Informação geral
Nome completoSimone Bittencourt de Oliveira
ApelidoCigarra
Data de nascimento25 de dezembro de 1949 (60 anos)
OrigemSalvador, Bahia
País Brasil
GênerosRomântico, MPB, Samba
Instrumentosvoz, percussão, violão
Período em atividade1973 - atualmente
Gravadora(s)Odeon, Emi, Sony, Universal, Biscoito Fino
Página oficialwww.Simone.art.br
Simone Bittencourt de Oliveira, conhecida simplesmente como Simone (Salvador, 25
de dezembro de 1949), é uma cantora brasileira.
Biografia
Filha de Otto Gentil de Oliveira e Letícia Bittencourt de Oliveira, Simone
nasceu prematura de oito meses no bairro de Brotas (Bahia) e sétima filha entre
nove irmãos.[1] Em 1966, mudou-se para São Caetano do Sul, cursou Educação
Física em Santos, onde foi colega dos jogadores de futebol Pelé, Emerson e
Leivinha, e deu aulas no bairro de Santana, na capital paulista..[2]
Jogadora profissional de basquete, chegou a ser convocada duas vezes para a
Seleção Brasileira de Basquetebol, mas devido a duas entorses,[2] foi cortada
antes do embarque e na segunda, durante o campeonato mundial de 1971, ficou no
banco de reservas.[1]
Trajetória artística
Década de 1970
A partir de contatos que sua amiga e professora de violão, Elodir Barontini,
tinha, Simone participou de um jantar na casa do então gerente de marketing da
gravadora Odeon, Moacir Machado, o Môa.[1][3] Ao final do encontro, Simone foi
convidada para fazer um teste na Odeon, o resultado foi que a gravadora a
contratou por quatro anos, com um disco por ano.[1] O primeiro, Simone, gravado
em outubro de 1972 foi regidos pelo maestro José Briamonte. A primeira tiragem
foi distribuída apenas para amigos, parentes e para o meio artístico. O
lançamento ocorreu em 20 de março de 1973[4] (considerada a data oficial do
início da carreira) em São Paulo e Simone estreou no mesmo dia num programa da
TV Bandeirantes. A participação no programa Mixturação (direção/produção de
Walter Silva, TV Record, abril, 1973) também foi aguardada com expectativa e
Simone apontada como um dos nomes mais promissores. O sucesso começava assim de
forma gradual.
Antes de se tornar conhecida do público brasileiro, participou de uma turnê
internacional (1973) [5] organizada por aquele que se tornaria um dos grandes
incentivadores, Hermínio Bello de Carvalho. A excursão internacional, intitulada
Panorama Brasileiro, incluía no roteiro o Olympia em Paris, entre outras cidades
europeias. Em 1974, Festa Brasil, percorre 20 cidades dos Estados Unidos, além
do palco do teatro anexo do Madison Square Garden (Nova York). A turnê foi um
grande sucesso e originou os discos Brasil Export 73 e Festa Brasil (lançado nos
Estados Unidos) --ambos produzidos por Hermínio Bello, que ainda produziria os
dois álbuns subsequentes, Quatro Paredes e Gotas d´Água; neste último a produção
foi realizada em parceria com Milton Nascimento.[6] Em 1976, ao lado de Vinícius
de Moraes e Toquinho participa do Circuito Universitário, uma série de
apresentações, que além do Brasil, viajou a Argentina, Uruguai, Chile, México e
Brasil.[7]
Quatro anos depois de estrear (1977) realizou a primeira apresentação solo, o
show Face a face (Museu de Arte Moderna, RJ, com direção de Antonio Bivar). O
ano marcaria o primeiro grande momento de reconhecimento, com as canções "Gota
d´água", "Face a face", "Jura Secreta" e "O que será". No Projeto Seis e Meia
foi ovacionada por crítica e público quando interpretou "Gota d´água", até hoje
considerado uma das melhores apresentações da carreira: "Foi uma loucura total.
Aquela gente toda - a quem se atribuía inicialmente apenas a vontade de ver
Belchior - mostrou, na hora, que queria me ver também. O público foi ouvir os
dois e, para mim, isso esclareceu algumas críticas ao meu trabalho. Diziam que
eu era cantora de elite, que só escolhia compositores de elite para cantar para
uma elite. E embora não cante músicas de parada de sucesso, foi o povo mesmo que
foi ao Seis e Meia daquela semana, independente de qualquer coisa.".[8] O grande
sucesso cinematográfico da época, Dona Flor e Seus Dois Maridos, de Bruno
Barreto, trouxe Simone cantando O que será na trilha sonora e foi gravada pela
primeira vez em 1976, levando o nome da cantora aos quatro cantos do país.
