segunda-feira, 4 de julho de 2011 By: Fred

<> livros-loureiro <> Coleção o Fim do Mundo (4 Volumes)




O MERGULHO NO ABISMO

JONATHAN R. CASH


DanPrewan Editora

2010


Dedicatória

Dedico este livro à minha querida esposa, Tina. Agradeço
pelo apoio necessário para vencer a maior barreira que já
tive de transpor: escrever um livro desta profundidade e
magnitude. Quero incentivar a todos que já tiveram o
sonho de ter o seu lugar ao sol para que metam mãos à
obra! Envolvam-se com pessoas que digam "sim" em vez
de envolverem-se com aquelas que dizem "não"! Também
quero agradecer a Deus por nos deixar Sua Palavra, a
Bíblia. Sem ela, eu seria como um navio sem leme ou um
carro sem estrada.

Agradecimentos

Muitos agradecimentos especiais ao nosso fiel Senhor. A
nossos pais, Bob e Terry Cash, Gloria Tuccille e Bob
Tuccille, recém-falecido; à vovó Geneva Price; à tia Lillie
BeBe Woodhouse; à família da igreja e à equipe da
Atlantic Shores e a todos os amigos e familiares que nos
ajudaram neste empreendimento difícil, porém
emocionante.
Agradecimentos especiais a Gini Ward por sua assistência
editorial, a seu marido, Craig, por sua paciência e oração, e
a Suzie Hardy e Bridget Shaffer que nos ajudaram
imensamente.
Agradecimentos a Craig Minton pela foto de Jon.

O
LIVRO DO APOCALIPSE sempre foi motivo de curiosidade
e temor para as pessoas, porém de fé e esperança para os
cristãos — que nele encontram a declaração da vitória
final de Cristo sobre o mal.
Se, por um lado, temos certeza de que o registro do
Apocalipse é fidedigno, há uma pergunta: como, porém,
aqueles fatos pré-anunciados ocorrerão? É impossível
responder a isso com certeza, mas pode-se imaginar.
Porém, nada do que se imagina certamente chegará
próximo da realidade... quando chegar o momento.
Neste terceiro volume da série, as hostes do mal se
levantam, instituindo a Federação Mundial e a Igreja
Mundial, mas o verdadeiro objetivo dessas ações é colocar
o mundo e a humanidade sob o controle dos espíritos
infernais, abandonando Deus para sempre. O Anticristo e
o Falso Profeta surgem nesse cenário como aqueles que
trarão de volta o equilíbrio, mas a verdade é
completamente oposta e os dias de sombra começam a
existir.

A coleção é composta por 5 volumes: O Despertar da
Escuridão, A Profecia Verdadeira, O Mergulho no Abis-
mo, As Armas do Anticristo, O Juízo Final.



SUMÁRIO

Capítulo Um
A Conspiração Vindoura

Capítulo Dois
O Mal é Bom e o Bem é Mau

Capítulo Três
Uma Moralidade sem Deus

Capítulo Quatro
Brincando com a Desgraça

Capítulo Cinco
Dissimulando o Mal




CAPÍTULO UM
A CONSPIRAÇÃO VINDOURA

W
ALL STREET ESTAVA FALIDA. As bolsas de valores do
mundo todo acompanhavam os Estados Unidos rumo à
pior das recessões. Como um rebanho de porcos
selvagens, elas seguiam, em desespero, o líder do mundo
livre para o buraco de lama. O dólar americano era o
alicerce da economia mundial. Trilhões e trilhões de
dólares de investimentos haviam desaparecido sem deixar
vestígio. Restaram apenas lágrimas e culpas. A classe
média espalhada pelo mundo empobrecia-se rapidamente.
A elite governante a lançara na pobreza sem discrição
alguma.
O dinheiro era o sangue que mantinha o coração do
mundo batendo. Sem esta corda de salvação, um ataque
cardíaco catastrófico era iminente. A única solução lógica
era uma cirurgia no coração. Sem dúvida, Immanuel seria
o médico-chefe. O mundo precisava de alguém que lhe
desse esperança, uma razão para viver. Os aspectos
primordiais da vida diária, a comida e a vestimenta não
eram suficientes para a média dos homens. Esperava-se
prosperidade, que não era considerada um luxo. O planeta
precisava de um "deus" que pudesse melhorar as coisas.
Immanuel planejava cumprir esse desejo, quer as pessoas
quisessem isso ou não.
O mundo estava quebrado e precisava desesperadamente
de reparos. Muitas pessoas que haviam perdido entes
queridos durante o arrebatamento da Igreja ainda sentiam
as perdas. O povo temia uma guerra nuclear ou biológica.
Muitos eram contaminados por uma quantidade excessiva
de vírus que superavam os recursos da Medicina. O índice
de desemprego parecia subir, as poupanças sumiam com o
vento e o coração do povo estava fraco.
Todos pareciam mais feios, menos hospitaleiros e mais
propensos à violência. O amor de muitos se esfriava. Os
versículos bíblicos de 2 Timóteo 3.1-5 se cumpriam:
"Sabe, porém, isto: nos últimos dias, sobrevirão tempos
difíceis, pois os homens serão egoístas, avarentos,
jactanciosos, arrogantes, blasfemadores, desobedientes aos
pais, ingratos, irreverentes, desafeiçoados, implacáveis,
caluniadores, sem domínio de si, cruéis, inimigos do bem,
traidores, atrevidos, enfatuados, mais amigos dos prazeres
que amigos de Deus, tendo forma de piedade, negando-
lhe, entretanto, o poder. Foge também destes".
* * *

Embora estivesse ocupado, Ken Action desfez as caixas
que usara na mudança em seu sofisticado escritório em
Genebra, na Suíça. A mudança dos Estados Unidos para a
nova Europa fora rápida. Em sua estação de televisão,
houve muitas palavras de adeus, mas poucas lágrimas. Seu
novo lar ficava no sexto andar do edifício das Nações
Unidas. Ken tinha uma equipe de 66 funcionários, que
eram responsáveis por pesquisas de opinião pública e
novas tendências de cobertura, à sua inteira disposição.
Seu objetivo era fazer Immanuel parecer a única
esperança para um mundo agonizante.
Este ramo de relações públicas poderia ser comparado ao
Serviço Secreto do exército da máquina de propaganda
nazista. Sua missão era avaliar a opinião pública, obter os
meios para distorcê-la e formar a mente das pessoas. Sua
base de poder alcançava as estrelas, figurativa e
literalmente. Immanuel formularia políticas e depois faria
com que os líderes mundiais acreditassem que essas
políticas haviam partido das idéias deles.
— Tina, acabei de desfazer as malas — disse Ken. —
Chame alguém para tirar essas caixas vazias daqui! Tenho
uma reunião importante em menos de uma hora! —
exigiu ele da secretária executiva, que apertou o sensor de
seu telefone. Sua voz rouca era a de uma pessoa
perturbada, porém obediente.
— Sim, senhor, é para já! — concordou Tina Marie.
Frenética, a secretária olhou ao redor da sala à procura de
um marcador de páginas para sua Bíblia. Ler a Bíblia em
público era considerado uma afronta religiosa. Era uma lei
fundada em princípios que acarretava punições sociais
severas, inclusive discriminação no trabalho. Tina fazia
um estudo profundo de algumas das profecias bíblicas.
Nervosa, colocou uma caneta no livro de Daniel e fechou
o livro proibido.
Em vez de chamar o faxineiro, ela mesma correu para o
escritório de Ken para fazer a limpeza. A jovem de Salina,
no Kansas, bateu levemente em uma das portas marrom-
avermelhadas.
— Entre! — gritou Ken.
Tina rapidamente colocou a mão suada no seletor
eletrônico que ficava ao lado da porta.
— Positivo — anunciou a voz de mulher que vinha do
computador.
A porta abriu-se. Tina colocou a cabeça na porta.
— Se não se importar, vou pegar essas caixas para o
senhor agora. Não tem sentido ficar esperando a boa
vontade do faxineiro — brincou a atraente morena.
Ken acenou com a mão indicando que aprovava a
colocação da moça. Enquanto ela pegava as caixas de
papelão, Ken fingia ler algum material extremamente
importante. Seus olhos esquivavam-se dos olhares dela à
medida que examinava os traços físicos da garota da
cabeça aos pés. Tina Marie era pequena e tinha olhos
grandes. Suas características atraentes escondiam seu lado
independente e, às vezes, egoísta. Era uma mulher
solitária em meio ao pesadelo da vida real. Havia perdido
o noivo no arrebatamento da Igreja. Estava triste com
Deus. Contudo, sentia inveja de seu antigo amor porque
sabia que ele estava no Céu. Seu noivo, já cansado,
encontrava uma parede de pedra toda vez que lhe pregava
a mensagem de Jesus Cristo. Ela vinha de uma família que
acreditava que as pessoas boas iam para o céu. Acreditava
que havia uma escala celestial que media a quantidade de
boas obras em oposição às más, mas sua visão de Deus
abalara-se quando seu noivo desaparecera diante de seus
olhos. Em um instante, os dois estavam preparando uma
lasanha juntos. No instante seguinte, ele se fora sem
deixar vestígio. Seus sonhos se acabaram em um piscar de
olhos.
— Você é uma funcionária muito eficiente — elogiou
Ken.
Tina Marie fazia-se de difícil. Um sorriso rápido apareceu
em seu rosto.
— Não precisa responder agora, mas gostaria de saber se
você poderia me mostrar a cidade neste fim de semana?
Não tenho a menor ideia do que fazer para me divertir
neste vilarejo no meio das montanhas — perguntou Ken.
Tina ficou tímida para responder. Piscava os olhos como
uma adolescente sendo cortejada pela primeira vez.
— Sr. Action! Estou surpresa com sua proposta. Não sou
esse tipo de garota!
Ken girou os olhos sem acreditar no que ouvia.
— Que tipo de garota você acha que penso que você é?
— replicou Ken.
Tina hesitou para responder.
— Bem, não sou o tipo de garota que sai com uma pessoa
completamente estranha!
Ken olhou para o relógio, desesperado.
— Na semana que vem não serei mais um estranho,
serei?
Tina pensou, mas não sabia o que dizer.
— Terminaremos esta conversa outra hora — sorriu Ken.
Tina jogou a última caixa em sua sala e saiu sem dizer uma
palavra.

O Conselho de Igrejas das Nações Unidas estava em uma
sessão para discutir ideias em Paris, na França. A maioria
dos líderes religiosos do mundo estava presente. Apenas
poucos cristãos genuínos estavam ausentes. O Conselho
sempre fora constituído por todas as principais religiões.
O cristianismo, o islamismo, o hinduísmo, o budismo e o
judaísmo eram representados por um tipo de campo de
treinamento democrático e espiritual. Deus nunca havia
vetado poder neste seminário humanístico dos assim
chamados santos. Os únicos participantes que já haviam
complicado a situação eram os cristãos nascidos de novo e
alguns judeus ortodoxos. Os líderes anteriores haviam
demonstrado um ódio visível por todos que acreditassem
que seu caminho era o caminho de Deus. Para esses
líderes, Deus era quem você queria que Ele fosse. Não
importava a verdade, contanto que você se desse bem. A
paz a qualquer preço era a ordem "divina" das Nações
Unidas para o corpo da Igreja.
Dominic Rosario fora convidado para a reunião como um
possível candidato à liderança do Conselho. A maioria das
pessoas chorara com alívio ao ouvir o discurso que
apresentou à Igreja e ao mundo alguns dias antes. Ele era
o que precisavam para finalmente terem uma voz influen-
te na política da organização mundial.
Dominic estava sentado à vontade no palco enquanto era
apresentado à multidão. A falsa humildade que se formava
em seu rosto enganava a todos, exceto ao Deus dos Céus.
Enquanto o orador lia seu impressivo currículo, a energia
que havia na sala parecia aumentar.
Vários milhares de demônios participavam do harém
religioso. Eram agentes de campo especiais que haviam
recebido o mais recente treinamento em ataques à Bíblia e
distorção das Escrituras. Voavam pelo auditório como um
exército de morcegos no início da noite. Sessenta e seis
dos notívagos agarraram-se a Dominic.
— Tenho a honra de apresentar o próximo líder do
Conselho de Igrejas, Dominic Rosario — anunciou um
dos principais espiritualistas da Índia.
Os demônios riam de alegria; o povo deu vivas. Dominic
levantou-se em silêncio e humildemente caminhou até o
microfone. Seu discurso de seis páginas foi prontamente
editado por Blasfêmia. Quando o general dos espíritos
acabara de corrigir o script, a única coisa que restava era o
"obrigado" no final.
— Obrigado pela simpática saudação. Estou diante de
vocês hoje com um programa radical de trabalhos que
recebi do próprio Deus.
Aplausos irromperam da multidão. Dominic ergueu a mão
pedindo silêncio.
— Eu amo todos vocês! Quero o melhor para vocês, para
seus filhos e para os filhos de seus filhos. Amo a Mãe
Terra de todo o meu coração, mente e alma. Digo isto
para prepará-los para o caminho. O caminho não é fácil,
não é plano, nem deixa de apresentar perigo!
Os demônios formaram um círculo ao redor do prédio. Os
espíritos estavam de mãos dadas enquanto declaravam
fidelidade a Dominic. A devocional dos demônios
lentamente penetrava nas entranhas escuras da mente dos
líderes religiosos.
— Confiem em Dominic de toda a sua mente! Ele irá
conduzi-los ao caminho que sempre pediram em oração!
— celebrava o coro de demônios.
— Deus quer a Mãe Terra em paz, mas essa paz só pode
ser alcançada por meio da "ameaça de guerra"! —
continuou Dominic. — Nosso Deus mostrou-me a
resposta para este antigo dilema. Como membros das
Nações Unidas, vocês devem saber que nossa missão é
trazer o mundo para debaixo da cobertura dos homens.
Todos que pertencem a esta grande organização con-
centraram seus esforços na arena política. Este é um bom
começo, mas devemos ir além, muito além.
Baixou os olhos para o script.
— Todas as nações na Mãe Terra devem se desarmar e
entregar suas armas para as Nações Unidas. Nenhuma
nação em particular terá, então, os recursos para ameaçar
os povos unidos do mundo.
Os líderes espirituais do mundo compraram a mentira.
— Como iremos convencer os líderes de todas as nações
a entregar suas bombas, planos e armas? Devemos, e
repito, devemos nos tornar um em espírito e propósito!
Devemos ser uma frente unida para o bem, e fazer
oposição a toda situação obscura. Até aqui, aceitamos
nossas diferenças com dignidade e respeito. Hoje, eu lhes
digo que devemos renunciar a qualquer diferença!
Precisamos de uma teologia única, viável e eficaz. Uma
casa dividida contra si mesma não pode permanecer em
pé! Embora digamos que somos um, nós não somos!
Alguns gemidos premeditados davam arrepios na espinha
de Dominic. Seus cúmplices demoníacos viram sua fé
oscilar. Rapidamente os demônios deram-lhe uma força.
Ele se inclinou para frente e repreendeu os dissidentes na
multidão.
— Não me julguem até que acabem de me ouvir, e eu
lhes tratarei com o mesmo respeito! — disse apontando
para cada um dos malandros sem medo de represália. —
Promovemos a desunião quando acreditamos em algo que
se opõe à crença do nosso próximo. Este atrito pode se
tornar uma infecção fatal. Vocês não percebem? — alegou
o Falso Profeta. — O mundo precisa ver nossa
organização como uma extensão de Deus. As pessoas
precisam ver Deus! Devemos formar um conjunto das
principais crenças sobre as quais haja um consenso de
todos nós. A paz somente poderá ser alcançada quando
formarmos uma Igreja universal, dedicada a um conjunto
principal de valores e leis. Aquelas leis serão apresentadas
a todos os homens, mulheres e crianças da Mãe Terra
como preceitos de Deus. Se a Igreja Mundial puder unir o
espírito das pessoas, poderemos unir sua mente! Quando
começarmos a pensar como uma família, começaremos a
agir como tal. Todos precisam abrir mão de algumas de
suas regalias para o bem da humanidade. Os governos
mundiais seguirão nossa conduta. Eles terão alegria em
entregar suas armas como sua contribuição para a
realização da vontade de Deus. Uma vez que as Nações
Unidas tiverem o controle das armas que ameaçam nos
destruir, poderemos garantir a paz.
Dominic esperava uma série de aplausos. Em vez disso,
deparou-se com o silêncio dos olhares fixos nele.
— O plano é simples. Primeiro, formaremos nossas visões
de religião em um conjunto central de idéias, e
decidiremos o que será mantido e o que será descartado.
Segundo, apresentaremos este dogma como a vontade
imperativa de Deus ao mundo, principalmente àquelas
pessoas que estão no poder. Terceiro, sentaremos e
assistiremos o trabalho da facção política de nossa
organização. Armas serão entregues às autoridades das
Nações Unidas. Isto trará a paz. A religião não mais divi-
dirá o povo! Em vez de nos separar, ela nos unirá. As
pessoas não mais terão a opção de serem membros da
Igreja. Isso será obrigatório para que se tenha uma Mãe
Terra pacífica e próspera!
A maioria dos religiosos malcriados aplaudiu. Alguns, no
entanto, estavam tão insensíveis quanto um cadáver.
Queriam a cabeça do líder em uma bandeja.

O homem da perdição olhava para o tapete felpudo e de
cor púrpura. Ele tinha 99% de certeza de que poderia
confiar em seu subordinado muito bem pago. O 1%
restante não poderia ser confiado à sorte. Era o que o
separava do bando. A conquista do mundo era uma
proposição do tipo "pegue ou desista". Começava com os
seus funcionários. Ou ele tinha um monopólio sobre a
vontade de seus funcionários ou se desinteressava por eles
por completo. Nada deixava para o acaso. Isto era para os
apostadores de Las Vegas e para os meteorologistas.
De repente, olhou para seu servo. A hora era oportuna.
— Ken, que tipo de homem você acha que sou? —
sondou Immanuel.
A pergunta pegou Ken Action de surpresa.
Surpreendentemente, ele pensou antes de falar.
— Bem, você é um homem com um alto grau de
habilidade no que faz — disfarçou Ken. — E um
perfeccionista que não tolera incompetência. Acredito
que adore seu trabalho e o leve a sério.
Immanuel sorriu de verdade para o funcionário. Estava
começando a gostar dele. Deu tapinhas nas costas de Ken
por sua decisão intuitiva de contratá-lo.
— Se eu puder ser perfeitamente imparcial, você é o tipo
de homem que eu não gostaria de enganar.
O filho de Satanás riu alto. Se Ken fizesse bem seu jogo,
Immanuel faria dele mais do que um funcionário bem
remunerado, mas um amigo pessoal. Immanuel não tinha
amigos pessoais. Tivera alguns no passado, mas todos o
enganaram de alguma forma. Não era necessário dizer que
eles não respiravam mais. Ken aproveitou a resposta
favorável para fazer mais exageros.
— Acredito que você é o único homem capaz de trazer a
paz ao mundo. Pelo que você me disse, seu plano é genial.
Sua capacidade para liderar é uma combinação de um
gênio militar, um político afetuoso e um sacerdote astuto.
Você é a primeira pessoa na história do mundo a reunir
todas essas características em uma pessoa agradável.
Immanuel não tinha ouvidos para o que Ken dizia. O
crocodilo fixou os olhos convincentes e que pareciam
irradiar laser nos olhos úmidos de Ken.
— Você deve entender com quem está lidando antes de
poder ser um funcionário instruído — sussurrou
Immanuel com uma voz fantasmagórica.
Ken sentiu um calafrio atravessar-lhe a espinha.
Immanuel fechou os olhos e juntou as mãos como se
estivesse fazendo uma prece. Ken estava assustado, mas
não o suficiente para abrir mão do dinheiro, do prestígio e
daquela secretária que acabara de cobiçar.
Uma nuvem negra desceu do teto. Não era vapor de água,
mas um gás perfumado, estranho para Ken. A nuvem
apoderou-se da sala. A luz que surgia no vidro das janelas
ficava turva pelo vapor do mal. Todos os sons do mundo
exterior desapareceram no nada. Uma luz purpúrea e
efervescente brilhou da parte mais escura da névoa
satânica.
Alguns dos magos em efeitos especiais de Blasfêmia
estavam por trás das trapaças. Satanás havia-lhe concedido
seus mágicos pessoais a fim de gerar confusões. Antes,
esses espíritos de sedução haviam sido paralisados pelo
Deus Jeová. No entanto, Deus reduzira
consideravelmente a força de suas tropas, o que deixava o
caminho livre para Satanás fazer o que bem entendesse.
Satanás não sabia por que Deus fizera isto, e não estava
nem aí. Ele sabia que a capacidade para realizar milagres
era a chave para seu reino na terra. A última vez que teve
esse poder fora no Egito há mais de quatro mil anos.
Ken queria correr, mas sentia algum tipo de força que o
impedia de fugir. Um espírito enorme e de aspecto
sórdido havia se colocado entre ele e a porta. Ken olhou
pela segunda vez para confirmar a impressão que teve ao
ver que Immanuel começava a conversar com a sombra
nebulosa.
— Mostre a ele a verdade, mostre a ele nosso poder,
mostre a ele seu destino — murmurou Immanuel.
De repente, a aparição começou a envolver Ken, que
estava tremendo. A névoa purpúrea começou a girar em
círculos e a se contorcer. De uma bola de energia, ela se
transformou em um rolo de papel escrito dos dois lados.
Immanuel ergueu as mãos para o ar eletrificado.
— Vá! — ordenou Immanuel com uma voz autoritária.
Ken não tinha escapatória. Todos os músculos de seu
corpo estavam rendidos. Até sua língua estava enfeitiçada.
O pequeno furacão continuou a girar ao redor de Ken. Sua
visão começou a desaparecer à medida que o truque cruel
de Immanuel o dominava emocional e psicologicamente.
O rolo de papel lentamente saiu planando em sua direção.
Parecia que o globalista estava controlando o rolo de
papel, mas, na realidade, um demónio o estava
carregando. O rolo flutuava na direção do furacão criado
pelo demónio e começou a girar em seu campo de vento.
Ken vomitou.
— Dê-lhe o maná do céu — ordenou Immanuel.
O rolo de papel logo caiu bem no meio da tormenta. Ken
estava um pouco consciente.
— Pegue-o e coma, pois ele irá confortar sua alma —
determinou Immanuel.
A última coisa de que Ken se lembrou foi de um pedaço
de papel enrolado em cima do seu rosto.

O assistente do presidente Colt dava-lhe tapinhas nas
costas. A camera de televisão estava desligada; o mesmo
acontecia com o sorriso do político.
— Você acha que me saí bem? — perguntou o presidente
para seu conselheiro mais antigo.
— Pode apostar! Os dados da pesquisa estão pintando o
quadro a nosso favor, senhor — informou seu aliado mais
confiável.
O presidente bocejou. Não tinha uma boa noite de
descanso há mais de uma semana. O período tumultuoso
da nação acabara de se estabilizar, de acordo com a
administração. Infelizmente, tratava-se de uma rápida
estabilidade.
— Sr. Presidente, acho que o senhor deve saber de uma
coisa — inseriu o Secretário-Assistente do Tesouro.
O presidente Colt balançou a cabeça em sinal de
descrença.
— Pessoal, aguentem um pouco! Estou morto de cansaço.
Vou para a cama. Não quero ouvir nenhuma outra má
notícia esta noite. Quero ter um bom descanso!
— Mas o senhor não entende a importância do que tenho
aqui — insistiu o oficial.
—Não me interessa se uma arma nuclear foi disparada em
nossa direção. Vou tirar uma soneca!
O oficial do Tesouro estava tentando dizer alguma coisa
quando um dos seguranças do presidente rapidamente
colocou sua mão na boca do homem.
— Você ouviu o presidente, cara. Cale a boca ou irei
fazê-lo para você!
O oficial ficou surpreso com a falta de educação do agente
de serviços secretos. O presidente Colt casquinou assim
que saiu da sala.
O homem número dois do Tesouro olhou para o
Conselheiro de Segurança Nacional com uma expressão
assustada.
— Este talvez tenha sido o maior erro de sua carreira! —
disse o secretário assistente.
O conselheiro de segurança olhou confuso e preocupado.
— Por que você não vai ao meu escritório, digamos que
daqui a uns 20 minutos — disse o conselheiro olhando
para o relógio.
O rosto do tesoureiro estava pálido, enquanto ele ainda
olhava para a porta por onde saíra o presidente.

