terça-feira, 1 de setembro de 2015 By: Fred

{clube-do-e-livro} Livros em TXT - NO Calor da Cama - L.P. Baçan, - Os Dez Mandamentos - Mariângela Amorim etc

FAZ-SE A LUZ

Maria Dolores Figueras



ÍNDICE

Dedicatória.......................................................1
Raízes ...............................................................4
Infância ............................................................6
Temores ............................................................9
A Filosofia de luís...............................................10
Perguntas sem Respostas .................................13
Rebeldia ............................................................15
Liberação...........................................................17
Questionamentos...............................................19
A Hora do Encontro............................................21
Reflexões...........................................................23
Perplexidade......................................................25
Mestres..............................................................27
Pablo de Tarso...................................................29
Testemunhas de Jeová.......................................31
A Grande Alternativa.........................................34
A Humanidade e seus Deuses...........................37
Memórias de Dora..............................................40
Final do Trajeto.................................................48
A Caminhada Iluminada.....................................52




DEDICATÓRIA


Esta pequena obra é dedicada as minhas dívidas e a toda minha grande família espiritual, que fui encontrando ao
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longo desta existência; um número importante de pessoas que falam a mesma linguagem, compartilhando aspirações
análogas, estudando e analisando, à luz do Espiritismo, porque nascemos, morremos e renascemos.
Como Irmãos de Alma, no momento de terminar este trabalho, sinto-me feliz por tê-los ao meu lado e saber que, mesmo
sem medir palavras, nossos espíritos estavam no mais cordial diálogo sobre as eternas verdades que tanto amamos. Um
por um, seus rostos e nomes vão aparecendo diante de mim. A ninguém esqueço e desejo que saibam que me sinto muito
próxima de suas presenças. E por ter experimentado fatos e aceito a essência dos meus mais caros desejos, auxiliando
o direito legítimo de conhecer profundamente os anseios que movimentam e alimentam meu espírito.
Conseqüentemente é desolador sentir-se órfão, indefeso, e sem poder esperar que um Amor Paterno, nos proteja e nos
aninhe em seus braços, transmitindo-nos o calor da autêntica Vida. Não questionamos a existência de Deus. Sabemos
que temos um Pai, que nossa estirpe é divina e logicamente somos possuidores da Vida indestrutível. Esta condição, no
entanto, não é de conhecimento de todos os seres humanos. É necessário perguntar o motivo de tão freqüente
desconhecimento e questionar a causa que provoca incredulidade, indiferença, ateísmo, ou em uma palavra, o frio da
alma. Muitas vezes, a maioria das pessoas está tão atarefada que nem sequer notam que lhes falta o calor da esperança.
Mas algumas se debatem entre a dúvida e o desejo que alguém ou algo dê respostas as suas perguntas.
A estas pessoas que buscam, que chamam por conhecimento, é preciso atendê-las a fim de que sua súplica não seja
inútil e que possam descobrir por si mesmas a grandeza das leis divinas.
Ao mesmo tempo é obrigação irrefutável, denunciar de onde germinam as sementes das confusões para que estas sejam
adequadamente tratadas.
É fácil deduzir que, praticamente, todos os indiferentes ao conteúdo espiritual procedam de ambientes religiosos.
Por que razão as religiões representam terreno fértil de onde proliferam os incrédulos e indiferentes,
particularmente entre as novas gerações?
A evidente distorção está no acúmulo de suas incoerentes aprendizagens colocando em evidência claras contradições
que deformam a verdadeira natureza de Deus. Insiste-se em manter vivo, atualmente, um Deus arcaico, antropomorfo,
criado a imagem e semelhança dos homens portanto atribuindo-lhe idênticas debilidades.
Se nos remetermos as origens do Gênesis Bíblico, para comprovar que Deus se arrependeu de ter criado o homem e que
tanto lhe decepcionou este infeliz mortal com suas desobediências que , quem sabe na tentativa de solucionar as
deficiências de sua obra, a este "Deus", desta maneira entre aspas, não lhe ocorreu maior solução do que enviar um
dilúvio para varrer da face da terra todo ser vivente. Notemos que tais fatos, por certo, pregariam a
incompatibilidade dos mesmos com todos os atributos, em grau infinito, inerentes ao Criador. É óbvio que a Infinita
Sabedoria, por exemplo, não pode sofrer lapsos e criar uma humanidade que desconhecia suas limitações.
Mil inquietantes perguntas nos ocorrem ao observar as diferentes situações com que homens e mulheres se
deparam no cotidiano. Cataclismas naturais, saúde, doenças, riqueza, miséria, inteligência, perturbações mentais e
até mesmo a morte de recém-nascidos, diante da longevidade nem sempre invejável dada à precária qualidade em que se
passa a vida destas pessoas. O sofrimento humano segue sendo uma incógnita para a maioria dos mortais.
É verdadeiramente grave ignorar que este imenso e aparente caos e desordem, de apressados contratempos, estão
regidos por uma lei natural justa e infalível. A lei de ação e reação. Reencarnar significa ter a oportunidade de
semear com inteira liberdade, para colher mais tarde, os frutos de nossos atos. Inflexivelmente a natureza de nossos
sentimentos e a forma de nos comportarmos criarão na medida precisa, o cenário idôneo onde se reunirão as condições
e através das quais poderemos adquirir o equilíbrio espiritual. Para evoluir teremos todo tempo que necessitarmos:
séculos, milênios, dependendo sempre do esforço com que nos dediquemos. Por mérito próprio, reencarnando uma e outra
vez, conquistaremos os ápices da paz.
Em uma simples fórmula, ignorada e destorcida em muitas ocasiões e ocultada deliberadamente em outras, por quem
tenta impedir o progresso moral da humanidade, impondo sua sede de poder ao bem comum. Cumpre-se assim a sábia
advertência de que se um cego guia outro cego, ambos caem no buraco.
Poe esta razão, o apressado desejo de meu espírito é de prosseguir no empenho de que a existência da lei das
conseqüências, seja conhecida pelo maior numero possível de pessoas. Nós seres humanos, todos, nascidos de um mesmo
Amor, somos herdeiros de um idêntico patrimônio e a nenhum de nós, na justiça, será negado crescer, evoluir
espiritualmente em sentimentos e sabedoria.
O conhecimento que nos aguarda depois da morte física e as conseqüências derivadas de nossos atos quando
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transitamos pela terra, é algo que nenhum ser deveria ignorar. Nós economizaríamos incontáveis sofrimentos, porque,
somos donos por inteiro de nossos destinos e poderíamos subir, assim, com maior diligência a escada do progresso.




RAÍZES


Dora às vezes, levantava a cabeça do seu trabalho para olhar através dos cristais do balcão para as pessoas que
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andavam pela praça. A maioria era da sua vizinhança. O tempo havia passado com extraordinária rapidez, mas ela podia
recordar-se, com grande clareza, destas pessoas a cinquenta anos atrás. Desde aquela época muitas coisas haviam
acontecido. Inês, a conformada Inês, graças as suas convicções religiosas, sendo católica fervorosa, foi capaz de
superar a morte primeiro de seus três filhos, e mais tarde de seu marido. Berta, ao contrário, estava em depressão
profunda, sem motivos aparentes. A família Garcia durante o período de pós-guerra civil Espanhola havia se
"encumbrado" economicamente, mas o primogênito acabou por dilapidar o patrimônio em maus negócios mercantis, drogas
jogos. E ali passava Maria, quase que arrastando o filho, um homem de 40 anos que, devido as suas deficiências, não
podia articular uma só palavra...
Parecidas situações, com muita freqüência podem ser vistas em todos lugares e, incitam a questionar a razão do
sofrimento humano. Dora, guardou o trabalho e pegou de uma estante um volumoso álbum de fotografias.
Na primeira página se encontrava a fotografia de uma mulher de mais de noventa anos. Dora sorriu ao contemplar o
rosto enrugado e sério de sua bisavó. Conhecia dela o suficiente para entender suas reações e sua postura. Ela foi
mãe de nove filhos, seis dos quais morreram nos primeiros anos de vida. Escutava dos lábios do padre, que aqueles
filhos eram flores tão delicadas, "que Deus os queria para si", a mulher enrugava o cenho e sentia que uma dor
profunda lhe atormentava, sem entender os "cruéis caprichos" de Deus. E que acometiam seus filhos! Por que eles lhe
eram enviados para depois serem resgatados? A gota d´água de sua paciência chegou ao ápice quando nasceu Benjamim e
seu marido estava doente e acamado. Uma manhã ao ir amamentar seu rosado bebê, o encontrou morto. Ela queria
enlouquecer e o padre não a consolava em absoluto, muito pelo contrário, a responsabilizou pelo filho não ir direto
ao limbo, uma vez que não o batizara em seu devido tempo.
A mãe pousou seus olhos chorosos na volumosa barriga do padre e lhe disse que ele assim a tinha, graças às
comilanças que haviam feito gulosamente nos batizados e enterros dos seus filhos. O Limbo! Mas que crença tinha ele?
Quem era para mandar para ali seu filhinho? O filho devia estar junto a seus irmãos, no céu.
A bisavó de Dora nunca mais voltou a por os pés numa igreja. Exigindo que seus filhos lhe dessem a palavra de que
não chamariam a nenhum padre para seu enterro. Seu desejo foi cumprido, a velhinha Antônia, faleceu no final de 1937
em plena guerra civil espanhola. A família vivia na Catalunha.




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INFÂNCIA


Dora relembrou, com a ajuda de sua fiel memória, aos "aciagos" dias de sua infância. Havia chegado a este mundo num
dia quente de julho de 1932. Dois anos mais tarde morria, vitima de tuberculose, Antônio seu tio paterno, de 24 anos,
a quem ela acreditava recordar, talvez, graças a uma grande fotografia posta em uma parede da sala de jantar no lugar
de seus avós José e Emilia.
Dora sentia que lhe invadia uma profunda tristeza, uma forte angústia, uma estranha escuridão que envolvia tudo. Sua
mãe, doente e acamada, seu pai envolvido no exército republicano. Os adultos contanto mil tragédias e deflagrando a
falta de alimentos. A proibição de ter as luzes acesas e as janelas abertas, diante de um possível ataque aéreo, as
aterrorizantes sirenes avisando para as pessoas estarem a salvo nos abrigos mais próximos... Desolação, confusão,
impotência... E foi assim um dia após o outro.
O estado de saúde de sua mãe piorou. O avô José, seu sogro, a levou para um hospital de Barcelona com a esperança de
que pudessem curá-la. Passados, alguns meses os médicos disseram que a tuberculose que lhe acometeu estava bastante
avançada e era irreversível. Não podiam seguir atendendo-a, pois muitos enfermos, talvez com maiores possibilidades
de cura, estavam aguardando para dar baixa.
O avô foi buscá-la mas ela lhe disse que não poderia voltar para casa e correr o risco de contaminar a sua filhinha
com esta cruel enfermidade. não, de modo algum! Dora tinha que viver! A enferma de 25 anos, se refugiou na casa de
seu pai, o avô João e sua terceira esposa, Carmem. Eles cuidaram dela da melhor maneira que podiam, mas em 12 de
fevereiro de 1938, a mãe de Dora deixou este mundo.
A pequena ficou aos cuidados de seus avós paternos e da sua tia Montse, uma risonha jovem de 20 anos. Eles lhe
disseram que sua mãezinha havia ido para o céu, mas Dora com pouco mais de cinco anos, não entendia que estranho
lugar era este. Cada vez que alguém chamava a porta ela corria para ver se era sua mãe voltando do céu ou da cidade
de onde viviam os avós João e Carmem. O que era estar morto?
Recém terminada a guerra, Dora freqüentou um colégio de freiras, as quais não vestiam o clássico hábito. Uma tarde,
a freira, contou para as suas alunas que "todas as pessoas que haviam morrido durante a guerra, como não existiam
sacerdotes para dar-lhes os sacramentos de penitência e eucaristia, estavam condenados ao inferno". Ao escutar tais
asseverações, as bochechas de Dora tornaram-se vermelhas e seu coração bateu mais apressado. Recordou-se de sua mãe,
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de sua querida e adorada mãe. A freira, chegou ao cúmulo de acrescentar todo tipo de absurdos "As pessoas no inferno
queimam continuamente, padecem de muita sede e não podem beber água..." "Quando Deus está de costas, pensou a menina
com rapidez, darei de beber a minha mãezinha".
Mesmo tendo tomado esta decisão , Dora não conseguiu se tranqüilizar. As desafortunadas palavras da freira
martelavam em sua cabecinha. Durante a noite em sua cama , não parava de pensar em sua mãe, no fogo do inferno, na
sede e em Deus que poderia lhe descobrir estando de costas! O medo e a impotência lhe fizeram chorar desesperadamente.
Tia Montse lhe encheu de beijos, secando suas lágrimas e lhe assegurou que nada do que havia dito a freira era certo.
"Nada, Dora, é verdade! Sua mãe esta no céu e de lá a olha e protege. Sua mãe era muito boa e Deus a ama. Sabes,
minha pequena, Deus nos ama a todos."
A Dora, lhe fascinava a História Sagrada e colecionava figuras de santos. Quando se preparou para a primeira
Comunhão decorou a catequese do início ao fim. Todo mundo lhe assegurava que aquele seria o dia mais feliz de sua
vida, de modo que ela esperava algo muito especial, uma vez que iria receber a "Deus." Importunamente o sacerdote em
seu púlpito, repetiu que "hoje era o dia mais feliz de suas vidas, ao lado de seus pais". Dora engoliu em seco, a sua
direita estavam a avó Emilia e o avô José e a sua esquerda tia Montse e seu prometido. As duas mulheres secaram suas
lágrimas. O pai da menina, por ser um soldado do exército "vermelho", estava em um campo de concentração na França. A
família estava à espera, de que, de um dia para outro ele voltaria. Não pesavam cargos políticos sobre ele, mas a
dura ditadura fascista aconselhava prudência.
Finalmente no final de agosto de 1941, o viúvo pode voltar a sua terra e abraçar a sua filha a quem não via a
mais ou menos três anos. Chegou bem a tempo de assistir ao casamento de sua irmã Montse que foi celebrado em setembro.
Um dia, tia Montse, sorridente, radiante disse a Dora que tinha um segredo e sussurrou umas palavras mágicas
em seus ouvidos. "Vais ganhar um priminho. Um bebê pequeno e que desejo que segures em teus braços". Ela não podia
acreditar e quis saber quanto tempo levaria. Faltavam sete meses, mas começaram a mexer em uma grande caixa que
tinha roupinhas de quando Dora havia nascido. Estavam em muito bom estado e seu estado econômico não permitiria gasto
algum.
Ao terminar a escola em 1942, o pai de Dora lhe disse que aquele verão ela passaria em companhia de seus avós
João e esposa e prometeu que em agosto iria lhe buscar para assistir ao batizado do filho de tia Montse. Somente 30
quilômetros de sinuosa estrada separavam as duas cidades. A Dora lhe encantou esta idéia. O avô João era um homem
otimista, jovial e sabia um monte de truques e adivinhações. Mostrava o dorso firme de sua mão direita a sua neta e
muito sério lhe perguntava o que era aquilo. Era a mão do avô. "Não que nada, dizia ele! É a mão de um padre morto,
porque se estivesse vivo lhe pediria de volta."
No meio do mês de agosto o pai de Dora veio vê-la. Não lhe trazia boas noticias. Tia Montse tinha dado a luz a
um menino, a quem chamaram de Antônio em homenagem ao seu jovem tio, mas devido a grandes dificuldades no parto, o
bebê morreu em dois dias. Dora sentiu muita pena pela perda do priminho. Sua tia o esperava com tanta alegria! E da
morte agora ela sabia, ninguém havia regressado.
Tia Montse não estava bem de saúde, estava a tossir e o mais prudente era que ela e sua sobrinha não
convivessem juntas. O avô João e Carmem, encantados, se ofereceram para cuidar da neta. Perto de sua casa havia um
colégio de freiras Carmelitas, ao qual Dora foi durante alguns meses., até que seu pai decidiu interná-la com o
objetivo dela receber uma educação mais "refinada". Na realidade o verdadeiro motivo era as desavenças que sempre
aconteciam entre ele e seu sogro. Eram duas pessoas totalmente diferentes e Dora entristeceu-se porque lhes queria
muito bem, além da angústia da sua separação com seu avô e Carmem, duas pessoas que a cobriam de atenção e carinhos.