Lançada no disco Face a Face,[9] a canção "Jura Secreta" (Sueli Costa e Abel
Silva) foi incluída na novela O Profeta, (TV Tupi, Ivani Ribeiro).
No ano seguinte (16 de junho a 15 de setembro de 1978) estava entre os artistas
do ambicioso Projeto Pixinguinha,[10] e, ao lado de Sueli Costa, apresentou-se
nas principais capitais do país.[11] Um excerto do Projeto comenta o progresso
da carreira: "Em 77, além do lançamento do LP Face a Face e da trilha sonora do
filme Dona Flor e seus Dois Maridos fez muito sucesso num espetáculo no MAM. No
Teatro Clara Nunes, com direção geral de Hermínio Bello, apresentou-se em Face a
Face. Em cada espetáculo vem se projetando e se coloca, no momento, entre as
melhores cantoras brasileiras. Acabou de gravar Cigarra, com músicas de
Gonzaguinha ("Petúnia Resedá"), Fagner e Abel Silva ("Sangue e Pudins"), Milton
Nascimento e Ronaldo Bastos ("Cigarra"). (Excerto: Funarte.)
Década de 1980
O grande sucesso da canção "Começar de Novo", tema de abertura do seriado Malu
Mulher, foi registrado pela primeira vez no disco Pedaços, em 1979. Considerado
um divisor de águas na carreira, o espetáculo homônimo [12][13] (30 de dezembro
de 1979, Canecão) foi gravado ao vivo e lançado em disco em 1980, sob o título
Simone ao Vivo (primeiro gravado ao vivo). Sucesso de público e crítica, Pedaços
teve a primeira apresentação em outubro e foi considerado o melhor do ano; em
termos de público, mais de 120.000 pessoas em todo o país [14] só foi superado
pelo espetáculo anual de Roberto Carlos. Dirigido por Flávio Rangel, que incluiu
a canção "Pra não dizer que não falei das flores" no repertório, celebrando a
primeira audição da canção antológica na voz e a primeira interpretação engajada
da carreira, e que só não ficou mais conhecida do que a do próprio compositor
Geraldo Vandré. Simone foi a primeira artista a cantar 'Para não dizer que não
falei das flores' após a liberação pela censura. O sucesso lhe rendeu o primeiro
disco de ouro e um especial da Rede Globo, gravado ao vivo no Teatro Globo (2 de
março de 1980). O programa, chamado Simone Bittencourt de Oliveira, foi o
primeiro da série Grandes Nomes..[15][16]
"Caminhando" seria interpretada ainda em 1982, no Estádio do Morumbi, no
espetáculo Canta Brasil;[17] segundo o Jornal da Tarde (1982):`Simone foi a
responsável pelo momento de maior participação popular e entrou no palco com a
certeza de que isto aconteceria, mas não conseguiu conter a emoção, aliás, como
dezenas de pessoas, diante de um coro de cem mil vozes. Em matéria publicada na
Revista Veja (março de 1982): Simone Bittencourt de Oliveira nasceu duas vezes.
A primeira, em 1949, num bairro de classe média de Salvador, na Bahia. A
segunda, na noite de 7 de fevereiro passado, no estádio do Morumbi, em São
Paulo, quando ergueu um coro de 90.000 vozes na apoteose do espetáculo Canta
Brasil, com a canção Caminhando nos lábios e lágrimas nos olhos. Quando terminou
de cantar, era mais uma estrela no céu.