A difícil situação econômica, liderada por Lorde
Birmingham, estava surtindo os efeitos desejados. O
mercado da Dow Jones perdera outros 20% de seu valor
durante a semana anterior. A única coisa que o impedia de
ter uma queda ainda maior era a oscilante esperança
daqueles que diziam que isso jamais aconteceria. A
Psicologia continha o mercado, e o medo dominava as
pessoas.
— Então, o que faço agora? — gritou o chanceler alemão.
Seu temperamento estava se incendiando como uma
fogueira na qual acabavam de ser borrifadas algumas gotas
de gasolina.
Lorde Birmingham não se tornara vítima de suas
emoções.
Seus olhos diziam tudo. Ele se preocupava mais com o
chá na China do que com o futuro político de Helmut
Blitzkrieg.
— Ouça. O que está acontecendo com nossos mercados
financeiros já estava previsto. Facilitamos isso para que
pudéssemos controlar o poder da explosão. Immanuel
deu-lhe a opção de juntar-se ao nosso movimento ou de
ser ignorado. Parece-me que você escolheu a Sibéria —
disse Lorde Birmingham, dando risadinhas.
Helmut Blitzkrieg queria meter um pé-de-cabra ao redor
do pescoço do inglês.
— O que você quer de mim, seu sanguinário? — gritou o
alemão.
Lorde Birmingham bateu o punho na mesa.
— Cresça! Deixe-me colocar a questão nesses termos para
que esse seu cérebro do tamanho de uma ervilha entenda.
Você não pode voltar atrás agora; deve seguir em frente.
Você não tem escolha!
Helmut saltou da cadeira.
— Cheguei ao topo com suor e sangue! Sou o protetor do
povo alemão. Não vou ficar parado e assistir você assumir
o controle do nosso país.
— Não interessa — escarneceu o banqueiro.
— Você tem uma semana para ver as coisas do nosso
jeito. Do contrário, prometo que o marco alemão será
destruído.
Lorde Birmingham passou pela porta cantarolando uma
melodia popular inglesa.
Helmut Blitzkrieg pegou um de seus retratos com
Immanuel em uma atividade política e o lançou contra a
parede. Suas narinas tremiam como as de um touro.
Gritou para o retrato quebrado como se ele estivesse vivo.
— Vou acabar com você, Immanuel! Você nem peito
tem para me ameaçar pessoalmente. Você tem de usar um
de seus capangas para fazer o trabalho sujo por você!
Helmut caiu de joelhos próximo aos vidros estilhaçados.
Pegou um dos cacos afiados e apertou-o contra o pulso.
Gritou pela condição deplorável em que se achava.
— Você vai me pagar! Você vai me pagar!

A cerimônia para assinatura do tratado de paz era algo
memorável. Autoridades e políticos do mundo todo
estavam presentes. A bandeira israelita e árabe
balançavam com a brisa quente do deserto. A bandeira das
Nações Unidas erguia-se ousada entre elas. A cerimônia
acontecia no Vale dos Reis, bem no centro de um dos
vales montanhosos de Israel. Immanuel tinha todos os
principais canais da mídia mundial cobrindo o evento.
Este era seu dia de glória.
Trompetes anunciaram o início das festividades assim que
24 jatos de várias nações cruzaram o céu azul. Milhares de
soldados das Nações Unidas apareceram lá em cima da
colina, acompanhadas por centenas de tanques e carros
blindados. A exibição de poder absoluto era im-
pressionante, porém agourenta.
Immanuel foi até a plataforma. O maldito homem
aproximou-se do microfone. Seus convidados concorriam
entre si para ver quem conseguia saudá-lo mais alto. Os
aplausos duraram exatos dois minutos, e foram seguidos
pela execução do novo hino mundial por uma mulher
russa.
Assim que a canção sumiu ao vento, Immanuel foi para a
extremidade da plataforma e colocou uma das mãos no
coração.
— Estou aqui hoje para proclamar a paz!
O momento foi oportuno para aplausos. Bilhões de
pessoas, de todos os cantos da terra, assistiam ao evento
pela televisão.
— Chegamos ao ponto decisivo da história. Os povos
estão fartos de pessoas de má índole no controle da terra.
Estamos cansados das forças obscuras deste mundo que
manipulam nossa vida e nosso futuro! Toleramos a guerra
por milhares de anos, mas, hoje, tenho o prazer de
anunciar o fim da guerra, como a conhecemos!
O sorriso de Immanuel cobria seu rosto diplomático. O
público ficou em pé, em sinal de gratidão pelo trabalho
que ele realizara. Tentou superar o entusiasmo do povo;
no entanto, era impossível conter os elogios. Foram
necessários vários gestos para que as pessoas se
acalmassem. Immanuel sentia-se honrado com as
demonstrações de afeto. Contudo, ao mesmo tempo,
incomodado com tamanha bajulação.
— Hoje, bem aqui diante de seus olhos, estamos
despontando para uma nova era. Será um período de
alegria, no qual não teremos de nos preocupar com nação
se levantando contra nação. Será um período em que
todos serão iguais. Esta era será o ponto decisivo na
história. Prometo paz, prosperidade, justiça e harmonia
para todos os que embarcarem em nossa cruzada.
Immanuel fez uma pausa para esperar a aclamação pública
que, sem dúvida, viria a seguir. E foi o que aconteceu.
— Os milagres da ciência nos ensinaram que toda a vida
de nosso planeta é interdependente. A floresta tropical
amazônica está ligada à vida do povo japonês. O
impensado despejamento de lixo tóxico na costa
americana pode destruir a população de peixes da Europa.
O uso excessivo e egoísta de combustíveis naturais pode
destruir gerações vindouras. Nossas ações afetam aqueles
que nos cercam, e os filhos de nosso ventre! A vida está
intrincadamente ligada a esta terra. Quando parte da Mãe
Terra sofre danos, ela atinge todo o planeta. Isso nos traz
ao problema que enfrentamos. Este maravilhoso corpo
chamado Mãe Terra está dividido, e jamais poderá ser sau-
dável até que perceba a unidade de seu ser.
Immanuel percebeu que suas palavras eram simbólicas
demais para seus ouvintes.
— Sei que fico entusiasmado com o futuro de nosso
precioso planeta, e falo em termos que podem confundi-
los. O problema sempre foi o homem! Somos egoístas, e
temos deixado a Mãe Terra clamando por vida. O homem
pode mudar e trabalhar para manter vivo nosso frágil
planeta.
Suas palavras penetravam na mente do povo como uma
chuva de primavera há muito esperada. Mais uma vez, os
líderes do mundo ficaram em pé mostrando sua
admiração.
— O abuso que o homem tem feito da tecnologia e da
ciência tem levado a humanidade à beira de um enorme e
perigoso precipício. Nossa civilização está prestes a sofrer
uma catástrofe ecológica e social. A única maneira de
impedir nosso mundo de desmoronar é criar um mundo
unido em propósitos, crenças e governos. Essa unificação
começa com este tratado de paz.
Immanuel balançou o tratado no ar.
— Muitos de vocês acreditam que o exército de seu país
confere à sua nação a proteção de que ela necessita.
Aqueles que seguem por este caminho estão arruinados, e
seu universo, destruído! Há um caminho melhor! Um
mundo unido sob um governo democraticamente eleito,
detentor de todo o aparato militar, faria da guerra uma
praga do passado. Trata-se de um simples conceito que
uma criança é capaz de entender. Contudo, os orgulhosos
não conseguem enxergá-lo. Estou aqui para dar visão ao
mundo! Estou aqui para proclamar que a paz pode ser
alcançada. Este tratado é apenas o início do que podemos
fazer se estivermos dispostos a doar um pouco para que
possamos ganhar muito!
O mundo espiritual estava agitado com suas atividades.
Era o Woodstock dos demônios bruxos. Havia
literalmente bilhões de pequenos, grandes, feios e ainda
mais feios demônios participando da cerimônia para
assinatura do tratado. Sua missão era minar todo vestígio
de decência e bondade dos habitantes da terra.
Satanás estava presente, recebendo elogios de milhares de
seus demônios, que estavam de joelhos, em sinal de
submissão. Este era o evento que daria o pontapé inicial
para a ascensão de Satanás e de Immanuel ao poder. Nada
restaria para o acaso.
— Antes que nossos amigos do Oriente Médio assinem
este notável documento, quero deixar minha opinião para
o futuro do mundo — esclareceu Immanuel.
Os espíritos empurraram todas as autoridades, políticos e
amigos de Immanuel para a beira da cadeira.
— Proponho que seja estabelecida uma Federação Mundial
de Pessoas Unidas para substituir as Nações Unidas. Esta
federação seria democraticamente eleita e teria o poder de
fazer da lei internacional a lei suprema das nações. Não
haveria mais guerras porque o tutor do mundo possuiria
todos os instrumentos de destruição. O crime seria
reduzido a algo ínfimo porque possuiríamos todas as
armas de fogo. Uma força policial de caráter mundial
acabaria com o terrorismo internacional, o tráfico de
drogas e crimes ligados à máfia.
— Este governo gastaria um trilhão de dólares por ano
para fazer essa limpeza ambiental. Este governo garantiria
que os recursos da terra seriam igualmente divididos para
nos ajudar a viver todos os dias em segurança e com
alegria. Todos teriam comida na mesa, um teto para
morar, roupas para vestir, serviços de saúde e segurança
para andar nas ruas à noite! Imaginem um mundo onde
não houvesse céu nem inferno, ricos ou pobres.
Em uma fração de segundos, o discípulo do Diabo deixara
de ser um político para ser um pregador. Ele tinha
capacidade de agradar a gregos e troianos.
— Não sou um homem religioso, mas devo dizer que
todos os grandes pregadores do passado sonharam com
este dia. Sei que Deus está do nosso lado, e que ele nos
conduzirá à terra em que flui leite e mel! — mentiu
Immanuel.
Daniel e Timothy continuaram escondidos atrás de um
monte de nuvens que se movia lentamente a uns 50
quilômetros de distância. Milhares de anjos da guarda
faziam o mesmo, a maioria a uma distância
consideravelmente maior que a de Timothy e Daniel.
A medida que Immanuel expunha sua visão colérica com
relação à religião, Timothy rapidamente abriu sua Bíblia e
chorou em silêncio. Daniel não entendeu a blasfêmia de
Immanuel nem a reação de Timothy a ela.
— Por que você está tão perturbado? — perguntou
Daniel. — Pensei que estivesse entusiasmado com nosso
novo emprego.
Timothy deixou cair uma lágrima dos olhos.
— Pensei que teríamos tempo antes de a ilusão espiritual
vir à tona com tamanha força — disse ele abrindo sua
Bíblia de bolso em 2 Timóteo 3.5.
— Ouça isto — disse Timothy. — A Bíblia diz que eles
terão forma de piedade, mas negarão seu poder. E
exatamente isto o que aquela besta está fazendo agora. Ele
está apelando ao lado moral das pessoas, enquanto nega a
fonte de toda a moralidade. Infelizmente, a situação ficará
ainda pior.
— O que significa tudo isso? — perguntou Daniel, curioso.
— Haverá uma guerra de verdade ou vamos apenas ficar
brincando de guerrinhas aqui e ali até que venha o
Armagedon?
Timothy espantou-se com o tom de Daniel. Cravou o
dedo no peito do jovem anjo.
— Você deveria mostrar mais respeito pela guerra dos
séculos! Isto não é um videogame dos homens! Esta é a
guerra entre o Deus da Criação e sua primeira criação,
Satanás! Ele é o anjo mais forte dos céus!

CAPÍTULO DOIS
O MAL É BOM E O BEM É MAU

T
UDO BEM, VAMOS OUVIR! — disse Jim Smith, conselheiro
da Segurança Nacional do presidente dos Estados Unidos.
Seu trabalho era proteger a segurança nacional e a
soberania dos Estados Unidos contra todos os inimigos,
estrangeiros e internos.
Bill Thomas hesitou, curioso por saber se o conselheiro da
Segurança Nacional saberia lidar com este tipo de
informação.
— Pensando bem, não tenho certeza se o senhor é o
homem com quem devo conversar — confessou Bill.
Jim abriu os braços.
— Se você está se referindo à segurança do país, depois de
mim, só resta o presidente. Você tentou incomodá-lo,
mas ele não lhe deu atenção; então, fale logo. O que o
deixou desse jeito?
— Tudo bem, tudo bem. Só não sei bem o que o senhor
poderá fazer a respeito — admitiu Bill. — Os Estados
Unidos, como conhecemos, estão chegando ao fim!
A afirmação pessimista de Bill era algo inusitado para o
diplomado pela Universidade de Harvard. Ele sempre fora
um dos economistas mais respeitados na equipe da Casa
Branca.
— Vindo de alguém como você, isso me assusta, e muito!
— disse Jim. — Espere um pouco. De onde vem esta
informação?
Ambos olharam-se. Bill continuou a tentar.
— Meu chefe renunciou ao cargo porque tinha algumas
informações terríveis sobre algo que provavelmente
destruirá nossa economia — confessou Bill.
A reação do conselheiro o surpreendeu. Ele sentou-se e
ouviu Bill como se já esperasse o que acabara de ouvir.
— Seremos vendidos às Nações Unidas. Nossa moeda
passará a ser a Unidade Monetária Europeia. O dólar já era,
e enterrá-lo trata-se apenas de uma questão de tempo,
provavelmente algumas semanas, e não anos, com
certeza!
Jim não estava preparado para a queda do império norte-
americano.
— Sinto o maior respeito por você, Bill, mas tenho de ser
honesto. Sei que a bolsa de valores está lá embaixo, e que
existem alguns rumores de uma crise. No entanto, a
possibilidade de uma crise norte-americana dentro de
algumas semanas é remota — disse Jim.
— Os fatos são incontestáveis. Há quase dez dias, os
maiores investidores da bolsa de valores resolveram
acabar com todo o sistema.
Bill fez uma pausa para ler o que diziam os olhos de Jim.
— Sei que você sabe de quem estou falando. O problema é
que não entendo o que os levaria a fazer isso. Uma vez
que destroem o mercado, eles se autodestroem!
— Talvez os ricos não pensem apenas em dinheiro —
disse Jim, que começava a entender a situação. — O que
eles querem? Como o presidente estaria envolvido nisso?
Bill sabia que estava tendo uma grande oportunidade de
conversar com Jim.
— Espero que não esteja sugerindo que o presidente... —
repreendeu Jim.
Bill sabia que o segredo estava sendo revelado. Não havia
como recuar agora.
— Meu chefe sabia que as pessoas influentes da Europa
tinham vendido todas as suas ações, o que gerou um
pânico no Tesouro. Sabia que o fornecimento de dinheiro
teria de ser dobrado, mas também sabia o que fazer para
evitar esse desastre. O presidente, na melhor das
hipóteses, queria a saída mais fácil. Bem, na pior das hi-
póteses, sei que é difícil acreditar nisso. — Bill parou e
olhou bem nos olhos de Jim. — O pior é que ele faz parte
desse plano.
— E o Secretário do Tesouro lhe contou tudo isto? —
conferiu Jim.
— Sim, ele contou.
Ambos levantaram-se e se olharam, deixando que a
verdade viesse à tona. Alguém gritou à porta.
— Quem é? — disse ansioso o conselheiro da segurança.
— Eileen. Ligue a televisão! Uma notícia surpreendente
no Canal 9!
Seguindo à orientação de sua secretária, Jim esticou-se em
meio à bagunça da mesa, pegou o controle remoto e
rapidamente ligou a televisão.
Um avião havia caído, e não havia sobreviventes.

As filas de oração na Agência Central de Oração mais uma
vez começavam a aparecer, o que agradava ao arcanjo
Miguel. Os telefones não tocavam há mais de duas
semanas porque a maioria dos homens que oravam com fé
havia deixado a terra e estava na presença de Deus. O
enorme anjo tinha esperança de que as orações aumen-
tariam para que tivesse de volta o poder para combater o
mal.
Os que recentemente haviam se tornado cristãos tinham
histórias semelhantes. Entes queridos que eram cristãos
dedicados haviam desaparecido no arrebatamento,
deixando seus familiares e amigos próximos estarrecidos.
Muitos desses devotos cristãos vinham falando para seus
familiares e amigos não cristãos sobre seu possível
desaparecimento, como afirma a Bíblia. Uma vez que seus
entes queridos se foram, as pessoas se esqueceram de ler a
Bíblia e de crer. O surgimento desses cristãos recém-
nascidos de novo muito agradava ao arcanjo.
Miguel fez algumas mudanças na linha de produção para
que pudesse analisar as orações. Com as asas fechadas atrás
de seu manto branco e os braços fortes para baixo, saiu
descendo a linha de dezesseis quilômetros de trabalha-
dores. À medida que interpretava as orações, o arcanjo
percebeu que teria de convocar vários batalhões. A
batalha final estava apenas começando.

Immanuel sentia-se cheio de energia com a força
demoníaca que habitava nele. Seria hora de revelar a
grande surpresa?
— Digam-lhe: "Não! O povo não está preparado" — disse
Satanás a seus assistentes.
Seus mensageiros imediatamente entregaram a mensagem
a Immanuel. Ele podia alimentar as pessoas com migalhas,
mas não dar-lhes o pão inteiro.
— Hoje se inicia a Federação Mundial das Nações Unidas!
— proclamou Immanuel, que examinava a multidão com
pente fino, observando as murmurações dos líderes
mundiais.
— Sei que muitos de vocês estão curiosos por saber sobre
as Nações Unidas e seu papel na Federação Mundial. O
coração das Nações Unidas está no lugar certo; no
entanto, elas não têm as ferramentas para pôr em prática o
que idealizaram. Hoje, proponho a abolição das Nações
Unidas e a instituição da Federação Mundial das Nações
Unidas!
Os comentários de Immanuel eram como um meteoro
indo de encontro ao enclave das Nações Unidas. Para
aqueles cuja vida girava em torno da máquina de desejos
do planeta, a declaração foi algo inesperado e apavorante.
Satanás lia a mente das pessoas e ordenava que um
mensageiro fosse entregar sua mensagem.
Immanuel percebeu a agitação.
— Posso garantir-lhes que todos que estiverem
envolvidos com as Nações Unidas serão contratados pela
Federação Mundial.
Com isso, impediu-se o motim, mas alguns dos líderes
mundiais tinham perguntas, e muitas, sobre essa tal de
federação.
— Nas próximas semanas, apresentarei o plano para que
alcancemos a paz mundial de acordo com a Federação
Mundial. Será uma abordagem única e de inclusão para
controlar o mal que nos aflige e, ao mesmo tempo,
manter os privilégios que todos nós alimentamos.
Immanuel sabia que seriam necessárias algumas outras
informações naquele momento para anestesiar a mente
daqueles homens. Ele precisava terminar de pintar o
quadro da esperança futura para que eles o assimilassem.
— Um sistema de incentivo será estabelecido para que os
primeiros a se envolver com a Federação Mundial colham
o maior número de benefícios — disse ele, com calma. —
Como todos nós sabemos, uma crise financeira está
sufocando o mundo neste momento. Será impossível
manter a estabilidade da moeda de seu país, e isso pode
causar mais prejuízos do que benefícios. Minha
abordagem revolucionária redefinirá o modo como
levamos a nossa vida no dia a dia, tudo para o bem da
nação. Preciso que seu país abra mão de sua moeda
desvalorizada e passe a adotar a moeda de padrão mundial,
que é a Unidade Monetária Europeia. Acredito que o
mundo esteja preparado para uma moeda universal!
Satanás não se continha pela brilhante decisão que havia
tomado em escolher este astuto banqueiro. Limpando as
unhas, o Príncipe das Trevas espreguiçou-se no trono
móvel. Na verdade, Immanuel se saiu tão bem na arte de
enganar que Satanás não precisava mais contar com
Blasfêmia para redigir o script.
— Também acredito que, no devido tempo, será
necessária uma sociedade avançada que nem mesmo faça
uso do dinheiro. Pensem nos bilhões de dólares, lucros
resultantes do tráfico de drogas, que serão apreendidos da
noite para o dia! A sonegação de impostos será coisa do
passado, de modo que todos terão de ser honestos e dar
sua parcela justa de contribuição para o sucesso da
sociedade. Isto provocará um aumento nos impostos da
Federação Mundial, garantindo um índice estável de
inflação e baixas taxas de juros. Os custos do dinheiro
impresso serão zero, e os custos com a coleta de impostos
será uma fração do que é agora. Todo este fluxo de caixa
extra não será empregado na facção burocrática, mas em
vocês, para enriquecer a vida das pessoas do mundo todo!
As atitudes de Immanuel eram transmitidas em horário
nobre. Ele era crível, confiável e atraente.
— Faço este apelo aos líderes e aos cidadãos do mundo:
juntem-se à Federação Mundial das Nações Unidas! Os
países que assinarem o acordo esta semana terão as
melhores taxas de câmbio para suas moedas, as cadeiras
mais democraticamente eleitas no congresso mundial e a
maioria dos privilégios monetários. Quanto antes vocês se
unirem à Federação, maior será o prêmio!
Contudo, ele não mencionou o que aconteceria se não
ocorresse essa união. Havia tempo para isso depois.
Primeiro ele usaria o aspecto positivo da abordagem. O
anticristo voltou os olhos para as câmeras de televisão que
estavam aos pés do palco.
— Vocês, povos do mundo, têm o direito intransferível
de controlar seu próprio destino, e o destino do mundo!
Vocês não devem ser fantoches políticos. Não permitam
que seus líderes manipulem ou intimidem vocês. Se a
prioridade de seu líder é sua própria carreira política em
vez de o futuro de sua nação, façam-no tomar
conhecimento disso de uma forma eficaz, porém pacífica.
Para isso servirá a Federação Mundial! Vocês, cidadãos do
mundo, têm a minha palavra!
O sorriso e o entusiasmo contagiante de Immanuel eram
um sucesso em termos de audiência na televisão. No
entanto, muitos dos conhecidos políticos de Immanuel
agora criticavam severamente seu comportamento,
embora suas críticas ainda não fossem mencionadas. Ele
sabia que isto aconteceria, pois partira para um cargo
público sem o consentimento deles. Ele os ignorou,
correndo direto para os braços do povo como um
cavaleiro em seu cavalo branco. Seu plano para ganhar o
poder era brilhante e bem leito.
Qualquer um que tivesse coragem para cruzar-lhe o
caminho seria vaiado pela opinião pública. Immanuel
divertia-se e estava preparado para seguir adiante até que o
último oponente ofegasse e morresse. O que mais pesava
em sua mente eram aqueles países que não elegiam seus
líderes de forma democrática. Era mais fácil controlar cães
fanáticos do que ditadores desesperados. Esses
constituíam um problema especial que Immanuel estava
disposto a enfrentar.
Com o discurso de uma vida inteira às suas costas,
Immanuel convidou o primeiro-ministro de Israel e os
líderes árabes a ficarem em pé, apertarem as mãos e
assinarem o acordo de paz diante de todos. O plano
sinistro estava selado.

