Introdução
A atmosfera da Terra é composta por finas camadas de gases. Graças aos gases dos níveis mais baixos da atmosfera, cria-se um ambiente onde a vida pode florescer. Uma das funções da atmosfera é proteger a Terra da perigosa radiação ultravioleta. Outra é garantir que a temperatura do planeta o torne habitável.Mas a atmosfera, a que nos habituamos a ter como garantida, está a mudar, por nossa culpa. As actividades humanas interferem num equilíbrio de que se sabe frágil. Será que podemos controlar a nossa interferência? Será que podemos acartar com as consequências?
1. Factores que influenciam o clima a nível global
2. O efeito de estufa
A teoria do efeito de estufa j� � bastante antiga: foi h� cerca de 200 anos, em Fran�a, pouco ap�s a revolu��o, que Jean-Baptiste Joseph Fourier exp�s a teoria.2.1 Como se processa
A ideia dele seria que a atmosfera seria como uma enorme estufa ("un effet de verre"), da� o nome da teoria.
Os gases de estufa serão o telhado da estufa: O Sol emite os seus raios, que são em parte reflectidos (nas camadas mais altas da atmosfera) e absorvidos (em camadas mais interiores). Mas uma boa parte atravessa a atmosfera ilesa e aquece a superfície terrestre (excepto uma pequena parte que é reflectida quando chega ao solo). Mas a Terra não aquece infinitamente: a energia que absorve acaba por ser irradiada desta vez sob a forma de calor e não luz (tal como um aquecedor que ao receber energia eléctrica aquece, e acaba por irradiar a energia sob a forma de calor).
Uma vez chegada à tropopausa (camada da atmosfera onde residem os gases de estufa), quase todo o calor é irradiado de volta, aquecendo de novo a superfície do planeta, sendo a temperatura exterior inferior à interior. Tal como sucede numa estufa!
O 'truque' reside aqui: a energia, no seu caminho do Sol para a Terra, viaja sob a forma de luz, que tem um baixo comprimento de onda; quando tenta sair da Terra para o espaço, a energia viaja como calor, que tem um grande comprimento de onda (infravermelho). Ora, o que caracteriza os gases de estufa é a sua transparência às altas frequências e opacidade às baixas frequências!
2.2 Porque � essencial � vida
Grande parte da energia que a Terra recebe do Sol é simplesmente irradiada de novo para o espaço, e dependemos disso para manter o planeta fresco - senão, a superfície da Terra aqueceria desmesuradamente como a de Vénus, que tem demasiados gases de estufa, e não seria possível vida.
No entanto, o efeito de estufa mantém alguma da energia recebida, e dependemos disso para manter o planeta quente - senão, a superfície da Terra seria tão fria como a de Marte, que quase não tem atmosfera, e não seria possível vida.
- Vapor de água
É de produção natural, mas a sua concentração vai aumentar em resposta ao aquecimento global.
- Dióxido de carbono
Tem um papel importante para os seres vivos: animais expiram-no enquanto que as plantas o absorvem através da fotosíntese.
As maiores contribuições para o aumento deste gás de estufa são a queima de combustíveis fósseis (carvão, petróleo, gás natural), e a queima de vastas áreas de floresta (o dióxido de carbono armazenado nas árvores liberta-se, além de que a capacidade da floresta reciclar dióxido de carbono em oxigénio fica fortemente diminuída).
Representa 0.03% da atmosfera.
- Metano
É o maior constituinte do gás natural, e é produzido em grandes quantidades nos sistemas digestivos dos animais ruminantes - por exemplo, vacas: até a domesticação influi na concentração do metano! Até a agricultura dá o seu contributo com os campos de arroz, que se pensa serem os principais produtores de metano de origem humana.
A nível molecular, é 20 a 30 vezes mais eficiente a capturar o calor que o dióxido de carbono.
- Óxido de azoto
Também conhecido por gás do riso, é produzido naturalmente através da actividade microscópica no solo.
As contribuições humanas provêm de fertilizantes, aumento da agricultura, e queima de combustíveis fósseis e floresta.
- Clorofluorcarbonetos (CFCs)
Mais conhecidos pelos efeitos nefastos na camada de ozono (1 molécula de CFC destrói cerca de 10 000 moléculas de ozono), os CFCs também são gases de estufa.
Ao invés dos restantes, estes gases são os únicos gases de estufa de produção exclusivamente humana. São utilizados como refrigeradores em frigoríficos, propulsores e solventes. Pensa-se que todos os CFCs produzidos acabam por subir à atmosfera, e o seu tempo de vida é prolongado; pior que isso, é que este é o gás de estufa mais potente de todos: uma só molécula de CFC retém 20 000 vezes mais calor do que uma molécula de dióxido de carbono.
