Os quatro livros, que reúnem 40 autores e têm prefácio do escritor Luis Fernando Verissimo.
O presidente da Escola do Legislativo, deputado Adão Villaverde, afirma que esta obra resgata a história recente do Brasil que, durante cerca de duas décadas, conviveu com o período de terror da ditadura e com o processo fundamental de reconstrução da democracia, com uma riqueza de abordagem inédita.
Da Campanha da Legalidade ao Golpe de 1964
http://www.portalmemoriasreveladas.arquivonacional.gov.br/media/Ditadura-1-Golpe.pdf
Repressão e Resistência nos Anos de Chumbo
http://www.portalmemoriasreveladas.arquivonacional.gov.br/media/Ditadura-2-Chumbo.pdf
Conexão Repressiva e Operação Condor
http://www.portalmemoriasreveladas.arquivonacional.gov.br/media/Ditadura-3-Golpe.pdf
O Fim da Ditadura e o Processo de Redemocratização
http://www.portalmemoriasreveladas.arquivonacional.gov.br/media/Ditadura-4-Abertura.pdf
Volume 1
O Volume 1, intitulado Da Campanha da Legalidade ao Golpe de 1964 , traz o texto da professora do Departamento de História e do Programa de Pós-Graduação em História da UFRGS, Claudia Wasserman, que apresenta uma análise aprofundada das contradições e disputas que estavam em curso no momento anterior ao Golpe, com um panorama das lutas políticas em curso no país e, especialmente, no Rio Grande do Sul, no texto Golpe de 1964: Rio Grande do Sul, "celeiro" do Brasil. Também discorre sobre a história do Rio Grande do Sul no momento posterior ao Golpe, comentando sobre os diferentes governos estaduais que se seguiram.
Já o deputado Raul Pont recua no tempo até a morte de Getúlio Vargas, em 1954, para analisar questões significativas para a compreensão do contexto que levou ao Golpe de 1964 como a Guerra Fria, o anticomunismo presente nos meios militares, as tentativas anteriores de golpe no Brasil e a falta de preparação, por parte da esquerda, para enfrentar o golpe. O ex-prefeito de Porto Alegre discute no artigo Ausências e presenças da resistência na ditadura sobre a resistência contra e ditadura e seus limites.
No texto "Capitão, vamos trabalhar juntos?" o coronel reformado da Brigada Militar Emílio Neme retrata a Campanha da Legalidade. Ele narra como se constituiu, dentro da Brigada Militar, a rede de apoio que garantiu ao então governador Leonel Brizola as condições para resistir à tentativa de impedimento da posse de João Goulart, em 1961.
O publicitário, jornalista e designer e co-autor de Um brasileiro chamado Brizola: tempos de luta, Sérgio Gonzalez, apresenta em Grupos dos Onze: lembranças que contam a verdade histórica reflexões acerca dos Grupos dos Onze, organizados em torno da figura de Leonel Brizola, a partir de 1963. Ele problematiza a forma como tem sido lembrada a trajetória e a atuação destes grupos no país e traz memórias de suas vivências enquanto integrante.
A participação no grande comício na Central do Brasil, em março de 1964, é contada pelo jornalista Wladymir Ungaretti em Meu Primeiro Comício . Na época, ele iniciava sua atuação no PCB. Ele discorre sobre utopias, memórias de companheiros de militância e suas experiências.
O jornalista e histórico comunista João Aveline, falecido em 2005, participa da obra por meio de entrevista concedida meses antes de sua morte à pesquisadora Alessandra Gasparotto. Em Memórias de um comunista ele fala sobre diferentes momentos de sua história, passando pelo início de sua trajetória política e ingresso no PCB, sua prisão e o posterior processo de abertura política.
O texto do doutor em Psicologia Social Pedrinho Guareschi traz lembranças sobre o período de 1964 e reflexões que auxiliam na compreensão do complexo processo que culminou com a queda de Jango em Lições de 1964 . Ele discute o que significa pensar no Golpe mais de 40 anos depois e quais lições podem ser tiradas do episódio a partir da análise daquele momento histórico.
O neto do ex-presidente João Goulart, Christopher Goulart, apresenta no texto Sobre João Goulart considerações a respeito da biografia e da trajetória política de Jango. Ele procura resgatar a história de seu avô, debatendo com a sociedade sobre seu governo, sua postura de conciliação e o projeto reformista que foi derrotado em 1964.
Por fim, o jornalista Luiz Cláudio Cunha escreve em Máximas e mínimas: os ventos errantes da mídia na tormenta de 1964 sobre o papel desempenhado por setores da grande imprensa no processo que levou ao Golpe de 1964. Também discute as campanhas patrocinadas pelo complexo IPES/IBAD (Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais/Instituto Brasileiro de Ação Democrática) e seu papel na manipulação da opinião pública contra Jango.