Dominic Rosario estava relaxando em seu escritório
confortável e histórico, enquanto afagava os lábios com
uma borracha já usada. Pensava no sonho que acabara de
ter há algumas horas, curioso por saber o que tudo isso
significava. Não era do tipo de ficar sonhando, mas nas
últimas semanas, todas as noites, Dominic tinha uma vi-
são. Ignorar essas mensagens supostamente vindas de
Deus era um suicídio espiritual, pensava ele.
Todo sonho que tinha envolvia o futuro, e sua parte na
criação de uma Igreja onipotente. Será que Deus
fisicamente habitaria o planeta? Será que as profecias
bíblicas de fato se cumpririam sob suas ordens? Que forma
Deus assumiria? Os pensamentos de Dominic o
entusiasmavam. Em uma de suas visões, Immanuel era o
homem que seria o templo de Deus em sua forma física.
Em outra visão, ele próprio era adorado como Deus.
Esfregou devagar os olhos cansados, colocou os óculos e
pegou sua Bíblia em latim. Os sonhos pareciam
enfraquecê-lo, como se algo adentrasse fisicamente em
seu corpo e sugasse sua energia. Aparentemente, ele
estava à procura de Deus, mas, por dentro, ele moldava
Deus como um ídolo que seria aceito por sua imaginação
orgulhosa. Fechou os olhos e orou. A oração foi
interceptada por Blasfêmia. Sua oração não era exatamente
a do tipo mais difícil de interceptar. Depois de expressar o
desejo de Dominic, a oração apenas ficava flutuando perto
do lustre. O Deus Jeová não estava interessado nesta
oração egocêntrica e arrogante. O Deus Todo-Poderoso
ansiava pelas orações dos humildes, mansos e quebranta-
dos. Até Blasfêmia tinha dificuldade para roubar essas
orações. O demônio observava a petição parcial de
Dominic, esparramado no chão como um porco gordo em
meio à areia movediça. Ele lentamente a levantou do chão
e a devorou de uma só vez.
Dominic passava o dedo no texto bíblico com os olhos
fechados. Esperava que um raio de luz vindo do céu o
parasse em algum ponto específico. Blasfêmia grunhia e
arrotava enquanto dava uma mãozinha para que o dedo de
Dominic parasse em Isaías 11.6-10. Dominic começou a
ler o texto.
— "O lobo habitará com o cordeiro, e o leopardo se
deitará junto ao cabrito; o bezerro, o leão novo e o animal
cevado andarão juntos, e um pequenino os guiará. A vaca
e a ursa pastarão juntas, e as suas crias juntas se deitarão; o
leão comerá palha como o boi. A criança de peito brincará
sobre a toca da áspide, e o já desmamado meterá a mão na
cova do basilisco. Não se fará mal nem dano algum em
todo o Meu santo monte, porque a terra se encherá do
conhecimento do Senhor, como as águas cobrem o mar.
Naquele dia, recorrerão as nações à raiz de Jessé que está
posta por estandarte dos povos; a glória lhe será a
morada".
O líder religioso fechou o livro de profecias antigas,
porém divinas. Uma luz turva brilhou em sua mente
obscura. Deus planejava prenunciar um período de eterna
paz. Toda a terra conheceria o Senhor. Deus precisava de
alguém para transmitir essa verdade. Seria ele esse ho-
mem? — pensava Dominic.
O Falso Profeta, mais uma vez, fechou os olhos.
Continuou a folhear as páginas da Bíblia, seguindo no
Novo Testamento. Não sentiu vontade de parar até que
Blasfêmia bateu-lhe na mão com sua garra no livro de
Apocalipse 11.3. Entusiasmado, Dominic abriu e fixou os
olhos nas palavras daquela página. Começou a ler.
— "Darei às Minhas duas testemunhas que profetizem por
1.260 dias, vestidas de pano de saco. São estas as duas
oliveiras e os dois candeeiros que se acham em pé diante
do Senhor da terra. Se alguém pretende causar-lhes dano,
sai fogo da sua boca e devora os inimigos; sim, se alguém
pretender causar-lhes dano, certamente, deve morrer.
Elas têm autoridade para fechar o céu, para que não chova
durante os dias em que profetizarem. Têm autoridade
também sobre as águas, para convertê-las em sangue, bem
como para ferir a terra com toda sorte de flagelos, tantas
vezes quantas quiserem".
As mãos de Dominic começaram a tremer
descontroladamente. Ele colocou a Bíblia no colo e gritou
aleluia ao mesmo tempo em que erguia os braços para o
alto. Em vão, pensou que ele e Immanuel seriam as duas
testemunhas. Ele seria o líder espiritual do mundo e
Immanuel, o líder mundial. Se tivesse lido os versículos
dentro de um contexto, sua alegria logo se esvairia. No
entanto, a verdade não tinha importância para Dominic
— ou para Blasfêmia. Ambos formavam o par perfeito.
Essas testemunhas tinham o poder de Deus que vinha
após elas! Ele seria capaz de realizar milagres, sonhava
Dominic.
Um olhar de relance para o relógio o fez levantar-se.
Precisava fazer uma reunião particular com Immanuel.
— Deixaremos o mundo de pernas para o ar com este tipo
de poder! — declarou Dominic. — Serei como Deus!
Noticiários do mundo todo elogiavam os planos de
Immanuel. Pesquisas de opinião constataram que
Immanuel era uma personalidade atraente, com taxas de
aprovação que chegavam aos 95%. Esse número fez os
líderes, que queriam agarrar-se ao poder que tinham,
sentirem ondas de choque. Alguns apareciam para
protestar, fazendo acusações que envolviam conspirações
e encobrimentos da verdade. Os meios de comunicação
não suportavam esses indivíduos.
Os elitistas da mídia viviam seu momento de glória.
Políticas liberais disfarçavam-se de soluções
conservadoras e judiciosas. As pessoas, em busca de ajuda,
não se voltavam para Deus, mas para o governo. O
socialismo era o que importava. A verdade era relativa.
Deus era o que ou quem se queria que fosse. A engenhosa
mensagem de venda de Immanuel era proclamada por
todos os demônios que vagavam pela terra.
As estações de televisão concordaram em suspender suas
programações normais por seis dias em um esforço
completo para facilitar a penetração do novo e
monstruoso governo. Sabiam que estavam na posição de
contribuir para esta mudança de atitudes que, por sua vez,
acarretaria na mudança de governos. Os tempos eram
críticos demais para que se mostrasse as duas versões da
história. Queriam apresentar apenas a versão que dizia
respeito à união do mundo.
Ken Action estava com os pés em cima da mesa. Seus
olhos estavam grudados no centro de entretenimento que
alojava 16 estúdios. Ele podia monitorar a opinião do
mundo assim que fosse exibida nos noticiários em rede
vindos de todos os principais países do mundo.
Ele assistia aos noticiários dos Estados Unidos, Europa e
Oriente, áreas que, segundo Immanuel havia lhe pedido,
seriam os alvos principais. Surpreendia-se com a linha de
pensamento comum que estava sendo tramada entre todas
as comunidades do mundo. Um noticiário europeu
parecia estranhamente similar aos seus primos distantes
nos Estados Unidos. Historicamente, atitudes em relação
ao governo, e à vida em geral, haviam dividido as culturas
em facções antagônicas. Hoje, como que em um milagre,
elas caminhavam lado a lado. Com diferentes religiões
pontilhando a terra, como o sarampo em uma criança,
Ken estava chocado com o consenso geral.
Ao tirar os olhos da fila de jornalistas sorridentes, Ken
percebeu uma luz vermelha piscando em seu telefone.
— Sim, o que é? — disse ele.
— Você tem um segundo? — perguntou Tina Marie. —
Tenho uma coisa para lhe falar.
Ele rapidamente tirou os pés de cima da mesa e colocou-
os de volta na posição adequada.
— Tudo bem — sorriu o Don Juan.
Em seguida, abriu a gaveta de sua mesa, pegou um
pequeno tubo feito de estanho que ficava debaixo de um
bloco de anotações e deu dois borrifos do líquido que nele
havia para aliviar o hálito da boca. Em menos de um
segundo, Tina passou pela porta. Ela usava um vestido
longo esvoaçante e florido, e estava nervosa quando se
sentou. A secretária executiva de Ken conseguiu encará-lo
nos olhos. Ela não estava flertando com ele, mas estava
sendo extremamente amigável.
Ken encostou-se na cadeira e deu-lhe um sorriso de
orelha a orelha. Esperava que ela começasse a falar.
"Deixe-a se contorcer um pouco", pensou ele.
— Hum, você disse que gostaria de conhecer a cidade.
Hum... ficaria contente em mostrar-lhe.
Sua voz parecia expressar uma condição.
— Antes de irmos, quero lhe dizer que não sou "daquele"
tipo de garota!
Ken continuava mudo.
— Não sei se compreendi bem.
Tina enrubesceu.
— Não se preocupe. Vamos. Vou mostrar-lhe a cidade.
O espertalhão pegou a bolsa dela e a seguiu, como uma
aranha, todo convencido.

Uma coluna de fumaça preta subia do Parque Nacional de
Shenandoah. Escombros retorcidos de um avião da Força
Aérea espalhavam-se pela encosta de uma montanha da
Virgínia. Centenas de equipes de resgate estavam no local,
passando pelos destroços esparramados e orando para
encontrar sobreviventes por entre os pedaços de metal.
Algumas labaredas estalavam de uma colina a outra à
medida que o vento do vale começava a soprar um pouco
mais forte.
O FBI havia despachado para lá dezenas de peritos. O
acidente com o avião acontecera há menos de três horas,
e o odor rançoso de carne queimada fazia com que
perdessem os sentidos.
Os veículos de comunicação de quatro estações de
notícias de Washington já estavam no local da cena,
escolhendo as fotos mais repugnantes para mostrar aos
telespectadores em casa.
O conselheiro de Segurança Nacional e o assistente do
Tesouro estavam chocados. Ambos sentiam náuseas
enquanto ouviam as notícias sobre a tragédia pela
televisão. Não era o sangue nem as vísceras, mas a
implicação política que traria a notícia de um homem
morto. A estação de televisão transmitia cenas aéreas dos
pedaços do avião que havia sido projetado para transportar
políticos e militares de alta posição. Um jornalista de voz
monótona dava os detalhes.
— O que sabemos é que 18 pessoas estavam no jato da
Força Aérea, entre elas o antigo secretário do Tesouro.
Talvez vocês se lembrem de que o presidente Colt o havia
demitido, abre aspas, "pela falta de cumprimento do dever
que poderia comprometer a economia americana".
Quando perguntado sobre o que queria dizer com essa
afirmação, o presidente Colt disse que as informações
referentes à sua demissão poderiam provocar, abre aspas,
"uma séria ruptura da segurança nacional", fecha aspas.
A mão de Jim estava tremendo enquanto segurava um
copo de água.
— Como vocês podem ver — continuou o repórter —, o
avião explodiu na colisão que, ao que parece, provocou
aquela cratera de nove metros de profundidade. Deve
haver dezenas de centenas de pedaços desse avião
espalhados em uma área de oito mil metros quadrados.
O experiente âncora hesitou, sinal de que estava
recebendo mais detalhes de um produtor.
Bill e Jim aguardavam, com a esperança de que não
ouviriam o que o coração já sabia.
— Acabei de receber este relatório do diretor do FBI.
Não há sobreviventes!

Bem no ponto de impacto estava Bubba Davis, que corria
desesperado ao redor das imagens da tragédia, na tentativa
de chamar a atenção de alguém. Bubba, um garoto que
crescera nas montanhas, tinha a altura de uma árvore. Ele
facilmente tinha o peso de um trator da fazenda. O
menino, que abandonara o colégio e trabalhava na
fazenda da família, nunca se esquecera do ditado popular
favorito de seu pai: "Quando a coisa aperta, é melhor estar
na companhia de gente ajuizada e sem instrução do que
com um idiota instruído". O primeiro exemplo que seu pai
citava eram os políticos de Washington.
Embora Bubba tivesse um pequeno problema de gagueira,
sua mente era rápida. Conseguiu localizar cinco homens
com jaquetas de cor laranja do FBI.
— Senhores, senhores, eu... eu... vi o que aconteceu!
Eu... eu vi tudo! Eu... eu posso... posso ajudar! — disse ele
aproximando-se dos homens.
Os homens da cidade olharam por cima dos ombros,
depois deram as costas para a multidão.
Bubba ergueu a voz, pensando que eles tinham
dificuldade para ouvir.
De repente, um investigador alarmado achou que a
atitude de Bubba correr era agressiva e sacou sua arma
laser.
— Parado aí, rapaz — disse o agente.
Ele escorregou ao ouvir o grito do policial e parou a
alguns metros de distância da polícia.
A língua do garoto do campo logo ficou toda enrolada.
— Eu... eu... eu... posso... posso ajudar. — gaguejava sem
parar a testemunha estremecida.
O policial ria da maneira mais rude possível.
— Por que você não nos ajuda indo buscar um
cafezinho?
Bubba sorriu por educação, mas ignorou o pedido do
policial.
— Eu... eu estava filmando alguns pássaros quando...
quando o avião explodiu no ar!
Os policiais pararam de rir e começaram a resmungar
baixinho.
— Você filmou a explosão do avião? — perguntou o
agente.
— Sim, sim, senhor! Coloquei a câmera lá na
caminhonete.
Meus irmãos estão cuidando dela para mim.
Os agentes federais se entusiasmaram, porém estavam
cautelosos. Um dos homens transmitiu uma mensagem
pelo rádio para a central provisória de operações na base
da montanha.
— Central, estou com uma testemunha aqui que diz ter
uma fita do acidente do avião. Planos para mais
investigações, desligando — transmitiu o investigador.
Assim que ele colocou no colete o dispositivo de
comunicação por satélite, o comandante da operação
gritou com um agente.
— Steve, vá pegar a fita. Não pare para analisá-la.
Entendeu o que eu disse?
Steve parecia irritado.
— Mas, senhor, eu...
O comandante o interrompeu no mesmo instante.
— O que você desconhece agora irá mantê-lo vivo.
O agente já tinha visto aquele olhar de seu chefe antes.
Obedeceu sem dizer mais uma palavra.
O comandante voltou-se para sua equipe de detetives.
— Prendam todas as pessoas envolvidas — e olhou para
Bubba.
Bubba não era idiota. Entrou em pânico quando os
homens tentaram revistá-lo.
— Eu... eu... nã... não fiz nada de errado! Eu... tentei
ajudar! Um agente colocou um laser vermelho bem entre
seus olhos.
— De joelhos, e mãos para cima, agora!
Bubba sentiu-se traído. No entanto, obedeceu. Os cinco
homens pediram reforço enquanto se preparavam para
prender os familiares de Bubba.
— Onde está a caminhonete, garoto? — perguntou um
dos homens.
Bubba sentia-se fraco.

— O que você quer? — perguntou o presidente.
Immanuel, que só tinha dormido duas horas nos últimos
três dias, ainda estava tão atento quanto uma cascavel.
— É hora de seu país juntar-se à Federação Mundial!
Os olhos de Immanuel pareciam dissecar todos os átomos
do presidente Colt. O presidente contorceu-se na cadeira.
Tinha medo de Immanuel.
— Pretendo manter minha posição no negócio — disse o
presidente. — Tenho certeza de que você planeja fazer o
mesmo!
— Você está sugerindo que existe a possibilidade de eu
voltar atrás com minha palavra? — perguntou o
Anticristo.
O presidente voltou atrás.
— De modo algum! É que amo meu país e quero o
melhor para ele. Ser o vice-presidente do mundo deve
garantir uma parcela justa de influência dos Estados
Unidos nas questões mundiais.
— O que você ama é o poder — retrucou Immanuel.
O presidente mordeu a língua, pois já não estava no
controle.
— Estamos imprimindo dinheiro como se não houvesse
amanhã. A hiperinflação deve estar a apenas alguns dias.
A opinião pública continua firme do nosso lado — disse o
presidente, garantindo sua colaboração.
Isto era música para os ouvidos de Immanuel. O país que
havia colocado os maiores obstáculos nos caminhos dos
ditadores mundiais nos últimos 200 anos estava prestes a
ser subjugado. A grande águia seria capturada e vencida.
— O que seus conselheiros estão dizendo? — perguntou
Immanuel.
O presidente inclinava a cabeça para um lado e para o
outro como se estivesse enrolando para responder.
Immanuel ignorou o gesto insignificante.
— O povo aceitará a transferência do exército para as
mãos da Federação Mundial? — interrogou o Anticristo.
O presidente rangeu os dentes.
— Se pudermos controlar as informações da mídia, sim!
Do contrário, teremos de fazê-la por etapas.
Immanuel soltou seu sorriso sinistro.
— Prefiro a abordagem rápida e indolor — lembrou o
globalista. — Agora, e a questão dos impostos?
- Impostos? — perguntou o presidente, que foi pego
totalmente de surpresa.
— Você ouviu meu discurso. A Federação Mundial não
pode fazer uma boa administração sem dinheiro. Cada
país que patrocina a federação deve concordar em
transferir a base de seus impostos para o sistema mundial.
O ponto de vista de Immanuel fazia sentido, mas o
presidente não gostava de surpresas. Desesperado, Colt
massageou a nuca, na tentativa de aliviar a dor que
aparecera de uma hora para outra.
— Não acho que a imprensa vá engolir essa história —
disse o presidente.
O Anticristo permanecia calmo e sereno. Suas mãos
estavam visivelmente sobre a mesa como se ele estivesse
para pegar um garfo e comer seu jantar. Para tristeza dos
norte-americanos, a soberania dos Estados Unidos era o
aperitivo de Immanuel.
— Acho que os cidadãos dos Estados Unidos irão
colaborar — Anunciou Immanuel. — Quando o dólar
descer pelo ralo, e sua moeda for convertida em UMEs,
concordarei em perdoar por completo suas dívidas
astronômicas. A crise de seu país só será esquecida se
você concordar em juntar-se a nós!
— Seríamos idiotas se recusássemos uma oferta tão
generosa — disse o presidente, que mal disfarçava o
entusiasmo.
Immanuel tirou o tratado de paz da pasta e o lançou na
mesa.
— Fico contente que tenha enxergado a luz — disse ele,
fingindo se importar.
O presidente assinou o documento. Immanuel levantou-
se para ir embora, pois já havia conseguido o que queria.
— Um de meus assistentes entrará em contato com você
nos próximos dias para acertar os detalhes — concluiu o
Anticristo.
O presidente Colt tentou manter a atenção em Immanuel.
— E a vice-presidência? — lembrou o americano
inseguro.
O Anticristo virou-se assim que abriu a porta oval do
escritório.
— E sua, vice-presidente Colt. Você será um dos 200
vice-presidentes que a Constituição Mundial terá.
O presidente Colt não pôde acreditar.
— O que você quer dizer com 200?
— Você não pode ter imaginado que a constituição
mundial seria como a dos Estados Unidos! Acho que nós
todos podemos chegar a um consenso de que seu sistema
de controle mútuo das diversas repartições
governamentais miseravelmente fracassou. O líder de
cada país que assinar o contrato agora mesmo receberá
automaticamente o cargo de vice-presidente. Quem sabe,
daqui em diante, você leia as entrelinhas de um
documento tão importante antes de assiná-lo. Todos os
poderes limitados de seu cargo serão discutidos em
detalhes.
Immanuel dava risadinhas.
— Você sempre encontra o Diabo nas entrelinhas —
gabou-se o Anticristo ao bater a porta.

Bubba, juntamente com seus dois irmãos e sua irmã, foi
algemado e lançado no canto de uma caminhonete do
FBI, uma unidade móvel equipada com as mais avançadas
tecnologias. As únicas testemunhas da queda do avião
estavam de joelhos, e receberam ameaças de tortura se
saíssem da linha.
O diretor-assistente da nova agência do FBI assistiu à fita.
Ele não era o tipo de homem com quem se podia mexer.
Durante a última guerra civil, os agentes governamentais
foram instruídos a utilizar técnicas brutais para com os
criminosos. As leis novas e frouxas agradavam o diretor-
assistente e faziam dele um déspota assassino. Ele tinha
crédito e fora aplaudido por executar brutalmente mais de
100 líderes do movimento constitucionalista, e tudo isto
com o carimbo de aprovação do governo norte-
americano.
Ele assistiu à explosão do avião na fita de Bubba.
— O que temos aqui é uma pequena diferença de conceito
— comentou ele por acaso, apertando o botão para
desligar a televisão e seguindo a passos lentos em direção
aos reféns.
— Você, na verdade, não viu aquele avião explodir no ar,
não é? — perguntou o diretor-assistente, um pouco perto
demais para sentir-se à vontade.
Bubba tremia. Olhou para os irmãos e depois para a irmã.
Jamais sentira tanta aflição em qualquer outro momento
de sua vida.
— Senhor, eu, eu não posso mentir! O avião explodiu a
alguns metros lá no ar! O senhor viu o que aconteceu na
minha... na minha fita! — balbuciou o menino da fazenda.
O diretor-assistente ergueu o pé e em seguida bateu-o
com força na barriga de Bubba. A força de suas botas fez
Bubba ter convulsões.
— Não! — gritou sua irmã. — Por que você está
machucando meu irmão? Ele não fez nada de errado!
O federal ignorou a súplica da menina, e continuou a
esmurrar o estômago de Bubba até o sangue jorrar de sua
boca trêmula. Seus irmãos mais novos tentaram correr.
Um federal fortemente armado, que estava do lado de fora
da caminhonete, ouviu a gritaria e correu para dentro da
sala. Ouviu-se uma série de disparos. Quando a fumaça
baixou, quatro adolescentes das montanhas da Virgínia
estavam mortos. Seria necessária uma intervenção de
Deus para que esta história fosse apresentada nos noticiá-
rios da noite.

— O presidente Colt anunciou hoje que os Estados
Unidos estarão assinando um tratado para tornar-se um
dos membros da Federação Mundial. Sua Assessoria de
Imprensa informou à Rede Global de Notícias que a
decisão do governo norte-americano estava baseada no
sonho contido há muito de um mundo dirigido por um
governo em harmonia com os desejos do povo. A notícia
espalhou-se rapidamente pelo edifício do Congresso
norte-americano, com muitos de seus membros falando
pouco a respeito. As condições do acordo estão traçadas,
mas eis o que sabemos até o momento — noticiou a
âncora. — A crise financeira que fez a bolsa de valores
cair e o mercado de títulos minar teria seu fim mediante o
câmbio do dólar americano para a UME, a moeda que
circula nos Estados Unidos da Europa. Immanuel
Bernstate, o porta-voz da Federação Mundial e candidato
à sua presidência, confirmou sua disposição em perdoar
grande parte da dívida dos Estados Unidos, que chega a
vários trilhões de dólares. Resumindo, nossa entrada para
a Federação Mundial pagaria enormes dividendos por
quase todos os norte-americanos. Os únicos que sairiam
perdendo com isso seriam os ricos, que seriam forçados a
abrir mão de suas contas no Tesouro sem receber seu
principal retorno.
A âncora parecia satisfeita.
— O presidente concordou em alistar nossas Forças
Armadas nas forças da Federação Mundial que buscam
manter a paz. Não foram dados outros detalhes, mas uma
fonte próxima


confidenciou à RGN que o presidente acredita que esta é a
melhor medida a ser tomada pelos Estados Unidos, que
estão mergulhados em dívidas e não podem manter suas
forças, e por um mundo mergulhado na desordem. Em
resumo, a OTAN e as Nações Unidas terão sua expansão
para abarcar todo o planeta. Uma nova pesquisa realizada
pela RGN confirma que a maioria de patriotas norte-
americanos é a favor do conceito da Federação Mundial,
uma margem de aproximadamente dez para um.
Seus olhos desviaram-se da câmera. Uma mensagem no
ponto que estava em seu ouvido pareceu deixá-la
preocupada. Ela titubeou por um momento, depois voltou
ao normal.
— Esta notícia acabou de chegar a nossos estúdios. Um
terremoto atingiu o Japão. Sua magnitude foi registrada
em 9,2 na escala Richter. O ponto central do terremoto
estava localizado a apenas nove quilômetros de distância
do centro de Tóquio. Há os primeiros relatos de quedas de
edifícios, entre eles arranha-céus. Não temos mais
informações desta vez, mas Immanuel Bernstate da
Federação Mundial acabou de fazer o seguinte
pronunciamento: "Um terremoto desta natureza não
apenas destruiria a cidade de Tóquio, mas toda a economia
do Japão".

