quinta-feira, 14 de outubro de 2010 By: Fred

PEGASUS LANÇAMENTOS APRESENTA - KIT TUNSTALL - LINHAGEM DE SANGUE 01 - JURAMENTO DE SANGUE

Série: Linhagem de Sangue

Livro 1
Juramento de Sangue

Kit Tunstall


Tradução Mecânica: Ninna Karenin
Revisão inicial: Ninna Karenin
Revisão final: Tereza F. de Lima
Formatação: Beatriz C. Mendes

Informação da série:

Pégasus Lançamentos


Resumo
Anca acreditou a vida toda que seu pai estava morto. Quando Demi aparece e diz que seu pai está vivo, porém muito doente, ela num primeiro momento não acredita nele. Uma vez que se convence concorda em se encontrar com ele.
Só quando ela chega em Corsova percebe o que se espera dela e o que ela é ... o que a maioria do povo de Corsova são: Vampiros.
Prólogo

27 anos atrás...

? O que você fez?
Demi pulou de susto ao som a voz zangada de Valdemeer que soava pelo castelo. Ele soltou a espada de brinquedo no chão de seu quarto com um barulho de madeira contra pedra e correu na direção do grito. Parecia que vinha do final do corredor da ala das crianças.
Ele forçou velocidade em suas pernas magras enquanto subia às pressas a escada em espiral. Demi ignorou o corrimão de madeira e conquistou os degraus com uma facilidade nascida da juventude. Ele desceu a passagem e continuou a correr. Ele ouviu a voz de Valdemeer novamente, atada com raiva, mas as palavras não eram tão distintas.
Ele acenou para o guarda por perto e virou em direção a um conjunto de portas de madeira altas que tinham sido abertas. Ele derrapou em uma parada diante da visão ante ele.
Valdemeer segurava sua filha de seis anos de idade pelas lapelas de seu manto e estava a sacudindo.
? Responda-me, Nikia, ? ele exigiu.
A boca de Demi se abriu com choque. Nos quatro anos em que viveu no Castelo Draganescu, ele nunca ouvira o mestre levantar sua voz, nem testemunhou quaisquer atos de violência.
A expressão da Nikia permaneceu serena. A única indicação de suas emoções estava na raiva que brilhava em seus olhos castanhos.
? Eu me livrei da moça, Papai. - Ela falou com calma apesar da pouca idade.
Valdemeer rosnou com raiva e empurrou a menina longe dele. Mesmo em sua raiva, ele foi cuidadoso, se assegurando de que ela não cairia antes dele a soltar, Demi notou. Ele sacudiu sua cabeça enquanto passava os dedos por suas finas e grisalhas mechas de cabelo.
? Por que você mandaria sua mãe embora?
Os olhos de Nikia escureceram e ela cuspiu.
? Madrasta.
Valdemeer suspirou, e a onda de raiva pareceu deixar suas bochechas lentamente. Sua expressão enfurecida alterada para uma de confusão.
? Ela era a bondade em pessoa para você. Por quê?
Os lábios de Nikia se comprimiram, e ela olhou intencionalmente para a parede. Sua boca enrolou quando ela viu Demi na entrada.
? Pergunte a seu espião, Papai. Talvez ele saiba.
Valdemeer se virou sua posição cautelosa. Sua postura dura relaxou quando viu Demi. Ele deixou sua filha e caminhou em direção a Demi.
Por cima de seu ombro, ele disse
? Isto não está acabado, Nikia. Você está confinada ao seu quartos. – Demi estremeceu quando Nikia gritou sua indignação e bateu o pé. Seu cabelo castanho avermelhado selvagem voou ao redor dela como uma nuvem espessa, fazendo parecer que ela usava uma aureola de sangue. Quando Valdemeer aproximou-se, ele tirou sua atenção da menina e curvou-se para o seu rei.
? O que o atormenta, senhor?
Valdemeer colocou sua mão no ombro de Demi.
? Venha comigo, Nicodemus.
Demi acompanhou os passos do homem mais velho, fazendo uma pausa com ele quando o rei parou para falar com o guarda.
Ele esperou em silêncio enquanto Valdemeer passou instruções para não permitir que Nikia deixasse seu quarto.
Mais uma vez, eles começaram a andar. Demi quis perguntar novamente, mas ele não o fez. Sabia que seu rei iria falar quando estivesse pronto.
? Você tinha a idade de Nikia quando veio para o castelo, não?
? Sim, senhor.
Valdemeer sacudiu a cabeça.
? Você tem provado ser um companheiro fiel. Você é como um filho para mim.
? Obrigado, senhor. – Demi engoliu fortemente, entendendo o elogio que era levando em conta a morte de ambos os filhos de Valdemeer – um no útero, e o outro quando ele tinha apenas alguns dias de vida.
Demi seguiu o rei em seus aposentos. Ele permaneceu em silencio enquanto Valdemeer andava de um lado para o outro.
? O que aconteceu? – Ele perguntou novamente, depois de um longo silêncio.
Com um suspiro pesado, Valdemeer caiu em uma cadeira de madeira maciça.
? Katrine fugiu. Ela não falou muito em seu bilhete, apenas que ela não podia viver com medo.
? Nikia, ? Demi sussurrou. Para falar a verdade, a jovem menina o assustava às vezes também, com suas iras terríveis e olhares escuros. ? O que ela fez? – Ele perguntou em um tom mais alto.
Valdemeer encolheu os ombros.
? Ela não disse, e Katrine não explicou. Eu não entendo isto, Nicodemus. Nikia era uma criança quando eu me casei com Katrine. Ainda, ela recusou-se a aceita-la desde o início. Quando Julian nasceu, ela ficou incontrolável. Eu teria pensado que era ciúme, se ela apreciasse a companhia de Katrine.
Demi clareou a garganta.
? Eu... – Ele parou, debatendo sobre a sabedoria de dizer qualquer coisa. A sobrancelha do homem mais velho se arqueou.
? Sim, menino?
? Provavelmente não significa nada, mas eu ouvi Nikia dizer a filha do cozinheiro, Sian, que ela faria o Juramento de Sangue.
O rei piscou, e então fechou suas pálpebras. Ele caiu em um longo silêncio. Demi aguardou à porta, perguntando-se se devia dizer ou fazer algo. Finalmente, ele lambeu os lábios e disse,
? Não é muito tarde para impedir Rainha Katrine de partir, é? Ainda que ela tenha chegado à estação de trem, você pode impedi-la. – O silêncio continuou por longos segundos, quebrado apenas pelo tic-tac do relógio Ormolu sobre o manto. Finalmente, Valdemeer agitou sua cabeça.
? Não, eu não posso impedi-la, filho.
? Mas...
? Talvez seja o melhor. Agora que eu suspeito que... – Ele tocou seu farto bigode. ? Elas estarão mais seguras longe deste lugar.
Demi estava confuso.
? Elas, senhor? Você mandará embora Nikia também?
Os olhos castanhos de Valdemeer pareceram ficar mais nublados.
? Eu não posso. Ela é carne de minha carne. O que eu faria com ela? Para onde eu a mandaria? – Demi movimentou a cabeça com compreensão, entretanto ele não havia entendido completamente o que seu rei queria dizer.
? Então quem são "elas", senhor?
? Minha esposa e a criança. – Os ombros de Valdemeer caíram. ? Ela está grávida, Nicodemus. Katrine leva a escolhida para o Juramento de Sangue. Sua companheira de vida.
Demi arregalou os olhos.
? Você deve trazê-la de volta imediatamente.
Valdemeer sacudiu a cabeça.
? Um dia, ela retornará a Corsova, mas não enquanto ela estiver indefesa. Por um tempo, ela deve permanecer longe daqui. – Sua cabeça curvou adiante. ? Que ela e Katrine me perdoem.

CAPÍTULO 1

Anca levantou o olhar quando o sino na porta tocou. Seus olhos deslizaram para o relógio próximo à caixa registradora, e ela suprimiu um gemido. Quatro minutos até fechar. Ela forçou um sorriso quando seu cliente em potencial surgiu.
O sorriso falso sumiu quando ela conseguiu um vislumbre dele. Ela se esqueceu de respirar enquanto o melhor espécime de homem que ela já viu andou a passos largos para o balcão da frente. Ele tinha mais de um metro e oitenta de altura, com músculos ondulados, um corpo magro, e cabelo loiro prateado contrastando com sua pele bronzeada e olhos escuros. O corte perfeito de seu terno enfatizava seu físico magnífico, enquanto contribuía para sua aura de poder.
Ou talvez o terno não tivesse nada a ver com isso. Ela engoliu fortemente quando ele parou na sua frente. Seus lábios perfeitos não se curvaram em um sorriso. Ela abriu a boca, mas não conseguia tirar os olhos dele. Seus mamilos se apertaram, contra a renda de seu sutiã, e ela corou, perguntando-se se a evidência de sua excitação aparecia pela seda da jaqueta estilo Nehru que ela vestia.
Ela olhou para baixo e ficou aliviada ao ver apenas a saliência mal perceptível de seus mamilos contra o tecido cor-de-rosa estampado com rosas de seda. Ela olhou para ele quando ele pigarreou.
? Boa noite, ? ela disse, satisfeita por não tropeçar nas palavras em seu estado agitado.
? Você é Anca Draganescu? - Sua voz era incisiva e metódica, mas o sotaque sob suas palavras davam a elas uma sensualidade rouca.
Com aquela voz, ele podia fazer uma discussão sobre o tempo e excitá-la. Ela quase deu uma risadinha ao pensamento e se esforçou para compor suas feições em uma máscara profissional.
? Sim. Eu sou a proprietária do Dragan's Whimsy.
Ele movimentou a cabeça.
? Você é vidente, não?
Ela encolheu os ombros.
? Eu não posso sempre controlar o dom.
Ele a interrompeu antes dela poder dar seu discurso padrão sobre nenhuma garantia.
? Você me lerá.
Seus olhos se abriram ao seu comando imperativo.
? A loja estará fechando logo, senhor. Eu teria muito prazer em agendar uma consulta para amanhã. Eu tive um cancelamento esta tarde.
Ele agitou sua cabeça.
? Impossível Senhorita Draganescu. Agora, por favor.
Ela respirou fundo lutando para manter o controle de seu temperamento. Mesmo que ele parecesse como se tivesse saído de um anúncio da GQ, não tinha o direito de ser rude.
? Isso é impossível. Amanhã.
? Eu estarei a caminho de casa amanhã. Meu vôo sai à meia-noite. – Ele olhou em seu relógio quando empurrou para trás o punho da manga de seu terno e camisa azul claro. ? Eu tomei a liberdade de colocar a sua placa de fechado e trancar a porta.
A boca de Anca se abriu.
? Isto é inaceitável. Como ousa?
? Eu pagarei qualquer quantia. – Seus olhos suavizaram. ? Você deve fazer isto.
Ela franziu as sobrancelhas, desconcertada quando a raiva que estava se formando sumiu diante a sua expressão mais gentil e tom mais baixo.
? Por que é tão importante?
Ele encolheu os ombros.
? Eu devo satisfazer minha curiosidade.
Ela suspirou.
? Muito bem, mas eu espero o dobro da taxa normal. – Anca girou a chave para fechar o registro e deslizou o anel no bolso de sua calça comprida de seda. ? Por favor, fique a vontade enquanto eu preparo o chá.
Ele caminhou para o sofá de camurça e cadeiras beges no canto da loja sem responder. Anca assistiu ele sentar-se antes de sair de trás do balcão e ir para o confortável canto oposto preparar o chá. A água na panela ainda estava quente, e ela selecionou sua mistura especial de jasmim, camomila e verbena de limão, usados para realçar a consciência.
Ela adicionou duas colheres das folhas em uma panela de cerâmica pequena. Anca tirou água da panela de metal do aquecedor e adicionou ao bule decorado com rosas e fitas. Ela deixou a infusão e colocou dois pares de xícaras e pires em uma bandeja de prata. Quando eles estavam organizados esteticamente, ela colocou o pequeno bule de infusão na bandeja e levou ao seu cliente.
Ele escolheu o sofá, e estava debruçado contra as almofadas. Existia uma aura de graça sobre seus movimentos ao sentar-se reto.
? Para que o chá? – Ele olhou o bule como se contivesse algo menos inofensivo que chá.
Anca sorriu para ele ao levantar o pires e xícara para despejar a bebida fermentada.
? Ajuda no relaxamento. Quanto mais aberto você estiver, mais eu poderei captar.
Ele ergueu uma sobrancelha ao segurar a xícara que ela encheu.
Ela assistiu com diversão quando ele cheirou o conteúdo antes de beber. Ele fez uma careta, mas não pôs para fora. Ela despejou uma xícara para ela mesma e tomou a cadeira mais próxima a ele.
? Posso perguntar por que quer uma leitura, senhor? O que espera aprender hoje?
Anca bebeu seu chá, esperando ouvir as perguntas de sempre: Quando serei promovido? Eu me casarei? Nós devíamos ter crianças? Minha esposa e eu estamos nos distanciando? Seus olhos buscaram sua mão esquerda e viram que o dedo anular não tinha uma aliança, mas isso não significava nada.
Seu olhar era franco quando ele encontrou o dela.
? Eu quero ver se você é quem eu penso que é.
Ela engoliu sem pensar, não esperando tal resposta, e incapaz de formular uma resposta coerente. O chá quente queimou sua língua, e ela ofegou. Quem ele pensou que ela era?
? Você está bem, Senhorita Draganescu?
Anca acenou com a mão antes de colocar a xícara na bandeja.
? Eu estou bem. Devemos começar Senhor...? – Quanto mais cedo eles terminassem, mais cedo ela poderia tirá-lo de sua loja. Uma vez que estivesse no andar de cima em seu apartamento, sua inquietação passaria, ela se assegurou.
? Demi Golina. – Ele não ofereceu a sua mão para cumprimentá-la.
? Posso ver sua mão, Sr. Golina?
Seus olhos estreitados.
? Você lê palmas, Senhorita Draganescu? – Seu tom era quase sarcástico.
Ela agitou sua cabeça.
? Não. Eu simplesmente acho o toque o jeito mais fácil de ler alguém.
Ele estendeu sua mão.
Anca segurou-a entre as suas, tomando cuidado em não arranhá-lo com suas unhas longas. Ela gritou assim que eles se tocaram. Visões correram por sua mente em uma desordem de cores e sons, com pouca forma. Ela nunca experimentou qualquer coisa como isto antes.
Ela tentou se soltar, mas só conseguiu livrar uma mão. Ele segurou a outra mão com mais força. Ela gritou novamente, pedindo-lhe com uma confusão de sons incoerentes para solta-la.
? Diga o que vê Anca, ? ele ronronou. Ele pareceu intenso, mas não havia um traço de crueldade em seu rosto. Ele não parecia ter qualquer prazer em prolongar o contato ou causar seu medo.
? U-um ca-cálice, ? ela gaguejou. ? Ouro, antigo, com um rubi em seu punho... – Ela agitou sua cabeça enquanto o cálice deixava sua mente, substituída por uma visão que fez surgir cor em seu pescoço.
O Sr. Golina a tinha curvada para trás em cima de uma mesa, e ela gemia enquanto ele chupava seu mamilo. Da cintura para cima, eles estavam nus. Apertados juntos, eles lutavam para estar ainda mais próximos. Anca ouviu um gemido sair de seus lábios, e ele tinha a mesma paixão em sua visão.
? O que é?
Ela agitou sua cabeça, incapaz de descrever a cena. Quando ela encontrou seus olhos, viu que um meio sorriso curvava seus lábios, e seus olhos escureceram. Ele estava tendo a mesma visão? Ela nunca tinha compartilhado uma visão com outra pessoa antes. Ela havia apenas repetido o que via no passado.
Ela parou de olhá-lo nos olhos e fechou os seus. Anca sacudiu sua cabeça, lutando para dispersar a visão. Ela contou devagar até dez, o que era normalmente suficiente para quebrar sua concentração se uma visão se tornasse muito vívida. Dessa vez, só aumentou em claridade. Ele continuava a chupar seu seio, sua mão deslizou abaixo para seu estômago, no cós de suas calças, e acima de sua calcinha.
Anca se empurrou na cadeira quando ele acariciou sua vagina na visão. Ela ficou molhada na vida real, e já estava gotejando com necessidade na visão. Sua vagina se contraía com necessidade enquanto os dedos dele a exploravam.
A experiência era desconcertante o suficiente para fazer seus olhos se abrirem de repente. Anca puxou sua mão da dele.
? Não mais, por favor. Eu não vejo mais nada.
Ele riu.
? Sua mãe não ensinou você a não mentir, Anca?
? Você deve ir agora, Sr. Golina. Nenhuma cobrança pela leitura.
Anca saltou da cadeira e começou a empilhar as xícaras a esmo na bandeja. Ela endureceu quando ele tocou seu braço, mas as visões não retornaram. Ela deu um pequeno suspiro de alívio.
? Eu não posso ainda.
? Por que não? – Um flash da visão retornou a ela, junto com um tremor de medo. Este homem planejava estuprá-la? Anca estava confusa, lembrando o quão excitada estava na visão. Isso não se encaixava.
? Meu propósito em vir aqui não era para uma leitura. Eu fui enviado para achar você, Anca.
Seus olhos alargados.
? Por quem?
Ele respirou fundo.
? Seu pai.
Anca soltou a bandeja que acabara de erguer e ela caiu com um pequeno ruído sobre a mesa de madeira.
? Isto é uma mentira. Meu pai está morto.
O Sr. Golina agitou sua cabeça.
? Não. Ele vive, e está ansioso para encontrar você. Ele esperou muito por isso.
Sua boca se abriu, e ela lutou para falar.
? Isto é outra mentira. Eu estive aqui em Nova York pelos últimos vinte e seis anos. Ele podia ter me encontrado.
Ele passou uma mão por seu curto cabelo louro.
? Ele está morrendo, Anca. Ele precisa ver você agora.
Ela agitou sua cabeça.
? Ele está morto. Minha mãe disse para mim que ele morreu antes de eu nascer.
? Katrine estava tentando proteger você.
A suspeita nublou seus olhos.
? O nome da minha mãe é Katrine, e você acabou de destruir sua jogada. Saia daqui antes que eu chame a polícia.
Ele suspirou fortemente.
? Não é nenhum jogo de confiança que me traz aqui, eu asseguro a você. Eu estou agindo como o emissário de seu pai, de quem o último desejo é encontrar sua filha. Você o negará?
Ela balançou seu queixo.
? Eu não acredito em você.
? Você usa um pendente de rubi ao redor de seu pescoço, ? ele suavemente disse. ? Você nunca o tira.
Anca fez uma careta ao seu conhecimento, mas ela continuou blefando.
? Isto não é nenhum grande segredo. No ano passado, uma das minhas clientes tentou comprar de mim. Quando eu me recusei, ela contratou alguém para roubá-lo. Saiu nos jornais.
Suas sobrancelhas se juntaram, e ele resmungou algo que soou como um nome.
? Sim, eu estou certo que era ela, ? ele disse mais alto. Ele olhou pensativo, depois piscou, e sua expressão retornou a uma de seriedade quando ele dispensou o assunto do roubo. ? Em diferentes épocas do ano, o pendente parece brilhar com uma luz interna. Ele aquece ao toque.
? Eu... – Anca cessou bruscamente, incapaz de responder. Ela não disse a ninguém sobre isto, temendo que pensassem que ela era louca.
? Você sempre teve o pendente.
Ela movimentou a cabeça, incapaz de lembrar-se de um tempo em que ela não o usava.
? Sua mãe levou isto com ela quando fugiu do castelo e de Corsova. Katrine sabia o que representava, sabia que era seu direito de nascença.
? Sobre o que você está falando? Minha mãe é uma imigrante da Ucrânia.
O Sr. Golina sacudiu a cabeça enfaticamente.
? Não, ela nasceu na aldeia Corsovana de Rij, no ponto de partida das Montanhas de Bulgain. Romênia e Moldávia fazem fronteira com nosso país, como a Ucrânia, mas ela nunca visitou aquele país, ao meu conhecimento. Katrine passou sua vida inteira em sua aldeia, até que se casou com seu pai quando tinha dezessete anos. Ela foi embora depois de quatro anos casada. Essa foi a primeira vez que ela deixou as fronteiras de Corsova.
Anca colocou as mãos sobre as orelhas.
? Isto não é verdade. Eu conheço minha mãe.
Ele pegou seus pulsos e afastou seus braços.
? Ela deixou seu pai, que teve muito afeto por ela. Ele se preocupa com ela até hoje. Ela o amou profundamente, mas tomou você dele, para te proteger.
? Que tipo de monstro meu pai é então, para que eu tenha que ser protegida? – Ela perguntou estridentemente.
? Valdemeer é um bom homem. Ela fugiu de... outros que fariam mal ao seu herdeiro.
Anca murchou e afundou adiante. Ele ainda segurava seus pulsos, e ela estava a centímetros de tocá-lo.
? Eu não quero saber nada disso.
Sua expressão não tinha um fragmento de piedade.
? Você deve saber a verdade. Você tem que voltar comigo e encontrar seu pai, antes que seja muito tarde. O tempo está acabando, Anca. Nós temos menos de um mês. – Ele soltou seus pulsos. Anca afundou na cadeira que ela havia desocupado. Automaticamente, sua mão foi para o pendente debaixo de sua camisa.
Ela o ergueu pela corrente, até a pedra descansar contra sua mão. Era quente ao toque, e ele reluziu suavemente. Pontas de ouro iluminaram a pedra, e ela fez uma careta. Nunca fez isto antes.
O Sr. Golina ajoelhou ao lado de sua cadeira.
? Você virá? Eu reservei um vôo à meia-noite.
Anca mordeu seu lábio, confusa entre a chance de encontrar um homem que ela pensou estar morto e a oportunidade de machucá-lo como ele a machucou, rejeitando seu ultimo desejo. Ela suspirou, sabendo que existiria pouca satisfação em negá-lo. Seu orgulho seria um conforto frio depois de sua morte, quando fosse muito tarde para encontrá-lo se ela mudasse de idéia.
Ela movimentou a cabeça devagar.
? Eu irei.
Um sorriso ergueu seus lábios.
? Excelente, Anca.
Ela perguntou a ele.
? Como ele é Sr. Golina?
Ele encolheu os ombros.
? Valdemeer é um homem difícil de descrever. Você verá por você mesma em breve. – Ele se levantou e ofereceu a mão.
Anca aceitou relutantemente, preparada para uma enxurrada de visões. Nada aconteceu. Ela levantou-se, mas quando ela tentou soltar sua mão, ele a segurou mais firmemente. Ela olhou para ele confusa.
? Nós seremos bons amigos, Anca. Eu gostaria muito que você me chamasse de Demi.
Ela movimentou a cabeça, agradecida por não soltar o que estava pensando. Se a visão fosse verdade, eles seriam mais que amigos. Muito mais, realmente.


Capítulo 2

Demi esperou em silencio enquanto Anca se preparava para fechar a loja. Uma vez que ela lavou os artigos de chá e pôs o depósito em uma bolsa de entrega da noite, ela caminhou para frente da loja para verificar a fechadura que ele disse ter trancado. Estava segura, e quando ela se virou, ela o achou perto demais para seu conforto. As batidas de seu coração aceleraram.
? Você não acreditou em mim? A pergunta poderia ter sido irritante, se sua atitude não indicasse que ele não se importava se ela acreditava ou não.
Anca encolheu os ombros.
? Isto é meu sustento, Senhor... Demi. Não é um assunto de confiança.
Ele inclinou sua cabeça.
? Eu entendo.
? Minha mãe e eu vivemos acima da loja. ? Ela gesticulou para que ele a seguisse enquanto ela ia em direção do quarto dos fundos. Eles passaram pela mini-cozinha com o sofá dobrável e caminharam para a escadaria. ? Eu preciso falar com ela.
Ela podia senti-lo seguindo-a escada acima, apenas a um palmo de distância. Anca mordeu seu lábio, concentrando-se no tapete gasto e andando sobre cada degrau. Sua água-de-colônia cheirava ao ar livre, e ela teve o impulso de virar-se e enterrar o nariz na sua garganta.
Anca afastou o pensamento para longe ao chegarem ao segundo andar. Ele encostou-se levemente contra as costas dela e ela prendeu a respiração. Uma onda de emoção seguiu o leve contato, e ela tossiu para recuperar seu foco.
Ela girou para enfrentá-lo antes de entrar na sala de estar delimitada por uma cortina grossa.
? Minha mãe está frágil. Eu apreciaria se você não a chateasse.
Demi arqueou as sobrancelhas.
? Suas notícias não a chatearão?
Anca agitou sua cabeça.
? Eu não direi a ela onde eu estou indo.
Ele fez uma careta.
? Ela é sua mãe. Com certeza ela deveria saber.
Ela suspirou.
? Por favor, confie em mim. Ela fez uma cirurgia delicada no começo do ano e não precisa de stress.
Ele hesitou antes de assentir uma vez. Ela considerou isto um sim, abriu a cortina e entrou na pequena sala de estar.
A TV estava ligada, mas as luzes desligadas. Kathryn estava enrolada no sofá, apertando um lenço contra o peito enquanto lágrimas desciam pelas suas bochechas.
Anca olhou para a TV e viu que passava um filme em preto e branco. Sua mãe era sentimental com tais coisas. Ela sentiu o interruptor e o ligou. Uma luz leve da lâmpada de quarenta watts iluminou o quarto.
? Mãe, nós temos uma visita.
Kathryn levantou a cabeça rapidamente, e esmagou o lenço em um aperto forte. Seu rosto magro era quase tão pálido quanto o Kleenex branco, com exceção das bolsas roxas debaixo de seus olhos. Ela franziu as sobrancelhas para Demi.
? Quem é ele?
Anca percebeu que sua mãe e Demi tinham o mesmo sotaque, entretanto o de Kathryn suavizou durante o tempo em que ela viveu na América.
? Este é Sr. Golina.
Ele curvou-se para ela.
? Senhora.
Kathryn estava carrancuda, e sua sobrancelha estava enrugada.
? Golina. ? ela suavemente repetiu.
? Eu farei uma pequena viagem de negócios, Mãe.
Kathryn arregalou os olhos, e ela olhou de Demi para Anca.
? O que? Por quê?
?O Sr. Golina sabe de uma erva rara perfeita para chá, e ela cresce só em seu país. Ele se ofereceu para me mostrar onde eu posso achar. – Anca sentiu a história fluir de sua língua facilmente. Quase pareceu como se não tivessem sido suas palavras. Ela ficou tensa, esperando ver se sua mãe questionaria sua desculpa. Sua mãe fez uma careta, mas ela não contestou a razão para a viagem.
?Por quanto tempo você ficará longe?
? Várias semanas. – O tom quieto de Demi não aceitava argumentos.
Anca arregalou os olhos, e ela o atirou um olhar.
? Eu não posso ficar tanto tempo, Sr. Golina.
? Menos que isso seria inaceitável, ? ele disse suavemente.
? Eu tenho negócios para cuidar, uma vida aqui em Nova York. Eu não posso ficar mais que alguns dias.
Ele pareceu aborrecido, e sua boca se abriu. Seus olhos passaram por Kathryn antes de voltar para Anca, e ele fechou sua boca com um clique. Movimentou a cabeça.
? Se este é o tempo que você pode disponibilizar, será apreciado.
Ela suspirou ao argumento evitado, entretanto ela não podia evitar perguntar-se se ele tocaria no assunto quando eles estivessem fora de presença da sua mãe.
? Eu voltarei dentro de uma semana, Mãe.
? Eu posso cuidar da loja para você.
Anca engoliu um automático não e se forçou a assentir com a cabeça, sabendo que sua mãe não gostaria de ser mimada.
? Eu ficaria agradecida se você registrasse as consultas e cuidasse dos clientes. Tem pedidos de duas dúzias de chás de especiarias esperando serem enviados para os clientes. Você achará as caixas e faturas em meu escritório. Por favor, ligue para os meus clientes que já estão agendados para leituras essa semana e diga que eu agendo novamente quando voltar. Ofereça a eles vinte e cinco por cento de desconto.
Kathryn movimentou a cabeça, e uma vez mais, ela olhou para Demi.
? Seu nome é familiar para mim, Sr. Golina.
? Humm,? ele disse, sem encontrar seus olhos.
? Eu vou arrumar as malas. ? Anca disse a Demi.
Sua mãe não gostou.
? Você está indo hoje à noite?
Ela movimentou a cabeça.
? O vôo é à meia-noite.
? Onde você está indo? – Kathryn parecia cansada.
? Romênia. ? Demi disse. ? O vôo aterrissa em Constanta.
Anca movimentou a cabeça novamente.
? Se vocês me derem licença. – Ela deixou a sala de estar antes de qualquer um deles poder protestar ou adicionar algo mais. Ela torceu para que Demi mantivesse seu silêncio sobre quem ele era e onde eles estavam indo.

* * * * *

Katrine não falou ou emitiu um convite para que se sentasse. Demi se sentou em uma cadeira cheia de protuberâncias depois de ficar em pé por alguns minutos em sua presença. Ela olhou fixamente para ele com olhos castanhos arregalados, enquanto mordiscava o lábio inferior. Valdemeer o pediu para notar a aparência e condições de vida de Katrine. Ele estaria esperando um relatório completo de sua esposa, e Demi soube que ele não ficaria contente em ouvir que ela tinha estado doente, ou que elas viviam num nível bem abaixo do que devia ter sido seu por direito.
? Eu sei quem você é. ? ela disse com resignação triste, mas uma pitada de raiva escureceu seus olhos. O rosto de Katrine desenhou em uma careta. ? Pequeno Nicodemus, cresceu tanto. Você veio para levar minha filha.
Ela fez isto uma declaração, não uma pergunta.
Ele pesou sua promessa para Anca de não chatear sua mãe contra mentir. Ele suspirou.
? Sim, minha senhora.
Ela riu, e era um som duro.
? Eu não sou nenhuma senhora aqui.
? Você sempre será minha rainha.
Ela engoliu, e a pontada de ressentimento pareceu deixar seu rosto e voz. ? Valdemeer casou novamente?
Ele agitou sua cabeça. Katrine fechou seus olhos e pegou um rosário. Ela parecia estar rezando. Quando ela abriu os olhos e encontrou seu olhar, ela agitou o rosário.
? Eu me converti quando nós chegamos em Nova York. Um padre foi bom para mim. Ele me ajudou a encontrar trabalho e um lugar para morar.
? Sua Majestade teria cuidado de suas necessidades.
Ela encolheu os ombros.
? Que direito eu tinha em aceitar qualquer coisa dele? – A voz dela baixou de tom. ? Eu não tirei o suficiente, querido menino?
Ele deixou sua pergunta sem resposta, exceto para dizer:
? Talvez suas razões fossem necessárias, senhora.
Ela suspirou fortemente.
? Por que você está aqui?
? Sua Majestade deseja encontrar Anca. – Ele hesitou em dizer qualquer coisa mais. Finalmente, ele adicionou. ? Ele está pronto para morrer.
? Maria, Mãe de Deus, ? ela sussurrou enquanto se benzia. ? É hora, não é?
Ele movimentou a cabeça, perguntando-se se ela tentaria parar isto.
Katrine se sentou lentamente e se debruçou adiante. Ela soltou o lenço na mesa antes de segurar uma mão dele na sua.
? Você a guardará, não é?
Ele assentiu com a cabeça.
? Valdemeer o escolheu como seu Protetor durante sua jornada?
Demi assentiu novamente.
? Mas eu sou mais que isto.
Seus olhos arregalaram.
? Você é seu companheiro, não é?
? Sim, minha senhora, se ela me aceitar.
Lágrimas deslizaram dos cantos dos olhos de Katrine.
? Eu não o verei novamente. Eu sempre pensei que algum dia...
? Venha conosco. ? ele disse num impulso. ? Você seria um conforto para Valdemeer.
Katrine agitou sua cabeça.
? Eu não posso estar lá para isto. Eu sei o que acontecerá quando ela fizer o Juramento de Sangue.
Demi apertou sua mão.
? Ele entenderá.
? Diga a ele... - sua voz sumiu
? Eu levo qualquer mensagem que você desejar, minha senhora.
Ela soltou sua mão para enxugar as lágrimas de suas bochechas.
? Diga a ele que eu sinto muito, e eu o amo. Eu sei que eu não era sua companheira, mas eu quis fazê-lo feliz. – Ela chorou. Quando ela recuperou sua compostura, ela disse, ? Ele sabe o resto, eu espero.
? Eu estou certo de que ele sabe. – Demi hesitou, sentindo a necessidade de confortar a mulher. ? Eu acredito que Valdemeer amou a senhora tanto quanto ele podia... Ele tem grande afeto pela minha senhora. – Ele estremeceu ao quão sensível aquilo soou. ? Eu quero dizer, com Madra...
? Shh, menino querido, eu sei o que você quer dizer. – Um sorriso lânguido cruzou os lábios de Katrine. ? Ele nunca me amaria como ele a amou, mas ele me amou o suficiente. Se pelo menos... – Ela piscou, e seus olhos limparam. ? Eu estou confiando minha filha a você. Eu invoco você para cumprir seu voto de protegê-la.
? Com minha vida. ? ele solenemente disse.
Seus lábios tremeram, e ela tomou um momento para falar.
? Mais que isto, eu imploro para você tratá-la bem e amá-la.
? Com todo meu coração. – Os olhos do Demi não deixaram os dela, e ele permitiu que uma pontada de suas emoções transparecesse.
Katrine movimentou a cabeça, aparentemente satisfeita.

Capítulo 3

Apesar do assento luxuoso na primeira classe, as pernas da Anca doíam por estar no avião por quase dois dias. Assim que eles estavam dentro do terminal no Aeroporto de Kogalniceanu em Constanta, ela colocou sua bagagem no chão e se esticou. Os músculos em suas costas relaxaram gradualmente, e suas pernas pararam de ter câimbras.
Ao virar o pescoço, Anca olhou em direção a Demi e descobriu seu olhar repousando em seus seios. Ela congelou, esperando por uma reação. Ele não pareceu perceber, e seus olhos permaneciam focados em seus mamilos, aparecendo através de sua camisa branca. O algodão fino claramente revelava o desenho de seu sutiã rendado, e seus olhos não desviavam da visão.
Experimentalmente, ela empurrou seu peito para frente, sob o pretexto de estirar as costas. Os olhos dele se arregalaram, e ele endureceu. Abruptamente, seu olhar moveu-se de seu tórax até seu rosto. Sua expressão era inescrutável.
Anca apressadamente quebrou contato e curvou-se até erguer sua mala, perguntando-se sobre o impulso de tentá-lo. Por que uma reação dele era tão importante? Ela suspirou calmamente enquanto o seguia pelo terminal cheio para o carrossel de bagagem. Talvez ela quisesse se assegurar de que a atração que ela sentiu por ele não era unilateral.
Depois de reivindicar sua bagagem, eles atravessaram o terminal. Anca ficou surpreendida com a variedade de pessoas se misturando. Existiam homens e mulheres vestidas profissionalmente caminhando lado a lado com outros que pareciam ter saído de um livro da história da moda.
Assim que eles saíram pelas portas e na luz solar, Anca piscou. O brilho da luz da tarde machucava seus olhos, mas era uma folga bem-vinda dos interiores escuros dos aviões e lounges pelos quais passaram no último dia e meio. Quando seus olhos se ajustaram, ela olhou para Demi.
Ele piscava rapidamente e tinha o rosto virado para baixo em direção à calçada. Ele tirou óculos de sol do bolso de seu terno. Uma vez que eles estavam no lugar, ele ergueu sua cabeça novamente.
? Meus olhos são sensíveis.
? Entendo.
? Você está com fome?
Anca assentiu.
Demi olhou em seu relógio.
? Nós estaremos em Gara Constanta em breve.
? O que é Gara Constanta?
Antes de responder, Demi ergueu seu braço para chamar a atenção de um taxista no meio-fio.
? A estação de trem.
Ela fez uma careta.
? A que distância é Corsova?
? A fronteira é a mais ou menos 160 quilômetros. São outros 40 para a capital, onde nós sairemos do trem. Depois disto, para o Castelo Draganescu são outros 30 quilômetros.
As sobrancelhas de Anca se juntaram enquanto ela tentava lembrar-se de conversões métricas.
? Humm, isto é mais ou menos 175 milhas, não é?
? Mais como 140 ? ele disse ao caminhar em direção ao táxi. O motorista saiu de seu carro e abriu o porta-malas para eles quando se aproximaram. Demi colocou sua pequena mala primeiro, então as duas malas de Anca que ele insistiu em carregar. Anca pôs sua bolsa com o resto das malas e deu a volta para a parte de trás do táxi. Ela tinha consciência da proximidade de Demi quando ela abriu a porta e deslizou para dentro. Dentro de segundos, ele se sentou próximo a ela, com sua coxa apertada contra sua. Era porque a cadeira do Mini era pequena, ou ele gostava de tocá-la?
Ela molhou os lábios.
? Por que nós não voamos direto para... Qual a capital de Corsova?
? Bulgainia,? ele disse, antes de se deslizar para frente para dar as instruções ao motorista para levá-los para a estação de trem.
Quando ele se debruçou de volta contra a cadeira, girou seu rosto para ela. ? Não existe nenhum aeroporto em Corsova.
Seus olhos se arregalaram.
? Como vocês se viram sem um aeroporto?
Demi encolheu os ombros.
? As importações chegam de trem na capital, ou são transportadas para o porto em Vachow. Nós não temos nenhuma necessidade de um aeroporto.
Ela fez uma careta.
? Que tal a conveniência? Seus cidadãos não ficam aborrecidos tendo que viajar mais de duzentas milhas, quer dizer, quilômetros se eles quiserem fazer uma viagem?
Demi encolheu os ombros, mas não respondeu.
Anca suspirou e olhou pela janela. Os edifícios de pedra cinzenta dominavam a arquitetura, mas a influência Ocidental estava invadindo. As ruas não eram os paralelepípedos estreitos que ela imaginara. Existiam pequenas diferenças das ruas que ela estava acostumada, a não ser que Constanta não era tão povoada como Nova York.
Ela voltou para ele.
? A Bulgainia é muito grande?
Demi agitou sua cabeça.
? Constanta tem mais ou menos 350 mil habitantes. Bulgainia tem dez mil ou assim.
? Essa é sua maior cidade?
Ele movimentou a cabeça.
? A população é estendida entre as aldeias e cidades de nosso país. Existem menos que um milhão de Corsovans.
Anca agitou sua cabeça maravilhada. Ela imaginou Corsova um país pequeno, mas ela não imaginava que tinha uma população tão pequena. Ela vivia em uma cidade com mais de oito milhões. Como ela se ajustaria?
Felizmente, ela não teria que se ajustar, ela lembrou. Dentro de uma semana, esta visita seria uma lembrança, e ela estaria em casa. Ela sentiu uma onda inesperada de saudade das ruas lotadas e do ar fumarento de Nova York enquanto o táxi fazia seu caminho pelo tráfego.
Ela piscou para conter as lágrimas tolas quando um carro cortou em frente ao seu táxi. O motorista pacientemente esperou. Ela desejou que ele gritasse obscenidades ao ofensor, então pareceria mais com o seu lar.
? Você está quieta.
Anca girou sua cabeça para olhar para ele.
? Eu estou um pouco nostálgica. Constanta é muito mais como Nova York que eu teria imaginado, mas não é minha casa.
Ele tocou sua mão, provocando uma onda de consciência correr rapidamente em seu braço. Seus lábios se abriram e ela expeliu uma respiração áspera.
Ele não ofereceu trivialidades. Ao invés, ele disse:
? Nós estamos chegando à estação de trem. Logo, você verá a casa do seu pai.
Ela tentou fazer seu sorriso confiante, mas ele se pareceu trêmulo nas extremidades. O motorista parou na frente de Gara Constanta, manobrando para estacionar em uma vaga estreita. Demi deslizou para fora primeiro, oferecendo a sua mão para ajudá-la.
Anca aceitou enquanto deslizava através do banco, apesar de não precisar de sua ajuda. Um calafrio passou por sua espinha quando sua mão morna se fechou ao redor da sua. Um dardo de decepção relampejou por ela quando saiu do carro e ele soltou sua mão.
O motorista saiu do Mini para abrir o pequeno porta-malas para eles. Ele acenou quando Demi o entregou um maço de notas. Com uma despedida alegre, ele retornou ao táxi. Dentro de segundos, três homens estavam empurrando Anca e Demi para entrar no táxi.
Ela saiu de perto dos homens, segurando firmemente sua bolsa. Ao redor dela, Anca ouviu um murmúrio de vozes falando um idioma que ela não entendeu. A estação de trem era moderna, mas ainda parecia estrangeira para ela. Ter Demi ao seu lado era estranhamente tranquilizante, apesar de ele ser tão estrangeiro quanto qualquer outra coisa ao seu redor.
Ele colocou as malas dela debaixo de seus braços e segurou a sua.
? Nós compraremos nossas passagens e guardaremos nossa bagagem no trem. Assim que estivermos acomodados, nós compraremos algo para comer no vagão de refeições.
? Certo. – Seu estômago murmurou à menção de comida, e ela o seguiu com vigor renovado. A reunião com seu pai se aproximava e os nervos faziam seu estomago revirar com enjôo, mas a fome estava se fazendo presente.
Quando eles andaram pela estação de trem, os olhos de Anca esquadrinharam os quadros com os horários. Cada horário estava em três idiomas, mas ela não sabia nenhum deles.
Demi caminhou para o balcão de passagens sem uma pausa em seu passo. Ele abaixou as malas e tirou algumas notas do maço que retirou de seu bolso. Ele pediu duas passagens em um idioma que ela não reconheceu. O balconista baixinho e calvo processou seu pedido rapidamente e deslizou duas passagens através do balcão, junto com um chaveiro.
Quando ele colocou o dinheiro, chaveiro e passagens em seu bolso os olhos de Anca notaram o clipe de dinheiro em torno do maço de notas. Era de ouro, gravado com redemoinhos complicados. Um rubi em forma de lágrima cintilava no centro do clipe, envolto por duas mãos gravadas em ouro. Ela esticou a mão para tocá-lo.
? É bonito.
Ele deslizou o clipe em seu bolso.
? É o símbolo de nosso país. Representa nosso Protetor protegendo a fonte vitalícia de nossas pessoas.
Um frisson de medo passou por sua espinha, apesar de não ter nenhuma razão para ter medo de suas palavras.
? O que é a fonte vitalícia? - Fonte vitalícia soava muito... agourento.
Demi hesitou. Finalmente, ele encolheu os ombros.
? Eu não lembro o que o rubi representa. O símbolo é tão velho quanto a própria Corsova.
Ela o estudou mais próximo. Seus olhos evitaram os dela e ela soube que ele estava mentindo. Por quê?
? O quão velho é isto?
Ele encolheu os ombros.
? Alguns dizem tão velho quanto o tempo.
Anca girou quando alguém falou nitidamente atrás deles. O homem pareceu irritado com eles e ela percebeu que estavam bloqueavam a fila.
Depois de erguer suas bolsas, Demi pediu desculpas suavemente para o cliente impaciente e se movimentaram mais ao fundo na estação.
Ela ficou próximo dele, sentindo-se subjugada pelas semelhanças estranhas e diferenças notáveis entre Gara Constanta e a Estação Central Principal.
? Quando nosso trem parte?
? Vinte minutos. – Ele caminhou sem vacilar pela estação, levando-a a direita da plataforma.
Anca o seguiu para o trem, e eles passaram por quatro carros de passageiro antes de entrar em um carro com portas em cada lado do corredor, mas nenhum assento aberto. Seu estômago se apertou quando ele começou a ler os números. Ele os registrou em um compartimento privado?
Eles passaram por mais dois carros antes de parar em uma porta que marcava 15.
? Este é nosso compartimento.
Ela limpou a garganta.
? Nosso?
Ele girou para ela, arqueando a sobrancelha.
? Algum problema?
Ela lambeu os lábios nervosamente. Anca era incapaz de dizer que não queria ficar confinada em um quarto com ele.
? Parece uma extravagância, só isso. Nós só estaremos no trem por... – Ela parou, incapaz de terminar o que ia dizer sem saber quanto tempo a jornada era.
? Você pode passar as próximas duas horas descansando, Anca. É melhor viajar em um compartimento quieto que no meio da massa. – Ele baixou a mala do braço esquerdo e pescou a chave de seu bolso. Abriu a porta e deu um passo atrás, indicando que ela o devia preceder.
Engolindo o nó em sua garganta Anca entrou no compartimento privado, ligou a luz e fez careta. Era tão pequeno quanto ela temia. Uma mesa pequena e duas cadeiras, posicionadas próximo à janela exclusiva, estavam parafusadas no chão. Um sofá de dois lugares ficava próximo à mesa, e existia uma estante baixa que ela presumiu passar por um beliche construído na parede abaixo de uma prateleira de bagagem. O beliche era apenas suficiente para um.
Ela moveu de lado assim Demi podia entrar. Ele passou o estômago contra ela, e sua carne de repente pareceu hipersensível. Imaginou que podia sentir o calor que emanava de sua pele por sua camisa.
? É confortável. ? ela disse com alegria forçada.
Ele não respondeu enquanto empilhava a bagagem na prateleira. Sua expressão era inescrutável quando voltou a olhá-la.
? Você gostaria de me acompanhar em uma bebida?
Ela agitou sua cabeça.
? Eu estou cansada. – Ignorou as pontadas de fome em seu estômago e forçou um sorriso. ? Eu acho que deitarei durante algum tempo.
Ele caminhou para a porta.
Anca fez uma careta quando percebeu que ele não iria dizer nada. Por alguma razão, isso a irritou. Deve ser esforço demais tentar convencê-la, ou perguntar se ela preferia comer a beber. Afinal, ele tinha sugerido que eles comeriam no trem, quando eles podiam ter parado naquele McDonald's que eles viram. Olhou furiosa em sua direção enquanto ele saía, mas saltou com surpresa quando se voltou para ela.
Ela tentou alisar sua expressão em uma mais inocente, pois ele a olhava fixamente, sem falar. Limpou a garganta para quebrar o silêncio espesso.
? Sim?
? Eu tenho a chave, então eu entro sozinho.
Ela movimentou a cabeça.
? Não deixe ninguém entrar. Eu lidarei com o agente de passagens assim ele não irá perturbar você.
Suas sobrancelhas se arquearam com própria iniciativa.
? Certo. - Quem mais entraria em seu carro?
Ele movimentou a cabeça vivamente e se virou para abrir a porta, passou e a fechou. O som da chave girando na fechadura seguiu sua partida.
Anca andou pelo compartimento privado, estranhando sua ordem. Examinou cuidadosamente suas palavras várias vezes, mas não achou qualquer razão para sua advertência.
Suas pernas pareceram amolecer e desmoronou sobre o beliche estreito. E se as pessoas de quem sua mãe a protegeu ainda estivessem atrás dela? Ela estava se pondo em perigo entrando em Corsova? Alguém ainda pensava que ela era uma ameaça?
Se não tivesse estado com tanto medo, a ideia teria sido cômica. Ela podia assegurar para qualquer um que poderia estar preocupado que não queria nenhuma parte da riqueza ou status do seu pai. E, com certeza, ele deve ter ambos, se alguém tentava prejudicar seu herdeiro.
As pessoas que ela conhecia não tinham necessidade em proteger seus herdeiros de armações intrigantes e tentativas de assassinatos. Betsy na loja de beleza não podia se importar menos com quem assumiu o comando de seu arrendamento quando se aposentou, e ninguém desafiaria Jimmy Phoung pelo controle do restaurante do seu pai quando Phoung-Li morresse.
Anca agitou sua cabeça, incapaz de se imaginar herdeira de qualquer coisa. Na verdade, não quis qualquer herança de seu pai. Só quis o encontrar enquanto ela ainda tinha a chance, e então retornaria a sua vida real em Nova York.
Ficar em Corsova e seguir seus passos ou o que quer que fosse exigido dela era a última coisa que iria fazer. Faria seu pai e todo mundo perceber isso durante sua visita. Não existiria qualquer perigo, que eles entendessem isso.
Ela se sentiu ligeiramente mais no controle uma vez que tinha um plano em mente. Se todos em Corsova fossem tão dominantes quanto Demi, teria que ser firme, mas ela podia ser. Afinal, era uma mulher de negócios e sabia como seguir um plano até alcançar uma meta.
Neste caso, sua meta era deixar Corsova sem perder sua vida ou seu coração. Ela sentiu que Demi era mais perigoso para o último que qualquer um faminto por poder e suas armações podiam ser para o primeiro.
Uma onda de fatiga passou por Anca, e ela bocejou. O beliche estreito pareceu mais atraente que alguns minutos atrás, e se esticou nele. Não era tão desconfortável quanto pareceu. O balançar do movimento do trem, em dupla com o som rítmico das rodas no caminho, logo a puseram para dormir.