Volume 2
O livro Repressão e Resistência nos Anos de Chumbo inicia-se com o artigo do historiador e deputado estadual Raul Carrion intitulado A ditadura não foi uma criação de homens maus , no qual ele traça um panorama da ditadura brasileira, desde sua implantação até seu término. O autor centra a análise na institucionalização da repressão e nos protagonistas da resistência ao governo imposto, mostrando que a ditadura foi instituída para manter a dominação econômica capitalista e sufocar as mobilizações sociais.
A igreja dos pobres traz reflexões do irmão Antônio Cechin sobre o papel dos setores progressistas da Igreja no Brasil durante a ditadura. Em seu depoimento, ele conta sua participação na Conferência de Medellín, em 1968, seu envolvimento com a educação - quando passou a ser considerado "subversivo" -, suas duas prisões e seu trabalho com as comunidades populares.
O músico e compositor gaúcho Raul Ellwanger fala do cenário cultural e musical do Rio Grande do Sul durante os "Anos de Chumbo". Clandestinidade, enquadramento na Lei de Segurança Nacional e exílio estão presentes no texto do autor, intitulado A milonga dos vencidos.
Em Losada, não olhe para trás , o sindicalista Antônio Losada conta que não esqueceu o passado e discorre sobre sua trajetória durante a ditadura. Losada reflete sobre sua militância na luta armada considerada por ele a única via possível de resistência naquele momento. Ele e seu irmão José foram os últimos presos políticos a serem libertados no Rio Grande do Sul em junho de 1979.
O papel da Justiça na resistência à ditadura analisado por meio da trajetória profissional e política do advogado Eloar Guazzelli é abordado pelo pesquisador Dante Guimaraens Guazzelli no artigo Entre o Estado e a oposição: a atuação de Eloar Guazzelli como advogado de presos políticos (1964-1979) . Conhecido como o advogado dos direitos humanos, foi quem mais defendeu presos políticos no Rio Grande do Sul. O pesquisador aponta qual o perfil dos presos defendidos por Eloar.
Na guerra com batom , de Ignez Maria Serpa Ramminger, traz a narrativa dos sonhos e esperanças de uma geração e de como a ditadura tentou quebrá-los. Integrante da VAR-Palmares, Martinha - codinome de Ignez - integrou-se à luta armada no Rio Grande do Sul. Presa pelos órgãos repressivos depois da fracassada tentativa de sequestro do cônsul norte-americano em Porto Alegre, Martinha foi levada para o DOPS e submetida a inúmeras sessões de tortura.
Carlos Alberto Tejera De Ré mescla, em seu depoimento, histórias familiares e acontecimentos políticos, contextualizando fatos históricos. Ele passa pelo movimento estudantil do Julinho e VPR. Em Você sabe bem o que está fazendo, filho? , De Ré demonstra a utilização da violência como um dos fatores primordiais da ditadura e revela a resistência daquela geração nos "Anos de Chumbo".
Lembrar, lembrar, lembrar... 45 anos do golpe militar: resgatar o passado para transformar o presente é o título do texto de Suzana Keniger Lisbôa, integrante da Comissão dos Familiares dos Mortos e Desaparecidos. A autora passa por temas como o funcionamento dos órgãos de repressão, as torturas e a luta dos familiares dos mortos e desaparecidos políticos. É uma história em busca da verdade, do não-esquecimento, da justiça e do fim da impunidade.
Volume 3
Conexão Repressiva e Operação Condor é o título do Volume 3 da coleção. Conexão repressiva internacional: o Rio Grande do Sul e o Brasil na rota do Condor , do doutor em História Enrique Serra Padrós, apresenta informações sobre a sistemática de desenvolvimento e funcionamento da colaboração regional dos sistemas de segurança no Cone Sul. O avanço de regimes autoritários assentados, principalmente, na Doutrina de Segurança Nacional, anuncia a confluência de interesses que, após políticas bilaterais de aproximação e complementação repressiva, amadureceram as condições históricas para a deflagração da Operação Condor, a partir de 1975.
O economista Ubiratan de Souza relata sua trajetória estudantil e seu envolvimento com a VPR. Em O povo deve contar sua própria história , fala da guerrilha do Vale da Ribeira, de quando foi trocado, junto com mais 69 presos políticos, pelo embaixador suíço Giovanni Enrico Bucher.
No depoimento que deu origem a Trajetórias , o sociólogo e ex-deputado estadual Flavio Koutzii desenha as raízes do golpe de 1964, conecta os inícios das organizações operárias com as reformas de base, a Revolução Cubana, a tradição conspiradora da direita brasileira, entre outros. Koutzii relata suas experiências no PCB, POC, PRT-ERP, as prisões argentinas, a sobrevivência no mundo concentracionário, o exílio, a volta.
O artigo de Cláudio Gutiérrez O fim das fronteiras policiais entre Brasil e Uruguai trata do grau de colaboracionismo existente entre a ditadura brasileira e o governo ainda constitucional de Pacheco Areco. Exilado em Montevidéu desde 1969, descortina um passado de perseguição e sequestro de cidadãos brasileiros com os quais dividiu horas de infortúnio.