O conselheiro de Segurança Nacional e o substituto do
antigo secretário do Tesouro saíram rápido do escritório e
atravessaram o longo corredor decorado no estilo do
século 19. Nenhuma palavra disseram ao virar o corredor
e descer correndo uma série de escadas. Assim que saíram
do edifício, sentiram-se mais à vontade para discutir o
plano.
— Aonde vamos? — perguntou Jim.
Bill olhou para ele e balançou os ombros. Estava
absolutamente claro que o chefe de ambos, o presidente
dos Estados Unidos, era um traidor e, o mais provável, um
assassino. Jim prudentemente manteve a boca fechada até
ter certeza de que ninguém estava à escuta. Seu carro
estava apenas a 40 metros de distância. "Estaremos se-
guros lá", pensou Jim.
Assim que chegaram ao carrão, os dois olharam dentro
dele com cuidado.
— O que você está fazendo? — balbuciou Jim. — Se
alguém realmente está tentando livrar-se de nós, com
certeza não faria isso usando aparelhos de baixa
tecnologia.
Bill olhou a trava da porta do carro.
— Sério? Não tenho certeza. Tudo é possível agora —
resmungou ele.
Jim não podia acreditar que estava tendo este tipo de
conversa. O que havia acontecido com o país em que
crescera? O que aconteceu com o Juramento de
Fidelidade? As alegrias do passado de ambos não passavam
agora de lembranças assustadoras.
— E, a porta, vamos inspecioná-la? — perguntou Bill.
Jim balançava as chaves na mão direita, pensando nas
opções. Colocou a chave na porta do carro, prendeu a
respiração e girou-a lentamente no sentido do relógio.
Lorde Birmingham cerrava os dentes. Acabara de receber
a triste notícia de que alguém roubara a cabeça de alce
com suas tábuas inestimáveis, além da arca e o que nela
havia. Não estava disposto a encontrar-se com o mais
provável suspeito. Seus olhos estavam fixos no retrato de
tamanho natural de seu bisavô. "Será que você sentiria
orgulho de seu bisneto?", pensou o banqueiro. O que seu
ídolo acharia de Immanuel Bernstate? Pôs seus
pensamentos de lado para enfrentar Immanuel com
coragem. Estava certo de que o homem dos milagres tinha
muitos presentes, promessas, restrições e ameaças para
oferecer. Lorde Birmingham olhou para suas unhas feitas,
curioso por saber como seria trabalhar para ganhar a vida.
O trabalho físico seria moleza comparado às pressões de
estar à volta de Immanuel, raciocinou o europeu.
Um monitor de 12 polegadas exibiu a notícia. Lá estava
um homem com os olhos fixos no dispositivo de
segurança de Lorde Birmingham, que podia sentir o poder
do olhar daquele homem. Lorde Birmingham não queria
apertar o botão de segurança.
— Lorde Birmingham, não posso ficar parado aqui
perdendo tempo! — disse o Anticristo, agressivo.
Lorde Birmingham abriu a porta. Immanuel entrou
saracoteando com um sorriso que ia de orelha a orelha,
dando a Birmingham razão para se preocupar.

CAPÍTULO TRÊS
UMA MORALIDADE SEM DEUS

A
PAZ, UMA PAZ FORJADA que as pessoas do mundo eram
obrigadas a sentir pelo punho de ferro da Federação
Mundial, cobria a superfície de toda a terra; contudo, a
maldade ainda existia no coração dos homens. Era como
borrifar desin-letante em um cadáver em decomposição.
O mau cheiro seria encoberto pelo agradável perfume só
por alguns dias. No entanto, no decorrer do tempo, a
força e o fedor da morte sufocariam o perfume artificial.
Immanuel simplesmente ocultara as facções que dividiam
os homens. Os anjos sabiam que a paz jamais reinaria se
não houvesse pureza no coração dos homens.
Durante as últimas semanas, o plano de Immanuel vinha
funcionando s-m nenhum empecilho — pelo menos,
publica, mente. Todas as nações haviam assinado o tratado
para a união do mundo, alguns com alegria, outros com
relutância. O presidente Colt continuava na Casa Branca
como o vice-presidente da Federação
Mundial dos Negócios Norte-Americanos. Três dos dez
líderes dos Estados Unidos da Europa resolveram servir de
empecilhos, formando o primeiro desafio à nova ordem
mundial de Im-manuel. Cada um deles acabou pagando
um alto preço por sua insubordinação. Immanuel acabou
com eles usando uma arma pequena, porém mortal: a
retaliação, na dose certa, feita por meio da televisão. A
mídia permitiu que Immanuel sujasse com mentiras o
nome limpo de cada um dos rebeldes. As declarações
falsas do líder acabaram com a imagem outrora popular
desses políticos. O poder e o prestígio de um meio de
comunicação controlado pela Federação Mundial abafou-
lhes a voz. Se tivessem lido o capítulo 7 do livro de Daniel
na Bíblia, eles saberiam o que estava para acontecer:
"Depois disto, eu continuava olhando nas visões da noite,
e eis aqui o quarto animal, terrível, espantoso e
sobremodo forte, o qual tinha grandes dentes de ferro; ele
devorava, e fazia em pedaços, e pisava aos pés o que
sobejava; era diferente de todos os animais que
apareceram antes dele e tinha dez chifres. Estando eu a
observar os chifres, eis que entre eles subiu outro
pequeno, diante do qual três dos primeiros chifres foram
arrancados; e eis que neste chifre havia olhos, como os de
homem, e uma boca que falava com insolência."
Outra nação, o Japão, era motivo de preocupação para
Immanuel. No entanto, o terrível terremoto em Tóquio
foi o catalisador que subjugou o pequeno país asiático.
Como o pior desastre natural dos tempos modernos, o
impacto causado por esse tremor no mundo foi devas-
tador, ficando constatada a morte de mais de meio milhão
de pessoas. Quase todos os prédios no raio de 50
quilômetros do epicentro ficaram em ruínas. O valor dos
imóveis destruídos chegou a dezenas de trilhões de
dólares. Uma vez que os bancos sempre foram aliados do
mercado imobiliário, quando Tóquio caiu, o mesmo
aconteceu com eles e com as companhias de seguros. Era
a hora perfeita de Immanuel convencer os japoneses a
unirem-se à Federação Mundial.
O único país que oferecia uma resistência mais
significativa ao governo mundial do anticristo era a China.
Ameaças eram-lhe dirigidas como flechas, e as
propagandas de nada serviam. A economia chinesa
permanecia relativamente intacta em decorrência da crise
internacional. Immanuel não tinha artifício algum que
pudesse ser usado para obrigar a China a entrar para seu
partido. Ele não tinha escolha senão fazer um acordo com
o implacável e independente governo comunista. A China
unira-se à Federação, mas só no papel.
Os detalhes do acordo nunca foram revelados. A China
deveria receber todos os benefícios de participação na
Federação Mundial se selasse a promessa de que não
cruzaria qualquer fronteira do país. Para isso, receberia
bilhões de dólares de ajuda, o câmbio favorável da moeda
para UMEs e a garantia de Immanuel de que não seria
submetida ao sistema de impostos da Federação Mundial.
O anticristo também concordou em deixar que o governo
chinês violasse alguns direitos de seus cidadãos que
julgasse necessários para alcançar seu objetivo de subjugá-
lo. Negou-se aos cidadãos chineses acesso à tecnologia de
satélites, de modo que eles não divulgariam seu
conhecimento sobre as questões mundiais. Na verdade,
qualquer pessoa que fosse pega com um desses
dispositivos seria levada à morte no mesmo instante.
Immanuel olhava com respeito o sistema chinês de
injustiça sem mesmo piscar o olho.
A Rede Global de Notícias, que agora era a fonte de
influência das notícias mundiais, simplesmente repetia as
notícias da Federação Mundial. Quer fossem elas de
cunho político, econômico ou moralista, a estação
sujeitava-se aos regulamentos de Immanuel que, por sua
vez, podia ser comparado à cabeça de uma cobra ve-
nenosa, e a RGN, à sua boca. A crise econômica do ano
anterior havia silenciado quase todas as outras emissoras
de notícias. Uma vez que as empresas não tinham
dinheiro extra para bancar propagandas de seus produtos,
essas estações de televisão não tinham fonte de renda.
Sem dólares para investir em campanhas dispendiosas, a
maioria das estações foi forçada a baixar as portas. Elas
simplesmente abriram falência, deixando a RGN,
financiada por Lorde Birmingham, como a única
distribuidora de propaganda.
Federação Mundial. Era a chance perfeita para um ditador
mundial divulgar suas notícias sem deixar um obstáculo,
como a verdade, no meio do caminho.
A tecnologia avançara a ponto de exceder o
entendimento.
Toda linha telefônica do mundo foi grampeada por uma
rede central de computadores. Os avanços na ciência
haviam colocado um enorme poder destrutivo nas mãos
de poucos. Immanuel assumira o controle do armamento
nuclear; pelo menos, era isso que pensava, uma vez que
achava difícil controlar a difusão de artefatos feitos em
casa.
A Federação Mundial também se gabava de sua mais
avançada força policial do planeta. Todas as unidades
policiais, local e nacional estavam sob seu controle direto.
A definição padrão de um crime foi formulada a fim de
incluir qualquer ato, voz ou pensamento que retardasse ou
impedisse os planos de longo alcance da Federação.
Immanuel justificou esta doutrina ditadora como um mal
necessário para combater um mal ainda maior: o
terrorismo mundial. Convenceu seus súditos que essa falta
de liberdade era um preço baixo a ser pago para que a
segurança fosse mantida.


No apogeu da crise, o índice de desemprego chegava a
50% no mundo todo. Para compensar as estatísticas,
Immanuel ordenou que todos os cidadãos prestassem
serviço para a Federação Mundial. Era uma distribuição de
cargos em âmbito mundial, semelhante ao plano de
governo de Roosevelt dos anos 1930 para o
restabelecimento econômico e a segurança social.
Quinhentos milhões foram recrutados para a patrulha
policial em todo o mundo. A mão de obra de outros 500
milhões destinava-se à limpeza do meio ambiente.
Empregos nos níveis intermediários da burocracia foram
concedidos a mais um bilhão, de modo que o governo
estava apto a acompanhar todos os indivíduos do planeta.
Cada um desses indivíduos estava designado a um grupo
de pessoas visando sua "proteção". A interpretação dada
por Immanuel para esta política era que esses monitores
haviam sido designados às pessoas para servirem-lhes de
companhia em momentos de necessidade, carência ou
dificuldades. O bilhão adicional de pessoas desempregadas
recebeu empregos na área de fabricação, manutenção,
construção, produção agrícola e em outras áreas com as
quais Immanuel e seus elitistas podiam imaginar. A
economia mundial não tinha mais uma concorrência livre
e aberta. As divisões que criavam a concorrência foram
varridas do mapa. O resultado final foi um natal político
para a Federação Mundial. As pessoas tinham um sistema
que as alimentava, as vestia e tratava delas quando
estavam doentes. A nova ordem mundial era um
verdadeiro sucesso.
O sistema central de computadores, que era chamado de
A Besta, controlava o sistema de moeda que substituía as
notas. Todos tinham dinheiro na conta. Esse dinheiro não
estava baseado em algum recurso tangível, mas em
pequenos pontos microscópicos de luz que representavam
um objeto no computador. O problema não era o
dinheiro, mas os produtos que eram comprados com ele.
Fornecimentos em armazéns locais eram raros. A comida,
em particular, era escassa em muitas partes do reino de
Immanuel. Quanto mais pessoas a Federação contratava,
menos trabalho era realizado.
O dia oficial da tomada do poder pela Federação Mundial
trouxe mais do que algumas surpresas. Immanuel logo
anunciou um novo calendário para marcar esta mudança
na história. O calendário dos judeus e cristãos foi
substituído pelo da Federação Mundial, que começava no
dia e no ano primeiro. As leis do mundo, que estavam
irregularmente baseadas nos Dez Mandamentos, foram
jogadas no lixo.
Immanuel instituiu os Dez Mandamentos da Federação
Mundial. Eram eles: "Não serás submisso a nenhuma outra
instituição que não seja a Federação Mundial. Não farás
com as próprias mãos qualquer coisa que profane ou
envergonhe a nova ordem mundial. Não tomarás o nome
de Immanuel em vão nem falarás mal da Federação
Mundial. Considerarás todos os dias como um dia propício
para promover as metas e objetivos de tua liderança
mundial. Honre teus oficiais locais como uma autoridade
indulgente da Federação Mundial. Não matarás qualquer
cidadão que seja um membro ativo da comunidade
mundial. Não terás relações sexuais a menos que tenhas
feito planos para o controle da natalidade. Não roubarás os
bens do teu próximo a menos que estejas em necessidade.
Não mentirás a menos que estejas tentando poupar os
sentimentos de outro. Se quiseres a riqueza do teu
próximo, deves recorrer ao teu governo para que ele
compense as injustiças dos recursos do mundo".
Os membros da Igreja Mundial receberam muitos
incentivos. Aqueles que não participavam dos cultos de
uma Igreja da Terra localmente aprovada eram
considerados cidadãos de terceira classe. Os cultos da
igreja lembravam um dos comícios políticos. Promovia-se
a crença de que cada pessoa era um deus e tinha
qualidades divinas. Dominic também tentou convencer
Immanuel a dar o dízimo para a Igreja da Terra. Dez por
cento dos impostos deveriam ser repassados para
Dominic, o burro de carga. O Falso Profeta prometeu cura
espiritual, emocional e psicológica dos cidadãos do
mundo, e garantiu a Immanuel que ele e sua igreja
produziriam o fruto que o Anticristo cobiçava. Esse fruto
do mal era a teologia de que todos os cidadãos do mundo
se voltariam para o governo do Anticristo em busca de
seu bem-estar.
O pacto de Dominic com o líder cruelmente atraente
estava firmado em solo duvidoso. Immanuel preferia
perder o amor de sua mãe a repartir 10% do bolo. Aqueles
trilhões poderiam ser usados para a construção de seu
exército, destinado a "promover a paz". Aos olhos de
Immanuel, era abominável o fato de uma pessoa dar o
dízimo como expressão de sua generosidade. O homem
do pecado odiava qualquer religião que não o tivesse
como o único salvador do mundo. Resolveu deixar
Dominic espalhar sua religião, contanto que ela servisse
aos seus interesses escusos.

Uma cruz quebrada se erguia em um vale distante nas
montanhas de Idaho. O sol de abril movia-se lentamente
pela encosta da montanha coberta de neve. Assim que se
encontrou com a cruz quebrada, uma extensa sombra se
formou até a extremidade da montanha que ficava do
outro lado. A maioria dos habitantes da cidade chamava
este lugar de país de Deus. Era um dos poucos lugares do
mundo em que a terra tocava os céus.
Um grupo secreto, que os federais mundiais chamavam de
desertores, estava reunido em uma gruta próxima. Pessoas
que vinham de lugares mais distantes que Spokane, Butte
e Idaho Springs ficavam sabendo da reunião por meio da
propaganda que era feita boca a boca. Qualquer outro
meio de comunicação era muito arriscado. Comunicações
eletrônicas, como telefone, fax ou computadores estavam
sendo monitoradas 24 horas por dia pelo serviço de
inteligência de Immanuel.
Esses cristãos devotos reunidos ali eram sérios em seu
compromisso com Deus. Haviam se convertido com a
leitura da Palavra. Bill Thomas e Jim Smith eram os
líderes. Ambos tinham na família religiosos que foram
levados no arrebatamento da Igreja. Antes de os cristãos
que estavam no mundo serem transportados para o céu,
Jim e Bill eram "crentes de banco". Frequentavam a igreja
quase todos os domingos, uma vez que nada melhor
aparecia para fazer nesses dias. De vez em quando
examinavam as Escrituras e, quando a situação apertava,
eles oravam. Não tinham interesse pela fé, preferindo
concentrar-se nas coisas deste mundo do que nas coisas
do mundo vindouro.
Segundo eles, a fuga de Washington fora fácil,
extremamente fácil. Enquanto jantavam em um
restaurante tranquilo de Chicago, ambos planejavam os
próximos passos. Um ladrão tinha tido a infelicidade de
escolher justo o carro deles para roubar depois que
chegaram a Chicago. Ao pisar no acelerador, o carro
explodiu; o coitado foi reduzido a uma bola de fogo em
questão de segundos. O presidente Colt achava que Bill e
Jim estavam mortos. Sabiamente, eles nada fizeram para
convencê-lo do contrário.
- Gostaria de começar esta reunião — anunciou Jim
Smith, o antigo conselheiro de Segurança Nacional,
olhando, com amor no coração, ao redor da caverna
pouco iluminada. Essas pessoas eram sua nova família.
Sentiu um nó na garganta quando se voltou para a
multidão.
— Primeiro gostaria de dizer o quanto vocês são
importantes para mim. Quando o Senhor, no ano passado,
levou nossos entes queridos, o idiota aqui pensou que
nunca mais veria sua família novamente. Agora sei que
verei minha esposa e meus filhos em breve no Céu.
Os cristãos aplaudiram.
— Antes de continuar, gostaria de dar a palavra a meu
bom amigo Bill Thomas, que irá apresentar o resumo do
nosso plano de ação.
Bill graciosamente apertou a mão de Jim enquanto se
olhavam com admiração. Eles haviam atravessado o
inferno para chegar ao Céu. Bill observou Jim se sentar
em uma pedra quase à frente do grupo.
— Como a maioria de vocês sabe, a Besta do livro de
Apocalipse construiu para si uma casa segura no nosso
planeta no decorrer do ano passado. Sei que a maioria de
nós aqui hoje está preocupada com a própria vida. Se
tivéssemos aceitado a mensagem de cura de Jesus, se
tivéssemos deixado nosso orgulho de lado e nos
aproximado da cruz antes do arrebatamento... Mas agora
temos de pagar o preço. O Anticristo nos quer mortos!
A afirmação de Bill não deixou ninguém irritado. O
rebanho estava em paz no que se referia às questões de
seu destino. Sua mente estava no Céu. Embora os olhos
estivessem voltados para Bill, o coração dessas pessoas
estava em harmonia com o Senhor.
— Precisamos de uma visão, um plano de ação, ao qual
possamos recorrer quando a Besta vier para nos devorar.
Devemos ficar sentados aqui esperando o inevitável e ser
mandados para as câmaras de desintegração atômica como
ovelhas para o matadouro? Devemos responder na mesma
moeda usando nossas espadas e lutar pelo que cremos? A
sugestão de alguns é que nos infiltremos nas fortalezas do
inimigo, mas qual deveria ser nossa estratégia uma vez
que consigamos entrar naquela escuridão?
Ele não tinha certeza do rumo que deviam tomar, e
esperava por alguma orientação divina. Podia-se ouvir o
som da neve derretida infiltrando-se pelas cavernas da
gruta. O som da água pura que penetrava na terra de Deus
agradava e acalmava. Uma mão no fundo da caverna
ergueu-se devagar na esperança de ser percebida. Bill
avistou aquela senhora tímida e idosa em questão de
segundos.
— Por favor, fique em pé — acenou Bill.
— Temos de fazer a coisa certa — desabafou a mulher de
70 anos. — Tive uma vida longa, e vi tantas pessoas
fazerem tantas coisas erradas, tudo em nome de motivos
corretos. Cometi coisas estúpidas no passado, o que
provavelmente é uma das razões pelas quais estou aqui
falando com vocês hoje em vez de estar no Céu com a
maioria de meus familiares. Sei que estou resmungando
como uma velha, mas tenho algo a dizer sobre esta sua
colocação. A Bíblia diz em Efésios que nossa luta não é
contra a carne nem contra o sangue, mas contra os
principados e as potestades deste mundo tenebroso.
Estamos lutando com o Diabo, não com a Federação
Mundial! Creio que a melhor maneira de combater esta
Besta é a oração. Jamais devemos levantar a espada. Não se
lembram de que Pedro cortou uma das orelhas do guarda
quando eles vieram atrás de Jesus? Cristo censurou a ação
de Pedro, e condenará a nossa se não cumprirmos Sua
vontade para nossa vida.
Bill estava sem fala. Não tinha dúvida de que ela estava
certa ao condenar a violência; contudo, ainda lançava um
olhar inquisitivo.
— Gostaria de fazer uma rápida votação para saber quem
está do lado desta irmã — disse Bill, sendo o primeiro a
erguer a mão. Todos foram unânimes em seguir o líder.
— E a infiltração na Federação Mundial? Vocês acreditam
que o Senhor gostaria que nós os espiássemos e
possivelmente tentássemos destruí-los lá de dentro? —
perguntou Bill curioso.
A velha senhora não hesitou em responder.
— Vamos enviar missionários às principais áreas do país e
talvez ao mundo todo. Designem esses missionários a
pessoas em particular que possam ter influência. Orem
para que Deus os guarde. Ele não nos enviará para a
batalha sem a armadura de que necessitamos para vencer a
guerra.
A velha senhora sentou-se. Aplausos reverberaram no
interior da caverna mofenta. Alguns segundos depois, os
cristãos valentões acalmaram-se. Todos os olhos voltaram-
se para o seu líder.
— Aprouve ao Senhor a sua reflexão e o seu caminhar
humilde na Sua presença — recomendou Bill.
A experiente mulher balançou a cabeça. No entanto,
parecia um pouco aborrecida.
— Não diga todas estas coisas boas a meu respeito. Diga
estas palavras sobre o nosso Senhor. E Ele quem me dá a
inspiração! — admoestou a mulher.
— A senhora mais uma vez está certa — admitiu Bill,
envergonhado. — Eis o que eu gostaria de fazer. Os
escritórios centrais da Federação Mundial estão
localizados em Genebra, na Suíça. Gostaria de colocar
25% dos voluntários no coração da Besta. Também
gostaria de colocar outros 25% em Roma, que é o centro
da adoração da Igreja da Terra. A outra metade deve se
dispersar pelas cidades mais influentes do mundo. Nossa
meta é converter as pessoas a Cristo. Gostaria de adverti-
los que esta tarefa pode ser extremamente perigosa! Sejam
tão sábios quanto uma serpente e tão mansos quanto uma
pomba. Não se surpreendam ao ver o Anticristo realizar
sinais e maravilhas de forma miraculosa. Lembrem-se de
que a Bíblia ensina que o Diabo tem capacidade de operar
todos os tipos de milagres de engano. Estejam alertas!
Bill fez uma pausa para abrir sua Bíblia em 2
Tessalonicenses 2.7,12, e começou a ler:
— "Com efeito, o mistério da iniquidade já opera e
aguarda somente que seja afastado aquele que agora o
detém; então, será, de fato, revelado o iníquo, a quem o
Senhor Jesus matará com o sopro de Sua boca e o
destruirá pela manifestação de Sua vinda. Ora, o
aparecimento do iníquo é segundo a eficácia de Satanás,
com todo poder, e sinais, e prodígios da mentira, e com
todo engano de injustiça aos que perecem, porque não
acolheram o amor da verdade para serem salvos. E por
este motivo, pois, que Deus lhes manda a operação do
erro, para darem crédito à mentira, a fim de serem
julgados todos quantos não deram crédito à verdade;
antes, pelo contrário, deleitaram-se com a injustiça".
Bill esforçou-se para conter as emoções, e apertou a Bíblia
contra o peito.
— Creio em todas as palavras que estão neste Livro. Creio
que o "iníquo" é Immanuel. Ele matará esta charada
porque terá poderes que só podemos imaginar.
Bill foi até o meio do grupo. Queria olhar no rosto do
maior número possível de pessoas.
—Não se enganem. O mundo engolirá a mentira de
Immanuel, e isto irá custar-lhe a alma!