******

O céu da noite era uma tela preta, com milhares de estrelas brilhando acima. Ela nunca viu nada assim em Nova York. Podia ouvir o vento soprando suavemente pelas árvores. O solitário uivo de um lobo crescia com intensidade assombrosa, antes de outros logo se juntarem a ele, seus gritos ecoando montanha abaixo. A matilha estava perto, mas ela não sentiu nenhum medo.
A lua crescente estava quase cheia, e tinha um tom rosado estranho. Cada vez que seus olhos olhavam para ela, sua batida do coração acelerava. Virou sua cabeça ao toque de lábios contra seu pulso.
? Logo, será hora. ? Demi disse, e seus lábios faziam cócegas em sua pele. ? Em duas noites, a lua estará vermelho-sangue.
? Sim. – Ela soube exatamente do que ele estava falando, mas não podia recordar como. Sua sobrancelha se enrugou, e ela começou a perguntar do que eles estavam falando, mas seus olhos se alargaram quando os dentes de Demi penetraram a pele em seu pulso, achando a veia facilmente.
Ela ofegou quando a dor inicial mudou para um prazer intenso. Anca segurou sua respiração e seus olhos fecharam por vontade própria. Ela estava escorada em seu cotovelo, deitada num campo no meio da noite, mas não pareceu estranho para ela. Abriu seus olhos levemente e assistiu ao jogo de emoções no rosto de Demi. Enquanto sua garganta trabalhava compulsivamente, engolindo seu sangue, ela deitou de volta na cama suave de rosas.
Ele retraiu suas presas e soltou seu pulso enquanto subia pelo seu corpo. O sangue dela manchava seus lábios e Anca ergueu sua cabeça para apressar a reunião de suas bocas. Em lugar de beijá-lo, ela passou sua língua por seus lábios, lambendo os rastros de seu sangue. O sabor era pungente e acobreado, mas com uma doçura subjacente que a fez ansiar por mais.
Demi tinha se espreguiçado ao lado dela, mas agora rolou acima para montá-la. Ele prendeu suas mãos no chão, delineando sua cabeça, e se debruçou adiante para beijá-la. Seu pênis apertado na suavidade de seu estômago e sua vagina inundada com desejo.
Anca balançou sua cabeça, oferecendo seu pescoço para sua possessão, mas ele ignorou a tentação. Ao invés, seus lábios separaram os dela suavemente, e sua língua aventurou dentro para explorar suas profundidades úmidas. Ela gemeu baixo em sua garganta quando a língua dele deslizou através da sua. Tentou prende-lo entre a língua e a bochecha e ele riu em sua boca.
Sua língua retrocedeu e ele aliviou seu peso nela completamente. Com o rosto enterrado na curva de seu pescoço, Demi apertou seu seio com uma mão. Esfregou um mamilo entre seus dedos, fazendo a sensível saliência endurecer com seu toque.
Sua outra mão viajou pelo lado, explorando suas costelas, pausando para apertar sua cintura, antes de mover-se além de seu quadril e escorregar pela sua coxa.
Anca endureceu quando ele buscou sua vagina. Ele estava indo muito lentamente. Ela quis sentir seu pênis dentro dela e a antecipação a fez girar seus quadris impacientemente.
Ele riu novamente enquanto acariciava seus lábios inchados, molhados com seu próprio orvalho, mas ele não se aventurou entre eles.
Ela grunhiu e curvou seus quadris, exigindo sem palavras que ele cumprisse a promessa não dita.
A respiração de Demi era quente contra seu pescoço quando ele disse
? Tão impaciente.
Ela enrolou a mão em seu cabelo, trazendo sua boca mais próxima para seu pescoço enquanto arqueava seus quadris.
? Por favor, ? ela sussurrou.
? Eu vivo para servir você, ? ele disse com um rastro de gozação. Segundos depois, suas presas penetraram a veia em seu pescoço ao mesmo tempo em que seus dedos deslizaram dentro de sua vagina e buscaram o clitóris contraído. Ele a achou molhada e pronta e deu voz para sua paixão...
? Anca!
Seus olhos abriram-se de repente e ela expeliu uma respiração forte. O rosto de Demi estava a polegadas do seu, e ela primeiro pensou que ainda estava no sonho. Sua vagina estava molhada e dolorida e seus mamilos duros. Só quando ela percebeu que sua expressão estava preocupada, em lugar de apaixonada, ela soube que não estava sonhando.
? O que? – Ela conseguiu perguntar com uma voz seca.
? Você estava sonhando. Eu ouvi que gemia e então você chorou. – Demi removeu suas mãos de seus ombros, onde ele tinha aparentemente a sacudido para conseguir acordá-la. ? Você estava tendo um pesadelo?
Anca agitou sua cabeça e deixou essa ser sua resposta. Ela lembrou de todo aspecto do sonho claramente como se realmente experimentasse isto. Ela não iria contar a Demi quaisquer dos detalhes.
? Eu trouxe comida...
Assim que ele falou, o trem fez uma curva afiada, e ele caiu adiante. Aterrissou através de seu corpo, o peso total de sua estimulação apertada contra sua coxa.
Os olhos de Anca se abriram quando sentiu seu pênis contra ela. Indecisamente, ela encontrou seus olhos e viu que eles escureceram. As manchas prateadas pareceram arder ao redor de suas pupilas. A veia em sua têmpora visivelmente pulsou, em tempo com o pulsar de seu pênis. Ele estava claramente excitado. Ele a viu sonhar?
Ela tentou empurrar longe o pensamento desconcertante. Limpou sua garganta.
? Você disse algo sobre comida?
As bochechas dele ficaram vermelhas e saiu de cima dela.
? É... Sim. Eu sabia que você estava com fome. – Ele olhou em seu relógio, e a ação foi dura, como se estivesse desesperado para evitar seus olhos. ? Você dormiu por mais de uma hora. Deve ter tempo suficiente para comer e se refrescar antes de chegarmos a Bulgainia.
Anca estava determinada a ignorar seu estado de excitação, então lutou para se convencer de que seus mamilos não estavam ainda duros e doloridos. Ele possivelmente não podia vê-los pelo algodão de sua camisa. Ainda que pudesse, bem... Ela não podia fazer qualquer coisa sobre isto.
Ela colocou sua expressão mais profissional, reservada para lidar com fornecedores e clientes irritáveis e balançou suas pernas fora do beliche. Viu uma bandeja na mesa perto da janela e levantou-se.
Oscilou quando o trem balançou debaixo dela. Quando Demi estendeu a mão para ajudá-la, sorriu para ele.
? Obrigada. Eu não estou acostumada a viajar de trem. – Apesar de ser uma nativa de Nova York, ela raramente usou a Estação Central Principal para transporte, com exceção para embarcar no metrô.
Sua mão foi lenta em solta-la.
? Claro.
Anca permitiu seus pés caírem no ritmo do trem e não era tão irregular quanto esperou. Ela fez seu caminho para a mesa e se soltou em uma cadeira. Olhou até ver Demi em pé incerto no centro do carro.
? Você se juntará a mim?
Ele assentiu e veio sentar-se com ela, depois de ligar a luminária presa a parede. O sol estava baixo no céu e sombras encheram o compartimento, até a iluminação escura as afugentar.
Anca olhou fixamente para a comida no prato. Existia um prato e tigela coberta e uma garrafa com um copo sólido de cristal virado de cabeça para baixo ao lado. Ela virou o copo e encheu com um rico líquido marrom-avermelhado da garrafa. Ela trouxe para seu nariz e experimentalmente cheirou. Um cheiro picante e doce, com uma sugestão frutal.
? O que é isto?
? Tuica. É um conhaque de ameixa preparada localmente. Se você não gostar, eu irei buscar qualquer outra coisa.
Ela bebeu cautelosamente e se preparou para ser impressionada pelo gosto. Suas experiências limitadas com álcool estrangeiro não a levaram a esperar o contrário. Anca ficou surpresa por achar o sabor refrescante e o liquido desceu suavemente.
Depois, ergueu a tampa da tigela e achou algum tipo de sopa com um bocado de nata azeda. Rodou sua colher pelo caldo, vendo cebolas, cenouras, abobrinhas e bolas de massa.
? E este, Demi?
? Bors de dovlecei. É sopa azeda com abobrinha.
Ela movimentou a cabeça. Novamente, com precaução, tomou uma colherada e saboreou. Ela não pode esconder sua careta. Depois de ter engolido, deitou sua colher na bandeja e cobriu a tigela.
Ergueu a cobertura do prato e ficou aliviada por achar comida semi-reconhecível. Ela usou seu garfo para indicar o prato vegetal.
? Eu sei que isto é berinjela, entretanto eu não nunca a vi servida deste modo.
? É assada com alho.
Ela movimentou a cabeça, movendo seu garfo para os pãezinhos que pareceram com burritos verdes em miniatura.
? Eu não estou certa sobre este.
? Sarmale com legumes e Mititei.
Ela sorriu para ele.
? Tradução, por favor?
Demi riu, e o som lembrou a ela do sonho.
? Salsicha e legumes romanos, embrulhado com folhas de repolho. Sarmale é pimenta ou repolho cheio com qualquer coisa.
Anca tomou uma mordida da berinjela e fechou seus olhos com prazer. Pareceu derreter em sua língua, enquanto o sabor de alho reforçou os condimentos mais delicados. O sarmale era igualmente delicioso, e ela dispôs prontamente da comida, nem mesmo parando para conversar. Ele pareceu contente em assisti-la, e ela achou seus olhos constantemente nela confortantes e não desconcertantes.
Quando Anca afastou sua bandeja com um suspiro, disse
? Obrigada. Eu não saberia o que pedir.
Demi inclinou sua cabeça.
? Eu vivo para servir você.
Ela se sobressaltou a frase inesperada, eco do sonho.
? O que? – Ela exigiu estridentemente.
Ele franziu as sobrancelhas.
? Eu ofendi você?
Ela ondulou o guardanapo em seu colo com seus dedos.
? O que fez você dizer isto?
Demi encolheu os ombros.
? É uma frase comum em meu país. As pessoas têm usado isto por milhares de anos, em resposta para pedidos da família real.
Anca suspirou com alívio. Ele não tinha zombado do sonho. Ela devia estar ficando louca se realmente acreditasse que ele de alguma maneira espiou por seu cérebro durante seu cochilo.
? Entendo... – Ela parou de falar. ? Você trabalha para a família real?
Ele hesitou, e então assentiu.
? De certo modo. O rei me acolheu quando eu era criança. Eu fui... – sua sobrancelha se enrugou, como se estivesse procurando por um jeito de explicar- ? adotado pela família, eu acho que você poderia dizer.
Anca movimentou a cabeça.
? Deve ser um hábito, huh?
Demi pareceu confuso.
? Perdão, Anca?
? Usar aquela frase. – Ela sorriu para ele. ? Eu terei que me lembrar disto se nós virmos qualquer membro real durante minha visita.
Seus olhos se alargaram, e ele piscou várias vezes. Sua boca abriu e fechou, e ele respirou fundo. Demi pigarreou.
? Houve confusão, eu penso.
? Como assim?
? Eu vivo no Castelo Draganescu, Anca. Eu sirvo seu pai, como fazem todos os cidadãos de Corsovan. Em troca, ele toma conta e nos guia. Ele é o Protetor de nosso estilo de vida.
Ela agitou sua cabeça, confusa por sua fala florida.
? Eu não entendo.
? Seu pai é o regente de Corsova. Sua mãe é a rainha, vivendo em exílio por sua própria escolha. Você é herdeira do trono.
O silêncio encheu o compartimento quando ele parou de falar. Anca soube que estava de boca aberta, mas não podia se concentrar o suficiente para fechá-la. Seus olhos pareciam que iam saltar de seu rosto. Ela agitou sua cabeça.
? Uh...
? Anca? – Seu tom estava cheio de preocupação.
Ela balançou sua cabeça de forma mais vigorosamente.
? Isto é loucura. – Havia uma ponta estridente em sua voz, e ela lutou para conter-se. ? Eu não sou a herdeira de nada. Eu possuo uma loja de chá, pelo amor de Deus.
Demi estendeu suas mãos em um gesto de defesa.
? Isso pode ser, mas você também é a princesa de Corsova e a próxima na linha para o trono. – Ele fez uma careta. ? Eu não posso acreditar que Katrine nunca disse a você.
Uma risada afiada escapou.
? Minha mãe disse que meu pai era um pastor. – A risada mudou para uma risadinha que tinha uma nota de histeria. ? Eu acho que ela não estava mentindo completamente, ? Anca disse quando o desejo de rir enfraqueceu.
A careta dele aprofundou-se.
? Eu estou certo que ela teve razões para não dizer a você.
Ela encolheu os ombros, incapaz de lidar com o que acabou de aprender.
? É melhor você saber disto agora, não?
? Não! – Ela não teve que hesitar. ? Eu não quero este tipo de fardo. Jesus, Demi, você não pensa que é estressante o suficiente encontrar meu pai pela primeira vez, sem ter essa merda toda no meio?
Ele agitou sua cabeça.
? M- o que?
? Merda, ? ela disse muito claramente.
? O que excremento tem a ver com a situação?
O desejo de rir quase a tomou novamente, mas temeu que seu controle fosse tão tênue que se ela cedesse, nunca pararia. Ela acabaria presa em um quarto em algum sanatório do leste europeu.
? Não importa, ? ela impacientemente disse. ? É só um jeito de falar.
? Ah.
Seus olhos estreitados.
? Eu espero que você não pense que eu estou aqui para assumir o comando de meu pai, ou alguma outra tolice. Eu não quero qualquer parte disso.
? Mas...
Anca avançou.
? Eu vim para encontrar este Valdemeer, e então eu volto para casa. De volta para Nova York, para minha mãe, para minha loja e para minha vida real.
Demi estava irritado.
? E o seu dever ao seu povo?
? Eu não tenho nenhuma pessoa. A coisa mais próxima do meu 'povo' que eu tenho é o programa de proteção ao bairro. – Ela bufou. ? Eu não soube nada sobre isso. Se você tivesse sido honesto desde o começo eu não teria vindo.
Ele endureceu, e sua expressão beirava a raiva.
? Eu não menti para você. Eu achei que sua mãe tivesse dito a você de seu direito inato. Não me culpe por este choque. Eu não tive nada a ver com procriar você ou roubá-la de seu povo por vinte e sete anos.
Ela engoliu.
? Eu sinto muito, ? ela disse duramente. ? É um choque, sabe?
Ele inclinou sua cabeça, mas seus olhos quietos cintilavam com raiva.
? Eu sugiro que você se recupere de seu choque. Nós estaremos em Bulgainia em dez minutos. É mais uma hora de lá para o Castelo Draganescu. Eu espero que você esteja sob controle quando encontrar seu pai. Ele não precisa ficar chateado na primeira noite que finalmente encontrar você.
Anca abriu sua boca para protestar.
? Você pode dar a ele suas objeções mais tarde, mas elas devem ser dirigidas a ele. – Demi suspirou. ? A decisão de você assumir ou não seus deveres descansarão com ele.
Ela fez uma careta para a dureza em seu tom.
? Desculpe aborrecer você. – Ela não podia esconder a mágoa em sua voz.
? Não é aborrecimento, ? ele disse friamente.
Ela mordiscou seu lábio, absurdamente machucada com a barreira que ele pareceu estar erguendo entre eles.
? Bem, então... – Ela parou incapaz de pensar sobre qualquer coisa para adicionar.
? Se você gostaria de se refrescar, o banheiro é no final do corredor. Está claramente marcado com uma forma feminina.
Ela movimentou a cabeça e deslizou da cadeira. Ela não olhou para Demi enquanto apressou-se pelo compartimento e corredor abaixo. Não foi até que ela esteve no lavatório pequeno que deixou sua expressão fria enfraquecer em uma de terror descarado. Anca encontrou seus olhos marrons assombrados no espelho e estava pasma com a quantidade de verde que brilhava em suas profundidades. O que só acontecia quando ela estava emocionada.
Ela correu uma mão trêmula por seu cabelo castanho escuro, tentando colocá-lo em ordem depois do desalinho de seu cochilo. Seus pensamentos não estavam fazendo sentido, entretanto não podia parar de pensar sobre a revelação de Demi.
O que ele queria dela? Mais importante o que seu pai queria dela? E se ele se recusasse a deixá-la ir para casa? Se ele fosse o rei, alguém o desafiaria para ajudá-la a deixar o país?
Um desânimo bateu em seu estômago, e ela se curvou adiante. Começou a tremer e lágrimas queimavam seus olhos. Ela tinha que chegar em casa. O que seria de Dragan's Whimsy e de sua mãe se ela não voltasse?
Anca respirou fundo e levantou-se devagar. Encontrou seus olhos no espelho novamente e tentou forçar um sorriso tranquilizante. Ela precisava de um plano.
Gradualmente, uma ideia formou-se em sua mente. Ela repassou várias vezes, até que ela ouviu o apito do trem anunciando que eles estavam se aproximando de uma parada. Ela se examinou da cabeça aos pés, contente de ver que ela parecia estável. Ter um plano sempre a acalmou.
Colou um sorriso trêmulo e saiu do banheiro das senhoras. Anca não podia dar a Demi nem mesmo uma dica do que planejou se ela esperasse ter sucesso.
Capítulo 4

Anca caminhou próximo suficiente de Demi a fim de não perder o rumo, mas não tão perto para que permitisse facilmente alcançá-la e agarrá-la. Ela vasculhou a plataforma quando eles andaram fora do trem, e estava chocada pela falta de atividade. Existiam algumas pessoas andando ao redor, mas nada como ela viu em Gara Constanta.
Ela deu um passo sobre a madeira velha da plataforma, que rangeu debaixo de seus sapatos. Girou sua cabeça para olhar a estação, feita de pedras cinza, com um telhado inclinado. Uma placa de horários era postada no lado de fora, acima da janela onde um balconista permanecia, mas não reconheceu o idioma.
Sua atenção se voltou para um grupo pequeno se abraçando e chorando próximo a eles. O menino que eles estavam abraçando tinha lágrimas que brilhavam em seus olhos, mas sua postura era dura. Eles estavam de frente para outro conjunto de trilhos no lado oposto da plataforma.
Demi deve ter visto seus olhos nos outros trilhos, porque disse:
? O trem gira ao redor aqui na capital. Fará um retorno mais a frente e voltará para Gara Constanta.
Ela olhou para ele, lutando em parecer desinteressada.
? Entendo. Então, ele faz isso em pouco tempo?
Ele movimentou a cabeça.
? Só alguns minutos.
Quando ele falou, o trem voltou pelos trilhos abaixo novamente.
Demi trocou a bagagem para um braço e pôs a mão em sua cintura.
? Eu deixei meu carro no estacionamento.
? Certo. – Ela ficou tensa quando sentiu sua mão em sua cintura, mas tentou esconder sua tensão. Anca mordeu seu lábio, pensando em seu plano. Dependia dela se perder em uma multidão, mas não existia nenhuma multidão aqui.
Quando eles se aproximaram da família com o jovem, Anca aproximou-se deles. Ela bateu contra sua pilha de bagagem, fazendo-a se espalhar através da plataforma. Sentiu uma pontada de remorso quando uma das malas abriu e derramou seu conteúdo. Ela sentiu-se mal com o menino e desejou que não tivesse que fazer isto, mas que escolha tinha?
? Oh, eu sinto tanto! – Anca exclamou, levando as mãos para suas bochechas, como se corasse. Ela girou para Demi. ? Nós temos que ajudar.
A família estava reclamando e o menino a encarava. Assim que Demi pediu desculpas em seu idioma, suas expressões bravas enfraqueceram. Ele baixou as malas e ajoelhou para ajudar juntar seus artigos.
Anca fingiu fazer o mesmo, até que Demi estava ajoelhado com suas costas viradas. Ela se levantou e correu através da plataforma. Podia ver um abrigo de árvores em um campo através do estacionamento e forçou suas pernas para adicionar mais velocidade. Se pudesse chegar às árvores, poderia se esconder até o trem voltar.
Uma vez no trem, Demi não poderia tirá-la de lá. Existiriam funcionários e seguranças treinados para manter sua segurança. Ela podia comprar seu ingresso no trem, ou enviar um dos empregados para fazer isso para ela. Uma vez que eles perceberem que ela estava em perigo, claro.
Demi a seguiria? Anca soube que ele iria assim que se fez a pergunta. Ele pareceu ser o tipo leal e prometeu a seu pai que a traria com ele. Ele não a deixaria fugir facilmente.
Ela mergulhou na tribuna de árvores quando ouviu as solas de seus sapatos que deslizava através do estacionamento. Anca amaldiçoou o céu de crepúsculo, desejando a escuridão cheia. Se moveu mais fundo na tribuna de juníperos e abetos. Eles eram velhos, e existia pouco espaço para correr entre eles. Sua proximidade atrapalhou seus movimentos, mas eles forneciam numerosos lugares para se esconder.
Ela foi para uma aglomeração espessa de arbustos abrigando um lugar entre duas árvores. Caiu de joelhos e escorregou pelos arbustos. Ela tentou paralisá-los atrás dela, para cobrir suas trilhas.
Ela se amontoou no chão molhado, sentindo lama fresca nos joelhos de suas calças. Lutou para controlar sua respiração. Parou de respirar quando ouviu um ramo estalar próximo a sua localização.
Ela continuou a segurar sua respiração, tentando ouvir outro som delator de Demi. Rezou para que o próximo fosse mais distante dela. Seu coração acelerou e sua cabeça estava leve. Quando não podia mais permanecer assim, Anca soltou a respiração em um som baixo. Quando respirou de novo, ouviu o sussurro de folhas.
Ela gritou quando o braço de Demi passou pelos arbustos e a ergueu sem esforço. Ela tentou se soltar e ele a segurou mais forte. Ela se curvou e afundou seus dentes no dorso de sua mão.
Ele endureceu, mas não fez nenhum movimento para solta-la.
Anca mordeu mais forte até o sabor afiado de sangue encher sua boca. Ela ouviu sua respiração silvar por seus dentes, mas não parecia que ele sentia dor.
Uma sensação curiosa precipitou-se por ela enquanto o sangue fluía sobre sua língua. Tonta, a floresta pareceu girar ao redor Dela. Ela tentou mover sua boca, mas seus dentes estavam enganchados em sua carne.
O sangue jorrou em sua boca e Anca engoliu. A tontura passou e uma onda de energia renovada precipitou-se por ela. Ela olhou para Demi através de seus cílios. Ele tinha jogado a cabeça para trás e parecia estar na agonia do êxtase.
Com um aperto assustado, ela liberou sua boca. Anca chorou quando viu os rasgos das dentadas em sua pele. Seus olhos fixaram-se no sangue que gotejava em sua mão e não podia parar de olhar. Ela choramingou quando Demi trouxe sua mão para sua boca e lambeu o sangue.
Seus olhos estavam obscurecidos com paixão quando a puxou contra ele. Seus lábios eram qualquer coisa exceto suaves quando reivindicaram os seus. O beijo era quente e faminto, cheio de necessidades e desejos urgentes.
Anca apertou seu corpo mais próximo ao dele, abriu seus lábios avidamente para aceitar sua língua querendo saborear cada polegada. O sangue estava em ambas as línguas e o odor e gosto encheram seus sentidos. Era como no sonho.
Ela empurrou contra sua língua, tentando empurrar a sua dentro da boca dele. Ela estremeceu quando sua língua passou por seus dentes. Seu dente canino perfurou sua língua e o flash de dor a trouxe de volta. Anca o empurrou, ciente do ambiente ao redor.
Ela olhou fixamente para ele, tentando distinguir sua expressão no crepúsculo, tentando fingir que ela não acabou de beber um pouco de seu sangue e apreciou a experiência. Não! Ela não apreciou isto. Tinha sido um acidente. De alguma maneira, seus dentes se apertaram em sua pele e quando o sangue inundou sua boca, ela engoliu sem pensar. Seu beijo a despertou, não seu sangue.
? Por que você correu Anca? – Sua voz estava rouca de paixão e sua mão machucada tremia quando a levantou para alisar seu cabelo.
Ela engoliu.
? Eu mudei de idéia. Por favor, deixe-me ir para casa.
? Valdemeer está esperando. – Ele parecia arrependido. ? Eu jurei que traria você.
Ela começou a enrolar as mãos.
? E se ele não me deixar ir? Eu não quero ser uma prisioneira aqui.
Demi suspirou.
? Seu pai é um bom homem. Ele só quer o que é melhor para você.
Ela não estava mais calma com sua resposta.
? Eu quero ir para casa. Eu não quero me preocupar sobre ser herdeira de um reino. Eu não quero olhar por cima do ombro o tempo todo. Não é assim que eu quero que minha vida seja.
Seus olhos queimaram com uma luz interna.
? Eu protegerei você com minha vida, Anca. Seu pai faria o mesmo. Você não tem nada para temer. – Ele tocou em sua bochecha suavemente. ? Nada acontece sem um propósito.
Ela fez uma cara de dúvida.
? Você realmente acredita nisto?
? É parte de nossas convicções. Confie em mim. Venha comigo agora e encontre seu pai. – Ele ofereceu a mão.
Anca olhou fixamente para ele, relutante em aceitar, mas com medo de não o fazer. Ela não achava que ele iria magoá-la. Seu medo era mais fundo e menos específico. Lentamente, levantou sua mão e pegou a dele. Sentiu como se as ações de seu braço fossem independentes de seu corpo.
? Prometa que você não irá embora novamente? – Existia uma pontada de aço em sua voz.
? Eu... – Ela hesitou.
? Eu não posso proteger você se eu não souber onde você está. Prometa-me. – Ele firmemente falou e seus olhos queimaram os dela.
Ela movimentou a cabeça.
? Eu prometo. ? ela se ouviu dizer fracamente.

* * * * *

O castelo entrou em sua visão quando o carro de Demi subiu a última colina. A estrada da capital até o castelo era uma série longa de curvas, subindo elevações e estradas precárias. Quando ela perguntou sobre a condição das estradas, Demi disse que poucas pessoas tinham veículos, e os cavalos e carruagens tinham poucas dificuldades com o caminho rochoso e desigual.
Ela ofegou suavemente quando Castelo Draganescu surgiu. Estava muito escuro para ver todos os detalhes, mas viu três torres subindo alto no céu.
Fora isso, o castelo se assemelhou a um retângulo sólido, com chaminés que brotavam do telhado. Ele parecia mais velho do que ela imaginava, com exceção de uma torre arredondada ao lado que não se misturava com o estilo mais velho. A pedra pareceu mais nova e tinha uma aparência mais barroca que castelos mais tradicionais do leste europeu.
? Qual a idade do castelo? – Ela perguntou com reverência. Por que sua mãe foi embora de tudo isso? Ela passou anos trabalhando em três empregos e todo aquele tempo ela podia ter vivido a vida de uma rainha. Tinha verdadeiramente sido necessário para Kathryn virar as costas para sua casa e posição para proteger sua criança?
? Cerca de mil anos. – Demi apontou para a torre quando desceram a colina. ? Exceto a torre. Foi adicionada duzentos anos atrás.
Anca ergueu as sobrancelhas quando eles se aproximaram da ponte levadiça aberta. Dois homens em uniformes cinza mantinham guarda em cada lado. Eles acenaram para o carro de Demi com uma continência.
? Isto está na excursão?
Ele olhou para ela brevemente enquanto estacionava próxima à entrada principal menor - entretanto, "menor" era um termo relativo, pois a entrada de portas de madeira para o castelo tinha pelo menos três metros de altura.
? Perdão?
? Sabe as paradas turísticas. Você podia provavelmente ganhar o suficiente em admissões para pavimentar as estradas.
Ele desligou o motor e puxou o freio de mão enquanto as portas pesadas eram abertas e quatro pessoas corriam para encontrá-los.
? Nós não temos nenhuma necessidade.
? Sem carros, certo, mas com um impulso econômico, todo mundo podia ter carros.
Ele suspirou.
? A maioria de nós está satisfeito com o nosso modo de vida.
Ela sentiu seu aborrecimento com o assunto e fechou sua boca depressa para evitar oferecer qualquer conselho não desejado. Afinal, o que ela sabia de administrar um país? Nada. Além disso, não queria saber.
Antes de ela poder formular uma resposta inofensiva, a porta do passageiro abriu e um homem estava curvado para ela. Ele vestia calça comprida simples, uma camisa de algodão e um colete. Seus artigos de vestuário podiam ter se ajustado bem com qualquer período da história durante os últimos quinhentos anos.
? Sua Alteza, ? ele saudou servilmente.
Ela quase olhou por cima de seu ombro antes de lembrar que ele estava falando com ela. Era desconcertante ir de simples Anca a algo tão pretensioso. Porém, conteve o desejo de dizer a ele para usar seu primeiro nome. Ela pensou que a falta de protocolo o chocaria.
? Oi, ? ela disse ao invés, com um sorriso trêmulo. Quando em Roma, quer dizer, Corsova...
Ele ofereceu a sua mão para ajudá-la a sair do carro. Ela aceitou e deslizou para fora. Ele imediatamente soltou o seu leve aperto e se curvou novamente.
? Obrigada.
Uma mulher que permanecia alguns passos longe surgiu adiante. Ela era de meia-idade, com um corpo pesado, cabelo grisalho, uma túnica de algodão e calças simples. Ela fez uma mesura com graça assombrosa e seu seio generoso ameaçou derramar do topo de sua camisa decotada.
? Bem-vinda, minha senhora. Sua Majestade avidamente aguarda notícias de sua chegada.
? Eu estou aqui,? ela disse, tentando não soar agitada. Se a adulação era qualquer indicação do que podia esperar para os próximos dias, ela ficaria louca. Anca não percebeu o quão dura estava até sentir o toque leve da mão de Demi em sua cintura.
? Esta é Luiza, a cozinheira. – Ele girou ligeiramente para o homem que a saudou. ? Este é Geza, o mordomo. –Indicou os outros dois empregados mais próximos. A menina, com cabelo escuro e grosso preso em um coque, fez uma cortesia quando Demi olhou para ela. ? Helena será sua assistente pessoal durante sua permanência.
O outro homem curvou-se uma vez na altura da cintura quando Demi girou para ele. Seus olhos refletidos com uma emoção não identificável, e sua expressão severa. ? Petru é o encarregado da segurança do castelo.
Anca não sabia se devia fazer uma cortesia em retorno, inclinar sua cabeça imperiosamente ou ignorar as saudações. No fim, ela sorriu e disse um suave:
? Oi.
Demi olhou para suas calças enlameadas.
? Você com certeza desejará se trocar antes de encontrar Sua Majestade. Eu mostrarei seus aposentos. – Ele movimentou a cabeça para Geza. ? Por favor, traga a bagagem da princesa.
? Sim, meu senhor.
Anca seguiu Demi pelo castelo e ficou agradavelmente surpresa por ver luzes elétricas. Quase esperou tochas na parede e velas em castiçais, julgando pela antiguidade que o resto do país.
Enquanto Demi a levava pelo castelo, absorveu tudo maravilhada. As tapeçarias puídas estavam penduradas nas paredes, retratando pessoas e eventos que presumiu serem da história do país. Seus sapatos faziam barulho quando as solas batiam sobre a pedra dura. Peles ou tapetes tecidos estavam espalhados por toda a entrada.
Três cachorros grandes cochilavam próximos à lareira. Quando passaram por eles, os cachorros ergueram suas cabeças e cheiraram o ar. Seus olhos pareciam mais inteligentes do que qualquer cachorro que ela já viu, e percebeu que eles eram lobos. O menor, marrom claro rosnou baixo em sua garganta, até o lobo marrom escuro cutucá-lo com sua cabeça. O mais claro ficou em silêncio, entretanto seu olhar ainda estava alerta.
Demi olhou por cima de seu ombro.
? Sorin, Lucian, e Starr. Eles são leais a sua família. Quando ganhar sua confiança, eles nunca mais deixarão você.
Anca assentiu com a cabeça, fingindo que não estava horrorizada com os lobos atrás dela e fingindo que não achou estranho os ter como animais de estimação.
Quando saíram da câmara principal, dominada pela grande mesa e uma dúzia de cadeiras resistentes, Demi subiu para um conjunto de degraus de pedra sinuosa. O corrimão de madeira brilhava, indicando anos de cuidado e uso. Ela agarrou o apoio e achou suave ao toque.
A escada parecia durar para sempre antes de chegarem ao próximo andar.
? Por aqui. – Demi caminhou pelo corredor abaixo e virou na frente de um conjunto de portas duplas. Empurrou uma aberta e eles andaram em um corredor com outro conjunto de degraus. ? Seus aposentos estão no próximo andar.
Seus olhos se arregalaram ao uso da palavra aposentos. Nunca em sua vida teve um quarto maior que quatro metros quadrados. Ela o seguiu escada acima - esta parte subia em um ângulo íngreme - e eles subiram para o terceiro andar segundos mais tarde. Um tapete vermelho escuro, bordado com verde e folhas de ouro, cobria a extensão do corredor.
Demi virou à direita e Anca o seguiu. Ele parou na frente de um conjunto volumoso de portas de mogno escuro no final do corredor e virou a maçaneta de ouro. A porta abriu sem um rangido, e ele afastou-se para que ela o precede-se.
Ela entrou no quarto, iluminado com o brilho suave de uma luminária no criado-mudo de mogno. A cama era maior que qualquer que ela já tenha visto, e estava em uma armação de madeira com degraus para subir. Um acolchoado preto cobria a cama e cortinas combinando nos postos da armação da cama. O resto da mobília combinava com o criado-mudo, robusta e polida com muito brilho.
Demi caminhou para um par de portas do outro lado. Tocou a mais próxima.
? Este é seu quarto de vestir. – Ele moveu sua mão para a segunda. ? O banheiro. Se você quiser tomar banho, eu retornarei para buscá-la em uma hora.
Ela assentiu nervosa ao pensamento de encontrar seu pai. Ela o odiaria à primeira vista? Ela regressaria para a criança que quis gritar todas as palavras bravas que tinha guardado durante toda a vida de decepções? Ela poderia o perdoar?
Demi caminhou para a porta, mas parou próximo a uma corda pendurada no teto. Parecia ouro trançado.
? Toque se você precisar de qualquer coisa. Puxe isto uma vez e Helena virá.
Anca assentiu novamente. Viu quando ele hesitou por poucos segundos, com intenção aparente de falar. Finalmente, agitou sua cabeça e a deixou sem outra palavra fechando a porta atrás dele.
Ela cedeu logo que ficou só. Estava tremendo e concentrada em respirar profundamente para se acalmar. Não importa como seria a reunião com seu pai, não podia ser tão ruim quanto estava imaginando. Era melhor conseguir se controlar para estar preparada para encontrá-lo.
Olhou para sua roupa suja e fez careta. Não seria bom vestir tal combinação para uma audiência com o rei. Enquanto tomava banho, suas malas estariam em seu quarto. Um banho quente poderia ser o certo para acalmar seus nervos esfarrapados. Talvez vários banhos, considerando a quão exausta estava. Não faria mal nenhum Demi juntar-se a ela para lavar suas costas.
Ela engoliu um gemido quando o pensamento erótico se transformou em imagens mais eróticas em sua mente. Ela não podia recordar já ter se sentido atraída por alguém tão depressa em sua vida. Seus dois relacionamentos casuais nasceram mais de uma reação à pressão de suas amigas da faculdade do que qualquer interesse real de sua parte, e ambos tinham sido menos que satisfatórios.
Adam, seu primeiro, durou duas semanas e então ele a trocou por uma menina que era mais entusiasmada. A relação terminou tão depressa que Anca não percebeu que eles nunca estiveram em um nível além do físico até que analisou isto anos mais tarde, depois de Barry.
O sexo tinha sido agradável com Barry, namorado número dois, mas faltou uma conexão sentimental vital. Ela nunca sentiu como se realmente o conhecesse e vice-versa. Eles tentaram muito fazer a relação funcionar, mas após nove meses, quando ele a pressionou para um compromisso sério e lhe deu um anel, ela foi embora.
Por isso foi alarmante sentir uma conexão física e emocional com Demi depois de pouco tempo tendo o conhecido. Pelos últimos três anos, acreditou que nunca acharia qualquer um que servisse para ela, então devia ser um alívio saber que podia ligar-se a um homem.
Teria sido, se ele não vivesse do outro lado do mundo. Se fosse um nova-iorquino, e eles se encontrassem no metrô, ela estaria regozijando. Provavelmente o teria levado para sua cama em seu primeiro encontro naquelas circunstâncias.
Aqui em Corsova, não era seguro atender a seus desejos. Se ela se apaixonasse por ele, seria um inferno ir embora. Sem ter que senti-lo, Anca soube que Demi nunca deixaria seu país, e ela não seria feliz ali.
Outra relação condenada, pensou com um suspiro, enquanto entrava no banheiro. Ela deve ter o toque mágico para homens.
Ela viu a grandeza do banheiro sem entusiasmo, e tentou dizer a si mesma que estava se preocupando a toa. Sabia que ele estava atraído por ela também, mas isso não significava que ele estava procurando por um compromisso. Ele provavelmente iria embora se soubesse o quão sério seus pensamentos eram. Ele poderia estar envolvido com alguém ou ser casado.
Ela se lembrou do sentimento de sua boca na dele, no sonho e na vida real, e como seu coração acelerou quando a segurou mais cedo. A seriedade em seu voto para protegê-la voltou e Anca soube que ele a quis com um fervor igual. Baseada nas outras qualidades que ele exibia, ela descartava a possibilidade que ele já estava em uma relação, significando que ele estava disponível.
E era por isso que teria que manter distância, ela decidiu. Um deles deveria ser sensato, e ela não achava que Demi estava agonizando sobre sua atração crescente por ela. Ser sensato caiu para ela. Muito ruim não ser tão boa em ser sensata em sua vida pessoal.

