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Andrew Jennings não é um jornalista esportivo, e sim um repórter investigativo. Um dos melhores na Inglaterra, isso é testemunhado por décadas de colaboração com os principais jornais britânicos e a BBC. Mas principalmente é o pesadelo de Sepp Blatter e da Fifa, aos quais dedicou um livro, Foul! The Secret World of Fifa: Bribes. Vote-rigging and Ticket Scandals (em livre tradução, Falta! O Mundo Secreto da Fifa: Subornos, Compra de Votos e Escândalos com Ingressos), publicado em 2006.
O melhor momento surge no documentário para a BBC, no qual Jennings recolhe apenas negativas e silêncios como resposta de um Blatter cercado de guarda-costas, a caminho de seu escritório na sede da Fifa em Zurique. Em outro trecho, Warner diz "go fuck yourself" (vá se foder) a Jennings, quando o jornalista lhe pergunta se havia recebido subornos da ISL. Outro entrevistado que se nega a responder é Jean Marie Weber, antigo homem forte da ISL e peça chave do possível julgamento em 2008, ainda que pessoas que o conhecem afirmam que preferiria ser condenado a revelar um único nome à Justiça.
Em sua primeira visita à América do Sul, o jornalista inglês Andrew Jennings, cuja especialidade é expor a roupa suja da Fifa, não deixou pedra sobre pedra. Primeiro, ratificou que, de acordo com seus documentos, o presidente da Conmebol, o paraguaio Nicolás Leoz, está implicando em um escândalo de suborno e que terminará por perder o posto caso o incidente seja levado a julgamento no primeiro semestre de 2008, como ele acredita.
Afirmou também que, inevitavelmente, já que ele ocupa a posição de presidente da Comissão de Finanças, o escândalo também prejudicará a situação de Julio Grondona, presidente da Associação de Futebol Argentina (AFA) desde 1979 e vice-presidente sênior da Fifa, com mandato que se estende a 2011.
E foi ainda mais lapidar em relação ao outro dirigente latino-americano bastante influente na Fifa, Jack Warner, o presidente da Concacaf, a quem não hesitou em chamar abertamente de "ladrão".
Jennings, 64, exibiu também o último documento confidencial que expôs na semana passada em sua página da Internet: uma carta pessoal enviada pelo presidente da Fifa, Joseph Blatter, ao secretário geral da organização, Jerome Valcke, alguns meses atrás, na qual Blatter alegava que não permitiria que Valcke o ameaçasse com a possibilidade de denunciar supostos atos de corrupção na entidade máxima do futebol mundial.
Não obstante o tom duríssimo da carta, Valcke, que havia tido de abandonar seu posto depois de um escandaloso julgamento em que a Fifa foi derrotada pela Mastercard, retornou no posto de secretário geral e foi o rosto mais visível no sorteio dos grupos eliminatórios europeus para a Copa do Mundo de 2010 na África do Sul, realizado recentemente em Durban.
Jennings exibiu o explosivo documentário que realizou para a rede de televisão britânica BBC, no qual pergunta a Blatter e Warner por que motivo a Fifa restituiu dinheiro ao responsável pela massa falida da ISL, empresa que quebrou em 2001 e que, de acordo com o jornalista inglês, pagava suborno a altos dirigentes do esporte mundial.
E, por fim, Jennings ratificou as denúncias publicadas em "Foul!" (Falta!), seu livro sobre a corrupção na Fifa, traduzido na Espanha com o título de "Tarjeta Roja" mas cuja publicação continua proibida na Suíça.
Um tribunal suíço acatou provisoriamente o pedido de censura apresentado pela Fifa quanto à circulação do livro no país, mas sua decisão não impede que o trabalho seja lançado em outros países, enquanto o juiz suíço Thomas Hildebrand avalia, com prazo até março do ano que vem, se encaminhará Blatter e o antigo secretário geral da Fifa, Urs Linsi, recentemente substituído por Valcke, a julgamento.
