Se
tivesse me dado ouvidos... ��� Jeff calou-
se e deu de ombros. ��� Talvez voc�� esteja
certo. A gente tem que arriscar mesmo,
E aprender com os erros. �� assim que a
gente amadurece, vira homem...
��� Por favor, cale a boca!
Jeff era um sujeito de boa paz. Compre-
endeu o sofrimento de Bill e silenciou, para
respeitar seus sentimentos.
Quando entraram em Cotton Hills j��
estava escuro.
��� Vamos dar uma parada para jantar.
Depois, seguiremos viagem.
��� N��o estou com fome.
��� Pretendo viajar, depois, at�� meia-
noite. N��o sei se encontraremos restauran-
te bom na estrada.
��� N��o quero comer.
��� Pois eu estou com uma fome de ca-
valo.
Os dois se separaram na porta do res-
taurante. Jeff recomendou, mais de uma
���115
vez, que pretendia partir dentro de uma
hora.
Bill come��ou a caminhar pelas ruas
pouco movimentadas. Uma amargura mui-
to grande apertava seu peito. Embora j��
tivesse partido havia tr��s meses, Sally con-
tinuava uma recorda����o viva. E dolorosa.
Jeff podia falar o que quisesse, mas ele
sabia que n��o nutria por ela uma paix��o
passageira, daquelas que, com o tempo, fi-
cam para tr��s. N��o, era amor no duro.
Um sentimento profundo, que dificilmente
outra mulher lhe inspiraria.
Ele andou a esmo. Mas, parecia que
seus sentimentos e guiavam, pois, subita-
mente, viu-se diante da fachada luminosa
do "Only For Men". O aperto no peito foi
t��o grande que quase perdeu a respira-
����o: l�� estava o cartaz com o corpo seminu
de Sally, anunciando-a como a grande
atra����o dos shows di��rios.
Bill transformou-se em est��tua, diante
do cabar��. Ficou observando os cartazes,
lutando contra a for��a de seus sentimen-
tos. Esqueceu-se de tudo, inclusive de Jeff.
Os primeiros fregueses j�� come��avam
a entrar no cabar�� embora o primeiro
116���
show s�� acontecesse depois das dez. Ele
entrou, tamb��m. Felizmente, estava com
dinheiro no bolso, pois recebera o paga-
mento da semana na v��spera.
Pediu uma mesa. Como era cedo, con-
seguiu uma bem pr��xima ao palco. Pediu
uma cerveja. Antes do gar��om voltar, uma
morena de blusa decotada e transparente
veio se ro��ar no seu bra��o. Ele n��o se im-
pressionou com seu sorriso, nem com seu
ar voluptuoso. Simplesmente ignorou sua
presen��a.
O tempo passou devagar. Ele bebeu pou-
co, perdido em seus pensamentos. A mu-
lher acabou desistindo e o deixou sozinho.
Pouco depois das dez horas, houve o
primeiro show. Duas mulheres, seminuas,
dan��aram eroticamente pelo palco, insi-
nuando um amor l��sbico. Como de praxe,
ecoaram apupos e piadinhas na plat��ia-.
Por volta de meia-noite, a voz do apre-
sentador anunciou a fabulosa e inigual��-
vel Sally, a mulher que tem o diabo do
desejo no corpo.
Um sil��ncio respeitoso espalhou-se pe-
lo sal��o. Todos os olhares se concentraram
no palco ��s escuras. Um facho de luz ilu-
��� 1 1 7
minou um determinado ponto. Entre corti-
nas prateadas, surgiu Sally.
Aplausos e assobios. Bill engoliu em
seco. Hipnotizados, seus olhos acompanha-
ram cada volteio do corpo curvil��neo e se-
minu. O sangue come��ou a latejar nas
t��mporas, destruindo-lhe a serenidade.
O vestido de Sally era uma obra-prima
do erotismo. O tecido falseava na clarida-
de intensa do spot. Como era branco, tor-
nava-a mais esguia. Aberto na frente, exi-
bia suas coxas nos movimentos mais am-
plos das pernas. E o decote, um longo " V " ,
expunha as suculentas curvas internas do
busto.
Durante alguns minutos, Sally dan��ou
no palco. Depois, encarando a plat��ia com
um olhar distante e indiferente, tirou o
vestido. Al��m da calcinha e suti��, usava
cinta-liga e meias. Tudo imaculadamente
branco.
Ela caminhou at�� a escadinha lateral.
A clientela do cabar�� come��ou a ficar ind��-
cil. Todos se preparam para olhar de per-
to e, quem sabe, tocar o corpo maravi-
lhoso.
Bill sentiu uma tonteira. Os olhos tol-
118
daram-se de l��grimas. N��o era justo a sua
Sally estar ali, exibindo-se para aquele ban-
do de chacais!
Ela avan��ou devagar. As m��os mais
ousadas ro��aram em suas coxas, nos flan-
cos. Uma chegou a apertar um seio, arran-
cando-o do suti��. A todos, Sally tratava
com indiferen��a, como se seu corpo esti-
vesse ali o seus sentimentos, muito dis-
tantes.
Ela se aproximou de uma mesa mais
retirada. Coleou languidamente diante de
seu ocupante solit��rio e, depois, deu-lhe as
costas. Sorridente, o homem tirou-lhe o
suti��. O facho de luz o iluminou, e Bill o
reconheceu. Era o sujeito que conversara
naquela noite fat��dica com Clay, nos fun-
dos do cabar��. Don Nesken, portanto.
Tal descoberta s�� serviu para aumentar
a afli����o de Bill.