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TEMORES


A vida de Dora mudou completamente no internato. Novamente a idéia de Deus, a imortalidade e o céu fizeram "presa"
de sua alma. Para ela parecia muito difícil não pecar nem em pensamento, e lhe aterrorizava a possibilidade de cair
no inferno. As freiras lembravam-nas com freqüência quão trabalhosa era para salvar a alma e o seu diretor espiritual
confirmava estas aprendizagens. De modo que, as palavras de tia Montse sobre o inferno, perdiam forças mediante as
repetidas e insistentes cenas que as freiras contavam as suas alunas, de pessoas que apareciam nos confessionários,
onde brotavam sapos e cobras de suas bocas e dizendo que gemiam no inferno por não haver confessado um pecado mortal.
Um pecado mortal era faltar à missa em um domingo. Dora estava aterrorizada e suspirava por morrer depois de
confessar e comungar para desta maneira conseguir a glória eterna. Ela estava obcecada com a idéia e adotou o papel
de anjo salvador para sua querida família. Durante as férias recomendava, com insistência, aos seus, que não
deixassem de ir a missa dominical. Seu avô João ria dizendo-lhe: "Não se preocupe , Dora, tudo isso não são mais do
que contos" chinos ". Este é o" modus vivendi "do clero". Carmem, prevendo, falava sempre: "Mas tu, pequena, disto
que te disse teu avô "mutis". Nem meia palavra , pois estas pessoas são muito ruins..." E começava a contar mil e uma
histórias sobre a Inquisição.
Dora, às vezes, pecava em pensamento. Reconhecia que tinha muitos defeitos, e o maior de todos a inveja. Invejava,
sem ninguém saber até que ponto, as demais meninas pois elas tinham mãe, e sempre acabava por pensar: "Se Deus é tão
bom, por que levou minha mãe?" Depois entrava na capela da escola e pedia perdão por sua rebeldia.
Em junho de 1944, tia Montse cada vez mais debilitada e doente, teve que ser internada em um sanatório para
tuberculosos e Dora voltou para casa abandonando o internato definitivamente.




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A FILOSOFIA DE LUIS


Freqüentemente, a avó Emilia, convidava a Luis, um novo vizinho, para uma limonada. O homem vivia sozinho, pois
durante a guerra tinha perdido sua família. O regime fascista lhe manteve encarcerado mais de quatro anos, devido as
suas idéias liberais. Defendia o direito de livre expressão e a prática dos próprios ideais. Estava em desacordo com
a Igreja em numerosos pontos.
"A qualidade de uma instituição se pode medir por seus postulados e seus atos. Se ambos estão distantes e não são
complementares, temos que desconfiar dela. Temos que separar o joio do trigo. Péssimos exemplos dão os padres nos
dias da Semana Santa, consentindo que as crianças vão a "matar judeus" providos de matracas e marretas, dentro da
casa de Deus. Ruim aprendizagem esta de alimentar o ódio fazendo uma nivelação e acusando de "baixa", uma vez que não
tinha culpa por Jesus ter nascido em Belém e a casta sacerdotal instigou sua crucificação, porque via cambalear seu
poder e interesses".
Luis calava, escutando os favoráveis comentários do avô José, sorrindo ao observar a atenção com que Dora
acompanhava a conversação, e continuava "O poder e o dinheiro está presente em todos os serviços do seu ministério.
Se já é difícil cumprir os 10 mandamentos, o clero nos tem sobrecarregado com mais cinco, os das igrejas. No momento
que nasce uma criatura, agora por decreto de lei, devemos batizá-la e automaticamente a convertem em algo seu, não a
soltando até sua morte. Eles se caracterizam imprescindíveis para manobrar todos os atos de nossas vidas. Penetram
nos mais profundo das consciências e através da confissão, aterrorizam com as ameaças de penas eternas do inferno e
vendem "pedaços do céu" a bom preço, a qualquer incauto que caia em suas redes. Queres comer carne sem pecar? Pagando
uma taxa, fica fácil. Utilizam o dinheiro como uma concessão."
"O povo simples, sofre pelas recordações terríveis da inquisição, vivendo envolto entre tradições e superstições.
Não vistes a reação de Matias diante da enfermidade de sua filha? Ele que diz não crer em Deus, prometeu subir até o
santuário para levar à Virgem uma vela mais alta que a filha, se esta curasse. Matias colocou também esta condição,
se a filha não fosse curada, não haverá vela. A isto eu chamo de truque de chantagem, mas parece que para o clero,
uma vez que permitem, estas oferendas são mostras de fervor religioso".
Passados alguns anos, a filha de Matias, por vocação entrou em um convento até professar os votos perpétuos, um
vizinho fanfarrão, comentou: "Quantas surpresas a vida no guarda! A filha de Matias casou-se com Deus, convertendo a
seu pai, um ateu convicto, em sogro de quem ele disse que não existia".
E Luis completava:
"Se não me esqueço dentro da Igreja, surgiram grandes figuras, seres altruístas que movidos por amor ao próximo,
levaram à prática os ensinamentos de Cristo. É uma exemplar conduta, sem dúvida alguma, mas estas pessoas se
limitaram a cumprir o seu dever. Não achamos natural que uma mãe amamente e cuide de seus filhos? O contrário, que
lhes abandone e maltrate, nos parece desumano e é lógico que reprovamos. Com a política e a religião devemos proceder
da mesma maneira. O que é provadamente razoável, é bom aceitá-lo, mas o que oferece dúvidas por ser confuso e
contraditório, faz-se necessário trazer a luz para que se corrija quem tenha que corrigir. A humanidade, a história
nos mostra, tem progredido graças ao se rebelar contra toda tirania, denunciando injustiças e tentando libertar-se
de jogos humilhantes."
As palavras de Luis tinham a virtude de trazer a Dora ao seu íntimo reparando situações e detalhes que talvez
houvessem passado desapercebidos.
As freiras tinham, por caridade, algumas meninas exiladas, na sua maioria órfãs. As maiores, entre onze e quinze
anos, eram as que faziam os trabalhos mais pesados do convento. Limpavam todas as dependências, lavavam a mão
verdadeiras montanhas de roupas, costuravam, passavam, preparavam a comida e a serviam em todos os refeitórios das
freiras e das internas. Estas meninas comiam em um refeitório separado. Em época de vagens, cozinhavam as cascas
vazias para elas e para o resto da comunidade e internas os grãos. Raras vezes eram vistas nas classes. Usavam
uniformes de distinto modelo e cor, de modo que quando saiam a passear aos domingos à tarde, em fila dupla, os que
passavam sabiam que se tratavam das meninas "pobres" do convento das carmelitas.
Durante a guerra os inconformados haviam queimado a Igreja do convento. Entretanto se utilizava uma capela
interior para os serviços das missas. Em junho do ano de 1943, celebrou-se uma grande festa abençoando uma imagem do
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Sagrado Coração em tamanho natural, destinada a permanecer no maior altar, no dia em que a Igreja estivesse
reconstruída. Naquela mesma noite choveu cântaros. As meninas órfãs, aquelas que as freiras deram abrigo por
caridade, viviam em uma ala do edifício, longe das pensionistas. Dormiam numa grande sala, sem camas, no chão, sobre
montes de palhas. O telhado estava em mau estado e não conseguiu conter a forte chuvarada. As meninas viram a água,
sem poder remediar, inundando seu dormitório, molhando seus corpos e todos seus poucos pertences.
Cada vez que Dora recordava, sentia um frio a invadir-lhe interiormente, esta passagem lhe serviu, quatro anos
mais tarde, para perguntar a um frei, amigo da família, o qual não compreendia o distanciamento da Igreja: "Frente a
este sucesso, quem pode pensar na caridade cristã? O que era mais importante, consertar o telhado ou venerar a uma
imagem de Jesus?"




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PERGUNTAS SEM RESPOSTAS


Em abril de 1946, o pai de Dora casou-se novamente. A Dora, uma mulher ocupando o espaço de sua mãe não lhe
entusiasmou, mas entendeu que ao seu pai cabia total direito de refazer sua vida e, mostrou-se compreensiva em todos
os momentos. O poder aquisitivo do casal era quase inexistente e o novo matrimônio não teve outra alternativa do que
se instalar no lugar dos avós José e Emilia, junto com o marido de Montse. Para Dora aquela solução pareceu
maravilhosa, pois estaria junto das pessoas que mais amava.
Ao final de Maio a família recebeu uma carta com termos, desgraçadamente reiterativos. "Descrevendo que o caso de
enfermidade de Montse era incurável e devido ao tempo transcorrido no sanatório, era de sua obrigação informar que a
família tinha o prazo de uma semana para buscá-la". A lista de outros pacientes para ingressar era enorme. Diante de
uma realidade tão amarga, uma preocupante incógnita se acumulava. Qual outra vítima, a tuberculose faria? A família
de Dora, pensando nela, sentiu que uma forte ansiedade lhe oprimia. A própria Montse, ao regressar para casa, foi a
primeira a pedir a seu irmão que levasse para longe a menina, pois ela queria bem demais a sua sobrinha.
Frente a esta conflitante situação o pai de Dora buscou uma alternativa. Não foi fácil, mas em primeiro de
setembro, ele e sua vistosa esposa e filha mudaram-se provisoriamente para Barcelona. No momento da despedida apesar
de todas as advertências da avó Emilia, Dora e Montse abraçaram-se fortemente, pela última vez. O pai de Dora as
separou, prometendo a Montse que no Natal viriam todos visitá-la. Contudo, quando se aproximaram aquelas datas Montse
liberou o irmão de sua promessa, dizendo-lhe que se sentia muito mal e que não demoraria muito para voltar ao mundo
espiritual. Ela o sabia pois muito freqüentemente Antonio, o irmão delas, Cecília a mãe de Dora e ela, ficavam
radiantes ao estarem em seu leito. Montse desejou para a sobrinha toda a felicidade do mundo e uma longa e venturosa
vida.
No dia 19 de fevereiro de 1947, tendo recém completado 31 anos, os olhos de Montse se fecharam, após aquela longa e
penosa doença. Dora, uma vez mais chorando desoladamente, perguntou: "Deus, meu Deus, por que?"
Passadas três semanas regressaram ao local dos avós José e Emilia. A Dora, lhe parecia estar vivendo um pesadelo.
Correu por toda casa para ter certeza de que ela não estava mais ali. E de fato encontrou a casa vazia, as paredes
recém pintadas, a varanda continuava de portas abertas de par em par e os móveis, por ordem da avó, haviam sido
queimados. Montse havia partido para não mais regressar.
Dora se perguntava se era possível viver sem o temor da monstruosidade da guerra, as longas e cruéis enfermidades, e
a aterradora morte chamando implacável a sua família. Em silêncio, agitando seu espírito de rebeldia, levantava, uma
e outra vez, os seus chorosos olhos, contemplando o espaço infinito e imperiosamente reclamava por uma resposta. "Por
que tanto sofrimento? Porque existem os órfãos, os cegos, os pobres e os poderosos? Onde está a justiça divina?"




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REBELDIA


O frei que visitava com freqüência a Montse nos últimos meses de sua enfermidade, expressou o desejo de
conhecer Dora. Sua tia, que a adorava e se desmanchava em elogios sobre a sobrinha: que era carinhosa, obediente,
submissa e inteligente, um encanto de criatura. O frei capuchinho encontrou-se frente a frente com uma menina ferida,
profundamente em seu íntimo, pela morte recente de sua tia e que não conseguia esquecer os demais dolorosos
acontecimentos que escureceram sua infância. Guerra, fome, doenças, mortes... Não, os olhos de Dora, não eram olhos
de uma adolescente que os abre para a vida em uma busca ávida, cheia de ilusões, um caminho que a levasse a saborear
delícias sem fim. Ela necessitava conhecer a razão do infortúnio humano.
O frei, suavemente, tentava dar respostas para as indiscretas mas sensatas perguntas de Dora, recordando-lhe
sua condição cristã pelo sacramento do batizado, coisa que ao mesmo tempo não lhe dava o direito a dúvidar da bondade
de Deus, muito menos ainda pedir-lhe contas de seus atos. Devia acatar sua vontade, ainda que esta quase sempre
constitua um grande mistério para toda a humanidade. Os argumentos do capuchinho não convenciam a Dora. Tinha a
impressão que o voto de obediência limitava sua liberdade de raciocínio, uma vez que não desfrutava de devida
autorização para sustentar um diálogo aberto. Não existia forma humana de questionar as bases da fé. O imutável muro
do dogma e o mistério estavam ali e a Igreja não permitia que alguém tivesse a ousadia esclarecê-lo.
Um domingo de manhã Dora permaneceu em sua cama e levantou-se tarde, por mais que a avó insistisse em chamá-la.
Ela tomou seu café da manhã, uma caneca de chocolate com biscoitos e colocou-se a ler. Não assistiu a missa dominical.
Na medida que as horas iam passando comprovava que sentia uma estranha paz interior, era como se correntes deixassem
de aprisioná-la e podia movimentar-se com inteira liberdade. Sorriu ao pensar que algo parecido devia ter sentido sua
bisavó Antonia quando decidiu que não iria voltar a pisar em uma Igreja.
Estanhando a mudança de comportamento de Dora, a avó quis saber o que se passava. A boa mulher descobriu uma
faceta insuspeita no caráter de sua neta. Era determinada em suas convicções. Sem titubear contestou: "Já não creio
na Igreja, porque prega o que não crê e deixa de fazer o que deveria de fazer, depois de ter feito muitas perguntas e
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em nenhum momento me respondeu com lógica. Cheguei a conclusão de que, ou mente ou ignora ou as duas coisas, o que é
tão grave que não merecem confiança. Eu não estou disposta a aceitar o que não entendo e não acho justo."
Dora tentou desenterrar de sua mente a idéia de Deus, um ser incapaz de compreender. Mas só conseguiu sentir-se
pior, desamparada por completo, abandonada a mais angustiante orfandade. Por outro lado seu espírito necessitava crer
na Vida, porque era a única forma que conhecia para vencer a morte. Ela iria meditar e por em ordem toda aquela
mistura de necessidades anímicas, aprendizagens religiosas ricas em contradições e supersticiosas tradições que de
forma bem abundante encontrava a sua volta.
Luís intuindo a crise espiritual que atravessava sua vizinha, lhe aconselhou: "Sempre que nos vemos obrigados a
colocar de lado um móvel que está carcomido e irreversível, antes devemos procurar substituí-lo por outro mais útil e
são."