Uma cantora cujos espetáculos se encerravam com flores distribuídas ao público,
tornava-se não só uma grande voz para os versos de Vandré, mas também, ao lado
de outros artistas, vivenciava-os: Ainda fazem da flor seu mais forte refrão, E
acreditam nas flores vencendo o canhão. Ao final do espetáculo Delírios e
Delícias [18] (1983) clamou pelas Diretas Já; em 1989, ao lado de Marília Pêra e
Cláudia Raia, declarou e apoiou o então candidato Fernando Collor de Mello.[19]
O despertar de uma postura artística engajada acompanharia toda a carreira,
sendo enfatizada por interpretações de sambas como "Disputa de Poder" e "Louvor
a Chico Mendes", além de "Maria, Maria", "Uma nova mulher", "O sal da Terra",
"Será", "Pão e poesia", "Isto aqui o que é", "É", "O tempo não para", "Blues da
piedade". Outro grande sucesso, "Tô Voltando", um samba que canta a volta para a
casa de um casal apaixonado, foi associado à ditadura militar e aos que
retornavam ao Brasil depois do asilo político dos anos 1970.[12]
O ano de 1982 foi marcado por grandes recordes de público, como na temporada de
nove apresentações no Ginásio do Ibirapuera, em 3 semanas seguidas, com cerca de
15 mil pessoas, por noite, dando um total aproximado de 135 mil pessoas: "No
último fim de semana, quando lotou o ginásio do Ibirapuera, também em São Paulo,
com 45 000 ingressos vendidos em apenas 48 horas para três apresentações, ela
mostrou que a nova estrela gosta de brilho, e muito. Com a programação de mais
três espetáculos extras no próximo fim de semana, ela passa a recolher recordes;
ao final do último show, será a artista brasileira que mais vezes se apresentou
num ginásio de 15 000 lugares num espaço de tempo tão curto".[20]
A primeira cantora a interpretar "Caminhando" depois da liberação da censura,
seria também, aos trinta e dois anos, a primeira cantora a lotar sozinha um
estádio, o Maracanãzinho, em 1981, com o espetáculo Amar;[21] superlotou também
o Mineirinho e o ginásio da Pampulha;[22] no mesmo ano lançou Encontros e
despedidas. Pioneirismo evidenciado em outras ocasiões como quando gravou, muito
antes de Paul Simon ou Michael Jackson, com o Grupo Olodum da Bahia; ou quando,
num dos espetáculos, surpreendeu a plateia levando para o palco uma cama, um ano
antes da popstar Madonna chocar o mundo com a mesma ideia. Quatorze anos mais
tarde, em 1995, foi a primeira cantora de renome a gravar um disco inteiro
exclusivamente com canções natalinas.[23] Em dezembro de 1983 parou a Quinta da
Boa Vista onde uma multidão de 220 mil pessoas [24] foram assisti-la na primeira
transmissão ao vivo da história da 'Rede Globo' para um espetáculo de final de
ano.[25][26]
A partir da segunda metade da década de 1960 (1965), em plena efervescência da
contracultura e no rescaldo do pós-bossa-nova, estrearam na televisão brasileira
os especiais do Festival de Música Popular Brasileira (TV Record).
Contemporâneos da Jovem Guarda e do Tropicalismo os Festivais açambarcavam todos
esses estilos, a bossa nova, o rock vanguardista da Jovem Guarda e o ecletismo
do tropicalistas --e ainda seria o palco de estreia de um novo e definitivo
estilo, a MPB, inaugurado com a interpretação antológica da novata Elis Regina,
então com apenas 20 anos de idade recém- completados, cantando "Arrastão".
Durante duas décadas a televisão brasileira foi marcada pelo sucesso da
transmissão desses espetáculos que apresentavam os novos talentos, registrando
índices recordes de audiência. O especial Mulher 80 (Rede Globo) foi um destes
marcantes momentos da televisão;[27] o programa exibiu uma série de entrevistas
e musicais cujo tema era a mulher e a discussão do papel feminino na sociedade
de então abordando esta temática no contexto da música nacional e da ampla
preponderância das vozes femininas,[28] com Elis Regina, Maria Bethânia, Fafá de
Belém, Marina Lima, Simone, Rita Lee, Joanna, Zezé Motta, Gal Costa e as
participações especiais das atrizes Regina Duarte e Narjara Turetta, que
protagonizaram o seriado Malu Mulher.
Nos anos oitenta, que foram marcados pelo reconhecimento de grandes cantoras na
MPB, firmava-se assim como uma recordista de público e de vendagem e o nome
Simone despontava como um dos grandes nomes da indústria fonográfica nacional.
Sua maior temporada ocorreu na tradicional casa carioca, Scala II (1986),
durante oito meses seguidos e é seu o maior público já registrado, de 220 mil
pessoas em uma única apresentação, ao ar livre. O sucesso de público, vendagem e
o repertório refinado situaram-na como um dos nomes mais respeitados da da MPB;
de cantora elitista, passaria, a partir de meados da década de 1980, com a
seleção de um repertório excessivamente popular, pela fase mais obscura da
carreira, enfrentando o estigma da crítica especializada que desmerecia a
interpretação, arranjos e compositores escolhidos—foi a chamada fase brega, que
de uma maneira geral marcou os anos 1980 pela exacerbação aos apelos do
romantismo.