Capítulo 5

Nikia se contorceu quando a língua em sua vagina entrou mais fundo. Arqueou seus quadris, trazendo seu clitóris mais completamente contra a língua de Sian. Ela cavou suas mãos no cabelo longo de sua amante, empurrando seu rosto mais fundo no ponto crucial de suas pernas. Gemeu com os dentes de Sian passando através de seu inchado clitóris.
Estava tão perdida no que estava sentindo que não ouviu a porta se abrir. Ela não abriu seus olhos marrons até que a porta se fechou. Ela fez uma careta quando viu a postura covarde da empregada. Com o silêncio prolongado, ela se apoiou em seus cotovelos.
? Você tem algum motivo para me perturbar sem bater, Helena?
A menina assentiu lentamente.
? Bem, fale logo. ? ela estalou.
Helena fez uma mesura.
? Ela está aqui, minha senhora.
Com um grunhido de ira, Nikia saiu da cama. Pegou sua bata de onde estava aos pés da cama e enfiou seus braços nela tão violentamente que a seda delicada rasgou sob o ataque de suas unhas. ? Aquele cretino.
? Quem, minha senhora? – Os olhos escuros de Helena claramente refletiram sua confusão.
? Nicodemus. Como ele ousa trazê-la aqui? – Seus olhos estreitados. ? Cadela estúpida. Ela sentirá muito por ter vindo. – Ela virou sua cabeça quando Sian saiu da cama. Ela pulou para frente e enterrou a mão no cabelo da mulher. Nikia a arrastou da cama, ignorando seu grito de dor quando seus joelhos bateram no chão de pedra com um baque surdo. ? Você não acabou. ? ela silvou.
Sian ajoelhou diante ela e voltou sua boca para sua vagina, Nikia acenou a empregada jovem mais próxima. Ela não perdeu a hesitação da menina e o medo só aumentou a sua ira. Quando Helena estava perto o suficiente, Nikia lhe deu um tapa. ? Seja rápida quando eu te chamar.
Lágrimas brilharam em seus olhos e ela levou as mãos a sua face enquanto assentiu com a cabeça.
? Você a viu?
? Sim, minha senhora. A mãe de Sian diz que ela é a imagem de Katrine. – Ela curvou sua cabeça. ? Eu fui designada a servi-la. – Ela se encolheu, levantando os braços para proteger seu rosto, evidentemente esperando outro tapa.
Em vez disso, Nikia acariciou sua bochecha, a mesma que tinha esbofeteado.
? Excelente. Você vigiará a princesa-cadela para mim, até que eu possa lidar com ela.
? Sim, minha senhora. – Ela soou incerta ao abaixar seus braços.
Nikia enrolou a mão no cabelo firmemente preso da menina, puxando-a mais perto. Quando seus lábios estavam próximos de Helena, ela sussurrou:
? Sirva a moça, mas lembre quem é sua soberana.
Helena engoliu audivelmente.
? C-claro, minha senhora.
Nikia endureceu quando a língua de Sian a trouxe ao orgasmo. Suas unhas cavaram a carne da jovem e sorriu quando Helena estremeceu. Ela empurrou seus quadris contra o rosto de Sian e lentamente o prazer sumiu.
Puxou Helena mais perto, apertando sua boca contra os lábios suaves e cheios da jovem. Nikia ignorou sua resistência. Ela manteve o beijo leve e logo ergueu sua cabeça. Seus olhos queimaram os de Helena.
? Você pertence a mim, não é Helena?
As lágrimas deslizaram em sua face à medida que ela movimentou a cabeça.
? Boa menina. – Ela soltou Helena e trouxe seus dedos para sua boca. Ela lambeu todos os rastros do sangue que ela tirou. Então ela olhou para Sian, que aguardou permissão para deixar seu lugar. ? Você pode subir. Eu de repente tenho o desejo de jantar com meu querido pai. Ajude-me a preparar.
Sian levantou do chão e apressou-se ao banheiro. O som da água corrente logo alcançou o quarto.
Ela virou em direção ao banheiro, mas parou a meio passo. Ela girou sua cabeça para olhar para Helena.
? Esteja certa de que seu serviço me agrade, menina.
Helena movimentou a cabeça.
? Eu vivo para servi-la, minha senhora. – Sua voz era trêmula ao repetir a antiga frase.
Nikia lambeu os lábios, olhando o seio cheio da menina.
? Ainda não, mas logo.
Ela foi para o banheiro, deixando a menina atrás dela. Ela podia sentir seu medo e a relutância e isso a excitou novamente. Nenhuma conquista era tão doce como uma que começou relutante.
Deixou cair o roupão e entrou na banheira. As bolhas espumadas na superfície da água esconderam seus seios quando ela se debruçou para trás na tina espaçosa. Sian sentou-se na beira da tina, segurando uma esponja natural. Nikia sorriu, enquanto imaginava o quão doce era o gosto de Helena. A carência de Sian era cansativa e ela estava pronta para uma mudança.
Uma vez que ela acabasse com a herdeira de Valdemeer e se livrasse do velho homem, ela celebraria sua ascensão inaugurando Helena como sua nova companheira. Se a menina resistisse, melhor ainda. Ela ficou molhada só em pensar sobre forçar Helena em complacência.
Sian entrou na tina e ajoelhou-se entre suas pernas, Nikia se debruçou de volta. O primeiro toque da esponja contra sua vagina inflamada era áspera, mas só realçou seu desejo.
Os dedos de Sian eram gentis ao separar seus lábios. Ela rodou a esponja contra seu clitóris e Nikia gemeu. Seus mamilos estavam doloridos por atenção, e ela tocou seus seios com suas próprias mãos. Ela passou seus dedos por suas aureolas, puxando seus mamilos suavemente.
Sian mergulhou seus dedos bem no fundo da vagina molhada de Nikia. Quando ela fez isso, Nikia torceu seus mamilos quase violentamente, fantasiando que eles eram o pescoço da sua meia-irmã.

Capítulo 6

Demi curvou-se para Valdemeer, aguardando no mini-bar, antes de sentar-se na cadeira em frente à escrivaninha.
? Boa noite, senhor.
Valdemeer o serviu uma taça de conhaque sem oferecer. Ele colocou a taça na extremidade da escrivaninha antes de se sentar em sua cadeira.
? Ela está aqui?
Demi ergueu o vidro de cristal para um gole antes de responder.
? Sim, senhor.
? E sua viagem? Foi... tranquila?
Demi hesitou em mencionar a tentativa de fuga de Anca. Ele suspirou.
? Ela ficou assustada ao saber que é sua herdeira.
As sobrancelhas cinza de Valdemeer formaram um V.
? Ela não sabia?
? Não, senhor.
Ele acariciou sua barba, pensativo.
? O que ela sabe sobre nós, Nicodemus?
? Eu não acho que saiba qualquer coisa, senhor. Katrine disse a ela que você morreu e que ela era uma imigrante ucraniana.
O rei engoliu fortemente.
? Entendo. – Ele olhou no líquido âmbar em seu copo, parecendo reunir seus pensamentos. ? Como está Katrine?
Demi baixou a taça.
? Ela tem estado doente. Ela fez cirurgia de coração e Anca disse que ela está frágil.
Ele agitou sua cabeça.
? Como pode ser? Ela é tão jovem.
? Eu não acho que ela vive do nosso modo, senhor. Ela tornou-se humana.
Valdemeer se debruçou de volta em sua cadeira, parecendo confuso.
? Anca não sabe nada do que nós somos? O que ela é?
? Eu acho que não.
Ele acariciou sua barba novamente.
? Maldita posição difícil, hein menino?
Demi sorriu ao uso não intencional do afeto.
? Sim, senhor.
? Como eu devia dizer a ela? Ela pode lidar com isso tudo diretamente?
Ele hesitou e então encolheu os ombros.
? Eu não sei. Ela parece ser forte, mas não é exatamente o tipo de coisa que você fala no jantar, não é?
? Não, eu suponho que não. – Valdemeer agitou sua cabeça. ? Como você lidaria com isto?
? Eu realmente não posso dizer.
? Tolice, Nicodemus. Você sabe mais sobre ela que qualquer um de nós, exceto talvez Ylenia. Você tem uma opinião sobre tudo isso. Diga-me o que eu deveria fazer.
? Eu acho que você devia facilitar a aceitação. Não a apresse. Ela já teve várias surpresas nos últimos dias.
Valdemeer fez careta.
? Difícil de fazer, com o tempo passando. A lua de sangue é daqui algumas semanas.
Demi encolheu os ombros.
? Você perguntou a minha opinião, senhor.
Seu rei movimentou a cabeça.
? Sim, eu fiz. E suponho que você esteja certo. – Ele se inclinou para frente, batendo as mãos com um som surdo. ? Hoje à noite, eu não mencionarei isto. Eu mereço uma chance de me familiarizar com minha filha pelos próximos dias, antes de nós termos que conversar sobre seu futuro.
? Sim, senhor. – Ele perguntou-se se Anca deixaria a discussão esperar. Ela tinha horror a seu pai tentar mantê-la em Corsova. Isso a faria falar sobre o assunto, ou ela seria cuidadosa e discreta?
Valdemeer movimentou a cabeça e ele pareceu mais energizado.
? Vá buscá-la, menino querido. Depois de esperar tanto tempo, eu não posso esperar outro momento para por os olhos em minha filha.
Demi levantou de sua cadeira.
? Eu vivo para servi-lo.
Valdemeer riu.
? Quantas vezes eu tenho que pedir para você não dizer isto, Nicodemus? Você é um membro da família.
? Mas, senhor...
Seus olhos escuros faiscaram.
? Ou será.
Demi engoliu seu enjôo quando os nervos o atacaram
? Se ela me aceitar.


* * * * *


Anca tentou acalmar as mãos enquanto seguia Demi para uma sala de estar. Não pensou que o tapete Persa fosse imitação, nem a cadeira Chippendale. Ela enfocou somente no relógio Ormolu no braço por alguns segundos, lutando para lembrar como respirar.
Quando se sentiu mais tranquila ligeiramente girou para enfrentar o homem de pé no canto da sala, próximo a um mini-bar. Seu pai. Ela não podia acreditar. Ela ficou paralisada enquanto olhava fixamente para ele.
Ele tinha o cabelo longo, escuro, preso em uma tira de couro. Mechas de prata listravam seu cabelo. Olhos escuros dominavam suas características perfeitas. Sua pele tinha rugas como testemunho de sua idade, mas ele era bonito e viril. Sua postura era reta e seus ombros eram largos. Ele não parecia doente.
Ele estava olhando fixamente para ela da mesma maneira. O silêncio reinava no salão por longos segundos, até que ele o quebrou com uma exalação profunda. Ele andou em direção a ela, e seus olhos brilhavam com lágrimas não derramadas.
? Você é igual a sua mãe. – Ele sorriu. ? Eu posso quase acreditar que Katrine está na minha frente.
? Eu tenho seu nariz. ? Anca disse e sua voz saiu áspera. Ela sempre se perguntou de onde vinha desde que era reto e estreito, diferentemente do pequeno nariz arrebitado da sua mãe. Ela o tocou inconscientemente, enquanto olhava fixamente para o dele. Ela viu uma lágrima deslizar por seu rosto e percebeu que suas próprias bochechas estavam molhadas.
Mais tarde não se lembraria quem se moveu primeiro. Quando pensava sobre isto, tudo que podia recordar era sentir os braços do seu pai que a apertavam em um abraço que tinha vinte e seis anos de atraso.
Ele cheirava a conhaque, pinheiro e um cheiro acobreado. Sua barba estava áspera quando pressionada contra o topo de sua cabeça. O material áspero de sua túnica fez cócegas em sua pele quando ela enterrou seu rosto nele e soluçou. Ele murmurou palavras em um idioma que ela não entendeu enquanto acariciava seu cabelo.
Por um momento, Anca esqueceu tudo, até a presença de Demi. Ela estava muito sobrecarregada pelas emoções para reprimir os fortes soluços. Esfregou sua bochecha contra sua camisa, permitindo o seu tom suave acalmá-la. Lentamente, as lágrimas diminuíram e secaram completamente.
Ela ergueu a cabeça e olhou nos olhos de seu pai. Deixou escapar a pergunta que estava em sua mente sem pensar.
? Por que você não veio atrás de mim?
Valdemeer vacilou e uma pontada de cor passou por suas bochechas pálidas. Sua mão parou em seu cabelo.
? Eu quis. – Ele agitou sua cabeça. ? Você estava mais segura em Nova York.
Ela engoliu um amontoado de umidade em sua garganta.
? Demi disse isto. Eu não entendo por que você não podia pelo menos vir para me ver em Nova York. Por que fingiu que eu não existia por vinte e seis anos?
? Nunca fiz isto, filha querida. – Ele agitou sua cabeça. ? É complicado.
Anca segurou suas lágrimas ao ouvir sua resposta vaga. Ela podia continuar a pedir informações que sabia que ele não daria, ou podia parar e passar os próximos dias se familiarizando com ele. Com certeza, ele diria a ela tudo antes dela partir.
Ela movimentou a cabeça.
? Entendo. – Para sua surpresa, ele beijou sua testa, fazendo cócegas em sua pele com sua barba e bigode.
? Eu prometo que eu darei a você uma explicação logo, Anca. Hoje à noite, eu quero só apreciar sua companhia e aprender mais sobre você.
Ela movimentou a cabeça novamente e se afastou dele. Por um segundo, a separação física pareceu virar quilômetros. Ela forçou um sorriso trêmulo.
? Tudo bem...papai,? ela disse o nome indecisamente. Quando Kathryn falou dele, sempre o chamou de seu Papai. Tornou-se uma segunda natureza pensar nele daquele modo.
Ele pensaria que era muito cedo? Era muito cedo para chamá-lo de Papai? Parte dela se rebelou contra sua aceitação fácil do homem na sua frente. Passou-se tempo demais, e eles nunca recuperariam isto. Ele a feriu profundamente com sua rejeição, fosse ou não intencional.
No entanto, Anca sentiu uma conexão imediata com seu pai. Ele sentiu isto também. Ela estava certa que sim. Uma semana atrás, aceitava nunca ter conhecido seu pai. Agora que sabia que ele existia e teve uma chance de conhecê-lo, não queria desperdiçar isto por barreiras desnecessárias e dando vida para ressentimentos acumulados durante uma infância sem pai.
Ela segurou sua respiração, aguardando sua reação. Seu estômago se apertou com as batidas do relógio parecendo soar mais alto. Ela estava quase se desculpando por ser muito precipitada quando ele a puxou em seus braços novamente e a abraçou com uma força capaz de esmagar seus ossos.
Quando a soltou não disse nada sobre isto. Ele pareceu estar determinado a ignorar as lágrimas em seus cílios. Valdemeer limpou a garganta.
? O jantar está esperando. – Ele ofereceu seu braço.
Anca entrelaçou o braço ao seu e andou com ele pelo salão. Seus olhos se ligaram aos de Demi quando passaram por ele, e ela deu um sorriso pequeno. Ela tentou dizer, ? Obrigada, ? com seus olhos. Se ele não viesse atrás dela, nunca teria sabido sobre seu pai.
Ele os acompanhou e sua respiração acariciou seu pescoço.
? De nada. ? ele sussurrou.
Seus olhos se alargaram. Ele interpretou seus pensamentos por sua expressão. Um calafrio correu por sua espinha. Demi parecia conhecê-la intimamente. Como podia ser? Existia tal coisa como amor a primeira vista, ou era só uma atração imediata entre eles dois?
Ela estava distraída de seus pensamentos quando entraram na sala de jantar. Era resplandecente, com seda bege pendurada nas paredes, tapetes espessos, e uma mesa de madeira de cerejeira retangular longa o suficiente para acomodar trinta pessoas. Cadeiras Chippendale estavam alinhadas em cada lado da mesa. Alguém ocupava a cadeira na cabeça da mesa.
Uma mulher deslumbrante com cabelo cor de vermelho-canela deslizou da cadeira almofadada. Vestia um caftan ébano flutuante que não escondia as curvas voluptuosas de seu corpo. Sua pele era da cor de azeitonas e seus olhos marrons reluziam com pintas verdes enquanto caminhava em direção a eles. Ela pareceu familiar, ainda que estranha.
? Papai. – O sorriso que relampejou através de seu rosto não fez nada para suavizar sua expressão dura. ? Eu ouvi que sua outra filha chegou.
Valdemeer inclinou sua cabeça em direção a Anca.
? Esta é Anca.
Anca engoliu fortemente quando aqueles olhos desconcertantes – tão parecidos com os seus, ela percebeu com um susto - encontraram os seus. Ela forçou um sorriso.
? Oi.
A mulher mais velha chegou mais perto, parando só alguns centímetros longe. Ela ofereceu suas mãos.
? Anca, minha irmã querida.
Anca arregalou os olhos. Ela não protestou quando a outra mulher segurou suas mãos em um aperto forte.
? I-irmã?
Ela movimentou a cabeça.
? Eu sou uma surpresa? – Ela pareceu triste. ? A mãe não disse a você?
Como sua mãe não podia dizer a ela que teve uma irmã? Como Kathryn podia ter a deixado outra filha para trás quando fugiu de Corsova? Que tal a proteger também? Anca abriu sua boca, mas não podia encontrar qualquer coisa para dizer.
Demi avançou e novamente era como se ele sentisse seus pensamentos. Mais provável, ele sentiu sua tensão.
? Esta é Nikia, sua meia-irmã. Katrine não era sua mãe.
? Este é um nome bonito. – Ela balançou a cabeça com o comentário fútil. O que se dizia para uma irmã que ela não conhecia?
Nikia movimentou a cabeça.
? Foi escolha da minha mãe. Ela insistiu que eu tivesse este nome. Essa foi a última coisa que ela disse antes de morrer. – Ela falou do assunto como se fosse apenas um fato, mas seus olhos viraram para Valdemeer e ficaram nele por um longo segundo. ? Ela era tão jovem.
Anca franziu a testa enquanto a corrente de tensão que permeava a sala de repente aumentou.
? E...Uh, eu sinto muito por sua perda.
Nikia encolheu os ombros.
? Foi há muito tempo e eu nunca a conheci. O papai sim, entretanto. – Existia um ar dissimulado em seu olhar. ? Ele estava lá quando ela morreu... Inesperadamente.
? As mulheres ainda morrem no parto ? Valdemeer disse tenso. ? dado o estado de Illiana, não foi completamente inesperado.
Nikia assentiu com a cabeça, mas não contestou as palavras de seu pai, como ela muito obviamente quis. Em vez disso, se inclinou adiante e beijou a bochecha esquerda de Anca e então sua bochecha direita.
? Bem-vinda a família, irmã.
? Obrigada. – Ela puxou suas mãos livres do aperto de sua irmã, resistindo ao desejo de enxugá-las em sua calça comprida de linho. Existia algo falso sob sua fachada, e Anca teve o desejo irracional de lavar suas mãos para limpa-las do toque de Nikia.
Demi clareou a garganta.
? Vamos sentar?
Anca esperou até Valdemeer e Nikia estarem em suas cadeiras antes de caminhar para o lugar a esquerda de seu pai. Ela sorriu para Demi quando ele segurou a cadeira para ela antes de tomar a cadeira ao seu lado. Ela estava repleta de perguntas, mas estava relutante em verbalizar qualquer uma com Nikia presente. Algo nos olhos da mulher paralisava sua língua. Nikia era perigosa. Ela piscou ao pensamento estranho, perguntando-se de onde veio. Não parecia como se ela tivesse pensado. Mais, parecia ter sido martelado em seus pensamentos abruptamente.
Nikia foi a primeira a quebrar o silêncio desajeitado uma vez que os empregados encheram os cálices dourados com vinho tinto escuro e colocaram uma sopa na frente de Anca, Demi e Nikia.
? Como está sua mãe? – A pergunta era apropriada, mas existia uma extremidade afiada em seu tom. ? Ela está viva?
? Sim. Ela tem estado doente.
? Seu coração? – Nikia perguntou bruscamente.
Os olhos de Anca se alargaram.
? Como você soube?
Ela ergueu um ombro magro.
? Um dos empregados mencionou a condição de sua mãe.
Ela olhou para Demi com uma carranca.
? As notícias viajam rápido aqui, não?
? Excessivamente. – Nikia esvaziou seu copo e gesticulou para Geza, que aguardou na entrada. Ele se apressou adiante para encher seu cálice novamente.
? Ela se recuperará?
? Se ela evitar tensão e seguir as ordens do seu médico.
? Seria lamentável se você retornasse para Nova York e soubesse que ela faleceu durante suas férias. – Nikia estalou sua língua suavemente. ? Você não deve permanecer muito tempo aqui no Castelo Draganescu.
? Ela não está tão mal. – Anca enrugou a sobrancelha. Ela estava imaginando o traço de advertência que ouviu na voz da sua irmã?
Demi falou mais alto em um tom firme.
? Nada acontecerá para Sua Alteza. Sua Majestade instruiu-me para deixar um guarda com ela enquanto Anca estiver fora, para assegurar seu bem-estar. Eles já devem ter chegado. – Seus olhos se prenderam aos de Nikia, e parecia haver uma batalha de vontades.
Finalmente, Nikia piscou.
? Estas são boas notícias. – Ela baixou seu cálice e se afastou da mesa. ? Se vocês me derem licença, eu não tenho nenhum apetite hoje à noite. – Ela acenou para Valdemeer e Demi antes de caminhar em torno da mesa para permanecer ao lado de Anca.
Anca girou sua cabeça e olhou para sua irmã, sentindo os cabelos no pescoço se arrepiar com medo. Ela se encolheu quando Nikia acariciou seu cabelo. Ela arqueou seu pescoço, buscando escapar do toque da sua irmã. Estremeceu quando Nikia cravou as unhas em seu couro cabeludo, restringindo seu movimento.
? Foi adorável conhecer você, irmã. – Nikia curvou sua cabeça e apertou seus lábios contra os de Anca em um beijo suave. Então ela ergueu sua cabeça e se afastou. Ela saiu da sala jantar sem olhar para traz.
Anca olhou fixamente para sua irmã, desconcertada. A despedida de Nikia não pareceu muito... Irmã. Ela estava distraída quando Demi tocou sua coxa. Sorriu para ele, lutando para não mostrar sua confusão.
? Não preste atenção em Nikia,? ele ternamente disse. ? Ela é uma mulher turbulenta.
Valdemeer suspirou.
? Ela tem ciúmes de você, Anca.
Ela voltou sua cabeça em direção ao seu pai, notando que a mão de Demi permaneceu em sua coxa. Ele a acariciou em círculos lentos, frissons de consciência arremessadas por sua perna. Ela balançou sua cabeça.
? Isso não faz nenhum sentido.
Se uma delas tinha motivo para ser ciumenta, era ela. Afinal, Nikia viveu com seu pai toda sua vida, e obviamente viveu no luxo. Ela era uma princesa. Era duvidoso que ela quisesse qualquer coisa em sua infância, exceto talvez uma mãe. Isso era suficiente para matar qualquer inveja que Anca poderia sentir, porque ela teve uma mãe amorosa.
Ele suspirou novamente, mais profundamente desta vez. Brincou com a haste de sua taça, mas não ergueu até sua boca para beber.
? Ela está chateada porque não foi escolhida para ser minha herdeira.
? Isto é tudo? – Anca encolheu os ombros. ? Você deveria saber que eu não estou interessada no trabalho, Papai. Ela pode ser sua herdeira, até onde me interessa.
Ele hesitou e seus olhos se estreitaram. Ele trocou olhares com Demi. Quando falou, aparentemente escolheu desconsiderar sua declaração.
? É impossível para Nikia herdar o Protetorado de Corsova. Ela não nasceu no tempo adequado.
Seus olhos se alargaram e ela leu entre as linhas.
? Então, uh, você não era casado com a mãe dela?
Valdemeer pareceu surpreendido, mas movimentou a cabeça.
? Não se aborreça com Nikia,? ele disse. ? Eu lidarei com ela.
Anca se assustou com o jeito como os olhos de seu pai escureceram. Ela podia sentir a tensão crescendo nele e em Demi, e estava determinada a não continuar a conversa. Enquanto procurava em sua mente por um assunto mais seguro, agarrou o vinho.
Ela tomou um gole e engasgou. Era espesso e enjoativo, com um gosto metálico. Ela pegou o guardanapo de linho debaixo dos talheres de prata pesada, depressa limpando o líquido vermelho escorrendo por seu queixo.
? Eu sinto muito. – Ela podia sentir o calor nas bochechas com vergonha.
Valdemeer gesticulou para Geza.
? Traga água para Anca imediatamente. Ela não está acostumada ao nosso vinho nativo. – Ela assentiu com a cabeça. Dentro de segundos, um cálice de cristal com água gelada apareceu na sua frente e ela bebeu profundamente.
? Leva um pouco de tempo para se acostumar. ? Demi disse, quando ela baixou o cálice. ? O vinho de Corsovan é mais...Robusto que os vinhos tradicionais.
Ela assentiu, mas não respondeu. Robusto era uma maneira de descrever isto, supôs. Para ela, era mais que robusto. O vinho de Corsovan tinha gosto de sangue.
Durante a refeição, Anca lutou contra os bocejos. Os dias de viagem a esgotaram, e podia apenas manter seus olhos abertos. Ela lutou para segurar sua parte na conversa e responder a série aparentemente de perguntas sem fim de Valdemeer, mas ficou mais difícil formar respostas coerentes.
Ele deve ter percebido, porque afastou seu prato intacto e acenou para Demi.
? Nicodemus levará você para seu quarto agora, Anca. Se for do seu interesse, amanhã à noite antes do jantar, nós jogaremos uma partida de xadrez. Eu gostaria de ver se você lembra-se de alguma coisa do seu clube da escola.
Anca sufocou um bocejo com sua mão e movimentou a cabeça.
? Faz anos desde que eu tive tempo para um jogo. Eu gostaria de tentar.
? Excelente.
Demi levantou-se e puxou sua cadeira.
? Venha.
Ela levantou-se, colocando seu guardanapo ao lado de seu prato quase cheio. O lanche que Demi trouxe no trem tinha sido suficiente para ela. Juntamente com seu esgotamento crescente, não teve muito apetite. Só Demi fez justiça aos legumes e cordeiro.
? Eu verei você no café da manhã, Papai.
Ele agitou sua cabeça.
? Eu mantenho horas estranhas, Anca. Será noite antes de eu estar livre.
? Certo. – Impulsivamente, ela caminhou para sua cadeira e debruçou-se para beijar seu rosto. ? Boa noite, Papai.
Ele tocou a mão em seu ombro, apertando suavemente.
? Boa noite, copia.
? Criança. ? Demi traduziu em um sussurro.
Ela levantou-se e seguiu Demi pelo castelo. Em vez de aprender o caminho para seu quarto, prestou atenção em como as nádegas dele flexionavam nas calças sob medida.
Uma ponta de alerta retornou quando um pouco de sua sonolência sumiu, substituída por uma ativa tensão sexual. O corpo doía pelo dele. O bom senso não ofereceu muita barreira para seu desejo. Todos os motivos em que ela pensou anteriormente para evitar se envolver com Demi pareciam menos importantes agora.
Ela estava tão concentrada em seus pensamentos que não prestou atenção quando Demi parou de andar e voltou-se em sua direção. Ela caminhou direto nele antes de poder parar. Sua respiração escapou com um suspiro quando os braços dele a sustentaram para que não caísse.
Ele estava olhando para ela confuso.
? Você está bem, Anca?
Ela assentiu com a cabeça. Seu estômago se apertou, e lambeu os lábios.
? Sim, Demi. – Ela trocou seu peso de um pé para o outro, o que fez com que seu peito tocasse o dele mais completamente contra o seu. Ela pôs suas mãos em seu tórax. ? Muito bem, ? ela disse em um sussurro rouco. Ele limpou a garganta.
? Bem... – Ele parou quando seus olhos encontraram os dela. Anca olhou fixamente para ele, encantada pela cor corada em suas bochechas. Ela lambeu os lábios novamente, com lentidão deliberada dessa vez e seu pênis endureceu e apertou em seu quadril. Ela se retorceu contra ele, sorrindo quando ele colocou as mãos ao redor de suas nádegas e puxou seu corpo mais para ele.
? Que jogo você está fazendo? – Ele rosnou.
Ela encolheu os ombros enquanto moveu a mão para seu pescoço e enrolou uma mecha de seu cabelo ao redor do dedo.
? Eu não sei, ? ela honestamente disse. ? Eu não acredito que seja um jogo. – Ela o abraçou mais forte. ? Eu quero você, Demi. Eu senti isto no momento em que toquei você. Eu nos vi fazendo amor aquela noite em minha loja.
Ele fez um som de frustração.
? É muito cedo, meu dragostia .
? Meu dragostia? – Ela repetiu com confusão. ? O que é isto?
? É Corsovan.
Anca rolou seus olhos.
? Claro que é. O que quer dizer?
? Foi um deslize da língua. – Demi agitou sua cabeça. ? Eu devia deixar você dormir.
Ela agitou sua cabeça.
? Diga o que quer dizer.
Ele suspirou.
? Seria melhor...
Anca puxou suavemente seu cabelo.
? Eu perguntarei a outra pessoa se você não disser.
Demi apertou os lábios.
? Muito bem. Quer dizer 'meu amor'. Você está satisfeita agora? – Seu rosto ficou vermelho sangue e ele recusou a encontrar seus olhos.
Ela piscou à declaração e à sua reação esclarecedora.
? Você sentiu também.
Ele amaldiçoou.
? Eu sempre senti isto, Anca. Eu soube que você era minha companheira destinada desde antes de você nascer. Toda minha vida, eu fui preparado... – Ele parou, agitando sua cabeça. ? Não importa.
Ela estava confusa.
? O que? Eu não entendo.
Ele a afastou para longe.
? Não me peça para explicar isso tudo. Essa tarefa cabe a seu pai ou Ylenia.
A cabeça de Anca girava e tentou absorver tudo o que ele disse.
? Por favor, eu não entendo o que você quer dizer, Demi. O que é uma companheira destinada e quem é Ylenia? Ela é amante do meu pai?
Demi fez uma cara aborrecida.
? Ylenia é o guia espiritual de nosso povo. Ela lhe dirá o que você precisa saber. – Sua expressão endureceu, e ele inclinou a cabeça. ? Boa noite. – Ele a deixou.
Antes de dar um passo, Anca pôs a mão em seu braço.
? Espere. – Ele endureceu, mas não moveu adiante. ? Eu estou só tentando entender. Tudo é tão diferente aqui. – Ela respirou fundo, reprimindo o soluço que quis emergir. Estava espantada com o desejo de chorar e colocou a culpa no fuso horário. ? Tudo mudou nos últimos três dias. Minha única constante tem sido você. Não me deixe.
Lentamente, Demi voltou-se para ela. Sua mão tremeu quando acariciou sua face.
? Eu sempre estarei aqui por você.
Ela mordeu o lábio, dominada pela ternura em sua expressão.
? Eu sou mesmo seu amor, Demi?
Nesse momento, não existia embaraço em sua expressão.
? Sim. Eu amo você, Anca.
Um emaranhado de emoções contraditórias girou através dela. Sentiu prazer em suas palavras, misturado com medo. O que ele esperava dela? Em Nova York, se um homem que conhecia há três dias dissesse que a amava, ela iria embora o mais rápido que pudesse. Ela o anularia como outro louco e partiria.
Ela não duvidou da sanidade ou sinceridade do Demi. Olhando no fundo de seus olhos escuros, podia ver as emoções honradas refletidas de volta. Mais que isto, podia sentir seu amor que emanava dele em ondas. Ela podia quase ver isto e perguntava-se se estar Corsova afiou suas habilidades psíquicas.
? Eu não espero que você me ame. – Sua voz era rouca, mas ele falou claramente. ? Eu não planejei dizer a você qualquer coisa ainda.
? Por que não? – Ela curvou sua cabeça. ? Você tem vergonha de me amar?
? Nunca, ? ele vigorosamente disse, ?, mas você deve me escolher. – Com uma mão gentil, ele levantou seu queixo. ? Não era meu direito carregar você com minhas emoções.
Ela agitou sua cabeça.
? Eu não entendo. Se nós fomos destinados para ficar juntos... – Ela parou, incapaz de aceitar tão absurdo conceito. Certo, ela estava atraída por ele, e sentiu uma conexão emocional mais profunda com ele que algum homem em seu passado, mas companheiros destinados? Que conceito arcaico. Era quase tão ridículo quanto casamentos arranjados.
?O destino orquestra o que deve ser, mas ninguém pode forçar o amor se não for sentido. – Ele acariciou sua bochecha. ? Nós devemos todos estar livres para escolher o que nosso coração quer.
Ela tragou.
? Você me escolheu, não é? – Ela estremeceu na sugestão de ceticismo em seu tom.
Ele não pareceu ofendido.
? Eu estava certo que nós pertencíamos um ao outro, mas encontrar você removeu meu último rastro de dúvida. – Demi suspirou. ? Você não foi criada como eu, para esperar nossa união. Isto é demais para você. Descanse agora, e nós conversaremos mais tarde, quando você estiver pronta.
Uma vez mais, ele se moveu para longe dela, mas Anca lançou seus braços ao redor de seu pescoço.
? Não vá.
? Mas...
? Venha para dentro comigo. – Ela apoiou o rosto em seu peito. ? Eu não pressionarei você para conversar sobre qualquer coisa, se não quiser.
? O que você quer de mim? – Ele soou confuso, não aborrecido.
? Só me abrace, Demi. – Anca segurou sua respiração, esperando ver se ele concordaria. Novamente, perguntou-se o que aconteceu com sua decisão de ser sensata e evitar qualquer relação com ele. Talvez estivesse emocionalmente exausta por encontrar seu pai e ansiava por conforto. Qualquer um se sentiria assim.
Mentirosa, seu coração sussurrou.
? Se é isso que você quer. ? ele disse depois de uma pausa longa.
? Sim, ? sussurrou. Ela soltou seus braços e tomou sua mão para levá-lo pelas portas de madeira. Quando ele entrou um passo atrás dela, ela soube o que aconteceu com seu plano prévio. A completa honestidade dele sobre seus sentimentos a deixou sem defesas. Antes de sua revelação, ela o quis, mas agora, seu desejo era até mais intenso.
Quando eles entraram nos aposentos destinados a ela, Anca sentiu que a noite a frente mudaria tudo. O pensamento a assustou, mas também a deixou ansiosa. Dar-se para Demi pareceu à coisa mais natural do mundo, e esqueceu seus medos assim que ele fechou a porta atrás deles e a levou em seus braços.
Capítulo 7