LIBERAÇÃO


Desde pequena, Dora sentia debilidade de subir ao sótão e saber quando voltaria a estar com os demais. Havia uma
cadeira de balanço, duas lâmpadas, caixas contendo os mais diversos objetos e sobretudo, livros. Naquele dia chamou a
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atenção de Dora um livro velho e empoeirado. Estava escondido no fundo de uma caixa de madeira, a mais de dez anos
desde o começo da guerra civil. Tinha como título "Memórias do Padre Germán" e era uma obra genuinamente
espiritualista. Depois de folheá-lo, avidamente interessada, se dirigiu ao seu quarto e começou sua leitura. Na
medida que ia avançando, sentia que uma ordem interna a invadia, uma luz emergia em seu espírito iluminando-o por
completo. Desaparecia a escuridão, as dúvidas, a rebeldia... Dora descobriu que existem leis naturais e divinas. As
de Evolução de Causa e Efeito, que se cumprem mediante a reencarnação, reafirmando que a aparente desordem que
envolve os seres humanos é o cumprimento da justiça inerente as leis evolutivas, nas quais está imersa a humanidade.
As páginas do livro continham uma autêntica revelação. Falavam, várias vezes na inegável existência de um Deus com
todos os atributos em grau infinito: Amor, Bondade, Justiça... Do Pai da Vida, de quem todos os seres, igualmente,
haviam recebido a mesma herança. Criados simples e ignorantes, mas com a semente, em potencial, para poder
desenvolver até o infinito, a inteligência, os sentimentos e as virtudes, seguindo a responsabilidade que nos confere
o livre arbítrio. O tempo, indefinido, converte-se em grande aliado e existência após existência ensaiamos os
primeiros passos, lastimando-nos profundamente as quedas e aprendendo com os erros. Aceitando situações difíceis e
angustiantes que nos proporcionam, sem dúvidas, o poder de reparar aos graves equívocos cometidos. Mesmo os mais
horríveis crimes, filhos da crueldade e ignorância humana, não se tornam credores de uma sanção eterna. A moeda de
trocas para o resgate de uma dívida contraída é a prática do Bem e do Amor pelo próximo, o grande trabalho que requer
o progresso do espírito.
A avó Emilia recomendou a Dora que voltasse a colocar o livro no local onde este estava, sem comentar com ninguém.
Mas este avanço espiritual criou tal dimensão na jovem que não lhe era possível esquecer nem escondê-lo. Com tanta
convicção crescia em seu espírito uma segurança na imortalidade, que transcendia nas mais simples conversações.
Conversou muitas vezes com o amigo frei, sem utilizar os argumentos de rebeldia que antes lhe acometiam. Agora
estava amparada com pensamentos que podiam resistir as análises e a crítica. O frei e Dora falavam diferentes
linguagens. O primeiro defendia que tudo girava em torno da vontade de Deus, a quem ninguém tem o direito de cobrar
seus atos por mais irracionais que pareçam. Sua forma de agir é um mistério, mas devemos aceitar, dizia o homem
indefeso.
Ela lhe olhava sorrindo condescendente, como se tratasse de uma criança, e respondia: "Não podemos saber o que é
Deus, mas sim podemos saber o que não o é. Não é injusto, não é colérico, nem vingativo, porque estes defeitos são
próprios da imperfeição humana. E deduzindo que o Criador deve ter todos os atributos em grau infinito, não cabem
aqui nem privilégios, nem se equivocar. A infinita justiça, nega a mais remota possibilidade de castigo eterno".




13
QUESTIONAMENTOS


Dora tinha a grata sensação que o credo que por muito tempo lhe havia confundido e assustado fazia a sua esperança
não terem nenhum valor. Com insistência exigiu de seus avós a confirmação de alguns acontecimentos mediúnicos
acontecidos no seio familiar, pois anteriormente ao escutar seu relato, não os havia prestado a devida atenção.
Em 1928 seu tio Antônio, que na época estava com dezessete anos, um dia abandonou o lugar paterno, sem avisar e sem
deixar sinais. Seus pais, como é de se esperar, inquietaram-se exacerbadamente. O jovem não aparecia e alguém lhes
comentou sobre uma conhecida médium que morava em Barcelona. Em estado de transe a médium (uma bondosa senhora q
não desejava remuneração) revelou o local exato onde vivia o jovem, nome da rua e número, completando que trabalhava
de pedreiro na construção de pavilhões que abrigariam a Exposição Universal de Barcelona.
Buscar uma pessoa de paradeiro desconhecido em uma grande cidade equivale a encontrar uma agulha num palheiro, mas
nesta situação, assistido pelo fenômeno mediúnico, resultou ser como um jogo infantil. A família recordava-se sempre
deste fato como algo extraordinário. Ao jovem Antônio lhe assombrou grandemente que o haviam encontrado e mais ainda
quando ele soube que sabiam de seu esconderijo, uma vez que não contara a ninguém. A aventura do adolescente terminou
ali e confessou que no fundo se sentia envergonhado e não se atrevia a voltar para sua casa paterna e aos irmãos pois
se considerava muito inferior.
A capacidade de vidência de tia Montse desde sua mais tenra idade, era outro caso a levar em consideração. A menina
passava longos tempos a brincar com suas bonecas, no balcão de seu quarto. Do outro lado da estreita rua se podia ver
o pátio de um casarão vazio. Ela tinha pouco mais de quatro anos quando começou a explicar para sua mãe que os
velhinhos do pátio abandonado em frente saiam para tomar sol, sentando-se em um rústico banco. A mãe lhe olhava
estranhamente o pátio abandonado, mas Montse confirmava todos os dias a existência do velho casal, descrevendo-lhes
com todo tipo de detalhes, de roupas, gorro e alpargatas do avô e a manta negra cobrindo a cabeça amarrada embaixo do
queixo da mulher.
José e Emilia consultaram um centro Espírita, para saber o que acontecia com sua filha. Feitas as devidas indagações
comprovaram que o vizinho casarão fora habitado por um casal que falecera anos atrás, antes do nascimento de Montse.
Evocados estes seres pelo grupo espírita, lhes ajudaram a reconhecer seu estado espiritual, invocando-lhes a escutar
primeiro aos seus guias a abandonar o plano físico. A pequena não voltou a ver aos velhinhos, queixando-se às vezes
de sua ausência. Mas jamais esqueceu esta experiência.
Em 25 de outubro de 1934, Dora e sua mãe pararam uns dias no local onde viviam os tios de sua mãe. Seu estado de
saúde bastante precário, assim o requeria. Aquela noite ela sentia dificuldade de dormir, sentia-se inquieta. Sua
filha dormia placidamente em sua cama. De um momento para outro o quarto se iluminou e a figura do jovem Antônio
apareceu, nítida, diante de sua cunhada: "Não se assuste Cecília, sou eu, que venho despedir-me, mas tu e eu não
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tardaremos a nos reencontrar". A jovem viu como o irmão de seu marido se aproximava sorridente e dava-lhe um beijo em
sua testa.
Depois disso o quarto voltou a ficar escuro e a mãe de Dora surpreendida ao extremo pelo extraordinário
acontecimento, acendeu a luz de mesinha e olhou as horas. Eram duas horas da madrugada, sua filha seguia dormindo e
nada parecia perturbar o silêncio da noite.
No dia seguinte quando foram comunicar-lhe o falecimento do jovem, Cecília disse que sabia a mais de seis horas
que sabia do acontecimento.
Sempre que a família recordava deste episódio não deixavam de mencionar, tal como Antônio anunciara, que a mãe
de Dora não tardou mais do que três anos para desencarnar e voltar ao plano espiritual.




A HORA DO ENCONTRO


Na primavera de 1949, Dora conheceu a Josép, o homem de sua vida e este relevante acontecimento mudou,
fundamentalmente, a existência de ambos. O encontro, sem a menor dúvida, estava planificado desde que encarnaram. Um
profundo sentimento de amor aflorou com força e iniciaram uma longa trajetória, entrelaçando idéias e aspirações. Sem
discrepância, com irrefreável ímpeto lançaram-se ao estudo racional e avalizado posteriormente por comprovações,
sobre a supervivência do espírito depois da morte física. Não prevaleceu, neles, um outro objetivo maior e tal
dedicação prestavam firmeza e segurança as suas convicções.
O casamento deles, desenvolveu-se sempre sobre as sólidas bases de amor, sinceridade e respeito.
Ao término de abril de 1953, Dora viveu uma experiência inegável. Faltava um mês para seu casamento e fazia um ano
que a convivência com seu pai e sua mulher tornara-se insuportável. Eles, sem motivo exceto algumas cenas, absurdos
e infernais discussões, colocaram-se contra seu casamento com Josép. Aquele dia, seu pai ao ver que não conseguia
dobrar a vontade de sua filha e enraivecido diante de sua impotência, chegou a usar de violência física.
Dora, assustada ao extremo e machucada, buscou de imediato o apoio de seus avós. Um estranho tremor agitava-a
acompanhado de sudorese e náuseas, prévia do que resultou ser uma cólica hepática, segundo o diagnóstico feito pelo
médico em sua cabeceira. Horas mais tarde o pai de Dora colocou a cabeça pela porta do quarto da enferma para
continuar seus disparates e insultos, sem a menor consideração. Ela, desalentada chorava convulsivamente. Quando
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olhou e viu que seus passos se aproximavam, rogou: "Deus meu, até quando há de durar esta situação? Tudo isto não
aconteceria, sei muito bem, se minha mãe estivesse ao meu lado..." Então, em meio as suas lágrimas, apareceu com
toda claridade, o rosto sorridente de sua mãe. O rosto amado, adorado, jamais esquecido, radiante como se a luz do
sol o iluminasse, estava ali olhando para ela ternamente. O coração de Dora batia com força e por uns momentos lhe
pareceu que faltava ar para respirar. A imagem então se desfez deixando-a envolta em uma paz infinita.
A jovem tentou muitas vezes reproduzir, com a imaginação, aquela consoladora visão e, não lhe foi possível. A imagem
surgia borrada, sem cor e lhe faltava luz, mas acima de tudo carecia daquela realidade impalpável que havia acelerado
as batidas do seu coração, entretanto captava a autenticidade daquela presença, cheia de amor, de sua mãe.
Para Dora este fato significou uma irrefutável prova de imortalidade que havia de repetir-se em duas outras ocasiões
nas quais atravessava difíceis momentos. Sabia com antecipação que seus conflitos se resolveriam favoravelmente,
porque pontual, a mãe cuidou de prestar-lhe a ajuda moral que ela necessitava.
Josép e Dora descobriram o quão difícil é medir a quantidade de ternura que pode gerar um recém-nascido. A chegada
de seus filhos, um menino e uma menina num período de seis anos, lhes despertou um profundo sentimento de
responsabilidade e, tentaram assumir ao máximo seus deveres como genitores, não deixando de lado nada que
consideravam de vital importância para o bom desenvolvimento físico e espiritual de seus amados filhos.
No início de maio de 1954, teve lugar o momento obrigatório do batizado de seu primogênito. Em torno da pia
batismal se encontravam reunidos os bisavôs, avôs, enfim toda a família mantendo-se atenta aos movimentos do bebê.
O padre perguntou quando a criança havia nascido e a parteira muito pesarosa, temendo o que poderia ocorrer
disse a data. A voz do oficial disse: "Quinze dias! Sabem os pais desta criança que estão em pecado mortal? Esta
criatura corre grande perigo, é um pagão que necessita que lhe tirem o pecado original e, sem renunciar ao demônio e
suas obras..." O padre se aproveitou a contento em seu sermão falando a todos, indefesos e ao forçado auditório. Os
que ali estavam presentes não ignoravam que ele estava utilizando-se de um privilegiado pedestal, apoiado e mantendo
para ele o regime ditatorial do General Franco "General da Espanha pela graça de Deus".
Na atualidade esta suposta higiene espiritual, parece que não é tão urgente, uma vez que as crianças são
batizadas com vários meses de idade. Cabe perguntar, se antes era pecado mortal não batizar de imediato, por que não
é mais agora? Só necessita ratificação aquilo que não é exato, errôneo desde o princípio, imperfeito, como toda
doutrina humana. As leis divinas, por serem perfeitas, são imutáveis.




REFLEXÕES


O lugar no planeta Terra constitui uma valiosa aprendizagem, se estamos em condições de extrair as mensagens
constantes que nos transmitem as experiências próprias ou de outrem e Dora não desperdiçava nenhuma. Obtinha das
mesmas, as conclusões que lhe pareciam mais lógicas e tentava chegar ao fundo de qualquer questão, a experimentando
ao máximo.
Diante da incompreensível morte de um vizinho há poucos dias, surgiram as inevitáveis perguntas sobre a situação
mental dos bebês no céu. Seriam eternos recém-nascidos, por não terem chegado ao pleno desenvolvimento físico? E se,
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pelo contrário, haviam crescido mentalmente, em que momento e como se daria esta mudança? Seria justo que um ser, sem
esforço algum, pudesse desfrutar dos benefícios eternos? O amor infinito do Pai havia de gerenciar por lógica,
igualdade de oportunidades.
Uma vez mais, unicamente, a lei da reencarnação é capaz de dar uma resposta justa. Através dela podemos compreender
a Ordem e o Equilíbrio, que nos revela que nenhum ser tenha sido deserdado pelo Criador. Todos, o aceitando ou não,
estamos unidos por um vínculo extraordinário: todos somos filhos da Criação.
O grande novelista Victor Hugo, reafirmou a pré-existência da alma e sua sobrevivência com estas simples mas
profundas palavras: "La cuna tiene un ayer e la tumba tiene un mañana".
Sabemos que Krisna, Buda, Sócrates e Jesus, fidedignas fontes de sabedoria, não escreveram nada. Seus aprendizados
vem até nós, portanto, adulterados ou mal interpretados, sendo uma razão, para milhares de pessoas seguir sendo uma
incógnita o sofrimento humano.
A morte de um ser querido representa, para seus familiares, uma separação mais ou menos dolorosa e cruel segundo a
idade e circunstância em que ocorre. Dora viu, com o passar dos anos, que seus avós, aqueles queridos seres que
sempre a haviam rodeado de carinho e atenção, inevitavelmente, sofriam a natural deterioração física que ocorre na
velhice.
Chamou, em transe, a figura de Sócrates, o filósofo que, segundo Platão, foi um homem bondoso sábio e sereno...
Recaindo sobre ele a acusação de não crer nos deuses da cidade e de comprometer aos jovens com seus ensinamentos de
que somos seres imortais e tendo sido acusado e culpado foi condenado a beber cicuta. Ao conhecer este fato ele falou
do tribunal de maneira sossegada, relembrando: "A natureza condenará meus juizes a mesma pena". Quando seus
discípulos lamentaram de que ele tivesse que morrer sendo inocente, perguntou: " Preferirias por acaso que ele fosse
culpado?" Sua última recomendação é um valioso legado no qual ratificou sua crença na imortalidade da alma: " Fala
sempre com propriedade. Não digam vamos enterrar a Sócrates, mas sim, vamos enterrar o corpo que pertenceu a Sócrates.
"
Dora entendeu a mensagem e, ao partir suas dívidas ao mundo espiritual, por nenhum momento pensou que se
despedia em definitivo. O avô José sofreu uma fratura de fêmur e após este acontecimento surgiram graves
complicações. Esteve internado no hospital durante um mês, sem que lhe dessem medicações para dor ou calmantes,
porque dizia que nada lhe doía. A última semana falou a Dora, muito emocionado, que se sentia feliz de poder
regressar ao plano espiritual. Tinha plena segurança de reencontrar seus entes queridos: "Abraçarei aos meus filhos
Antônio, Montse e a tua mãe Cecília, eu a queria muito..." Dora às vezes lhe contemplava em silêncio. Ele rezava de
olhos fechados e sorria, abria os braços para agarrar com as mãos o vazio, alguma coisa lhe aproximava ao seu rosto e
ele aspirava com prazer. " São flores Dora, me trazem flores..."
O espírito do avô se despediu com suavidade de seu corpo. Manteve até o último momento uma serena lucidez,
portadora de tanta paz, que ajudou aos seus mais chegados solidificando a plena segurança de perpetuidade da vida.
Faz mais de dois mil anos, Cicerón, em honra de sua própria conveniência, conhecendo o benefício que lhe
ofereciam seus pensamentos, defendeu o direito de aceitar a sobrevivência com estas palavras: "Se erro em crer ser
imortal a alma do homem, com gosto e livremente erro; não quero que nada me tirem, enquanto vivo, este erro em que me
deleito".