Originalmente idealizado para a montagem do ballet teatro do Balé Teatro Guaíra
(Curitiba, 1982), o espetáculo O Grande Circo Místico foi lançado em 1983.
Simone integrou o grupo seleto de intérpretes que viajou o país durante dois
anos com o projeto, um dos maiores e mais completos espetáculos teatrais já
apresentados, para uma plateia de mais de 200 mil pessoas. Simone interpretou a
canção Meu namorado, composta pela dupla Chico Buarque e Edu Lobo. O espetáculo
conta a história do grande amor entre um aristocrata e uma acrobata e a saga da
família austríaca proprietária do Grande Circo Knie, que vagava pelo mundo nas
primeiras décadas do século. Um dos maiores sucessos da carreira seria lançado
no ano seguinte, em 1983: "O Amanhã" foi o samba enredo da União da Ilha em 1978
e neste mesmo ano gravada por Elizeth Cardoso, mas foi com a primeira gravação
de Simone, em 1983 (CD "Delírios e Delícias" e regravada no CD "Simone ao
vivo"), que a canção se popularizou.[29]
Valendo-se ainda do filão engajado da pós-ditadura e feminismo, cantou, ainda
que com uma participação individual diminuta, no coro da versão brasileira de We
Are the World, o hit americano que juntou vozes e levantou fundos para a África
ou USA for Africa. O projeto Nordeste Já (1985), abraçou a causa da seca
nordestina, unindo 155 vozes num compacto, de criação coletiva, com as canções
"Chega de mágoa" e "Seca d´água". Elogiado pela competência das interpretações
individuais, foi no entanto criticado pela incapacidade de harmonizar as vozes e
o enquadramento de cada uma delas no coro. Também em 1985 cantou no coro de
vozes latinas Cantarei, Cantarás.
Em 1989, dez anos depois de conquistar o primeiro disco de ouro, a artista
figurava entre os poucos a ainda protagonizar especiais televisivos: Simone -
especial (Rede Globo) apresentou trechos do espetáculo Sedução, em cartaz no
Palace (São Paulo); dividiu o palco na tradicional apresentação de final de ano
cantando ao lado de Roberto Carlos. Participou também do especial da Rede Globo
Cazuza – Uma prova de amor, interpretando ao lado de Cazuza a canção Codinome
Beija-flor. No LP Vício grava Louvor a Chico Mendes ao vivo com a Caprichosos de
Pilares.[30]
Década de 1990
Em 1991 gravou um clipe para o programa Fantástico, idealizado pelo sociólogo
Betinho, intitulado "Luz do Mundo", para arrecadar fundos para a reabilitação de
menores. Dos álbuns gravados depois da década de 1980, uma época considerada de
apelo mais popularesco, destacam-se Simone Bittencourt de Oliveira (1995), que
trouxe baladas entre outros clássicos e sambas; Café com leite (1996, um tributo
a Martinho da Vila) -- trabalhos referidos como um reencontro com um repertório
mais seletivo e arranjos mais apurados. Em 1995 lançou o Cd 25 de Dezembro,
exclusivamente com canções natalinas, e obteve a maior vendagem da carreira,
mais de um milhão e meio de cópias vendidas em apenas um mês e meio: Ao lançar,
no ano passado, o disco natalino 25 de Dezembro, a cantora Simone quebrou um
tabu. Ao contrário do que ocorre nos Estados Unidos e na Europa, os cantores
brasileiros não têm o costume de lançar, no mês de dezembro, discos com músicas
de Natal (Revista Veja).[31]
Flávio Rangel, Jorge Fernando, José Possi Neto, Nelson Motta, Ney Matogrosso e
Sandra Pêra são alguns dos nomes que assinam a direção dos espetáculos. O show
Sou Eu ganhou o prêmio de melhor do ano em 1992 e originou o álbum homônimo —
comemorativo dos vinte anos de carreira, que trazia regravações dos antigos
sucessos entre outras canções consagradas. Em 1997 apresentou-se na casa de
espetáculos carioca Metropolitan, com Brasil, O Show, dirigido por José Possi
Neto apresentando clássicos do samba (Paulinho da Viola, Adoniran Barbosa,
Dorival Caymmi, Ary Barroso, Gonzaguinha, Mário Lago) entre outras gravações do
álbum de estúdio do ano anterior, Café com leite.
