sábado, 4 de setembro de 2010 By: Fred

PARCERIA PL & RTS APRESENTAM - MARY ELYZABETH BRADDON - O ABRAÇO GÉLIDO


O Abraço Gélido
Mary Elizabeth Braddon


(The Cold Embrace-1862)


Tradução e revisão: Jossi B. Slavic
Formatação: Cris Skau







Sinopse:

Um jovem e talentoso estudante de Arte faz uma promessa solene à sua noiva amada: Nada no mundo poderia separá-los, e mesmo a morte não teria tal poder. Mas ele, viajando para a Itália a estudos, esqueceu-se da bela noiva. E quando voltou, ela já havia partido... Mas conforme o trato e a promessa feita, Gertrude, a ex-noiva, não quis deixá-lo sozinho. E retornou... com seu abraço fatal.
















Ele era um artista; as coisas como as que lhe passaram, algumas vezes acontecem com os artistas.
Ele era alemão; as coisas como as que lhe passaram, algumas vezes acontecem com os alemães.
Ele era jovem, garboso, estudioso, entusiasta, metafísico, descuidado, incrédulo, desumano.
E sendo jovem, garboso e eloquente, também foi amado.
Ele era um órfão, sob a custódia do irmão de seu falecido pai, seu tio Wilhelm, em cuja casa ele tinha vivido desde tenra infância; e aquela que o amou era sua prima, Gertrude, a quem ele jurou que amava, também.
Ele a amava? Sim, quando pela primeira vez o jurou, sim. Mas logo sua paixão terminou; e como ao final se tornou em um sentimento miserável no egoísta coração do estudante! Mas que belo sonho, quando ele tinha sozinho dezenove anos, e tinha retornado de sua aprendizagem com um grande pintor no Amberes, e eles vagavam juntos nos mais românticos arredores da cidade, com o rosado crepúsculo ou com a divina luz da lua ou a brilhante e jovial luz matinal!
Eles tinham um segredo, que era a ambição do pai da garota de que ela tivesse um rico pretendente. Era uma lúgubre visão frente ao amor sonhado.
Assim que se comprometeram; e estando um ao lado do outro, quando a agonizante luz do sol e a pálida luz da lua dividiam os céus, ele pôs o anel de noivado no dedo dela, em seu branco e imaculado dedo, cuja magra forma ele conhecia bem. Este anel era bastante particular, tinha a forma de uma grande serpente dourada, a cauda na boca, que era o símbolo da eternidade; tinha pertencido à sua mãe, e ele o poderia ter reconhecido entre centenas. Se houvesse se tornado cego ao outro dia, ele poderia distingui-lo entre centenas apenas com o tato.
Pô-lo no dedo dela, e ambos se juraram fidelidade, o um ao outro, para sempre jamais, sem importar perigos ou dificuldades, nos pesares e nas mudanças, na riqueza ou na miséria. Ainda deviam conseguir o consentimento do pai para consumar a união, mas já estavam comprometidos, e só a morte poderia separá-los.
Mas o jovem estudante, zombador das revelações, e entusiasta adorador do místico, perguntou:
"Pode a morte nos separar? Eu poderia retornar para você, Gertrude. Minha alma poderia voltar para estar perto do meu amor. E você, se eu morrer antes, a fria terra não poderia te separar de mim; se me amar, eu retornarei, e novamente estes belos braços estariam ao redor de meu pescoço, como estão agora."
Mas ela respondeu, com estranho brilho nos seus profundos olhos azuis, "O que morre fica em paz com Deus e vai feliz ao céu, e não pode retornar às aflições da terra. E somente o suicídio, a perda que faz com que os anjos fechem as portas do Paraíso, permite que o infausto espírito persiga os vivos".
Transcorreu o primeiro ano de seu compromisso, e ela ficou sozinha, a por causa da viagem dele a Itália, por conta de algum homem rico, para copiar Rafaels, Tizianos e Guidos em uma galeria em Florença. Possivelmente teria partido para ganhar fama; mas isto não era o pior... mas o fato de ter ido! É obvio, seu pai sentiu saudades de seu jovem sobrinho, que tinha sido como um filho para ele; e pensou que a tristeza de sua filha não era só o que uma prima pode sentir pela ausência de um primo.
Durante esse tempo, as semanas e os meses passaram. Os amantes se escreviam, primeiro muito seguido, logo com menos freqüência, ao final deixaram de fazê-lo.
Quantas desculpas ela inventou para ele! Quantas vezes ela foi ao longínquo escritório postal, pelo qual ele enviava suas cartas! Quantas vezes ela esperou, só para ver-se decepcionada! Quantas vezes ela se desesperou, só para ter uma nova esperança!
Mas o real desespero veio, ao final, e não se foi mais. O rico pretendente apareceu em cena, e o pai se decidiu. Ela tinha que casar-se imediatamente, e a data do casamento se fixou para em quinze de junho.
A data parecia lhe abrasar a mente.
A data, escrita em fogo, dançava permanentemente frente aos seus olhos. Essa data, gritada pelas Fúrias, soava continuamente em seus ouvidos.
Mas ainda não era tempo, estávamos em meados de maio, estávamos a tempo para escrever uma carta para Florença; era tempo de ele retornar a Brunswick, para casar-se com ela. Apesar de seu pai, apesar do mundo inteiro.
Mas os dias e as semanas voaram, e ele não escreveu. E tampouco veio. Isto na verdade a desesperou, e esse sentimento se apropriou de seu coração e não passou mais.
Chegou quatorze de junho. Pela última vez ela foi ao pequeno escritório postal; pela última vez fez a velha pergunta, e pela última vez lhe responderam: "Não; não há carta."
Pela última vez, já que no outro dia seria o casamento. Seu pai não escutaria apelações; seu rico pretendente não escutaria suas orações. Eles não queriam atrasar-se um só dia, nenhuma hora. Essa noite seria dela, essa noite, ela poderia fazer o que quisesse.
Ela tomou outro caminho que o que levava a sua casa; andou apressada através de algumas ruelas da cidade, passou por uma solitária ponte, onde ela e seu amado tinham estado de pé frente ao crepúsculo, olhando o céu tornar-se rosado, e o sol cair sobre o horizonte do rio.