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PERPLEXIDADE


Dora estava persuadida de que a disparidade dos textos bíblicos provoca distintas reações em seus leitores,
gerando incredulidade, confusão, fanatismo e inclusive uma fé solidificada, se renunciamos a submetê-los um estudo
racional ­ profundo.
Não se pode aceitar que seja palavra de Deus, o que segue: "E disse Jeová: Varrerei os homens que criei sobre a
face da terra, desde o homem até o animal, e até o réptil e as aves do céu; pois me arrependo de os haver feito."
(Gen. 6,7).
Com esta afirmação fica nas entrelinhas a infinita Sabedoria do Criador, uma vez que leva a pensar que Deus
desconhecia a qualidade de sua obra. Torna-se incompreensível ler que: " Jeová disse a Moisés: Pega todos os
príncipes do povo e enforca-os na presença de Jeová e perante o sol, e o ardor da ira de Jeová se retirará de Israel".
(Nm. 25,4).
Este duro castigo, imposto aos que adoravam a Deus, obviamente invalida o "não matarás". Em quantas infelizes
ocasiões foi aplicada tortura e morte em nome de Deus?
Depois de tropeçar com tantas contradições no Pentateuco, que descreve um Deus amante de sacrifícios, senhor dos
exércitos, que exige a adoração dos homens e se zanga diante de suas fraquezas, uma luz de esperança se vislumbra nas
seguintes citações: "Quando o homem cair não ficará prostrado, porque Jeová segurará em sua mão". (Sal. 37,23) e "
Antes que me chamem eu responderei; estando ainda eles falando, e eu os ouvirei" (Is 65,24).
Diante da leitura do Novo Testamento, Dora ia anotando os textos com os quais não concordava, pois ao se entender,
trazem dúvida e confusão.
É inegável que a Palavra chamada Deus, através dos séculos, foi sofrendo diversas transformações em quem sabe
quantas emendas. Existem disparidades nas passagens que podem parecer mais simples. Os evangelhos foram escritos
durante o primeiro século da era cristã, onde todo os sucesso por eles narrados deveriam estar claros e exatos para
os autores, entretanto não é assim.
É bastante conhecida a passagem dos mercadores do templo. Os quatro evangelistas dizem que Jesus virou as mesas dos
cambistas e as cadeiras dos que vendiam pombos, citava as escrituras. João, inclusive, a ninguém ajudou para isto,
fazendo um acerto de contas. Os escribas e sacerdotes eram os que tinham conhecimento da lei e permitiam, sem dúvidas,
a favor de seus próprios interesses, o comércio dentro dos templos. A reprimenda, ou seja, apenas uma reprimenda,
teria que se dirigir aos responsáveis desta infração. Não se concebe a Jesus trabalhando de forma tão agressiva,
efetuando um ato que desminta sua própria mensagem. Ele recomendava aos seus seguidores a "mansedumbre", a paciência
o perdão e o amor.
Desconcertantes são também, as versões que dispomos do evangelho de Lucas 22,70, Jesus ante o Sinédrio: "Logo tu és
o filho de Deus?" E Ele lhes disse:"Vós dizeis que sou eu". Em outra versão lemos:"Então, tu és o filho de Deus?" E
Ele lhes disse: "Vocês que dizem, Eu sou".
Na última tradução internacional, em Catlán, modificou-se o símbolo de interrogação por um símbolo de exclamação, o
que equivale a uma afirmação. "Então, tu és o filho de Deus!".
Qual destas três versões corresponde ao texto original? Tem-se um verdadeiro cabedal de possibilidades, onde cada um
pode eleger de acordo com suas convenções e pontos de vista.
No texto em que se fala da crucificação, Mateus, Marcos e Lucas assinalam que "todos seus conhecidos e as mulheres
que os haviam seguido desde a Galiléia, estavam de longe olhando todas as coisas". Notável é a diferença com a qual
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João cita a célebre frase de : "Mulher, aqui está teu filho". Depois disse ao discípulo: "Aqui está tua mãe".
Evidentemente, esta cena foi transmitida com grande força no mundo católico. O que não se compreende é como a mãe de
Jesus, pode estar longe e ao pé da cruz ao mesmo tempo. Nem tão pouco que tivesse que designar aos que já possuía.
"Não é este o filho do carpinteiro? Não se chama Maria sua mãe e seus irmãos Jacó, José, Simão e Judas? Não estão
suas irmãs com nós"? (Mt 13,55).
O relato da morte de Judas também é confuso. Mateus diz que Judas vendo que Jesus fora condenado devolveu,
arrependido, as trinta moedas de pratas aos sumos sacerdotes e aos anciãos. E jogando as moedas de prata no templo,
saiu e enforcou-se. Os sumos sacerdotes recolheram as moedas e como não era licito deixar o tesouro de oferenda, por
ser preciso de sangue, compraram com estas moedas o Campo de Alfarero como local de sepultura para os forasteiros.
Entretanto, no primeiro capítulo dos Feitos dos Apóstolos, lemos que Judas com as moedas de sua traição, comprou um
campo e caindo de cabeça, esborrachou-se ao meio e todas suas entranhas se derramaram. Serve o comentário de tão
desagradável acontecimento, para destacar a inexatidão de ambas citações. As perguntas são: quem comprou o campo, os
sacerdotes ou Judas? E como morreu o desventurado discípulo, enforcado ou arrebentado?
Os intérpretes e tradutores dos evangelhos deveriam ter levado em consideração que, com o tempo, as escrituras
estariam ao alcance de todos os povos.



MESTRES


Josép e Dora, após um determinado tempo de troca de idéias, convenceram-se de que para conhecer qual deve ser o
correto comportamento humano, é imprescindível estudar minuciosamente as mensagens dos Mestres.
Os seres humanos têm o direito a uma informação fidedigna e as religiões, sem dúvida, junto às raízes dos
ensinamentos dos Grandes Mestres, consentiram no desenvolvimento em abundância, a densa maldade de seus dogmas,
filhos do orgulho e da ignorância. Apesar disto, por mais obscuras que sejam as nuvens que encobrem as horas dos dias,
o Sol sempre está aí , difundindo luz e calor.
O ponto de partida deve ser o reconhecimento do Amor Infinito da Causa Primeira. Todo o conceito ou postulado
que não destaca o princípio da Sabedoria e Igualdade, forçosamente se desmanchará em sua base por mais que se
pretenda sustentar-lhe com ostentação, mas também com débeis argumentos.
Assombrosa é a semelhança entre a mensagem dos enviados. No Bhagavad Guita, que significa "O Canto do Senhor",
Krisna disse: "A sabedoria espiritual consiste na humildade, modéstia, bondade, misericórdia, retidão, obediência,
pureza, perseverança, domínio próprio, despego e altruísmo".
"Podeis alcançar a bem-aventurança suprema de duas maneiras: a primeira é a justiça de pensamento e a segunda é
a justa ação. Que cada um cumpra sua ação segundo sua tendência e a conformidade das qualidades superiores de seu
caráter."
"Sou o mesmo para todos os seres. A ninguém prefiro nem aborreço. Pede e receberás. Em toda oração me faço
presente".
Confúcio queria que os povos vivessem em paz e aconselhava a humildade e o amor. "Quando sabemos algo, é sábio
reconhecer que não o sabemos". "Não faças aos outros o que não deseja que os outros façam a ti".
Buda em sua prédica usava a compaixão. Sabia que ela era a manifestação do amor e clamava: "Bem aventurados
aqueles cuja conduta é pacífica, honesta e pura".
E Jesus exclamava: "Sede vós perfeitos como perfeito é vosso Pai é perfeito". (Mt. 5,48). "Tudo quanto, pois,
quereis que os homens vos façam, assim fazei-o vós também; porque esta é a Lei e os profetas". (Mt. 7,12)
O ensinamento é único pois provém da mesma Fonte. Escutemos a todas e a cada uma das Vozes com o mesmo respeito
Só temos que adequar sua linguagem aos conhecimentos presentes, que marcam diferentes formas de expressão.
As mensagens, para nos recordar, são palavras que só tem força se as colocamos em prática seus ensinamentos.
São luz que podem iluminar a mais densa escuridão, mas cabe a nós mesmos abrirmos as janelas do espírito e
contemplarmos o horizonte, longínquo mas real, que nos chama. A tão desejada paz na Terra, está ao nosso alcance.
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Vive em nós, presente em todos os momentos. Não exige maior esforço do que entremos em meditação, deixando de lado
vaidades humanas, liberta-nos de egoísmos e rancores, sacudindo-nos de jogos mesquinhos do ódio, concluindo por nos
convertermos nas mensagens vivas dos ensinamentos dos Mestres.
Enquanto não sermos um exemplo palpável de Amor feito obras, contudo mesmo que este Amor não nos impulsione a
estender a mão a todas as criaturas, mesmo que em nome de Krisna, Buda, Confúcio ou Cristo, sentindo-nos superiores,
descriminamos ao próximo, ao contrário de nos orgulharmos da claridade que fazemos, nos envergonhamos da esmola que
damos, desenganemo-nos, pois não compreendemos com toda sua magnitude a sabedoria das mensagens.
Não podemos permitir por mais tempo o luxo de seguirmos atrasando o processo evolutivo do planeta. De queremos que a
paz reine em todos os povos, urge que dialoguemos apoiados na Lei da Reencarnação, que une a todos os seres. Ela nos
diz que não existe castigo algum, nem atemporal nem eterno, mas nos obriga a reparar as transgressões. As
vicissitudes, mais ou menos difíceis e dolorosas, que cada ser humano, sendo o resultado de seus próprios atos, a Lei
da Conseqüência unida a necessidade imperiosa de superação espiritual nos impulsiona a corrigir preteridos erros.
Somos obrigados, portanto, a entender que é assim simples, tão simples como as mensagens dos Mestres, que insistem
sobre a conveniência de converter numa realidade o amor fraterno.




PABLO DE TARSO


Dora estava consciente de que não é possível comentar em umas poucas linhas, a obra de Pablo de Tarso, a quem
devemos o Hino a Claridade, em sua primeira carta aos Corintios. Ele demonstrou ser um espírito forte e valente.
Dedicou-se com ardor e obstinação a seguir aquela nova seta que seguia os ensinamentos do Nazareno, mas não empregou
menos ímpeto e convicção a hora de converter pagãos. O incansável apóstolo tinha pressa, acreditava na vinda do
Senhor tão próxima que, ingenuamente, escreveu aos tessalonicenses: "Logo nós, os que vivemos, os que ficamos,
seremos arrebatados justamente com eles (os ressuscitados), entre nuvens, para o encontro do Senhor nos ares, e
assim estaremos para sempre com o Senhor (1 Ts 4,17)".
Faz 2.000 anos que são transcorridos e tão entusiasmada proclamação não se cumpriu, prova irrefutável que este
tópico deixa muito de ser profético. Pablo em suas epístolas, reiteradamente, induz, repreende, fala de amor, de
deveres, de salvação por graças e condenação eterna. É evidente que nunca se pode sustentar a força de suas profundas
raízes farisaicas e seguia conservando a idéia de um Deus partidário: "De modo que, quem Ele quer, tem misericórdia e
quem Ele quer endurecer, endurece". (Ro 9,18).
E ratificou com esta passagem: "Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isso não vem de vós, é dom de
Deus; não de obras, para que ninguém se glorifique." (Ef 2,8)
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Esta citação se opõe a muitas outras da mesma Bíblia, que por sua lógica adquirem maior valor e autoridade. "Tu
educas o homem, castigando suas culpas". (Sl 39,12) "E tua, oh Senhor, é a misericórdia; porque pagas a cada um
conforme suas obras." (Sl 62.12).
Cabe recordar aqui a parábola do filho pródigo que relata o evangelista Lucas e, que por não ser tão conhecida,
é menos consoladora. O filho, ávido por liberdade, abandona sua casa paterna empreendendo-se a viver unicamente de
suas custas. Mas em sua recém adquirida independência adoece de falta de experiência. Loucamente, portanto, deteriora
sua herança e acaba sumindo na miséria. É nesta situação que sente saudade do local paterno e decide regressar para
suplicar o perdão e apoio. Seu pai, com indisfarçável alegria, recebe o filho extraviado e de tal modo é sua
felicidade que converte este dia em uma festa.
Em nenhum momento esta parábola nos fala de "graça". Ao contrário, deixa bem explanado que é o filho quem causa
sua dolorosa experiência e, volta arrependido junto a seu pai, por sua própria decisão.
Se os espíritos regidos pela Lei da Evolução, iniciamos a espiral de nosso crescimento moral a partir da
simplicidade e ignorância; se a tentamos, tropeçamos, caímos e nos lastimamos; se nos fundimos aos abismos de todos
os desacertos humanos; se envoltos abaixo de todo peso de horríveis culpas, um dia desejamos emergir destes
sentimentos mesquinhos, pequenos e envergonhados, não encontramos razão alguma para que, no porvir dos tempos,
possamos "glorificarmo-nos" de nossas ações quando estas são boas.
León Denis em seu livro "Cristianismo e Espiritismo" disse categoricamente:"Porque Deus, que é a justiça
absoluta, não pode querer a condenação, nem a salvação pela "graça" ou por méritos de um salvador, se não a salvação
do homem pelas suas próprias obras..."
Só podemos aceitar a possibilidade do dogma da salvação pela graça com óbvia redução da Igualdade Divina. Se
assim fazemos, nos encontraremos frente a incrível caricatura de um deus de minguados atributos. E voltaremos a fazer
inumeráveis perguntas que não tem respostas razoáveis. Porque está aí, presente, vivendo conosco, a dor humana; esta
desagradável hóspede que chega sem avisar e se acomoda em nossa vida sem que, na maioria das vezes, possamos
afugentá-la. Chegando a este ponto, nos lançaremos em rebeldia, lamentando a injustiça que significa a notória
desigualdade de condições que sofremos nós mortais. Isto equivaleria a voltar a cair em um turbilhão de desordem e
confusão.
Allan Kardec, na pergunta 199 de sua obra "O Livro dos Espíritos" declara o seguinte:" Por meio da reencarnação,
se estabelece a igualdade à todos. O porvir pertence a todos sem exceção e não há favores para ninguém. Os que
chegam últimos, só podem atribuir isto a si mesmos. O homem deve ter o mérito de suas ações, assim como lhe cabe a
responsabilidade por estas".