Anos 2000
Os álbuns Seda Pura (2001) e Feminino (2002) marcaram as mais baixas vendagens
da carreira e repertórios de estilo pouco explorado até então, o pop. Baiana da
gema, um tributo a Ivan lins (2004, 2005), de repertório inédito do compositor,
foi apresentado no eixo Rio-São Paulo. Em maio de 2006, num pocket show, no
cenário intimista da respeitada casa Bourbon Street, exibiu um repertório
romântico ao público que se encantou com arranjos originais, em tom jazzístico,
apresentado na capital paulista, no contexto do Projeto Credicard Vozes. Outras
recentes apresentações, no Peru, foi aplaudida de pé por mais de cinco minutos;
em Miami, ao lado do parceiro Ivan Lins, obteve reconhecimento da crítica que
considerou a apresentação uma das melhores dos últimos anos na Flórida. Em 2007
a parceria com Zélia Duncan foi registrada no CD e DVD Amigo é Casa (Biscoito
Fino), que exibiu, além de regravações,[32] canções inéditas na voz das artistas
e apresentações pelas capitais do país, além de Portugal (2008).[33]
Uma edição da década de 1970 foi organizada pelo jornalista e pesquisador
Rodrigo Faour e lançada em 2009 pela EMI. Considerada a fase de maior qualidade
vocal e musical, o box com 11 CDs reúne a obra completa deste período no qual a
artista impos-se à crítica com interpretações definitivas e sucesso crescente
junto ao público:[34] Tá aí toda a minha formação musical, foi quando eu aprendi
a mexer com estúdio, mixagem, tudo. Acho também que foi uma grande década da
música brasileira, muito importante para as pessoas da minha geração. Claro que
hoje eu faria algumas coisas diferentes. Mas a vida não tem ensaio….[35]
Na Veia foi lançado em agosto de 2009 (Biscoito Fino), sem estilo musical
definido, exibindo um repertório eclético que mescla o samba, o pop e o
romântico para, segundo a cantora, "passar alegria e esperança".[36] Simone
assina a composição de "Vale a pena tentar", parceria com Hermínio Bello de
Carvalho, segunda canção composta pela cantora que já havia estreado com
Merecimento, ao lado de Abel Silva (1982): "Minhas composições eu não mostro pra
ninguém, nem pra mim (risos). No caso desta com Hermínio, de 76, fiz a melodia e
um esboço da ideia da letra, que era uma resposta à 'Proposta', do Roberto.
Depois a entreguei pro Hermínio resolver algumas passagens da letra e só agora
me liberei pra gravar. Como estou me reaproximando do violão, pode ser que
venham algumas coisas por aí. Eu sempre tive muito pudor em colocar qualquer
música minha. Mas um dia eu peguei o violão e cantei para o Rodolfo (Stroeter,
do grupo Pau Brasil, produtor do CD) e a Kati (diretora da Biscoito Fino) e eles
disseram: Você tá maluca de não gravar isso!? Em 76, depois de pronta, a música
chegou a ser mandada para Roberto Carlos - disseram que ele gravou, mas não
saiu".[36]
Estilo musical
Repertório
Na história da MPB a tradição romântica foi intensificada nos anos 1980 e os
temas de amor romântico e paixão, foram amplamente explorados por diversos
cantores e compositores. Simone, que desde o início da carreira interpretou
predominantemente canções românticas, figura dentre elas e é por isso elencada
na categoria de cantora romântica.[37] O repertório abrange mais de 380
interpretações [38][39], um dos mais vastos e diversificados dentre as vozes
femininas,[40] compondo um verdadeiro mosaico de estilos. O amor romântico ou
idealizado, a paixão, (Começar de Novo, Jura Secreta, Corpo, Medo de Amar nº2,
Raios de luz, Lenha), o samba (O Amanhã, Disputa de Poder, Ex-amor) e a
religiosidade (Cantos de Maculelê, Reis e rainhas do Maracatu, Então é Natal,
Ave Maria, Jesus Cristo) são os mais recorrentes na obra.