Hildebrand, que dois anos atrás determinou que os escritórios de Blatter em Zurique fossem revistados pelas autoridades, é "um magistrado investigador muito competente", na opinião de Jennings, e também está interessado em saber por que a Fifa decidiu restituir dinheiro ao curador da massa falida da ISL, Thomas Buhr. Hildebrand, na prática, parece estar inferindo que a ISL pagava propinas para influenciar a seleção dos escolhidos para os contratos de televisão e patrocínio da Fifa.
Foi isso que disse Jennings nas três palestras que realizou em Buenos Aires, a primeira das quais em um congresso da Fopea, uma federação de jornalistas cujo objetivo é proteger o acesso à informação; ele falou em seguida na sede do British Council em Buenos Aires e, por fim, na quarta-feira passada, na Deportea, diante de uma platéia formada por dezenas de estudantes de jornalismo.
"Não sei se alguma vez em sua vida Hildebrand jogou futebol, mas o nome dele assumirá enorme importância na história do futebol quando, em março do ano que vem, ele solicitar a um tribunal do país que abre processo contra Blatter por malversação de verbas da Fifa", afirmou o jornalista.
Uma fonte, que depôs para seu documentário na BBC sob a condição de que sua identidade não fosse revelada, garantiu a Jennings que "o suborno era pago em forma de salário", por meio de uma fundação secreta sediada no Lichtenstein, que depositava o dinheiro irregular em contas de bancos localizados em paraísos fiscais do Caribe.
Jennings confirmou que entre os dirigentes beneficiados pelos pagamentos irregulares está Leoz, que algum tempo atrás rejeitou essas alegações. "Por acaso existem dois Nicolás Leoz na Fifa?", ironizou Jennings em uma de suas palestras em Buenos Aires.
O jornalista foi ainda mais irônico ao relatar a maneira pela qual Linsi, que um dia elogiou a Fifa como modelo de transparência, se negou repetidamente a responder sobre o salário de Blatter, que aparentemente é muito mais alto do que as pessoas imaginam, em função do pagamento de bonificações confidenciais, informação que Jennings antecipou em uma série de artigos para o jornal "Daily Mail".
O melhor momento surge no documentário para a BBC, no qual Jennings recolhe apenas negativas e silêncios como resposta de um Blatter cercado de guarda-costas, a caminho de seu escritório na sede da Fifa em Zurique. Em outro trecho, Warner diz "go fuck yourself" (vá se foder) a Jennings, quando o jornalista lhe pergunta se havia recebido subornos da ISL. Outro entrevistado que se nega a responder é Jean Marie Weber, antigo homem forte da ISL e peça chave do possível julgamento em 2008, ainda que pessoas que o conhecem afirmam que preferiria ser condenado a revelar um único nome à Justiça.
A Fifa acusa Jennings de "sensacionalismo", e o declarou persona non grata, recusando-lhe acesso às suas coletivas de imprensa. Mas não responde por que restituiu dinheiro ao curador da massa falida da ISL, e tampouco explica por que mantém Warner na posição de vice-presidente já que ele não é alvo apenas de denúncias de Jennings, mas de um processo aberto por toda a seleção de Trinidad e Tobago, que deseja receber o dinheiro devido por sua participação na Copa da Alemanha, em 2006. Warner respondeu excluindo todos os jogadores envolvidos no processo da seleção nacional, um história absurda e quase inacreditável, que só não desperta maior interesse porque Trinidad e Tobago é um país sem maior peso no futebol.