Immanuel deslizava os dedos na mesa de mármore. Era
um hábito nervoso que havia adquirido durante os dias
em que estivera envolvido com o ramo bancário. A rotina
normal do Anticristo era tão previsível quanto o pôr do
sol. Se um indivíduo não conseguisse executar as
obrigações dadas por Immanuel, ele era chamado em seu
escritório para receber uma disciplina. Immanuel batia
rapidamente os dedos na mesa e ficava com os olhos fixos
na mão até que estivesse pronto para atacar sua presa. O
imperador da terra esperava a chegada de Ken com
paciência. O renascimento da igreja cristã ameaçava sua
segurança. Uma batida leve na porta o interrompeu.
— O quê? — disse Immanuel com uma voz sinistra e
suave.
— Ken Action está aqui — observou a secretária executiva
de Immanuel.
— Mande-o entrar.
Seu humor fazia a secretária tremer dos pés à cabeça. Algo
estava terrivelmente errado. Seu gerente de
telecomunicações passou pela porta com suor escorrendo
pela testa.
Immanuel sorriu.
— Entre e sente-se, Sr. Action. Tenho contas a ajustar
com o senhor.
Ken sabia que estava com um grande problema.
— Sim, senhor. Desculpe-me por não chegar antes. O
elevador demorou um tanto para chegar, por isso, tive de
vir pelas escadas.
Immanuel nem se mexeu após ouvir a explicação de Ken.
Sabia que Ken queria adulá-lo com esse visível gesto de
submissão.
— Gostaria de saber — começou Immanuel, enquanto
olhava para os dedos que deslizavam sobre a mesa — por
que contratei o senhor?
Ken foi pego de surpresa com a pergunta do chefe. Sabia
que não podia errar ao tratar da questão.
— O senhor me contratou para que eu lhe fizesse parecer
uma pessoa boa. Trabalho dia e noite para promover sua
base de poder. Minha total lealdade é dedicada ao senhor.
O senhor é como um deus para mim!
Ken pareceu sincero ao dar sua resposta um tanto doce.
Os olhos de Immanuel estavam fixos na mesa. A única
emoção que mostrou estava no movimento hipnótico de
seus dedos.
— Você sabia que há uma rebelião em curso pelo mundo
inteiro neste exato momento contra meu regime? —
sondou o Anticristo.
— Eu... eu... n... não sabia...
As palavras balbuciadas de Ken foram interrompidas por
Immanuel.
— O que me espanta, Ken, é que você nem sabe desta
importante questão — disse ele, com os dedos começando
a bater mais forte na mesa.


— Tenho uma revolução em meu reino que poderia
afetar a segurança e o bem-estar de todos os homens,
mulheres e crianças.
Ken sabia quando era hora de manter a boca fechada. Os
dedos de Immanuel começaram a bater no móvel de
pedra de forma cada vez mais violenta.
— Estou desapontado com você. Você desapontou todas
as pessoas da face da terra que querem viver em um
mundo livre de fanáticos religiosos, causadores de dor e
sofrimento. O que acha que devo fazer com relação a isso?
Ken não sabia se este era o tipo de pergunta que deveria
responder.
— Senhor, não levei meu trabalho a sério o suficiente.
Deixei que estas importantes informações escorregassem
pelos meus dedos. Não tenho justificativa. A única coisa
que posso fazer é implorar seu perdão, e pedir que
continue sob as suas asas para aprender com o próprio
mestre.
Os dedos de Immanuel pararam. Seus olhos levantaram-
se.
— Faça isto agora mesmo! Quero que a mídia explore a
imagem dessa gente esquisita como inimigos do Estado. Se
você não abafar esta história logo no início, serei obrigado
a dar um fim em algumas dessas distrações que parecem
estar impedindo-o de fazer o seu trabalho.
— Distrações? Senhor, não há...
— Tina Marie — interrompeu Immanuel.
Ken não gostou da surpresa.
— É isso mesmo. Já sei sobre Tina Marie. — sorriu
Immanuel com malícia. — Já sei até sobre Sally Winter.
Sei que ela era uma delas. Espero que o seu coração esteja
no trabalho porque não tolero quando um funcionário
não sabe a quem deve ser leal.
Lentamente, Ken foi se distanciando de costas de seu
cruel tirano quando, de repente, ouviu um estrondo. Uma
estátua de 1,80m do deus-sol, chamado Rá, se espatifou
em milhões de pedaços a apenas alguns centímetros de
seus pés. Seus olhos percorreram o deus de pedra
despedaçado até chegarem ao terno Armani.
Ken olhou para Immanuel, e depois para a bagunça em
volta de seus pés. Tinha certeza que o ídolo de um milhão
de dólares estava a nove metros do outro lado da sala.
Afinal de contas, como aquilo tinha vindo parar bem ali
do seu lado?
— O senhor...? — sondou Ken.
Parte dele não queria saber. Sem dúvida, era melhor ser
ignorante nestas horas.
— Sr. Action, eu poderia destruí-lo sem levantar um
dedo. Não me provoque, ou o senhor poderá se queimar,
e muito!
Ken baixou a cabeça, e os olhos para o chão.
— Sim, senhor! — reconheceu Ken, enquanto
rapidamente saía da sala.
Blasfêmia piscou para o demônio que tinha-lhe feito o
trabalho sujo. Passou deslizando no ar por Immanuel e
sentou-se em cima do terminal de seu computador.
— Logo estaremos operando sinais e maravilhas para o
mundo todo — gabou-se Blasfêmia.
Os olhos de Immanuel pareciam os de um cego.
— Quando? — perguntou o Anticristo.
Blasfêmia respondeu à altura da aspereza de sua voz. —
Quando eu disser, homem — revidou Blasfêmia.
— Faça, agora! — gritou Timothy, ao mesmo tempo em
que empurrava Daniel na direção do modesto chalé de
estilo suíço.
— Você vai me fazer em picadinhos se eu não fizer isto!
— choramingou Daniel.
Era sua primeira expedição ao território do inimigo. Sua
missão era reunir dados das tropas sobre o paradeiro do
adversário e levá-los para Timothy. Esperançosamente,
ele voltaria inteiro.
— Ouça, anjo. Tina Marie está à beira de tomar a decisão
mais importante de sua vida — instruiu Timothy. — Ela
precisa de nossa ajuda para arejar a cabeça. Os servos de
Satanás confundiram a mente dela. E sua responsabilidade
limpar a área para ela. Descubra onde estão os pontos
fracos desses demônios. Uma vez feito isto, levarei
conosco os soldados de que precisamos para lançá-los no
abismo. O arcanjo Miguel conseguiu reunir mais de dez
milhões de cristãos, e uma centena de milhares
acrescenta-se todos os dias. Agora temos o poder de que
precisávamos para escolher nossos ataques por todo o
planeta!
Daniel não estava convencido. O último encontro que se
lembrava de ter tido com as cobras de Satanás havia
marcado definitivamente sua mente e deixado um galo em
sua cabeça.
— Pensei que formássemos uma equipe — justificou
Daniel. — Se eu fosse capturado pelo inimigo, o que
vocês fariam?
Timothy sorria enquanto balançava a cabeça.
— Não queria lhe dizer isto, mas tenho reforços, no caso
de você cair em alguma cilada. Preferia não ter lhe
contado isso. Eu só estava testando sua coragem.
Daniel envergonhou-se de sua covardia. Deu um salto
estrambólico de um poste telefônico. Pouco antes de
chegar ao chão, abriu suas asas e rapidamente disparou
como um foguete em direção à casa de Tina Marie.
— Seja discreto! — gritou Timothy, enquanto Daniel
desaparecia ao longe.

Daniel fez um barulhão ao pousar em uma moita perto da
casa de Tina Marie. De seu esconderijo, ele podia ver um
grande contingente de demônios assobiando um para o
outro em cima do telhado da casa dela. Pegou uma pedra e
a lançou no demônio que mais se gabava. Para sua
surpresa, a pedra acertou o falador bem no meio dos
olhos. Os demônios mexeram-se como abelhas cuja casa
acabara de ser cutucada. Voaram em todas as direções
atrás do espírito que havia invadido sua área. Daniel não
tinha tempo para rir. Ficou assustado quando sete ou oito
demônios passaram por sua cabeça. Tinha feito uma coisa
estúpida, e sabia disto. Tentou camuflar-se contorcendo
seu corpo em uma bolinha. A cada segundo, um demônio
passava examinando o chão com seus faróis espirituais
ligados. De repente, ele ouviu um barulho às suas costas.
E, então, tudo ficou escuro.
A alguns quilômetros dali, Timothy observava a tela de
seu radar com angústia. Centenas de demônios, alguns
fortemente armados e perigosos, passavam voando pelo
clarão da lua sem nenhuma preocupação. Ele sabia que
alguma coisa tinha acontecido na casa de Tina Marie. O
amigo de Daniel não perdeu tempo.
— Coronel, temos um grande problema no setor gama!
Preciso de pelo menos 200 soldados e 50 oficiais. Acho
que Daniel está em apuros!
A comunicação pelo rádio alcançou seu alvo em menos
de um segundo. A resposta rápida acalmou os nervos de
Timothy.
— Entendido! Estaremos aí em menos de um minuto!
Desligando. — encerrou o oficial.
Timothy queria saber o que Daniel havia feito para atiçar
tanto os demônios. Olhava para o campo de batalha, e
ficava cada vez mais alarmado quando via um grupo
inteiro de demônios se aglomerando ao redor da chaminé
da casa de Tina Marie. Reconheceu os movimentos dos
demônios como uma dança de guerra executada por
tribos. Esta dança era reservada para espiões, traidores e
intrusos.
— Daniel! — gritou Timothy.
Daniel recuperou a consciência, mas viu-se cercado por
demônios enlouquecidos.
De repente, viu uma explosão de luz ao seu redor. Não
tinha a menor ideia do que estava acontecendo.
— Atenção, demônios! Vocês têm sete segundos para
soltar nosso soldado! — anunciou o coronel com uma voz
de trovão.
Os demônios não conseguiam enxergar por causa da luz.
Não sabiam o que fazer.
— É uma emboscada! Cada um por si! — gritou o
demônio que estava no comando.
Os demônios saíram voando para a encosta de uma
montanha que ficava por perto. Nenhuma espada foi
desembainhada.
Dentro do chalé, Tina Marie decidira ler sua Bíblia. O caso
com Ken a absorvera tanto que havia se esquecido de
Deus. Abriu a Bíblia com capa de couro e começou a ler
em João 3.3:
"A isto, respondeu Jesus: Em verdade, em verdade te digo
que, se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino
de Deus."
Continuou a ler, e depois releu esse texto repetidas vezes.
Abriu seu coração para o Criador do universo. Lágrimas
rolavam pelo seu rosto. Centenas de anjos de Deus
estavam em pé ao seu lado, enquanto ela orava pedindo
que Jesus Cristo assumisse o controle de seu coração. A
força repressora que Satanás exercia sobre sua vida
cessara. Tina Marie abriu os olhos e observou ao redor da
sala. Sentia a paz que excedia o entendimento.
— Isto é motivo de festa, anjos! Outra alma perdida foi
encontrada! — proclamou o coronel.

CAPÍTULO QUATRO
BRINCANDO COM A DESGRAÇA

O
s OLHOS DO PRIMEIRO-MINISTRO de Israel brilharam. David
Hoffman mal podia acreditar no que estava vendo.
Finalmente, quase dois mil anos depois, o povo judeu teria
um lugar onde poderia adorar seu Deus com segurança e
paz.
— Eu sei que você nunca imaginou que veria o dia em que
o Domo da Rocha seria demolido e seu antigo templo
reconstruído — exclamou Dominic Rosario, o Falso
Profeta.
— Ainda não consigo entender como você e Immanuel
conseguiram esta proeza — reconheceu David.
Ele tinha os olhos fixos no templo de pedra. A construção
de 18 meses estaria concluída hoje. As multidões, que
chegavam à casa dos milhões, estavam reunidas para as
cerimônias de inauguração. Havia uma excessiva
especulação sobre o favoritismo dos líderes mundiais
pelos judeus. Ninguém em sã consciência ousava
questionar os motivos de Immanuel ou de Dominic. A
dissensão política sempre levava a algum tipo de punição.
Dominic inclinou-se na direção do líder judeu e
sussurrou-lhe nos ouvidos:
— Immanuel me mataria se lhe dissesse o motivo —
começou o capitalista religioso.
O primeiro-ministro saltou para trás para dar uma boa
olhada no líder da Igreja da Terra. Sua confiança nos
italianos não era menor do que a que tinha nos mafiosos.
Por razões políticas, ele ocultava seus sentimentos. Afinal
de contas, a reconstrução do templo era a melhor coisa
que já poderia ter acontecido em sua carreira. Ele tinha de
agradecer a Immanuel, embora algo lhe dissesse que
haveria repercussões no futuro.
— Immanuel ameaçou ilegalizar a prática do islamismo se
eles não cedessem aos seus planos para a reconstrução do
templo — revelou o Falso Profeta.
— Por que você me diria isso depois de Immanuel tê-lo
feito jurar que manteria segredo? — perguntou David com
um tom de sarcasmo.
— Ouça, David. Sou seu amigo. De religioso para religioso,
você deve entender que Immanuel arriscou a vida para
dar garantia de que a nação de Israel será próspera na
Federação Mundial. Ele lhe deu total autoridade para
resolver as questões de seu país, o que não fez com
nenhum outro vice-presidente. Immanuel é seu amigo e
aliado, e eu também. Você acha que o Irã, Iraque, Síria e
Jordânia estão achando que ele é uma "bênção" depois de
ter ameaçado o modo de vida desses povos?
— Eu sei que ele precisava da colaboração do Oriente
Médio. Não entendo por que eles se abateram e se
fingiram de mortos quando ele os ameaçou. Não é do
feitio deles.
Dominic rapidamente desconversou. Immanuel lhe dera
permissão para divulgar diversas informações, mas não
para revelar tudo.
— Seus vizinhos irão se comportar! Dê uma olhada para o
monte do templo: não é uma bela visão? — apontou
Dominic assim que mudou de assunto.
David cobriu os olhos com as mãos. O brilho intenso do
sol fazia com que seus óculos escuros para nada servissem.
— Immanuel tem planos para vir assistir nossa forma de
adoração? — perguntou o primeiro-ministro.
— Sim, ele tem. Mas não posso precisar a data. Hoje estou
aqui como seu representante para a consagração do altar.
— É um prazer contar com a sua participação nesse
glorioso evento. Você gostaria de ficar comigo no
santuário interno?
— É claro! — respondeu Dominic.
Ambos saíram às pressas, cada um para sua limusine que
estava estacionada no topo do Monte das Oliveiras. Os
carros lentamente começaram a descer a estrada sinuosa
em direção ao pé do monte santo.
Assim que as limusines cruzaram o muro, ouviram-se os
gritos da multidão à distância. As câmeras de televisão da
Rede Global de Notícias estavam por toda a parte e
acompanharam os homens desde o portão de marfim até a
entrada do santuário interno. O principal correspondente
religioso da RGN, um amigo íntimo de Dominic Rosario,
fazia o comentário.
— O mundo certamente está testemunhando a história da
religião nesta bela tarde de sexta-feira. O profeta ungido,
Dominic Rosario, está pronto para oferecer o primeiro
sacrifício a Deus depois de quase dois mil anos. Os judeus
de todas as partes do mundo estão aqui para compartilhar
o renascimento espiritual da nação de Israel. Eles vieram
para este santo lugar para agradecer a Deus pela vida de
Immanuel Bernstate e Dominic Rosario. A Federação
Mundial financiou a construção desta perfeita réplica do
templo de Davi e Salomão. O porta-voz de Immanuel,
Ken Action, disse que o templo é um símbolo do
compromisso da Federação Mundial com a paz em todos
os cantos da terra. Hoje é o clímax do processo de paz que
a Federação vem implementando com esmero. Esperamos
a presença de líderes da Igreja Mundial, bem como
dignatários da Federação Mundial. Vejo Dominic Rosario
se aproximando do altar, junto com o recém-escolhido
sumo sacerdote de Israel. Façamos uma pausa para
observar os eventos históricos que se tornaram possíveis
pela boa vontade de nossa Federação Mundial.
Dominic, acompanhado de um sumo sacerdote judeu,
lentamente caminhou para a frente do altar, que tinha 20
metros de largura. Um clima de silêncio e medo tomou
conta do local enquanto os religiosos pegavam o
instrumento de ouro usado para queimar o sacrifício.
— Deus de nossos pais, e Supremo Ser dos Céus, nós Te
prestamos homenagem hoje por meio da restauração do
sacrifício diário.
David Hoffman observava seguro a certa distância. Seu
coração estava entre assustado e ansioso.
Para a surpresa de muitos, Dominic começou a falar para a
multidão. O discurso improvisado levou a equipe de
televisão à loucura, e obrigou o produtor executivo a fazer
um telefonema de emergência para Ken Action.
— Antes de oferecermos o sacrifício, eu gostaria de
reservar um tempo para explicar a importância deste dia.
Todos os olhos e ouvidos voltaram-se para Dominic.
— Cristo, Maomé, Moisés, Gandhi e Confúcio foram
todos profetas do Deus Todo-Poderoso, e fizeram uma
completa revolução no mundo. Hoje, nesta grande nação
de Israel, também temos a oportunidade, graças a
Immanuel e à Federação Mundial, de fazer uma revolução
no mundo! Este templo que se ergue à minha volta não é
apenas para o povo de Israel, mas para todos aqueles que
pertencem à Igreja da Terra! O dia de hoje marca o dia em
que a grande religião judaica aceita a Igreja da Terra como
sua irmã, cujo objetivo é a liberdade de todos os homens,
mulheres e crianças de adorar a Deus da forma que lhes
parecer certa!
O primeiro-ministro não podia acreditar no que ouvia.
Nunca concordara com uma fusão entre a apóstata Igreja
da Terra e a religião de seus antepassados. Esta era uma
transgressão direta do contrato verbal que tinha com
Immanuel. O que mais o deixou espantado foi a reação de
seus irmãos e irmãs judeus. A multidão, que enchia a
arena, gritava de alegria com as palavras astutas do Falso
Profeta. O sumo sacerdote baixou sua tocha e caiu de
joelhos. Immanuel assistia à traição de Dominic da
cobertura que tinha em Roma. Quando o sumo sacerdote
curvou-se para Dominic, Immanuel ficou louco da vida.
Dominic estava roubando seus aplausos.
Dominic aceitou a adoração que não lhe era devida de
braços abertos. Ergueu as mãos para o alto como se fosse
digno de adoração.
— Recebi uma mensagem do nosso Deus! — fingiu o
Falso Profeta. — Deus se agrada do nosso templo. Ele está
cheio de alegria com o fato de o mundo ser agora um em
mente e em espírito. Ele me disse que todas as religiões
do mundo O têm adorado, mas que elas O chamam de
nomes diferentes. O povo judeu foi o último a aceitar a
Igreja de Deus, a Igreja da Terra, bem como Seu único
Filho primogênito. O Deus dos Céus tem a intenção de
visitar este templo muito em breve, e convida o mundo
todo a prostrar-se e adorá-Lo em espírito e em verdade!
Dominic colocou a mão no bolso de seu hábito branco e
esvoaçante, puxou um livro de bolso e começou a folhear
suas páginas. Immanuel olhava de soslaio para a tela da
televisão, enquanto tentava descobrir o que estava na mão
de Dominic. O Falso Profeta sorriu e balançou a cabeça
assim que encontrou o local marcado.
— Deus me deu este versículo de Sua Palavra.
Olhou para baixo e fixou os olhos nas santas páginas, que
pareciam estar coladas por causa da falta de uso. Dominic
limpou a garganta.
O Anticristo estava fumegando quando percebeu que seu
líder religioso estava lendo a Bíblia. Immanuel segurou a
televisão com as duas mãos, levantou-a no ar e lançou-a
pela janela do sexto andar, deixando escapar um rugido
apavorante.
Dominic começou a ler o livro que estava em suas mãos.
— No maravilhoso e poderoso livro de Isaías, Deus
previu este momento na história. Encontrei esta passagem
do capítulo nove. "Porque um menino nos nasceu, um
filho se nos deu; o governo está sobre os Seus ombros; e o
Seu nome será: Maravilhoso, Conselheiro, Deus Forte, Pai
da Eternidade, Príncipe da Paz; para que se aumente o Seu
governo, e venha paz sem fim sobre o trono de Davi e
sobre o Seu reino, para estabelecê-lo e firmá-lo mediante
o juízo e a justiça, desde agora e para sempre. O zelo do
Senhor dos Exércitos fará isto".
Dominic delicadamente colocou a Bíblia aberta na ponta
do altar de ouro e voltou a encarar a multidão, que estava
atenta a cada palavra.
— Deus me revelou que virá para este trono em
Jerusalém e que Ele mesmo, em pessoa, governará o
mundo! — disse o Falso Profeta.
Os judeus na multidão olharam-se uns para os outros com
alegria. O conceito de um Deus que podiam ver, sentir e
ouvir era-lhes estranho.
— Quando Ele vir, Ele dará continuidade ao nosso
programa de paz para todo o mundo. A Federação
Mundial será Seu instrumento para ser usado de acordo
com a Sua vontade. Nós preparamos o mundo para a
vinda de Deus para a terra. Ele está bem satisfeito!
A multidão começou a cantar, a gritar e a gemer. A
confusão quebrou o silêncio da reunião. Eles queriam
saber quando Deus visitaria o templo. Muitos começaram
a dançar nas ruas repletas de pessoas e cantar bem alto,
louvores ao Deus Todo-Poderoso.
O Falso Profeta tentou assumir o controle da situação que
piorava rapidamente.
— Povo de Israel, ouça-me. Deus ama um povo pacífico
e odeia confusão e desordem. Ele não virá estabelecer Sua
morada aqui se encontrar um povo que não O reverencia.
A multidão imediatamente se acalmou. O primeiro-
ministro afrouxou a gravata. Algo no seu íntimo o estava
devorando. David Hoffman caminhou estranhamente em
direção ao falso profeta e sussurrou em seu ouvido.
— Nunca concordamos com a nossa união com a Igreja
da Terra! Gostaria que você me encontrasse em meu
escritório quando a reunião terminar. Além disso, exijo
que você deixe que nosso sumo sacerdote faça as
consagrações uma vez que este é um templo para judeus!
As palavras foram como armas de fogo para o Falso
Profeta.
Dominic jamais poderia deixar que tal blasfêmia passasse
impune. Chamas de ódio saíam de seus olhos enquanto
fitava o político. Falou de forma controlada.
— Você deve muito a Deus. Sou o porta-voz de Deus na
terra. A nação de Israel é de Deus, e não sua! Se você
pensa em cruzar o meu caminho ou o de Immanuel,
teremos de executá-lo! Deus acredita na pena de morte,
principalmente na de um político corrupto com o coração
de um fariseu!
Enquanto as palavras agressivas saíam de seus lábios, ele
sorria para o primeiro-ministro, que estava espantado. Ele
sabia que as câmeras estavam gravando, e não arriscaria
contrariar as relações públicas para satisfazer os caprichos
de um político que pensava que conhecia Deus melhor do
que o próprio Dominic. Enquanto Dominic mostrava os
dentes, David franzia a testa. Um pesadelo de proporções
bíblicas estava se tornando realidade bem no meio da
maior celebração que Israel já havia experimentado em
milhares de anos.
"Que paradoxo!", pensou o primeiro-ministro. O
momento que, segundo ele, seria a maior alegria de sua
vida estava se tornando a maior experiência de dor.
— Eu lhe garanto que seus planos, quaisquer que sejam,
não terão sucesso — advertiu David.
Dominic ignorou a repreensão, enquanto voltava à sua
posição no altar. Pegou uma tocha, acendeu o altar para
oferecer o animal do sacrifício e ergueu os olhos para os
céus.
— O Deus, hoje, nesta cidade, nós Te reconhecemos
como o Deus de paz e o Deus da Igreja da Terra. Abençoe
nossos esforços para estabelecer Teu reino na terra.
Enquanto o animal queimava, uma enorme nuvem se
formou sobre a multidão reunida. Era tão escura como a
noite e tão agourenta quanto uma nuvem atômica. Luzes
espargiam de todas as partes da cidade enquanto a nuvem
aumentava na troposfera. Trovões faziam a cidade tremer.
Granizos, do tamanho de uma bola de tênis, caíam sobre o
altar de ouro cheio de carvão. Ainda recebendo os
aplausos da multidão, o Falso Profeta continuava
perigosamente em pé perto do holocausto. De repente,
uma bola de gelo bateu em seu ombro. A multidão,
paralisada com a terrível manifestação de Deus, nem per-
cebeu que ele havia sido atingido. Os olhos de todos
estavam fixos nos céus e na tempestade que se formava
bem em cima da arena do templo. Dominic deu a
impressão de que nada havia de errado, embora depois de
vários segundos, começou a sentir-se fraco. Pôde sentir o
sangue começar a molhar suas vestes de seda e sabiamente
decidiu procurar abrigo. Naquele instante, David Hoffman
soube que Dominic Rosario estava envolvido com todas as
forças e a fúria do inferno.