Demi a segurou contra seu peito sem falar ou se mover. Anca podia ouvir o ritmo de seu coração que ecoava por seu ouvido, até misturar-se com os dentro de sua mente. Ela fechou seus olhos e deixou-o sustentá-la. Ansiou por seu toque, mas abraçá-la era quase suficiente.
Ela mudou de idéia quando ele levantou seu queixo e reivindicou seus lábios. Com um metro e setenta, ela era alta, mas ele era vinte centímetros mais alto. Ele teve que baixar a cabeça para beijá-la, e ela se esticou para alcançá-lo.
Seus lábios eram suaves contra os dela, persuadindo-a a responder a seu toque, mas nunca exigente. Ele traçou o contorno macio de seus lábios com a língua, e ela enterrou os dedos em seu cabelo loiro. Anca separou seus lábios para ele aventurar sua língua para dentro, mas ele ignorou o convite.
Em vez disso, arrastou sua língua por seu queixo até seu pescoço. Ela fechou os olhos e deixou a cabeça cair enquanto ele respirava uma trilha pela sua garganta, para a curva de seu pescoço onde encontrou seu ombro. Ela apertou seu corpo firmemente contra ele quando ele abriu a boca e respirou contra sua pele.
Seus mamilos endureceram quando a respiração dele acariciou sua pele. Ela separou suas pernas e empurrou seus quadris adiante assim podia esfregar sua vagina contra a coxa dele.
Demi passou a língua através de sua pele enquanto uma de suas mãos movia pelos seus quadris. Segurou suas nádegas e a ergueu completamente sobre sua perna.
Anca girou seus quadris e choramingou quando Demi beliscou seu pescoço. Sua vagina se apertou, e ela moveu seus braços ao redor do pescoço dele. Suas pernas eram fracas, e não pensou que podia permanecer em pé sem sua ajuda.
Ele moveu as duas mãos para seus quadris e a ergueu em seus braços.
? Feche suas pernas ao meu redor? ele disse quando ergueu a cabeça.
Anca ancorou as coxas ao redor de sua cintura. Seus olhos se alargaram quando ele se moveu para a mesa em vez da cama. Ele a colocou de pé ao lado da mesa, ela reconheceu a mesa da visão que teve deles na noite que conheceu Demi.
Ele se afastou um pouco para ter espaço para tirar a camisa de botões azul clara. As mãos de Anca foram para a bainha do suéter vermelho que ela vestia, mas as mãos dele cobriram as suas.
? Deixe que eu faça isso. – Sua voz era rouca e suas bochechas ficaram rosadas. ? Eu quero revelar você uma polegada de cada vez.
Ela deixou mãos caírem para seus lados e esperou que ele fizesse o próximo movimento.
Demi ficou de joelhos e empurrou o suéter dela para cima. Enterrou seu rosto na carne de seu estômago e, uma vez mais, a provocou com lambidas rápidas.
Anca enfiou a mão em seu cabelo e sua vagina ficou mais escorregadia com a estimulação. Seu corpo reagiu instintivamente com a proximidade, preparando-se para a boca dele explorar sua vagina.
Ao invés disso, Demi se moveu para cima, lentamente subindo de seus joelhos enquanto ele levantava o suéter e seguiu o caminho para sua boca.
Ela levantou os braços para que ele tirasse o suéter e então ficou na frente dele em sua calça e sutiã. Os seios inchados empurravam contra as taças de seu sutiã vermelho e seus mamilos eram tão duros que doíam.
? Por favor, ? ela sussurrou segurando um de seus seios em sua mão, oferecendo para ele. Ela traçou o contorno do mamilo com seu dedo.
Demi gemeu e suas mãos tremiam quando empurrou as alças para baixo em seus ombros. Suas mãos moveram-se para seus seios. Ele brevemente pausou para tocar o pendente aconchegado no vale de seus peitos. Brilhava com reflexos dourados. Seus dedos o acariciaram com reverência antes dele retornar sua atenção para seus seios.
Anca começou a soltar seu seio, mas Demi fechou a mão ao redor da sua, empurrando sua mão mais firmemente em sua carne suave.
? O que você sente?
Ela mordeu seu lábio, lutando para formar palavras coerentes com sua outra mão acariciando seu outro seio através da taça de seda. Quando ele beliscou seu mamilo, ela quase esqueceu como falar. Foi só quando ele apertou seus dedos contra seu mamilo novamente que ela se lembrou de sua pergunta.
? Prazer. ? ela disse com um gemido.
Demi agitou sua cabeça.
? Como sente seu seio?
Ela fechou seus olhos para capturar uma descrição.
? Suave, mas firme. – Sua voz era baixa, e perguntou-se se ele podia ouvir. Ele circulou sua mão ao redor de seu seio. ? O sutiã é sedoso. É bom roçando contra meu mamilo.
Demi moveu sua palma para espalmar a ponta de seu peito.
? O mamilo, Anca?
? Está formigando com necessidade.
Ele riu.
? O que ele necessita? – Quando ele fez a pergunta, empurrou a taça abaixo em seu outro seio e acariciou seu mamilo com seu dedo polegar e dedo indicador.
Anca gemeu.
? Isso. ? ela conseguiu falar. ? Você.
Ele soltou sua mão, deixando cair para seu lado. Seus dedos eram firmes quando moveram para o gancho em suas costas e abriram o sutiã. Ele puxou lentamente e jogou por cima de seu ombro para juntar-se ao suéter.
Seus seios ficaram brevemente expostos antes de suas mãos substituírem o sutiã e cobri-los. Cada calo nas mãos dele apertavam sua carne suave, excitando seus nervos. Ele empurrou seus dedos polegares contra seus mamilos com suficiente pressão para fazer sua vagina ter espasmos, mas não o suficiente para machucar. Ele moveu seus dedos polegares em círculos lentos, escovando a pele áspera das pontas dos dedos contra seus cumes sensíveis.
Anca não podia conter um grito de prazer. Ela não podia se importar se um empregado os ouvisse fazendo amor.
Lembrando a visão, ela arqueou para trás até que suas costas tocaram a mesa. Dentro de segundos, a boca de Demi a seguiu. Ele pressionou os lábios no vale de seus seios e abriu a boca. Ele rodou sua língua acima de sua pele, e ela choramingou, implorando sem palavras para tocar seus mamilos com sua língua.
? Impaciente ? ele disse ternamente e moveu sua boca para seu seio direito enquanto segurava seu outro seio em sua mão. Ele lavou o cume inchado e aplicou pressão gentil com seus dedos para o outro broto. Sua língua movia em círculos acima de sua aureola, movendo para longe de seu mamilo antes de chupá-lo de novo.
Anca gemeu quando ele mordeu suavemente seu mamilo, apertando o outro com suficiente pressão quase para machucar. Não machucou, entretanto. Só fez ciente do quão sensível seus seios estavam e o quão abandonada sua vagina estava.
Ele pareceu ler seus pensamentos, porque sua mão direita movia de seu quadril até o cós de sua calça comprida. Ele desfez o botão e zíper em dois movimentos rápidos e então deslizou sua mão dentro do cós, acima de sua calcinha de seda.
A vagina de Anca se apertou quando ele acariciou os lábios pela calcinha de seda. Ela estava gotejando com necessidade e empurrava seus quadris para cima, trazendo sua vagina mais completamente contra sua mão. Ela mordeu seu lábio para conter um grito quando ele chupou seu mamilo e apertou seus dedos em sua abertura, usando a seda para fricção adicionada.
Demi moveu sua cabeça de seu seio até sua boca, formando um selo ao redor de seus lábios com os seus enquanto massageava o clitóris pela seda. Ele tragou cada um de seus gritos minúsculos de prazer enquanto seu dedo explorou sua molhada vagina pela barreira fina.
Ele deslizou sua mão de seu seio até seu umbigo, então mais baixo. Apertou suavemente contra o topo de sua vagina e massageou o clitóris com pressão crescente.
Anca continuou a arquear contra ele. Ela tentou encontrar cada golpe de sua língua com uma de sua própria, mas não podia se concentrar. Em todos os lugares que ele a tocou deixou atrás um fogo, e ela estava para explodir. Frissons de consciência relampejavam de seus mamilos até sua vagina, exaltando seu prazer com seu toque.
Demi moveu as mãos do topo de sua vagina para o cós de suas calças e as empurrou abaixo algumas polegadas, um lado de cada vez, sem quebrar o ritmo de seus dedos em sua vagina. Com suas calças mais baixas, ele teve mais espaço para manobrar e cobriu sua vagina com a mão.
Anca movia sua vagina contra sua palma e ele pressionou para cima em um parcialmente movimento circular. Ele continuou a pressão crescente quando ela continuou a arquear contra ele. Ela estava quase gozando. Quando ele trouxe o dedo indicador de sua outra mão contra seu clitóris pela seda e apertou ao redor uma vez só, ela não pode conter-se.
Sua vagina convulsionou e lançou mais umidade. Ela apertou seus lábios inchados contra sua palma, muito sensível para continuar a empurrar, mas apreciando seu toque demais para mexer-se. Seus seios doíam ao orgasmo e as convulsões diminuíram para espasmos minúsculos.
Ele foi o primeiro a quebrar o contato. Removeu suas mãos e levantou-se. Suavemente, a puxou até que ela estava em pé com ele para um beijo tenro. Quando ele ergueu sua cabeça, acariciou sua bochecha.
? Você gostou disso, meu dragostia?
Ela se debruçou contra ele.
? Eu quase morri, ? ela disse contra seu tórax.
Ele riu, e o seu tórax tremeu.
? Eu devia deixar você descansar.
Ela agitou sua cabeça, sorrindo quando o suave cabelo em seu peito fez cócegas em suas bochechas.
? Ainda não.
? Você quer continuar?
? Sim. – Ela engoliu um bocejo quando uma onda de fadiga precipitou-se nela. ? Eu nunca senti qualquer coisa assim. - Ela ergueu sua cabeça para encontrar seus olhos. ? Eu tive orgasmos antes, mas nunca assim. Eu sinto como se estivesse só começando. – Ela era incapaz de impedir o bocejo que seguia suas palavras.
Demi beijou sua fronte.
? Mas você está quase desmoronando, Anca. Haverá outra chance para fazer amor. A primeira vez devia ser lento e sensual, não dificultado por seu esgotamento.
Ela olhou para a protuberância dura em suas calças.
? E quanto a você?
Ele encolheu os ombros.
? Eu sobreviverei a um pouco de desconforto.
Anca lambeu os lábios.
? Você não precisa.
Ele agitou sua cabeça.
? Você está exausta. Eu não posso permitir que você se canse ainda mais.
Ela tomou sua mão e andou para a cama com as pernas tremendo. Ele seguiu atrás dela sem uma palavra. Quando ela soltou sua mão, ele ficou na frente dela com sua sobrancelha levantada, olhando-a fixamente. Seus olhos se alargaram quando ela tirou as calças e a calcinha. ? Sua vagina é lisa.
Ela movimentou a cabeça.
? Eu gosto de nadar e não gosto de pêlo aparecendo. É mais fácil depilar com cera.
Demi enrugou as sobrancelhas.
? Isto é uma prática comum na América?
Anca encolheu os ombros.
? Depende da mulher.
Seus olhos permaneciam em sua vagina. Ele a tocou hesitante.
? Eu nunca vi uma mulher com uma vagina lisa antes. Eu ouvi falar disto e eu sempre fui curioso para tocar uma... Para saborear uma.
Ela sentiu uma pontada de ciúme a menção de outras mulheres. Anca manteve sua expressão suave para não revelar suas emoções.
? Você gosta? É o que esperava?
? Mais. – Demi acariciou seus lábios lisos mais uma vez antes de deixar cair sua mão. ? Eu gosto muito. Faz meu pênis ficar tão duro que dói.
Anca piscou para ele.
? Bom. – Ela se sentou na cama e afundou alguns centímetros no colchão macio. Estava quase no nível de seu pênis, tão perto que podia ver os espasmos contra suas calças. ? Nós dois sabemos que cuidará disto você mesmo assim que me deixar.
Demi movimentou a cabeça, sem uma sugestão de embaraço.
? Sim.
Anca bateu levemente no cobertor macio.
? Eu não quero que você me deixe. Eu não quero dormir só hoje à noite, em um lugar estranho.
Ele enrugou as sobrancelhas.
? Você quer que eu fique com você hoje à noite?
Ela assentiu com a cabeça.
? Eu posso ter medo. – Ela sorriu para ele.
? Existem guardas.
Ela suspirou diante da teimosia dele, incapaz de decidir se era deliberado.
? Certo, esqueça a sutileza. Eu quero sentir seus braços ao redor de mim.
Ele piscou e então movimentou a cabeça.
? Se é isso que você quer.
? Eu quero mais que isto, mas eu estou muito cansada. – Ela sorriu novamente. ? Porém, eu não estou muito cansada para assistir você se dar prazer.
Uma sugestão de incerteza apareceu em seus olhos.
? Anca?
? Eu quero assistir você acariciando seu pênis? Ela encolheu os ombros. ? Eu sempre me excito por um homem agradando a si mesmo. Se eu quiser assistir e se você não for tímido, não existe nenhuma razão para você ficar desconfortável.
Demi balançou sua cabeça.
? Eu não sei...
Ela se inclinou para frente para abrir suas calças. Ele não afastou suas mãos, então Anca as empurrou até seus joelhos e tocou seu pênis através da cueca branca. Saltou contra sua mão, e ela podia senti-lo pulsando.
? Por favor, Demi.
Quando ele permaneceu mudo, ela olhou para ele com olhos semi-serrados. Sua expressão beirava a dor. Quando arrastou suas unhas contra a cabeça de seu pênis, ele retraiu uma respiração entrecortada. Ela ficou mais atrevida por seu silêncio e deslizou seu pênis de dentro da cueca.
Ele estava tão rígido quanto uma estátua, enquanto seu pênis sobressaía em direção a ela, implorando pelo toque dela. Anca se inclinou um pouco mais e beijou a cabeça. Seu fluido manchou os lábios dela, e ela olhou para assegurar que ele estava assistindo. Ela colocou a língua para fora e passou pelos lábios lentamente.
Ele engoliu audivelmente e seu pênis pareceu endurecer em sua mão. Anca agarrou a mão dele e a trouxe para seu pênis. Ele segurou sem ela precisar induzi-lo.
? O que você sente? – Ela perguntou, repetindo sua pergunta de antes.
Suor brilhava em seu lábio superior e ele limpou a garganta.
? Pele lisa, dura, doendo... – Ele diminuiu e começou a acariciar seu pênis.
O corpo saciado de Anca se excitou novamente enquanto assistia a mão dele cobrindo o comprimento de seu pênis. Seus lábios se separaram quando ele fez uma pausa para suavemente tocar o V onde todos os nervos se encontravam.
Seus olhos subiram para seu rosto, e ela sorriu com sua expressão. Seus olhos fechados, sua cabeça jogada para trás, e ele mordia o lábio. Ela retornou o olhar para sua mão e, como ele aumentou o tempo, sua vagina se contraiu.
Ele gemeu baixo em sua garganta e apertou sua mão em torno da base de seu pênis. Depois de um segundo longo, ele mexeu para cima novamente, movendo lentamente. Seu dedo polegar acariciou a ponta de seu pênis, e ele arqueou seus quadris.
Anca podia ver o modo como seus músculos se apertaram, e soube que ele estava perto. Quando ele apertou mais e moveu a mão para baixo, ela tomou os seus testículos em sua mão. Enquanto o acariciava, ela se inclinou e pôs sua boca em torno da cabeça de seu pênis. Jatos quentes de fluido encheram sua boca, ela engoliu e continuou a acariciar suas bolas.
Demi enrijeceu quando ela pôs a boca nele, mas agora ele empurrava adiante. Enterrou a mão no cabelo dela para segura-la contra ele e apertou a última gota de estimulação de seu pênis.
O pênis amoleceu em sua boca e Anca se afastou uma vez que ele soltou seu cabelo. Ela apoiou seu queixo contra seu estômago duro e olhou fixamente nele. Devia estar se sentido estranha, ou talvez até envergonhada, mas tudo que sentiu era uma onda de ternura por ele ter compartilhado algo tão pessoal com ela.
Sua vagina doía com desejo, mas estava muito cansada. Anca acariciou suas nádegas com sua mão, esperando ele falar. Ele não pareceu propenso a quebrar o silêncio, então ela disse.
? Eu estarei sonhando com isso hoje à noite.
Ele ergueu uma sobrancelha.
? O que?
? Fazer amor com você. – Ela bocejou. ? Eu estou pronta para você, mas não posso manter meus olhos abertos. Eu estou muito cansada até para tomar banho.
Demi soltou-se dela. Depois de tirar as calças, cueca e sapatos, caminhou para o jarro de água e bacia no toucador. Ela ouviu água espirrando enquanto ele limpou a si mesmo e quando retornou, segurava um pano molhado.
? Deite de costas.
Os olhos de Anca estavam marejados e ela deitou contra os travesseiros de pena e separou as pernas. Nunca um homem tinha sido tão terno com ela ou posto tanta ênfase em suas necessidades. Até que ela conheceu Demi, não sabia que homens assim existiam fora de contos de fada e romances.
Quando ele terminou, levou o pano ao banheiro antes de retornar.
Anca conseguiu rolar para o lado assim ele podia puxar as cobertas em seu lado da cama. Depois que ele fez isso, ela se aconchegou e enterrou sua cabeça na pilha de travesseiros. Estava vagamente ciente de Demi desligando a luminária antes de entrar na cama com ela. Assim que ele a tomou em seus braços, ela fechou olhos, e caiu em um sono fundo.

* * * * *

Quando Anca abriu os olhos mais tarde, o alarme de viagem que ela desempacotou e colocou no criado mudo dizia 3:06 da manhã. Ela o acertou no fuso de Corsovan antes do jantar, então ela subtraiu sete horas para chegar ao tempo de Nova York. Eram oito da noite para seu corpo, então não era surpresa que ela estivesse acordada e disposta.
A diferença de tempo não era a única coisa causando alerta, ela percebeu. Os cobertores tinham sido empurrados de lado e existia um frio no ar. Ela notou aquilo logo antes de perceber que a boca de Demi estava em seu pescoço, chupando suavemente em sua pele. Seus dedos acariciavam sua vagina.
Ela inclinou a cabeça para olhar para ele, mas seu rosto em seu pescoço a impedia de mexer-se muito.
? Demi? – A voz dela ainda tinha rastros de sono.
Ele afastou a boca de seu pescoço ligeiramente.
? Eu não consegui dormir com você enrolada tão tentadora em meus braços. Eu sinto muito se acordei você.
? Tudo bem, ? ela disse em uma voz sonhadora, abrindo as pernas assim ele podia alcançar seu clitóris mais facilmente. Ele apalpou um momento antes de achar, e então seu dedo polegar e dedo indicador estavam fazendo círculos de luz em torno do pequeno nó. Ela suspirou e começou a virar-se sobre as costas, mas ele a parou pondo sua boca contra sua garganta novamente.
Anca enfocou o olhar em uma tapeçaria na parede de pedra cinza quando Demi acariciou seu clitóris e chupou seu pescoço. Ela laçou as coxas ao redor do braço dele quando ele deslizou um dedo dentro de sua vagina. Ela girou os quadris e gemeu.
O outro braço de Demi estava preso debaixo de sua cintura, mas ele reposicionou ligeiramente assim ele podia tocar seus mamilos.
? Eu quero fazer amor com você. Você me aceita?
Ela abafou o desejo de dar uma risadinha ao seu pedido formal. A maioria dos homens teria presumido que eles podiam prosseguir se tivessem suas mãos entre as coxas da sua companheira. Ela reprimiu o riso.
? Sim.
Ela o ouviu sair da cama. Quando ele entrou em sua linha de visão, ela o assistiu tocando o chão para erguer suas calças. Ele procurou pelos bolsos até achar o que buscava. Ela virou a cabeça para assistir ele voltar para a cama, e viu que segurava um preservativo. Ele moveu-se atrás dela, e ela o ouviu abrindo o pacote antes da cama afundar com seu peso.
Para sua surpresa, Demi não a girou sobre as costas e ele não fez nenhum movimento para montá-la uma vez que ele voltou à cama. Em vez disso, esticou atrás dela e ergueu sua coxa com sua mão. Ele a reposicionou suavemente até que ela estava angulada com sua cabeça apenas nos travesseiros, e seus pés apontando em direção ao canto oposto da cama.
Anca tremeu quando Demi posicionou sua perna através de suas coxas. Sua outra perna empurrada debaixo de sua para erguê-la. Ele empurrou a perna que ele segurava um pouco mais alto no ar. Seu pênis roçava contra suas nádegas quando ele chegou mais perto. Ela mordeu seu lábio e esperou por ele. Dentro de segundos, a cabeça de seu pênis estava empurrando contra a entrada molhada de sua vagina.
Ele empurrou nela com uma punhalada lenta, movendo tão lentamente que ela pensou que fosse desmaiar. Uma pontada de desconforto acompanhou sua possessão total e ela endureceu. Ela imediatamente se forçou a relaxar.
Demi parou de mover. Ele limpou a garganta.
? Você é... Virgem, Anca?
Ela agitou sua cabeça.
? Não. Mas faz muito tempo.
? Entendo. – Ele soou desapontado. ? Você deseja continuar?
? Oh, sim. Realmente não machucou. Eu só fiquei surpresa... - Ela deu com um suspiro. ? Eu quero você.
Ele não falou e se retirou cuidadosamente e empurrou nela novamente. Cada movimento era lento e cuidadoso, como se ela fosse feita de vidro e pudesse quebrar.
Era desconcertante estar fazendo amor com ele sem ver sua expressão. Ela podia sentir a reação do seu corpo por ela, e podia ouvir sua respiração curta, mas não podia ver como ele se sentia. Ela queria ver seus olhos.
Quando ele se retirou novamente, Anca puxou longe dele. Ela puxou suas pernas longe das deles e rolou para o outro lado, então estava o olhando. Ele estava confuso.
? Algo errado?
Ela passou seus dedos em sua testa enrugada.
? Não. Eu queria ver você... Para examinar seus olhos à medida que nós fazemos amor.
Ela se aproximou mais dele, até que seus seios tocaram seu tórax. Anca pôs sua coxa acima de suas pernas, expondo sua vagina.
Demi empurrou adiante, e seu pênis empurrou contra seu clitóris. Ela se moveu para cima um pouco, e ele entrou em sua vagina novamente. Uma vez dentro dela, ele parou de mover, e seus olhos se encontraram.
Anca olhou fixamente em seus olhos escuros, e uma sensação de certeza passou por ela. A presença física de seu corpo juntou-se com o dela e era tão intenso quanto as emoções que relampejam por seus olhos, transmitindo-se a ela. Ela sentiu a solidão varrer de cima dela, seguido por desejo. Seus olhos refletiram a imagem de seu rosto, e quando ela se viu neles, a satisfação a inundou.
Ela sentiu sua ligação com Demi em um nível que nunca experimentou com outro homem. Ele saiu dela, e então voltou com uma punhalada poderosa, seu coração acelerou. Transpiração se formava em sua sobrancelha, e ela lutou para ficar mais perto dele.
? O que você vê em meus olhos? – Demi perguntou, e passou seu braço acima de sua cintura e apertou suas nádegas.
Anca lutou para focar em sua pergunta enquanto ele balançou seus quadris, e a puxava para mais perto. Ele a encheu completamente quando seu pênis entrou em sua vagina. Seus olhos estavam começando a lacrimejar, mas ela não quis piscar e arriscar perder o jogo de emoções em seus olhos.
? Uh...
Ele empurrou nela mais vigorosamente.
? Você quis olhar. Diga-me o que vê.
? Você. Eu. – Ela não podia pensar, não podia respirar. Como ela deveria responder sua pergunta quando não podia se concentrar em qualquer coisa exceto o vórtice de seus olhos e o modo que eles se juntavam perfeitamente?
Demi soltou suas nádegas e passou a mão em seu quadril, através de sua barriga até sua vagina. Ele deslizou seus dedos entre seus lábios lisos e circulou seu clitóris com golpes pequenos.
? Você sabe o que eu vejo em seus olhos?
? Uh... – Ela disse novamente, incapaz de formar pensamentos coerentes.
? Prazer, confusão, desejo. Mais que isto...
Ela fechou seus olhos quando as sensações a subjugaram. Ele empurrou novamente e continuou a acariciar seu clitóris ao mesmo tempo do movimento de seus quadris.
? Abra seus olhos. ? ele vigorosamente disse. Sua voz previamente tinha sido um sussurro áspero.
Olhos de Anca se abriram, e ela olhou para ele, apenas capaz de enfocar em seu rosto, porque estava perto de gozar.
? Você quis assistir-me enquanto nós fazemos amor. – Ele empurrou seu pênis bem no fundo dela e parou de mover. ? Diga para mim.
Existia uma sensação estranha de desespero sobre ele, como se necessitasse sua resposta. Ela piscou, lutando para falar quando ele retomou os movimentos dentro dela. Ela engoliu e forçou seus olhos a abrirem e focar nos dele.
Previamente, ela deixou as emoções obscurecerem junto, mas agora tentou separá-las. Ternura, isso era fácil localizar. Prazer, claro. Seus olhos eram expressivos, mas mais que isto, ela pareceu saber o que ele estava sentindo enquanto ele sentia.
As emoções estavam realmente em seus olhos, ou ela estava sentindo diretamente dele? A experiência era semelhante a uma visão, mas diferente também. As emoções eram mais específicas, e menos abertas a interpretação. Alem de ver, ela sentia. Sentia? Isso tudo era sua mente?
? Anca? – Seus olhos pediam os dela enquanto seus músculos tremiam. ? Agora, por favor, diga para mim se você pode ver o que eu estou sentindo. Eu não posso esperar...
Seu orgasmo varreu acima dela quando o corpo dele endureceu e seu pênis tencionou. Anca pôs a mão em seu ombro e cavou as unhas em sua pele. A resposta de repente cristalizou em sua mente, e ela perguntou-se por que não percebeu mais cedo. Pareceu tão óbvio.
? Amor, ? ela falou por dentes friccionados enquanto as convulsões passavam por seu corpo.
Demi caiu contra ela e seu alívio era palpável.
? Sim, ? ele sussurrou contra seu pescoço. Seus lábios beijaram sua pele. Ele sussurrou algo, mas as palavras eram confusas. Soou como ? Unidos? mas ela não podia estar certa.
Fadiga varreu acima de Anca com o prazer de seu orgasmo lentamente enfraquecendo. Um sentimento de ser protegida acompanhou a fosforescência abatida de fazer amor, e se enrolou mais íntimo de Demi. Perguntas chamejadas por sua mente, mas não as verbalizou. Ela estava muito cansada para conversar... Se pelo menos estivesse muito cansada para pensar.
Ela devia perguntar por que Demi pensou que a amava. Ela devia dizer a ele que fazer amor não mudava nada. Ela voltaria para casa no fim da semana. Ela devia deixar claro que o que eles fizeram hoje à noite era um engano e não podia acontecer novamente.
O único problema era que não sentiu como um engano. Pela primeira vez em sua vida, Anca não foi assombrada pela sempre presente sensação fantasma de que algo estava faltando. O sexo nunca preencheu aquela dor antes, então por que fez agora?
Não quis examinar isto muito a fundo, porque uma resposta obscura se formou em sua mente. Com Demi tinha sido mais que sexo, mas se recusou a definir exatamente o que mais tinha sido. Tais pensamentos seriam perigosos para seu futuro e eles ameaçaram chatear a vida que estava acostumada.
Seu braço drapejou sua cintura novamente, e ele virou a cabeça para que sua boca ficasse perto de sua orelha.
? Eu tenho que deixar você logo.
Suas pálpebras de sono pesadas começaram a fechar, mas ela as abriu depressa.
? O que? Por quê? Ela fez uma careta. ? É ilegal fazer amor se você não for casado?
Ele riu e seu tórax tremeu contra ela.
? Não, entretanto provavelmente seria melhor não ter rumores sobre sua vida sexual durante sua primeira semana aqui. – Ele se afastou e escorou seu queixo em sua mão. ? Eu tenho um dever a cumprir e devo sair ao amanhecer.
? Onde você está indo?
? Ylenia está em Necheau, uma aldeia alta nas montanhas. Sua sobrinha casou e se juntou a ma... Um dos grupos que vivem lá. Ela partiu para visitar duas semanas atrás, antes de seu pai me mandar achar você. – Seus lábios curvaram em um sorriso pequeno. ? Entretanto eu duvido que ela não saiba que ele mandaria te buscar. Pouco foge a Ylenia.
O nome era familiar.
? Quem é Ylenia mesmo?
? Ela é nosso líder espiritual, e quer encontrar você imediatamente. – Sua expressão escureceu. ? Ela terá muito a dizer a você, e nem tudo será agradável.
Uma pontada de pressentimento obscureceu a satisfação de estar em seus braços. Anca não estava ansiosa para encontrar esta mulher. Um calafrio correu abaixo sua espinha, e mordeu de volta o desejo de implorar para que não fosse buscar a mulher. Ela sentiu que a reunião era inevitável, entretanto não soube como ela soube isto.
? Quando você voltará? – Ela tentou se forçar a soar alegre, esconder sua relutância para encontrar Ylenia, e sua relutância para se separar para esse encontro. Infelizmente, sua voz saiu mais como um rouco gorjeio.
? Hoje à noite ou cedo amanhã. Eu tomarei um Vagueador de Terra para entrar nas montanhas, mas Ylenia insistirá em retornar a cavalo. Ela fica muito enjoada no carro.
? O que eu farei sozinha?
? Você está livre para fazer qualquer coisa que desejar. – Ele tocou em sua bochecha e alisou seus dedos acima de sua pele macia. ? Não vá a qualquer lugar sozinha. Não deve ser seguro. – Ele pareceu relutante para divulgar aquele último pedaço de informações. ? Leve Starr. Ela concordou em ser sua companheira enquanto você está aqui.
Anca arqueou a sobrancelha.
? Ela concordou? Como se consegue fazer um lobo concordar com qualquer coisa?
Ele pareceu estar fazendo de tudo para ser obtuso.
? Cuidadosamente e com muita persuasão. – Ele sorriu para ela.
? Mas...
? Você estará segura com ela.
Ela tremeu, imaginando ter a loba seguindo seus movimentos. Ela preferia se arriscar sozinha.
? Anca, prometa-me algo. – Ele falou em uma voz baixa, e sua expressão era sombria.
? O que?
? Prometa que você não tentará partir enquanto eu estiver fora. Eu sei que você está assustada com o que todo mundo espera de você, mas, por favor, me prometa que estará aqui quando eu voltar.
Ela fez uma careta quando percebeu que o pensamento de partir enquanto ele não estava lá para impedi-la não passou por sua mente.
? Eu ficarei até o fim da semana, como eu havia concordado.
Ele movimentou a cabeça, não satisfeito, mas não mais temeroso.
? Eu voltarei logo. – Ele tomou o rosto dela em sua mão. ? Eu acho o pensamento de deixar você doloroso, agora que nós nos unimos.
? Eu sentirei saudade de você, ? ela disse novamente e se aconchegou mais perto dele. Uma ponta de preocupação ficou enquanto ele puxava os cobertores acima deles e relaxou. Até quando seus roncos suaves encheram o quarto alguns minutos mais tarde, permaneceu ansiosa. Ela não sabia o que temia mais - estar sozinha no castelo durante o dia com um companheiro lobo; Encontrar Ylenia e ouvir o que ela tinha que dizer; Ou dizer a Demi que ela tinha que voltar para sua vida real.
Uma dor em seu coração a fez prender a respiração e respondeu sua pergunta. O que ela temia mais era deixar Demi, entretanto não estava certa como tal seqüência de eventos aconteceu tão depressa. Tudo que sabia era que ela quis ser dele, entretanto eles só se conheciam por alguns dias. Sentiu como se sempre o conheceu, e simplesmente tinha esperado por ele.
No entanto, como podia ficar? Ela não queria ser uma rainha, ainda que quisesse aquele tipo de vida. Ela não teve nenhum treinamento, criação, ou advertência sobre seu papel esperado em Corsova.
Ele só teria que entender que ela não podia ficar aqui. Ainda que se recusasse a assumir o papel de seu pai, pessoas sempre esperariam que ela mudasse de idéia se não retornasse para Nova York. Seria pior viver no país como uma cidadã regular, e ela não podia esperar que Demi retornasse com ela para Nova York. Em seu coração soube que ele não podia facilmente deixar sua vida em Corsova.
Anca teria que o fazer entender tudo se ele protestasse. Não seria tão difícil, uma vez que ela conseguiu que seu coração teimoso aceitasse que não existia qualquer outro modo. Agora mesmo, isso era a tarefa mais assustadora a enfrentar.
Capítulo 8

Na próxima vez que Anca despertou, ela estava só, como esperado. Se sentou e girou seu rosto na direção da janela grande. A luz solar inundou o quarto, e o que podia ver do céu pareceu azul e sem nuvens. Ela olhou no relógio e notou que era um pouco depois de dez da manhã.
Houve uma batida na porta, e ela perguntou-se se foi isso que a acordou.
? Só um segundo, ? ela disse e deslizou da cama procurando por suas roupas. Demi as dobrou ordenadamente ao pé da cama. Anca deslizou no suéter e foi para a porta.
Ela abriu uma fresta e espiou fora. Sua sobrancelha enrugou-se quando ela viu Nikia de pé na entrada.
? Uh, bom dia. – Ela correu as mãos por seu cabelo, tentando esconder algumas das pistas deixadas por uma noite de amor.
? Oi, cabeça sonolenta, ? Nikia gorjeou. Ela vestia calças de montaria esmeralda-verde e uma blusa branca. Ela segurava um chicote em sua mão direita. ? Eu pensei que você gostaria de juntar-se a mim para um passeio.
O primeiro instinto da Anca era recusar, mas refreou o impulso. Se sua irmã estava fazendo um esforço para recebê-la, devia corresponder aceitando.
? Parece bom, mas eu acabei de acordar.
? Eu já sabia disso. Eu bati em sua porta por alguns minutos. – Seus olhos cintilaram com uma sugestão de malícia antes de piscar. ? Noite longa?
? Eu não tinha dormido muito. – Ela se esforçou para um tom fresco quando encontrou olhos de Nikia.
? Hmm. – Nikia olhou em seu pulso, examinando seu relógio de ouro. ? Por que você não toma banho e se veste? Eu irei até a cozinha pegar um almoço leve para trazer junto. Uma hora será o suficiente?
? Sim. Obrigada pelo convite.
Nikia encolheu os ombros e voltou a caminhar pelo corredor abaixo.
? Encontre-me no escritório de Papai.
Anca a viu ir por alguns segundos, perguntando-se se ela não devia chamá-la de volta e rescindir sua aceitação. Suspirou e fechou a porta, pensando que ia agradar seu pai se ela se unisse com sua irmã. Talvez sua má impressão de Nikia ontem à noite não fosse precisa. Talvez sua irmã tivesse sido surpreendida pela existência da Anca tanto quanto ela tinha sido ao descobrir que tinha uma meia-irmã.


* * * * *

Menos de uma hora mais tarde, Anca encontrou Nikia no escritório, depois de se perder duas vezes. Ela vagou em um quarto de tapeçarias que poderia ter passado horas explorando, se não fosse Nikia que esperava por ela. Assim que tivesse a chance, retornaria aquele quarto, se pudesse achá-lo novamente.
Nikia se sentou atrás de escrivaninha do Valdemeer, com seus pés escorados na escrivaninha. O couro flexível de suas botas era tão suave e liso quanto o chicote em suas mãos. Uma cesta de piquenique estava na beirada da escrivaninha.
Anca alisou seu cabelo, preso em um rabo-de-cavalo, e tentou resistir o desejo de comparar sua beleza quieta e a atratividade exótica de sua meia-irmã. Algo sobre a outra mulher a fez parecer inadequada. Ela forçou um sorriso, desejando que sua calça jeans e camisa fossem metade tão elegante quanto o traje da Nikia.
? Eu acho que estou pronta.
? Equipamento sensato. ? Nikia disse quando esquadrinhou Anca da cabeça até os pés. Seus olhos pareceram demorar-se nos seios de Anca por um momento mais longo do que era confortável. Ela levantou-se e o momento passou.
Anca saltou quando Nikia bateu o chicote de equitação contra sua perna. ? Eu devia adverti-la que eu nunca montei antes.
? Eu não fico surpresa. – Nikia agitou sua cabeça. ? Eu ouvi que sua infância foi... pobre.
Ela endureceu ao comentário.
? Nós não vivemos em um castelo, mas nós nos viramos muito bem.
Um sorriso afetado curvou através do rosto de Nikia quando ela ergueu a cesta da escrivaninha.
? Claro que sim. Mesmo assim é uma pena que você não estivesse aqui em Corsova, onde pertence. – Ela lambeu os lábios. ? Eu teria gostado da oportunidade de conhecê-la.
? Huum, obrigada. – Anca não sabia como responder. Seguiu Nikia calada pelo labirinto de quartos e corredores. Quando deixaram o castelo por uma entrada em torno da parte de trás, ela perguntou
? Você sabia sobre mim?
? Claro. Eu tinha seis anos quando Katrine abandonou o papai.
Ela fez uma careta ao tom duro de Nikia.
? Você e a minha mãe eram próximas?
Nikia encolheu os ombros, deixando essa ser sua resposta. Ela trocou a cesta para sua outra mão e colocou o chicote debaixo de seu braço e elas circularam o castelo.
Anca prendeu a respiração quando Nikia abriu um portão e elas emergiram em um prado. A grama luxuriante era de um brilhante verde e coníferas cresciam acima delas. À medida que passaram por uma, ela não pode resistir tocar o tronco áspero da árvore.
? Estas árvores devem ser antigas. – O tronco era duas vezes tão largo quanto ela.
Nikia girou sua cabeça ligeiramente e soou desinteressada quando disse
? Várias centenas de anos, de fato. Corsova tem umas das maiores áreas de árvores dos tempos em que a maioria das florestas não eram dizimadas para construir edifícios e criar campos de terra cultivada. Espere até chegarmos às montanhas. As árvores muito maiores são comuns e a floresta cresce muito densamente, é muito fácil se perder.
? Como estas árvores conseguiram não ser cortadas?
? Corsova permaneceu intocada pelo mundo exterior, na maior parte de sua existência. Nosso povo mantinha nossas fronteiras fechadas. – Ela encolheu os ombros. ? É nosso modo. Nós não gostamos de estranhos.
Anca franziu a testa quando notou uma sugestão de advertência na voz da Nikia. Esse passeio era só uma oportunidade para Nikia adverti-la para ficar longe de Corsova e seu suposto lugar legítimo como rainha? Ela podia poupar o trabalho, e diria isso a ela se tocasse no assunto.
? Entendo.
Logo, elas se aproximaram de um edifício maior que o quarteirão inteiro de Anca em Nova York. Uma mancha clara preservou a beleza natural da madeira envelhecida. Um odor lânguido de adubo flutuava pelo ar enquanto elas se aproximavam das portas de madeira.
Antes delas pisarem do lado de dentro, um homem jovem veio apressado dos estábulos. Ele curvou na cintura para Nikia, e então curvou muito mais baixo - se isso fosse possível - para Anca.
? Suas Altezas, ? ele disse em um tom abafado.
? Emil, nós desejamos montar. – Nikia pareceu desavisada da altivez inata em seu tom. ? Sela Brutus para mim. Pigeon servirá para Anca, desde que ela nunca montou antes.
Ele correu para obedecer a seus comandos.
Anca o seguiu nos estábulos, ciente de Nikia atrás dela. Ela olhou corredor abaixo, tentando achar quantos estábulos o prédio enorme tinha. Viu pelo menos quinze em cada lado do corredor, com aqueles mais próximos dela todos ocupados.
Parou no mais próximo e olhou o cavalo castanho de pé lá. Os olhos marrons do cavalo pareciam estar a examinando com interesse igual, antes de jogar sua cabeça, enviando sua juba loira fluindo ao redor sua cabeça.
? Rachel. ? Nikia disse. Ela clicou sua língua e a égua se apertou contra o protelar. Ela acariciou as orelhas de Rachel e o cavalo relinchou. Ela virou sua cabeça em direção da Anca. ? É bastante seguro para tocar. Ela não machucará você.
Anca estava relutante em chegar perto do cavalo, entretanto não pensou que Rachel a machucaria. A égua parecia calma, mas ela não tinha nenhuma experiência com eqüinos. Estendeu sua mão, mas não muito, tocou quase o pescoço do cavalo.
Nikia fez um som impaciente, capturou a mão de Anca e a apertou contra o cavalo e Anca foi forçada a tocar nela.
? Vê? Ela aprecia seu toque.
? Uh... – Anca bateu levemente no cavalo antes de tentar se soltar de Nikia. O aperto da sua irmã ficou mais forte quando ela apertou sua mão mais firmemente contra o pelo curto de Rachel. ? Ela é mais suave do que eu esperava.
? Rachel responde ao afeto, o tom calmante de voz, o golpe confiante... – Nikia parou de falar quando girou a mão de Anca ligeiramente para acariciar sua palma. ? A suavidade de sua mão a agrada. – Os olhos de Nikia cintilaram, e ela lambeu seus lábios. ? Você gosta de acariciá-la?
? Ela é muito boa, ? Anca disse sem pensar. Fez um esforço para soltar sua mão novamente e ficou aliviada quando Nikia a soltou. Ela cedeu com alívio quando Emil e outro menino com cabelos escuros, muito mais jovem que ele, apareceram, levando dois cavalos.
Era óbvio a princípio saber qual era o cavalo de Nikia. Brutus era ereto e orgulhoso, com uma superioridade aparentemente instintivos refletidos em sua posição. Seus olhos eram quase tão escuros quanto seu pelo brilhante, e sua crina branca contrastava graciosamente.
Em comparação, Pigeon era bastante patético. O cavalo era apoiado pelo balanço e seu pelo cinza malhado parecia irregular em alguns lugares. O cavalo apenas ergueu sua cabeça quando Emil parou na frente de Anca.
? Seu cavalo, Alteza.
? Obrigada. – Ela deu a ele um sorriso antes de virar os olhos apreensivos para o velho cavalo. Apesar de sua atitude serena, ela não podia evitar uma pontada de nervosismo. O que ela, uma pessoa da cidade, sabia sobre lidar com cavalos?
Emil pareceu sentir seu nervosismo, porque a ajudou na sela.
? Se mova de acordo com ele, ? ele disse em fortemente acentuado inglês. ? Deixe Pigeon fazer o trabalho e siga sua vontade. Se ele for muito rápido ou você ficar assustada, puxe nas rédeas e diga, 'Whoa '. Ele imediatamente parará. – Ele pareceu cético sobre o cavalo ir muito rápido. ? A senhora Nikia é uma amazona habilidosa. Ela ajudará se você sentir dificuldade.
Suas palavras falharam em tranquilizá-la quando pegou as rédeas e apertou suas pernas em torno do cavalo. Nikia foi à frente, mantendo Brutus em um trote fácil. Anca lutou para relaxar e mover-se com o cavalo. Uma vez que se lembrou de manter suas coxas apertadas e seus pés nos estribos, podia soltar seu aperto forte nas rédeas.
Logo, eles estavam montando em uma área mais densa de árvores. Anca parou para olhar atrás e viu que o estábulo estava mais distante do que ela tinha imaginado. Parecia que os últimos minutos rastejaram enquanto lutou para conseguir um conceito básico de montar.
Nikia parou as rédeas de Brutus e girou o cavalo ligeiramente em sua direção.
? Algo errado?
Anca agitou sua cabeça, pouco disposta a verbalizar sua ansiedade.
? Tudo bem.? ela disse com um sorriso falso.
? Excelente. Vamos acelerar um pouco. – Nikia chutou o cavalo para esporeá-lo em movimento.
Ela engoliu em seco e chutou ligeiramente contra lados de Pigeon. O cavalo acelerou com um pequeno pulo, e ela apertou as rédeas. O cavalo parecia ser bom sem sua direção e ele aumentou sua velocidade para combinar com Brutus.
Logo, ela estava montando próxima ao flanco de cavalo de Nikia. O vento leve soprou por seu cabelo, fazendo-a se sentir contente por tê-lo prendido. O declive da colina e a profusão de flores distraíram Anca de seus pensamentos. Roxas, amarelas, vermelhas, e rosas floresciam no chão em aglomerações enormes. Não existia nenhuma trilha clara e os cascos de Pigeon pisotearam várias das flores.
Ela estava tão concentrada na paisagem que levou vários minutos para perceber que os cavalos estavam quase correndo. Assim que percebeu o quão rápido eles estavam se movendo, o pânico assumiu o comando, e ela parou tão duro nas rédeas que Pigeon relinchou em protesto. Ele estremeceu para uma parada e seu pescoço tremeu.
Anca respirou fundo, esforçando-se para tranquilizar o coração. Nikia continuou a montar, parecendo não perceber que ela ficou para trás. Ela ficou tentada a deixar Nikia continuar montando e girar ao redor voltando para os estábulos, mas não fez.
? Nikia,? ela gritou quando persuadiu Pigeon a um trote lento.
Nikia deteve e girou. Ela esperou até Anca alcançá-la. Ela agitou sua cabeça.
? Não precisa ficar assustada.
Anca encolheu os ombros.
? Desculpe ficar para trás.
? Não importa. – Ela bateu o chicote contra o flanco do Brutus, e ele apressou adiante com um relincho. As pernas de Nikia estavam seguras em torno do cavalo, e ela nem piscou quando ele levantou no ar.
Anca estremeceu ao som dos cascos do cavalo quando bateu no chão. Ela teve uma imagem desconcertante de estar debaixo daqueles cascos. Fechou seus olhos, tentando descobrir se as idéias mórbidas iniciaram o retrato mental, ou se ela pegou um flash de uma visão. Nenhuma imagem adicional veio e ela abriu seus olhos.
Era difícil de acompanhar o passo largo que Nikia fixou e Anca se debruçou acima do cavalo e cavou seus joelhos em seus lados. Foi uma cavalgada nada agradável montanha acima, e até as flores e árvores falharam em manter sua atenção.
Parecia que horas haviam passado e ela estava prestes a implorar a Nikia para parar quando sua irmã parou Brutus e virou-se parcialmente em sua sela. Ela não estava bagunçada pelo passeio.
? Nós estamos próximas ao Lago de Bulgain. Eu pensei que nós poderíamos almoçar lá e descansarmos um pouco antes de retornar ao castelo.
Anca movimentou a cabeça em acordo, muito cansada para falar. Ela se agarrou em Pigeon quando retomaram a subida na montanha, aliviada pela promessa do passeio terminar logo. Decidiu não pensar sobre o retorno montanha abaixo.
Quando chegaram ao ponto mais alto, sua respiração prendeu em sua garganta. A cavalgada quase valia a pena só para ver o lago. Estendia-se perante elas por quase um quilometro em cada direção. As árvores abrigaram à costa da água azul cintilante, e era tão claro que refletia as montanhas em sua superfície lisa.
Um cervo bebia do lago, e congelou quando elas se aproximaram. Seu nariz se contraiu, e seu corpo ficou tenso. Dentro de segundos, quebrou sua própria paralisia e arremessou-se na cobertura das árvores volumosas.
Ela puxou as rédeas da Pigeon, e ele parou sem a chacoalhar. Anca moveu-se desajeitada para desmontar, estremecendo quando seus músculos protestaram ao movimento súbito depois de duas horas em uma posição desacostumada.
Nikia pulou fora de Brutus em um movimento suave e laçou suas rédeas acima de um galho em uma árvore próxima. Anca levou Pigeon adiante para fazer a mesma coisa, mas Nikia agitou sua cabeça.
? Ele nunca vai embora. Só o deixe vagar um pouco. Ele apreciará isto. – Ela bateu levemente no pescoço de Brutus. ? Este é o que almeja a liberdade. Você não deve confiar senão ele corre e nunca mais volta.
Anca seguiu a sugestão da sua irmã de caminhar ao redor para estirar seus músculos enquanto Nikia desempacotou seu almoço depois de espalhar um cobertor branco que retirou da cesta. Anca parou próxima à extremidade do lago e olhou na água. Pareceu ser fundo, e ela perguntou-se o quão fundo era. Ela ajoelhou para mergulhar suas mãos na água e a achou deliciosamente gelada.
Ela jogou um pouco em seu rosto ruborizado e suspirou na frieza que levou longe o calor do dia e o esforço da manhã. Ouviu um ramo estalar atrás dela e olhou até ver Nikia oferecendo um lenço. Anca aceitou e o mergulhou no lago. Quando ela tocou de leve suas bochechas e a parte de trás de seu pescoço, ela apontou para os agrupamentos de flores vermelho-rosadas pontilhadas em torno da extremidade do lago.
? O que são aquelas?
? Baía de rosas. Algumas pessoas as chamam de tapete de rosas ou loureiro rosa comum.
Anca se assustou quando o nome tocou por sua mente. Abruptamente, se lembrou da visão de estar com Demi ao luar, em uma cama de baía de rosa. Sua vagina se apertou com estimulação quando recordou o prazer de fazer amor com ele. Ela esperou que a visão fosse uma profecia e não um nervosismo aleatório.
Uma vez que se acalmou, Anca subiu e caminhou com Nikia para o cobertor. Quem montou a cesta incluiu queijo duro, pão suave, crustáceo, uma garrafa de vinho, e um frasco de água. Existiam também duas peras e duas maçãs. Ela tomou o pedaço de queijo e pão que Nikia estendeu. Para sua surpresa, Nikia não pareceu propensa a conversar enquanto comiam então ela se concentrou no almoço leve. Lembrando a experiência da noite passada com o vinho, ela pegou a água.
Só depois que guardou o restante de seu piquenique na cesta que Nikia se debruçou de volta e a olhou com intensidade enervante. Anca dobrou suas mãos juntas e esperou que ela começasse. Ela já pensava que este passeio era sobre mais do que as duas se familiarizado.
? Por que você veio aqui?
Anca girou seus dedos polegares, mas caso contrário, ela não traiu seu nervosismo.
? Eu quis encontrar meu pai antes dele morrer.
Nikia enrugou as sobrancelhas.
? Demi disse a você que ele estava morrendo?
Ela ergueu uma sobrancelha na pergunta.
? Sim. Ele mentiu para eu vir com ele?
Ela movimentou a cabeça.
? Está mais próximo que eu pensei. ? ela falou debaixo de sua respiração. ? Eu não percebi... – Nikia ergueu sua cabeça e seus olhos estavam frios. ? Você pensa que pode só vir aqui e assumir o comando do trono, sem ser desafiada?
Anca agitou sua cabeça, mas não conseguiu uma chance de responder.
? É meu! Você me ouve? Eu esperei toda minha vida para ser rainha. Você não roubará o meu lugar. – Suas bochechas estavam vermelhas com raiva, e ela estava respirando fortemente.
? Eu não quero ser uma rainha ou uma princesa ou qualquer outra tolice que este país subdesenvolvido oferece para mim, ? Anca disse friamente. ? Eu tenho uma vida em Nova Iorque, e eu não planejo desistir.
Nikia estreitou os olhos, e a estudou por vários minutos. Finalmente, movimentou a cabeça.
? Isto é bom. Eu não me renderei sem uma briga, sabe.
Anca movimentou a cabeça, tremendo ao tom ameaçador. Ela estava abruptamente ciente de como elas estavam sozinhas e amaldiçoou sua estupidez ao tentar se aproximar de sua irmã. Sua impressão inicial parecia ser a certa. Ela devia ter evitado a presença de Nikia a todo custo.
Num instante, o comportamento da Nikia mudou.
? Bem, agora que isso está resolvido está pronta para voltar para o castelo?
Anca movimentou a cabeça, desconcertada pela disposição ensolarada da sua irmã, tão depressa seguindo sua explosão brava.
? Sim. Já tive o suficiente de montaria por hoje.
? Certo. Vamos. – Nikia saltou para seus pés e ergueu a cesta. Ela sorriu. ? Eu estou contente que você veio para uma visita. Eu quis encontrar você.
? Er... – Ela procurou uma resposta, mas Nikia não pareceu notar. Ela seguiu mais tranquilamente quando Nikia se apressou para Brutus. Anca estava vários passos longe quando viu o cavalo levantar e jogar sua irmã para o chão. Ela correu, mas quando alcançou Nikia, o cavalo galopava longe.
? Cavalo estúpido. ? Nikia furiosamente disse. Ela levantou-se antes de Anca poder ajoelhar ao lado dela e verificar se estava tudo bem. ? Eu terei que o pegar. Espere aqui por mim.
? O que?
? Eu terei que tomar Pigeon para ver se eu posso o alcançar. – Ela assobiou para o cavalo e suas orelhas levantaram. Ele trotou em direção a ela. ? Se eu não fizer, Brutus não retornará ao estábulo e os lobos poderiam matá-lo se ele estiver fora depois de escuro.
? L-lobos? – Ela repetiu em um tom trêmulo. ? Mas...
? Não se preocupe. É dia. Eu voltarei rápido o bastante. – Nikia montou sobre Pigeon. ? Se eu não tentar pegar Brutus logo, eu não poderei com Pigeon. Eu duvido que ele possa manter o passo.
? Por que eu não vou com você? Nós podemos montar juntas. – Por mais desagradável que aquele pensamento fosse, era mais atraente que a idéia de ficar só pelo lago, não sabendo quando Nikia retornaria.
Nikia riu.
? Levando dois cavaleiros, pobre Pigeon nunca alcançará Brutus. – Ela acenou seu braço. ? Eu voltarei logo.
? Espere!
Ou Nikia não a ouviu ou ignorou o grito desesperado. Ela montou em um galope, dirigindo-se a mesma direção que Brutus tomou.
Ela logo estava longe de vista, deixando Anca só. Apesar do dia sem nuvens e sol quente, um frio correu por sua espinha. Ela se abraçou e examinou a área em torno do lago, procurando por lobos e outras criaturas que não tinha nenhum desejo para encontrar em luz do dia ou não, e especialmente não na escuridão.