***


Ele retornou de Florença. Ele tinha recebido a carta dela. Essa carta, rabiscada com lágrimas, sulcada de rogos e cheia de desesperança. Ele a tinha recebido, mas já não a amava. Uma jovem florentina, que tinha posado para ele como modelo vivo, povoava suas ilusões. E Gertrude tinha ficado quase esquecida. Se ela tinha algum pretendente rico, bem, que se casasse; melhor para ela, melhor para ele. Ele já não tinha desejo de prender-se a nenhuma mulher. Não tinha sua arte? Sua eterna noiva, sua constante mulher.
Desta maneira ele decidia demorar sua volta a Brunswick, de maneira que quando atracasse, o casamento já houvesse acontecido, e ele pudesse saudar a noiva.
E os votos, as ilusões místicas, a crença em sua volta depois da morte, para abraçar a sua amada? Oh, extintos para sempre de sua vida; desaparecidos para sempre, só sonhos irracionais de sua juventude.
Assim que em quinze de junho ele entrou a Brunswick, por essa mesma ponte no que tinha estado de pé, com as estrelas caindo sobre ela, sob o céu noturno. Caminhou através da ponte, um cão vira-latas lhe seguia o passo, e a fumaça de seu pequeno cachimbo frisando-se em forma de grinaldas fantásticas no puro ar da manhã. Levava seu caderno de esboços sob o braço, e seu olho artístico se viu atraído por alguns objetos, ante os quais parou para desenhá-los: umas ervas e algumas pedras sobre a margem do rio; um despenhadeiro sobre a margem oposta; um grupo de salgueiros à distância. Quando terminou, admirou seu desenho, fechou o caderno, esvaziou as cinzas do cachimbo, voltou a enchê-lo de tabaco, e cantou o refrão do feliz bebedor, chamou o cão, fumou novamente, e seguiu caminhando. Subitamente voltou a abrir o caderno. Desta vez o atraiu um grupo de figuras, mas o que eram, afinal?
Não era um funeral, já que não estavam de luto.
Não era um funeral, mas havia um cadáver em um rústico ataúde, com uma velha vela, levada por dois portadores.
Não é um funeral, posto que os portadores são pescadores, pescadores em seu traje de todos os dias. A umas cem jardas de onde ele estava, fizeram uma parada no caminho e descansaram. Alguém ficou parado à cabeça do ataúde, os outros se sentaram aos pés.
E desta maneira, ele deu dois ou três passos para atrás, selecionou seu ponto de vista, e comentou a esboçar um rápido contorno. Pôde terminar antes que eles se pusessem em marcha; pôde escutar suas vozes, apesar de que não podia entender as palavras, e se perguntou de que poderiam estar falando. Caminhou e uniu-se a eles.
"Meus amigos, levam aí um morto?" perguntou.
"Sim; um morto que foi jogado na terra faz uma hora."
"Afogado?"
"Sim, afogado. Uma jovem, muito bonita."
"As suicidas sempre são bonitas," disse o pintor; e então ficou para um momento de cachimbo e meditação, olhando a sutil forma do corpo e as dobras da lona que o cobriam.
A vida era uma temporada de verão para ele, jovem, ambicioso, preparado, já que aquilo que parecia luto e angústia, não parecia ter parte em seu destino.
Ao final, pensou que, se esta pobre suicida era tão bonita, ele tinha que fazer um esboço dela.
Deu aos pescadores algum dinheiro, e eles concordaram em remover a lona que cobria suas facções.
Não; diria a si mesmo. Ele levantou a áspera, tosca e úmida lona de seu rosto. Que rosto? O mesmo que tinha brilhado nos irracionais sonhos de sua juventude; o rosto que uma vez foi a luz da casa de seu tio. Sua prima Gertrude... Sua prometida!
Ele viu, como um espião, enquanto respirava profundamente, as feições rígidas, os braços frios, as mãos cruzadas sobre o peito gelado; e, sobre o terceiro dedo da mão esquerda, o anel, o mesmo que tinha sido de sua mãe, essa serpente dourada; o anel, o mesmo que se ele fosse cego, poderia reconhecer sozinho ao tato entre centenas de anéis.
Mas ele é um gênio e um metafísico, uma pena, uma verdadeira pena. Seu primeiro pensamento foi a fuga, uma fuga para qualquer outro lugar, fora daquela maldita cidadezinha, qualquer lugar, longe daquele espantoso rio, qualquer lugar livre das lembranças, longe do remorso: qualquer lugar para esquecer.