A Suíça era bela na primavera, tempo de nova vida e de
constantes lembranças. Os olhos de Tina Marie
combinavam com a beleza do céu azul. Ela enrubescia
enquanto Ken sussurrava-lhe ao ouvido. O casal de
pombinhos descansava na colina, desfrutando de um fim
de semana longe das pressões da Federação Mundial. Uma
cesta de piquenique vazia estava ao lado dos dois.
— Ken, sei que não discuti muito a questão de minha
conversão ao cristianismo com você, mas quero lhe
contar sobre um americano que conheci outro dia.
O amor de Ken por Tina Marie superava o ódio que sentia
pelo cristianismo. As orações dela estavam pouco a pouco
acabando com a hostilidade que lhe era enraizada.
— Você sabe que tudo que é importante para você é
importante para mim.
Ela esperava que ele estivesse dizendo a verdade.
— Conheci um homem que diz ter sido nomeado para o
alto gabinete de apoio do presidente Colt nos Estados
Unidos. Ele era um verdadeiro cavalheiro.
Ken demonstrou um pouco de ciúmes.
— Hum... outro homem?
Tina piscou os olhos e depois franziu a testa. Não tinha
certeza se ele estava brincando. Aproximou-se do noivo e
deu-lhe um beijinho no rosto.
— Você sabe que é o único homem da minha vida. Ele
tinha idade suficiente para ser meu pai! Ouça, este homem
tem muitas coisas interessantes para dizer, e acho que
você deveria ouvi-lo.
Ken não estava tão interessado, mas fingiu ter interesse.
— Ele tem provas de que Immanuel fez muita maldade.
Ele acredita que Immanuel é o Anticristo da Bíblia!
Ken começou a se lembrar do dia em que Immanuel fez
algumas brincadeiras de mau gosto com ele. A visão
daquele tornado aparecendo e sumindo da sala arrebatou-
lhe o pensamento.
— Nunca lhe contei isto, Tina, mas tive uma experiência
com Immanuel que preferiria esquecer.
Tina endireitou-se.
— Não sei de nada desse papo de Anticristo, mas posso
lhe dizer que o homem é estranho, muito estranho —
confessou Ken.
Tina esfregou o braço dele, mostrando apoio.
— Por que você não me conta o que aconteceu?
— Immanuel tem poderes — disse Ken. — Ele não é só
um homem! Ele tem a capacidade de fazer com que você
veja coisas que realmente não estão ali, pelo menos acho
que não estavam. Quero dizer, tudo parecia real, mas não
havia possibilidade para isso. A coisa simplesmente desceu
do teto e começou a se mover na sala. Era gigante, escuro
e ameaçador! Realmente pensei que morreria! Immanuel
simplesmente continuou sentado ali me assistindo como
se eu fosse um rato preso em sua jaula. Era como se ele
estivesse fazendo uma experiência comigo!
Ken sabia que estava balbuciando coisas. A lembrança da
experiência estava gravada em sua mente. Tina o abraçou.
— Ken, que poderes Immanuel tem?
— Realmente não sei. Certa vez, não muito tempo atrás,
ele fez uma de suas valiosas estátuas atravessar voando seu
escritório.
— Você a viu voar? — perguntou Tina.
— Bem, não exatamente. Lembro que ele estava irritado
com alguma coisa de religião, e começou a gritar comigo
por causa disso. Comecei a andar para trás, querendo sair
da sala, quando ouvi um estrondo. A estátua que ele tinha
no escritório andou uns nove metros e veio cair aos
pedaços, bem ali nos meus pés. Eu sei que Immanuel não
se levantou para fazer isso; ele nem se mexeu. Você sabe,
aquelas estátuas sempre me deram calafrios. Era como se
elas estivessem observando você, você sabe, como se
estivessem vivas!
Tina ouvia.
— Tudo que posso dizer é que, definitivamente, o
homem tem algum tipo de poder especial. Ou ele me fez
ver algo que não estava ali ou ele tem o poder de mover
objetos com a mente. Talvez ele tenha me hipnotizado, e
nada tenha sido real. Não sei — lamentou Ken.
Tina sabia que este era o momento perfeito para
conversar com ele.
— Ken, você sabe que a Bíblia prevê que este Anticristo
controlará o mundo, e que ele terá poderes miraculosos
que farão com que todos pensem que ele é Deus!
Pela primeira vez na vida, Ken pensou na Bíblia como
algo diferente de um famoso livro de histórias cheio de
contos de fada.
— Onde está escrito isto? — perguntou Ken, curioso.
Tina tirou sua bolsa de dentro da cesta de piquenique.
Remexeu nela e puxou uma Bíblia de bolso. Em seguida,
começou a chorar.
— O que houve, Tina? — perguntou Ken.
— Nunca pensei que veria o dia em que eu poderia ler
minha Bíblia sem suas gracinhas.
Tina colocou os braços quentes ao redor de Ken. Ela sabia
que ele precisava de seu apoio e amor mais do que nunca.
— Estou abrindo no livro de Apocalipse. É o último livro
da Bíblia. É a profecia de Deus para os últimos sete anos
na terra. Ken, estamos no período de sete anos chamado
Tribulação, e acho que posso provar isso para você.
Ken não estava exatamente aberto para a religião, mas
adorava uma boa história de ficção científica. Não sabia
que Tina vinha orando por ele por mais de um ano, e que
os anjos do Céu o estava protegendo.
— Lembro-me de ter lido algo a respeito quando criança.
Achava que isso renderia um belo filme se alguém se
desse conta dessa história.
— Bem, vou tentar fazê-lo agora mesmo. Quero começar
com o capítulo 13, versículo 1. "Vi emergir do mar uma
besta que tinha dez chifres e sete cabeças e, sobre os
chifres, dez diademas e, sobre as cabeças, nomes de
blasfêmia".
Tina olhou na direção de Ken. Ele estava com os olhos
fixos na Bíblia.
— Não vou me prender aos chifres, cabeças e diademas,
exceto para dizer que eles representam poder. A parte
mais importante deste versículo é que eles têm nomes de
blasfêmia, que são nomes que amaldiçoam quem Deus
realmente é. Ken, Immanuel não é o nome verdadeiro de
seu chefe. Ele adotou esse nome por um motivo. O nome
de Jesus Cristo na Bíblia é Emanuel, que significa "Deus
conosco"! Immanuel, no final das contas, anunciará ao
mundo que ele é Deus, como fez com você!
Ken não tinha como discutir isso.
— "A besta que vi era semelhante a leopardo, com pés
como de urso e boca como de leão. E deu-lhe o dragão o
seu poder, o seu trono e grande autoridade".
Ken ouvia atentamente.
— Preste atenção na última parte deste versículo: "E deu-
lhe o dragão o seu poder" — repetiu Tina Marie, com
ênfase. Existe um Diabo, que é chamado de dragão na
Bíblia. O poder de Immanuel é real e vem do Diabo!
Ken sentiu como se uma enorme onde lhe tivesse
atingido.
— Você acredita nisso? — perguntou Ken.
— Acredito. Existe muita coisa na vida que não podemos
ver. Não podemos ver o Diabo, mas podemos ver os
efeitos do que ele faz. E como a gravidade; você não pode
vê-la, mas pode sentir seus efeitos. Ken, vejo tudo isto
acontecendo no mundo pela perspectiva da Bíblia. Essas
antigas profecias estão se cumprindo agora. Você pode
ver. Abra os olhos!
— Posso lhe garantir uma coisa. Nunca aceitarei
Immanuel como meu Deus. Ele pode pagar meu salário,
mas não me curvarei para adorá-lo!
— Dê uma olhada nos versículos cinco a oito. "Foi-lhe
dada uma boca que proferia arrogâncias e blasfêmias e
autoridade para agir 42 meses; e abriu a boca em
blasfêmias contra Deus, para Lhe difamar o nome e
difamar o tabernáculo, a saber, os que habitam no céu.
Foi-lhe dado, também, que pelejasse contra os santos e os
vencesse. Deu-se-lhe ainda autoridade sobre cada tribo,
povo, língua e nação; e adorá-la-ão todos os que habitam
sobre a terra, aqueles cujos nomes não foram escritos no
livro da vida do Cordeiro que foi morto desde a fundação
do mundo".
Ela rapidamente fechou a Bíblia, mantendo o dedo nela
como se fosse um marcador de páginas. Outra lágrima
rolou pelo seu rosto rosado.
— Ken, estes são os versículos que me assustam. Por três
anos e meio, Immanuel blasfemará contra o meu Deus, o
Deus que criou este belo campo do qual estamos
desfrutando. Você se lembra de que o versículo diz que
ele pelejaria contra os santos?
Ken balançou a cabeça.
— Significa que ele está planejando matar todo cristão
que cair em suas mãos. Ele controlará o mundo todo. Já
notou o imenso ódio que ele sente por qualquer cristão?
A voz de Tina era sombria. Ken não teve dificuldade para
juntar os fatos. Agora entendia por que Immanuel havia
dado aquela indireta com relação à sua lealdade à Sally, e
por que ele havia mencionado Tina Marie.
— Tina, não vou dizer que estou acreditando nesta
história. Mas estou prestando atenção. Estou atento.

Immanuel sentia aversão pelas pessoas, pela religião e pela
pobreza do Oriente Médio. Seus olhos apareciam na
enorme janela de seu jatinho. O avião estava a menos de
15 metros do chão quando ele percebeu um grupo de
muçulmanos se reunindo para a oração no início da noite.
— Idiotas! — resmungou o Anticristo, enquanto
observava os homens se curvarem para o Oriente.
— Sua preocupação revela sua falta de confiança em mim
disse — Blasfêmia, que pairava sobre o assento de
Immanuel.
Immanuel estava ficando cansado de Blasfêmia. O espírito
mais atrapalhava do que ajudava, embora Immanuel
temesse o que não podia ver.
— Apenas não imagino como eles conseguirão fazer com
que o povo pare de protestar contra a destruição do Domo
da Rocha. Nossos multibilionários salários em dólares
compraram os políticos, mas a maioria dos muçulmanos
está fervendo de raiva, dia e noite, com o templo de
Israel. Não acho que consiga segurar essa bomba por
muito mais tempo. Só no último ano, tive dez mil judeus
e muçulmanos mortos. A RGN me prometeu não divulgar
as notícias, mas não sei por quanto tempo. Se a paz acabar
em chamas, o mesmo acontecerá com nossa última
investida para obter poder!
Foi a primeira vez que Blasfêmia permitiu que o
Anticristo concluísse um pensamento sem interrompê-lo,
mas não foi intencional. O general dos demônios estava
observando uma hoste de demônios que pairava próximo
à cabina do jato.
— Relaxe. Vai dar certo! Recebi ordens dos figurões! —
confortava o negro demônio.
Immanuel ignorou a oferta de consolo. Seu avião
aterrissara suavemente na pista de pouso; a porta abriu-se.
Um árabe inesperadamente apareceu dentro da cabina.
Immanuel forçou um sorriso.
— Abdul Mohammed, finalmente é um prazer conhecê-
lo — mentiu o Anticristo. — Tenho um presente para
você — disse ele apontando para um grande engradado.
O que não os olhos não veem, o coração não sente. Abdul
não sabia que este "presente" era um objeto roubado.
Vários homens haviam morrido no roubo, um número
aceitável para Immanuel. Abdul olhava para o objeto com
uma expressão de curiosidade.
— Então, quer dizer que você irá curar todas as feridas
que tem imposto sobre o meu povo? — perguntou o líder
islâmico.
A resposta abrupta do líder pegou Immanuel de surpresa.


— Você ficará satisfeito. Há algum lugar em que possamos
abrir meu presente para seu povo? — perguntou o
Anticristo.
— Ah, sim! Há um lugar secreto que fica embaixo de um
de nossos templos mais sagrados. Vou levá-lo até lá, certo?

Já era noite escura. A lua estava do outro lado da terra,
deixando o céu da noite sedento por luz. Algumas estrelas
solitárias brilhavam pela atmosfera nebulosa. Jim e Bill
haviam reunido forças em Roma. Eles estavam no meio
de uma reunião particular de cristãos em um local isolado
fora do centro da cidade. Quase 200 pessoas de influência
haviam vindo para ouvi-los. Todos esses cristãos estavam
preocupados com o futuro nas mãos da Federação
Mundial. Muitos foram pessoalmente conduzidos à fé
cristã pelos esforços de Jim ou Bill.
— Senhoras e senhores, devemos abrir os olhos e os
ouvidos das pessoas para a verdade. Este mundo está sob o
controle do Diabo. A paz é passageira, e os rumores de
guerra estão começando a se espalhar entre meus contatos
por toda a terra. A Rede Global de Notícias é o instru-
mento de propaganda de Immanuel. Não acreditem em
uma palavra que eles dizem!
Um ponto de luz apareceu no céu. Bill ergueu os olhos,
na esperança de Deus enviar um anjo. Ninguém disse uma
palavra. Depois de alguns segundos, o som das hélices de
um helicóptero lentamente encheu o ar. A reverência
tornou-se medo.
— Aqui é a Força Policial Global! Ponham as mãos na
cabeça! Todos vocês estão presos por traição!
Não havia para onde correr. Eles estavam cercados por
centenas, talvez milhares, de oficiais da Federação
Mundial. Colocaram as mãos na cabeça. Assim que a
patrulha armada lentamente se aproximou deles, eles
caíram de joelhos em silêncio.
— Qualquer movimento rápido será considerado uma
ação ofensiva — disse a voz que vinha do ar.
Enquanto Jim e Bill se deitavam no chão, um olhava para
o outro com um sentimento de respeito. Eles haviam feito
a vontade do Senhor. Deus estava no controle.
Ken olhava admirado para Tina. Pela primeira vez em sua
vida egocêntrica, ele respeitava alguém mais do que a si
mesmo.
— O que mais você quer me mostrar no livro de
Apocalipse?
— Vamos continuar no capítulo 13.
Ela examinou a página por um instante e depois colocou a
mão sobre a mão de Ken.
— Estamos aqui. O versículo sete diz: "Foi-lhe dado,
também, que pelejasse contra os santos e os vencesse.
Deu-se-lhe ainda autoridade sobre cada tribo, povo, língua
e nação". Veja, Ken, ele não tem total autoridade, ainda!
Mas terá, depois de se livrar de seus inimigos, que somos
eu e os milhões de outros cristãos espalhados pela face da
terra.
Ken parecia perplexo.
— Você realmente acha que ele tem autoridade? —
perguntou Ken.
— O Diabo vem tentando matar os cristãos desde a morte
de Cristo. Ele conseguiu a morte de Cristo. Nos últimos
dois mil anos, a história registrou dezenas de milhões de
seguidores de Cristo assassinados. Vai acontecer de novo,
e será em breve, muito em breve!
Tina estava séria, e Ken, espantado com a disposição dela.
— Immanuel está literalmente possuído pelo Diabo! —
continuou Tina. — O homem é perigoso! Nossa única
esperança é Jesus Cristo!
Ken não discutiu, e começou a ler o versículo 11.
— "Vi ainda outra besta emergir da terra; possuía dois
chifres, parecendo cordeiro, mas falava como dragão".
Ken parou de ler e começou a pensar.
— Tina, o que você sabe? Isso faz muito sentido. Quando
Immanuel está em público, ele fala como um cordeiro.
Ele sempre está falando de paz, mas, em particular, é um
demônio!
— Você está certo, mas este versículo fala que esta pessoa
é "outra besta". Alguém diferente, mas certamente
misterioso.
Tina estava surpresa em ver que Ken não se importava em
ser corrigido.
— O líder da Igreja da Terra, Dominic Rosario —
explicou ela. — Ele é chamado de Falso Profeta na Bíblia.
Seu trabalho é fazer com que todos pensem que
Immanuel é exatamente o que eles precisam, e promover
um falso reavivamento religioso. Satanás também o
controla!
Ken parecia entender. Continuou a ler.
— "Exerce toda a autoridade da primeira besta na sua
presença. Faz com que a terra e os seus habitantes adorem
a primeira besta, cuja ferida mortal fora curada. Também
opera grandes sinais, de maneira que até fogo do céu faz
descer à terra, diante dos homens. Seduz os que habitam
sobre a terra por causa dos sinais que lhe foi dado executar
diante da besta, dizendo aos que habitam sobre a terra que
façam uma imagem à besta, àquela que, ferida à espada,
sobreviveu; e lhe foi dado comunicar fôlego à imagem da
besta, para que não só a imagem falasse, como ainda
fizesse morrer quantos não adorassem a imagem da besta."
Tem um versículo que diz que ele matará aqueles que não
o seguirão, que, a meu ver, serão os cristãos! —
interpretou Ken.
— Sim — disse Tina.
— "A todos, os pequenos e os grandes, os ricos e os
pobres, os livres e os escravos, faz que lhes seja dada certa
marca sobre a mão direita ou sobre a fronte, para que
ninguém possa comprar ou vender, senão aquele que tem
a marca, o nome da besta ou o número do seu nome".
Ken começou a tremer. Deus o visitava de forma especial.
— "Aqui está a sabedoria. Aquele que tem entendimento
calcule o número da besta, pois é número de homem.
Ora, esse número é 666".
Os olhos de Ken começaram a lacrimejar. Ele fechou a
Bíblia devagar e a colocou sobre a toalha. Olhou para o
infinito. Em sua mente, o mundo à sua volta estava
desmoronando.
— Ken, você está bem? — perguntou Tina Marie.
Os olhos de Ken continuaram fixos na linha que formava
uma montanha longínqua.
— Tina Marie, Immanuel tem esse número gravado na
parte de trás de sua mesa. Eu o vi na semana passada
quando estava analisando alguns documentos com ele.
Perguntei sobre o número e ele me disse que era seu
número de sorte. Ele me disse que era o sexto filho da
família, que nascera no sexto mês do ano e no dia seis. Ele
me disse que era o número da perfeição.
Ken olhou nos olhos de Tina. Parecia exausto, como se
estivesse lutando com alguma força misteriosa há anos.
— Você pode confiar na Bíblia! Ela profetizou isso há
quase dois mil anos — observou Tina.
Timothy e Daniel estavam observando a conversa de uma
enorme árvore a alguns metros de distância. Haviam
provido um maravilhoso escudo de guerreiros angelicais
para proteger o casal. Na linguagem dos anjos da guarda,
isto se chamava cobertura de oração.
— O que vou fazer agora? — exclamou Ken. — Não
posso voltar a trabalhar com ele.
— Você está com um problemão, Ken. Quando você
morrer, quero vedo comigo no Céu!
Ken Action olhou para o chão. Era difícil para ele pensar
em céu quando a terra estava se tornando um inferno
pessoal.
— Por que Deus permitiu que isto acontecesse conosco? E
difícil para mim aceitar tudo isto e crer que tudo o que
tenho de fazer é uma oração, e nada mais.
— Ken, não é uma oração que Deus quer, mas é seu
coração! Ele quer um relacionamento com você. Ele quer
que você converse com Ele, e quer falar com você. E tão
simples que até uma criança pode entender.
Ken pegou uma folha de grama. Lembrou-se de Sally.
— Você fala como alguém que conheci há muito tempo.
— Bem, se ela lhe disse como chegar ao céu, então, ela era
uma amiga de verdade.
— Tudo bem. Estou pronto. Se Deus me quer, eis-me
aqui. Naquele mesmo instante, o Espírito Santo o
envolveu. Apesar de há um minuto Ken ter sido um
inimigo de Deus, agora ele era Seu amigo e filho.
Timothy e Daniel puderam ouvir as vozes de um coral de
anjos que vinham de uma nuvem acima do vale. A batalha
estava vencida, mas a guerra tinha acabado de começar.

Immanuel olhava com satisfação. Parecia relaxado sentado
à mesa de Abdul Mohammed. O líder muçulmano tinha
poder para arrastar milhões de seu povo para uma guerra
santa. Para isso, bastava uma palavra sua, e eles morreriam
por seu deus, Alá.
Ambos estavam em uma câmara particular sob um dos
lugares mais sagrados dos muçulmanos. Apenas algumas
almas privilegiadas tinham conhecimento desta sala, que
era pouca iluminada por grandes velas. Unhas de ouro e
prata se formavam no teto, nas paredes e nas portas.
— Vim para agradecer sua colaboração com a Federação
Mundial. O seu povo tem sofrido muito, e vim para trazer
uma prova de minha gratidão — começou Immanuel.
Abdul observava o Anticristo como a um monte de lixo.
Não havia se esquecido do que um de seus sócios
chegados havia lhe dito sobre este europeu. Por causa de
sua curiosidade, ele queria ver aqueles poderes
miraculosos sobre os quais muito ouvira falar, embora
temesse mais a Alá do que a Immanuel.
— De fato, temos sofrido muito — confirmou Abdul. —
A reconstrução do templo de Israel no lugar do Domo da
Rocha foi a gota d'água.
Immanuel não tinha muita paciência e tolerância com
este zelote religioso. No entanto, seus planos futuros,
divergentes como eram, estavam intrincadamente ligados
ao Oriente Médio.
— O presente que lhe ofereço deverá acabar com toda a
guerra. Seu povo estará no sétimo céu e você será o
assunto da região.
Os olhos de Abdul brilharam.
— Estou muito curioso sobre o que pode ser.
— Abdul, Deus me deu isto há muitos anos para este exato
momento — mentiu Immanuel.
— A vontade de Alá é, às vezes, misteriosa — respondeu
o homem com os olhos fixos no objeto que estava sob um
pano branco.
Os olhos de Immanuel sondaram a alma de Abdul. Ele
olhava firme para o muçulmano.
— Alá falou comigo! Ele quer que eu lhe dê uma
mensagem — fingiu o Anticristo.
Abdul Mohammed correu para longe de Immanuel, de
repente, assustado.
— Blasfêmia! Blasfêmia! — gritou o devoto muçulmano.
Alá apenas fala com aqueles que depositaram fé e
obediência total em suas mãos. Você não é um
muçulmano!
Immanuel continuou indiferente.
— Eu jamais blasfemaria contra você ou contra seu deus.
Ele me disse que você suspeitaria, e que este é o motivo
pelo qual ele me deu algo que você apreciaria mais do que
ouro ou prata. Alá poderia ter-lhe dado isto a qualquer
hora, mas ele esperou para dar-me isto para que você
confiasse em mim. É o sinal dele para você!
Abdul continuou desconfiado, porém curioso. Seus olhos
voltaram-se para o objeto coberto que estava no meio da
sala.
Immanuel rapidamente matou sua grande curiosidade.
Estalou os dedos e, imediatamente, um de seus sócios
puxou o pano branco que cobria o mistério dos séculos.
Os olhos de Abdul Mohammed ficaram vitrificados por
causa do medo. Seus lábios começaram a balbuciar
violentamente uma frase estranha. Os pelos de seus braços
ficaram arrepiados. Suas pernas ficaram moles diante do
que via.
— Enfim, ao lar! — exaltou Abdul. — Enfim, ao lar!

