Nota ao Leitor
Nunca tive a intenção de passar para o papel a história que se segue. Recentemente, contudo, um inesperado conjunto de circunstâncias forçou-me a relembrar os episódios mais perturbadores da minha vida e das vidas das pessoas que mais amei. Esta é a história de como, aos dezesseis anos, parti em busca do meu pai e do seu passado, e de como ele próprio partiu em busca do seu amado mentor e da história desse mentor, e de como todos nós nos encontramos numa das mais sombrias encruzilhadas da história. É a história de quem sobreviveu a essa busca e de quem não sobreviveu, e porquê. Como historiadora que sou, aprendi que, na realidade, nem todos os que se voltam para a história do passado conseguem sobreviver-lhe. E não é só voltarmo-nos para trás que nos põe em perigo; às vezes, a própria história estende inexoravelmente para nós a sua garra tenebrosa, procurando alcançar-nos.
Nos trinta e seis anos que se seguiram à revelação desses acontecimentos, a minha vida decorreu de maneira relativamente tranqüila. Dediquei o meu tempo a trabalhos acadêmicos e a viagens de rotina, aos meus alunos e aos meus amigos, a escrever livros de natureza histórica e sobretudo impessoal, e aos assuntos da universidade na qual acabei por procurar abrigo. Ao fazer esta revisão do passado, foi uma sorte ter tido acesso à maioria dos documentos pessoais em questão, pois já estavam na minha posse há muitos anos. Quando julguei necessário, liguei-os para formar uma narrativa contínua, que de vez em quando tive de completar com as minhas próprias reminiscências. Embora tenha apresentado as primeiras histórias que o meu pai me contou da maneira como foram narradas de viva voz, também me apoiei profusamente nas suas cartas, algumas das quais repetiam essas narrativas orais.
Além de reproduzir essas fontes quase na totalidade, aventurei-me por todos os caminhos possíveis de recolha e pesquisa, revisitando por vezes um lugar para refrescar passagens mais adormecidas da minha memória. Um dos maiores prazeres deste empreendimento foram as entrevistas em alguns casos, a correspondência com os poucos estudiosos ainda vivos que estiveram envolvidos nos fatos aqui relatados. As suas memórias acrescentaram um 12 complemento inestimável às minhas outras fontes. O meu texto também beneficiou com as contribuições de jovens especialistas de diversas áreas.
Houve um recurso final de que lancei mão quando necessário a imaginação. Fi-lo com rigoroso cuidado, imaginando para o meu leitor apenas o que já sei ser muito provável e, assim mesmo, apenas quando uma especulação razoável ajudar a inserir esses documentos no seu devido contexto. Nas ocasiões em que não fui capaz de explicar acontecimentos ou motivos, deixei-os sem explicação, respeitando as suas realidades ocultas A história mais distante dentro desta história foi pesquisada com o mesmo cuidado que usaria para qualquer texto acadêmico. Ao leitor moderno, vão parecer dolorosamente familiares vislumbres de conflitos religiosos e territoriais entre um Oriente islâmico e um Ocidente judaico-cristão.
Ser-me-ia difícil agradecer de modo adequado a todos aqueles que me ajudaram neste projeto, mas gostaria de citar pelo menos alguns. A minha profunda gratidão aos que se seguem, entre muitos outros- doutor Radu Georgescu do Museu Arqueológico da Universidade de Bucareste, doutora Ivanka Lazarova da Academia Búlgara de Ciências, doutor Petar Stoichev da Universidade de Michigan, a incansável equipa da Biblioteca Britânica, os bibliotecários do Museu Literário e Biblioteca Rutherford de Filadélfia, o padre Vasil do Mosteiro Zographou no monte Athos e o doutor Turgut Bora da Universidade de Istambul.
A minha grande esperança ao tornar pública esta história é que seja possível encontrar pelo menos um leitor que a compreenda pelo que de fato é: um cri de coeur. A você, leitor capaz, confio a minha história.
Oxford, Inglaterra
15 de Janeiro, 2005
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M. Loureiro
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