* * * * *

Anca ficou pelo lago por várias horas, entretanto seu medo não enfraqueceu. Ela ficou atenta ao retorno de Nikia, mas as sombras do sol nas árvores moveram através do chão quando a tarde progrediu, ainda sem o retorno da sua irmã.
Ela ansiou por seu telefone celular no bolso de seu casaco, sempre em visão clara em uma mesa em seu quarto. Por que ela não se lembrou de pega-lo? Fez uma careta quando percebeu que teria sido inútil, ainda que ela o tivesse. Ela não sabia qual era o número de emergência de Corsova e 911 provavelmente não estava disponível aqui. Pelo menos podia ter mantido o enfado à distância jogando alguns jogos.
Com o passar do tempo ficou faminta. Ela tentou ignorar isto durante algum tempo, mas seu estômago começou a roncar em poucos minutos. Nem mesmo seu medo amorteceu sua fome, e ela abriu a cesta de piquenique quando a força do sol começou a enfraquecer. Anca achou metade de um pão e um pedaço de queijo. O frasco da água estava vazio, e ela olhou o vinho cautelosamente, deixado na cesta.
Ela mordiscou o queijo e o pão, tentando fazer as pequenas porções durar. Teve um breve pensamento sobre racionar os alimentos, pois não tinha nenhuma idéia quanto tempo demorariam a encontrá-la. Até uma imagem mental mais desconcertante de ser comida por lobos afugentaram tais pensamentos. Ela comeu os mantimentos disponíveis, pensando que ela não duraria muito para morrer de fome se não fosse salva logo.
Sua boca estava seca quando ela terminou, e cautelosamente abriu o vinho. Ela cheirou e estremeceu ao cheiro de cobre desagradável. Perguntou-se que tipo de uvas eles cultivavam em Corsova quando tomou um gole pequeno.
Anca se preparou para o mesmo gosto agridoce como na noite passada e pode tragar sem sufocar. Ela fez careta no gosto, mas achou que não era tão desagradável quanto o último cálice que provou. De fato, depois de alguns minutos, começou a apreciar o sabor afiado que ficava em sua boca.
Teve o efeito peculiar de lhe dar mais fome, entretanto ela arrolhou a garrafa, sabendo que não tinha nada mais para comer. Ela nem tinha um conhecimento básico da flora das Montanhas de Bulgain. Frutos maduros, suculentos chamavam de um arbusto perto, mas não sabia se eram seguras para comer. Mesmo que a fruta azul se assemelhasse a espécies de mirtilo, elas podiam ser venenosas.
Com o sol deslizado atrás de um grupo de nuvens e o céu listrado com cores miríades, indicando que o pôr-do-sol estava próximo, Anca saiu do cobertor que ela estendeu horas antes. Ela caminhou um pouco em torno do perímetro do lago, procurando por sinais de alguém se aproximando.
? Oi? – Ela gritou, colocando suas mãos ao redor de sua boca para fazer sua voz ecoar. ? Nikia?
Sua voz ecoou de volta para ela, seguida pelo grito de um pássaro, mas nenhum outro som a alcançou. Caminhou na direção oposta, perto de uma espessa vegetação de árvores que circundavam o caminho cru que levava ao lago. Ela gritou novamente, mas não houve resposta, nem mesmo o grito do pássaro solitário.
Caminhou de volta para o desmatamento na margem do lago e examinou o caminho. Lembrou-se que a cavalo era pelo menos uma hora para voltar, mas ela não soube o que isso seria se ela caminhasse. Aparte disto, ela não sabia em que ponto deixar a trilha ou que direção tomar. Nikia a levou em um percurso em volta do castelo, por árvores, grama alta, e terra agreste.
Quando elas entraram no caminho, se perguntou por que não o usaram desde o começo. Nikia explicou que não levava de volta para o castelo, mas originava da aldeia de Grasov, que estava em uma direção diferente do Castelo Draganescu.
Anca considerou o caminho antes de olhar o céu. De qualquer modo, o sol sumia depressa, ela soube que não chegaria ao castelo antes de anoitecer. Provavelmente não chegaria ao ponto onde ela deveria deixar a trilha, se pudesse lembrar onde isso estava. Desde que não tinha nenhuma idéia de quão longe Grasov estava, isso não parecia ser uma opção viável.
Com um suspiro enfadado, Anca sentou sobre o cobertor novamente e colocou seus braços ao redor dos joelhos. Descansou sua cabeça em suas coxas e amaldiçoou sua estupidez em ficar no lago por tanto tempo, esperando Nikia voltar. Se ela tivesse começado a caminhar horas atrás, provavelmente estaria no castelo ou na aldeia agora.
Ela endureceu quando ouviu um uivo de lobo ao longe. Esperou que Nikia estivesse brincando com ela quando mencionou lobos, mas parecia que existiam alguns vagando em Corsova.
O crepúsculo logo cairia e o céu escuro já fornecia pouca iluminação. Fogo assustaria os lobos ou os atrairia? Perguntou-se o quão difícil seria fazer um fogo antes de ela lembrar que não tinha fósforos. Ela nem tinha sido escoteira, então não tinha idéia de como criar um fogo de pedras ou varas, ou qualquer um que funcionasse.
Tudo que Anca podia fazer era esperar e rezar para que alguém viesse logo. De preferência, antes dela se tornar jantar para um bando de lobos ou outros animais selvagens. Por que ela não escutou suas advertências internas e recusou o convite da Nikia?


* * * * *

? É minha culpa. – A cabeça de Starr estava curvada, fazendo com que seu cabelo marrom claro escondesse seu rosto angular. ? Eu devia ter esperado na porta.
Demi suspirou.
? Eu disse para levá-la junto se ela deixasse o castelo. Não é sua culpa se ela não escutou. Nikia teve sua parte em levar Anca para longe sem uma escolta. Não esqueça o quão manipuladora ela pode ser.
Starr agitou sua cabeça.
? É minha culpa, ? ela insistiu. ? Eu descuidei dos meus deveres. Se eu causei algum mal a Sua Alteza...
A voz calmante de Ylenia a interrompeu.
? Atribuir e aceitar culpa não ajuda agora. Nós devemos encontrar Anca. Ela está sozinha lá fora.
? Pior. ? Demi severamente disse. ? Ela está com Nikia.
Starr fez um som suave de angústia, mas não repetiu sua declaração sobre ser sua culpa.
? Eu juntarei Sorin e Lucien para me ajudar na procura. Nós iremos como lobos. Nós seremos mais rápidos assim.
? Eu irei com você. ? Demi disse. Ele começou a desabotoar sua camisa e evitou seus olhos quando Starr escapou de sua bata. Ela depressa se transformou e moveu-se para o lado de Ylenia, apertando seu corpo peludo contra a perna da mulher mais velha. Ele soltou suas roupas, mas antes de transformar-se disse para Ylenia, ? Diga a Valdemeer o que aconteceu. Diga a ele para organizar quantos guardas puder o mais depressa possível. Nós não temos nenhuma ideia de quando Nikia a levou, então nós temos uma área vasta para cobrir.
Ylenia movimentou a cabeça, e seu rosto enrugado claramente refletiu sua preocupação.
? Eu devo notificar minha sobrinha e pedir a seu líder e a matilha para procurar por ela em sua região?
Ele hesitou com a ideia de pedir a Rica qualquer coisa.
? Isto está longe do castelo. Nikia teria a levado tão longe?
? Rica não negará meu pedido, se é isso que você está pensando, ? ela disse em uma voz suave. ? Ele não terá muito prazer em ser chamado na procura, mas nos ajudará.
Com um suspiro pequeno, ele pôs de lado seu orgulho, sabendo que o bem-estar de Anca era mais importante que honrar o desejo do bando por isolamento.
? Muito bem. – Demi deu um sorriso pequeno. ? Eu pergunto-me como Anca reagirá se nós a acharmos antes dos guardas fazerem.
Ele não esperou por uma resposta quando fechou seus olhos e pensou sobre transformar. Ele sentiu o familiar estiramento quente que acompanhou a mudança. Olhou abaixo e viu seu nariz se transformar em um focinho. Dentro de segundos, transformou-se em um lobo branco prateado várias polegadas mais alto e muito mais musculoso que Starr. Lado a lado, eles saíram do quarto. Como ela foi chamar Sorin e Lucien, ele saiu correndo.
Assim que saiu do castelo, partiu na direção que estava chamando-o. Ele estava quase certo que podia sentir Anca, e esperou que seus sentidos não estivessem o enganando em ir ao caminho errado. Ele disparou, sem tentar se compassar. Em sua forma de lobo não podia acessar seus poderes mentais também, mas ainda soube que ela estava em perigo. Ele tinha que a encontrar, e logo.


* * * * *

O uivo de um lobo, seguidos por três outros uivos distintivos soaram muito, muito perto para conforto de Anca. A escuridão tomou conta da terra, e ela questionava sua decisão em ficar lá. Mas, que alternativa existia? Ela já descartou a idéia de caminhar para baixo, pelo menos até amanhã.
Estava de olho nas árvores, perguntando-se se poderia conseguir escalar uma para fazer um abrigo. Os lobos podiam subir em árvores? Seguramente não, porque cachorros não podiam... Ou podiam? Oh, como ela desejou que sua mãe a deixasse ter um cachorrinho quando criança.
Anca tremeu quando um vento vivo sussurrava pelas árvores. Um tempo atrás, ela tinha ido se sentar na toalha de mesa e se enrolar nela, mas era uma manta escassa. Levantou-se e correu ao redor em círculo, esperando que o esforço levantasse sua temperatura corporal. Quem teria esperado que a temperatura caísse de vinte e seis graus durante o dia para quatro graus à noite?
Ela endureceu quando ouviu um movimento furtivo na tribuna de árvores. Olhou em torno do lago, mas não podia ver muito, mesmo com a luz da meia-lua. Ela ajoelhou até pegar um galho robusto do chão onde o colocou mais cedo. Tinha sido a melhor arma provisória que ela poderia achar no momento.
Abandonou o cobertor e tomou o que ela esperava ser uma posição agressiva. Ela se abaixou ligeiramente e separou as pernas. Agarrou o galho áspero como um taco e esperou para ver se o som estava em sua imaginação. Por favor, que fosse sua imaginação.
O sussurrar veio novamente, dessa vez mais perto e acompanhado por um grunhido baixo. Segundos mais tarde, um lobo médio apareceu na frente dela.
Anca lutou para respirar enquanto dizia a si mesma que era só um cachorro grande da aldeia ou do castelo. O trio de uivos que soaram perto não reforçou sua suposição. Ela apertou suas mãos no galho até que as pontas de seus dedos estavam entorpecidas e esperava para ver o que o lobo faria. Rezou para que fosse um solitário lobo, mas pelos uivos que ouviu, presumiu que era parte de um bando.
O lobo caminhou adiante corajosamente, com seu rabo assobiando tão entusiasticamente quanto um de seus primos familiarizados. Seus olhos cintilavam vermelhos ao luar, seu pêlo parecia ser da cor de canela-vermelha. Saliva brilhada em seu focinho, e como parou menos que um metro longe, não existia mal entendido, era definitivamente um lobo, não um cachorro.
Ela choramingou baixo em sua garganta quando o lobo trancou seus dentes em um grunhido. Anca agitou sua cabeça, perguntando-se se imaginou o ávido, quase brincalhão tom em seu grunhido. De alguma maneira, ela duvidou que fosse um jogo que ela apreciaria se o lobo estivesse brincando.
O lobo se moveu muito depressa e ela apenas teve tempo de balançar o galho. Em um segundo, estava na frente dela e no próximo, pulou no ar. Anca o viu acelerar em direção a seu rosto, e levantou o galho.
Mas foi muito devagar. Pouca força, ela pensou para si mesma quando o galho acertou com um som surdo a pata de frente do lobo. Ele uivou com dor, mas apenas diminuiu a velocidade de seu salto. Anca tentou se manter no lugar quando o animal colidiu com ela e a mandou ao chão.
A realidade de ser confrontada por um conjunto de presas mortais era pior que qualquer coisa que imaginou durante o tempo que esperou por alguém para levá-la de volta para Castelo Draganescu. O lobo estava a polegadas de seu rosto, e Anca tentou manter o lobo para trás ou afastá-lo.
O lobo dava dentadas nela, e sua respiração morna passava acima dela. Anca estava desconcertada, pois o hálito do lobo cheirava a hortelã. Não devia emitir cheiro forte da morte e sangue?
Ela empurrou de lado o frívolo pensamento e concentrou-se em tentar afastar o lobo. Ela chorou quando o lobo empurrou-se pra frente. Antes dela poder rolar para o lado ou empurrá-lo para longe, as presas do lobo afundaram em seu ombro.
Com um grunhido baixo, o lobo rasgou a parte carnosa de seu ombro. Anca gritou com agonia quando as bordas da ferida irregular friccionaram quando o lobo desistiu.
Ela soube que ele não terminou seu ataque. Piscou de volta uma onda de negridão que desceu acima de seus olhos e tentou adivinhar o que o lobo faria agora. Ele tinha tentado acertar seu pescoço, mas errou - ela não teve nenhuma dúvida sobre isto. Seguramente tentaria novamente. Por que ele estava hesitando?
Ela procurava em seu cérebro uma maneira de lutar com o lobo, enquanto continuava a empurrar contra seu corpo com toda sua força quando ouviu um som temido: os grunhidos malignos a cercaram. Ela olhou brevemente acima do ombro do lobo a alfinetando para o chão e não pode conter um pequeno grito.
Quatro lobos se aproximavam em um meio-círculo. Um dos lobos - o com pelo mais escuro - era volumoso, com ombros largos, presas mortais e um rosnado ameaçador que fez seu estômago virar com enjôo. Os outros pareceram quase insignificantes, mas ela não falhou em notar o marrom claro ou o marrom escuro.
Anca congelou quando seu olhar deslizou acima do lobo branco prateado. Existia algo... familiar em seus olhos. Ela fez uma careta, temporariamente esquecendo o lobo deitado em cima dela, tentando rasgar sua garganta. Ela parecia não conseguir tirar o olhar do lobo prata.
Um protesto do lobo que a apertava ao chão chamou a atenção de Anca e ela não podia acreditar que esqueceu suas circunstâncias. Não tinha nenhuma chance contra um bando de lobos e com seu sangue fluindo, seguramente eles estavam em um frenesi.
Ainda, existia uma calma sinistra nos quatro lobos estando perto. Cada par de seus olhos estavam no lobo que a alfinetava abaixo. Anca não podia acreditar quando aquele lobo foi para longe, com o rabo entre as pernas. Para seu choque, cada um dos lobos virou para enfrentar o lobo que estava indo embora, em vez de enfocar em Anca.
No que pareceu um comando, o lobo de prata olhou para o lobo marrom escuro e apontou na direção do lobo avermelhado. Sem um olhar em sua direção, o marrom escuro partiu em disparada. O lobo avermelhado pareceu perceber que estava em perigo porque girou e correu pelo campo, mergulhando na floresta com pequena consideração para cautela. O lobo marrom escuro permaneceu em perseguição.
Anca sentou, perguntando-se se poderia escalar uma árvore antes dos lobos lembrarem de que ela estava lá. Seu coração caiu para o estômago quando o lobo prata girou para olhá-la novamente. Seu olhar era intenso quando a estudou e então girou para o lobo marrom claro. Quando ele fez um som baixo, o lobo marrom claro trotou trilha abaixo.
Ela mordeu de volta um grito quando o lobo volumoso e o lobo prata se aproximaram. Levou um momento para perceber que a postura deles era quase submissa, e não pareceram ter a mesma aura de ameaça quando o primeiro lobo a atacou. Ela quase não estava surpresa quando o lobo prata deitou sobre a barriga e escorregou em direção a ela.
Ela ainda retirou seus pés, apertando seus joelhos em seu estômago, quando o lobo prata cheirou seu tênis. Ela choramingou quando o lobo escuro estatelou ao lado dela, entretanto não próximo o suficiente para tocá-la. Só o lobo prata pareceu tão corajoso em iniciar contato. Ele deitou sua cabeça em seu joelho e suavemente lamentou.
Ela sentiu como se outra pessoa controlasse sua mão quando acariciou a pele sedosa do lobo. Ele balançou sua cabeça na direção de sua mão, apertando suas orelhas mais firmemente contra seus dedos.
A explicação de repente se apresentou. Seu pai devia ter prática em manter lobos domesticados como animais de estimação. Aparentemente, estes lobos tinham sido parte do esforço para achá-la. Ela brevemente perguntou-se como eles a reconheceram, mas pensou que o processo era o mesmo que para sabujos usados pela polícia e serviços de salvamento. Os lobos devem ter cheirado algo contendo seu cheiro.
Ela sentiu um vislumbre de medo quando o lobo se apertou mais próximo a seu corpo e cheirou seu ferimento. Anca endureceu quando sua língua lambeu o ferimento aberto. Ela se afastou e teve a desconcertante sensação de que o lobo estava a repreendendo com seu olhar.
Ela cobriu o ferimento com a mão para esconder do lobo. Domesticado ou não, ela pensou que sangue poderia ser tentação demais para um lobo, e não pretendia ser jantar para este aqui, depois de estreitamente escapar daquele destino com o primeiro.
Com os minutos se passando, os olhos de Anca ficaram mais pesados. Ela experimentou uma sensação flutuante estranha e não soube se era pela perda de sangue ou qualquer outra coisa. Um estranho pensamento passou através dela - que ela estava compartilhando seu corpo com outra presença. Esta presença não era intrusa, mas era afinado em seus pensamentos, medos, e por um vínculo tênue.
Ela tentou lutar contra o desejo de dormir, não completamente confiante em seus lobos companheiros, mas era incapaz de manter seus olhos abertos. Uma onda de esgotamento precipitou-se e deitou de costas sem lembrar-se de se esticar. Ela bocejou e examinou o lobo prateado, como se aconchegou a ela, fornecendo calor e conforto. O lobo volumoso se curvou contra ela oferecendo calor adicional. Apesar de seus melhores esforços para resistir, ela estava logo adormecida.

Capítulo 9

Anca estava ciente do toque fresco de um pano em sua testa e dos sussurros calmantes de uma mulher próxima a sua orelha. Abriu seus olhos, mas tudo que viu foi um redemoinho de cores brilhantes que não formavam um padrão coerente. Sua respiração era rouca e tremores agitaram seu corpo. Sentiu como se seus ombros estivessem queimando e a sensação estava espalhando abaixo de seu braço e em seu tórax.
? Calma, ? era a voz de Demi, seguido pelo toque de sua mão em sua sobrancelha. ? Permaneça calma, minha dragostia. Deixe Ylenia trabalhar.
Ela choramingou com medo, incapaz de encontrar a habilidade de falar. Ela se sentiu... estranha. Sua cabeça era tão leve quanto teria sido se estivesse cheia com hélio. O fogo de seu ferimento continuando a espalhar, alternando entre em chamas e frio-glacial.
? Beba isto. ? disse uma voz grossa feminina em densamente acentuado inglês.
Ela sentiu a extremidade de uma xícara colocada contra seus lábios e os separou. Uma bebida fermentada de gosto forte encheu sua boca e ela sufocou.
? Engula. ? a mulher insistida. ? Você deve descansar.
Anca conseguiu engolir alguns goles, mas seu estômago se revirava com enjôo, fazendo-a ficar com medo de tentar beber mais. Ela conseguiu dar um aceno fraco e alguém retirou a xícara. Uma névoa tão espessa quanto melaço descia nela e a sensação de cabeça leve mudou para uma de peso. Seu corpo entorpeceu, bloqueando a dor do ferimento e suas pálpebras se fecharam.
? Ela está dormindo? - Demi perguntou.
Ela ouviu a mesma mulher responder, entretanto as palavras soaram torcidas.
? É mais como um estado de crepúsculo, Nicodemus.
? Parará a mudança?
A sobrancelha de Anca se enrugou e ela separou seus lábios para falar. Achou sua boca muito dormente para formar palavras.
? Eu não sei. Eu nunca tentei parar o processo antes. Nosso povo sempre escolheu consumir o sangue do bando.
Existia uma nota de angústia na voz de Demi.
? Você tem que fazer algo para parar isto. Ela não teve a chance de decidir. Muito será imposto a ela...
? Calma. ? a mulher ternamente disse. ? Eu farei meu melhor, mas não sei como parar isto. Eu nunca ouvi falar de ninguém, com sucesso, interromper uma transformação.
? Não é justo para Anca.
Ela quis perguntar o que não era justo, mas ainda não podia falar. A conversa fluiu ao redor dela, com algumas palavras fazendo sentido, enquanto outras pareciam estranhas. Ela não soube se eles mudavam entre Corsovan e inglês, ou se ela só não conseguia acompanhar.
? A maior parte do nosso povo escolhe ter a habilidade de se transformar. Seguramente, ela teria feito isso. Não é tão ruim.
Demi fez um som baixo.
? Nós veremos o quão ruim é mais tarde, se ela se transformar e viver. – Seu tom tornou-se gélido. ? Nikia devia morrer pelo que fez hoje.
Seu tom severo de voz e as palavras muito mais severas chamaram a atenção de Anca.
A mulher suspirou.
? Valdemeer não fará isto.
? Então eu farei! – Demi rosnou vigorosamente.
? Você não a prejudicaria, não importa o que ela fez. Sua alma é muito gentil.
Anca tentou forçar seus olhos para se abrirem e manter sua mente em suas palavras, sentindo que a conversação estava realmente acontecendo e não era só um produto de sua mente febril. Pareceu importante ouvir cada palavra.
? Esta é minha companheira, Ylenia. Ela podia ter morrido. Ela mais certamente receberá a habilidade de transformar em lobo, e isso podia a matar na primeira vez. Minha alma pode ser gentil, ? ele disse severamente ? mas eu estou me sentindo qualquer coisa menos gentil agora mesmo.
? Eu entendo ? Ylenia suavemente disse, ? mas agora, deixe seus pensamentos em Anca a ajudando, não consumida com vingança.
? Como eu a ajudo?
Anca apreciou sua oferta sem hesitação, e tentou o agradecer. Novamente, ela achou sua boca congelada.
? Seu sangue ajudará o ferimento a curar.
? Como? Ela não viveu como um de nós.
? Seu corpo saberá o que fazer. ? Ylenia interrompeu. ? Ela não é separada de nosso estilo de vida por gerações. Ela facilmente se adaptará a nosso modo de vida, quando o tempo chegar.
Anca sentiu alguém levantando-a em uma posição semi-sentada e sua cabeça virada. Bílis subiu em sua garganta e quem a sustentava deve ter percebido que ela ia vomitar, porque eles apertaram seu rosto em uma vasilha de cerâmica antes de ela perder o conteúdo de seu estômago.
Ela conseguiu fazer um som pequeno de angústia quando era aliviada longe da vasilha, mas segura em posição sentada. A mordida de um lobo fez tanto dano? Ela estava em um hospital? Eles tinham hospitais em Corsova?
As perguntas voaram por sua mente quando alguém apertou a palma contra sua boca. Ela reconheceu o cheiro de Demi por passar a noite com ele. As extremidades de sua boca diminuíram em uma carranca fraca quando sentiu algo morno e pegajoso fluindo sobre seus lábios.
? Beba ? ele disse. Sua mão não moveu.
Quando a língua de Anca deslizou por seus dentes, ela tentou puxar de volta. Ele realmente não quis que ela bebesse sangue, não é? Seu sangue, especificamente. Que tipo de charlatanismo os doutores aqui usavam? Tentou protestar, mas ao invés, lambeu o sangue de seu ferimento.
Ela almejou mais. O instinto pareceu assumir o comando, e ela estava logo chupando de sua mão, atraindo o sangue tão rápido quanto fluiu, fazendo sons impacientes quando diminuiu a velocidade para uma gota.
? Isto é suficiente. ? Ylenia disse.
Anca choramingou quando ele retirou sua mão e aliviou suas costas sobre a cama. Uma vez mais, a letargia precipitou-se sobre ela, e lutou contra a compulsão das suas pálpebras por fecharem-se. Ela quis exigir respostas para o que estava acontecendo com ela, mas estava muito fraca. Até agora, ela perguntou-se como achou a força para fazer o que eles pediam.
Para beber seu sangue, uma voz minúscula sussurrou atrás de sua mente. Em lugar de repulsa, o pensamento a fez tremer com excitação, e ansiou por mais. Foi uma bênção quando seus olhos fecharam e pode escapar da realidade de apreciar consumir sangue.


* * * * *

Demi andou até a janela e olhou a lua antes de virar e fazer outra volta ao redor da cama de Anca. Ele brevemente parou para tocar em sua perna e estremeceu com o calor. Algo mais intenso que uma febre saqueou seu corpo, e ele se sentiu impotente, sabendo que não podia fazer nada para ajudá-la.
Ylenia foi dormir, deixando Demi para monitorar. Ele quis protestar sobre ela partir, mas soube que se Ylenia não podia parar a transformação, ela não podia ajudar Anca se seu corpo tentava rejeitar o processo. Ele podia só esperar que sua companheira fosse forte o suficiente para suportar a mudança.
Se alguém sobrevivesse à primeira transformação depois da mordida de um lobisomem, seu corpo podia lidar com a mudança. Se Anca houvesse sido criada nos costumes antigos, ele teria tido pouco medo de ela não sobreviver a sua primeira transformação.
Porém, como ela viveu como um humano toda sua vida, ele soube que ela era mais vulnerável e corria risco maior de morrer. Os humanos eram delicados, e metades deles eram incapazes de resistir à mudança. E como ela estava debilitada pela mordida de Nikia que não curou completamente, seria mais provável que seu corpo rejeitasse a transformação e causasse a sua morte.
Suas mãos se fecharam em punhos quando imaginou o prazer de firmar suas mãos ao redor do pescoço de Nikia. Ele estava contente pelos guardas estarem mantendo-a presa em seu quarto, pois eles a mantinham fora de seu alcance. Naquele momento, não podia imaginar nenhum prazer maior que matá-la, mas lutou contra o desejo. Ele se recusou a trair seu rei, e violar ordens do Valdemeer para não prejudicar Nikia, pois se o fizesse seria virar suas costas para Valdemeer, Corsova, e seu papel em seu futuro.
Como o velho homem podia ser tão cego?
Ele tentou afastar o pensamento desleal, sabendo que as emoções contraditórias do Valdemeer de culpabilidade e ódio para sua filha tornou impossível para ele lidar com ela sem preconceito.
Seus pensamentos foram de Nikia para Anca quando ela emitiu um gemido fraco. Ela afastou os cobertores e um brilho de suor cobria seu corpo desnudo. Ele não podia evitar uma pontada de excitação à vista de sua beleza, mas não permitiu que interferisse com seus cuidados com ela.
Ele se ajoelhou na cama e tocou em sua testa. Sua pele queimava ao toque. Quando acariciou sua bochecha, sentiu pêlos nascendo em sua pele. A transformação começou. Ela fez outro som baixo em sua garganta e emergiu como um uivo abortado.
Ele segurou sua mão quando pele marrom escura cresceu acima de seu corpo. Quando sua mão começou a tomar a forma de uma pata, ele moveu-se e tirou suas próprias roupas. Ele esperou até que ela estava gritando e contorcendo-se de dor, e quando ela se tornou um lobo de tamanho médio se aproximou novamente da cama.
Ela estava respirando fortemente e sua língua refestelada fora de sua boca, mas seus olhos marrons estavam alerta e interrogativos. Ele manteve contato visual enquanto se transformava em lobo. Ele viu suas pupilas dilatarem com choque. Ela agitou sua cabeça e então congelou, parecendo perceber que não estava em forma humana.
Está tudo bem, ele disse a ela, usando sua mente. Perguntou-se se ela seria capaz de se comunicar com ele, desde que seus poderes mentais eram fracos por anos vivendo como um humano.
Ela piscou e seus olhos se estreitaram, mas não respondeu.
Venha comigo.
Depois de uma vacilação breve, ela levantou nas quatro patas e desceu cuidadosamente da cama. Se sacudiu e seu pelo se agitou. Ela virou sua cabeça para examinar seu corpo.
Você se ajustará a sua forma logo. De fato, pode ser libertador correr pela floresta sem qualquer preocupação, exceto pegar sua próxima refeição.
Ele sentiu um vislumbre de um pensamento vir dela, mas ela não podia transmiti-los.
Concentre-se no que você quer dizer para mim. Meu sangue atravessa suas veias, dando a você a força para se comunicar. Mais que isto, nós estamos unidos. Você pode falar comigo mais facilmente que para qualquer outro. Naturalmente acontecerá, se você deixar.
Ela olhou para ele e pareceu estar se concentrando. Depois de vários segundos, os pensamentos ficaram claros.
O que está acontecendo?
A mordida de Nikia mudou você.
Mudou? Como?
Corsova é um abrigo para muitos que não se encaixariam com humanos. Um dos laços que nosso povo formou ao longo dos séculos é com lobisomens. Nosso sangue dá a eles vida prolongada e consumindo seu sangue uma vez só, permite a transformação em um lobo para o resto de nossas vidas. A maior parte de nosso povo passa pela cerimônia em sua adolescência, pois nossos corpos são mais adaptáveis então.
Seu rabo inclinou e suas orelhas caíram contra seu crânio. Seus olhos pareciam vítreos e ela pareceu estar tendo dificuldade em absorver o que ele estava dizendo. A pergunta que ela fez surpreendeu a ele.
Eu pensei que tinha que ter uma lua cheia.
Ela estava definitivamente subjugada, ele decidiu, para perguntar sobre algo tão incoerente naquele momento.
Vamos caminhar, ele sugeriu. Uma vez que ela caiu em passo ao lado dele, ele tentou explicar a transformação. Transformar-se em um lobo não é dependente do tempo do mês ou fase da lua. Quando você ganha controle da habilidade poderá transformar-se à vontade. Só nos primeiros meses que a transformação pode ser impossível de predizer. Uma vez que seu corpo se adapta e ele evidentemente irá, desde que sobreviveu à mudança inicial, você poderá deslizar dentro e fora da forma de lobo com facilidade.
Você é insano. A pausa seguiu e eles saíram do castelo em silencio. Pessoas não se tornam lobos.
A risada de Demi emergiu como um gutural choro.
Nós podemos. Venha, vamos correr. Seu ombro curou bem com meu sangue e a transformação. Você pode me acompanhar.
Ele disparou em uma corrida, olhando atrás dele para ter certeza que ela o acompanhou. Em seu estado emocional atual, pareceu prudente distraí-la de suas preocupações e fardos. Esperou que ela se perdesse na liberdade da corrida e temporariamente esquecesse suas perguntas sobre o que aconteceu.
Mas se ela não corresse com ele, não a deixaria só. Ele não sabia se seria provável ela tentar algo drástico se ficasse sozinha. Ele ouviu falar de só algumas instâncias onde alguém foi mudado sem seu consentimento e o processo normalmente os deixou loucos. Eles acabaram como um perigo para eles mesmos ou outros.
Ela hesitou antes de finalmente disparar em uma corrida. Quando alcançou seu lado, Demi aumentou seu passo e ela emparelhou. Logo, eles estavam correndo pelos campos e floresta. Ele estava tentando escapar de sua ira com Nikia e ela tentava escapar de seus pensamentos.