***



Só quando seu cão se tornou aos seus pés, foi que se sentiu exausto, e procurou sentar-se em algum banco, para descansar. Como lhe dava voltas a paisagem frente a seus nublados olhos, enquanto em seu caderno o esboço dos pescadores e o féretro coberto com uma lona resplandecia, por sobre a penumbra!
Enfim, logo depois de ficar um longo momento sentado a um lado do caminho, um momento brincando com o cão... outro momento fumando, outro momento ajeitando-se, olhando tudo como qualquer estudante feliz e ocioso... Embora por dentro devorando-lhe a mente o mesmo pensamento, o daquela cena matinal, recuperou a compostura. E tratou de pensar em si mesmo, já não mais no suicídio de sua prima. Além disto, ele não estava pior do que tinha estado no dia anterior. Não tinha perdido seu gênio; o dinheiro que tinha ganhado em Florença ainda permanecia em seu bolso; ele era seu próprio professor, livre de ir aonde quisesse.
E enquanto continuava sentado no flanco do caminho, tratando de separar-se da cena que viu de manhã, tratando de expulsar de sua mente a imagem do cadáver coberto com a lona de vela, tratando de pensar no que faria no momento seguinte, aonde iria, o mais longe possível de Brunswick e do remorso, a velha diligência retornou. Ele lembrou: Ia para Aix-a-Chapelle.
Assobiou ao cão, gritou ao chofer que parou seu veículo e saltou dentro do carro.
Durante toda a tarde, e logo, toda a noite, apesar de que não pôde fechar seus olhos, não disse uma palavra. Mas quando a manhã rompeu, e os outros passageiros despertaram, começando a falar uns com outros, ele se rendeu à conversação. Contou-lhes que era um artista e que ia a Colônia e a Ambers para copiar Rubens, e a grande pintura de Quentin Matsys, no museu. Recordou, logo depois de falar e rir, e antes, enquanto falava e ria de maneira ruidosa, a um passageiro, maior e mais sério que o resto, que abriu sua janela, perto dele, e lhe disse que pusesse sua cabeça fora. Lembrou o ar fresco batendo-lhe no rosto, o canto dos pássaros em seus ouvidos, e os campos que se estendiam para o horizonte frente a seus olhos. Ele recordou isto, e logo caiu em desânimo, no piso da diligência.
Foi a febre que o manteve no leito durante umas seis longas semanas, em um hotel de Aix-a-Chapelle. Ele ficou bem, e, acompanhado por seu cão, começou a caminhar para Colônia. Novamente voltara a si. De novo a fumaça azulada de seu cachimbo dava voltas pelo ar da manhã, enquanto ele cantava uma velha canção da universidade que festejava o bom beber, e de novo parando aqui e lá, meditando e fazendo esboços.
Ele era feliz, e tinha esquecido a sua prima, e assim se dirigia a Colônia.
Foi na grande catedral que ficou parado, com o cão ao seu lado. Era noite, os sinos tinham terminado de anunciar a hora, e deram as onze; a luz da lua enchia iluminava o magnífico edifício, sobre o qual o olho do artista vagava em busca da beleza da forma.
Não estava pensando em sua prima afogada, já que a tinha esquecido e agora se sentia feliz.
Subitamente alguém, algo, por trás dele, colocou-lhe dois frios braços ao redor de seu pescoço, e cruzou as mãos sobre seu peito.
E não havia ninguém, já que na rua banhada pela luz lunar, projetavam-se duas sombras, a sua própria e a de seu cão. Rapidamente voltou-se, mas não havia ninguém, nada para ver e ao largo da quadra, nada além dele mesmo e do seu cão; e apesar do que sentiu, não pôde ver os frígidos braços que se abraçaram a seu pescoço.
Não era um abraço fantasma, já que ele pôde senti-lo, embora não pudesse ser real, já que não vira nada.