Flávia Schilling, em Memória da resistência ou a resistência como construção da memória , oferece um conjunto de reflexões nas quais ela resguarda seu protagonismo e sua experiência carcerária, mas propõe uma reflexão acerca da questão de gênero, tanto dentro da organização a qual pertencia quanto diante da repressão.
No artigo Todo está cargado em la memória , o historiador uruguaio Universindo Díaz oferece um rico painel dos acontecimentos vivenciados por ele, como protagonista central. Analisa as condições existentes no Brasil quando sua organização política decidiu criar uma base de atuação mais próxima da fronteira e fala da experiência de ter sido sequestrado por um operativo Condor, em Porto Alegre, e de ter conseguido sobreviver.
O pesquisador Ramiro José Reis centra o texto Lilián, Camilo e Francesca Celiberti: uma família uruguaia na mira do Condor em Porto Alegre na dimensão do drama que envolve uma mãe que deve proteger seus filhos em condições tão adversas. O artigo recupera a iniciativa de Lilián em estabelecer uma estratégia para alertar companheiros de organização, derrubar o sequestro e tornar público de que havia sido vítima de uma modalidade de ação como as que vinham ocorrendo em Buenos Aires.
Em O sequestro de Montoneros no Brasil , o jornalista e historiador Nilson Mariano apresenta a trajetória dos cidadãos argentinos desaparecidos em território brasileiro, vítimas de ações de práticas de colaboração entre ditaduras. O artigo traz a história de pessoas desaparecidas por um duplo terrorismo de estado: o brasileiro e o argentino.
A pesquisadora Carolina Silveira Bauer debate a polêmica sobre a morte do ex-presidente João Goulart. No texto De Jango, de Silvio Tendler, aos dias de hoje: uma atualização do debate sobre a morte o ex-presidente João Goulart ela parte da análise do filme e reflete sobre as questões da morte de Jango, expondo as incertezas que persistem há mais de 30 anos de sua morte.
Volume 4
O Volume 4 intitulado O Fim da Ditadura e o Processo de Redemocratização é aberto pelo professor do curso de Graduação e Pós em Direito da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos) José Carlos Moreira da Silva Filho. O autor trata da constituição de políticas de memória e de esquecimento em torno do período da ditadura no Brasil, discutindo o papel da Comissão de Anistia no artigo Dever de memória e a construção da história viva: a atuação da comissão de anistia do Brasil na concretização do direito à memória e à verdade .
A professora do Departamento e do Programa de Pós-graduação em História da UFRGS Carla Simone Rodeghero apresenta discussões sobre o documentário Jango, de Silvio Tendler, analisando o contexto de lançamento da obra ao relacionar o momento do Golpe de 1964 e o ano de lançamento do filme, 1984. Ela mostra, ainda, no texto O documentário Jango , de Silvio Tendler, e a crença no poder do povo na rua , de que forma as leituras sobre Jango e seu governo modificaram-se ao longo do tempo.
Em Movimento Feminino Pela Anistia no Rio Grande do Sul , a socióloga Lícia Peres apresenta os diferentes personagens e cenários da luta pela Anistia no Rio Grande do Sul e no Brasil. Ex-presidente do Movimento Feminino pela Anistia/RS, a autora conta sobre o processo de formação dos comitês pela Anistia e as dificuldades de atuação de tais movimentos.
Deputado federal pelo MDB/PMDB por três legislaturas (1975/1987) e vice-governador entre 1991 e 1994, João Gilberto Lucas Coelho expõe algumas reflexões sobre o que ele chama de tortuoso processo de abertura ao lembrar acontecimentos marcantes do período. O texto Depoimento sobre o tortuoso processo de abertura política traz inúmeros elementos para pensar a experiência do MDB que, segundo ele, acabou se tornando um dos principais veículos de manifestações contra o regime.
A trajetória do movimento estudantil e da União Nacional dos Estudantes é lembrada pelo deputado Adão Villaverde no texto Resgate histórico e afirmação do movimento estudantil . Ele lembra histórias e memórias da resistência dos estudantes no Rio Grande do Sul.
O diretor teatral Paulo Flores traz no depoimento A tribo da resistência elementos da cena política e cultural gaúcha no final dos anos 1970 e início dos 1980. Ele mostra um pouco do que significava ser jovem naquele momento e quanto a arte podia ser subversiva aos olhos do regime. A aproximação de um grupo de atores com a preocupação de fundir arte e política que deu origem ao Oi Nóis Aqui Traveiz também é lembrada.
O jornalista Rafael Guimaraens narra em A paranoia do emissário sua experiência como integrante do Coojornal. Reportagens marcantes e episódios que mostram as dificuldades e tentativas de controle que a imprensa alternativa vivia naqueles anos de ditadura estão presentes no artigo.
O ex-governador Olívio Dutra aponta em O renascimento da luta sindical: a greve dos bancários de Porto Alegre fragmentos de sua trajetória pessoal e política ao centrar-se em sua inserção e atuação no Sindicato dos Bancários. O depoimento ajuda a compreender o complexo processo de ressurgimento do movimento sindical no final da década de 1970, um momento ainda marcado pela repressão e pela incerteza.
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