As mãos de Ken agarraram o volante de sua Mercedes. Ele
e Tina estavam deixando o país. Era fim de semana; assim,
Immanuel não perceberia seu repentino sumiço antes que
estivessem longe. Os olhos de Ken estavam fixos na
estrada cheia de vento. Sua mente analisava planos para o
futuro.
Tina Marie acabava de acordar. Esfregou o rosto e olhou
para a paisagem tranquila à sua volta.
— Onde estamos? — perguntou ela.
Ken não respondeu. Nem mesmo ouviu sua pergunta. Ela
olhou para ele, admirada. Não teve de convencê-lo a
deixar Genebra. Era idéia dele desde o início. Estendeu a
mão e começou a batê-la na nuca cansada de Ken.
— Vamos parar para dormir um pouco? A resposta de Ken
foi inflexível.
— Não, ainda não! Temos de chegar à Grã-Bretanha antes
de segunda-feira pela manhã! Lá é um dos poucos lugares
que ainda continuam seguros. A Federação Mundial tem
controle de toda a região europeia, exceto da Grã-
Bretanha!
— Como vamos usar nossa identidade quando ele
descobrir que deixamos a cidade? — perguntou a jovem.
Ken sorriu para ela. Era óbvio que ele sabia de algo que ela
não.
— Quando trabalhava para Immanuel, eu tinha acesso a
todos os tipos de informações confidenciais. Uma das
coisas que eu gostava de fazer era brincar com a Besta.
— A Besta? — perguntou Tina.
— Era o código que Immanuel usava para acessar o
sistema de computador que controla a riqueza do mundo.
De repente, Tina se deu conta de que eles poderiam ser
rastreados quando fossem comprar alguma coisa. Eles
estavam sem dinheiro.
Ken percebeu sua apreensão.
— Confie em mim. Tudo ficará bem. Vou cuidar de tudo.
Tina Marie de repente gritou. Inúmeras tropas da força
policial da Federação Mundial estavam bloqueando a
estrada com armas a laser nas mãos.

Abdul Mohammed correu em direção ao antigo artefato.
Lágrimas escorriam por seu rosto barbudo, enquanto
passava a mão na caixa retangular com um laço dourado.
Suas mãos suavemente acariciavam o monumento. A
caixa de ouro tinha quase 1,50 metro de altura, meio
metro de largura e apenas meio metro de profundidade. A
parte superior da estrutura exibia duas figuras angelicais,
feitas de puro ouro. Ambas estavam de frente uma para a
outra com as asas tocando cada uma das extremidades da
relíquia.
— Louvado seja Alá! — chorou Abdul. — A arca da
aliança é toda minha! Isto cairá como uma bomba para os
judeus!
— Alá deu-lhe isso como um sinal para que confie em
mim. — inventou o Anticristo.
Abdul caiu de joelhos. Seus gemidos de alegria ficavam
cada vez mais fortes.
— Immanuel! Você trouxe finalmente a arca para seu
lugar de descanso! Deus escolheu você para trazer esta
boa notícia para nosso aflito planeta. Você não sabe que
seu nome significa "Deus conosco"? — reconheceu o
muçulmano.
Immanuel sorriu com malícia. Abdul estava em suas
mãos.
— Preciso de seu apoio.
O coração de Abdul estava capturado.
— Seu desejo é uma ordem — sussurrou o muçulmano.
Abdul voltou sua atenção para a arca da aliança. Suas mãos
começaram a apalpar a tampa da relíquia. Ele estava
procurando uma forma de entrar nela. O Anticristo
cuidadosamente observava Abdul enquanto ele examinava
todos os ângulos e aberturas da arca. As mãos do
muçulmano de repente pararam. Suas unhas lentamente
sentiram uma fenda na parte superior. Immanuel
rapidamente correu na direção da arca.
— Não profane a integridade do templo de Deus —
gritou Immanuel.
Abdul Mohammed estava atordoado.
— Immanuel! Alá gostaria que eu olhasse. A condição do
Anticristo foi revelada.
— Eu sou Deus! Você ouvirá minhas ordens ou queimará
nas chamas inextinguíveis do inferno para sempre! —
trovejou o psicótico mentiroso.
Abdul estava pasmado.
Seus ouvidos queriam rejeitar a declaração de Immanuel,
contudo, seus olhos viam o presente dos séculos! Seu
dedo continuou na fenda da arca.
Ele começou a deslizar o dedo na arca da aliança. Um
brilho misterioso o cercou.
— Não! — gritou Immanuel.
Immanuel disparou na direção de Abdul. Era tarde
demais. A energia que vinha da arca fez o muçulmano
atravessar voando a câmara. Immanuel ficou imóvel.
Estava pasmo. Queria crer que Blasfêmia tinha algo a ver
com a manifestação daquele poder, contudo, não sentia
sua presença.
— Abdul! — gritou ao correr para salvar o muçulmano.
O Anticristo bateu no rosto do homem, que estava
inconsciente, na esperança de ter uma resposta. Ele não
queria que esta oportunidade escorregasse pelos seus
dedos.
— Acorde Abdul! Você foi chamado por Deus para
proclamar as boas novas de Sua volta! — gritou
Immanuel.
Os olhos molhados de Abdul abriram-se lentamente.
Tudo estava escuro.
Enquanto ele recuperava lentamente a visão, a expressão
firme de Immanuel ocupava o lugar da névoa turva.
— Você desobedeceu a minha ordem! Que isto lhe sirva
de lição! Tenho poder para mudar o tempo e o espaço,
para dar e tirar a vida! Não hesitarei em usar minha
energia para ajudá-lo ou prejudicá-lo!
— Por favor, me... me... perdoe-me — gaguejava Abdul.
Ele bateu as costas no chão e não estava na posição de
questionar os poderes do Anticristo.
Immanuel presenciara o poder de Deus e o usara para sua
própria glória. A luz intensa que irradiara da arca era a
glória da presença do único Deus verdadeiro. Não
demorou muito para que Immanuel percebesse isso. O
Anticristo sentiu-se fraco diante do poder de Deus.
Immanuel havia estado na presença do Senhor, mas teve
cuidado para não deixar que Abdul percebesse o medo
que tomou conta de seu ser.
— Você logo terá notícias minhas! Enquanto isso use seu
presente para trazer o povo muçulmano à submissão —
ordenou a serpente enquanto se dirigia para a porta.




CAPÍTULO CINCO
DISSIMULANDO O MAL

A
PAISAGEM ERA DESERTA E ÁRIDA. Apenas algumas árvores
enraizadas podiam sobreviver naquele ambiente severo e
seco do deserto. Em volta do campo, havia uma cerca de
arame farpado na qual corria corrente elétrica. O campo
tinha aproximadamente 660 metros de área e 66 torres de
vigia. Era um lugar da terra em que o clima deixava uma
marca de queimadura na cabeça da pessoa, um lugar em
que o inferno podia abrigar a alma de alguém enquanto ela
ainda estava no corpo físico. Era o lugar perfeito para os
inimigos de Immanuel.
— Não entendo por que eles não nos matam e acabam
logo com isso — suspirou Tina Marie.
Sua pele estava vermelha, um efeito doloroso do sol
intenso do deserto. Os que a haviam capturado achavam
divertido mandar grupos de pessoas para o deserto
durante a hora escaldante do dia, sem filtro solar, roupas
ou água para beber.
— Eles querem abalar nossa fé! — observou sua nova
amiga, Peggy.
Desde que o chefe desta cidade infernal separara os
homens das mulheres, as duas tornaram-se inseparáveis.
A ordem expressa por Immanuel era tornar miserável a
vida desses dissidentes do estado. Desintegrar famílias
estava no centro de seus planos.
Tina Marie não via Ken desde que foram capturados na
fronteira da França. Toda noite, ela tinha pesadelos. Em
sua mente, ela voltava ao bloqueio policial na estrada e
sentia a dor aguda do ruído de um disparo de laser
atravessando seu ouvido. Ela nunca se esqueceria da
expressão de Ken ao perceber que Immanuel havia
implantado um chip de computador em sua mão, que
vinha rastreando todos os passos dos dois. Tentou sufocar
as lembranças da resistência de Ken à prisão e de ser
atingido por uma arma a laser de alcance direto. Sua única
esperança era que ele estivesse vivo.
— A morte seria uma vitória para mim agora — lamentou
Tina.
Peggy não queria ouvir esse tipo de conversa.
— Tente manter seu pensamento em Jesus. Lembra-se de
Daniel na cova dos leões? — confortou Peggy.
— Sim, me lembro — desabafou Tina Marie. Peggy
sorriu. Mesmo nessas circunstâncias adversas, ela tinha
um jeitinho de ver o lado bom das coisas.
— Pelo menos temos água no final do dia — observou
Peggy.
Tina tirou uma mecha de cabelo molhado dos olhos, e
olhou para o outro lado do campo. Pensou em Ken. Peggy
colocou as mãos nos ombros cansados de Tina enquanto
citava passagens bíblicas.
— "E aquele que se assenta no trono estenderá sobre eles
o Seu tabernáculo. Jamais terão fome, nunca mais terão
sede, não cairá sobre eles o sol, nem ardor algum, pois o
Cordeiro que se encontra no meio do trono os
apascentará e os guiará para as fontes da água da vida. E
Deus lhes enxugará dos olhos toda lágrima".
— Estes versículos estão no livro de Apocalipse — disse
Tina.
— Você sabe o que significa? — perguntou Peggy. —
Esses versículos dizem que estaremos no Céu muito em
breve! Todo o nosso sofrimento aqui será como um sonho
distante.
— Você acha que Jesus vem logo? — pensou Tina Marie.
— Espero que sim — disse Peggy com delicadeza.
Tina ficou olhando para ela antes de segurar uma de suas
mãos finas.
— Estou contente pelo Senhor ter-nos colocado aqui
juntas.

— O que você propõe? — perguntou Ken.
— Posso provocar algum tipo de distração de modo que
os outros guardas não perceberão que você fugiu.
Ken não podia acreditar que o Senhor havia preparado
este guarda para ajudado.
— Como conseguiremos as chaves de nossas celas, isso
sem falar nos portões internos e externos do campo?
— A única coisa com que você terá de se preocupar é com
uma porta e a combinação das chaves que funciona com
ela. — sussurrou o guarda.
— Que porta?
De repente, uma sirene alta interrompeu seus cochichos.
Era um guarda à procura de problemas. Ele estava usando
sua arma a laser como um cassetete, batendo em cada uma
das celas.
O bondoso guarda empurrou Ken contra a cela e para um
lugar escuro.
Ambos olharam um para o outro com medo. O som ficava
mais alto. Não era seguro nem respirar. Ken orou em
silêncio. O guarda observava com inveja.

A âncora do noticiário apareceu esfarrapada e ferida,
como se tivesse passado por uma terrível briga. Seu cabelo
não estava arrumado, e ela não usava batom.
— Isto é o que acontecendo. A antiga República da
Rússia deu início a um completo ataque aéreo no Oriente
Médio. As informações ainda estão incompletas, mas
algumas pessoas que estão perto da fronteira do norte do
irã confirmaram que está ocorrendo neste exato momento
uma invasão de sua região norte.
A repórter olhou para os artigos que se acumulavam em
sua mesa. Ela estava abalada e não conseguia acreditar que
isto estava acontecendo. A paz fabricada de Immanuel
parecia estar ruindo.
— Oficiais em Moscou acabaram de fazer uma
declaração. Abre aspas: "Os russos têm sido tratados como
cidadãos de segunda classe desde que aceitamos as
exigências da Federação Mundial de desistir de nosso
arsenal nuclear. Os impostos que a Federação Mundial
está recebendo de nosso sistema econômico não são
correspondentes ao reembolso feito por ela mesma. Em
resumo, nosso país, com isso, se recusa a reconhecer a
Federação Mundial".
A âncora manteve sua ética profissional, embora a maioria
das pessoas pudesse ver as emoções que passavam no seu
íntimo.
— Esta é uma citação direta feita pelo vice-presidente
russo, que agora declara ser o novo presidente. Não temos
registros de que armas nucleares estão sendo usadas. È
provável que você se lembre de nossa reportagem da
semana passada, que sugeria que talvez ainda houvesse
alguns mísseis nucleares não arrolados pela Federação
Mundial. Sem dúvida, esta reportagem está ganhando
novo significado. Até agora, tudo o que sabemos é o
seguinte: pouco antes das duas horas, horário do Oriente
Médio, dados de satélites e de serviços de inteligência
descobriram centenas de milhares de tropas das repúblicas
do sul da Rússia infiltrando a região norte do Irã.
Relatórios preliminares parecem sugerir que a luta tem
sido intensa, com a possibilidade de perda de milhares de
vidas. Manteremos vocês informados assim que tivermos
novos detalhes.
Immanuel lançou um vaso valiosíssimo na televisão. O
monarca do mundo andava a passos largos. A paz durara
três anos e meio. Ele estava quase chegando ao ponto em
que poderia declarar a vitória.
— Preciso de Ken Action. A morte será uma boa opção
para ele — pensou Immanuel, que o odiava por desertar a
causa.
— Quero falar com o Comandante do Exército da
Federação Mundial — gritou o Anticristo para sua
secretária. — Além disso, quero o presidente da Rede
Global de Notícias em meu escritório imediatamente!
O interfone foi desligado. Immanuel corria os olhos
vermelhos pela sala. Os pelos de seus braços começaram a
se arrepiar.
— E você? — gritou o Anticristo para seu guia espiritual
invisível.
Blasfêmia ignorou o tom de sua fala. Não tinha tempo para
cenas mesquinhas. O demônio envolveu suas asas no
corpo escamado assim que pousou na mesa de Immanuel.
Tinha uma mensagem direta de Satanás. O general limpou
o fel da garganta.
— Immanuel, você deve enviar um contingente de
tropas para as montanhas do norte de Israel. Elas devem
chegar à casa dos 666.
Blasfêmia fez uma pausa para ter certeza de que
Immanuel recebia a mensagem.
— Você deve esperar ali até que os exércitos do Reino do
Norte se encontrem com os exércitos do Reino do Sul.
O corpo de Immanuel estava duro como o de um cadáver.
— Que exércitos do sul? — reagiu Immanuel
aterrorizado.
Blasfêmia riu tão alto que enviou ondas de choque ao
corpo do líder, e desapareceu no teto antes de Immanuel
ter a chance de xingar.
Naquele mesmo instante, o presidente da Rede Global de
Notícias bateu em sua porta.
— Entre — gritou o ditador irritado.
A porta abriu-se, e um empresário de meia-idade, usando
um terno de três peças, apareceu.
— Sr. Edwards, espero que o senhor tenha uma
explicação para o que fez! — baforava o Anticristo.
Bob tirou os óculos de leitura enquanto se convidava para
tomar assento.
— O que você quer dizer? — respondeu o antigo amigo.
— Você não sabe, não é? — continuou Immanuel.
Bob não temia Immanuel, apesar de respeitá-lo muito.
— Como disse, minha rede está deixando de dar cobertura
à invasão russa no Oriente Médio — despejou o
Anticristo.
— Fique tranquilo, Immanuel! Não há muito o que fazer!
É praticamente necessário um ato de Deus para pôr fim às
guerras entre judeus e muçulmanos. Sua polícia teve de
prender dezenas de milhares, que ainda estão detidos,
porque eles sabiam da violência. Há algumas coisas que
não podemos ignorar!
Bob era um dos poucos que podiam falar com ele desta
maneira e viver para contar.
— Se os ignorarmos, então, sua base de poder apodrecerá
lá dentro. Você tem de tomar muito cuidado com esta
questão de detenções excessivas. Immanuel, você precisa
do respeito de seus colegas da Federação Mundial. Se não
contarmos a verdade, ou pelo menos parte dela, a
Federação Mundial jamais resistirá.
O Anticristo já estava ocupado imaginando uma disputa
das relações públicas condenando seu ataque como um
ato covarde vindo de um bando de apóstatas. Ele baixou o
tom.
— Você está certo. Relate apenas o modo como está
acontecendo. Conte a história de forma que relacione o
ataque russo com algum tipo de conspiração cristã.
— Sem problema. Você sabe o quanto desejo que tenha
sucesso, não sabe? — confortou o porta-voz.
— Faça isso agora mesmo — vociferou Immanuel.
— Que tipo de poder temos? — perguntou o arcanjo.
O técnico contou as orações, examinando a qualidade dos
pedidos dos cristãos que estavam na terra.
— Eu diria que chega perto dos cem milhões. O que acho
interessante é a qualidade das orações. São petições
generosas, completamente diferentes das de alguns anos
atrás.
Miguel andava a passos largos no chão de ouro da Agência
Central de Oração.
— Você acha que são suficientes para a proteção de
Israel? — perguntou o guerreiro.
O contador de orações não hesitou em responder.
— Completamente! Não é maravilhoso o Senhor estar no
total comando disto?
— É verdade. Melhor Ele do que eu! Estou muito feliz em
ser Seu mensageiro — reconheceu o arcanjo.

O rosto deles estava vermelho por causa da falta de
oxigênio e excesso de medo.
— Está perto!
— Sim, muito perto!
Ambos fizeram uma pausa — Ken para agradecer a seu
Criador e o guarda para repensar sua posição.
— De que porta você está falando? — perguntou Ken.
Não houve resposta.
— Em primeiro lugar, não entendo por que você está me
ajudando.
O guarda olhava bem em seus olhos.
— Minha esposa estava entre os cristãos que foram
levados para o Céu. Eu nunca aceitei a tese da Federação
de que eles foram julgados por Deus. Ela foi a melhor
coisa que já me aconteceu. Você confia no mesmo Deus
em que ela confiava. Este é o motivo de ter minha ajuda
— disse o guarda, fazendo um esforço para conter as lágri-
mas, porém em vão.
— Por que você não creu em Jesus como seu Salvador
enquanto ela estava com você?
Ele mal podia falar.
— Porque eu era, e ainda sou, um idiota teimoso.
— Peça a Ele para entrar em seu coração neste momento.
Ele irá perdoá-lo. Acredite ou não, eu era pior que você
antes. Eu era o braço direito do próprio Immanuel —
confortou Ken Action.
O guarda fitou o chão sujo debaixo de seus pés. Sabia que
caminho seguir, mas sentia que era tarde demais.
— Não se preocupe comigo — disse o guarda. — Não sou
bom o suficiente para pedir a ajuda de Deus. Talvez Deus
veja o que estou fazendo por você e perdoe meu passado
— pensou o homem, deprimido.
Ken orou por ele em silêncio.
— Não é tarde demais para você! Deus está desesperado
para perdoá-lo. — insistiu Ken.
O guarda balançou a cabeça.
— Não, é tarde demais para mim.
Ken começou a falar, mas o guarda mudou de assunto.
— Há uma porta no restaurante que leva a um sistema de
túneis subterrâneos. Por alguma razão, eles não têm
cameras de segurança nem sistemas de escuta nessas
tocas. Esses túneis foram usados para o transporte de
suprimentos para o campo de concentração.
Ken começou a sonhar com Tina Marie e ele fazendo um
piquenique em um tranquilo vale no meio das montanhas.
— Quem tem as chaves? — perguntou Ken.
— Um amigo meu, um oficial superior. Ele simpatizou
com sua causa, Ken. Acho que você recebeu garantia para
sair daqui depois de rumores de que era o braço direito de
Immanuel.
Ken estava ficando nervoso.
— Quando colocamos o plano em ação?
— Hoje à noite! Quando a lua aparecer, o carcereiro virá à
sua cela e irá pedir-lhe para que limpe o restaurante. A
porta está localizada sob o fogão da cozinha. Cuidarei do
resto. Você não poderá empurrar o fogão para passar pela
abertura. O carcereiro irá movê-lo rapidamente; por isso,
ande logo!
— E Tina Marie? — suplicou Ken.
— Não sei.
Ken franziu a testa. Preferia ficar no cativeiro e ver Tina
Marie livre. Sabia que ela seria morta por Immanuel se
ficasse sozinha neste terrível lugar.
— Você é um amigo de verdade — agradeceu Ken. —
Orarei por você.
— Boa sorte, meu amigo — disse o guarda. Seu coração
estava partido.

Satanás estava empoleirado em seu trono. Suas mãos
estavam manuseando as Santas Escrituras. Ele estudara
rigorosamente o profeta Ezequiel nos últimos dias,
concentrando-se nos capítulos 38 e 39. A saliva acidífera
de sua boca de vez em quando pingava nas páginas,
fazendo-as pegar fogo. Felizmente, ele tinha uma coleção
de Bíblias em uma de suas câmaras secretas. Eram
retribuições de uma de suas tentativas para destruir a
Igreja de Cristo.
— Aquele ditador, Jeová, nunca cumprirá Sua profecia!
rosnou Lúcifer. — Aquele idiota me deixou Seus planos
de guerra bem aqui neste livro desprezível! Usarei essas
profecias para mostrar-lhe quem realmente governa o
mundo!
Satanás pegou o livro meio queimado e lançou-o no rio de
lava que fluía ao redor de seu trono. Quando a Bíblia
afundou, uma chama de fogo a engoliu como se fosse
comida para o inferno.
— Seu reino certamente virá abaixo! — gritou Satanás
para o céu silencioso. — Terei crédito por causa de Sua
brincadeira de mau gosto. Serei o deus do povo! Irei
mostrar-lhes a beleza do mal. Farei com que Você pareça
um fraco. Estarei no Seu templo e serei adorado como
deus!

Dominic Rosario sentia-se triunfante. Seu plano
funcionava sem nenhum empecilho. A Igreja da Terra
estava crescendo rápido. Immanuel acreditava que era o
dinheiro da Federação Mundial que havia espalhado o
reavivamento religioso que ele secretamente desprezava.
Dominic acreditava que era seu estilo carismático e a
capacidade "dada por Deus" para realizar milagres.
Dominic estava diante das máquinas de impressão da
Empresa de Livros da Federação Mundial. A expressão do
Falso Profeta merecia dez mil palavras. Ele pegou uma das
novas bíblias "ampliadas". O livro revisado estava cheio de
suas revelações vindas de seu deus. Ele começou a folhear
as páginas do livro, que ainda estavam mornas por causa
da impressão. Dominic observou sua criação. Estava fora
de si de tanto entusiasmo. Fizera uma nova interpretação
de todos os versículos da Bíblia para que se enquadrassem
na visão de mundo da Nova Era. Acrescentara milhares de
novos versículos, que foram ditados pelos lábios de
Blasfêmia. A imprensa estava extasiada com o livro,
associando seu lançamento ao maior evento religioso
desde o nascimento de Maomé. A linguagem do livro era
simples: Deus era um Deus de amor, que aprovava todo o
tipo de comportamento contanto que o próximo não fosse
prejudicado. Dizia que a Federação Mundial seria usada
por Deus para trazer paz à terra. Dominic Rosario
intitulava-se como o Profeta do Mundo. Sem dúvida, ele
era a única alma qualificada para receber as verdades de
Deus. O que estava estranhamente faltando no novo livro
era o livro de Apocalipse. Dominic o havia descartado.