Tratou de livrar-se dessa gélida carícia. Colocou suas próprias mãos no pescoço para desunir aquelas que o rodeavam. Pôde sentir os compridos e delicados dedos, úmidos ao tato, e sobre o terceiro dedo da mão esquerda, conseguiu apalpar o anel que tinha sido de sua mãe, a serpente dourada, o anel que ele havia dito que poderia reconhecer ao tato entre centenas deles. Ele agora sabia!
Os braços de sua prima morta estavam em torno do seu pescoço, as mãos dela estavam firmemente agarradas sobre seu peito. Disse a si mesmo que estava ficando louco.
"Upa, Leio!" gritou. "Vamos, garoto!" e o terra-nova saltou-lhe aos ombros, e quando suas patas tocaram as mãos da morta, o animal lançou um assustadíssimo uivo, e saiu correndo disparado do lado de seu amo.
O estudante ficou parado à luz da lua, com os braços mortos ao redor de seu pescoço, e o cão a uma distância considerável, uivando lastimosamente.
Um sereno, alarmado pelo uivo do animal, chegou à cena para ver que era o que ocorria.
No instante seguinte o gélido abraço se desvaneceu.
O jovem partiu em direção ao hotel. Antes lhe deu um dinheiro; em gratidão poderia lhe haver dado a metade de sua pequena fortuna.
Voltaria a sentir este abraço mortal...?
Tentou não ficar sozinho; encontrou com centenas de conhecidos, e compartilhou os quartos de outros estudantes. A gente começou a notar seu estranho comportamento, e começaram a acreditar que estava louco.
Mas, apesar de tudo, outra vez ficou sozinho.
Foi uma noite em que a praça ficou deserta por um momento, e ele começou a caminhar, mas a rua estava também deserta, e pela segunda vez sentiu os frios braços sobre o pescoço, e pela segunda vez, quando chamou seu animal, este saltou longe de seu amo com um lastimoso uivo.
Logo depois de deixar Colônia, agora viajando a pé por necessidade (já que seu dinheiro começava a escassear), uniu-se a vendedores ambulantes, de maneira que podia estar todo o dia com gente, e falar com quem quer que encontrasse, tratando de chegar de noite e estar sempre em companhia de alguém.
De noite dormia perto do fogo da cozinha da estalagem em que parava; mas algo que fizesse, ele ficava sozinho com freqüência, e sendo coisa comum para ele, voltava a sentir o frio abraço ao redor de seu pescoço.
Muitos meses passaram da morte de sua prima, outono, inverno, até que chegou a primavera. Seu dinheiro quase se esgotou, sua saúde estava severamente danificada, e ele era a sombra do que fora. Encontrava-se perto de Paris. Tinha ido a esta cidade durante a época do Carnaval. Em Paris, a época do Carnaval lhe significava que não estaria sozinho, e não voltaria a sentir essa mortal carícia, até que poderia recuperar sua alegria perdida, sua saúde, e uma vez mais reiniciar seu ofício e profissão, para uma vez mais ganhar dinheiro e fama por sua arte.
Tentou vencer a distância que o separava de Paris, enquanto dia a dia se debilitava mais e mais, e seu caminhar fazia-se mais lento cada vez!
Mas enfim, depois de muito tempo, conseguiu alcançar a cidade. Esta é Paris, em que ele ingressa pela primeira vez, Paris, com que tinha sonhado tanto, Paris cujos milhões de vozes podia exorcizar seu fantasma.
Paris lhe pareceu essa noite um vasto caos de luzes, música e confusão. Luzes que dançavam ante seus olhos e que jamais ficavam quietas, música que soava em seu ouvido e o ensurdeciam, confusão que fazia que sua cabeça fosse presa de um inacabável redemoinho.