- Ozono
Embora famoso pela sua (venerável) capacidade de filtrar raios ultravioleta, essa sua capacidade não influi na alteração do clima (pelo menos directamente - já que os UV-B matam o fitoplâncton marinho, que absorve grandes quantidades de dióxido de carbono). Quando se encontra a baixa altitude, o ozono nada mais é que um gás de estufa.
| gás de estufa (GHG) | contribuição para o efeito de estufa | tempo de vida na atmosfera | crescimento anual | aumento nos últimos 100 anos |
| vapor de água [ H2O] | ||||
| dióxido de carbono [ CO2] | 60 % | 50-200 anos | 0.5 % | 25 % |
| metano [ CH4] | 15 % | 10 anos | 0.9 % | 100 % |
| clorofluorcarbonetos (CFCs) | 12 % | 60-100 anos | 4 % | |
| óxido de azoto [ N2O] | 5 % | 150 anos | 0.3 % | |
| ozono (de baixa altitude) [ O3] | 8 % | semanas | 0.5-2.0 % |
3. A alteração do clima impõe-se
A Terra tem de irradiar a energia que recebe, mantendo o equilíbrio entre a energia que entra e a que sai. Com o aumento do efeito de estufa, mais energia fica retida na Terra. É um equilíbrio que se quebra, e que tem de ser restabelecido. Como? Esta é a grande incógnita.O efeito mais óbvio que se possa pensar é o aquecimento global do planeta: se o efeito de estufa aumenta, aumenta o calor na Terra! No entanto, este pode não ser o caso: o clima é de facto imprevisível - nós não acreditamos cegamente no boletim meteorológico! - e outras alterações podem levara que o aquecimento seja bastante inferior àquele que seria de prever. De facto, na maioria dos círculos científicos a questão já não é se o aumento dos gases de estufa vai induzir alterações climáticas, mas antes que alterações serão essas, e como qual o melhor processo de as medir.
O que é importante reter é que o efeito de estufa magnificado afecta as trocas de energia que naturalmente ocorrem no meio; a temperatura não passa de uma das formas de energia.
Assim, várias são as hipóteses de alterações climatéricas: o aquecimento global, como já foi dito, é a mais óbvia, embora não seja necessariamente a mais importante. Há alterações que são consequentes da aquecimento global: se, de facto, o aquecimento ocorrer, a subida do nível do mar (através do desgelo dos pólos e da expansão térmica da água) é quase certa. Por estes dois motivos o aquecimento global tem sido visto como a consequência directa do aumento no efeito de estufa.
Outras alterações há que provavelmente vão ocorrer ainda antes que o aquecimento global seja visível, sendo no entanto por vezes ainda mais difícil de identificar como consequência: mudanças nos padrões das chuvas (que nos últimos anos parecem ter vindo, de facto a ocorrer), das correntes oceânicas, da formação de nuvens, mudanças na composição do solo, etc. Esta é uma teia de complexos factores que a ciência ainda tem por esclarecer.
Já foram detectadas alterações nos padrões das chuvas no Hemisfério Norte: desde 1955, a zona entre os 5° e 35° tem tido uma diminuição nas chuvas, enquanto que entre os 35° e 70° tem aumentado. Resta responsabilizar o culpado....
4. Medidas a tomar
Num mundo em que a energia é geradora de riqueza, 80% da energia gerada para uso humano provém de combustíveis fósseis.A juntar a tudo isto, a história da humanidade mostra-nos que não faz nada sem motivo; e se não vê alterações claras e óbvias, não age. No entanto, recentemente surgiram esperanças dum modo inesperado: as companhias de seguros. Porque as alterações climatéricas, ao provocar inundações, secas e outras catástrofes naturais, trazem-lhes muito prejuízo. Pena que seja praticamente apenas nos Estados Unidos que os seguros sobre catástrofes naturais são habitais; no entanto, como dizia o outro, que é que manda neste mundo?
O que podemos (devemos) fazer? Se é difícil prever a evolução do problema, mais difícil é prever quando é que a Humanidade se vai sensibilizar para o problema. Qualquer acção vai depender do desenvolvimento de novas tecnologias que permitam o uso mais eficiente da energia.
Conclusão
A alteração do clima está aí. Ainda há quem não acredite, mas ou têm motivos escondidos ou então são uma minoria pouco significante.Fomos nós que a provocámos: mais uma conclusão controversa, mas cada vez com mais adeptos.
O efeito de estufa não é a única alteração, nem talvez a mais importante. Porque não somos omniscientes mas sabemos que a teia de transferência energética é complexa, demasiado complexa para a percebermos por enquanto.
Temos de agir! Se quisermos que este não seja 'o fim do mundo tal como o conhecemos'!
Referências
- O Grande Livro da Natureza, Círculo de Leitores, 1995
- Kellog, William W., Overview of Global Environmental Change: The Science and Social Science Issues, MTS Journal, volume 25, n� 3, Marine Technology Society, Washington, D.C.
- Teacher�s Guide to World Resources, World Resources Institute, Washington, D.C., 1990-91
- How records from past climates support the case for global warming, Information Unit on Climate Change, UNEP, Chatelaine
- Why "climate change" and "global warming" are not the same thing, Information Unit on Climate Change, UNEP, Chatelaine
- Roderigues, Frederico Rodrigues e Baptista, José António, Geografia 7�ano, Universitária Editora, Lisboa, 1989
- Whitmore, Susan C., Global Climate Change and Agriculture - A Summary, Global Change Information Resources, National Agricultural Library, U.S. Department of Agriculture, Beltsville, MD., 1992
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M. Loureiro
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Estes dados foram obtidos através da análise de gelo no Antárctico. Os diferentes isótopos da água gelam a diferentes temperaturas e rapidez, pelo que a composição do gelo depende da temperatura a que foi formado. É claro que a temperatura do Antárctico não é a do planeta, mas parece que as suas temperaturas variam em simultâneo.
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