* * * * *

Mais tarde, muito depois de perder a noção do tempo, eles pararam de correr. Anca arquejou fortemente, desconcertada pela sensação de sua língua que rolava fora de sua boca. Todos os músculos em seu corpo doíam, mas era a picada deliciosa de esforço, não a dor que ela previamente experimentou da mordida de Nikia.
Sua visão estava mais afiada do que imaginou possível. Ela podia ver uma coruja empoleirada em uma árvore claramente como se fosse à luz do dia, podia ver as manchas em suas asas e as penas minúsculas em seu pescoço.
Podia cheirar tudo tão vivamente que a sensação adquiriu textura. Ela sentia o cheiro das flores levado pela brisa, sentia o rastro de fezes de cervos flutuando para ela, e alcançar para Demi, cuja estimulação sexual fez seu nariz tremer.
Combinava com a dela. Ela perguntou-se como podia doer para ter seu pênis dentro dela enquanto o peso terrível dos eventos da noite surreal enchia sua mente. Naquele momento, ela teve um desejo mais urgente por Demi que por uma explicação lógica de por que ela estava examinando a floresta em corpo de lobo.
Seguramente, era tudo um sonho. Ela lançou seus olhos ao lado para visualizar Demi que se espreguiçou no chão. Suas laterais levantavam com esgotamento e sua língua refestelava fora de sua boca. Ele pareceu com nada além de um grande e afável cachorro.
Se ela já estivesse pensando nisso antes, teria suposto que o modo de pensar de alguém mudava quando eles se tornavam um lobisomem, mas ela estava descobrindo que não. Ela estava quieta, e cada um de seus pensamentos era seu próprio. Ela não era dirigida por um desejo selvagem e sem sentido de copular e caçar. Sua paixão corria mais fundo que isto, motivada por memórias do quão tenro ele tinha sido com ela na noite anterior. Ela quis sentir isto novamente.
Cuidadosamente se deitou, não ainda acostumada com a mudança em sua anatomia. Ela julgou mal onde planejou deitar e acabou tendo que rastejar em direção a Demi em sua barriga. A submissão no gesto não era perdida nela, mas achou isto sensual, não humilhante. Demi era o macho Alfa requintado agora.
Quando estava deitada ao lado dele, Anca cutucou sua cabeça com seu nariz, perguntando-se se ela estava mostrando afeto ou o divertindo. Uma imagem breve dela fazendo tais coisas em sua forma de humano a fez querer dar uma risadinha e se encolher com embaraço.
Ele pôs a pata na sua e esfregou o focinho contra o seu. Ele baixou a cabeça mais abaixo e cutucou o pendente ainda em seu pescoço.
Ela estava tão acostumada a ele que não percebeu que o estava usando quando se transformou. Descia baixo em seu tórax, e ela de repente estava apavorada de perder.
Demi rolou contra ela, beliscando ligeiramente no ombro. Anca respondeu batendo sua pata contra seu lado. Ele fez um som baixo, em algum lugar entre um grunhido e um ronronar e ergueu sua cabeça para lamber sua orelha.
Ela se arrepiou com a sensação, achando-a tão deliciosa quanto em sua forma humana. Seu corpo doeu de desejo e sua inabilidade de fazer amor com ele a deixava frustrada.
Nós podemos fazer amor, ele contradisse.
Ela olhou para ele descrente.
Como?
Nós podemos acasalar como lobos.
Não!
Algo que soou como uma risada gorgolejou de sua garganta.
Eu ia dizer, nós podíamos fazer isto, mas eu nunca tentei. Eu iria sugerir que nós mudemos de volta.
Eu pensei que ficaria assim até amanhecer.
Não. Se concentre em mudar e você irá.
Ela fechou os olhos, tentando recuperar sua forma humana. Sentiu uma mudança em seu corpo, mas quando abriu seus olhos estava ainda coberta com pele, entretanto seu focinho desapareceu.
? Sexy. ? ele provocou quando se transformou. ? Metade-mulher e metade-lobo. Interessante.
Ela fez uma careta para ele, entretanto não soube se sua configuração atual permitiu que ele visse o choque de sua expressão brava.
? É difícil. ? ela disse e saltou com surpresa no grunhido atado ao seu tom.
Ele movimentou a cabeça.
? Enfoque no retrato do seu corpo mudando de volta. Imagine cada célula formando sua forma original.
Ela fechou seus olhos e permitiu que ele a conduzisse pela transformação. Em uns minutos ela voltava a ser Anca - vestindo só o pendente de rubi e agachada em uma cama da grama e baía de rosa suave.
? Isto é o sonho mais real que eu já tive. ? ela sussurrou. ? Deve ser aquela bebida que Ylenia me deu se isso não foi parte do sonho.
Ele arqueou uma sobrancelha.
? Então, isso tudo é um sonho? – Ele estendeu suas mãos para cercar a floresta ao redor deles.
? Absolutamente. ? ela disse com convicção, precisando acreditar que era. ? Não pode ser qualquer outra coisa.
Ele permaneceu mudo o que provava de que isto era um sonho, seguramente.
Ela avançou para ele.
? Eu estou com fome, Demi.
? Eu podia pegar algo.
? Por você. – Ela ajuntou seus olhos acima de seu tórax nu. ? O que eu estou sonhando conosco é preferível ao que eu estou sem nenhuma dúvida realmente fazendo.
? O quê?
? Eu estou queimando totalmente com febre e debulhando na cama. Você está provavelmente lá para me acalmar, que é como você rastejou em meus sonhos. ? Ela se debruçou mais pertos, até que seus lábios quase tocaram os dele. ? Não é nenhum mistério por que eu estou sonhando que sou um lobisomem. Ser mordida por um lobo obviamente influenciou meu subconsciente. ? Sua sobrancelha franziu. ? Entretanto pergunto-me por que eu lancei Nikia como a vilã neste pequeno melodrama.
? Você é perceptiva. ? ele disse de modo plano. ? Escute Anca...
Ela sentiu que ele estava para dispersar a teoria do sonho, então avançou para fechar a distância restante entre eles. Seus seios nus apertados contra seu tórax ligeiramente peludo quando ela se aproximou mais. Ela tocou em seus lábios para silenciá-lo. Ela estava desprevenida para a punhalada exigente de sua língua contra sua boca quando empurrou sua passagem para examinar suas profundidades.
Anca estremeceu quando suas línguas se tocaram. Ele era gentil, mas existia uma ponta de aspereza em seu toque.
A combinação a estava divertindo. Ela puxou contra ele, abrindo sua boca mais larga e sacudindo a ponta de sua língua contra a lateral da dele.
Demi puxou de volta ligeiramente, respirando fortemente.
? Nós devemos conversar.
Ela colocou dois dedos em seus lábios.
? Shh. – Ela substituiu seus dedos por seus lábios, suavizando sua boca para ajustar aos seus contornos. Ela sacudiu sua língua através de seu lábio inferior, e seu corpo estremeceu. Inclinou seu pescoço para trás e se afastou o suficiente para encontrar seus olhos. ? Eu não quero conversar.
Ele fez som de um rosnar e enrolou a mão em seu cabelo.
? Você parece tão tentadora no luar. A prata dá a sua pele um brilho perolado.
Ela passou seu dedo ao redor de seu mamilo e então correu suas unhas por seu cabelo, passando pelo lado de seu seio.
? Você me quer Demi?
? Claro.
? Eu quero você também. – Ela agitou sua cabeça, enviando ondas de cabelo despenteado marrom escuro ao redor de seu rosto. ? Eu não quero pensar sobre qualquer coisa. Eu não sinto vontade de conversar agora. Eu só quero sentir... Você dentro de mim, para começar.
Ele hesitou aparentemente dividido entre a necessidade de falar e sua necessidade por ela.
Anca prendeu a respiração, esperando-o decidir. Ela soltou um suspiro duro quando ele a esmagou contra ele em um abraço apertado e praticamente bateu a boca contra a sua. A selvageria de suas emoções a excitou, e avidamente retornou seus beijos.
Sua mão deslizou de seu tórax para arrastar abaixo de seu estômago. Ela parou de acariciar a pele suave de seu estômago plano antes de se aventurar mais abaixo. Um crescimento mais denso de cachos cobria seu pênis, e ela passou a mão entre eles antes de agarrar seu pênis. Ele congelou quando ela circulou a cabeça e suavemente apertou. Ele estava duro e pulsando.
A umidade empoçou entre suas coxas enquanto seu corpo deu sinais de que estava preparada para ele.
? Eu nunca encontrei qualquer um que me despertasse tão depressa. ? ela disse depois que quebrou o beijo. Ela retraiu uma respiração funda e recuperou uma medida de controle. ? Apenas o pensamento de fazer amor com você me deixa quente.
Ele pareceu contente por seu comentário.
? É o mesmo para mim. Até a semana passada, eu não vi você exceto em uma fotografia desbotada que sua mãe enviou anos atrás, mas eu sonhei com você toda noite. Eu fantasiei sobre tocar cada polegada do seu corpo.
? E ser tocado? – Anca perguntou a um gutural ronronar e apertou seu pênis novamente.
? Oh, sim. Às vezes eu pensei que enlouqueceria com a necessidade de segurar você. A espera parecia interminável, mas eu podia aliviar alguma da frustração imaginando o quão bom você se sentiria quando nós estivéssemos finalmente juntos. – Ele tomou sua bochecha em sua mão e com a outra mão acariciou e separou as mechas de seu cabelo.
Um dardo de ciúme a surpreendeu.
? Eu estou certa de que outras mulheres forneciam alívio temporário. ? ela disse em um tom cortante. Ela estremeceu em sua reação, novamente surpresa. Ela sempre subscreveu para a regra de deixar relações passadas no passado. Desconcertou-a ter ciúmes de outras mulheres com quem ele se relacionou.
Demi agitou sua cabeça.
? Não existiu nenhuma outra, minha dragostia. – Ele orgulhosamente falou, sem um rastro de embaraço, como alguns homens poderiam ter exibido com tal revelação.
Ela piscou certa de não ter entendido.
? Eu sinto muito... O que?
? Eu nunca toquei em outra mulher. – Ele soltou a mão de sua bochecha para tocar em seu tórax, batendo seu dedo ligeiramente acima de seu coração. ? Sempre esteve aqui e em minha mente, guiando minhas escolhas.
Ela engoliu sua testa franzida com confusão.
? Eu não entendo. Você disse que não me viu, exceto em um retrato velho. Como pode ser?
Demi encolheu os ombros.
? Meu coração sempre conheceu você. Você é minha companheira, Anca. A escolha para consumar nossa união foi sempre sua, mas nunca houve um tempo em que eu não amei você.
Anca agitou sua cabeça.
? Isso não faz qualquer sentido. Você está dizendo que é virgem?
Ele assentiu com a cabeça.
? Eu era até ontem à noite.
Ela se sobressaltou, tendo temporariamente esquecido sobre o amor após sua revelação.
? Então, você esperou por mim porque você soube que nós éramos destinados um ao outro, até sabendo que eu poderia rejeitar você? – Houve mais que uma pitada de incerteza em sua voz enquanto ela lutava para compreender o que ele estava dizendo.
Os cantos de sua boca se curvaram em um sorriso pequeno.
? Isto é certo. – Uma sombra cruzou seus olhos. ? Eu não espero que você tenha feito o mesmo. Você cresceu em um mundo diferente, não vivendo por nossos costumes.
Ela esfregou seus olhos.
? Você está dizendo que todo Corsovan se guarda para seu companheiro destinado?
Ele mordeu seu lábio.
? Não, não exatamente. Só alguns têm uma companheira. A tradição dita que o Protetor de Corsova deve ter um, então seu reinado será um fardo compartilhado.
Anca suspirou.
? Pule todo o papo sobre tradição, por favor. Eu estou ainda me recuperando do choque de sua inocência.
Ele fez uma careta.
? Por que isso choca você?
? Bem, você deve ter mais ou menos quarenta.
? Trinta e sete - ele inseriu.
? Como você podia ser inocente por tanto tempo? Não está na natureza de ninguém. Os homens que eu conheço morreriam se fossem virgens em sua idade. E você pode esquecer sobre algum deles abertamente admitir isto.
Demi encolheu os ombros.
? É aceito e encorajado em nosso país. Eu não sinto nenhuma vergonha na admissão. – Sua espinha endireitou. ? Eu estou orgulhoso por meu corpo conhecer só o seu.
Lágrimas faiscaram em seus olhos e ela piscou de volta. Um sentimento de culpa por não ter ficado pura mexeu em seu peito e ela empurrou isto. A tradição era arcaica, ela lembrou-se.
Uma centelha de diversão refletiu em seus olhos.
? Além disso, puro e inocente são duas coisas diferentes, Anca. Eu tive anos para aprender tudo que eu preciso saber para fazer nosso amor aprazível. Eu posso não ter experiência de campo, mas eu tenho o conhecimento.
Ela riu em suas palavras, aliviada por ele fazer esforço para aliviar a atmosfera.
? Eu suponho que você quer por suas mãos em mim, hum?
Demi pôs a mão em sua coxa e suavemente apertou.
? Sim. – Ele deslizou sua mão mais ao alto, até que seus dedos tocaram contra sua vagina. ? Você se abrirá para mim?
Anca se sentiu encantada quando separou suas coxas e deitou na grama molhada pelo orvalho. Ela mal podia compreender o que Demi disse a ela. Como ele podia ter sido um virgem até a noite passada? Ela agitou sua cabeça maravilhada quando seu dedo sondou sua vagina e roçou acima de seu clitóris. Ele certamente estudou mesmo para saber, ela pensou com um meio-sorriso.
Separou suas coxas ainda mais para permitir sua mão cobrir sua vagina. Ele girou sua palma em um movimento lento, circular e trouxe sua outra mão para separar suas dobras. Sua respiração passava por seus dentes enquanto ele empurrava um dedo dentro de sua vagina. Seu dedo polegar circulou seu clitóris, apertando suavemente a tempo com o ritmo de seu dedo empurrando dentro e fora dela.
Anca ergueu sua cabeça para olhar para ele. Ele ajoelhou entre suas coxas separadas, tentando satisfazê-la. Ela esticou seu braço para correr seus dedos abaixo do seu antebraço.
? Você está muito longe, ? ela reclamou com um sorriso.
Demi olhou em cima e um sorriso curvou através de sua boca.
? Eu posso ficar muito mais perto, dragostia, se for seu desejo.
Ela assentiu com a cabeça, esperando ele estar ao lado dela. Em vez disso, ele deitou de bruços e pôs a boca em seu estômago. Sua respiração quente em seu umbigo causou um aperto em sua vagina, e uma corrente líquida de estimulação acompanhou. Ela instintivamente curvou seus quadris quando sua boca deslizou mais abaixo.
Demi esfregou sua bochecha contra seus lábios lisos.
? Você sempre mantém sua vagina nua?
? Eu tento. – Ela mordeu seu lábio quando sua língua serpenteou para lamber seus lábios inchados. ? Oh, Deus, Demi. ? ela disse com um gemido.
? Isso agrada você? – Sua voz era um sussurro contra sua pele sensível, fazendo seus nervos formigarem com consciência.
? Sim. – Anca conseguiu se concentrar o suficiente para fornecer uma resposta simples. ? Mais.
Demi concordou com seu pedido. Uma de suas mãos deslizou em sua vagina para apertar sua coxa, mas a outra separou mais seus lábios. Segundos mais tarde, a carícia morna de sua respiração contra seu clitóris causou em seu corpo inteiro um espasmo de prazer. Anca empurrou em cima seus quadris, exigindo sem palavras que ele a tocasse com sua boca.
Ele beliscou seu clitóris suavemente, mas não demorou. Ao invés disso sua língua varreu um caminho abaixo em seu clitóris para sondar sua abertura. Seu nariz tocou contra seu clitóris e ele inalou. Sua respiração a fez tremer com necessidade.
Anca se contorceu quando sua língua úmida disparou dentro dela. Gemeu em voz alta quando ele sacudiu sua língua depressa, rasamente varrendo as paredes internas de sua vagina. Ela colocou a mão em seu cabelo.
? Onde você aprendeu isto? – Sua voz estava rouca com paixão, e ela arquejava.
Ele não respondeu. Ao invés empurrou a coxa que ele segurou mais larga e se enterrou mais fundo nela. Sua língua foi bem no fundo e a acariciou lentamente. A mão mantendo-a aberta se moveu e seu dedo polegar circulou ao redor de seu clitóris, mas não tocou o broto sensível.
Ela choramingou na tortura deliciosa que ele infligiu. Sua respiração entrecortada, e ela podia sentir seu ventre apertando, preparando-se para gozar. Ela tentou empurrar contra ele, mas se achou ancorada por sua firme mão em sua coxa.
? Por favor.
Ele riu e as vibrações precipitaram-se em sua vagina, ativando convulsões pequenas. Anca podia sentir as paredes de sua vagina se contraindo ao redor da língua quando ele aplicou mais pressão e entrou muito mais fundo. Ela gemeu quando ele deslizou seu dedo polegar através de seu clitóris e o circulou. Ele apertou ligeiramente e sacudiu sua língua dentro dela, fazendo sua estimulação inundar sua boca e sua vagina contrair com seu orgasmo.
Ela apertou a mão em seu cabelo quando seu corpo agitou em ondas de satisfação. Sua língua continuava a acariciar enquanto ela contraía ao redor dele, e clamou com o prazer intensificado, fazendo sua vagina contrair mais violentamente. Seus mamilos doíam e seu estômago tremeu. Ela arqueou seus quadris freneticamente contra ele quando alcançou um crescendo.
Lentamente, seu orgasmo dissipou, deixando-a fraca e respirando fortemente. Ela ficou ciente de estar segurando o cabelo dele e soltou sua mão. Ele ergueu sua cabeça, e sua boca brilhava com a prova de seu prazer. Sua mão tremia quando o puxou. Ele deitou seu corpo suavemente em cima dela e descansou sua cabeça entre seus seios.
? Seu coração está batendo forte.
? Hum, hum, ? ela conseguiu dizer. Quando ele ligeiramente se moveu, seu pênis duro tocou contra sua coxa, e ela abriu mais as pernas. ? Vamos fazer o seu coração bater mais forte, ? ela disse em tom provocante.
Ele hesitou.
? Eu não tenho nenhuma proteção.
Anca fez um cálculo mental rápido.
? Bem, deve ser um tempo seguro do mês, e obviamente você está em boa saúde desde, bem, sabe... E eu também de acordo com o último teste, alguns meses atrás. Eu não tive nenhum amante por alguns anos, até você. Podemos fazer amor.
Novamente, Demi hesitou e então agitou sua cabeça.
? Não. Nós não podemos arriscar engravidá-la.
Uma imagem de segurar sua criança relampejou por sua mente, e ela tinha a substância de uma visão, não as ilusões de sua imaginação. Uma onda de sentimento materno a surpreendeu.
? Nosso bebê.
? Não é hora, ? ele interrompeu quando tocou sua testa contra a dela. ? Em algum dia, sim, mas agora mesmo seria muito arriscado, com o... – Demi se interrompeu bruscamente.
Ela mordeu seu lábio, considerando a sugestão que pairava na ponta de sua língua. Ela sempre tinha sido curiosa sobre isto. Iria ele querer...?
Os olhos de Demi se alargaram com surpresa e ele ergueu sua cabeça para olhar fixamente em seus olhos.
? Você estaria disposta a tentar tal coisa?
Anca encolheu os ombros e evitou responder perguntando.
? Você sempre estará cutucando em minha mente?
Ele riu.
? Não. É uma reação da nossa intimidade e as experiências compartilhadas hoje à noite. Seus poderes telepáticos aumentaram nas últimas horas. Você não pode sentir isto?
Ela fechou seus olhos e se concentrou. Logo, ela sentiu uma onda de poder e soube que ele estava certo. Ela ganhou força mental desde sua transformação. Perguntou-se se suas visões seriam mais confiáveis e mais afiadas no futuro. Demi interrompeu sua especulação.
? Você quer que eu faça amor com você assim?
De alguma maneira, era mais fácil discutir a idéia com pensamentos, em lugar de palavras. Anca fechou seus olhos mais firmemente e enfocou em seus pensamentos.
Eu estou curiosa, mas assustada. Poderia machucar.
Eu estou certo de que irá, a princípio. Nós não temos que fazer qualquer coisa se você não estiver pronta. Nós podemos retornar ao castelo se você preferir. Eu tenho proteção em minhas câmaras.
Ela hesitou dividida entre a curiosidade e a precaução. A mente dele tocou a sua e sua excitação e maravilha transferiram para ela enquanto ele imaginava os dois unidos. Ela sentiu seu pênis contra sua coxa quando ele imaginou penetrá-la. O desejo dela ecoou o dele.
? Eu quero que você faça amor comigo. – Verbalizar o pedido deu-lhe mais impacto. Ela engoliu de volta seu medo quando Demi se debruçou de volta para ajoelhar entre suas pernas.
? Obrigado por confiar em mim. – Seu tom era quase reverente. ? Eu serei gentil. Se você quiser parar...
Ela movimentou a cabeça e forçou um sorriso, lembrando que milhões de casais praticavam sexo anal. Deve ser agradável para ter ganhado tantos seguidores, pois seguramente não existiam muitos masoquistas no mundo.
? Eu estudei a técnica. – Ele pegou suas coxas e a puxou mais alto sobre seu colo.
? Eu pensei sobre isto, mas eu nunca fiz antes. ? ela disse em uma voz vacilante. Seu sorriso estava um pouco nervoso, mas ela agarrou a ele quando Demi separou sua vagina e cobriu seus dedos com sua lubrificação natural. Ela prendeu sua respiração quando ele arrastou seu dedo até seu ânus e esfregou suavemente contra a abertura.
Suas carícias eram suaves e lentas, e ele frequentemente parou para molhar seus dedos. Anca relaxou debaixo da massagem gentil e quase não sentiu nada quando seu dedo entrou em seu ânus. Ele meneou seu dedo suavemente, e ela endureceu quando sentiu um lampejo de dor, acompanhada de uma agitação de prazer.
Ele deve ter sentido quando seus músculos relaxaram novamente, porque ele colocou um segundo dedo dentro dela depois de passá-lo em sua vagina para umedecer. Ele empurrava seus dedos cuidadosamente e Anca se contorceu. Existia uma pontada de desconforto, mas o prazer da sensação excedia. Era prazer da sensação física, ou mais do tabu implicado de fazer tal coisa? Ela não se preocupou em analisar isto.
Quando Demi retirou seus dedos enquanto sua outra mão sondou sua vagina, ela soube que ele estava para penetrá-la. Ela lutou para relaxar, sabendo que faria o processo mais fácil. Ele brincou com seu clitóris por um momento, fazendo-a se contorcer contra sua mão.
Alguns segundos se passaram quando ele não a tocou, e ela resistiu ao desejo de erguer sua cabeça para assistir ele se preparar. Ela enfocou na respiração para recapturar a excitação que havia experimentado. Apesar de sua preparação, ela endureceu quando ele ajustou sua posição e a cabeça de seu pênis descansava contra seu ânus.
? Não é muito tarde para mudar de idéia. – Seu tom era suave e ele parou de mover.
? Não, eu quero.
? Relaxe então, minha dragostia. – O dedo de Demi deslizou acima de seu clitóris em círculos suaves enquanto seu pênis apertava nela. Sua outra mão guiou seu pênis nela e ele continuou a tocar seu clitóris enquanto se movia pela sua passagem e entrou algumas polegadas.
Seu pênis era definitivamente diferente de seus dedos, ela pensou com um gesto aflito. Existia mais dor e uma sensação de abundância quase desconfortável. Se sua vagina não tivesse se contraído com os carinhos dele, ela poderia ter dito para parar naquele momento.
? Diga-me quando mover. ? Demi sussurrou. ? Você tem total controle. Se você quiser que eu tire, eu tiro imediatamente.
Ela assentiu com a cabeça, apertando suas pálpebras firmemente fechadas. Anca esperou pela dor passar, e passou pouco tempo depois. A sensação de abundância permanecia, mas estava começando a parecer bom. Junto com a maneira em que ele esfregou seu clitóris, a sensação intensificou sua estimulação.
? Você pode tentar empurrar.
Seus movimentos eram lentos e cuidadosos, e ele continuou a massagem em sua vagina. A primeira punhalada machucou mais que sua penetração inicial, mas cada punhalada subsequente trouxe mais prazer que dor. Ele manteve seu passo lento e esfregou seu clitóris, e falou palavras calmantes para ela em Corsovan.
Anca estava logo contorcendo com prazer, empurrando para cima contra seus dedos e apertando suas nádegas. Cada vez que fez isso, ela o ouviu grunhir. Quando abriu seus olhos, ela viu o suor molhando sua testa e seu rosto parecia vermelho ao luar. Era óbvio que seu controle era tênue, como era o dela.
Ela espalmou seus seios abandonados e esfregou os mamilos doloridos. Ele pareceu sentir sua urgência, porque suas punhaladas ficaram mais fundas e mais rápidas, e ele aplicou pressão para seus clitóris enquanto o acariciava entre seu dedo polegar e dedo indicador.
Seu orgasmo veio poucos segundos antes do dela, fazendo seu corpo endurecer quando seu pênis se contraiu. Quando ele gritou, sua voz intensificou o prazer dela. Anca curvou seus quadris em um ângulo afiado quando gozou. Ele seguiu os movimentos de seu corpo, enterrando seu pênis dentro dela e jorrando os últimos rastros de sua satisfação. Ele continuou a acariciar seu clitóris, mas seu ritmo diminuiu de velocidade quando seus sucos deixaram seus dedos lisos novamente.
Os espasmos rasgando seu corpo enfraqueceram, e ela sentiu seu pênis amolecer dentro de seu ânus. Ela estremeceu quando ele se retirou cuidadosamente, surpreendida por um pouco de dor após todo o prazer.
? Eu nunca esperei isto. ? ela confessou. ? Eu não pensei que fosse tão bom.
Demi movimentou a cabeça quando rolou e deitou ao lado dela. Ele pôs seu braço sobre sua cintura.
? Nem eu. Eu ouvi coisas desagradáveis sobre fazer amor assim. Ainda, agora eu pergunto-me como não se pode achar prazer em fazer isto. Você estava tão apertada ao redor do meu pênis. Eu nunca imaginei... – Ele diminuiu com um suspiro. ? Eu acho que eu preciso descansar antes de nós retornarmos ao castelo. Você me esgotou com seus modos temerários.
Seu sorriso desapareceu atrás de um bocejo. Quando ele passou, Anca mordeu seu lábio.
? Se eu estiver sonhando, nada disso aconteceu.
? Se você não estiver isso tudo aconteceu. ? ele contrariou em um tom sonolento.
Anca suspirou.
? Eu não sei como me sinto sobre isto. – Ela deitou sua cabeça em seu tórax e curvou seu corpo contra o dele. ? Eu não quero desfazer qualquer coisa entre nós, mas se isto aconteceu, significa que tudo aconteceu. É tudo real.
? Sim. – Sua voz era suave e distante, indicando que ele estava quase adormecido. ? Tudo real. ? ele repetiu.
Anca engoliu o nó em sua garganta. Deve ser tudo um sonho, ela decidiu. Afinal, ela nunca teve a coragem para admitir sua curiosidade secreta antes. Sem nenhuma dúvida, ela acordaria amanhã de manhã no castelo e descobriria que nada disso aconteceu.
? Nenhuma dúvida. ? ela suavemente disse, lutando para manter seu sussurro firme. Ignorou a ponta de dúvida que acompanhou o pensamento e permitiu o sono levá-la.

Capítulo 10

? Não é um sonho. – Anca gemeu quando se sentou, notando o céu iluminado, entretanto o sol ainda não tinha nascido. Estava ainda ao lado de Demi no chão, completamente nua e dolorida como se tivesse sido bem amada a noite toda depois de correr uma maratona, que era quase o que aconteceu ontem à noite.
Demi apoiou seu queixo em sua mão e deu seu um sorriso pequeno.
? Não, não é um sonho.
Ela agitou sua cabeça, recusando-se a acreditar em tudo que aconteceu ontem. O choque se aprofundou quando ele transformou-se em um lobo grande e prateado.
Se apresse e mude, assim nós podemos voltar para o castelo. Ylenia tem muito para discutir com você.
Ontem à noite, ela não prestou muita atenção para a mecânica de Demi que falava dentro de sua mente, mas esta manhã estava ciente do zumbido baixo em sua cabeça. Era mais uma vibração que um som.
Como podia ser? Demi era um lobisomem? Ela era um lobisomem? Agitou sua cabeça novamente, tentando descartar a noção fantástica. Ela devia ainda estar sonhando.
Sua risada emergiu como um agradável rosnado.
Nós não somos lobisomens. Nós formamos uma aliança com a sua espécie. Você não lembra o que eu disse a você ontem à noite?
Uma onda de náusea acompanhou o aceno com a cabeça relutante de Anca quando sua conversação voltou para ela.
? O que nós somos então? – Ela fez a pergunta mecanicamente, ainda não capaz de acreditar no que aconteceu. Devia ainda estar sentindo os efeitos da mordida do lobo. Agora mesmo, ela estava provavelmente delirando em um estado febril. Não é? Como poderia ser de outra forma?
Demi agitou sua volumosa e peluda cabeça.
Isso é dever de seu pai ou Ylenia explicar.
Por favor, me diga! Ela respondeu em pensamento tão naturalmente quanto teria falado com qualquer outro. O fato a assustou, fazendo-a se perguntar sobre sua suposição de que estava ainda sonhando.
Ele agitou sua cabeça de novo.
Transforme-se, dragostia. O tempo é curto.
Anca fechou seus olhos e concentrou em se tornar um lobo. A transformação da noite anterior era uma memória nebulosa e ela não podia lembrar como fez isto. Como ela poderia até tentar fazê-lo, a menos que acreditasse em pelo menos uma fração do que seus olhos mostraram e do que Demi disse a ela. Com uma sensação de desconforto na tentativa, lutou para completar o processo, meio insegura de que poderia conseguir.
Sua pele parecia estirada e todo nervo em seu corpo doía, mas isso era o único efeito colateral que notou ao tentar se transformar. Não era nada como a dor que experimentou a noite passada. Ela suspirou na futilidade da tentativa e abriu seus olhos para dizer a Demi que não podia fazer isto.
Olhou para baixo e viu seu focinho. Pestanejou, fechou os olhos esperando alguns segundos e os abriu novamente. Ela virou seu pescoço e viu que se transformou. A realidade da situação bateu nela, e soube que não podia negar o que estava acontecendo, o que aconteceu. De alguma maneira, ela tinha a habilidade de se tornar um lobo. Se isso era real, então tudo era real. Se ela aceitasse isto, deveria aceitar que tudo era verdade. Podia fazer isto?
Sua mente se protegeu dos pensamentos pesados para se concentrar em algo mais mundano.
Por que não doeu como ontem à noite?
Seu corpo aceitou a mudança. Você nunca experimentará mais que desconforto aprazível novamente. Com o tempo enfraquecerá, transformar-se será sua segunda natureza.
Quanto tempo isso tomará?
Anos, talvez.
Ele andou longe dela, deixando pouca escolha a não ser segui-lo. Ela não quis ficar perdida novamente. Ele estabeleceu um ritmo fácil e seus músculos tensos soltaram enquanto eles corriam pelas árvores e campos.
Enquanto ela corria ao lado de Demi não podia mais negar o que havia acontecido. Sua vida tomou um rumo inesperado e isso era dizer pouco. Acreditar em tudo que Demi disse a ela era uma coisa. Aceitar era outra bem diferente.


* * * * *

Quando voltaram ao castelo, Anca ficou surpresa quando Demi não voltou a sua forma humana. Ela abruptamente parou, virando sua cabeça.
Não deveríamos voltar para... Nós?
Por quê?
E se alguém nos visse assim?
As orelhas dele se mexeram na brisa matutina.
Eles não pensarão nada sobre isto. Porém, a futura rainha e seu companheiro passeando nus pelo Castelo Draganescu poderia levantar algumas sobrancelhas.
Uma vantagem de estar em forma de lobo era que seu rubor não aparecia. Anca conformou-se em acenar com a cabeça, desconcertada como sua pele rolou quando ela fez isso. Sua língua emergiu para respirar, e ela puxou depressa de volta em sua boca. Quando fez isso, sentiu suas presas, uma lembrança vívida das mudanças físicas acompanhando sua nova habilidade.
Seguiu Demi pela cozinha. Ninguém deu a eles muita importância. Ela se achou cheirando quando passou pelo forno e estava novamente desconcertada quando seu rabo começou a balançar como se ligado a um piloto automático. Anca esperou não reter quaisquer características de lobo quando retornasse a sua forma verdadeira.
Demi a escoltou para seus aposentos e a seguiu para o lado de dentro. Assim que a porta fechou atrás deles, ele voltou para sua forma humana. Anca fez o mesmo, uma vez mais tomando um momento para se concentrar no ato.
Ele se inclinou e a beijou levemente.
? Se vista e esteja preparada para a convocação de Ylenia. Ela enviará alguém para escoltar você até ela. Provavelmente será logo, ela acorda cedo.
Anca assentiu com a cabeça, resistindo ao desejo de colocar seus braços ao redor do pescoço de Demi e o segurar perto dela. Ansiava por um meio de escapar de seu medo, mas não achou que iria achar isto com ele. O único meio para rejeitar as mudanças era retornar a Nova York e não olhar para trás. Uma pontada no peito rejeitou a idéia. Não podia suportar o pensamento de deixar Demi sem ter as coisas resolvidas entre eles. Além disso, ela ainda não chegou a conhecer seu pai.
Ele acariciou sua bochecha.
? Eu amo você. Se fosse possível estaria lá para sua reunião com Ylenia.
? Por favor, venha, ? ela sussurrou.
? Eu não posso. Seu pai seguramente desejará falar comigo sobre o que aconteceu com você ontem e Ylenia preferirá privacidade. – Ele a beijou novamente antes de dar um passo atrás e mudar para sua forma de lobo. Andou para a porta e a tocou ligeiramente com sua pata.
Levou alguns segundos para ela perceber que ele queria abrir a porta. Estava firmemente fechada e ele não podia abrir com sua pata. Ela abriu para ele, protegendo-se atrás da porta para esconder seu estado nu. Quando a porta fechou um sentimento pesado de pressão a encheu e ela correu para o banheiro para vomitar.
Uma vez que esvaziou seu estômago de seu conteúdo escasso, Anca caiu para o chão de pedra fresca e enrolou-se em uma bola. Tantos pensamentos giravam na cabeça dela que não podia se concentrar em um deles por tempo suficiente, até os eventos que mais mudaram sua vida, como agora tendo aumentado seus poderes psíquicos e a habilidade de se transformar em um lobo à vontade.
Anca se empurrou fora do chão e ligou as torneiras para encher a banheira. Tentou limpar sua mente de todos os confusos pensamentos e simplesmente aguentar a manhã. Sem ninguém lhe dizer, soube que a reunião com Ylenia traria mais revelações e enfrentou a perspectiva de medo, sabendo que ela não podia escapar de saber a verdade, mesmo que quisesse. Como ouviu várias vezes, era seu destino.


* * * * *

Uma jovem com cabelo castanho claro veio chamá-la uma hora mais tarde. A moça fez uma reverencia, fazendo a bainha de seu vestido branco se espalhar através do chão.
? Sua Alteza, eu estou aqui para levá-la até Ylenia.
Anca assentiu com a cabeça, incapaz de falar. Seguiu a moça de seu quarto pelo castelo. Hoje, ela lembrou onde alguns dos corredores levaram e sabia que elas estavam entrando no quarto de tapeçaria antes da menina abrir a porta.
Uma bandeja de chá descansava na mesa pequena no canto. Duas cadeiras vazias estavam de frente uma para a outra através da mesa. Ninguém estava no quarto, exceto elas.
A moça fez outra reverencia.
? Ylenia brevemente chegará. – Ela virou para partir e então girou ao redor depressa. ? Eu sinto muito, minha senhora.
Anca fez uma careta.
? Pelo que?
? Eu era sua guarda, designada pelo Senhor Nicodemus. Se tivesse feito meu trabalho ontem, você estaria segura. – Lágrimas reluziram em seus grandes olhos âmbar. ? Por favor, me perdoe.
A moça pareceu perigosamente perto de se lançar para o chão e abraçar as pernas de Anca. Ela sorriu para a garota.
? Não pense nisso. Não foi sua culpa. Eu pensei que estaria segura com minha irmã.
A cabeça curvada da garota impediu sua expressão de ser vista, mas sua linguagem corporal sugeriu que ela quis dizer algo sobre aquela suposição. Aparentemente, freou o impulso, porque tudo que disse foi
? Obrigada, minha senhora. Você é muito gentil. – Uma vez mais, a menina começou a partir.
? Espere. Qual é seu nome?
? Starr. – Com uma mesura rápida, saiu do quarto.
Anca agitou sua cabeça, percebendo que ela encontrou Starr antes, durante sua chegada no castelo. Ela tinha sido um dos lobos enrolados perto do fogo. Que lugar estranho era Corsova. Perguntou-se quantos outros encontrou em suas várias formas, e então se perguntou quantas variedades de formas ela poderia achar entre os cidadãos.
Tentou se livrar de seus pensamentos voltando sua atenção para as tapeçarias. Algumas delas mostravam cenas da natureza ou líderes - masculinos e femininos – de olhar feroz em vários vestuários elegantes de épocas, mas um número significante retratava uma história mais violenta.
Existia uma tapeçaria mostrando a garganta de uma mulher rasgada por um homem alto com cabelo escuro. Ela não pareceu se importar com o sangue que fluía abaixo em sua pele e em sua boca, se julgasse por sua expressão. Um calafrio de medo e desejo misturados correu por Anca. Afastou o olhar dele para examinar os outros, deixando as imagens obscurecem junto, até que ela chegou a uma particularmente grande exibida de forma proeminente na parede distante.
Mostrava duas mulheres e um homem em pé em um semicírculo ao redor de uma plataforma. Um cálice dourado descansava na plataforma, e o homem e a mulher mais jovens do trio tinham uma mão em torno da base. O sangue manchava os punhos da manga de seu vestido e camisa. O pulso da mulher mais velha estava cortado e seu sangue parecia estar enchendo o cálice. Uma lua vermelha reluzia brilhantemente pela janela exibida no canto da tapeçaria.
O retrato evocou emoções estranhas em Anca – medo, desejo e um flash de memória. Ela alcançou uma mão para tocar o cálice que reconheceu da visão que teve na noite que Demi veio para sua loja. Parecia uma vida atrás.
? Cuidado, querida. Essa tem centenas de anos e a linha é fraca. Mesmo a restauração não a salvou completamente. - Embora a voz da mulher fosse áspera, existia uma suavidade subjacente para seu tom.
Anca virou para olhar a mulher que imaginou ser Ylenia. Ela tinha uns sessenta, se tanto, com uma compleição bochechuda, cabelo selvagem ruivo com fios brancos enrolado em um laço precário, e uma túnica branca bordada com rosas amarelas minúsculas no decote e bainha. Ela não pareceu impressionante o suficiente para ser a líder espiritual de uma cultura inteira.
Ela piscou para Anca, como se lendo seus pensamentos.
? Venha se sentar comigo, querida. Nós temos muito para discutir.
Anca caminhou adiante, tomando a cadeira em frente à Ylenia quando a mulher mais velha escolheu a outra. Ela viu como Ylenia despejou chá em xícaras de porcelana sem alças, e passou uma para ela. Olhou o liquido duvidosamente.
? O que há nisto? – Ela teve memórias vagas de beber algo nocivo na noite anterior.
? Chá preto simples, Anca. – Seus olhos brilharam com diversão. ? Eu acho que chá acalma meus nervos mais que qualquer álcool que seu pai poderia apreciar.
Ela levantou a xícara e rodou o conteúdo, mas não bebeu.
? Eu deveria estar nervosa?
Ylenia encolheu os ombros.
? Eu não sei. Nunca estive nesta situação. Sempre quando aconselhei os líderes, eles sabiam o que esperar.
Anca agitou sua cabeça.
? Esperar de quê?
? O Juramento de Sangue. – Ylenia bebeu seu chá depois de adicionar um cubo de açúcar. ? Eu estou me apressando demais. Valdemeer disse para mim que você não tem nenhuma idéia de quem nós somos... O que são.
? Demi vive dizendo 'nosso povo'. ? ela suavemente disse, finalmente tomando o chá. Era forte o suficiente para ser tonificante, mas não tinha o sabor amargo que frequentemente acompanhava chá em infusão.
? Nós somos vampiros, querida.
Ela cuspiu a bebida quando engasgou. Anca esforçou-se para respirar fundo quando a tosse diminui e passou. Ela se ajustaria as atitudes simplistas dos residentes de Corsova? Ela podia entender se eles fossem todos loucos, mas o que aconteceu com ela contestava aquela teoria reconfortante. Não podia duvidar da convicção sincera de Ylenia, o que significou que devia aceitar o que ela estava ouvindo ou ir embora. Ela suspirou, perguntando-se por que achou isto tão fácil de acreditar, mas tão difícil de aceitar.
Ylenia sorriu.
? Eu sei que é difícil para você, desde que você foi criada no modo de vida dos humanos. Se sua mãe a tivesse mantido em Corsova, você nunca teria conhecido outro modo. Não duvidaria da veracidade de minha declaração.
? Eu teria sofrido uma lavagem cerebral, você quer dizer? – Anca severamente perguntou embora ela realmente não acreditasse que quaisquer dos cidadãos tinham sido doutrinados neste estilo de vida. Tão difícil quanto era para ela admitir, parecia ser seu estado natural. Isso não significa que queria que isso fosse a segunda natureza para ela.
Ylenia não se aborreceu ao replicar.
? É uma pena que você perdeu tanto de sua herança, mas Katrine fez o que era necessário para salvar sua vida.
? Eu penso que ela salvou mais que minha vida. – Anca baixou a xícara com um tinido. ? Ela salvou minha sanidade também.
Um olhar repreensivo apareceu nos olhos de Ylenia.
? Ora, querida, não seja assim. Nós não somos loucos ou lobotomizados. – Ela encolheu os ombros. ? Nós somos o que somos e por coincidência, somos vampiros. Você sabe que eu falo a verdade, mas quer afastar-se de seu destino.
Parecia imperativo continuar a negar seu lugar em toda essa loucura. Ela desafiou Ylenia com seu queixo erguido e sua voz glacial.
? Se vocês são vampiros, por que não têm quaisquer dos sinais clássicos: intolerância a luz do dia, ingestão de sangue e assim por diante?
Ylenia riu.
? Os vampiros não são exatamente da forma que o mundo imagina Anca... Pelo menos não todos os vampiros. Nós podemos circular livremente á luz do sol e luar, somos capazes de comer, desde que haja complemento em nossa dieta com sangue, daí o vinho "especial" de Corsovan 'servido com toda a comida. Nós não somos imortais, mas temos uma longa vida. - Ela balançou sua cabeça. ? Se você estivesse em um humor mais leve, eu perguntaria a você para adivinhar minha idade. Eu aposto que nunca diria cento e quatro.
Anca agitou sua cabeça, não segura.
? Então, de onde vem o sangue para o vinho? Eu não vejo pilhas de corpos de camponeses fora das paredes do castelo.
? Nem todo cidadão em Corsova é um vampiro.
? Sim, existem lobisomens também. ? ela resmungou sob sua respiração.
Com um olhar desaprovador, Ylenia disse
? Nosso país é um abrigo.
? Eu já ouvi isso. – Ela lutou para manter um tom equilibrado, sabendo que perder o controle não a levaria a nada exceto uma prorrogação do conhecimento que ela obteve... O conhecimento que ela nunca quis ou desejou.
? Humanos também vivem dentro de nossas fronteiras. Em troca de nossa proteção, eles têm muito prazer em manter nosso fornecimento de sangue.
? Prazer ou medo? – Anca perguntou maliciosamente.
Uma sugestão de raiva escureceu os olhos de Ylenia.
? Nós não acreditamos em violência desnecessária. Nós somos tão civilizamos quanto a humanidade de hoje ? ela disse com uma ponta de sarcasmo. ? É uma grave ofensa matar qualquer humano em nossas terras e o regente castiga de acordo. Antes de Illiana, nenhum vampiro tomou a vida de um humano em centenas de anos. – Linhas contorceram seu rosto. ? Infelizmente, ela parecia se divertir com a matança. Ela também era boa em manter suas tendências ocultas ou Valdemeer teria a impedido muito mais cedo.
Sua sobrancelha enrugou com a mudança inesperada na conversa.
? Quem é Illiana?
? Mãe de Nikia. Isto é seu pai quem deve dizer a você, se ele desejar. Eu não queria desviar de nosso tema. – ela abaixou a xícara que estava segurando, mas sem beber. ? Meu dever é falar com você sobre seu passado e futuro. Antigamente, nós éramos todos vampiros e o sangue que nós precisávamos vinha dos animais que nós caçávamos. Com o passar do tempo, cada vez mais de nós pararam de praticar nossos costumes e tornaram-se humanos. Quando o mundo mudou ao nosso redor nos voltamos para uma nova fonte de alimento. - Uma expressão triste apareceu em seu rosto. ? Nossa espécie é rara e em menor número. Nós devemos sempre guardar com cuidado nosso segredo, para não sermos erradicados por aqueles que nos temeriam.
Anca sentou em silêncio atordoante, achando mais difícil de rejeitar o que ela estava ouvindo após a certeza na declaração da mulher. Mais que isto, em um nível instintivo, ela reconheceu a verdade nas palavras de Ylenia.
Memórias de pessoas mortas há muito tempo atravessaram sua mente, mostrando a ela o modo como as coisas haviam sido.
Os olhos de Ylenia se fecharam ligeiramente.
? Sim, você pode senti-los. Seu vínculo com nosso costume é forte e cresce mais forte todo dia.
Anca agitou sua cabeça.
? Não. Você está errada. Eu não ficarei presa aqui. Eu sei o que você quer de mim, mas eu estou voltando para Nova Iorque.
? Você virará suas costas para seu pai e seu povo? Sua herança? – Seu tom caiu para um sussurro. ? Nicodemus? Você abandonará seu destino e para que? Arriscando uma existência em uma cidade abarrotada, sempre ansiando pelo lar? Uma vez que você pôs o pé em nossa terra, ela se tornou parte de você. É o caminho das coisas.
? Isto não é o que eu quero.
? Pessoas amaldiçoadas com responsabilidade raramente a querem. Só aqueles fortes o suficiente para aceita-lo sobrevivem a seus destinos. – Ylenia suspirou. ? Você é destinada para se tornar o próximo Protetor de nosso povo. As estrelas estavam em alinhamento na noite de seu nascimento e a lua de sangue aproxima-se. Só você pode tomar o Juramento de Sangue.
Anca engoliu, encontrando as palavras de rejeição presas em sua garganta. Sua voz era um sussurro tímido quando perguntou
? O que é o Juramento de Sangue?
? Existe um preço para tudo. – Ylenia suspirou novamente e sua idade pareceu mais visível de repente. ? Quando tudo começou foi perdido no tempo, mas para a maior parte da história de nosso povo, o Juramento de Sangue tem sido o precursor da mudança de Protetores. Valdemeer está atualmente encarregado com a proteção de nossa raça, mas está ficando velho e cansado. – Sua expressão ficou comprimida. ? Eu temo que ele não sobreviverá a outros quarenta e seis anos até que a lua de sangue retorne. É por isso que é imperativo que você complete a cerimônia desta vez.
? Eu ainda não entendo. O que ele faz?
? Pode ser um fardo pesado, ser marcado para o Juramento de Sangue. Muito é pedido do Protetor de nosso povo. Uma vez que a cerimônia o muda, você se torna mais como o vampiro que está familiarizada. A luz solar mata, o envelhecimento diminui mais ainda e nunca deve deixar suas terras. Você é amarrado a cada gota da água no lago, cada flor que floresce nas montanhas, cada animal examinando a floresta, e para a terra de Corsova. Ficar sem ela causaria sua morte.
Anca piscou.
? O que? Por quê?
? Sustenta e regenera você, como a presença de nosso povo. – Ylenia levantou sua xícara e tomou um gole do chá antes de continuar. ? Em retorno a seu sacrifício, você recebe duas coisas de valor. O primeiro é um tempo de vida tão grande quanto trezentos anos. Valdemeer tem quase duzentos e setenta e oito, mas está cansado.
Ela tragou na declaração fantástica, de alguma maneira incapaz de reunir a habilidade de refutar isto.
? E o segundo?
? Cada Protetor tem um companheiro destinado que sofre a cerimônia também. Sua vida é prolongada e o fardo é compartilhado por dois. – Um sorriso suave dobrou sua boca. ? Nicodemus cresceu impaciente para Valdemeer mandar buscar você. Desde o tempo em que ele era uma criança me importunou com perguntas sobre você, até antes de você nascer. Ele era frequentemente frustrado por minha falta de respostas.
Os olhos de Anca se alargaram. Várias das declarações secretas de Demi de repente faziam sentido.
? Eu posso o rejeitar, entretanto, não é?
Ylenia pareceu descontente com a ideia, mas movimentou a cabeça.
? Claro. Eu nunca soube de qualquer Protetor que fez isso, mas é possível. Você quer?
Anca fez um som desconfortável como se seu coração desse uma guinada com a ideia de recusar Demi. Outra pergunta veio para ela.
? Então minha mãe era companheira de Valdemeer?
Ylenia agitou sua cabeça.
? Não. O destino escolheu Madra para ele. Eu nunca a conheci, mas ouvi que ela era uma alma gentil e cheia de generosidade. Ele a adorou e eles foram felizes juntos por mais que um século. Quando ela finalmente concebeu, eu ouvi que eles hospedaram uma celebração que durou um mês.
Ela estava confusa.
? Então como ele ficou com a mãe da Nikia e mais tarde com a minha?
? Madra morreu de uma enfermidade misteriosa. – A expressão de Ylenia endureceu. ? Não foi até muito mais tarde que descobrimos que ela tinha sido envenenada. Valdemeer ficou de coração partido quando sua esposa e herdeiro morreram, ainda no útero, e jurou nunca casar novamente, apesar de sua obrigação para produzir o próximo Protetor.
Ylenia encheu sua xícara, entretanto não podia ter bebido mais da metade dele durante sua conversação. Ela automaticamente adicionou mais na xícara de Anca também.
? Illiana era uma mulher ambiciosa e os detalhes de suas maquinações são sórdidos. Vou deixar a decisão de falar sobre isso para seu pai.
Anca bateu seus dedos impacientemente contra a mesa.
? Sim, mas como ele acabou casando com minha mãe?
? O pai de Katrine foi um amigo próximo de Valdemeer. Ele fez a união quando sua mãe era uma criança. Eu lembro como ela estava assustada quando veio para firmar o compromisso. – Ylenia sorriu perdida em memórias por um momento. ? Eu era ainda uma assistente e meu dever era divertir sua mãe assim ela não choraria.
? Ele amou minha mãe?
Ylenia suspirou.
? Ele sentiu um afeto profundo por ela. Ele a amou à medida que pode, mas o coração de Valdemeer sempre estará destinado a Madra.
? Minha mãe aceitava isso? – Ela fungou indignada. ? Não é surpresa ela o ter deixado.
? Katrine amou seu pai profundamente e aceitou que ele estava só cumprindo seu dever para fornecer um herdeiro se casando com ela. Ele a tratou bem, embora um pouco distante. Depois da morte de Julian eles ficaram mais íntimos, as coisas eram mais fáceis para ela. – Ylenia franziu as sobrancelhas. ? Por um tempo.
? Quem é Julian?
Ylenia pareceu surpresa.
? Sua mãe nunca disse a você?
Anca agitou sua cabeça.
? Ele era seu irmão. Se ele não tivesse morrido durante a infância, o Protetorado de Corsova teria ido para ele.
Ela estava tão chocada que não podia respirar por um momento. Ela tinha um irmão e sua mãe nunca pensou em mencionar isto? Achou impossível lamentar pelo irmão que nunca conheceu, mas não teve nenhuma dificuldade em sentir um ressentimento amargo. Se o destino não tivesse sido tão cruel, ele teria sido forçado a essa posição.
? Como ele morreu?
Ylenia empalideceu, e pareceu achar o chá em sua xícara atraente.
? Foi sua mãe que primeiro suspeitou. Pequenas sugestões que se tornaram ameaças, seu comportamento e seus ataques violentos quando sua mãe e seu pai conceberam você levou Katrine para a dedução.
? Que dedução? – Ela perguntou com medo.
? Seu irmão foi envenenado por alguém que quis o trono. – Ela agitou sua cabeça. ? Tal malícia em uma pessoa tão jovem...
? Quem? – Ela soube a resposta quando fez a pergunta.
? Nikia. ? Ela admitiu. ? Katrine fugiu para proteger você. Ela disse a Valdemeer que não descansaria até que matasse você também, e a 'fabricante de bebê ', como ela chamava Katrine. – Ylenia tremeu, entretanto o quarto estava morno. ? Eu nunca vi tal ódio e determinação em ninguém, especialmente numa criança.
O estômago de Anca se revirou, ameaçando rejeitar o gole de chá. A realização do quão perto esteve da morte ontem passou por ela com um peso quase físico. Uma nova avaliação do que sua mãe sacrificou para salva-la passou por ela, seguida pela raiva devastadora dirigida a Valdemeer.
? Por que meu pai não fez algo?
? O que ele podia fazer? Ela é filha dele e sua culpa sobre como ele se sente sobre ela sempre o incapacitou quando lidando com Nikia. ? A voz da Ylenia caiu para um sussurro. ? Ele a odiou quando criança. Ele a odeia agora, sabendo o que fez. Ainda, ele a ama também, porque ela é sua criança. Trazendo você para casa teria significado a morte de outras de suas crianças. Teria sido impossível manter você segura o tempo todo se ela estivesse ao redor. Enviá-la para longe não garantiria nada e a única outra solução era matá-la.
Anca retraiu sua respiração nitidamente ao pronunciamento rígido.
? Isso não era uma solução também. Você pode imaginar ordenar uma sentença de morte para uma menina de seis anos de idade? Ainda que seus súditos pudessem aceitar a brutalidade de tal ato, Valdemeer não poderia viver com ele mesmo. – Lágrimas faiscavam em seus olhos. ? Seus pais desistiram de muito para proteger você.
O vazio que queimava dentro de Anca, resultado de anos de não ter dois pais, lentamente a encheu, apesar de seus esforços para suspender a onda de calor que varreu através dela. Lágrimas queimavam atrás de seus olhos, e tomou respirações rasas. Junto com o amor veio uma sensação de responsabilidade. Ela devia a ambos por tudo que fizeram.
Ela tentou resistir a tal pensamento, sabendo que se aceitasse seu papel como herdeira de Valdemeer sua vida mudaria irrevogavelmente. Ela não queria gastar o resto da vida - especialmente trezentos anos – olhando por cima do ombro, perguntando-se quando Nikia conspiraria contra ela novamente. Nem podia aguentar o pensamento de condenar alguém a morte, especialmente um membro da família, quando eles tinham sido tão poucos em toda sua vida.
Ela suspirou fortemente e curvou sua cabeça.
? Você tem muito para pensar, querida. – Ylenia retornou sua xícara para a bandeja. ? Eu deixarei você agora.
? Espere. – Anca ergueu sua cabeça. ? O que acontece durante este Juramento de Sangue?
? Quando a fase da lua for correta e as estrelas estarem em alinhamento, você se reunirá na torre, onde uma esfera atrai os raios da lua, absorvendo poder. O pendente tira poder da esfera, abastecendo a transição do poder do regente velho até o novo. Cada um de vocês porá sangue no cálice e então você e Demi beberão. Você jurará proteger nosso povo e honrar seus deveres. Demi jurará auxiliar e apoiar você. Eu testemunharei a cerimônia e assegurarei que saia tudo como planejado. – Ela apontou para o pendente de Anca. ? O pendente é uma parte integral da formalidade, pois ele segura o poder do nosso povo.
Não soou muito difícil. Ela fez uma careta, lembrando de algo que Ylenia disse.
? Você disse que eu era a destinada para tomar o Juramento de Sangue. O que acontece se outra pessoa o tomar?
As sobrancelhas de Ylenia se enrugaram.
? Eu não sei. Se isso tiver acontecido antes, não foi escrito em nossa história. Eu imagino que a pessoa morreria.
Ela engoliu o nó em sua garganta.
? E se eu não for a pessoa certa? E se seus fios estiverem cruzados, ou você cometeu um engano com os cálculos?
Ylenia agitou sua cabeça.
? Não, isto é impossível.
? Mas e se...? ? Ela insistiu.
Ela pareceu relutante em responder.
? Eu acho que você morreria.
O pânico a inundou e Anca empurrou para longe a mesa. Esqueça obrigações familiares e favorecer cerimônias arcaicas. De jeito nenhum arriscaria sua vida para isto.
? Eu não farei isto.
? Anca.
? Não! – Ela girou para longe da mesa e correu do quarto, ignorando Ylenia chamando seu nome. Ela não olhou de volta enquanto corria pelos corredores, de alguma maneira achando os aposentos atribuídos para ela. Bateu a porta e a trancou antes de se apressar em direção ao armário. Retirou suas malas e as lançou na cama antes de freneticamente puxar roupas da prateleira. Ela não ficaria nem mais um minuto, apesar da promessa a Demi. Ela acreditava em livre arbítrio, não destino.