TESTEMUNHAS DE JEOVÁ

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Dora encontrava persistente e incômoda a insistência das Testemunhas de Jeová, pretendendo que acordemos com ódio de
sua mensagem de salvação. Eles têm muita pressa pois crêem que se nos esgotam as oportunidades e não perdoam as
ocasiões apelando, uma ou outra vez, para a mesma porta. Manejam a bíblia com habilidade e dela extraem os versículos
mais de acordo com suas crenças. Tentam aproveitá-la por inteiro, num imenso esforço de aceitar, inclusive, o
inadmissível. Temos que reconhecer que este famoso livro oferece grande leque de interpretações.
As Testemunhas de Jeová, dispõem de um conhecido órgão de difusão, a sua revista "Despertar", que usam para entrar
em contato com possíveis "prosélitos" e serve, ao mesmo tempo, para afugentar possíveis argumentos que surjam a
medida que sejam examinados.
Em Gênesis, ele fala do diabo, através de uma serpente, induzindo Eva a desobedecer a proibição de comer o fruta da
árvore do bem e do mal. Deste relato podemos deduzir que, anteriormente, Deus havia criado alguns anjos que saíram a
contestá-lo, uma vez que cheios de orgulho e necessidades rebelaram-se contra Jeová. Desde então os demônios, em
guerra declarada, cometem impunemente todo tipo de atos. "Deus" cujo poder é a todas as luzes muito limitado, não
pode de maneira nenhuma impedir os assédios dos inimigos, atentando aos pobres mortais a inevitavelmente descumprir
as leis divinas.
Ou seja, confirmam que Deus não tem sabedoria infinita, uma vez que não poderia prever o nefasto comportamento dos
anjos caídos, nem as mal feitas conseqüências que sofreria, posteriormente, toda raça humana. De onipotência, muito
menos, pois sua obra se encontra estragada por este ponto de destruição, sem poder remediá-lo.
E o que dizer sobre a perfeição de Jeová? Ficou escrito em Eclesiástico, 16 "Misericórdia e ira estão com Ele, tão
poderoso em perdoar como em sua ira." A raiva é um defeito de seres imperfeitos. Arrebatado de raiva, fúria ou cólera,
qualquer uma destas emoções indicam o contrário de tenacidade. Gratuitamente a ignorância humana tem atribuído a
divindade limitações sem nomes. É incompreensível que ainda hoje, muitas doutrinas continuam sustentando estes erros.
As testemunhas de Jeová, empenham-se em provar a imortalidade da alma, indo aos extremos buscar as mais absurdas e
insustentáveis explicações, acerca da origem das mensagens que dizem os espíritos através de distintas mediunidades.
"Se a alma, dizem com a bíblia nas mãos, se a alma não é algo que segue vivendo depois da morte física, é impossível
que os vivos possam se comunicar com elas. De modo que as supostas manifestações espirituais são obras exclusivas do
mesmo Satanás e sua corte de espíritos malignos." Infantil este argumento, pois mostra quão arriscado é falar de um
tema que se desconhece. Depois de estudar as obras de Allan Kardec, o fundador do Espiritismo e outros autores,
ninguém poderá atribuir ao demônio os fenômenos espirituais.
O demônio não existe, teria que tê-lo criado Deus e Ele não poderia equivocar-se. Sim, existem espíritos
inferiores, pela simples razão de que são seres que estão evoluindo, mas com tempo, superadas todas as etapas
necessárias, chegarão a ser espíritos puros.
Os espíritos inferiores não são os únicos que podem comunicar-se com os moradores da Terra, buscando em sua
maioria das vezes, descanso para seus tormentos. Deus permite que os espíritos bons se aproximem de nós para trazerem
mensagens certas de esperança e consolo. Eles são a prova irrefutável da imortalidade, esclarecendo a própria
incógnita do sofrimento humano, e induzem ao crescimento espiritual praticando o Bem, único meio de alcançar a Paz.
Podem ser estes os ensinamentos do Diabo?
De maneira nenhuma, pois ele estaria violando seus próprios interesses, ao converter-se em porta voz da
existência de Deus e da necessidade de cumprir suas leis.
Prova da diversidade de espíritos que podem comunicar-se com os mortais, é esta sábia advertência " Amados, não
os fiéis de qualquer espírito, mas examinai se os espíritos vem de Deus". (1 Jn 4)
É fundamental reforçar a necessidade de estudar seriamente "O Livro dos Médiuns", de Allan Kardec para
informarmos com toda exatidão, sobre os benefícios e riscos que acometem estas faculdades mediúnicas. Há pessoas que
ignoram possuí-las, o que lhes acarreta uma série de problemas, dúvidas, confusão e inclusive o temor de sofrer
tormentos mentais por desconhecer a origem de suas percepções audiovisuais. Ao contrário do que se supõe, são os
ensinamentos Espíritas que auxiliam estes médiuns a desenvolver e encontrar o equilíbrio e a calma interior,
conseguindo que voltem a viver com normalidade, todas as suas atividades cotidianas.
As testemunhas de Jeová asseguram que a Bíblia, ou assim o tem incluído na sua, os dizeres: "Não vos volteis
aos Médiuns espíritas..." (Levítico 19,31).
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É curioso ao extremo "ler" esta frase na sua versão no antigo testamento. Uma vez que a palavra Espiritismo tem
pouco mais de 143 anos e devemos sua existência a Allan Kardec, que a utilizou pela primeira vez para designar a
doutrina Espírita. É provável que as Testemunhas ignorem este importante requisito, uma vez que imprudentemente,
tenha sido acrescentado o mencionado vocábulo a sua particular interpretação da bíblia.Todavia, impelidos pelo
fanatismo doutrinário para combater a crença na imortalidade da alma, não vacilaram em fazer notório, sem
conhecimento de causa, que "consultar médiuns, perguntar aos mortos ou buscar presságios, são praticas espíritas.
Algumas formas de adivinhação são da astrologia, da quiromancia, consultar uma bola de cristal, interpretar sonhos e
ler cartas de tarô. A tudo isto a revista "Despertar" chama de "algumas formas de espiritismo".
Com respeito a interpretação dos sonhos, cabe destacar a um famoso interprete, José o primeiro filho de Jacó,
segundo relata Gênesis. Quando seus companheiros de prisão lhe perguntaram se poderia interpretar o significado dos
seus sonhos, ele contestou: "Não são de Deus os sentido ocultos?". Conhecido é o episódio das sete vacas gordas e
sete vacas magras, tanto que até hoje utilizamos esta referencia para nos referirmos aos tempos de fartura e escassez.
Estarrecido o Faraó com a exatidão com que José prescreveu a mensagem de seus sonhos comentou: "Por acaso
encontraremos outros como este que tenha o espírito de Deus?"
O evangelista Mateus escreveu que em quatro ocasiões, um anjo apareceu nos sonhos de José, marido de Maria,
primeiro para não repudiá-la pela gravidez. Depois prevenindo sobre as péssimas intenções do rei Herodes,
indicando-lhe que fosse ao Egito com sua família. Mais tarde notificou a morte do rei, sendo que poderia voltar a
Israel porque Jesus não correria perigo algum. E uma vez ali, o anjo aconselhou-o que este se instalasse na Galiléia,
na cidade de Nazaré.
O Espiritismo não pode evitar que um bom número de pessoas se auto-intitulem médiuns e videntes e ofereçam seus
serviços para obter lucro, sem conhecer ou pertencer à doutrina espírita.
É justo, entretanto, distinguir os que se dedicam honestamente a prestar ajuda moral e, por meio de alguma das
práticas chamadas adivinhatórias, clamando a inquietação de seres que vivem situações dolorosas e incertas.. Por
seus frutos se conhece a árvore!
É preciso demarcar que o Espiritismo não aceita nenhuma destas práticas. A crítica é saudável quando denuncia
possíveis erros, após haver observado de forma imparcial. Se não se cumprem os objetivos de polir conceitos e formas
de proceder, a crítica converte-se em uma arma destrutiva e ruim porque desqualifica propositalmente as pessoas ou
doutrinas.




A GRANDE ALTERNATIVA


Dora observava como sua filha escolhia entre um monte de peças de distintas formas e cores, a que precisava para
reproduzir o modelo do quebra-cabeça. Pouco a pouca surgia uma bela paisagem, um céu com rosadas nuvens, um monte ao
longe, um vale no qual se vislumbrava uma pequena aldeia e em um plano via-se mansas águas de um riacho onde em sua
margem cresciam frondosas árvores; em sua margem esquerda, dois jovens pastoreios vigiando atentamente a uma meia
dezena de ovelhas. Para poder apreciar o quadro em sua totalidade, é imprescindível que não falte nenhuma peça e que
todas estejam dispostas corretamente em seus lugares, ou não sendo assim apareceria uma paisagem incompleta, um
amontoado de inexpressivos vazios.
Dora invocou a base e conceitos que sustentam a maioria das religiões e sorriu. São tão infantis e
inconsistentes que não resistem ao livre exame. Faltam as peças importantes para revelar com maior precisão o grande
enigma da vida e da morte, esta palpável realidade por todos conhecida e a qual ninguém pode escapar.
Nossa efêmera passagem pela Terra e as diferentes situações que nos envolvem, possibilitam admitir que nascemos
com um plano pré-concebido. Observando os efeitos, deduz-se logicamente que procedem de uma causa. A pré-existência
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da alma, dotada de livre arbítrio e seu equivocado comportamento no passado, apontando a caminhada que se percorrerá,
com mais ou menos dificuldades, no presente e em existências futuras, segundo seu desenvolvimento moral. Descartar o
ato irrefutável da evolução dos espíritos através da lei de Reencarnação, equivaleria a negar a justiça divina.
A crença em apenas uma vida, é relativamente recente, aparecendo nos primeiros séculos do cristianismo, esta
doutrina que a ignorância ou interesse pouco louvável de seus dirigentes, tenham deformado sensivelmente. Em relação
as penas futuras, o inferno pagão era mais equitativo com os condenados que caiam nele. As penas se aplicavam de
acordo e, no Tártaro, segundo a culpabilidade das desordens cometidas.
No ano de 593, a igreja católica com a intenção de corrigir ou suavizar a dureza das penas inventou o
Purgatório, um lugar onde se poderia pagar os pecados venais. A raíz disto é o escandaloso comércio de indulgências,
onde com esta ajuda se vendia a entrada para o céu. O interessado tinha a opção de abonar de seus erros cometidos na
vida e designar outra pessoa para os cumprir, depois de sua morte. Este abuso foi a causa da primeira reforma. Entre
outras coisas, Lutero, não estava de acordo com as orações pagas.
Quão certo é que nada há de novo embaixo do sol! No segundo livro de Macabeos, capítulos 12, 43, 46, do Antigo
Testamento, se cita um precedente: "Judas, depois ter reunido entre seus homens cerca de dois mil dracmas , mandou-as
a Jerusalém para oferecer um sacrifício de pagamento de dívidas em favor dos mortes, para que ficassem livres de
pecados".
É obvio que se recorremos a este subterfúgio é para alcançar a eterna glória. O difícil é escapar da
condenação eterna a qual os seres humanos podem tornar-se credores, pelos mais distintos deslizes.
Célebre é o final da personagem de ficção, Don Juan Tenório, que se livrou da condenação eterna ao ver passar
seu próprio enterro, tendo assim a total segurança de supervivencia da alma e arrepender-se dos seus múltiplos crimes
e maus costumes. A habilidade de Zorrilla de calcular que seu protagonista poderia ser liberto cinco minutos antes de
morrer, também merecia sê-lo depois de seu corpo morto. Uma inspirada e poética mensagem.
As aprendizagens que Dora recebera em sua infância, diziam que é um pecado mortal faltar à missa num domingo,
por exemplo: chegava-se a morte sem saber, sem conceder devido tempo para arrependimentos, se adquiria o direito de
ser hóspede perpétuo do antro infernal. Se a Igreja predicou esta "minúcia" com o intento de atemorizar sua clientela,
o conseguiu amplamente. Cumprido este objetivo se concluiu, parece, que assegurar a existência de um castigo eterno,
que sempre guardaria maiúscula proporção com a falta cometida, é admitir também, automaticamente, que a Bondade e
Justiça divinas não são infinitas, de acordo que tenham um limite. Nunca se insistirá de suficiente maneira em
denunciar tamanha injustiça.
Dora fez um bico de desagrado. As peças do quebra-cabeças doutrinário não se encaixavam. A humanidade têm três
alternativas: A nada, a absorção (panteísmo), ou a individualidade da alma antes e depois da morte. Nada é silencio,
imobilidade, vazio e destruição. A doutrina que precisa de absorção no todo universal, assinala que a alma perde sua
individualidade ao submergir no infinito, como uma gota d´água no oceano. De que lhe serviria a alma, seus esforços
para melhorar se negamos o direito de conservação do seu eu?
Tão pouco auxilia a idéia de uma só vida, pendente de mil situações equitativas, sem resposta satisfatória, que
conduz a um final infeliz e irrevogável.
Diz Allan Kardec em seu livro "O Céu e o Inferno" capítulo 1,8 " Uma teoria não pode ser aceita como verdadeira
sem que a condição de satisfazer a razão e dar conta de todos os feitos que a envolvem. Se somente um fato vem a
desmentí-la, é porque não possui a verdade absoluta".
Segundo esta premissa o mais prudente é rechaçar qualquer doutrina que não reúna tais condições onde um exame
profundo deixará descoberto a inexatidão de seus postulados.
Quando alguém desconhece a raíz profunda da Reencarnação, cabe comentar que é injusto viver situações dolorosas
por um mau procedimento que "outra" pessoa teve em um tempo mais ou menos distante. Esta queixa se formula ao não
captar que não se trata de outra pessoa, mas sim do mesmo Espírito utilizando distintos corpos e criando
circunstâncias adversas em virtude de seu livre arbítrio. De outro modo, acaso seria mais justo viver, às vezes desde
a mais tenra idade um azar cruel e caprichoso, fazendo-se necessário aqui, utilizar o raciocínio para encontrar as
devidas respostas.
Empédocles, filósofo grego nascido no ano de 492 antes da era cristã, admitiu a reencarnação das almas como
processo de purificação. A evolução do gênero humano é lenta, mas Jesus que conhecia esta lei assegurou: " Toda
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planta que meu Pai Celestial não plantou será arrancada". (Mt 15,13). Isto acontecerá quando a imensa maioria dos
habitantes do planeta Terra prescinda da ajuda moral de guias cegos.