— Você acha que pode ser feito? — perguntou Daniel. O
dedo de alerta de Timothy ansiava por ação.
— Está tudo no lugar. Minha preocupação é tirá-los de lá
antes que sejam detectados pelo sistema de computadores
do campo. Eles possuem sensores sensíveis a movimentos
a cada 1,50m, equipamento de áudio que pode captar o
movimento de uma formiga e monitores de vídeo que vão
até onde os olhos podem alcançar. De qualquer forma,
precisamos desligar todo o sistema elétrico por, pelo
menos, uma hora — disse Timothy.
Daniel não conseguia ver a luz.
— Mas as forças de Satanás têm dado grande proteção ao
prédio de processamento solar.
Timothy apontou para a cabeça.
— Lembre-se disto, meu pequeno anjo: eles podem ter a
força bruta, mas nós fomos abençoados com o cérebro!
Daniel sorria enquanto seus olhos examinavam o vale
quente bem lá embaixo. Seus pés de repente escorregaram
em uma parte mais molhada da nuvem. Ele se enganou
achando que um demônio havia violado seu espaço aéreo.
Sacou a espada e começou a dar golpes no ar.
— Estamos sendo atacados! — gritou Daniel enquanto
fazia picadinhos do ar.
Timothy agarrou o jovem pela orelha enquanto
arrancava-lhe a arma da mão tensa.
— Vá com calma, rapazinho. Poupe seus golpes para lutar
com o inimigo.

— Hei, você — murmurou o guarda. — Saia daí, seu
inútil, e me siga. O chefe tem um trabalho para você.
Ken fez uma careta.
— Sim, senhor — respondeu o interno aparentemente
abatido. Ele lentamente ergueu seu corpo ferido do chão.
Orou para que o raptor não percebesse a pequena saliência
em sua camisa. Não era necessário muita coisa para
perturbar o guarda.


— Vamos!
Ken saiu da cela, pôs-se de frente para o guarda e desceu
devagar o corredor tumultuado.
Timothy observava cada movimento de Ken. Seu homem
estava quase na porta do restaurante quando fez um sinal
para Daniel dar início às suas táticas de distração. Daniel
saiu em disparada para o campo como um foguete. Ele
berrava e gritava com toda a força de seus pulmões.
Um segundo tenente do exército de Satanás,
recentemente promovido por envenenar os canais de
fornecimento de água da cidade, localizou Daniel.
— Inimigo à vista no setor nordeste, sinal vermelho! —
gritou o demônio.
Em segundos, centenas de demônios espinhosos
acordaram de sua soneca.
Timothy localizou-os do alto e, no mesmo instante, fez
um sinal para Daniel, que levou alguns segundos para
decifrar sua mensagem. Eram segundos que ele não podia
perder. Ele virou a cabeça na direção do campo para
observar a distância dos miseráveis. Entrou em pânico
quando percebeu que estavam a menos de 30 metros de
distância. Um dos atiradores de precisão de Satanás lançou
uma espada prateada em sua direção. Daniel
instintivamente desviou-se. Timothy observava agitado
enquanto o demônio perseguia firme o seu alvo.

***
Ken foi trabalhar perto da entrada da cozinha. Orou para
que o guarda não fosse específico quanto ao local em que
deveria começar o trabalho. A oração foi graciosamente
respondida. O guarda estava ocupado demais olhando pela
janela para notar Ken, que firmemente seguiu em direção
à entrada da cozinha.
O guarda estava ficando perturbado. Sua mente estava em
uma luta de boxe que devia ir ao ar em menos de 30
minutos. Era a luta do ano, e ele iria perdê-la, tendo de
vigiar um interno que lentamente esfregava o chão. Ficou
furioso.
— Hei, cara, anda logo!
Ken hesitou, sem saber qual seria o próximo movimento
do guarda. Enquanto olhava ao redor do fogão, percebeu a
sujeira do chão.
— Sinto muito, senhor, mas isso aqui está uma verdadeira
bagunça. Quero dizer, o senhor faz suas refeições aqui
também. E ruim! Vai levar um tempinho para colocar esse
lugar em ordem.
O enorme guarda saiu pisando firme no chão em direção
ao interno. Ele mesmo queria constatar isso. Enquanto se
dirigia para a cozinha, o peso de seus pés fê-lo escorregar
no chão escorregadio. Seu corpo pesado bateu com tanta
força no chão que Ken pensou que ele estava morto. Ele
aproximou-se devagar do corpo andando na ponta dos
pés. O guarda estava completamente desmaiado. Não
havia sangue, mas também nenhum sinal de vida. Ken foi
silenciosamente para a cozinha e colocou o esfregão em
um lugar onde ninguém poderia vê-lo. Correu para o
fogão de oito bocas. Seus olhos examinaram ao redor,
procurando uma forma de mover o enorme objeto. Ele
observou as rodas na parte inferior. Sua esperança era de
que elas não quebrassem enquanto arrastasse lentamente
o fogão. Nada ouvia, senão o som forte de sua própria
respiração.
Encontrou a porta, deixada aberta, como seu amigo havia
dito. Abaixo da entrada, as escadas em espiral
desapareciam na escuridão. Ele não perdeu um minuto
sequer. Enxugou os sapatos com um pano seco e começou
a descer o poço. Colocou a mão no bolso da calça e tirou
uma pequena lanterna. A medida que a luz da lanterna
iluminava o local, os olhos de Ken se arregalavam com o
que viam.

Os demônios estavam na cola de Daniel, lançando uma
espada por segundo em sua direção. Pareciam um bando
de vespas. Timothy rapidamente tocou sua trombeta.
Sabia que poderia levar alguns minutos para a chegada dos
reforços; assim, saiu voando, no mesmo instante, na dire-
ção deles com um punhal de dois gumes em cada uma das
mãos.
— O Deus Jeová reina! — gritou Timothy com toda a
força. Alguns demônios interromperam sua linha de voo
para contestar a declaração de Timothy, mas a maioria
continuou a perseguir Daniel.
O entusiasmo dos demônios para pegar o pobre Daniel fez
com que deixassem seus postos desprotegidos. O primeiro
a encher o anjo de buracos receberia uma mensagem
pessoal do próprio Lúcifer ou até uma cerimônia para ser
galardoado.
Daniel fez uma manobra com o corpo cansado ao redor
de um cânion estreito fora do espaço do radar. Logo
perdeu a esperança de que poderia abalar os demônios.
Eles haviam perigosamente se aproximado de sua posição
e estavam a menos de três metros de distância. O pescoço
do anjo começou a sentir o vapor ardente da respiração de
um demônio. Alguns segundos depois, gotinhas de saliva
derretida começaram a arrancar a pele de suas costas. Os
demônios estavam a dois metros, depois a um metro e
meio de distância. Alguns ganhavam terreno cortando
caminho pelos rochedos formados por granitos. Sua lou-
cura foi fatal. De repente, ouviu-se uma explosão. Bum!
Muitos se chocaram com o granito à vista.
Timothy, que mal estava conseguindo escapar deles,
rapidamente mergulhou de cabeça em caracol. O chefe
dos demônios que estava no rastro de Daniel estendeu as
garras manchadas de sangue para agarrar o pescoço do
anjo. Timothy preparou o corpo para enfrentar uma
colisão total.

***
— Meu Deus, o que eles fizeram? — disse Ken quando
viu uma pilha de esqueletos humanos de três metros de
altura. Alguns dos restos eram recentes, deixando um mau
cheiro no ar parado da toca subterrânea. Ken levou cinco
minutos para chegar aos pés da escada em espiral,
chocado com a verdade repugnante da máquina mortífera
de Immanuel.
Seu próximo passo seria decidido em oração. Ele estava
em um cruzamento de três cavernas, que desapareciam à
distância na escuridão. Percebeu que uma das estradas
tinha marcas de tanques um pouco apagadas em sua
superfície úmida. Fora um esqueleto humano que de vez
em quando aparecia ao longo do caminho, nada havia
senão a escuridão e ratos para servirem-lhe de companhia.
Ele começou a correr pela trilha, mas foi forçado a
diminuir os passos. A luz da lanterna não lhe dava
visibilidade suficiente para prosseguir com segurança.
Alguns minutos depois, aproximou-se de outro
cruzamento. Para sua surpresa, havia engradados de
madeira empilhados até o teto com o rótulo
"contrabando" escrito com tinta vermelha nas laterais.
Correu na direção de uma das caixas, pegou uma Bíblia do
tamanho da palma da mão e a guardou no bolso. De
repente, ouviu passos na trilha à frente. Parou e deitou-se
no chão. Temia a idéia de uma equipe de salvamento.
Ficou escondido por alguns minutos, tentando,
desesperado, identificar o ruído. Seu único curso de ação
era prosseguir com cuidado. Ele precisava escapar o mais
rápido possível. A medida que avançava, o barulho ficava
mais intenso.

— Vejam! Bombardeiro de mergulho se aproximando do
norte — gritou o demônio responsável pela perseguição.
Timothy pôde ver o branco dos olhos dos demônios
quando voou em sua direção. A dois mil quilômetros por
hora, sua cronometragem tinha de ser impecável. Daniel
havia feito um ângulo fechado naquele exato momento.
Os primeiros quatro demônios foram atingidos pela espada
de Timothy. Os outros tiveram a sensação de estar
fugindo de um míssil que se aproximava. Timothy
contorcia o corpo enquanto executava uma manobra
arriscada na velocidade do som. Gritava com toda a força.
Seus órgãos quase saíram do lugar quando fez uma curva
em U para agarrar Daniel por trás. Ninguém disse uma
palavra. Não restava força para conversar. Ela tinha de ser
poupada. Ambos olharam por cima dos ombros para
avaliar a situação. O inimigo não estava em foco, mas
podiam ouvi-lo à distância.
— Conheço uma caverna secreta a alguns metros daqui
sussurrou Timothy. — Se ficarmos baixo o suficiente
neste desfiladeiro, duvido que eles sejam capazes de nos
achar antes de estarmos a salvo.


— Mas eles estão determinados a nos achar — disse Daniel
ofegante.
— Não, eles não nos acharão. Olhe! — sorriu Timothy.
Um número incontável de anjos que cruzavam o deserto
se aproximava de todas as direções.

Ken, em silêncio, se aproximava cada vez mais do
barulho.
O som ficava mais forte à medida que ele se aproximava,
embora continuasse indiscernível.
— Tina Marie — sussurrou Ken.
— Ken, é você?
— Sou eu! Onde você está?
— Estou em um esconderijo. Há ratos em volta de mim!
— Não se mexa — orientou Ken. — Vou pegá-la!
Ken moveu a lanterna na direção da voz de Tina. Tudo
que via eram paredes de barro que haviam sido
irregularmente cavadas por uma enorme mão artificial.
— Sem pânico, querida! Você consegue ver minha luz?
— Consigo, mas muito fraca — respondeu Tina.
Ken foi para outra encruzilhada e lentamente moveu a luz
ao seu redor para a esquerda. Nada além de um espaço
vazio e outro esqueleto desmontado. Era óbvio que
inúmeras pessoas haviam sido torturadas nessas cavernas.
— Ken! — gritou Tina Marie.
Ken virou o corpo na direção da voz de Tina e colocou a
luz em seus olhos.
— Tina Marie! Você está salva!
Os dois apaixonados correram ao encontro um do outro.
Já fazia mais de seis meses que haviam se visto, contudo, a
chama do amor ficara ainda mais forte. Ninguém disse
uma palavra.
De repente, ouviram uma pancada forte no teto bem
acima deles. Ambos tremeram de medo.

Uma nuvem negra seguiu Immanuel até a porta. Sua
mente estava perplexa. Immanuel abriu devagar as duas
portas do escritório com as duas mãos.
Dominic Rosario estava preparado para o ataque de
Immanuel. Ambos se cumprimentaram como se fossem
membros da mesma irmandade.
— Dominic, é muito bom vê-lo! Espero que tudo esteja
correndo bem — mentiu o Anticristo.
— Está tudo bem, meu amigo. A Igreja está tendo um
crescimento rápido. Grato por sua generosidade. Fico
muito contente em poder ajudar as pessoas — conspirou o
Falso Profeta.
Os dois demônios apertaram-se as mãos. A porta fechou-
se atrás deles. Immanuel sentou-se na ponta da cadeira,
como se estivesse pouco à vontade com a poltrona.
Dominic observou sua inquietação, mas sabiamente
privou-se de comentar o problema.
— Estou satisfeito com a crescente influência que você
tem com a Igreja Mundial — desviou o ditador mundial.
— Sou grato a você pela oportunidade — respondeu o
Falso Profeta.
Os olhos de Immanuel ficaram distantes, como se ele
estivesse em outro mundo.
— Dominic, estou preocupado com a Igreja. O Falso
Profeta agiu como se estivesse surpreso.
— O quê? Alguma coisa que eu possa fazer?
— Na verdade, sim. A filosofia da Igreja Mundial está
ficando compatível demais com a teologia daquela seita
cristã. Quero algumas mudanças.
Dominic sentiu nojo da colocação de Immanuel, que
parecia mais uma ordem do que uma sugestão.
— Estou fazendo exatamente o que Deus está me
mandando.
"Ah, por favor", pensou o Anticristo.
— Bem, então, estou certo de que "Deus" irá lhe dizer
que temos de ter certeza que esses cristãos estão sendo
descritos como o que realmente são, e não parte de uma
seita religiosa sem importância. Não, eles são inimigos da
Igreja! — condescendeu Immanuel.
Dominic balançou a cabeça.
— Eles são doentes. Todos eles. Qualquer pessoa com um
pingo de inteligência pode ver isso. Estou fazendo o
possível para desestimular nossos membros de juntar-se
àquela ordem.
— Dominic, você não está entendendo. Esses cristãos não
só crêem de forma diferente. Suas convicções os
colocaram em um lugar de oposição a nós — oposição que
pode apenas levar a uma possível rebelião. Você tem de
me obedecer neste sentido!
— Tenho obedecido a você! Na verdade, acho que você
ficará contente em saber que reformei a Bíblia toda!
Immanuel ficou curioso.
— O que você vai fazer com as Bíblias antigas? —
investigou o Anticristo.
Um sorriso formou-se no rosto do Falso Profeta.
— Estamos queimando-as. Elas estão ultrapassadas. Só os
cristãos não enxergam isso.
— Um bom começo, mas não é suficiente.
Um desejo ardente surgiu nos olhos de Immanuel.
— Não entendo. O que você quer fazer? Prender todos
eles? — disse Dominic.
— Não — disse o Anticristo.
Dominic suspirou aliviado, mas seu suspiro de alívio
durou pouco.
— Devemos levá-los à completa miséria — sorriu
Immanuel. — Todos eles!

***


O general da Federação Mundial estava sentado no topo
de uma montanha no norte do Mar da Galileia. A região
árida da montanha em Israel estava calma e sossegada. As
tropas do general, que chegavam às dezenas de milhares,
estavam acordando do cochilo do meio-dia.
Um assistente saiu correndo em sua direção. Sua
continência foi rápida.
— Senhor, nosso general cinco estrelas está na linha.
O general rapidamente colocou a mão no bolso e tirou um
telefone por satélite. Era a mais recente arma tecnológica.
Tinha um disco miniatura dentro da unidade que parecia
um painel solar. O principal oficial do exército, junto com
alguns indivíduos poderosos da Federação Mundial, tinha
acesso a esta tecnologia. Era impossível rastrear o
telefone.
— General Alburn, é bom ouvi-lo. O que posso fazer pelo
senhor? — perguntou o general de campo.
— Estamos com um grande abacaxi nas mãos! — explicou
o braço direito de Immanuel. — Os russos já tomaram a
maior parte dos campos de petróleo. Eles convidaram
muitos de seus aliados africanos para juntarem-se a eles
nesse saque! Não sei o que os está motivando, mas posso
lhe dizer que vamos ter uma guerra daquelas em nossas
mãos!
O general com quatro estrelas estava ficando nervoso.
— O senhor quer que eu vá para o oriente e os prenda?
— Não, recebi ordens para que se mantenham firmes!
Entrarei em contato com o senhor quando tiver alguma
novidade. Câmbio.
— Mas senhor, eles estão...— o sinal foi-se.
— Um político no comando de uma guerra é como um
lunático com uma dinamite — praguejou o general de
quatro estrelas.

— Relatórios continuam sendo despejados na Rede Global
de Notícias sobre batalhas sangrentas, dezenas de milhares
de mortos e feridos, e o mais recente temor, que é a
devastação química e biológica. Muitas nações que estão
se unindo à invasão de terra da Rússia estão esquivando-se
de nossos esforços e dos da Federação Mundial — de
comunicação. A Federação Mundial recentemente fez
uma declaração condenando o ato espontâneo de guerra
como uma, abre aspas, "tentativa cruel e de interesse
próprio para saquear a riqueza do Oriente Médio". A
declaração continua informando que, abre aspas, "a
Federação Mundial não tolerará este tipo de violência, e
nós garantimos à população mundial que esta agressão não
ficará impune! Além disso, acreditamos que o movimento
fundamentalista cristão que ganhou força no último ano
plantou as sementes da violência". Uma entrevista co-
letiva com Immanuel Bernstate deverá se dar a qualquer
momento para detalhar seus esforços para esmagar esta
violenta traição da lei e ordem internacional — informou
a âncora.

Tina Marie segurava na mão de Ken enquanto ele
loucamente a conduzia pelo túnel escuro. Os estrondos
pareciam acompanhados à medida que atravessavam o
túnel semelhante a um labirinto.
— Ken, vamos por aqui — disse Tina, assim que seu fôlego
tentou acompanhar o ritmo de seu coração.
— Por que por aí? — disse Ken ofegante. — Acho que já
fomos por este caminho antes.
Tina Marie curvou-se angustiada.
— E provável que esteja certo. Mas algo está me dizendo
que este é o caminho para a liberdade.
Ken não hesitou.
— Vamos. Talvez Deus esteja tentando lhe falar alguma
coisa!
Os dois correram em direção ao buraco negro. Dentro de
segundos, a escuridão tornou-se noite. Eles podiam ouvir
os grilos cantando no ar leve da montanha. Aproximaram-
se com cuidado da abertura que dava para sua indepen-
dência. Ken saiu devagar do buraco à procura de tropas
inimigas. De repente, uma explosão ensurdecedora acabou
com a paz passageira de ambos. Ken correu para a caverna
e agarrou sua noiva.
— Ouça, Ken! Vê isso?
Ken acompanhou o dedo trêmulo de Tina. Uma nuvem
branca de explosão subia da base do pátio. Parecia que a
estação de geradores havia explodido.
— O olho eletrônico que vigiava os campos acabou de ir
pelos ares!
— E daí? — desabafou Tina.
— É o nosso bilhete para a liberdade! Não há como
detectar nossa fuga. Eles estarão ocupados demais
limpando a bagunça para dar falta de nós.
Ken segurava firme a mão dela enquanto os dois
desapareciam no meio da escuridão da noite.
Daniel e Timothy, que estavam amontoados debaixo de
um arbusto perto da explosão, viram os dois fugindo para
o oeste.
— Genial! — parabenizou Daniel. Timothy curvou-se.
— Eu não disse que aqueles demônios tinham cérebro de
macaco?! — tripudiou o anjo mais sábio.
— O estúpido pensou que eu estava entregando minha
arma e me rendendo. Assim que entreguei o dinamitador
de átomo para ele, eu o agarrei e o lancei no gerador!
— Bum! — gritou Daniel, satisfeito.
— Isso mesmo! Bum! — riu Timothy.
Os anjos deram um "viva" enquanto observavam Tina
Marie e Ken abraçados na ladeira de uma montanha,
longe dos olhos do inimigo.

Dominic estava exausto quando caiu na cama do hotel.
Queria hibernar por, pelo menos, 24 horas, e resolveu
ligar a televisão. Assim que apertou o botão do controle
remoto, o aparelho de alta definição fez surgir na tela, no
mesmo instante, uma imagem que fez a televisão dos
velhos tempos parecer antiquada. A primeira imagem era
de um peixe flutuando pelas águas da grande barragem.
Era uma estação de satélite que transmitia ao vivo imagens
subaquáticas.
— Próximo — ordenou Dominic.
O aparelho obedecia alternando os canais. Esta estação, o
Canal 126, era um tipo diferente de canal de informações
meteorológicas. Ele transmitia ao vivo e registrava, sem
interrupção, segmentos de intensas condições
meteorológicas, desde furacões, tufões e tornados a
temporais nas regiões árticas em setenta graus abaixo de
zero. Uma equipe de 24 meteorologistas perseguiam estas
tempestades, ao vivo. Dominic bocejava enquanto
continuava a busca.
— Canal 167 — ordenou o Falso Profeta.
A tela da televisão alternava-se entre uma estação e outra.
Lá estava Immanuel sentado no topo de uma montanha,
dirigindo-se ao seu público em escala mundial. Ele vestia
uma camisa esporte branca e calças caqui sem nenhuma
ruga.
— Eu me dirijo a vocês hoje porque nosso mundo ainda
não alcançou a perfeita paz. Meu sonho é o seu sonho, ou
seja, fazer de cada homem, mulher e criança um membro
próspero e satisfeito da Federação Mundial.
Seu carisma era contagiante; sua personalidade, a de
sempre. — Existem forças obscuras em ação no nosso
mundo que querem destruir sua Federação Mundial!
Muitos de vocês estão curiosos por saber por que esses
desumanos querem ver nossos planos para alcançar a paz
arruinados. A resposta é simples, mas difícil de aceitar.
Eles adoram um deus de guerra, um deus que quer guerra,
fome, sofrimento e divisão. Creio que os escritores
religiosos do nosso passado chamaram este deus de
Satanás, ou o mestre de todas as mentiras!
O Anticristo fez uma pausa para receber outra revelação
de Blasfêmia, que estava ditando com alegria o discurso de
seu assento, perto de Immanuel.
— Algumas nações, que crêem nessas mentiras,
romperam relações com nossa Federação e estão no
processo de destruir grande parte do Oriente Médio. Não
censurem as pessoas desses países pelos atos covardes de
seus líderes autoproclamados. Isso seria um erro. São estes
líderes que querem voltar à antiga ordem. Eles querem
um mundo que vá para a cama à noite ansioso por saber se
acordará na manhã seguinte. Eles querem ser adorados, e
usam a fragilidade de seu povo como um chicote para
oprimido. Quero que vocês saibam que darei um basta
nisto! Enviei um enorme contingente de tropas da
Federação Mundial para impedir esta rebelião. Peço que
vocês confiem em mim!
Blasfêmia parou de ditar o discurso, o que fez com que
Immanuel ficasse paralisado. Apenas o olhar mais
observador percebeu seu truque. Immanuel improvisou o
resto.
— Ordenei que o líder de sua Igreja da Terra, Dominic
Rosario, imprima uma nova Bíblia para todos os cidadãos
do mundo.
Dominic bateu com a mão fechada na parede.
— Seu mentiroso! — gritou Dominic. — Como se atreve a
roubar minha ideia e usá-la como se fosse sua?
— Hoje, estou enviando uma lei para o Congresso
Mundial que tornará ilegal qualquer literatura que faça as
pessoas sentirem ódio umas das outras. Na próxima
semana, cada cidadão receberá gratuitamente uma Bíblia
baseada na mais recente sabedoria humana e revelações
de deus. Pedimos que cada um de vocês reserve um
tempo para ler esta abordagem iluminada e de bom senso
sobre deus. Quero que vocês encontrem seu lugar na
Federação Mundial.
Immanuel parecia tão inocente quanto uma pomba.
— Daqui em diante, passaremos a conhecer um ao outro
em uma base mais íntima. Cada semana, informarei ao
mundo sobre nosso progresso para obter a paz. Até a
próxima semana, desejo que tenham saúde, riqueza e paz!
— Você vai me pagar! — gritou Dominic enquanto
esmurrava a parede.



Continua no volume 4: As Armas do Anticristo



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Paz e Luz!

Marceli
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As flores são o autógrafo que Deus coloca em sua Obra!


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