domingo, 17 de outubro de 2010 By: Fred

[livros-loureiro] Aprender a ser feliz

Aprender a ser feliz

Ana Vieira de Castro

 

Tal como muitas outras coisas navida, ser feliz aprende-se. É uma banalidade dizer que ninguém nasce ensinado mas, na verdade,tudo o que vivemos, desde o berço até àmorte, não é mais do queum grande caminho de aprendizagem. Um caminho em que temos de procurar constantemente as respostas mais adequadas para cada momento, de fazer ajustes permanentes em relação a uma realidade sempre em mudança, de escolher incessantemente entre as mil i uma opções que se nos oferecem. Embora, em termos práticos, toda essa aprendizagem seja demasiado longa e difícil, conseguir ser feliz, apesar de tudo, é o maior e o mais estimulante dos desafios. Cada vez mais somos obrigados a explorar os nossos recursos interiores, a pôrà prova a nossa coragem e a nossa capacidade de adaptação e renovação, no sentido de conseguir evoluir e encontrar um significado para a vida. Especialmente nas circunstâncias mais difíceis, em tempos de angústia e instabilidade.

Depressão colectiva. – Todos temos a ambição de sermos felizes, saudáveis e realizados, mas sentimo-nos muitas vezes inaptos para realizar esta ambição. Em vez de concretizar aquilo com que tanto sonhamos, deparamo-nos com sofrimentos, derrotas e desilusões. Falhamos na vida amorosa, sentimo-nos eternamente insatisfeitos nos empregos, nunca ganhamos o dinheiro suficiente e raramente encontramos verdadeira alegria ou uma realização plena nas pessoas com quem nos damos. Em consequência, sentimo-nos à beira do abismo ou mesmo a afundar na depressão colectiva onde abundam os sentimentos negativos e o desapontamento. E, no entanto, temos uma imensa vontade de acreditar que tudo poderia ser diferente. E pode mesmo. Embora sejam consideradas uma raridade, todos conhecemos pessoas que mesmo na maior adversidade mantêm a serenidade, a paz interior e nunca desesperam. Muitas destas pessoas vivem fases de grande sofrimento e nem sequer são as que, à primeira vista, reúnem as condições para serem pessoas felizes. Porque as aparências iludem, também muitos daqueles que achamos que têm tudo para serem felizes não encontram dentro de si um espaço para acolher essa felicidade, esse bem-estar que as oportunidades de vida ou os bens materiais lhes proporcionam. Assim sendo, vale a pena concentrar o olhar nestas pessoas que, apesar de viverem fases difíceis, são capazes de aceitar e dar um testemunho luminoso, de alegria e paz. E quem diz luminoso, diz contagiante. Como alguém disse, o bem e o mal são igualmente contagiantes, mas o bem é incrivelmente mais luminoso. Posto isto, que factor decidirá a nossa reacção face aos acontecimentos da vida e ao e ao tipo de sentimentos que interiormente desenvolvemos?

Razões interiores. – Todos os psicólogos e psiquiatras são unânimes em afirmar que a programação da infância é decisiva e marcante. Nela interfere todo o ambiente em que crescemos, especialmente o modo como os nossos pais se relacionaram connosco e entre si, pela sua maneira de sentir e reagir e pela nossa interacção com os outros elementos da família, especialmente os irmãos.

Quando somos pequenos, absorvemos como uma espoja os sentimentos que emanam de tudo o que nos rodeia. Mas a nossa programação interior para a vida também depende da observação e da imitação dos nossos modelos. Se tivemos sorte e crescemos numa família carinhosa e feliz, provavelmente desenvolveremos uma disposição interior que facilmente nos levará a ter uma vida mais preenchida e satisfatória, assim como uma boa capacidade de desenvolver relações amorosas estimulantes e gratificantes. Mas se, em vez disso, tivemos à nossa volta muita tristeza, preocupação, medo e ressentimentos, então teremos francas probabilidades de vir a viver tempos difíceis na nossa vida adulta.