Sally avan��ou entre as mesas. As m��os
esticavam-se, loucas pelo privil��gio de ro-
��ar no corpo seminu.
A ansiedade de Bill era t��o grande que
ele teve a impress��o de que iria explodir.
Viu Sally aproximar-se, mais, mais, sem-
pre requebrando, sempre com o olhar dis-
���119
tante. A seu lado, ela parou e virou-se de
costas. O fecho da cinta-liga estava bem
diante de seus olhos, para ser aberto.
Os quadris, praticamente expostos pela
ex��ua calcinha, ondulavam diante de seus
olhos.
��� Tira logo, bob��o! ��� gritou um fre-
gu��s impaciente.
Um arrepio estremeceu Bill. A paix��o
explodiu em seu ��ntimo.
��� Eu a amo, Sally! ��� murmurou, com
voz emocionada.
Sally parou bruscamente de dan��ar. Vi-
rou-se e apertou os olhos�� para enxergar
al��m do facho de luz.
��� Voc��! ��� balbuciou.
��� Eu a amo, Sally!
Come��aram a ecoar vaias, apupos. Sal-
ly lembrou-se que interpretava seu n��me-
ro. Com movimentos desajeitados, retor-
nou ao palco, apesar dos protestos. Dan��ou
um pouco, sem o erotismo costumeiro e
caminhou depressa para a sa��da do palco.
As cortinas se fecharam. Ao inv��s dos
aplausos costumeiros, uma grossa vaia es-
palhou-se pela sala.
120���
Bill continuou pregado na cadeira, ain-
da n��o refeito da forte tens��o emocional.
Era dif��cil analisar a rea����o de Sally. Ape-
nas uma coisa ficava evidente: seu total
aturdimento, ao encontr��-lo na plat��ia.
Mas, qual conclus��o podia-se tirar disso?
Para acalmar a plat��ia, o anunciador
prometeu novas emo����es, com "a diab��lica
Desir��e", para dentro de minutos.
Bill chamou o gar��om e pagou a conta.
Retirou-se do cabar�� de cabe��a baixa, so-
frendo muito.
Avan��ou devagar pela rua deserta e pa-
rou na esquina. Respirou fundo, aliviando
a dor dos pulm��es com o ar fresco e leve.
Ent��o, seu olhar foi atra��do por um
vulto que abandonou o "Only For Men".
Era uma mulher, com os cabelos soltos e
envolta num capot��o. Ela olhou para to-
dos os lados, com afli����o. At�� que o loca-
lizou e veio ao seu encontro.
O cora����o disparou no peito de Bill, ao
reconhecer Sally. Ela parou a poucos pas-
sos �� sua frente. L��grimas abundantes cor-
riam de seus olhos. Com esfor��o, tentou um
sorriso.
��� 1 2 1
��� Voc�� voltou, Bill. Por qu��?
��� Eu a amo, Sally. N��o posso viver
sem voc��.
��� Tenho t��o pouco a oferecer.
��� Se voc�� me amar, serei o homem
mais feliz do mundo.
��� Oh, B i l l . . . N��o h�� lugar para mim,
em Jefferson.
��� A gente pode ir morar em Nova
York. E casar l��.
��� N��o seria justo afast��-lo de sua fa-
m��lia.
��� J�� n��o sou mais crian��a! Quando ��
que voc��s v��o entender que j�� sou um ho-
mem feito e que posso conduzir minha vi-
da sozinho?! ��� reclamou Bill, aborrecido.
Mas, depois de uma pausa, ele ado��ou a
voz: ��� Eu a amo, Sally!
Movida por um sentimento novo, ela so-
lu��ou e jogou-se nos seus bra��os. Beijaram-
se com f��ria. Bill enfiou a m��o por den-
tro do casac��o e descobriu a nudez de Sal-
ly.
��� Nem tive tempo de trocar de roupa.
Sa�� logo que Clay acabou de me soltar os
cachorros. Ele ficou furioso com o final do
meu n��mero. Acho que perdi o emprego...
122���
Bill pousou os dedos no fecho da cinta-
Iiga.
��� Ainda tenho o direito de tirar isso
aqui?
O sorriso de felicidade tornou Sally
ainda mais bonita.
��� Isso e tudo que voc�� quiser, queri-
do. Hoje, encerrei minha carreira p��blica
de stripteaser. De agora em diante, passa-
rei a me apresentar para um ��nico espec-
tador. ..
Houve um novo beijo, mais faminto que
o anterior. Ent��o, Sally fitou Bill dentro
dos olhos.
��� N��o sou uma santa. Mas prometo
que me esfor��arei para tom��-lo o homem
mais feliz do mundo. Voc�� merece, Bill.
Abra��ados, eles avan��aram pela rua de-
serta, �� cata de um hotel. De repente, Eal-
ly quebrou o sil��ncio que a paix��o torna-
va mais intenso e envolvente.
��� Depois que sa�� de Jefferson, nunca
mais vi Tommy.
��� N��o quero ouvir nada sobre aquele
canalha.
��� Mas, eu preciso dar uma explica����o.
Ele �� um homem s��rdido, que odeio com
���123
todas as minhas for��as. Para a minha in-
felicidade, por��m, Tommy exerce um fas-
c��nio diab��lico sobre m i m . . .
��� Voc�� nunca mais o ver��. Em Nova
York, come��aremos vida nova.
��� E se ele um dia aparecer no nosso ca-
minho?
��� Correrei o risco. O que n��o posso ��
viver sem voc��.
Eles fizeram uma pausa, para um lon-
go beijo apaixonado. Depois, recome��aram
a caminhada, unidos em um s��frego abra-
��o.
Fim
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