Ao longo da infância e juventude as principais referências deste repertório
romântico foram Roberto Carlos, Milton Nascimento e Maysa Matarazzo, de quem é
grande fã e que grande influência exerceu na carreira, Dolores Duran, Ângela
Maria, Nora Ney e Elizeth Cardoso -- as maiores expoentes do gênero samba-canção
ou fossa. O gênero, comparado ao bolero, pela exploração e exaltação do tema
amor-romântico ou pelo sofrimento de um amor não realizado, foi chamado também
de dor-de-cotovelo. O samba canção (surgido na década de 1930) antecedeu o
movimento da bossa nova (surgido ao final da década de 1950, em 1957), com o
qual Maysa já foi identificada. Mas este último, herdeiro do jazz
norte-americano, representou um refinamento e uma maior leveza nas melodias e
interpretações em detrimento do drama e das melodias ressentidas, da
dor-de-cotovelo e da melancolia. O legado de Maysa, ainda que aponte para
dívidas com a bossa, é o de uma cantora mais dramática e a voz é mais arrastada
do que as intérpretes da bossa e por isso aproxima-se antes do samba-canção e do
bolero. O declarado gosto pessoal da cantora por boleros advém desta herança
musical.[37] Ao lançar o CD Fica comigo esta noite, comentou: Bolero é bolero.
Quando você tem um cara como o Luiz Conte que tem uma pegada de bolero especial,
fica mais fácil. É o métier dele. Por exemplo, no show, o (Fernando) Caneca
tocava guitarra, violão, viola, tudo junto. No disco, a gente tem mais tempo e
pode variar mais de músicos e testar o que for melhor. No mais, eu sou a rainha
do bolero. Adoro!.[37]
Já como intérprete, Ivan Lins, Vitor Martins, Milton Nascimento, Fernando Brant,
Paulo César Pinheiro, Gonzaguinha, Chico Buarque, Martinho da Vila, Fátima
Guedes, João Bosco, Aldir Blanc, Isolda, Roberto Carlos, Hermínio Bello de
Carvalho, Paulinho da Viola, Sueli Costa e Abel Silva são os compositores com
maior número de interpretações na voz. O repertório atual inclui ainda Zélia
Duncan, Cássia Eller, Adriana Calcanhotto, Aldir Blanc, Joyce, Martinho da Vila,
Ivan Lins, Paulinho da Viola, Zeca Pagodinho e Lenine.
Voz
Desde o primeiro LP gravado até os dias atuais o talento então descoberto é
expressado pela espontaneidade, o dom natural, sem qualquer registro de passagem
por escolas de música ou aulas de canto,[41] tampouco utiliza a leitura de
cifras como recurso de intelecção aos acordes. Marcada por um acentuado sotaque
baiano, que o tempo nunca apagou, e um exclusivíssimo timbre [42][43][44]
metálico de mezzo-soprano, a voz revela-se também por uma leve rouquidão com
viés romântico, entrementes exaltada por um travo de emoção contida, como nos
dramas românticos de Começar de novo, Jura secreta e Gota d´água. Na
nomenclatura do canto o registro vocálico é de tessitura vertical mediana,
contrabalançado por uma ampla horizontalidade ou versatilidade; atualmente, na
maturidade, pode ser definido com o de um contralto, mais grave, que o do tenor
e o do mezzo-soprano; observa-se na obra o uso do recurso do falsete, como em
alguns versos do refrão de Jesus Cristo, no qual o timbre alcança um agudo para
além do registro convencional. Trajetória profissional que se consolidou com um
repertório eclético [45] ensejado por um alto grau de versatilidade vocal,
abrangendo interpretações solo em castelhano e ao lado de nomes como Pablo
Milanés, Plácido Domingo, José Carreras e Julio Iglesias. Foi por três vezes
nomeada para concorrer ao Grammy Latino (em 2006, na categoria Melhor álbum de
música brasileira com o Cd Baiana da Gema[46]).
