De***sarix***
Apresentação
Nos velhos tempos em que o mocinho ganhava do bandido e casava
com a mocinha, ninguém era mais bandido que o índio. Quando os pacíficos
colonos vinham falando de uma nova terra prometida, a câmara ia para os
altos das escarpas próximas e era inevitável: lá estavam as silhuetas
odiadas.
Confusão. Berros. O mocinho dava as ordens, os carroções ficavam
em círculo. Corte. Um índio velho, cheio de penas, dava um berro ou agitava
uma lança. Lá ia o bando de gente pintada berrando. Corte. O mocinho,
fazendo careta, dizia para o idiota ao lado que não devia atirar. "Espere
Temos pouca munição."
Lá vinham os índios, o mocinho dizia "agora!" e começava a cair
gente pintada do cavalo. Mas a pouca munição provocava caretas
desesperadas no mocinho, cercado de gente ferida. Até o idiota estava ferido.
Quando a mocinha (que estava carregando os rifles) dizia que era a última
carga, soava o clarim salvador da Cavalaria e milhões de Casacos Azuis
encurralavam um punhado de índios, acabando com todos. Beijo final. The
End.
Mas, e a verdade? Enterrem meu Coração na Curva do Rio (Bury My
Heart at Wounded Knee), o best-seller de Dee Brown, conta o outro lado da
história, é uma História índia do Oeste Americano.
Os mocinhos, de repente, não têm a pele branca. Pelo menos, a
maioria. Têm nomes que, nos filmes, eram perseguidos por bandos
comandados por John Wayne, Henry Fonda ou James Stewart: Cochise,
Gerônimo, Nuvem Vermelha, Cavalo Doido, Victorio, Touro Sentado, Galha...
A tal gente pintada que berrava é um povo altivo, nobre, com uma
cultura própria, que só entra em guerra defendendo o direito de viver nas
terras que sempre foram suas. Contra eles, um dos maiores exércitos da
época, armado com as últimas descobertas da tecnologia bélica para
enfrentar mosquetões obsoletos e arcos e flechas.
Os brancos guardam a memória dos massacres Fetterman e de
Little Big Horn, onde morreu o General Custer. Ficou relegado aos livros
especializados e aos documentos de acesso difícil o grande número de
massacres de aldeias índias, com morte a sangue-frio de velhos, mulheres e
crianças. Massacres que, comparados a My Lai, são como um filme de Sam
Peckinpah ao lado de um desenho de Walt Disney.
Dee Brown, nesta sua obra que veio na hora certa, quando a
consciência do povo norte-americano estava sendo incomodada pela guerra
vietnamita e pela questão racial, conseguiu mostrar, em primeiro lugar, a
grande tragédia do índio, uma minoria incômoda para a expressão
desenvolvimentista de uma nação em progresso, que precisava de terras
para ampliar seu território, para fazer estradas e colonizar o interior.
O resultado foi fulgurante. Após "Enterrem meu Coração na Curva
do Rio", a opinião pública se voltou para o índio. Uma avalanche de livros e
filmes ("Pequeno Grande Homem" e "Seven Arrows", por exemplo) realizou a
tardia revisão histórica da "epopéia" da conquista do Oeste.
O livro de Dee Brown chegou as listas de best-sellers e passou
mais de um ano sacudindo consciências e revelando uma face triste da
formação dos Estados Unidos, reabilitando os pobres sub-humanos
mostrados pelo cinema e televisão de grande consumo. Revela outro aspecto
importante dessas décadas impiedosas: o papel do homem branco como
agente poluidor da natureza exuberante da região habitada pelos índios. Os
brancos introduziram a fumaça dos trens, o uísque, as doenças infecciosas e
acabaram com as florestas e a vida selvagem.
Enterrem Meu Coração Na Curva do Rio-Dee Brown(ilust.)(rev.)
http://www.4shared.com/document/cb1950Ei/Dee_Brown_-_Enterrem_meu_Corao.html
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"Na busca de quem sou,para onde vou,percorri vários caminhos.Alguns me alegraram,outros me revoltaram,muitos me entristeceram e um quase me aniquilou.Tentei então o impossível:REGRESSEI..."
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"odeio quem rouba a solidão sem em troca me oferecer verdadeiramente companhia..."
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