A HUMANIDADE E SEUS DEUSES


Dora sabia que desde as mais remotas épocas, os povos primitivos estavam envoltos em espessa camada de neblina
em sua ignorância, motivados pela débil luz que iluminava sua capacidade de compreensão, em tal principio de
raciocínio, reconheceram nos mais distintos elementos da natureza, forças superiores. Impotentes para vencê-las,
submeteram-se a elas dando-lhes nomes e oferecendo-lhes todo tipo de sacrifício para acalmar suas iras e obter
compensações, como o nascer do sol todos os dias, receber o benefício da chuva ou o cessar de ventos e tempestades.
Um grande número de deuses, semideuses, heróis, mitos e lendas enriquecem a história dos povos e suas profundas
raízes se perdem na noite de ancestrais tempos.
Em um momento oportuno, quando os seres humanos estavam mais ou menos preparados para assimilar os primeiros
ensinamentos, apareceram os Mestres idôneos, ensinando aos seus pequenos alunos, o caminho a percorrer.
Tal como estava escrito, o Messias devia nascer na casa de Davi. José o carpinteiro, se era descendente de dito
rei, o que se deduz de que alguém estava enganado, porque se Jesus havia sido concebido pelo Espírito Santo,
geneticamente não poderia ser considerado filho de Davi. "Sobre vosso filho, nascido de linhagem de Davi segundo a
carne" Pablo em Ro 1,3.
Outra grande confusão pode ser percebida em Isaías 7,14 "Eis que a Virgem conceberá e dará à luz um filho, e
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lhe chamará Emanuel. O termo hebreu "almah" refere-se a uma moça ou jovem recém casada, mas sem contar isto. A versão
grega traduz jovem por virgem".
No ano de 431 o Conselho de Efeso, parodiando os melhores tempos da mitologia, estabeleceu como divina a
maternidade de Maria. Partindo do princípio de que o povo já não exercia o uso de exame, ficando comprovada a idéia
por absurda que seja, primeiro por quem detinha o poder, depois a impondo e com o passar dos tempos sendo aceita por
grande maioria.
Cabe-nos perguntar até que ponto são confiáveis as seguintes indiscrições íntimas do matrimônio de José e Maria:
"Contudo, não a conheceu enquanto ela não deu à luz ao primogênito e lhe deu o nome de Jesus". (Mt 1,25) Este
texto além de negar uma "virgindade perpétua", abre espaço para falar dos irmãos do Mestre.
"Depois desceu a Cafarnaúm com sua mãe, seus irmãos e seus discípulos" (Jo 2,12).
Convertida polêmica desatou o dogma da trindade, sem dúvidas é a autoridade do próprio Jesus quem a manifesta,
em profusão, que ele não é Deus.
"Porque de Deus eu saí, e vim e não de mim mesmo, mas Ele me enviou" (Jo 7,33).
"Se me amasseis, alegrar-vos-eis de que eu vá para o Pai, pois o Pai é maior do que eu." (Jo 14,28).
"Porque eu não tenho falado por mim mesmo, mas o Pai que me enviou, esse me tem prescrito o que dizer e o que
anunciar". (Jo 12,49)
"Se alguém quiser fazer a vontade dele, conhecerá a respeito da doutrina, se ela é de Deus ou se eu falo por
mim mesmo". (Jo 7,17)
"E a palavra que estais ouvindo não é minha, mas do Pai que me enviou" (Jo 14,24).
Allan Kardec em seu livro " Obras Póstumas" faz um completo e profundo estudo sobre a natureza de Cristo e
comenta: " Desde o momento em que nada faz por si mesmo, mas sim como pela doutrina insigne não sendo sua, mas que a
recebe de Deus, que mandou que ele viesse para a conhecermos, desde o momento em que só faz o que Deus lhe deu poder
para fazer e que a verdade que ensina a aprendeu com Deus e cuja vontade esta submetido, Cristo não é o mesmo que
Deus, mas sim seu enviado, seu messias e seu subordinado."
Cristo reiteradas vezes, insiste em que não somos órfãos, pelo contrário, nos fala de um Pai de Amor e Bondade
a quem devemos nos dirigir dando seu nome para chamar e "cotidiano pão" alimento do corpo e força necessária para não
"cairmos em tentação".
"Se vós, que sois maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai que está nos céus dará
boas cousas aos que lhe pedirem!". (Mt 7,11).
E ao traçar o tipo de conduta que mais convém, assinala: "Portanto, sede perfeitos como perfeito é o vosso Pai
celeste." (Mt 5,48).
Fica evidenciado que Jesus teve marcado interesse em ressaltar a expressão "vosso Pai que esta nos céus" a fim
de que não nos esqueçamos de quem procedemos.
A máxima revelação teve lugar depois de sua morte física quando apareceu para Maria Madalena e, categoricamente,
sem deixar a menor dúvida declarou: " Vá ter com meus irmãos, e diz-lhes: Subo para meu Pai e vosso Pai, para meu
Deus e vosso Deus". (Jo 20,17).
O Mestre nos incita a ser perfeitos, mas admite os diferentes e distintos graus de inferioridade moral do
gênero humano, é impossível pensar que se pode alcançar a perfeição em uma única existência na Terra, por mais
longevidade que tenhamos. Assim que se torna imprescindível aceitar o processo de múltiplas existências, sempre
solidárias umas com as outras para que se cumpra a Lei da Evolução Espiritual.
"Em verdade, em verdade vos digo que aquele que crê em mim, fará também as obras que eu faço, e outras maiores
fará, porque eu vou para junto do Pai". (Jo 14,12).
Nesta significativa passagem, Jesus, se desnuda de que não é Deus, pois se nós pudermos fazer "obras maiores
que ele" equivaleria a possuir uma ilimitada capacidade para poder superar "as obras de Deus".
A humanidade acredita ser uma grande expert em fabricar deuses. Divide e volta a dividir, uma e outra vez, as
mesmas mensagens. Com a intenção de engrandecimentos, iluminando o turno, se atreve a retocá-los, esclarecê-los,
segundo seus critérios, buscando as mais inverossímeis respostas, nos pontos menos crédulos, aqueles que não resistem
a uma análise racional. Agora, praticamente todos os desentendimentos religiosos se flagram elaborando, cada qual,
seus livros sagrados e suas conseqüentes e convenientes citações, antimatizando em seu nome o oponente.
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Os chefes de todas as crenças religiosas que procedem de um mesma ramificação, asseguram que Há mais coisas que
os unem do que os separam, mas sem dúvidas, longe de parecer uma atitude conciliadora, demonstram que "este pouco" é
um muro intransponível, porque cada um diz ser o único caminho disponível e de verdadeira salvação.
Os sofridos e incautos, balançados por temor e espanto devido aos "castigos" aos quais podem ser credores ao
tentar estudar outras opções, ficam envolvidos pelo emaranhado da fé cega. Nega-se a eles o livre arbítrio, ficando
assim paralisados e longe de um caminho que conduz ao conhecimento de uma Verdade maior, a qual nos faz livres.
Não podemos ser escravos da insegurança, se sabemos que somos filhos de um único Pai de Amor infinito, nos
convertemos todos em legítimos herdeiros da Vida crescente, plena, inacabável... e merecedores do mesmo indiscutível
destino!




