Luís Campos (Blind Joker)
Antes de contar esta história, fui à cozinha, fiz um café e tomei um
pouco. Enquanto bebia meu cafezinho, ia tentando lembrar como tudo se passara.
As cenas vinham à minha mente como se eu assistisse a uma novela de
televisão, isto é, em "núcleos".
Todas as casas da cidade eram feitas em barro, isto é, erguidas em barro
ou escavadas neste. Não havia madeira o ferro para sustentar suas
paredes ou telhados. Era apenas de barro. as ruas também eram de barro,
isto é, não havia calçamento ou asfalto.
Não sei precisar a era ou mesmo a localização da cidade, apenas sei que
vivi esta aventura nessas paragens.
Eu sabia que havia progresso, isto é, móveis e utensílios modernos, como
televisão, geladeira, fogão, automóvel, energia elétrica e até água
encanada, porém não vi nenhuma destas coisas enquanto vivia as proezas
que contarei... mas sabia que existiam.
Eu morava com meu pai, uma irmã e dois sobrinhos e era vizinho de um
casal muito simpático. O marido, Gerlon, eu não cheguei a ver, mas a
mulher, Munike, sua filha Shaila e seu filho Shiver, eu conheci.
Eles eram nossos vizinhos e moravam numa casa subterrânea, colada à
nossa, que ficava ao nível da rua.
Saí de casa e fui à casa deles. Na sala, sentado à mesa, encontrei
Shiver. Falei com ele, que estava lendo uns livros - possivelmente fazia
os deveres de casa - e fui ao quarto de Shaila. Ela estava deitada na
cama.
Sem falar nada, desci sua calcinha e a penetrei. Ela nada dizia. Não
cheguei ao orgasmo e meu pênis amoleceu um pouco. Saí de dentro dela e
fiquei alguns minutos olhando pra ela. Ela desceu da cama e deitou no
chão.
O tesão voltou e eu a penetrei novamente, mas uns pentelhos - creio que
eram primos da Shaila - apareceram na porta, que estava aberta e
começaram a rir. Não cheguei a gozar e deixei o quarto.
Não lembro como, mas logo estava com Munike no seu carro, indo em
direção a um hotel que ficava depois das montanhas.
Quem dirigia o veículo era um senhor que, não sei porque, me lembrou
"Seu Peru", aquele ator que dubla o cachorro "Scooby-doo".
No hotel, também escavado no barro, subi com Munike ao quarto. Sei
que transamos, mas não lembro dos detalhes.
Momentos depois, me vi numa colina e fui atingido por uma bala. O
tiro, disparado de um rifle pelo dono do hotel, cuja fisionomia me
lembrou a do vizinho, marido da Munike, embora eu nunca o tivesse visto.
Fui acertado na testa, mas o chumbo não a penetrou, apenas arranhou um
pouco e caiu ao chão. Nem sangue tirou.
Desci da colina e fui me esconder numa casa abandonada. Tirei um
pedaço de papel dobrado que tinha no bolso e o enterrei no barro duma
parede. Deitei e dormi.
Logo os caras chegaram na casa. Ouvi o automóvel parar lá fora e uns
quatro homens entraram na casa. Eles procuravam o tal papel.
Parecia coisa de filme de espionagem. O que era esse papel, eu nunca
soube.
Os bandidos - isto eu sabia que eles eram - reviram a casa e eu fingindo
que dormia. Eles nada encontraram, mas o chefão sabia que eu saberia
onde estava o papel, pois me acordou e me ameaçou de morte.
Eu permaneci calado - como um bom agente faria - até que ele mandou que
tirassem minha roupa e disse que, se eu não entregasse o papel, ele
comeria meu rabo.
Como, quem tem cu, tem medo, apontei para a parede onde escondera a
porra do papel e escapei de ser seviciado.
Eles pegaram a coisa e se foram.
Saí dali e caminhei em direção à minha casa. O vento levantava uma
poeira avermelhada, mas não me sujava. Alguns minutos depois, cruzo com
Munike que caminhava pela calçada e blasfemava, dizendo mil
impropérios, porque a gang matara seu marido.
Ainda bem que ela não me viu.
Quando cheguei em minha casa, esta estava abandonada e havia uma placa
indicando que o povo se mudara para mais adiante.
Quando cheguei a esta nova casa, encontrei meu pai e minha irmã. Falei
rapidamente com eles, deixando-os curiosos porque eu não expliquei aonde
fora e eles queriam saber.
Desci as escadas de barro e encontrei meu irmão, que montara um
restaurante na parte subterrânea da casa, mas não havia qualquer freguês
por ali.
O sacana, deitado num sofá, tinha, sob as costas, um monte de batatinhas
fritas e, vez por outra, levantava as costas e pegava um punhado
destas... e nem me oferecia.
Disse-lhe que iria tomar um banho e fui la pra dentro. Cheguei ao quarto
de meus dois sobrinhos e falei com eles. Um deles jogava videogame e o
outro brincava com uns soldadinhos sobre a cama.
Na hora que me dirigi ao banheiro, a campainha da porta tocou...
Aí eu acordei.
Que sonho mais besta e estranho, né, pessoal?
FIM
Salvador, 25 de maio de 2011
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