Importa, neste ponto, fazer uma ressalva para o chamado factor de resiliência(ou seja, a nossa capacidade de lidar com a adversidade)e sublinhar que os mais resilientes também são aqueles que, apesar de tudo à sua volta ser difícil e negativo, são capazes de crescer e evoluir de forma equilibrada, saudável e razoavelmente feliz. Por palavras mais simples, muitas crianças que cresceram num chamado "berço de ouro"nem sempre são mais felizes do que outras que foram abandonadas,maltratadas ou negligenciadas. Embora a resiliência não seja a regra que impera, é um factor poderoso de protecção interior que dá frutos pela vida fora. Por tudo o que fica dito até aqui ficamos com a noção de que estamos todos nomesmo barco e quea dificuldade em ser feliz faz parte da condição humana.

                            

Impulso inconsciente. –

Se queremos realmente mudar, a única coisa a fazer é tentar que a nossa programação inconsciente negativa da vida se transforme numa programação positiva. Infelizmente não basta decidir que a partir de um determinado momento passaremos a serfelizes. As decisões conscientes têm pouca influência na programação inconsciente. De facto, existe um conflito entre a programação inconsciente e a vontade consciente, sendo que o impulso inconsciente vence sempre. A boa notícia, neste campo, é que é possível fazer um trabalho de conhecimento próprio e encontrar dentro de nós as ferramentas necessárias para apaziguar estes conflitos. Habitualmente este trabalho interior exige uma ajuda exterior e, por isso, cada vez mais são procurados especialistas com técnicas e estratégicas profundas capazes de promover a conciliação entre as vozes dissonantes que vivem no nosso interior e que nos causam tanto sofrimento. Identificar as razões profundas da nossa programação para a infelicidade é um passo essencial, mas há muito mais a fazer.

Não basta trabalhar as nossas emoções e sentimentos, mas também aquilo em que acreditamos. Ou seja, de encontrar um sentido para a vida. Para a alegria e a tristeza. De nos abrirmos a uma espiritualidade que não tem necessariamente que passar por uma religião ou culto, mas por uma abertura de coração e espírito a tudo aquilo que nos transcende. Do nosso sistema de crenças depende também o sentido que damos à nossa vida. E esse sentido é que pode combater o vazio interior que muitos de nós preenchemos com o prazer encontrado nos jogos de poder que, quando falham, nos causam depressão e desequilíbrio emocional. Para curar devidamente as nossas emoções, há quem defenda que devemos trabalhar os quatro níveis da existência:  o biológico, o emocional, o mental e o espiritual.

                               

Separar para aceitar. –

Embora a inteligência só por si não seja uma garantia para alcançar a felicidade é, contudo, um instrumento fundamental para pensar sobre o que nos impede de ser felizes e a melhor maneira de nos "educar" para a sensatez. Afirmam-no psicanalistas, psicólogos e filósofos em longos debates sobre a felicidade. E temos que nos educar porque, justamente, é de uma aprendizagem que se trata.

Neste sentido, e numa versão mais psicanalítica, consta que o maior obstáculo à felicidade é o nosso desejo latente e a mais secreta esperança de voltar à fusão com a nossa mãe, primeiro objecto do nosso amor. Um desejo inconsciente, entenda-se. E a importância desta constatação revela-se no facto de termos tendência para projectar essa necessidade e expectativa nos outros. Vivemos na secreta esperança de que os outros cuidem de nós e nos dêem todo o amor de que precisamos e com que sonhamos.

Posto isto, podemos concluir que estaremos tanto mais perto da felicidade quanto mais conseguirmos aceitar a vida como ela é e não como a imaginámos. Ainda na versão freudiana, seremos mais felizes quando finalmente aceitarmos a separação com o ideal do sonho materno. Podermos então assumir que estamos sós e maduros e que somos os únicos responsáveis pela nossa felicidade. E, em seguida, transformar os nossos antigos desejos, aceitando o mundo tal como ele é e não como gostaríamos que fosse: simultaneamente feio, bonito, generoso, cruel e violento. E aprender a amá-lo mesmo assim.

Esperar menos dos outros e amar sem condições tornam a vida mais fácil e fazem-nos mais felizes. Levam-nos a aprender a tranquilidade das coisas e aceitar com menos sobressaltos o fluxo da vida, com tudo o que ela nos dá, de bom e de mau, de luz e de sombra. E, finalmente, a encontrar um sentido total de integração numa realidade maior que a nossa.

Em resumo, e para que não permaneçam equívocos, ser feliz não é nem será jamais um estado definitivo e permanente, mas passa sempre por uma atitude interior de abertura e acolhimento da vida, dos outros e de nós próprios.                         

 

 

 

Agripina Ramos

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