DAS MEMÓRIAS DE DORA


No verão de 1999, Dora recolheu um bom número de recortes de jornais que falavam das últimas declarações do papa
Wojtyla, onde este declarava não existir o clássico céu e inferno. Espalhando os artigos sobre sua mesa de trabalho,
o conteúdo destes, despertou de imediato um impulso que teve a virtude de devolvê-la aos acirrados dias que seguiram
o término da guerra civil espanhola. O colégio regido pelas freiras, sob o amparo da mais severa ditadura, acolhendo
a este privilégio, propagando a destruidora idéia de um atroz inferno para os que haviam falecido durante este
período, sem os auxílios espirituais exigidos pela igreja.
Dora reviveu todo o terror e sufoco que se apoderaram de seu infantil coração, pensando na terrível sorte de sua mãe
querida, após sua morte. Agora, em sua maturidade, não pode conter a tormenta de queixas, censuras e argumentos que
existiam dentro de si e a irritavam em seu diário.
"Julho de 1999 os meios de comunicação informam que o papa Wojtyla parece ter feito uma importante descoberta de
acordo com os jesuítas que sempre demonstraram ser mais dispostos. Agora o céu não está em um lugar concreto de rosas
nuvens e anjos de cabeças e asas sem coras, nem tão pouco existe um inferno com fogo e enxofre. As pessoas do
Vaticano sempre despertam tarde. Quando dão conta do que estão fazendo, levando algo ao ridículo mais embaraçoso,
apressam-se em dissimular o engano, e assim, sempre com a intenção de proteger os privilégios terrenos e assegurar a
fidelidade da sua clientela. Fazem poucos anos, a Igreja pediu perdão, publicamente, a Galileu, que esteve a ponto de
perder a vida por ordem dos "sábios inquisidores" pois assegurava que a Terra não era o centro do universo.
"As declarações do Papa oxalá tenham tranqüilizado a mais de um católico, pois lhes fica o consolo de que uma noite
deixam de respirar, com um pecado bastante pesado em sua consciência e sem tempo de confessá-lo, não se tostarão no
inferno. Uma lástima que os "infalíveis" de Roma não tenham sido iluminados sessenta anos atrás. Eu teria me poupado
da cruel angústia de acreditar que minha mãe viveria eternamente envolta em chamas e, sem uma gota de água para
saciar sua sede."
"A parte de perseguir e decorar o descolorido e empoeirado João Paulo II, conservando o argumento da obra. Ele leu
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que " O céu e o inferno são um estado de alma. O inferno, mais do que um situação que vive quem se afasta de Deus
definitivamente e por vontade própria. Não necessitamos atribuir a condenação a iniciativa de Deus, porque em seu
amor misericordioso, Ele não pode querer outra coisa que a salvação de todos os seres que criou. Na verdade é a
criatura que recusa seu amor. A condenação consiste, portanto, na separação definitiva de Deus". Com estas
manifestações o Sr. Wojtyla ficou muito satisfeito. Mas não reparou que o Infinito Amor de Deus, deve estar em
equilíbrio com a sua infinita Justiça, e o castigo, por mais grave que seja, sempre será desproporcional. Alguns
teólogos, utilizando-se de um sentido comum, também o pontuam desta forma.
"Jamais esquecerei a imensa confusão , dúvidas, e angústias que recebi da Igreja. Não quero me esquecer. Pelo
contrário, quero manter isto vivo em minha memória, para que jamais dominem minha capacidade de discernir e
argumentar todas contradições que esta instituição prega. Muitos dos fregueses agora, já não são tão obedientes e
fiéis. Qualquer ser batizado pode se sentir teólogo e opinar sobre temas considerados sagrados. A liberdade de
expressão e a perda do poder eclesiástico, o fizeram possível. O imponente edifício mostra numerosas fissuras
demonstrando sua vulnerabilidade e isto instiga a pensar se as bases da fé descansam em um terreno suficientemente
sólido".
"Este é meu grande desafio, buscar contra-sensos, incoerências, erros e superstições, sustentadas ao longo dos
séculos, por quem , com desmedido orgulho, teve pretensão de estar em posse de toda verdade, afirmando serem
ministros indiscutíveis do mesmo Deus. Todavia hoje, ainda defendem que toda a estrutura da doutrina católica
descansa sobre o pecado original, aquele pecado de desobediência de "nossos primeiros pais" que com certeza nos
deixaram uma triste herança, mesmo que repartida em partes iguais. Parece que o caso era irremediável, que por um
homem, Adão, dizem, havia entrado o pecado no mundo e, por outro, Jesus, nos chegava a salvação. O preço desta
salvação, segundo a igreja, foi tão alto para Deus, que Ele não está disposto a admitir ao seu lado aqueles que não
tenham seguido os ensinamentos de seu Enviado, dentro de determinado tempo limitado. A Sabedoria, o Amor e a
Onipotência, todos os atributos infinitos de Deus ficam restritos, diminuídos, inexistentes, frente ao eterno
descumprimento de suas criaturas. Não se pode conceber esta idéia por estar longe de toda lógica e muito perto de um
contra-senso evidente.
"Me parece bem que existam variadas e múltiplas crenças, como diversas são as idéias que fazemos sobre Deus, a
vida e a morte. O respeito que devemos ter um para com os outros, obrigá-nos a defender a liberdade de eleger o
caminho que achamos mais conveniente. O verdadeiramente grave é que as fábulas que pregam e consideram verdades
inquestionáveis a maioria das confissões religiosas, geram incredulidade e ascetismo. A raíz do problema em boa
medida, nasce aqui. Ao ensinar utopias, em vez de estudar as leis naturais que governam a Criação. Nós seres humanos
durante a vida, nos encontramos diante de situações difíceis, amargas, sem saída possível. Estes são os momentos em
que as perguntas, aparentemente, não têm respostas. É desolador sentir-se órfão e não poder pedir a ajuda de um Pai,
porque a razão, sempre calculista, nos diz que parece impossível que na desordem terrena, possamos esperar justiça,
equilíbrio, sair da solidão e da impotência que nos aplaca".
"Minha queixa formal esta direcionada a Igreja Católica e, não para as outras Igrejas que são filhas da reforma.
Durante os primeiros séculos do cristianismo, a doutrina de vidas sucessivas foi uma crença generalizada. Os
discípulos de Jesus nada se surpreenderam quando Ele lhes falou de que a Elias e a João Batista lhes havia animado o
mesmo espírito.
No ano de 553, o triste e famoso Conselho de Constantinopla II, sob domínio do imperador Justiano I, condenou à
pena máxima quem sustentasse a crença da Reencarnação. A promulgação desta lei, que significou perseguição e morte,
caiu como fria lâmina sobre os povos. Silêncio e esquecimento. Os orgulhosos não aceitam perder privilégios. Para
admitir a lei da Reencarnação, é preciso ser humilde. Será por tal razão que a igreja não regressa a suas origens?
Tão alto se estabeleceram, entronados em seus lugares, que lhes atemoriza reencarnar e perder posições.
"Os senhores do Vaticano, dominados pela presunção de serem os eleitos que possuem a eterna glória, preferem uma
justiça divina feita a medida de suas conveniências. Longe de elaborar um estudo objetivo e imparcial de seus
incontáveis dogmas de fé, criaram a figura de um Deus limitado. Um Deus que não nos ama a todos por igual uma vez que
a intensidade de seu Amor sobe ou baixa de nível segundo o comportamento e os sentimentos dos pobres mortais..."
"Obrigada sou a tender-me um momento, o tema pede por isso. Quem nos criou tão diferentes? O que separa a pessoa
honesta, de bom coração, daquela que o tem endurecido e não podemos esperar dela nenhuma ação positiva? Qual é a
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razão deste abismo?"
Privilégio não, privilégio neste caso seria sinônimo de injusta Lei de Evolução Espiritual sim, mediante o
nascer e voltar a nascer, tentando nos erguer depois da queda fruto de nossa infância espiritual, vencendo obstáculos
e, debilidades, até chegar um dia por mérito próprio a conquistar o Equilíbrio e a Paz. Todos estamos imersos dentro
da Lei de Causa e Efeito, querendo aceitar ou não, de igual maneira que a Terra, em seus rítmicos movimentos de
rotação e mudanças, levava aqueles que sustentavam que o mundo estava quieto."
"A guarda e custódia da pureza e da fé, têm representado uma excelente desculpa para o clero que com ameaças de
condenação eterna e castigos "exemplares" do Santo Ofício, tem conseguido que seu rebanho ande as cegas e Roma sabe
muito bem que no país de cegos, quem tem um olho é rei. Ao esconder a lâmpada debaixo do cetim, tal como diz o
evangelho, não o fazem por ignorância, mas sim para proteger os grandes interesses e o vasto poder do qual desfrutam.
Tal atitude tem poucos atenuantes. Recordo que meu filho, quando tinha pouco mais de dez anos, comentou que a Igreja
havia sobrecarregado tanto de mentiras o barco de São Pedro, que um dia afundaria. Suponho que com ânimo de
sobreviver a gigantesca onda de avanços sociais, culturais e científicos, o Vaticano se sente obrigado a tirar pelas
bordas algumas insignificâncias."
"Ha quem creia e, é certo, que já estamos no inferno e outros esperam converter a Terra em um lugar o mais parecido
possível com o paraíso, coisa muito encomiable.
"Quando cataclismas naturais impõem sua irredutível fúria sobre os povos e centenas de criaturas humanas são
arrastadas pelas águas ou soterradas sobre a terra em suas próprias casas quando dos deslizamentos, nós em imensa
maioria, nos unimos a dor e a tragédia. A solidariedade então, converte-se em um fenômeno real de generosidade diante
do próximo."
"Terrível e aterrorizante é pensar o número de conflitos bélicos que afetam diferentes povos, enfrentados por
inadmissíveis razões étnicas ou territoriais, mas no fundo sempre com algum interesse econômico. Resulta
aterrorizante ver como ditadores sem consciência, uma vez que não conhecem a clemência, submetem, torturam
e assassinam a centenas de pessoas. Os meios de comunicação nos oferecem as mais cruéis imagens, que compartilhamos
com a comida e a janta. Nos perguntamos perplexos, como podem cometer tais atrocidades, pois as pessoas normalmente
são pacíficas, queremos viver em boa convivência e o contrário disto fomenta a indignação de quase todos."
"Desenganemo-nos, só o Amor pode nos libertar do sofrimento. Urgimos em aprender a amar, pois a conseqüência do
desamor nos faz prisioneiros de voltar a este mundo uma vez atrás da outra. Pedimos em oração a Deus o pai nosso, que
nos livre de nossos inimigos. A convivência com um inimigo não é recomendável, pois a situação pode se agravar tanto
que, brote a violência e conduza inclusive, a extremos homicídios. A prudência nos aconselha, assim, a nos afastarmos
das pessoas incapazes de conviver sociavelmente. Os seres humanos são imprevisíveis as diferentes maneiras de viver e
sentir as situações pelas quais passamos. É difícil Amar sem limitação alguma. Em muitos casos, um amor sincero, sem
egoísmo, não existe nem entre as pessoas com os mais estritos laços. Genros e noras, por exemplo, quase nunca se
apreciam por seus méritos próprios, mas sim em função da qualidade de vida que proporcionam a nossos filhos."
"Não é realmente difícil perdoar os desagrados. Quando alguém nos ofende, buscamos até encontrar o defeito da pessoa
que desencadeou tal comportamento menos nobre ou desleal para conosco, ou o que é pior, contra nossos seres mais
queridos. Disto desprendem-se várias atitudes, da mais radical "nunca o perdoarei", a outras mais suaves, "perdôo,
mas não esqueço", ou " esta pessoa não é nada, sinto total indiferença". A indiferença é ausência de amor. Não é ódio,
mas sim desagrado as debilidades que julgamos imorais e "condescendentes" assegurando-nos de que quem nos ofendeu
não tem princípios, ou que é tão primitivo que só pode pensar em cobrir necessidades materiais, pois não conseguiu
desenvolver seus sentimentos."
"Admito que não seja fácil seguir tendo na mesma estima, como se nada houvesse ocorrido, a pessoa que nos fere o
corpo e a alma, que nos rouba, que nos trai. E dói mais ainda, recebermos um tratamento que nunca demos. Sentir que
pisoteiam o amor que havíamos oferecido sem reservas e a resposta quase sempre é fechar a porta do coração. A
desconfiança é um bom conselheiro para nos impedir que o afeto maltratado, ressurja novamente. Encontramos os
argumentos que sejam necessários para dar apoio a nossa atitude. Por certo que temos o direito de esquivarmo-nos de
situações desagradáveis, mas não é menos certo que, ao mesmo tempo, mantenhamos nossa postura de não esquecer nada e
cada um dos condicionantes morais que tenham impulsionado a ocorrência de maneira tão injustificada, a pessoa a qual
guardamos prudente distância.
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"Cabe a possibilidade de encontrarmos alguns defeitos tão graves uma vez que já os superamos. Ter superado um
defeito, significa que este havia tornado parte de nossa personalidade. Ele nos mostra que devemos ser mais
tolerantes e, se não somos capazes de praticar esta virtude, admitamos pelo menos que esta é nossa falta pendente."
"Não quero que alguém que tenha acesso a estas páginas possa crer que quando exponho pensamentos e comentários, o
faço com a pretensão de me sentir bastante superior, como a dar conselhos aos demais. Muito pelo contrário. Quero
confessar aqui, que eu também sinto indiferença, prova irrecusável de minha pequenez. Sei, sem a menor dúvida, que as
pessoas as quais me afetaram, magoando-me consideravelmente, voltaremos a nos reunir em uma nova reencarnação. Apesa
disto não consigo evitar que "elas", espiritualmente, terão melhorado. Neste momentâneo e contínuo tribunal..."
"Jesus insistiu uma vez depois da outra, a necessidade de amar e perdoar aos inimigos. "Porque se amas a quem te
amas, que recompensa terás?". E quando Pedro perguntou se tinha que perdoar a seu irmão sete vezes as ofensas
recebidas, o Mestre lhe respondeu: "Não te digo sete vezes, mas sim setenta vezes sete". Estranha pretensão a nossa,
imperfeitos mortais, temos a obrigação de nos mostrarmos magnânimos e não podemos esperar que nosso Pai nos perdoe as
culpas, sempre ocasionadas pela condição humana. O senhor Wojtyla, assim o tem ratificado. A condenação é eterna para
quem se equivoque a primeira sem se arrepender. Falta saber em que consistirá esta condenação e que tipo de "justiça"
lhe regerá, porque a consciência dos seres humanos pode ir de um cinza pálido ao negro."
"O raciocínio do Vaticano são tão contraditórios, tão distantes da lógica que não me convencem nem minimamente.
Desvirtuam a mesma essência de um Pai perfeito, tal como Jesus ensinou. A perfeição divina em grau infinito,
resultando ser incoerente a ausência de misericórdia e rechaçando eternamente milhares de almas. Sigo crendo que os
evangelhos e os Feitos dos Apóstolos, devem ser analisados com um critério são. As idéias pessoais de seus autores,
expressadas em uma linguagem pobre e devido a numerosas traduções realizadas, são os maiores obstáculos na hora de
interpretar uma leitura esclarecedora. Sempre que tento harmonizar determinados textos com objetividade, sinto-me
envolvida por um grande caos mental. E é um deleite de tal categoria que é difícil de digerir e mais de uma ocasião
as pessoas acabam privando-se da Bíblia por não compreender sua turva linguagem.
"De certo te digo, que ele que nasceu outra vez, não pode ver o reino de Deus". Esta é a lua do evangelho. O
mistério descoberto dos enigmáticos hieróglifos. Não existe outro, A Reencarnação se repetirá sempre, nos fala de
justiça, de igualdade da Criação. Há um único caminho que conduz ao cume do Reino: a prática total do Bem."
"O perdão é um estado de amor, de humildade, de generosidade. Neste aspecto, a lição mais sublime recebemos do
Mestre Jesus. Injustamente aprisionado, acusado, condenado, flagelado, coroado com espinhos e condenado a morte na
cruz, mesmo os soldados cumprindo seu mandato, Ele, superando a si mesmo, em um abundante e generoso amor, converte
em realidade seus ensinamentos, suplicando: Pai, perdoa-lhes, pois eles não sabem o que fazem".
"O perdão é, sem a menor dúvida, o lacre e a marca de espíritos superiores, mas o gesto de Jesus vai além. Não
somente perdoa, mas roga clemência para seus carrascos. E este ato garante a autenticidade de sua missão. O exemplo é
apenas uma rubrica que tem mais força do que as palavras e, nós seres humanos o necessitamos."
"Penso que Jesus sabia que não era preciso pedir clemência ao Pai. Recorrer a esta instância significa tentar
que se suavizem os sentimentos de alguém, com o objetivo de que adote uma posição mais amena, não tão rígida. Se a
razão não nos permite questionar que as leis divinas são justas e imutáveis, não cabe acrescentar que, além disso são
clementes".
"Dando mãos a imaginação, eu que não suporto a menor injustiça, percorri o longo caminho do Calvário,
carregando comigo, injúrias, ultrajes e torturas, até sentir quase com calafrios, como os pregos penetravam em minhas
extremidades. O ponto culminante da cruel condenação. E quando o ar parece faltar em meus pulmões e um grito de
rebeldia nasce do fundo de minha alma, escuto as palavras do Mestre que crescem e crescem, ressoando no infinito".
"Meu espírito permanece acorrentado, consciente de que através de milênios, quando só era um embrião espiritual,
comecei o longo processo evolutivo. Tempo e mais tempo para aprender a caminhar, entre resvaladas e quedas ao fundo
do abismo. Que tipo de comportamento haverá gerado minha ignorância? Com quais déspotas procedimentos me mantive no
poder, alimentando o próprio orgulho, submetendo escravos e família? E de quantas amargas lágrimas causaram minha
frieza? As perguntas, claras e desafiantes, sacodem-me e adivinho as respostas. Respostas que uma lei prevista não
esconde, porque desconhecendo nossa inferioridade e a gravidade das culpas acumuladas, nos seja mais fácil tirar um
bom resultado de cada nova oportunidade que nos concedem nas múltiplas reencarnações. Sim, a falta de memória das
existências passadas, longe de ser um obstáculo, nos acalma a caminhada e, deste modo podemos conviver, mediante
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laços familiares, com o pior dos nossos inimigos ou com quem temos tirado a vida."
"Comove-me o gesto de Jesus! Sua indiscutível ternura até o ponto de suplicar perdão para os culpados,
atribuindo seus atos a sua falta de conhecimento do bem! Tanta magnificência me dá energia suficiente para
levantar-me e permanecer de pé. Se súbito descubro o que quero é o que hei de conseguir."
"Quando um ser é capaz de perdoar uma ofensa, sem calcular sua magnitude, este ser se liberta do jogo de ódios
e rancores, nada lhe oprime, conquistando o direito de respirar o ar limpo que envolve as consciências na paz."
"A situação de quem foi perdoado, em contraponto, não é a mesma. Uma grande distância separa um do outro.
Quanto mais sincero e generoso é o perdão, mais pequeno e embaraçado se sente o culpado no momento em que desperta
sua consciência, elevando-se a ser seu próprio juiz. O perdão que nos concedem, mantém-se presente em nossa memória,
de modo irrevogável, mostrando-nos que cometemos um ato punível".
"É por esta razão que não quero que me perdoem. Se alguém o faz, melhor para ele, significará que é um espírito
que está num bom nível espiritual. Mas a mim, não me basta obter o perdão por minhas debilidades. Quero, necessito
imperiosamente, que quem tenha recebido algum dano mais ou menos grave de minhas mãos, me permita que o ame. Curare
as feridas, secarei lágrimas... Apenas necessito do tempo e tempo é o que terei da eternidade. Sei que aquela ternura
que desprendem das palavras do Mestre Jesus, invadirá meu espírito e nada me deterá para chegar aos mais altos
postos de Equilíbrio e Paz, porque o Amor não carece de fronteiras, não tem limites. O amor vem de Deus, por isto é
infinito"!