Capítulo 11

Demi bateu em sua porta, mas ela não respondeu. Ele tentou chamar seu nome, mas Anca continuou a ignorar. Relutante em invadir sua privacidade, ele finalmente usou a chave mestra para abrir a porta. Não soube o que esperar quando entrou em seus aposentos.
Ela estava no chão com seu rosto enterrado no colchão. Suas malas abertas estavam na cama, com as roupas espalhadas em cima das cobertas em uma completa desordem. Ela não olhou para cima quando ele fechou a porta e andou para a cama.
? Anca? – Ela ainda não olhou para cima, mesmo quando ele se sentou no chão fresco ao lado dela. ? Como você está? Por favor, fale comigo.
Ela ergueu sua cabeça e olhou para ele com os olhos inchados e vermelhos. Traços de lágrimas desciam em suas bochechas e sua boca tremia. Não falou quando caiu em seus braços, enterrando o rosto contra seu tórax.
Demi acariciou seu cabelo bagunçado e murmurou palavras calmantes. Quando percebeu que estava falando Corsovan por hábito, trocou para inglês.
? Eu sei que você está assustada pelo que vem vindo, mas estarei com você.
Ela ergueu a cabeça para longe de sua camisa.
? Eu-é-é muito mu-muito. ? ela gaguejou em meio a soluços. ? Eu não posso fazer nada disso. Eu não quero qualquer parte disso.
Ele agitou sua cabeça.
? Isto não é verdade, Anca. Eu posso sentir sua confusão e dúvida, mas também sinto seu desejo. Você sabe o que é e sabe o que é destinada a ser. Está tudo bem se estiver assustada.
? Eu estou indo para casa, Demi. – Ela curvou sua cabeça, recusando encontrar seus olhos. ? Eu tentei, mas eu não posso dar a meu pai o que ele quer. Eu não posso nem dar a você o que quer de mim.
Ele levantou seu queixo.
? Tudo que eu quero é seu amor. Se você decidir virar as costas para sua herança, ainda estarei ao seu lado, se você me quiser.
Ela suspirou.
? Claro que eu quero. – Seus olhos eram assombrados. ? Em um nível, eu sinto que sempre conheci você. É por isso que foi tão fácil me... – Ela abruptamente calou-se, pressionando os lábios.
Demi a puxou mais completamente em seus braços e começou a esfregar suas costas em círculos pequenos, tentando ignorar a pontada de dor em sua recusa em falar de seu amor por ele.
? Tudo ficará bem. Você verá. Só espere um tempo.
Ela agitou sua cabeça.
? Não. Eu estou indo para casa. É hora de eu voltar para minha vida real e longe de toda essa loucura.
Demi suspirou.
? Se você quiser voltar para Nova York, é para onde nós iremos. Eu não fingirei que é a decisão que eu quero que você tome, entretanto. Além disso, sei que você não quer ouvir isto, seu lugar é aqui. Parte de você está amarrada a esta terra agora.
? Eu me recuso a acreditar nisto, ? ela disse estridentemente. ? Eu pertenço a Nova York, com minha mãe. Eu não deveria ser uma rainha vampiro. Eu quero que minha vida seja normal. Eu quero voltar a gerenciar Dragan's Whimsy, me casar e ter crianças. Não quero passar trezentos anos olhando para trás, me perguntando se alguém estará tentando me matar hoje. – Anca limpou suas bochechas impacientemente. ? Eu não posso ficar aqui.
? Não me deixe. Eu esperei muito por você. Por favor, só fique um pouco mais. Veja o país por você mesmo antes de decidir se pode cumprir seu papel como o Protetor de Corsova. – Ele a esmagou contra ele, sentindo sua retirada. ? Eu não quero viver sem você. Eu quero ser a pessoa que vai lhe ajudar com seus fardos. Eu darei a você uma criança assim que a formalidade do Juramento de Sangue estiver terminada, se é isso que você quer.
Ela puxou longe com um choro fraco, ficando de joelhos ao lado dele, entretanto a parte de cima de seu corpo estava apertada contra ele.
? Eu não quero uma criança agora, Demi. Nem serei coagida com a promessa de uma.
Ele agitou sua cabeça.
? Eu não estava coagindo você. As mudanças físicas do Juramento de Sangue fariam você abortar. É por isso que nós devemos esperar até depois de você fazer sua decisão. – Ele emoldurou seu rosto com suas mãos, olhando profundamente em seus olhos. ? Eu nunca tentaria coagir você, mas eu tentarei convence-la a ficar. Por favor, só me dê o resto do mês.
Seus lábios tremiam, e ela pareceu estar cedendo.
? Bem...
? Por favor, Anca. – Ele colocou o braço ao redor de sua cintura, trazendo seus seios contra seu tórax. ? Eu preciso de você. Nós nos unimos. Você não tem nenhuma ideia de quão doloroso será para nós dois se formos separados.
Seus olhos estreitaram.
? O que você quer dizer?
? Você me aceitou a primeira vez que nós fizemos amor. Nós somos ligados agora, você e eu. – Seu estômago se apertou quando percebeu que ela não o conscientemente aceitou. ? Oh, Anca, eu sinto tanto. Eu esqueci que você não sabe nossos modos. Eu presumi... – Ele diminuiu, agitando sua cabeça. ? Nada pode desfazer nossa ligação agora. A divisão seria uma agonia para nós dois.
? Maldito seja você! Pensou que poderia me enganar para ficar aqui. – Ela bateu em seu tórax com os punhos. ? Você é como todo mundo, com suas agendas secretas.
? Anca. – Ele firmemente falou, esperando cortar sua raiva, assim ela realmente o ouviria. ? Eu amo você e não queria nada mais do que unir-me a você. Eu não tive nenhum motivo superior, exceto minhas próprias necessidades egoístas. Não pensei além de unir-me com você. Por favor, acredite em mim. – Ele podia ouvir o tom de suplica em sua voz, mas não estava preocupado com seu orgulho. Era um sacrifício pequeno se ela ficasse, porque ele abriu o coração.
Ela ficou em silencio por um momento longo e cavou com suas mãos seu tórax, parecia perdida em pensamentos. Finalmente, seu corpo relaxou contra o dele.
? Eu sinto muito. Eu sei que você não iria... – Anca suspirou. ? Eu sinto isto também. Eu senti isto até antes de nós fazermos amor, mas agora não posso parar de pensar em você. Soube que você estava perto até antes de você bater em minha porta.
? Eu sinto você todo minuto do dia também, minha dragostia. – Ele enterrou o rosto em seu cabelo, inalando profundamente. Seus olhos se alargaram quando os dedos dela começaram a brincar com os botões de sua camisa. ? Anca?
? Eu ficarei uma semana. ? ela disse em um sussurro. ? Isto é tudo que eu prometerei no momento.
? É suficiente. – Faria que fosse o suficiente, ele jurou. Uma vez mais, sua concentração hesitou quando ela deslizou suas mãos dentro de sua camisa para tocar seu tórax. ? Você quer fazer amor agora?
Ela movimentou a cabeça e o seu cabelo tocou seu rosto.
? Eu preciso de você, Demi. Você é a única coisa neste lugar que faz qualquer sentido... A única coisa que parece real... – Ela ergueu sua cabeça e tocou os lábios contra o dele.
Demi retornou seu beijo, permitindo a ela estabelecer a velocidade. Ela pareceu estar sem nenhuma pressa pela maneira que explorou completamente sua boca com a língua. Ele gemeu suavemente quando ela beliscou seu mamilo enquanto mordiscava seu lábio inferior. Seu pênis pulou para a vida e ele podia sentir o calor de sua vagina pelo algodão suave do vestido de verão. Ele não podia esperar para tocar em sua pele e a moveu longe o suficiente para colocar suas mãos entre eles e tocar seus seios. O material de seu vestido era uma barreira intolerável.
Demi moveu suas mãos para o laço atrás de seu pescoço e se atrapalhou com ele. Quando soltou, o vestido se amontoou ao redor de sua cintura, exibindo um sutiã branco simples sem alças. Demi se afastou para passar a boca abaixo em seu queixo e pescoço. Ele se ajeitou para ficar de frente, erguendo-a mais alto contra ele, até pôr o rosto entre seus seios. Ele tocou o pendente e era quente para o toque, respondendo para as emoções que chamejam entre eles.
? Toque-me. – Anca se debruçou de volta em seus braços, o deixando suportar seu torso, enquanto seus dedos passavam por seu cabelo.
Demi segurou seu peso com um braço enquanto sua outra mão se atrapalhava com o gancho discreto do sutiã, escondido entre seus seios. Depois do que pareceram horas, os ganchos deslizaram livres e o sutiã caiu para revelar seios perfeitos.
Ele a trouxe com ele quando se debruçou de costas contra a cama, gemendo quando ela montou uma de suas coxas. O calor de sua vagina queimava em sua perna pelo material que os separava. Ela se esticou e seu mamilo passou contra seus lábios, tentando-o. Ele trouxe o cume duro em sua boca, incapaz de resistir à tentação. Quando rodou sua língua ao redor, ouviu-a gritar de prazer. O agarre em seu cabelo apertou até que era quase doloroso, mas não a empurrou para longe.
Beliscou seu mamilo suavemente e foi recompensado por suas punhaladas frenéticas contra sua perna. Ele deslizou sua mão na bainha de seu vestido e o levantou. Anca separou suas coxas e ele tocou sua vagina através da calcinha de algodão, passando a mão contra sua própria perna quando fez isso.
? Eu quero sentir você dentro de mim, Demi. – Ela falou em um sussurro ofegante, indicando que estava tão excitada quanto ele.
? Eu quero isto também. ? disse contra seu mamilo. Ele firmou sua boca no cume rígido novamente quando empurrou de lado o elástico de sua calcinha. Quando tocou a pele suave de seus lábios, ele estremeceu com desejo. Seu pênis se contorceu e endureceu mais, apertando contra suas calças. ? Você pode me ajudar, Anca? Abra meu zíper.
Ela soltou seu cabelo e passou as mãos para baixo em seu corpo. A respiração de Demi prendeu em sua garganta quando ela deslizou abaixo em sua perna, gerando fricção entre eles enquanto criava espaço para conseguir por suas mãos entre eles. Ele fechou seus olhos, tentando recuperar o controle, quando seus dedos arrastaram no zíper de suas calças. Quando ela livrou seu pênis, ele soltou uma respiração trêmula e abriu seus olhos. Ele soltou um suspiro áspero quando suas mãos se aventuraram dentro de sua cueca para pegar seu pênis. Ele não podia resistir a empurrar contra sua mão enquanto ela massageava a cabeça de seu pau ligeiramente depois de empurrar a cueca abaixo de seus testículos.
Anca se contorceu contra sua mão, lembrando-o de tocá-la. Demi acariciou sua vagina, encontrando-a molhada e pronta para ele quando deslizou dois dedos dentro dela.
? Em meu bolso... Proteção.
Ela pareceu fazer de tudo para tocar o pênis dele enquanto procurava pelo preservativo. A tortura pareceu durar para sempre, mas ela finalmente removeu o pacote pequeno de suas calças. Ela rasgou a embalagem e deslizou o preservativo em seu pênis com movimentos confiantes. Ele estava contente por ter sua ajuda, porque não estava certo de que suas mãos fossem firmes o suficiente para fazer mais que esfregar seu clitóris enquanto a segurava contra ele.
Quando terminou, Anca mudou de sua perna para se sentar em seu colo, envolvendo suas pernas ao redor de sua cintura, até que suas canelas encontraram a barreira da cama. Ele dobrou seus joelhos para sustentá-la e ela avançou para frente para alinhar suas pélvis. Demi se debruçou de volta um pouco mais para ter mais espaço, e rangeu os dentes quando sua molhada vagina abraçou o comprimento de seu pênis quando ela se aliviou nele. Ela era lenta em seus esforços para tomá-lo inteiro, e ele podia sentir a transpiração em seus lábios e gotejando abaixo em suas costas. Seu pênis apertado dolorosamente.
Quando ela se fixou nele, cobria cada polegada de seu pênis. Ele gemeu enquanto ela contraía sua vagina para apertar seu pênis. Ele agarrou seus quadris e começou a erguê-la em sincronia com suas punhaladas. Ele estava além de golpes lentos e provocadores. Ele empurrava depressa, ouvindo seus gritos de prazer quando entrava nela antes de retirar algumas polegadas para repetir o processo.
Quando entrou, podia sentir sua vagina ficando mais quente e mais molhada ao redor dele, até pelo látex fino. Demi jogou a cabeça para trás e fechou seus olhos, concentrando-se em durar o bastante para trazer o prazer dela primeiro. Seus olhos se abriram novamente quando sentiu a mudança da mão de Anca entre eles. Ele olhou abaixo, mas não podia ver o que ela estava fazendo.
Foi logo óbvio, quando ele sentiu a costa de sua mão escovando ritmicamente contra sua pele. O pensamento dela tocando o clitóris enquanto ele empurrava nela fez seu pênis se contrair dolorosamente. Gritou ao perder todo o controle e derramou sua semente.
Empurrou nela até onde ele podia ir e segurou-a firmemente contra ele. Quando seu orgasmo chegou ao máximo, ele sentiu a vagina dela convulsionar ao redor dele, e ela gritou também. Ela começou a empurrar novamente e ele suportou a dor leve contra seu pênis sensível, surpreso quando começou a ficar duro novamente.
Antes de ele poder atingir uma ereção completa, ela desmoronou contra ele, soluçando quietamente. Seus braços estavam envolvidos ao redor de seus ombros e sua fronte descansava no topo de sua cabeça. As contrações minúsculas continuavam a emanar de sua vagina, trazendo uma combinação de prazer e dor. Ele embrulhou seus braços ao redor de suas costas e a segurou contra ele, contente em ficar assim para sempre, se eles pudessem.


* * * * *

Durante o jantar, Anca bebeu cautelosamente do vinho, finalmente aceitando que era realmente sangue. Tinha um sabor acobreado, penetrante que ficava na boca e que não podia ser qualquer outra coisa. Mais desconcertante que a confirmação da afirmação de Ylenia era seu prazer à bebida.
Como ela consumiu mais, estava ciente de seus caninos prolongados e afiados e a lembrava da noite que ela fugiu de Demi na estação de trem, quando seus dentes pareceram ficar presos em sua mão, antes dele a beijar muito apaixonadamente. Ela não podia negar que seu corpo pareceu ser projetado para consumir sangue, da mesma maneira que pareceu projetado para dar e receber prazer de Demi.
? Você está muito quieta. ? Valdemeer disse da cabeceira da mesa. A maior parte da refeição havia sido feita em silêncio, nenhum dos três pareceu propenso a quebrá-lo.
Ela viu Demi alternar o olhar entre eles e adivinhou sua intenção de partir antes que ele dissesse qualquer coisa. Ela deu a ele um sorriso pequeno, mas não tentou o dissuadir. Não podia evitar falar com seu pai para sempre, e só concordou em ficar uma semana, o que significava que a discussão deveria ser em breve.
? Se você terminou seu jantar, talvez se juntasse a mim para um jogo de xadrez?
Anca movimentou a cabeça.
? Eu teria muito prazer, papai.
Demi enxugou sua boca e levantou-se.
? Se vocês me derem licença...
? Boa noite, Nicodemus.
Ele inclinou sua cabeça.
? Meu senhor. – Demi girou e ofereceu a ela uma mesura. ? Anca.
Ela escondeu o sorriso tentando aparecer sobre seu rosto, com certeza ele se juntaria a ela mais tarde aquela noite.
? Boa noite, Demi.
Eles o seguiram pela sala de jantar, mas tomaram um corredor diferente para alcançar o escritório de seu pai.
Valdemeer serviu a eles uma dose de conhaque antes de sentarem a mesa de xadrez. Anca escolheu branco e fez o primeiro movimento, então debruçou-se para trás e esperou por ele começar a jogar ou falar.
Ele olhou o tabuleiro, aparentemente em nenhuma pressa.
? Nikia foi confinada aos seus aposentos, ? ele disse quando moveu seu cavalo, ? até que eu decida o que fazer com ela.
? Humm! – Anca balançou sua cabeça, considerando cada movimento que ela podia fazer. Tinha sido um longo tempo desde o segundo grau, e ela não jogava há anos. Finalmente decidiu-se por outro movimento cauteloso. Ela reposicionou um peão. ? Ela realmente quis me prejudicar?
Ele acariciou sua barba e estudou o tabuleiro, parecendo achar mais fácil evitar seus olhos. Finalmente, moveu um peão para bloqueá-la.
? Eu acredito que ela planejou matar você. Eu temia trazer você para Corsova por isso, mas o tempo está acabando...
Depois de fazer seu movimento, Anca disse:
? A lua de sangue. – Ela se esforçou para soar neutra, mas uma sugestão de medo rastejava em sua voz.
? Sim, em umas semanas agora. – Ele tocou sua torre, mas retirou sua mão para mover seu cavalo novamente para capturar o peão dela. ? Uma vez que você fizer o juramento, ela não terá nenhuma razão para prejudicar você. Será muito tarde para ela então, e terá que aceitar isto.
Anca moveu seu bispo em alinhamento com seu rei.
? Cheque. – Ela respirou fundo juntando sua coragem. ? E se ela não aceitar isto? O que você fará então?
Seu silêncio era sua resposta. Ele moveu sua rainha adiante para proteger seu rei.
? Você fará o juramento?
Ela hesitou antes de rejeitá-lo diretamente.
? Eu não decidi ainda. – Ela moveu novamente.
? Ylenia diz que falou um pouco mais sobre Illiana do que ela havia planejado. – Ele arranhou sua barba novamente e virou sua cabeça para a esquerda, então para direita. Seus olhos nunca oscilaram do tabuleiro.
? Sim. Ela disse que você me contaria a história se quiser que eu saiba.
Ele suspirou e ergueu seu conhaque, temporariamente parecendo abandonar o jogo. Seus olhos finalmente encontraram os dela quando ele se debruçou de volta em sua cadeira.
? Illiana era muito bonita. De fato, Nikia se assemelha a ela, em aparência, temperamento e personalidade. Há momentos em que eu não posso diferenciar uma da outra.
? Você era apaixonado por ela?
Ele agitou sua cabeça.
? Não, entretanto ela não escondia seu interesse. Madra era meu mundo e eu sabia a criatura ambiciosa que Illiana era. Se eu quisesse uma amante, ela não teria sido minha escolha para uma. Ela era perigosa. A mãe era uma bruxa, sabe, e ensinou sua arte para Illiana antes de sua morte.
? Então Illiana não era um vampiro? – A palavra pareceu estranha em sua língua.
? Oh, ela era. Seu pai era um vampiro. Enquanto lidava com assuntos do estado, ele conheceu a mãe de Illiana e casou com ela. Ele a trouxe quando retornou a nosso país, entretanto ela nunca começou a estudar nossos costumes. Elsa era uma boa mulher, mas propensa para turnos de melancolia. Naqueles humores, ela era como outra pessoa. Ela causou a morte de seu marido o amaldiçoando em raiva. Ela ia ser banida quando cometeu suicídio.
? Deixando Illiana órfã?
Ele movimentou a cabeça.
? Sim. Madra era uma mulher bondosa e ansiava por uma criança. Depois de quase cem anos de tentar conceber, pensamos que um de nós fosse estéril. Ela trouxe Illiana para viver no castelo e a tratava como uma filha. – Um rastro de amargura apareceu nos olhos de Valdemeer. ? Eu não percebi que o afeto de Illiana para Madra eram um fingimento até que fosse mais velha. Mesmo quando tentou me seduzir, eu não podia enviá-la para longe. Eu não podia aguentar negar a Madra qualquer coisa.
Depois de um silêncio longo e outro gole de conhaque, Valdemeer disse:
? Foi como um milagre quando Madra ficou grávida. Nosso reino inteiro regozijava. Eu juro que a celebração durou pelo menos um mês.
? Mas Illiana não estava contente, não é? – Anca adivinhou.
Ele agitou sua cabeça.
? Não. Ela sabia que nossa criança tinha sido concebida durante a fase de lua correta e seria o herdeiro legítimo para Corsova. Ela se recusou a desistir de sua oferta para o poder, então lentamente envenenou Madra. A princípio, o curandeiro disse que ela estava doente da gravidez. Quando Madra definhava, seus pensamentos eram para o bebê... – Ele parou.
Anca alcançou através da mesa de xadrez para apertar a mão de seu pai.
? Ela morreu antes da criança poder sobreviver sozinha. – Lágrimas faiscaram nos olhos de Valdemeer. ? Eu jurei em seu tumulo nunca casar novamente. Illiana era astuciosa, eu admito. – Ele suspirou fortemente. ? Ela esperou mais que um ano antes de me abordar novamente. Quando eu severamente a rejeitei, ela ficou fora de meu caminho. Eu pensei que minha ameaça de bani-la a tinha assustado.
? O que aconteceu?
Ele esfregou seus olhos.
? Ela me drogou e me seduziu, conseguindo engravidar. – Uma risada severa escapou. ? Ela não calculou corretamente e não existia nenhum modo que sua criança pudesse ser meu herdeiro, porque não tinha sido concebido durante a fase certa da lua. Ela ainda exigiu que eu casasse com ela e eu retaliei trancando-a em uma das torres com só uma mulher surda e muda como assistente.
? Ela morreu no parto?
Ele movimentou a cabeça.
? A assistente não notificou ninguém porque morreu de ataque cardíaco uns dias antes do parto. Foram os gritos de dor de Illiana que alertou os guardas. Corri para seus aposentos, esperando fornecer um pouco de conforto para ela. Eu não a odiava então, você vê. Eu só não confiava nela.
Ele empalideceu e suas mãos tremiam quando ele ergueu o copo.
? Illiana soube que estava morrendo. Ela falou sobre os assassinatos que tinha cometido, humanos que tiveram o infortúnio de cruzar seu caminho, a pobre assistente, assustada até a morte e Madra. Ela descreveu seu assassinato em detalhe gráfico, até a dor que ela suportou, especialmente no fim...
Ele agitou sua cabeça.
? Se ela não tivesse sangrado até a morte eu a teria matado com minhas próprias mãos. Illiana olhou para sua criança, deu um sorriso estranho e disse, 'eu gosto do nome Nikia.' Aquelas foram suas últimas palavras antes dela deslizar deste mundo. Ela era a mãe da criança, então eu a batizei com o nome que Illiana escolheu. – Ele baixou sua cabeça. ? Eu não me importei nada com a criança naquele tempo, então que diferença faria o nome? – Ele suspirou e levantou sua cabeça, encontrando seu olhar. Existia uma pitada de vergonha em seus olhos.
Anca tremeu quando ele terminou de falar.
? Nikia sabe tudo isso?
Ele movimentou a cabeça.
? Eu não sei como. Eu exigi que ela fosse protegida da verdade sobre sua mãe, mas alguém deve ter sido indiscreto. Logo percebi que não havia motivos para protegê-la, porque era óbvio que ela era exatamente como Illiana. Desde que era uma criança teve surtos de ira. Ela matou um pássaro quando não tinha mais do que dois anos. – Uma lágrima deslizou abaixo de sua bochecha. ? Isso foi no dia do meu casamento com sua mãe. Ela logo progrediu, entretanto nenhum de nós percebeu isto.
Ele pareceu confuso.
? Como uma criança sabe sobre venenos? Nós nunca descobrimos exatamente como ela assassinou Julian. Claro, nós não suspeitamos no princípio. Foi só quando Katrine concebeu você e nós dissemos a ela, o que nós pensávamos seria uma feliz notícia, ela se tornou completamente incontrolável. Ameaçou matar você e revelou para Katrine como assassinou nosso filho. Sua mãe fugiu e me levou semanas para conseguir toda a verdade de Nikia.
? É por isso que você me deixou na América com minha mãe? Para proteger-me, certo?
Ele movimentou a cabeça.
? Foi doloroso ficar separado de você. Eu ouvia sobre sua mãe com pouca frequência e ela às vezes enviou retratos, mas ambos decidimos no inicio que era mais seguro parecer que eu ignorei sua existência. – Ele apertou sua mão. ? Eu sempre amei você, copia de meu inimiä. Eu espero que você acredite nisto.
Anca movimentou a cabeça, sentindo lágrimas apertando atrás de seus olhos.
? O que isso quer dizer? – Ela tentou repetir a frase, mas as palavras soaram desajeitadas em sua língua.
? Criança de meu coração. – Valdemeer limpou a garganta. ? Eu amo Nikia, mais que eu a odeio, e sou impotente sobre o que fazer com ela. Talvez se eu não tivesse trancado Illiana longe, ela teria sobrevivido. Talvez Nikia tivesse sido uma pessoa mais suave se tivesse o amor da mãe.
? Ou talvez ela tivesse sido até mais enlouquecida. ? Anca suavemente disse.
? Talvez. – Ele ergueu seu copo para esvaziá-lo. Quando o baixou, sua expressão perdeu sua sugestão de tristeza. Seu sorriso pareceu forçado. ? Chega desta conversa. De quem era a vez?
? Sua – ela disse com um sorriso. Um rastro de medo a atacou, mas empurrou de lado com determinação. Nikia estava trancada e ela estava segura desde que ela permanecesse assim. Se decidisse ficar, ela podia lidar com sua meia-irmã. O pensamento de não retornar a Nova York não trouxe a mesma onda de pânico como teve mais cedo. Ela se fixou no jogo com seu pai, sentindo-se contente e confortável.


* * * * *

Nikia lançou de lado o pedaço de espelho com um grito alto de raiva. Ela sentiu um pouco de satisfação quando colidiu contra a parede e quebrou, entretanto soube que perdeu uma ferramenta poderosa com seu ato infantil.
? A cadela! – Ela se virou para Sian, cuspindo sua raiva ? Como ela ousa se sentar lá muito complacente, conversando com meu Pai querido? – Ela chutou a mesa próxima a ela e ficou contente quando o vaso de cerâmica desintegrou no chão.
? Minha senhora...
? Segure sua língua. – Ela deu uma tapa em Sian, mas não era o suficiente para aliviar sua ira. ? Vá buscar-me a menina.
Uma carranca arruinou o rosto de Sian.
? A moça ordenada para servir aquela cadela? Por que você a quer?
? Porque eu não quero você. ? ela gritou. ? Traga Helena para mim agora ou sofra minha ira.
Com uma mesura, Sian deixou o quarto, batendo a porta atrás dela.
Quando ela foi, Nikia passeou ao redor da sala, ainda fervendo pelo o que seu pai disse sobre ela. E como ele ousava falar daquele modo sobre Illiana? Ela bateu o pé. Ele não teria sido tão valente se soubesse que ela o observou com a lasca do Espelho Observador que a mãe de Illiana passou para ela.
Seu corpo agitou de raiva e sua vista escureceu. Ela quis matar alguém, e não se importou quem. Sua preferência era por sua meia-irmã e Valdemeer, mas ela sabia que qualquer um serviria.
Deveria ser cuidadosa para não ferir Helena demais, ela decidiu. Nada faria para matar a menina. Não só se privaria de uma diversão futura, mas ela também incorreria na raiva de Valdemeer.
Desde que eles descobriram seu plano para matar Anca, Nikia sabia que tinha que agir com cautela por um tempo. Ela não deve ser o foco de atenção até a lua de sangue chegar. Até lá, eles seriam consumidos com a cerimônia e não estariam se preocupando com ela. Eles não previam isso, pensou com um sorriso satisfeito.
Ergueu sua cabeça quando a porta rangeu e Sian retornou, arrastando uma Helena relutante com ela. A menina vestia só um turno de algodão simples, e tinha obviamente se preparado para a cama. Ela quis forçá-la, por todos os meios.
? Tire a roupa dela e a amarre a cama, Sian.
? Por favor, senhora. ? a menina implorava. Lágrimas enormes descendo pelas faces. ? Não me machuque...
Sian bateu nela, parecendo tomar mais prazer que o habitual no som de sua palma contra carne.
? Fale só quando a permissão for dada. Você vai aprender rápido.
Como Sian foi executar sua tarefa, Nikia foi para seu armário buscar um baú pequeno. Ela abriu e examinou sua coleção de brinquedos. Ela pressentiu sua sedução inicial de Helena várias vezes, mas hoje à noite todos os pensamentos de ser gentil fugiram de sua mente. Ela quis golpear alguém e a menina cairia bem.
Ela ignorou muito dos brinquedos que trariam prazer e pegou sua estimada possessão - um chicote de couro flexível com franjas no fim. Cada franja continha uma espiga de metal minúsculo. Deixava um padrão bonito de dor em qualquer lugar que golpeasse.
Nikia brevemente tocou um pênis de couro grande, imaginando a expressão de agonia que Helena usaria quando o monstro rasgasse sua barreira de inocência. Lambeu os lábios, antecipando uma noite de diversão. Seu humor negro já estava se elevando.
O grito de dor de Helena na primeira batida do chicote levantou mais seu humor. Com o chicote rasgando a pele tenra da coxa da menina, ela imaginou sua irmã na frente dela, amarrada e implorando sua clemência. Sua vagina se contraiu com estimulação e ela colocou Sian para trabalhar entre suas coxas enquanto despejava sua raiva em Helena, usando o chicote. Cada grito era música para seus ouvidos e ela se concentrou em saborear a experiência.
Capítulo 12

Apesar de seus melhores esforços para resistir, Anca se achou atraída pela vida de Corsova. Quanto mais Demi lhe mostrou, mais ela sentia como se tivesse voltado para casa. Ele pareceu determinado a mostrar tudo durante a semana que ela prometeu ficar, e não estava desapontada com o que viu.
O dia em que eles foram para o porto de Vachow, os trabalhadores das docas a saudou com uma salva de palmas. Ela visitou estaleiros, armazéns e casas próximas antes de uma pequena embarcação que levava militares ao redor do porto. Posteriormente, o barco se aventurou para um pequeno cruzeiro pelo Mar Preto, e eles receberam uma guarda de honra de vários barcos dos pescadores, velejando em uma formação de duas linhas atrás deles.
A aldeia de Rij era pequena, mas o povo promoveu uma grande celebração improvisada, todos falaram ternamente de Katrine. Anca não podia lembrar-se de apreciar tanto um dia. Era inebriante ter pessoas se curvando e fazendo cortesias para ela, enquanto competiam para conceder todos os seus desejos.
Bulgainia, a capital, era maior do que ela esperava, com um ar contemporâneo, contraposta com arquitetura antiga, torres altíssimas e telhados redondos. O material de construção predominante era pedra cinzenta. Entretanto todo mundo pareceu ter um lugar para estar ou algo para fazer, cada pessoa que eles encontraram paravam e dedicaram tempo para fazê-la sentir-se bem-vinda em sua casa.
Grasov era uma comunidade de agricultura pequena, colhendo trigo de campos verdes e fruta de pomares enormes. Os modos dos aldeãos eram simples e rústico, mas eram mornos e corteses.
Demi insistiu que ela visitasse Sladavia, onde ele nasceu. Seus pais morreram anos atrás, mas a comunidade ainda o saudou como o filho pródigo. Os residentes cortavam a madeira de modo conservador, criavam artes indígenas para Corsova, e tomou alguns turistas aventureiros em excursões de caça guiada pelas florestas circundantes. As pessoas estavam ocupadas, mas conseguiram montar um banquete em sua honra.
Anca não podia evitar perguntar-se quanto dos eventos improvisados foi sutilmente organizado por Demi, mas ela não se importava com seu subterfúgio. Ele estava determinado a mostrar à beleza de Corsova e teve sucesso.
Desde que recebeu uma calorosa recepção em cada lugar que Demi a levou, a recepção fria dos residentes de Necheau a surpreendeu. Logo ficou óbvio por que Demi não planejou a levar para visitar esta aldeia.
Era no alto das montanhas e existia um frio no ar, apesar da estação. Anca se amontoou em uma jaqueta leve quando eles completaram a última meia hora da jornada a pé, pois o SUV não podia subir mais alto e eles não tinham nenhum cavalo.
A princípio, a aldeia era tão pitoresca quanto às outras que ela viu. Crianças brincavam nas ruas, homens com suas mangas enroladas reunidos ao redor de um prédio semi-construído na praça da cidade e várias mulheres trabalhavam com afinco também. Era como voltar ao século dezenove.
Gradualmente, enquanto caminharam pela rua principal, a atividade parou. Existia uma vigilância quieta sobre os adultos e as crianças pareceram sentir a tensão, porque correram para o lado de dentro, com vários deixando brinquedos onde estavam.
? Algo está errado? – Ela sussurrou para Demi.
Ele encolheu os ombros.
? Nossa espécie não é bem-vinda aqui. A maior parte dos residentes de Necheau são lobisomens. Muito territoriais e não realmente amigáveis para membros fora de seu bando.
Se o silêncio tinha enervado antes, de repente pareceu ensurdecedor quando um homem alto de ombros largos saiu de uma casa de madeira de dois andares no fim da rua principal. Ele tinha longos cabelos negros, olhos azuis desafiantes e um ar intimidatório o precediam enquanto avançava. Ele não ofereceu uma saudação ou olhar em sua direção.
? O que o traz aqui, Nicodemus? – Ele virtualmente rosnou as palavras.
? Sua Alteza queria ver o país inteiro.
Ele fez um som baixo em sua garganta, e não soou cortês.
? Agora ela já viu. Siga seu caminho.
? Rica, ela só quer ver.
O olhar ameaçador do homem brevemente passou por Anca.
? Este é nosso território, estabelecido por um tratado com seu avô. Nós dizemos quem tem permissão e quem não tem. – Ele olhou no sol e piscou. ? É o final da manhã. Você deveria estar a caminho. – Sem outra palavra, ele girou suas costas foi embora. Visivelmente, os outros residentes seguiram seu exemplo.
Anca se abraçou e seguiu Demi montanha abaixo. Quando estavam longe da aldeia, ela perguntou:
? Por que ele é tão hostil?
? Rica nasceu hostil. ? ele disse com uma sugestão de diversão, mas não estava sorrindo. ? Como eu disse, o bando é territorial. Eles gastaram séculos fugindo da civilização. Vir para Corsova era a última solução para eles quando chegaram quase quatrocentos anos atrás. Seu avô deu as boas-vindas, e até fez um tratado para garantir a eles os direitos a terra.
? Por que nós precisaríamos de um tratado com eles? – Ela não perdeu sua própria referência como o país sendo seu. Ela gemeu baixinho no deslize.
? Lobisomens são agressivos e se eles se sentissem ameaçados, poderiam atacar. Seu avô usou aquilo como um pretexto, mas eu acho que ele acabou por querer se assegurar que eles se sentissem seguros aqui. – Demi suspirou. ? Ele teve que exigir algo em retorno para legitimar a troca.
Ela tragou, perguntando-se se o bando tinha uma boa razão para desconfiar do seu tipo.
? O que ele pediu? – As visões de virgens sacrificadas precipitavam-se em sua mente.
? Seu sangue, para habilitar nossa raça para se transformar como eles faziam. Depois de pouco tempo, aconteceu que alguns dos lobos quiseram nosso sangue em retorno, para prolongar suas vidas. Nós nos tornamos uma raça híbrida, com exceção de teimosos como Rica. – Ele agitou sua cabeça, parecendo perplexo. ? Ele se recusa a permitir que seu povo tome nosso sangue. Eles têm que escapar para fazer isso, e geralmente não são bem-vindos de volta depois que formaram um laço de sangue com um vampiro.
? Starr...?
? Não. Ela nasceu um vampiro, entretanto formou um laço de sangue com Lucian e Sorin. Ambos foram banidos de sua aldeia, desde que eles escolheram nossa vida. Os três são inseparáveis.
? Nossa espécie casa com eles?
Ele fez uma careta.
? Davinia, sobrinha da Ylenia, casou com o irmão de Rica, mas eu ouvi que ela não é aceita entre as pessoas. É difícil para ela e eu fiquei surpreso por Rica permitir que ela se juntasse ao seu bando. Normalmente, se um lobo casa com nossa espécie – o que é raro - eles são forçados a desistir de seu lugar no bando e viver do nosso modo.
Ela fungou com desaprovação.
? Eu espero que ele veja o quão cabeça dura está sendo.
Demi riu, mas não se importou em responder. Sua risada segurava uma nota de ceticismo, como se duvidasse que Rica pudesse aprender qualquer coisa que ele não quisesse.