Palco
A presença no palco é caracterizada[carece de fontes?] entre outras pelo traje
branco, altura incomum e porte atlético e o gesto de abrir os braços no formato
de uma cruz,[47] contemplando gestualmente algumas canções. É
característica[carece de fontes?] também a maneira como Simone encerra os
espetáculos, distribuindo flores, rosas brancas, para o público: As rosas são
uma forma de agradecimento, é uma lembrança minha ao público. E a roupa branca
já vem de muito tempo. O branco é a unificação de todas as cores e simboliza o
meu mestre espiritual, que me acompanha sempre.[48]
Sucessos
A pedido, ganhou em 1978, do amigo Bituca, Milton Nascimento, a composição que
se tornou então o apelido, Cigarra, do disco homônimo lançado no mesmo ano.[49]
O pedido por uma canção com o tema de cigarra partiu da própria cantora por
ocasião de um evento ocorrido em Salvador, quando Simone afirma ter sido
surpreendida por uma voz que repetiu três vezes a palavra cigarra
direcionando-se a ela e de maneira inusitada [carece de fontes?]. A letra faz
alusão à famosa fábula de Esopo, A Cigarra e a Formiga.
Além de Cigarra, foram consagradas na voz inúmeras canções, dentre as quais:
Começar de Novo, Jura Secreta, Medo de amar no. 2, O ronco da cuíca, Face a
face, Cordilheiras, Bodas de Prata, Quem é você, De frente pro crime, Fantasia,
Quatro paredes, Desgosto, Mar e lua, Novo tempo, Música música, Condenados,
Encontros e Despedidas, A distância, Outra vez, Danadinho danado, Canta canta
minha gente, Disritmia, Sangrando, Cantos do maculelê, Louvor a Chico Mendes,
Será, Sou eu, Você é real, Voltei pro morro, Samba de Orly (com Toquinho), Reis
e rainhas do maracatu, Caçador de Mim, Sob medida, Maria Maria, Iolanda (com
Chico Buarque), Atrevida, Por um dia de graça, Quem te viu quem te vê, Tô que
tô, Tô Voltando, Gota d'água, Me deixas louca, Vida, Pão e Poesia, O Amanhã,
Para não dizer que não falei das flores, Disputa de Poder, Uma nova mulher, O
que será, Loca, Procuro Olvidarte, Raios de Luz, Tudo por amor, Tudo bem, Alma,
Corpo, Amor no coração, Codinome beija-flor, Ex-amor, Um Desejo só não Basta,
Amor explícito, Então é Natal, Jesus Cristo, Lenha, Separação, Pedaço de mim,
Desesperar jamais, Saindo de mim, Começaria tudo outra vez, Veneziana, Idade do
céu (com Zélia Duncan), Matriz ou filial, Cofre de seda, Muito estranho, Então
me diz, É Festa, Existe um céu, Alma (com Zélia Duncan), Meu Ego, Migalhas, e
outras.
Começar de Novo, do disco Pedaços (1979),[50] foi a canção-tema do seriado Malu
Mulher (Rede Globo, 1979), que abordava assuntos polêmicos na época como a
emancipação feminina, divórcio, aborto e violência doméstica. A personagem Malu
(Regina Duarte) foi a primeira a tomar pílula contraceptiva na TV.[51] Simone
foi escolhida para interpretá-la em detrimento de Maria Bethânia, cogitada
também para a interpretação, mas que recusou. Na voz, a composição, que foi
escrita especialmente para o seriado, por Ivan Lins e Vítor Martins, tornou-se
um grande sucesso da época e um marco na história da MPB.[52] Começar de Novo
foi gravada também por Barbara Streisand e Sarah Vaughan.[51]
Parcerias
Dentre as parcerias estão nomes como Milton Nascimento, Chico Buarque, Isolda,
Roberto Carlos, Martinho da Vila, Zeca Pagodinho, João Bosco, Ivan Lins, Gal
Costa, Toquinho, Cazuza, Erasmo Carlos, Gonzaguinha, Ney Matogrosso, José Luis
Rodrigues, Dionne Warwick,[53] José Carreras, Plácido Domingo, Pablo Milanes,
Julio Iglesias, Luís Represas, Fátima Guedes, Grupo Olodum da Bahia, Meninas
Cantoras de Petrópolis, Daniela Romo, Eugênia Melo e Castro, Dulce Pontes, Hebe
Camargo, Marília Gabriela, Ângela Maria, Zélia Duncan e outros.
Oficialmente, a vendagem mínima dos álbuns é de 7,2 milhões de cópias; o número
semi-oficial é de 15 milhões:[6] vinte discos de ouro, dezesseis de platina e um
de diamante. Apenas com o CD 25 de dezembro, somente com canções natalinas,
ultrapassou 1,2 milhão. A reedição deste CD contou com a participação especial
das Meninas Cantoras de Petrópolis, na canção Ave Maria, não constante da versão
original. A versão em espanhol vendeu dois milhões de cópias.
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