| Links ao final da mensagem e txt em anexo BBC - A ROUPA SUJA DO FUTEBOL - Legendado Andrew Jennings não é um jornalista esportivo, e sim um repórter investigativo. Um dos melhores na Inglaterra, isso é testemunhado por décadas de colaboração com os principais jornais britânicos e a BBC. Mas principalmente é o pesadelo de Sepp Blatter e da Fifa, aos quais dedicou um livro, Foul! The Secret World of Fifa: Bribes. Vote-rigging and Ticket Scandals (em livre tradução, Falta! O Mundo Secreto da Fifa: Subornos, Compra de Votos e Escândalos com Ingressos), publicado em 2006. O melhor momento surge no documentário para a BBC, no qual Jennings recolhe apenas negativas e silêncios como resposta de um Blatter cercado de guarda-costas, a caminho de seu escritório na sede da Fifa em Zurique. Em outro trecho, Warner diz "go fuck yourself" (vá se foder) a Jennings, quando o jornalista lhe pergunta se havia recebido subornos da ISL. Outro entrevistado que se nega a responder é Jean Marie Weber, antigo homem forte da ISL e peça chave do possível julgamento em 2008, ainda que pessoas que o conhecem afirmam que preferiria ser condenado a revelar um único nome à Justiça. Em sua primeira visita à América do Sul, o jornalista inglês Andrew Jennings, cuja especialidade é expor a roupa suja da Fifa, não deixou pedra sobre pedra. Primeiro, ratificou que, de acordo com seus documentos, o presidente da Conmebol, o paraguaio Nicolás Leoz, está implicando em um escândalo de suborno e que terminará por perder o posto caso o incidente seja levado a julgamento no primeiro semestre de 2008, como ele acredita. Afirmou também que, inevitavelmente, já que ele ocupa a posição de presidente da Comissão de Finanças, o escândalo também prejudicará a situação de Julio Grondona, presidente da Associação de Futebol Argentina (AFA) desde 1979 e vice-presidente sênior da Fifa, com mandato que se estende a 2011. E foi ainda mais lapidar em relação ao outro dirigente latino-americano bastante influente na Fifa, Jack Warner, o presidente da Concacaf, a quem não hesitou em chamar abertamente de "ladrão". Jennings, 64, exibiu também o último documento confidencial que expôs na semana passada em sua página da Internet: uma carta pessoal enviada pelo presidente da Fifa, Joseph Blatter, ao secretário geral da organização, Jerome Valcke, alguns meses atrás, na qual Blatter alegava que não permitiria que Valcke o ameaçasse com a possibilidade de denunciar supostos atos de corrupção na entidade máxima do futebol mundial. Não obstante o tom duríssimo da carta, Valcke, que havia tido de abandonar seu posto depois de um escandaloso julgamento em que a Fifa foi derrotada pela Mastercard, retornou no posto de secretário geral e foi o rosto mais visível no sorteio dos grupos eliminatórios europeus para a Copa do Mundo de 2010 na África do Sul, realizado recentemente em Durban. Jennings exibiu o explosivo documentário que realizou para a rede de televisão britânica BBC, no qual pergunta a Blatter e Warner por que motivo a Fifa restituiu dinheiro ao responsável pela massa falida da ISL, empresa que quebrou em 2001 e que, de acordo com o jornalista inglês, pagava suborno a altos dirigentes do esporte mundial. E, por fim, Jennings ratificou as denúncias publicadas em "Foul!" (Falta!), seu livro sobre a corrupção na Fifa, traduzido na Espanha com o título de "Tarjeta Roja" mas cuja publicação continua proibida na Suíça. Um tribunal suíço acatou provisoriamente o pedido de censura apresentado pela Fifa quanto à circulação do livro no país, mas sua decisão não impede que o trabalho seja lançado em outros países, enquanto o juiz suíço Thomas Hildebrand avalia, com prazo até março do ano que vem, se encaminhará Blatter e o antigo secretário geral da Fifa, Urs Linsi, recentemente substituído por Valcke, a julgamento. Hildebrand, que dois anos atrás determinou que os escritórios de Blatter em Zurique fossem revistados pelas autoridades, é "um magistrado investigador muito competente", na opinião de Jennings, e também está interessado em saber por que a Fifa decidiu restituir dinheiro ao curador da massa falida da ISL, Thomas Buhr. Hildebrand, na prática, parece estar inferindo que a ISL pagava propinas para influenciar a seleção dos escolhidos para os contratos de televisão e patrocínio da Fifa. Foi isso que disse Jennings nas três palestras que realizou em Buenos Aires, a primeira das quais em um congresso da Fopea, uma federação de jornalistas cujo objetivo é proteger o acesso à informação; ele falou em seguida na sede do British Council em Buenos Aires e, por fim, na quarta-feira passada, na Deportea, diante de uma platéia formada por dezenas de estudantes de jornalismo. 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