domingo, 30 de janeiro de 2011 By: Fred

<> livros-loureiro <> CARTA DE ADRIANA ERTHAL ABDENUR - DE TERESÓPOLIS - TENTATIVA DE AUXILIO



04-8.gif



 

RECEBI O EMAIL ABAIXO DA HELEN E FUI PESQUISAR A VERACIDADE E ACHEI A CARTA DE ADRIANA ERTHAL ABDENEUR - - E, VI TANTA COERÊNCIA NO QUE É DITO QUE REPASSO A TODOS.
TALVEZ ESTEJAMOS FAZENDO DE FORMA ERRADA AS NOSSAS AJUDAS.
QUEM SABE AO LER A CARTA  POSSAMOS VER ALTERNATIVAS NA FORMA DE ENCAMINHAR O ARRECADADO - POIS PELO VISTO AS AUTORIDADES DO RIO DE JANEIRO NÃO ESTÃO CONSEGUINDO SE ORGANIZAR E ATENDER AOS NECESSITADOS - NEM AO MENOS NAS BUSCAS - PELO TANTO QUE JÁ LI PARECEM SER QUASE DEZ VEZES O ANUNCIADO OFICIALMENTE.
 
Delasnieve Daspet
 
 


Amigos virtuais,

 
recebi este e-mail hoje!


Leiam a mensagem abaixo.


Adriana Erthal Abdenur é filha do Embaixador Roberto Abdenur, doutora em sociologia por Princeton, atualmente

 leciona na Universidade de Columbia, em NY. Mas depois de muitos anos nos EUA - para grande satisfacao da

familia e amigos - decidiu regressar de vez ao  Brasil de vez ao final do ano letivo, em maio. Aqui continuara a

 lecionar, pesquisar e escrever.


Amigos, não esqueçam de depois de ler este e-mail agradecer a Deus por tudo o que você tem e faça uma oração

 pedindo a Deus que ajude estas pessoas que estão passando por este momento tão dificil.



Bom Fim de Semana


 

 


                                                                    CARTA DE ADRIANA ERTHAL ABDENUR

                                        http://revistapiaui.estadao.com.br/cartas/

Chuvas no Rio

 
25/01/2011 17:26 Enviada pelo site http://revistapiaui.estadao.com.br/cartas

Envio o relato que escrevi como voluntária nos esforços de socorro às vítimas nas áreas

 mais afetadas de Teresópolis, dias após as chuvas que assolaram a região.



17 de janeiro de 2011



Nunca vi nada igual. Posse, Caleme e Campo Grande praticamente soterradas. Um rio

caudaloso onde não havia rio, um campo de pedras onde antes ficava uma fileira de casas,

 dois metros de lama por quilômetros e quilômetros vale abaixo.



Olhando pra cima, uma geografia violenta: a montanha sucumbiu à chuva e partiu-se em

 dois. O barranco estatelou-se no chão do vale, e a encosta de cá agora é côncava.  Uma

 poeira fina e alaranjada recobre cada folha que restou.


Fincados no lodo: pedregulhos do tamanho de carros, carros virados de cabeça pra baixo,

 toras atravessando telhados. Muitas casas parecem intactas, só que a linha da água nas

 paredes está mais alta do que a das portas. Outras moradias ficaram escondidas sob

camadas de lama tão pegajosa que, quando piso numa área molhada, é preciso duas

pessoas para soltar a galocha.



No final do vale, o rio novo se despeja pela porta de um motel, atravessa o que ficou dos

 quartos e sai pelos fundos.  Fora o borbulho da água, há apenas um silêncio medonho,

entrecortado pelo barulho dos helicópteros que sobrevoam o vale (e não pousam).



O caminho, a pé, é difícil, e nós o percorremos debaixo de um sol a pino, mas não temos

 escolha. Postes e árvores foram arrancados do solo e carregados feito gravetos pela

enxurrada. Presos entre as raízes, os detalhes mais difíceis: um pote de condicionador,

fotos de uma moça sorridente e muito grávida, uma fantasia do Homem-Aranha.  E, por

todo o vale, aquele cheiro indescritível.  Devíamos ter trazido máscaras, mas estão em falta

aqui na serra.



O número de mortos é, sem dúvida, muito maior do que as estimativas atuais. As

escavadeiras ainda nem chegaram aos lugares por onde andamos: sobre a pista de lodo e

entulho que a avalanche deitou no vale, sobre casas e ruas soterradas. Pompéias.



E a prefeitura, lá no centro da cidade? Apaixonada pela própria burocracia, exigindo

cadastro de quem distribui e documento de quem recebe (mas muitos perderam tudo,

inclusive carteira de identidade), bloqueando a Cruz Vermelha e atrapalhando a distribuição

 de donativos.  Um monopólio doentio.



Desabrigados e órfãos ainda sobrevivem sem assistência adequada do estado, e o socorro

foi praticamente terceirizado. As igrejas, as ONGs que surgiram ao longo da semana, os

mações e as associações-- estão todos fazendo um belo trabalho, mas a coordenação entre

 os grupos ainda é fraca.  A sociedade civil pode preencher algumas lacunas deixadas pelo

 estado em tempos de emergência, mas a organização desses esforços depende de um

 centro eficaz e inteligente.  A assistência, onde ela existe, permanece fragmentada.



No Pedrão, onde (até ontem) eram acolhidos os desabrigados: milhares de pilhas de roupas

 sobre as arquibancadas. Tudo meticulosamente organizado. Do lado de fora, sob uma

tenda, crianças arrebentadas por correntezas estão sendo cadastradas, cadastradas,

cadastradas  Homens vagam pelo estacionamento com o olhar perdido, mulheres esperam

na porta do ginásio pedindo fraldas e camisetas.  Voluntários e funcionários alocam os

 mantimentos com afinco, mas têm pouca informação. Para onde estão sendo enviados os

 desabrigados?  "Não sabemos informar." E as famílias que não conseguem chegar aqui,

 recebem esta ajuda?  "Não sabemos informar."