Chegou à Casa da Ópera, onde se dava o baile de máscaras. Tinha economizado um dinheiro para comprar um ingresso, e para alugar uma fantasia de dominó para cobrir sua lamentável indumentária. Parecia que tinha passado sozinho um momento desde que tinha passado as portas da cidade e agora se encontrava em meio de um selvagem alvoroço no baile da Casa da Opera.
Não mais escuridão, não mais solidão, mas sim uma multidão enlouquecida, gritando e dançando freneticamente, de braço com uma garota.
A tempestuosa alegria que sentia certamente faria retornar sua velha despreocupação. Ele pôde escutar as pessoas a seu redor falando da selvagem conduta de alguns estudantes bêbados, e foi a ele a quem apontaram enquanto diziam isto, a ele, que não molhara os lábios a noite anterior; apesar de que seus lábios estavam desidratados e sua garganta seca, ele não podia beber. Sua voz era densa e rouca, e sua articulação pouco clara; mas sua velha despreocupação voltou, e ele deu de ombros.
A garota se cansou, seu braço permaneceu em seu ombro, enquanto as outras bailarinas se foram, uma a uma.
As luzes dos candelabros foram se extinguindo uma por uma.
Os cenários começaram a obscurecer-se ante a diminuição da iluminação.
Uma débil luz dos últimos abajures, e um pálido feixe de luz cinzenta proveniente do novo dia, começou a avançar por entre as persianas meio abertas.
E por esta luz a garota se foi desvanecendo. Ele olhou em seu rosto. Como ia sucumbindo o brilho de seus olhos! De novo voltou a olhar em seu rosto. Que pálido estava seu rosto! E uma vez mais voltou a olhar, e agora observava a sombra do que foi um rosto.
De novo, o brilho dos olhos, o rosto, a sombra do rosto. Tudo se tinha ido. E ele voltou a ficar sozinho; solo em um salão tão vasto.
Sozinho, e, em um terrível silêncio, escutou os ecos de seus próprios passos em uma tétrica dança que não tinha música.
Sem nenhuma outra música além do tamborilar do coração contra seu próprio peito. Os braços gelados voltavam a lhe rodear o pescoço, a formar redemoinhos em torno dele, eles não se soltavam. Ele já não podia escapar daquele gélido abraço mais do que podia escapar da morte. Olhou atrás dele, não havia nada mais que ele mesmo em um grande salão vazio; mas podia senti-lo, o frio mortiço, e aqueles compridos e magros dedos, e o anel que tinha sido de sua mãe.
Tratou de gritar, mas já não tinha mais voz em sua garganta ressecada. O silêncio do lugar unicamente foi quebrado pelos ecos de seus próprios passos naquela dança da qual não podia libertar-se. Os gélidos braços que estavam presos em seu peito... E ele não fugiria de tal carícia. Não! Uma polka mais e cairia morto.
As luzes se apagaram de todo, e meia hora depois, os guardas chegaram com uma lanterna para ver se o salão tinha ficado vazio; um cão os seguia, um grande cão que tinham encontrado sentado frente à entrada do teatro. Perto da entrada principal tropeçaram com...
O cadáver de um estudante, que tinha morrido de inanição e pela ruptura dos vasos sanguíneos.

 

O ABRAÇO GÉLIDO

Mary Elizabeth Braddon

 

 Tradução e Revisão: Jossi B. Slavic

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Sinopse:

 

Um jovem e talentoso estudante de Arte faz uma promessa solene à sua noiva amada: Nada no mundo poderia separá-los, e mesmo a morte não teria tal poder. Mas ele, viajando para a Itália a estudos, esqueceu-se da bela noiva. E quando voltou, ela já havia partido... Mas conforme o trato e a promessa feita, Gertrude, a ex-noiva, não quis deixá-lo sozinho. E retornou... com seu abraço fatal.

 

 

 

   

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