* * * * *

Quase despercebidos, os sete dias que Anca concordou em ficar viraram dez, e então doze. Ela não falou nada sobre partir, mas soube quando Demi a convidou para uma corrida que ele a pressionaria por uma resposta. Ela ficaria e tomaria o Juramento de Sangue ou retornaria a sua vida real que parecia menos real a cada minuto?
Ela não sabia ainda.
Eles deslizaram a forma de lobo antes de deixar o castelo, e ela combinou seu ritmo rápido, aproveitando o tempo para limpar sua mente e se concentrar em sua decisão.
O que ele mostrou de Corsova a tentou. Ela gostou das pessoas no país, respondendo ao abraço de sua presença. Toda vez que se aventurou fora do castelo, era como se reunir com velhos amigos que ela nunca encontrou.
E como ela podia deixar seu pai quando ele estava para morrer? Ele era um homem orgulhoso, mas era sensível também. Anca encontrou sua sugestão de vulnerabilidade cativante, e podia sentir sua necessidade de compensar por tê-la abandonando por anos, ainda que tivesse sido para protegê-la. Ela o amou ferozmente e quis ficar com ele até o fim.
Por outro lado, existia sua mãe. Ela falou com ela por telefone algumas vezes, e todas às vezes Katrine insistiu que sua vida estava em Nova York agora, e ela não quis retornar a Corsova.
A mãe persuadiu para que ela tomasse sua própria decisão, ou como ela disse ? a decisão certa ?, mas Anca não sabia como ela lidaria sozinha. Katrine estava se curando bem, mas precisava de alguém para cuidar dela.
Também pesava fortemente a sua obrigação para honrar seu direito de nascença. Era seu dever tomar o Juramento de Sangue, mas sacrificaria tanto ao fazer isso. Ela se assustou ao saber que ela ou Demi podiam morrer, mas Anca sabia que seu pai não podia reinar para sempre. Ela ansiou por mais tempo para decidir, mas a lua de sangue seria em dois dias.
Ela não podia ser dar o luxo de esperar quarenta e seis anos pela próxima lua de sangue, por causa da idade do seu pai. Ele não parecia ter muito mais que sessenta anos, mas aparentemente, era uma característica de sua espécie ser visivelmente eterno enquanto ficava mais velho. O corpo ainda envelhecia, entretanto, e a morte era inevitável até para o Protetor de Corsova.
Acima de tudo, havia Demi para pensar. Ele jurou segui-la de volta para Nova York se fosse sua escolha, mas ele claramente pertencia a Corsova. Ela já sentia a conexão com a terra que ele e Ylenia diziam, e não podia aguentar o pensamento de tirá-lo do único estilo de vida que ele já conheceu.
Nem podia ela contemplar se separar dele. O amava.
Demi parou de correr, interrompendo seus pensamentos. Ele não falou durante sua jornada, provavelmente percebendo que ela estava pensando. Ele soltou algo de sua boca e girou para ela antes de transformar de volta para sua forma humana.
? Nosso lugar. ? ele disse com uma piscada.
Era mesmo, Anca percebeu. Este era o lugar em que eles pararam durante sua última corrida, fizeram amor e dormiram pela maior parte da noite. Com um susto, percebeu também que era o lugar de sua visão no trem. Ela olhou para cima.
O céu noturno era uma tela preta, com milhares de estrelas brilhando acima. Ela nunca viu qualquer coisa como aquilo em Nova York. Podia ouvir o vento soprando suavemente pelas árvores. O solitário grito de um lobo com assombrosa intensidade, antes de outros logo juntar-se e seus gritos ecoaram montanha abaixo. O bando estava perto, mas ela não sentiu nenhum medo.
Sem pensar, saiu de sua forma de lobo e enrolou-se ao lado de Demi em uma cama de rosas. Ela balançou sua cabeça quando seus lábios acariciaram seu pescoço, sentindo cócegas quando ele respirou contra sua pele.
? Humm, isso parece bom.
Ele espalmou seu seio, suavemente tocando seu mamilo.
? Isso também.
Ela riu suavemente e tocou em seu rosto quando virou em seus braços.
Ele pegou a sua mão e trouxe para sua boca. Sua língua localizou sua palma e moveu abaixo.
Anca soltou sua cabeça para trás enquanto as sensações passavam por ela. Olhou para cima, notando que a lua crescente estava quase cheia, e ela tinha um tom rosado estranho. Olhou para longe, mas ela atraiu seu olhar novamente. Todas as vezes que seus olhos buscaram a lua, sua batida do coração acelerava. Ela girou sua cabeça ao toque de lábios contra seu pulso.
? Logo, será hora. ? Demi disse e seus lábios faziam cócegas em sua pele. ? Em duas noites, a lua será vermelho sangue.
? Sim. – Ela começou a compartilhar suas dúvidas, mas seus olhos alargaram quando os dentes de Demi penetraram a pele em seu pulso, achando a veia infalivelmente. Ele nunca se alimentou dela antes.
? Demi? – Ela perguntou em uma voz rouca quando ele suavemente chupou.
Ela ofegou enquanto a dor inicial mudava para um prazer intenso. Anca prendeu a respiração, os olhos fechados por vontade própria. Quando sua língua deslizou sobre o ferimento, sondando suavemente, ela abriu seus olhos levemente e assistiu o jogo de emoções no rosto de Demi. Ela podia ver sua estimulação, mas mais óbvia era sua ternura.
Enquanto sua garganta trabalhava compulsivamente, engolindo seu sangue, ela desmoronou e deitou de volta na cama suave da baía de rosa, fechando seus olhos novamente, absorvendo o prazer desta nova forma de intimidade. Durante os últimos doze dias, eles tentaram muitas coisas, mas não isso. Perguntou-se por que ele esperou.
Ele retraiu suas presas e soltou seu pulso.
? Você não estava pronta. ? ele disse, respondendo sua pergunta não dita. ? Parte de você ainda duvidava do que você era, o que nós somos.
Ele subiu em seu corpo. Seu sangue manchava os lábios dele e Anca ergueu sua cabeça para apressar a reunião de suas bocas. Ao invés de beijá-lo, ela passou sua língua através de seus lábios, lambendo os rastros de seu sangue. O sabor era picante e acobreado, mas com uma doçura subjacente que a fez ansiar por mais. Ela perfurou seu lábio inferior com seu canino e lambeu o ferimento minúsculo, ele silvou com uma combinação de prazer e dor.
Demi tinha se espreguiçado ao lado dela, mas agora escapou e rolou acima para montá-la. Firmou suas mãos no chão, emoldurando sua cabeça e se inclinou para beijá-la. Seu pênis apertado na suavidade de seu estômago, e sua vagina inundada com desejo.
Anca balançou sua cabeça, oferecendo seu pescoço para sua possessão, mas ele ignorou a tentação.
? Nós raramente tomamos sangue do pescoço, dragostia. É muito perigoso, até para nossa espécie. Você não poderia curar rápido o suficiente para evitar perder muito sangue.
Seus lábios separaram os dela suavemente e sua língua aventurou-se dentro para explorar suas profundidades úmidas. Ela gemeu baixo quando sua língua deslizou pela dele. Ela tentou parar seus movimentos, mas a língua dele fugiu da dela para passar por seus dentes.
Sua língua retrocedeu e ele aliviou seu peso mais completamente. Com o rosto de Demi enterrado na curva de seu pescoço, uma de suas mãos apertou seu seio. Ele esfregou um mamilo entre seus dedos, fazendo o sensível broto endurecer ao seu toque.
Sua outra mão viajou abaixo em seu lado, explorando suas costelas, pausando para girar sua cintura, bater levemente seu quadril, e então deslizar em sua coxa.
Anca endureceu quando ele buscou sua vagina. Ele estava indo muito devagar. Ela quis sentir seu pênis dentro dela, a antecipação a fez girar seus quadris impacientemente.
Ele riu novamente quando acariciou seus lábios inchados, molhados com seu próprio orvalho, mas não aventurou entre eles.
Ela grunhiu e curvou seus quadris, exigindo sem palavras que ele cumprisse sua promessa não dita.
A respiração de Demi era quente contra seu pescoço quando disse
? Tão impaciente.
Ela prendeu as mãos no cabelo dele, empurrando sua boca mais em seu pescoço enquanto arqueou seus quadris.
? Por favor, ? Ela sussurrou. ? Eu confio em você.
Ele hesitou.
? Eu quero. ? ela o assegurou. Ela achou o pensamento dele bebendo dela intoxicante e excitante. A ameaça do perigo só adicionava a sua excitação.
? Eu vivo para servir você. ? ele disse com um rastro de sarcasmo gentil. Segundos mais tarde, suas presas penetraram a veia em seu pescoço ao mesmo tempo em que seus dedos deslizaram dentro de sua vagina e buscaram seu clitóris. Ele o encontrou molhado e pronto, e ela deu voz para sua paixão enquanto ele a tocava com punhaladas lentas.
? Mais. ? ela persuadiu, não certa se queria que ele bebesse mais profundamente ou desse punhaladas mais rápidas.
Ele escapou de seu pescoço, cuidadosamente lambendo os rastros de sangue. Segundos mais tarde, ergueu sua cabeça para encontrar seus olhos.
? Você está curando.
Ela movimentou a cabeça, sentindo a ferida fechando à medida que ele falou.
? Me tome Demi. – Anca o ouviu mexendo nas flores e ergueu sua cabeça para ver o que ele estava fazendo. Assistiu enquanto ele corria sua mão pela baía de rosa. ? O que você está fazendo?
? Deixei cair um preservativo aqui. ? ele disse. ? Eu não tinha outro lugar para levar e quando nós chegamos aqui, eu não podia esperar para me livrar dele. Eu não prestei atenção onde caiu. ? Ele fez um som baixo de triunfo e levantou o pacote. ? Ah ha.
Ela sorriu e deitou de volta com suas coxas abertas. Não demorou muito para ele vir e ela ofegou quando juntaram seus corpos com uma punhalada dura. Quando Demi deitou-se em cima, Anca agarrou seus ombros e curvou os quadris para cima, tomando-o inteiro dentro dela.
Ela estabeleceu a velocidade, movendo rápido e urgente, doendo pela conclusão. Anca tomou sua mão e guiou para sua vagina, e ele imediatamente começou a esfregar seu clitóris. Ela fechou seus olhos e circulou seus quadris lentamente enquanto empurrava contra ele. Logo, seu ritmo aumentou novamente, e ele combinou com a punhalada de seu pênis e a rapidez de seus dedos.
Anca apertou seu rosto contra seu tórax quando seu orgasmo se aproximou. Era a coisa mais natural no mundo afundar suas presas na veia acima de seu coração. Enquanto o sangue rico derramava-se em sua boca, ela sentiu o espasmo de seu pênis e o fluido quente dentro do preservativo. O sangue gotejava dentro de sua boca, e engoliu tão rápido quanto ela podia, até que sua vagina se contraiu com um orgasmo.
O esmagou contra ela, surpreendida por sua própria força, quando ela tirou sua boca de seu ferimento. Sua vagina continuou a se contrair e o resultado fez seus membros tremer. Quando a batida de seu coração normalizou, Anca notou que o dele também com sua orelha próxima de seu coração. Ela respirou fundo, sentindo o cansaço alcançá-la. Estirou-se e ele saiu de cima dela, mas ainda a segurou perto de seu lado.
Anca girou sobre seu lado para examinar o ferimento que fez. Já estava cicatrizando, então não o feriu muito.
? Machucou?
Ele encolheu os ombros.
? Um pouco, mas foi bom.
? Sim. ? ela disse em um sussurro. Acariciou os pêlos em seu peito. ? Eu decidi.
Ele endureceu e uma ponta de preocupação passou por sua expressão.
? Sobre o Juramento de Sangue?
Ela assentiu com a cabeça.
? Eu farei.
Ele cedeu com alívio, mas ainda perguntou:
? Você está certa de que é isso que quer? Não tem mais volta.
Ela deu a ele um sorriso trêmulo.
? Eu sei. Eu tenho medo, mas eu sei que você estará comigo. Isto é a coisa mais importante para mim. – Ela se preparou, juntando sua coragem. ? Eu amo você, Demi.
Ele exalou duramente e em seguida a puxou firmemente contra ele.
? Você não sabe quanto tempo eu esperei para ouvir você dizer isto.
Ela movimentou a cabeça, incapaz de falar com seu rosto apertado contra seu tórax. Quando ele soltou seu aperto, ela inclinou seu pescoço para olhar para ele.
? Eu quis dizer isto dias atrás, mas não me pareceu certo até que eu decidi. Eu não queria dizer a você que eu o amava e então partir. Agora que eu decidi, posso gritar isto se eu quiser.
Ele deu seu um sorriso torto.
? Vá em frente. Ninguém ouvirá, exceto talvez alguns lobos.
Ela se sentiu um pouco envergonhada, mas levantou e gritou.
? Eu, Anca Draganescu, amo Nicodemus Golina.
Uma exuberância de uivos respondeu ao anúncio. Cada um pareceu segurar uma nota de aprovação e talvez um pouco de diversão. Anca sorriu para ele antes de se curvar e deitar a cabeça em seu tórax. Ela estava em paz com sua decisão e feliz em seus braços.
Capítulo 13

A noite da lua de sangue chegou e Anca estava mais nervosa que nunca. Helena veio para ajudá-la com o traje adequado para a formalidade. Ela notou que a menina se movia devagar e estremecia toda vez que erguia seus braços. Ela fez uma careta de preocupação quando a menina estremeceu novamente quando tentou endireitar a bainha na altura do tornozelo.
? Helena você está bem?
A menina deu um sorriso trêmulo e alisou uma ruga na capa de veludo branca de Anca. Era um branco tão puro que estando em pé ao lado dele deu a sua pele já pálida um elemento ainda mais fantasmagórico.
? Tudo bem, minha senhora.
Anca continuou a observá-la enquanto atou o corpete do vestido e fez um laço simples. Quando Helena deu a volta, a manga de seu vestido cinza deslizou, revelando golpes longos. Mesmo cicatrizando, eles ainda pareceram terríveis. Ela tomou a mão da menina antes dela poder puxar para longe e endireitar a manga. Ela nitidamente inalou.
? Meu Deus. Quem fez isto?
Helena tentou se afastar e recusou encontrar seus olhos.
? Realmente, não é nada, senhora.
Anca desceu do banquinho em que estava. Soltou o braço direito de Helena antes de tomar o esquerdo e levantar a manga. Os mesmos ferimentos arruinavam sua pele.
? O que fez isto?
Helena agitou sua cabeça enquanto seus olhos olhavam freneticamente em torno do quarto.
Ela fez sua voz mais firme.
? Diga-me agora.
? Mas...
? Eu exijo que você me diga.
Lágrimas corriam no rosto da jovem.
? Eu-ele era um wh-chicote, Sua Alteza. ? Os soluços agitaram seus ombros delicados, mas ela estremeceu e puxou longe quando Anca tocou suas costas.
? Tire seu vestido. ? Quando ela viu o modo instintivo como Helena cobriu seus seios e ficou longe, ela apressou a assegurar. ? Eu não vou machucar você, mas eu preciso ver o quanto você está ferida.
Com o ar de um mártir, Helena desatou seu vestido quando ela girou ao redor. Ela deixou o vestido cair para sua cintura, tomando cuidado para preservar sua modéstia.
O que viu a deixou enjoada. Dezenas de marcas de chicote cruzadas umas as outras. Eles cicatrizaram, mas Anca pensou que os mais profundos estavam infectados. Ternamente, ela puxou o vestido em cima de suas costas e acima das marcas, segurando em seu lugar enquanto Helena reatava os laços com dedos trêmulos.
Anca se voltou para ela cuidadosamente, mas não podia esconder a raiva em sua voz trêmula.
? Quem fez isto com você?
O cabelo da Helena escondeu seu rosto e abafou sua voz, mas o nome estava ainda audível.
? Nikia.
Ira passou por Anca e sem pensar ela forçou sua entrada nos pensamentos de sua meia-irmã. Ela clamou em dor quando Nikia a jogou fora com um arranco violento e colocou uma barreira entre elas. Ela balançou instavelmente e se agarrou a cabeceira da cama.
? Minha senhora? Você está doente? – A preocupação refletia nos olhos de Helena.
Ela agitou sua cabeça e retraiu uma respiração funda.
? Não. Eu não estou certa do que aconteceu. Eu acho que tentei entrar em seus pensamentos e ela me forçou fora.
Quando recuperou o controle, Anca tomou a mão de Helena e a levou para a cama. Ela a sentou suavemente e pegou uma caixa de lenços no criado-mudo.
? Você tem que me dizer o que aconteceu. ? Ela esperou resistência, mas existia um rastro de alívio nos olhos de Helena enquanto despejava sua história.
O que ela ouviu serviu para atiçar sua raiva contra Nikia, mas também a fez chorar silenciosamente com a menina embalada em seus braços. Quando as palavras e lágrimas de Helena cessaram, ela a balançou.
? Eu prometo que ela nunca tocará em você novamente. Uma vez que a formalidade esteja terminada, eu lidarei com Nikia.
Ela soou como um rato tímido.
? Como, Sua Alteza?
Anca hesitou. A resposta era óbvia, mas teria a capacidade de impor uma sentença de morte a alguém? Ela tinha aprendido durante sua estadia em Corsova que o sistema legal Americano era um conceito estranho aqui. As pessoas viviam pela regra do Protetorado, por isso seria melhor eles esperarem que fosse justo. Ela mordeu seu lábio.
? Vou mandá-la embora.
Os ombros de Helena cederam e ela se afastou.
? O senhor Nicodemus estará logo aqui para levar você. – Ela gesticulou para a bandeja que ela trouxe mais cedo à noite. ? Ylenia disse que você dois precisariam beber esta poção.
Como se suas palavras o tivessem chamado, houve uma batida na porta. Helena correu para atendê-la e fez uma mesura para Demi enquanto ele entrava.
Ele temporariamente a distraiu do problema com Nikia. Anca não podia resistir dar um pequeno suspiro de prazer quando o examinou no manto de safira azul. Ela não estava acostumada a ver homens em qualquer coisa exceto calça comprida e calção, mas ele não parecia nada feminino no manto comprido. O corte enfatizou a largura de seus ombros e sua cintura estreita. A cor trouxe manchas azuis escuras para seus olhos pretos e fez seu cabelo brilhar mais ainda na luz.
Ele se aproximou, puxando-a da cama e em seus braços para um beijo rápido, duro.
? Eu senti sua falta.
Ela deu uma risadinha.
? Você me viu esta manhã, antes de deixar meus aposentos.
Ele sorriu, mas as extremidades de sua boca tremiam quase imperceptivelmente. Ele parecia nervoso.
? Isto é muito tempo.
Anca não mencionou o seu próprio estado de nervos quando Helena os abordou com dois cálices de cobre da poção que Ylenia enviou. Ela pegou um e deu à menina um sorriso encorajador. Pensou em garantir novamente que Nikia não a machucaria mais, mas imaginou que Helena não gostaria que Demi soubesse. Ela diria a ele, mas não enquanto a menina estivesse por perto.
Demi olhou a poção com uma careta.
? O que é isto?
Os olhos de Helena permaneciam baixos.
? Eu não sei meu senhor. Ylenia me disse para servir um cálice para cada um.
Ele cheirou, fazendo uma careta. Com um sorriso jovial, ele tiniu seu cálice contra o de Anca.
? Saúde.
? Vira o copo. ? ela disse com um sorriso falso e trouxe o cálice para seus lábios. O cheiro era horrível, mas tinha gosto de damascos e mel. ? Não é ruim. ? Ela terminou o resto em um gole longo, enquanto Demi fez o mesmo.
Ele devolveu os cálices para Helena e ofereceu sua mão.
Anca colocou a sua sobre a dele e avançou um passo para ficar ao seu lado. O quarto começou a girar e bílis subiu pela parte de trás de sua garganta. Seu estômago se contraiu e seus olhos pareciam pesados. Ela abriu sua boca para alertar Demi que algo estava errado.
Ele a interrompeu articulando uma palavra única.
? Veneno. – Ele caiu fortemente no chão de pedra.
Anca o agarrou, mas seu braço pareceu desconectado de seu corpo. O quarto girou mais rápido, mas seus olhos conseguiram se fixar brevemente na menina.
Lágrimas inundavam os olhos arregalados de Helena. Seus dedos estavam em sua boca e ela parecia estar se mordendo para evitar chorar. Ela baixou os dedos e agitou sua cabeça.
? Não é veneno, minha senhora. Só uma mistura para dormir.
? Por quê? ? Ela conseguiu perguntar, quando caiu ao lado de Demi.
Helena ajoelhou ao lado dela, tirando o cabelo de sua testa.
? Eu sinto muito, minha senhora. Eu não tive nenhuma escolha. Eu tenho medo dela.
? Está tudo bem. ? ela sussurrou, sabendo que sua meia-irmã estava por trás disto. O nome de Nikia ecoou pela mente da Anca à medida que em que desmaiava.


* * * * *

Ela despertou deitada na cama. Anca tentou se mover e achou seus braços amarrados aos suportes da cama. Uma pressão em seu tórax a fez erguer a cabeça e olhar abaixo. Ela fez uma careta para o aparelho. Ela podia senti-lo preso ao redor de sua cintura e ela estava deitada sobre ele. Pareceu não servir a nenhum propósito exceto segurar a estaca maldosamente afiada apontada a centímetros de seu coração.
Ela abriu sua boca para gritar por ajuda e percebeu que estava amordaçada. Ouviu movimento ao lado dela e girou sua cabeça para ver Demi amarrado com seus braços em seus lados, preso por um dispositivo idêntico ao seu, com a estaca descansando contra seu coração. Ela fez um som interrogativo, e ele girou sua cabeça.
Seus olhos refletiam seu medo e ele disse algo, mas a mordaça amortizou suas palavras além de compreensão. Ele fechou os olhos.
Nikia.
Sim. O que nós faremos?
Nós temos que escapar. Ele rosnou.
Como?
Eles congelaram quando uma risada fria soava da direita, fora de seu alcance de visão. Nikia apareceu, debruçando sobre Anca.
? Você não pode irmã. Você está amarrada com firmeza e se você tivesse planos de se transformar, ? ela acariciou o ponto perto do coração de Anca, ? pense novamente. A prata é venenosa para lobisomens e você tem suficiente de suas características para ficar mortalmente doente, presumindo que você sobreviva à estaca penetrar seu coração.
Por quê? Anca gritou, usando sua plena capacidade mental no caso de Nikia ter uma barreira no lugar novamente.
? Porque eu farei o Juramento de Sangue. É meu direito, não seu. – Raiva faiscava nos olhos de Nikia. ? Você não pode me usurpar de meu lugar legítimo.
Você morrerá.
? Mentira! – Nikia acenou sua mão. ? Ylenia quer manter-me longe de minha herança, só isso. Eu não sou boa o suficiente para eles por causa do que minha mãe fez. – Ela se inclinou mais perto, até que seu rosto estava a centímetros de Anca. ? Ela não era santa como a cadela que produziu você, então eles querem erradicar sua linhagem, mas eu não deixarei.
Anca procurou uma forma para argumentar com Nikia, mas logo percebeu que não se podia argumentar com os loucos. O cintilar de loucura brilhava em seus olhos. Eles não podiam detê-la com meras palavras.
? Você não pode me parar de jeito nenhum. ? Nikia silvou. ? Eu logo terei tudo que eu preciso. ? Ela acenou para Sian, que se aproximou levando o cálice dourado e um punhal afiado. ? Eu preciso de seu sangue e do pendente. – Ela olhou para Demi. ? Seu sangue também e do nosso querido pai e eu serei o regente legítimo.
Anca tentou se preparar para a picada do punhal quando Nikia empurrou a manga volumosa de seu manto branco e apertou a ponta contra a curva de seu cotovelo. Ela gritou quando deslizou por sua carne, mas o pano em sua boca abafou o volume.
Os olhos de Nikia nunca desviaram da visão do sangue de Anca que fluía no cálice. Foi só quando o ferimento parou de sangrar que ela deu o punhal e o cálice para Sian.
? Pegue o dele. – Ela dirigiu um olhar ardente em direção a Demi. ? Eu não tenho nenhum desejo em tocá-lo.
Quando Sian se moveu em volta da cama para pegar o sangue de Demi, os dedos de Nikia se moveram para as rendas no manto da Anca.
? Agora o pendente, irmã querida.
Anca tentou torcer longe, mas não podia fugir de Nikia. Dentro de segundos, seus seios foram expostos e Nikia tinha desprendido o pendente. Ela não conteve um gemido triste quando Nikia removeu o pendente.
Seu gemido virou um grito de choque quando Nikia beliscou seu mamilo. Ela balançou sua cabeça e redobrou seus esforços para se afastar, mas estava firmemente presa. A mordaça amorteceu seu grito de indignação quando Nikia curvou sua cabeça e lambeu seu seio.
Não me toque!
? Gostosa - Nikia disse antes de suas presas afundarem na carne suave do seio de Anca. Ela sugou por uns segundos antes de erguer sua cabeça. ? Se eu tivesse mais tempo, irmã querida... – Ela suspirou. ? Talvez eu mantenha você por perto como meu brinquedo durante algum tempo, até que eu me canse de você. – Ela tocou o outro seio de Anca quando ela ajoelhou e lambeu sua bochecha. ? Eu ensinarei você como usar sua língua. – Ela falou em um sussurro sensual. ? Eu ensinarei você a se submeter.
Ela levantou-se e olhou com raiva para Demi.
? Eu receio que não tenha nenhum uso para seu amante, entretanto. Quando eu completar a cerimônia, ele será o primeiro a morrer. – Ela acenou sua mão para Sian, e elas se apressaram através do quarto. Nikia não pausou para olhar para trás quando ela precipitou-se para a porta, batendo-a atrás dela.
Anca girou sua cabeça para poder olhar Demi.
Nós temos que sair daqui e impedi-la. Ela morrerá se fizer o Juramento de Sangue.
Quem se importa? Eu estou mais preocupado em perder a fase da lua. Se você não prestar juramento agora, não existirá outra chance. Eu estou certo de que ela já foi atrás de seu pai.
Enquanto falava, Demi se contorcia contra a restrição de prata, silvando quando a estaca arranhou sua pele.
Como nós sairemos disto?
Existe só uma maneira em que eu posso pensar. O olhar dele prendeu o dela. Eu te amo, Anca. Tudo que importa é você parar Nikia e completar a cerimônia.
Ela sabia o que ele planejava fazer antes mesmo de fazê-lo. Ela gritou em protesto quando ele se transformou em lobo.
Demi cuspiu a mordaça e uivou em agonia. A estaca penetrou seu peito e pareceu tomar toda sua força puxá-lo fora. Sua respiração era ofegante e ele voltou para sua forma humana.
? Ah, isso dói, dragostia. – Seu sorriso forçado pareceu fraco quando se movimentou através da cama e desatou suas restrições com as mãos tremendo. Ele abriu a restrição com um clique. Assim que estava livre Anca se sentou e rolou em direção a ele, tocando em seu rosto pálido.
? Você está morrendo?
? Não sei. ? ele disse em meio a ofegos.
Ela o abraçou.
? Diga o que devo fazer para salvar você.
? Sangue. Preciso de sangue.
Ela não hesitou em abrir o corpete de seu vestido e oferecer a ele seu pescoço. Ela gemeu com dor quando as presas de Demi afundaram em sua pele. Ele não tinha a mesma delicadeza que teve da última vez e ela não estava excitada, então doía o suficiente para trazer lágrimas aos seus olhos. Ela suportou impassivelmente enquanto ele bebia.
Ela ficou tonta e começou a se afastar assim que ele quebrou o contato. Alguma cor reapareceu em suas bochechas, mas ele ainda pareceu terrível.
? Você viverá?
Ele assentiu com a cabeça.
? Vai levar muito tempo para curar, entretanto. Eu não serei muito útil para você hoje à noite.
Ela rolou para fora da cama ajudando-o. Tentou segura-lo contra ela, mas ele se afastou e se endireitou.
? Agora o que faremos?
? Nós temos que achar Valdemeer. Ela precisa de seu sangue para completar a cerimônia. Se ela não chegou a ele ainda, não é muito tarde para pará-la.
Demi a surpreendeu por acompanhar seu ritmo frenético - entretanto não sem dificuldade - enquanto se apressavam para os aposentos de Valdemeer. Ele caminhou com um passo instável e oscilou de vez em quando, mas não hesitou. Ele pareceu estar funcionando somente com adrenalina ou determinação, mas não havia tempo para permitir a ele descansar.
A porta de Valdemeer estava parcialmente aberta e a falta de um guarda no corredor fez o estômago de Anca se apertar com medo. Ela empurrou a porta de carvalho e apressou-se em seu quarto. Gritou quando o viu deitado no chão de pedra. Uma poça grande de sangue o cercava.
? Papai. ? ela chorou quando correu para ele. Estava ciente de Demi a alcançar e abaixar ao lado dela quando ajoelhou para verificar Valdemeer. Sentiu sua garganta rasgada e chorou ao traço de uma pulsação que ela achou. Chorou novamente quando seus olhos se abriram e ele agarrou seu pulso com força assombrosa. ? Você está vivo.
? Morrendo. ? ele disse em um sussurro lento. ? Tomem meu sangue.
Ela agitou sua cabeça.
? Você morrerá se nós tomarmos mais.
Seus olhos se moveram para Demi e ele concordou.
Anca olhou para cima a tempo de ver Demi assentir com a cabeça e levantar-se. Quando fez seu caminho para o mini-bar para pegar um copo, ela agitou sua cabeça, articulando a palavra. Não. Ela olhou para seu pai.
? Nós não podemos fazer isto. Eu não quero que você morra.
A boca dele estava mole e seus olhos começaram a vitrificar. Ele achou que pensar fosse mais fácil que falar.
Estou destinado a morrer, Anca... É parte da cerimônia.
Ela agitou sua cabeça não compreendendo, ou recusando acreditar.
Sim, ele insistiu. É o modo das coisas. Transcurso do velho para o novo... Meu poder para você. Não pode mudar isto.
Ela olhou com raiva para ele.
? Você devia ter me dito. Eu não teria concordado em fazer isto se você me dissesse.
Eu sei. Não podia dizer a você... Fiz Demi jurar não contar. Ele achou força para apertar sua mão suavemente. Este é nosso modo.
Demi retornou a eles, segurando um jarro.
? Eu tenho um recipiente, meu senhor.
? Faça isto. ? ele disse fracamente.
Anca não podia assistir quando Demi pressionou o ferimento do pescoço do seu pai para fazer com que mais sangue fluísse.
Ela apertou as mãos sobre os olhos e começou a soluçar.
Amo você, copia de meu inimiä. Cuide de Demi e guarde nossos modos.
? Não é justo. ? ela sussurrou. Pegou sua mão entre a sua enquanto lágrimas escorriam por seu rosto. ? Eu amo você, papai. Eu não quero te perder agora.
Se apresse, copia. Você deve impedi-la. Não quero que Nikia morra e você...Faça o Juramento antes que a lua se mova... Alinhamento.
Com um fraco recíproco aperto, Valdemeer fechou os olhos. Seu aperto relaxou e sua última respiração passou por seus lábios. Anca não conseguia se soltar dele enquanto Demi a puxava para cima. Quis ficar ao lado de seu pai e lamentar sua morte, mas não havia tempo.
? Adeus, Papai. ? ela disse e suavemente ficou em pé. Demi manteve um ritmo acelerado, movendo-se com mais graça que havia exibido anteriormente. Anca enxugou suas bochechas.
? Você está mais forte?
Ele balançou a cabeça.
? Eu estou fraco. – Ele agarrou o corrimão da escada que levava a torre, inclinando-se fortemente contra a parede. Deu o copo com o sangue do seu pai. ? Tome isto. Eu poderia deixar cair. – Ela segurou relutantemente, recusando-se olhar as ultimas gotas preciosas de Valdemeer. Segurou outro soluço, sabendo que devia controlar suas emoções. Se ela quebrasse agora, não estaria em condições de confrontar Nikia, e muito dependia de impedir o esquema de sua meia-irmã. Eles estavam perdendo tempo, dificultados pela inabilidade de Demi subir sem se arrastar degrau por degrau usando o corrimão. A meio caminho acima, ele acenou para que fosse à frente dele.
? Vá, Anca. Eu te alcanço, mas você tem que impedi-la. – Ele apontou para a janela no topo da torre, esticando o pescoço. ? A lua sairá do alinhamento logo.
Com um olhar incerto no copo de sangue em sua mão, ela disse
? Mas e...?
? Eu estarei lá a tempo. – Ele tomou o sangue dela. ? Eu não soltarei isto. Eu juro.
Ela movimentou a cabeça, vendo pela intensidade em seus olhos que o protegeria a todo custo.
? Eu amo você.
Anca disparou em uma corrida, subindo os degraus em volta da torre dois de cada vez. Quando alcançou o topo, existia só uma porta e passou por ela sem pensar.
Estacou chocada pelo que viu. A esfera vermelho-sangue refletia o luar sobre uma plataforma onde o cálice estava, seu pendente encaixou a fenda na base do cálice e brilhava tão intensamente quando a esfera alinhada, com os raios da lua absorveu a luz refletida. A mão de Nikia segurava o cálice e ela disse algo em Corsovan.
Os olhos de Anca moveram-se para onde Starr permanecia, segurando um pergaminho velho nas mãos amarradas. A jovem tremia de medo e sua voz era instável. Ela também falou em Corsovan, mas as palavras ficaram perdidas no meio dos soluços que emitia.
Quando Anca olhou abaixo, viu por que a menina estava chorando. Ylenia estava deitada de bruços no chão. Uma mancha vermelha ensopava a parte de trás de seu manto prata e não estava se movendo. Obviamente, ela tentou parar Nikia ou falhou em cooperar.
Quando Starr terminou de falar e Nikia levantou o cálice, Anca lembrou-se de seu propósito e correu para frente.
? Não, não faça isto. Papai pediu que eu a impedisse de se matar. – Ela correu, mas o cálice tocou os lábios de Nikia antes de poder alcançá-la. ? Não faça isto, Nikia. Por favor.
Nikia não parou. Tragou o conteúdo do cálice em goles gananciosos. Um pouco do sangue gotejou da beira e escorreu em seu queixo, mas ela não parou para enxugar. Não parou até que consumiu a última gota.
Ela bateu o cálice sobre a plataforma e atacou Anca. Seus olhos verdes castanhos seguraram um reflexo vermelho.
? O poder. Eu não posso acreditar nisto. Eu posso sentir atravessando cada poro... Meu coração bombeando, enviando... – Ela cessou bruscamente quando uma expressão estranha passou por seu rosto. Apertou o peito, parecendo não mais escravizada pelo poder a inundando.
Sua expressão era interrogativa quando ela encontrou os olhos tristes de Anca. Nikia ofereceu sua mão, parecendo estar pleiteando algo, mas não tendo nenhuma voz para articular seu pedido. Seus olhos se arregalam e ela tossiu. Sangue derramou de sua boca, manchando seu manto branco. Ela caiu de joelhos e um grito penetrante saiu de sua garganta.
Ela olhou para cima, encontrando o olhar de Anca novamente.
Não deveria ser assim. Nikia disse quando desmoronou no chão de pedra.
Anca ouviu passos atrás dela e viu Demi se aproximando devagar. Correu para ele, abraçando-o.
? Eu tentei impedi-la, mas ela não escutou.
Uma de suas mãos alisou seu cabelo.
? Ela estava além de ouvir. Almejou poder demais e não podia ver a razão.
Starr timidamente se aproximou.
? Você tem que se apressar. Faltam só alguns minutos.
Anca envolveu seus braços ao redor da cintura dele e ele se inclinou contra ela enquanto caminhavam para a plataforma. Ela viu Starr se atrapalhar com o cálice, tentando segura-lo com suas mãos atadas. Ela inclinou Demi contra a plataforma, certificando-se de que ele teve um aperto seguro e virou para Starr.
? Deixe-me desamarrar você.
Starr estendeu suas mãos e Anca lutou com a corda, não fazendo qualquer progresso com os laços complicados.
? Ela tinha um punhal. – Starr empurrou sua cabeça em direção de Nikia.
Anca foi para Nikia, rolando-a sobre as costas. Seus olhos se arregalaram quando percebeu que sua irmã respirava fracamente.
? Ela está ainda viva. ? Tocou em sua garganta, achando um fraco mas fixo pulso. Notou as pálpebras de Nikia rapidamente se movendo e abriu uma delas. Seus olhos estavam se contraindo em um semblante de sono REM. ? Eu acho que ela está em coma. ? duvidosamente disse.
? Não há tempo para se preocupar com ela agora. ? Demi disse. ? Ache o punhal, Anca.
Ela assentiu com a cabeça e olhou para baixo. Nada no cinto de Nikia e não existia nada em seus bolsos.
? Não está aqui.
? Olhe Sua Alteza. ? Starr gritou.
Anca olhou para cima a tempo de ver a mulher que ajudou Nikia a tirar o sangue de Demi correndo em direção a ela com um punhal sobre sua cabeça. Ela tinha estado nas sombras do canto, aparentemente esquecida por Starr. Rolou para longe quando a mulher louca avançou contra ela. Ela chutou com os pés, pegando sua atacante no estômago.
Com um gemido ofegante, ela caiu sobre o chão, soltando o punhal no processo. Anca rolou para frente e o pegou antes de se levantar. Procurou por um jeito de amarrá-la, mas a única corda que ela viu estava nos pulsos de Starr.
? Se apresse ? Starr persuadiu.
Relutantemente, Anca pegou o cabo grosso do punhal e bateu na têmpora da mulher, a fazendo desmaiar. Absurdamente, ela se achou dizendo:
? Desculpe, ? quando ela se apressou de volta para o dois.
Livrou Starr e a mulher usou sua manga para limpar os resíduos de sangue que permaneciam no cálice. Então estendeu a mão para o jarro de sangue de Valdemeer. Começava a esfriar e ela fez uma careta quando o esvaziou.
? Depressa, eu preciso de seu sangue, Suas Altezas.
Anca passou o punhal para Demi, incapaz de se cortar. Ele exalou nitidamente quando cortou seu antebraço e segurou acima do cálice. Quando tomou sua mão e expôs seu pulso, ela fechou seus olhos. A lâmina era afiada e penetrava facilmente. Ela abriu seus olhos novamente quando ele moveu seu pulso acima do cálice. O ferimento fechou segundos mais tarde e o cálice estava cheio até a borda com o líquido carmesim.
Starr girou o cálice na plataforma e posicionou o pendente para absorver a luz da lua.
? Senhor Nicodemus, você começa, pois você sabe o Juramento. Em inglês será melhor, por causa da Sua Alteza.
Ele pôs sua mão na base e começou a falar.
? Eu reconheço e abraço meu dever como companheiro para o Protetor de Corsova. Eu ofereço minha vida para proteger a sua e eu juro honrar os costumes de nosso povo.
? Tome um pouco.? Starr dirigiu.
Demi ergueu o cálice e engoliu o sangue antes de devolvê-lo para a plataforma. Ele alinhou perfeitamente antes de mover de lado assim Anca podia ficar próxima a plataforma. Ele pôs seu braço ao redor ela, oferecendo apoio mudo.
Ela pegou a base do cálice.
? O que eu faço?
? Repita depois de mim. – Starr tomou o pergaminho de seu bolso. ? Eu reconheço e abraço meu dever como o Protetor de nosso povo.
Anca repetiu, parando incerta quando sua mão começou a formigar. Ela terminou a primeira parte quando Starr a preveniu para se apressar.
Starr continuou a ler quando ela terminou de falar.
? Eu protegerei nosso povo e tradições. Eu permanecerei fiel aos nossos costumes. Eu juro ser um líder justo e íntegro. Eu aceito meu fardo com graça. Eu sou o Protetor dos modos antigos e pastor das pessoas. Eu sou Corsova.
Anca teve que pedir a Starr para repetir parte do Juramento e novamente se distraiu quando o formigamento rastejou em cima de seu braço e estendeu ao longo de seu corpo. Quando articulou a última palavra estava ciente do formigamento em toda parte de seu corpo.
? Agora beba minha senhora. Beba tudo.
Quando Anca terminou o cálice de sangue frio, fazendo careta por seu estado gelado, Starr falou em Corsovan, finalizando a cerimônia. Quando devolveu o cálice para o estrado, seu corpo queimava com energia, entretanto era indolor. Ela virou-se para compartilhar sua maravilha com Demi e ficou surpresa ao ver que ele se curou completamente e parecia restabelecido.
Ele tocou em seu peito.
? O poder me curou. Eu esqueci que isso aconteceria. – Ele estendeu os braços.
Anca foi de boa vontade, enterrando seu rosto contra a suavidade de seu manto safira. Lágrimas saíram de seus olhos e ela não soube o motivo do chorou. Pesar por seu pai, uma sensação opressiva do poder e medo do desconhecido eram todas as razões para que ela soluçasse, mas existia algo indefinível também. Talvez piedade por sua irmã, ela decidiu como tentativa.
Ele a segurou até a tempestade passar, murmurando palavras calmantes em Corsovan.
Quando Anca ergueu sua cabeça, ela se sentiu muito melhor.
? O que acontece agora, meu amor?
? Nós viveremos nossas vidas e cumpriremos nosso dever. – Ele suavemente a beijou. ? Nós seguiremos nosso destino.
A tristeza sombreou seus olhos.
? Meu pai...
? Ele estava pronto, Anca. Ele soube o que aconteceria e seus últimos dias foram mais felizes por ter encontrado você.
Ela movimentou a cabeça e seu olhar parou em Ylenia antes de mudar para Nikia e a mulher no chão próximo dela.
? Tanto sofrimento e morte. O que nós faremos com Nikia?
? Nós a enviaremos para longe para ser tratada. Não existe nenhuma instalação em Corsova que trate suas necessidades e nenhuma segura o suficiente para controlá-la se ela acordar. Ela não pode ter permissão de voltar ao nosso país. ? O rosto de Demi apertou quando seu olhar passou por Sian. ? Ela também será banida. A morte não é mais do que ela merece, mas...
Ela assentiu com a cabeça, entendendo suas reservas sem ele ter que falar. A dúvida a ocupou quando ela perguntou-se se estaria à altura do Juramento que ela tomou. Anca olhou para cima, encontrando os olhos de Demi e encontrou a resposta. Seu amor e apoio a ajudariam.

FIM






Nota da autora:

Quando eu me dediquei a criar um país para ser um abrigo para aqueles que não eram completamente humanos, eu quis que ele fosse realista. Meu primeiro passo foi achar um local apropriado para um mundo de vampiros. Quando eu pensei sobre vampiros, Romênia veio a minha mente, mas eu não quis ser óbvia. Europa Oriental ainda pareceu como a colocação perfeita para tal país,e eu estudei mapas. Eventualmente eu obtive emprestada uma seção da Ucrânia e fiz isto em Corsova.
Existia mais a criar em um país além do nome. Eu tive que compreender geografia, economia, flora, fauna e cultura. A fim de ter Corsova ligada com os outros países na região, eu fiz muita pesquisa na Moldávia, Romênia e Ucrânia. Tomando as melhores partes de cada país, eu formei uma combinação que se tornou Corsova.
Corsovan é falado algumas vezes ao longo do livro e o idioma é baseado fortemente em romano, que tinha o tradutor mais fácil de achar on-line e de entender. A adição de algumas letras transformou romano em Corsovan.
Quaisquer imprecisões nos lugares reais mencionados são um subproduto de licença artística.





 

 SÉRIE LINHAGEM DE SANGUE 01

 

Kit Tunstall

 

 

Tradução mecânica: Ninna Karenin

Revisão Inicial: Ninna Karenin

Revisão Final: Tereza F. de Lima

Formatação: Beatriz C. Mendes

 

 

Resumo

 

Anca acreditou a vida toda que seu pai estava morto. Quando Demi aparece e diz que seu pai está vivo, porém muito doente, ela num primeiro momento não acredita nele. Uma vez que se convence concorda em se encontrar com ele.

Só quando ela chega em Corsova percebe o que se espera dela e o que ela é ... o que a maioria do povo de Corsova são: Vampiros.

 

Série Linhagem de Sangue

 

 

 

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Link da Lista de Revisão

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Agradecimento especial à Raficha que tem nos ajudado na verificação das listas

 
 

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