Dentro do trailer no pátio, assistentes sociais e voluntários preenchem maços de fichas.

Famílias atordoadas recitam as suas perdas. Os parentes viram nomes, as casas viram

endereços, rotinas viram profissões. Vidas transformam-se em dados. Na parede, um cartaz

 feito a mão: "Todo voluntário deve cadastrar-se com a T___.". Perguntamos pela T___.

"Não veio hoje." Veio ontem? "Também não." Outro cartaz: "Encaminhamento para

abrigos." A mesa embaixo, desocupada.



Na saída, uma senhora, aos prantos, vê que temos celular e nos pede para tentar localizar o

 filho desaparecido. Ela tira do bolso um papel dobrado, mas o número de contato foi

borrado pela chuva, e não conseguimos descifrar a sequência.

Resolvemos bater à porta do secretário. Ninguém é capaz de nos mostrar uma lista dos

abrigos. Precisam de psicólogas?  Subimos a serra com seis! Todas prontas para atender as

crianças órfãs, qualquer pessoa que precise de ajuda.  Ninguém da prefeitura fornece

informações. "Vamos marcar reunião para amanhã, e depois avisamos." Algumas das

voluntárias, impedidas de atender as vítimas e temendo a chuva forte que se aproxima,

 voltam pro Rio.



Por toda a cidade: caminhões do exército levam soldados sem pás nem máquinas

adequadas. Moradores de máscara cirúrgica procuram corpos em zonas interditadas pela

defesa civil. Alguns grupos de policiais vagam pela cidade, abanando as mãos, enquanto

voluntários têm que driblar as autoridades para entregar água, soro e feijão de moto ou a

pé.


A situação na serra é bem pior do que tinha imaginado. Já trabalhei em campos de

 refugiados e zonas pós-conflito. E repito: nunca vi tamanha destruição. Nem, devo

acrescentar, tanto descaso por parte de um governo que dispõe dos recursos materiais e

humanos necessários para, no mínimo, organizar os esforços e donativos oferecidos por um

 batalhão de voluntários.



3 pensamentos avulsos:



- O que aconteceu não é surreal: é real. O lodo, as crianças, os abrigos estão lá.  Não é a

cólera de deus, não é cenário de filme, não é campo de guerra, não é o Haiti.  É a serra

 fluminense, e parte dela foi destruída, e ainda está sofrendo terrívelmente.



- Se não canalizarmos a atual onda de solidariedade para exigir mudanças a longo prazo,

ano que vem estaremos lá de novo, estarrecidos com novas perdas e com a nossa própria

incapacidade (falta de vontade? apatia coletiva? amnésia seletiva?) de aprender com os

erros do passado. Mais uma vez

.



- Os sentimentos mais úteis no momento são: a fúria e a esperança. O resto é comodismo.



 
Adriana Erthal Abdenur


Professora de Desenvolvimento Internacional na Columbia University em Nova York e

voluntária em Teresópolis da ONG Salve a Serra.


__

Sou grata aos valentes amigos do Salve a Serra e Minhaajudasuacasa, que estão fazendo

um trabalho tão bonito e tão desesperadamente necessário.

Adriana Erthal Abdenur, Rio de Janeiro (RJ)

 








--


M. Loureiro
livros - loureiro
http://www.manuloureiro.blogspot.com/
http://www.livros-loureiro.blogspot.com/
http://www.romancesdeepoca-loureiro.blogspot.com/ 
http://www.romancessobrenaturais-loureiro.blogspot.com/
http://www.loureiromania.blogspot.com/

"Foi o tempo que perdestes com tua rosa que fez tua rosa tão importante".(Saint-Exupéry)


--
Você recebeu esta mensagem porque está inscrito no
Grupo "livros-loureiro" nos Grupos do Google.
Para postar neste grupo, envie um e-mail para
livros-loureiro@googlegroups.com
Para cancelar a sua inscrição neste grupo, envie um e-mail para
livros-loureiro+unsubscribe@googlegroups.com
Para ver mais opções, visite este grupo em
http://groups.google.com.br/group/livros-loureiro?hl=pt-BR
 
Os nossos blogs:
http://manuloureiro.blogspot.com/
http://livros-loureiro.blogspot.com/
http://romancesdeepoca-loureiro.blogspot.com/
http://romancessobrenaturais-loureiro.blogspot.com/
http://www.loureiromania.blogspot.com/

0 comentários:

Postar um comentário

Vida de bombeiro Recipes Informatica Humor Jokes Mensagens Curiosity Saude Video Games Car Blog Animals Diario das Mensagens Eletronica Rei Jesus News Noticias da TV Artesanato Esportes Noticias Atuais Games Pets Career Religion Recreation Business Education Autos Academics Style Television Programming Motosport Humor News The Games Home Downs World News Internet Car Design Entertaimment Celebrities 1001 Games Doctor Pets Net Downs World Enter Jesus Variedade Mensagensr Android Rub Letras Dialogue cosmetics Genexus Car net Só Humor Curiosity Gifs Medical Female American Health Madeira Designer PPS Divertidas Estate Travel Estate Writing Computer Matilde Ocultos Matilde futebolcomnoticias girassol lettheworldturn topdigitalnet Bem amado enjohnny produceideas foodasticos cronicasdoimaginario downloadsdegraca compactandoletras newcuriosidades blogdoarmario arrozinhoii