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FINAL DO TRAJETO


Uma dupla fileira de verdes plátanos costeavam o largo calçadão. Durante o verão, seus ramos estendidos se juntavam
para converterem-se em sombra protetora, suavizando o rigor do sol. O forte vento outonal que soprara na noite
anterior, havia arrancado numerosas folhas secas que faziam barulho quando os transeuntes as pisavam. Pouco a pouco
os plátanos ficariam nus e a sua caduca vestimenta, durante o período do inverno acinzentava seus troncos, altivos e
desafiantes permaneciam ali, imbatíveis, suportando o açoite dos ventos gelados. A primavera, sempre pontual,
despertaria com sua presença, a natureza. Novamente a vida brotaria por tudo, envolvendo com ternas folhas as árvores
que as perderam e da terra estéril durante meses, surgiria a magia de mil plantas de distintas formas e cores que,
eloquente mensagem, nos falariam de seu renovado existir.
Era véspera de finados. Dora saiu da consulta médica e começou a caminhar devagar pelo calçadão olhando a folharada,
o que lhe fez sentir uma agradável sensação, porque pensou no nova primavera que viria ao findar o inverno. Lá na
sala de espera os pacientes sustentavam, mais ou menos, a conversação de sempre, seus problemas de saúde. Aquela
tarde alguém enumerou recentes ingressos hospitalares, inclusive o falecimento de três pessoas conhecidas. Isto
produziu sobressaltos e lamentos, sendo a queixa mais comum a rapidez com que transcorre o tempo, engolindo tudo. A
maioria das pessoas que ali estavam chegara a jubilação e portanto, sabiam que, ainda que se negassem a admitir
abertamente, o final do trajeto estava perto. Um final, diziam, que não há como escapar nem retornar. Uma mulher
recordou-se dos seus jogos de infância, o colégio, as excursões ao campo... Parecia-lhe que havia sido ontem, só
haviam transcorridos mais de sessenta anos e ela não sabia como.
Dora não se atreveu a se envolver na conversação. A julgar pelos comentários emitidos, o momento não oferecia
nenhuma possibilidade de reflexão. Se ela tivesse pontuado que a vida é inextinguível, teria apenas aumentado o grau
de incredulidade imperativo no local. Lastimou pelas pessoas que a rodeavam. Seu medo era quase palpável. Estava
impressa em seu olhar apagado, uma resignação que nasce com a impotência. Causa calafrios comprovas que tantos
milhares de seres cheguem ao final de sua existência com um escasso ou nulo conhecimento sobre a vida espiritual.
O materialismo frio, cruel e total, defende que atrás de um plano mais ou menos ao longo prazo, desconhecido mas
certo, chega um momento fatal de deixar de existir. É o não ser, não sentir, não fazer parte da vida. Repugna aceitar
a total destruição dos seres, não recuperar jamais os movimentos, a ação, a capacidade de pensar e trabalhar, sem que
tenhamos o direito de abrigar paixões, desenvolver sentimentos e levar ao fim empresas e altares da sociedade.
Dora percorreu as dependências do seu lugar. Contava com infinidades de objetos que conservava por alguma razão
especial, recordações de família e de viagens, quadros... Mais acima sobressaltava as estantes repletas de livros que,
com seu marido, que haviam colecionado ao longo de mais de quatro décadas e constituíam um são alimento moral e
intelectual para a família. Algumas vezes lia um título do querido tesouro, pensou que toda possessão, por menor que
seja, cria laços escravos e supõe um esforço desprender-se dos pertencimentos que formam parte de nosso todo. Com
maior motivo as uniões afetivas mais estreitas, são vínculos de uma magnitude considerável, por cuja razão a morte de
um ser amado é uma prova difícil de superar. Ela o sabia muito bem e as experiências vividas, lhe possibilitavam
entender a dolorosa situação das pessoas que atravessam a angustiante transição da separação.
Sobrevivência ou destruição, está ai o elo da questão, o ponto de partida da eterna discussão. Sobrevivemos a
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morte física? Personagens de renome indiscutível afirmam crer na vida mais adiante.
"A tumba com a qual se fecha os mortos abre o firmamento; e o que acreditamos ser o fim, é o começo. A morte é
a prova da vida". Victor Hugo
"Não digais que estou morto" Robert Browning, poeta inglês.
As últimas palavras do escritor Walter Scot, foram: "Sinto como se tivesse que ser eu mesmo outra vez".
"O amor é mais poderoso que a morte; o amor existe, a morte não." León Denis.
Afortunadamente dispomos hoje de um grande número de homens e mulheres que desde o campo da medicina constatam
com experimentos de regressão a vidas passadas, que a sobrevivência é uma realidade. Tudo que o espírito aprendeu em
suas diversas encarnações constitui a memória extracerebral e de forma provocada ou espontânea, se consegue que
pessoas de todas as idades possam detalhar as circunstâncias e os lugares onde se desenvolveram anteriores vidas, às
vezes tão próximas que possibilitam um reencontro com suas surpreendidas dívidas. Tais comprovações trocam o
desespero pelo sossego, atrás da escuridão se fará à luz.
É de se esperar que o por vir, do que hoje são alguns controvertidos mas sugestivos estudos, transcendam até o
domínio público e a Lei da Reencarnação, abarcada pela ciência, adquira o reconhecimento que merece. Ao nível
planetário é incalculável o benefício que pode apontar esta verdade universal. De imediato começaríamos a cuidar da
Terra, o lugar ao qual regressamos para completar nosso crescimento moral. Necessitamos das selvas e matas, do ar
limpo e que os mares não estejam contaminados. Não podemos esquecer que é de vital importância impedir o progresso
avassalador do planeta, dos danos que mãos insensatas estão causando. Nada, mediante um aviso, derruba suas casa para
viver sem abrigo, exposto as necessidades. No entanto a natureza está sendo maltratada por quem mais deveria
respeitá-la: o ser humano, que não pode escapar do processo evolutivo que lhe obriga a regressar no cenário terrestre.
Apesar de existirem leis sancionadas e centros penitenciários, estes não são obstáculos para que se continuem
cometendo numerosos delitos. É certo, mas os infratores comumente, pensam poder livrar-se desta lei, porque crêem
que nunca serão aprisionados e, no pior dos casos, fica o recurso de manter uma boa cartada e até dispor da ajuda de
um competente advogado, se o responsável desfruta de boa condição econômica.
Ficou comprovado em mais de uma ocasião que, a justiça humana é falível, mas não é assim a natural ou divina.
Se estivemos persuadidos de que toda ação negativa teremos, inevitavelmente, as conseqüências proporcionais aos
deslizes cometidos, mudaríamos de comportamento, mesmo que em um primeiro momento apenas o medo nos guiaria por n
fazermos credores a situações análogas ou equivalentes a que tivéssemos provocado. Não admite dúvida que o dano moral
ou físico ocasione a um semelhante, retornando sempre ao seu executor e esta representa a mais justa e estimulante
lição. Não há tribunal mais infalível, nem juiz mais severo que o próprio ser. Acontecem ocasiões que um espírito
durante séculos, pode encontrar atenuantes para seus delitos, mas a seu devido tempo despertará da pressão da
imutável lei de evolução e compreenderá a tarefa de reajustar-se espiritualmente.
É momento de insistir que não a final de trajeto, já que retornamos a escola da Terra até provar todas as
situações. Grande erro é sentir um imenso apego ao país que tenhamos nascido, crendo-nos tão superiores que chegamos
a menosprezar ou odiar aos demais, devido à cor de sua pele, o lugar de sua procedência, quando na realidade
pertencemos a todas as etnias, animando corpos de distintos sexos e formatos participando das mais diversas posições
sociais.
A mente de Dora acudiram, como que a brotar, umas frases como canos procedentes de um mesmo princípio, apagando
a sede de seu constante indagar.
Bhagavad Guita, diz: "As virtudes conduzem a libertação da mortalidade e a união com Deus. Os vícios obrigam a
repetidos renascimentos na profundidade da mortalidade. As virtudes conduzem a emancipação; os vícios a escravidão."
Um ensinamento budista diz: "É norma da natureza que o que se semeia é o que se colhe".
"As aflições não são, muitas vezes, mais do que benefícios disfarçados. A adversidade é o que exercita os
homens". Smiles
"Cada alma atrai o que é seu e nada lhe aproxima que não lhe seja correspondente".
"... e com a medida que tiverdes medido serás medido também." (Mt. 7,2)




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A CAMINHADA ILUMINADA



Em seu diálogo interior, Dora se deleitava ao recordar que o caminho até o ápice está assinalado por infinitas e
reluzentes luzes indicadoras. Ninguém pode errar o caminho se prestar atenção as advertências dos grandes Mestres e
aos seus mais esclarecidos alunos. Personagens exemplares que desfilaram pela história, emitindo juízos sãos e
advogando pelo procedimento correto.
Obrigação é a de repetir algumas comprometedoras palavras de Jesus, segundo Mateus, que tem por finalidade um grande
significado: " Ama aos teus inimigos e roga pelos que o perseguem..."
Sócrates ensinava a não desdenhar a pessoa alguma, dizendo: "Nossas orações devem encaminhar-se a prosperidade de
todos porque os deuses sabem muito bem o que particularmente nos convém".
Dizia Pitágoras: "Há felicidade em poucas coisas. Perdoa as debilidades humanas".
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O budismo declara: "O rancor nunca acaba com o ódio. Só o amor termina com ele. Esta é uma lei eterna".
J. Bálsamo nos chega à consoladora frase que abre a porta de uma esperança certa: "Para Deus nunca é tarde, porque
nunca anoitece em seu dia infinito".
A humanidade, um dia, haverá de envergonhar-se de sua ingratidão diante de tantos ensinamentos, por humildes que
sejam, expressada com o nobre desejo de convidar ao próximo a iniciar ele próprio seu crescimento moral.
O tropeço e as quedas inevitáveis são a conseqüência de caminhar com os olhos fechados. Permanecer, por indolência,
atrapalhados em profundo atraso e abandono de inquietudes espirituais, não faz mais do que retardar a evolução
individual e coletiva. Viver sem esperança, como enfermos terminais, impede o vislumbrar horizontes de maiores
relevâncias e, dificulta o trânsito por este mundo.
Inevitavelmente, os mais acirrados detratores da espiritualidade, depois da morte física, comprovam surpreendidos,
que somos imortais. É o grande triunfo da eternidade verdadeira sobre a inexistente morte definitiva.
Dora sorriu com uma onda de satisfação, ela jamais havia balançado diante da idéia de reduzir a vida a uma única e
efêmera instância neste planeta, sem uma continuidade precedente. A razão nos dita de que viemos de um Amor sem
limites.
Sem Amor não existiria a Criação. O Amor é a essência da Causa primeira, a Energia que fecunda a Vida Eterna.
O amor não adoece de nada porque é o todo.
O Amor orado abranda o espírito mais duro, e uma vez instalado nele, se transforma em fraterno abraço universal.
O Amor é o potente sentimento que quando cativa, liberta de egoísmos e vaidades.
O Amor acalanta o frio das almas enfermas e lhes devolve o calor da Vida.
Junto ao Amor germina, esplendorosa, a semente do Bem, por isso quem ama desprende generosidade e perdão.
O Amor é o fogo que purifica, sufocando deficiências e acendendo ânsias de progresso.
O Amor é luz que guia as almas até a sabedoria.
A força vigorosa do Amor invade toda criatura que consente em ser arrebatada pelo êxtase de saber que é filha
do Criador.




Igualada, 28 de Novembro de 2000.



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NO CALOR DA CAMA
l. p. baçan

Capítulo 1

Enquanto sua garota ia retocar a maquilagem no banheiro, Derek foi
conversar com um amigo, que conhecia de perto seu problema e que já
tentara aconselhá-lo antes.
- Eu não me incomodaria com isso, Derek. A disputa entre as
mulheres hoje em dia é muito grande. Elas são em maior número. Se Rebeca
quer dar uma de gostosa, deixe que ela vá em frente e se lasque toda.
Você vai ver como ela virá com o rabo entre as pernas, quando perceber
como a disputa está feia lá fora.
-Pode ser que você tenha razão, John. Afinal, é um exemplo vivo
dessa filosofia, não? - observou Derek.
-Não tenho do que reclamar, Derek. Essas mulheres estão cada vez
mais taradas. Hoje eu pude me dar ao luxo de escolher a mulher com quem
sairia. O que acha de uma coisa dessas?
- Estive trepando com uma só por muito tempo. Se a coisa está
assim, acho que vou gostar de liberar Rebeca. Afinal, isso pode me
custar apenas um par de chifres. Em compensação, fico livre para
experimentar as outras.
-Esse é o princípio, Derek. Esse é o princípio -comentou John.
- Então vamos ver isso bem de perto - falou Derek, rindo.
Após o jantar, ele e Rebeca foram dançar e, finalmente, acabaram
na casa dela.
- Você esteve muito gentil o tempo todo - comentou ela.
- Estive pensando, Rebeca. Acho que você, afinal, tinha razão. Não
devo prendê-la. Somos namorados, mas você precisa ter as experiências
que desejar. Só assim saberá me valorizar - falou isso.
A princípio, Derek pensara que isso seria muito difícil de fazer.
Depois, à medida em que se lembrava das mulheres com quem cruzara ao
longo daquela noite, dos olhares, das insinuações, da sedução daquelas
roçadas involuntárias de corpo, percebeu que poderia acabar ganhando
muito mais do que perdendo.
Estava há muito tempo com ela. Talvez fosse a hora de experimentar
mesmo outros pastos. E depois, como diria John, era só lavar que estava
novo outra vez.
- Está falando isso de coração? - indagou ela, emocionada.
-Com toda sinceridade-afirmou ele, sem estremecer ou vacilar
quando a olhou direto nos olhos.
- Vamos trepar - disse Rebeca, com sua voz incrivelmente modulada
e sensual, encarando-o.
- Isso a excitou?
-Muito-afirmou ela. -Não sabe como isso me deixa feliz, amor.
Derek, olhando-a nos olhos, segurou-a pelas mãos e levou-a até o
quarto.
Ela se sentou na cama, olhando-o sempre. Ele tirou o paletó,
depois a camisa, exibindo os músculos bem definidos de seu tronco.
Tirou os sapatos, as meias e abaixou a calça. Porfim tirou a
sunga. Seu caralho já estava duro.
- Está com tesão? - perguntou ele.
- Sim, você sabe que isso me deixa ligadona - falou ela,
estendendo a mão e apagando a luz do abajur.
No escuro, ele ficou esperando. Ouviu o farfalhar das roupas dela.
Quando subiu na cama, Rebeca já o esperava com as pernas abertas e a
xoxota lubrificada.
- Quero já - pediu ela, enroscando-se nele, puxando-o para junto
de si.
Ele se deitou e ela imediatamente subiu nele, vestindo uma
camisinha no cacete dele, depois acomodando-o às portas de sua
bucetinha.
Gemeu, quando soltou o corpo e o fez enterrar-se profundamente
dentro dela.
- Você está mesmo com tesão - observou ele.
- Já gozei, só de pensar nas trepadas que vou poder dar com outros
homens, talvez nesta mesma cama. Agora ela é território livre - disse
ela.
- Então vamos invadir já esse território livre - murmurou ele,
movendo os quadris no mesmo compasso dela, sentindo a cabeça de seu
caralho esfolar-se numa bucetinhá incrivelmente apertada.
Ela começou a gozar logo e continuou, mordendo os lábios para não
gritar, saltando sobre ele, sentindo aquele membro grosso alargar suas
dobras vaginais e roçar por completo o interior de sua xoxota,
esfregando- se em seu ponto G e fazendo-a se derreter.
Ela apertava e alisava o peito dele e os músculos do braço,
gozando ininterruptamente, quase perdendo o fôlego naquela cavalgada
alucinante, até que ele gozasse e enchesse a camisinha de esperma.
Ficaram gemendo e suspirando, aproveitando cada espasmo de prazer,
cada contração de seus ventres.
Rebeca ficou sentada na pica, rebolando os quadris e retirando
daquele cacete ainda duro um resto de prazer. Ele se estendeu na cama,
sob ela, extenuado.
Ela continuou movendo o corpo, subindo e descendo. Ele estremecia
e apertava os lábios. Ela foi aumentando novamente os movimentos. A pica
dele se mantinha em pé, deslizando com facilidade na xoxota lubrificada
e cheia de porra. Ela se ergueu, então, deixando o cacete dele escapar
de sua chana.
Derek pensou que ela fosse sair mas, num gesto inesperado, ela
guiou o caralho para o meio da bunda dela.
Comprimida, a porra que enchia o reservatório vazou por entre os
pêlos dele.
- Você vai comer meu rabo agora... Vamos aproveitar esse, cacete
durinho e lisinho - disse ela, com a voz rouca de tesão.
Rebeca foi soltando o peso do corpo sobre o membro dele. Derek
sentiu as preguinhas se dilatando.
Percebeu que a glande se apertava para encontrar o caminho,
avançandofirmemente.
A garota gingava a bunda de um lado para outro, oscilando o
tronco, enquanto fazia a pica dele invadir seu cú apertado e ardente. A
cabeça entrou.
Depois o resto do membro foi deslizando para dentro dela, que não
parava. Continuava rebolando.
Derek sentia um tesão enorme, com o pênis sendo sugado para dentro
daquela bunda esfomeada.
- Está... gostoso... - suspirou ela.- Põe tudo... quero sentir até
o fim... Enterra... Enterra tudo dentro de mim... - continuou ela,
movendo os quadris, até que o pau dele estivesse todo enterrado em seu
rabo.
- É bom demais - ofegou ele, sentindo seu caralho inteirinho
dentro dela.
- Oh, que coisa louca! - ajuntou ela, gemendo de prazer.
Suas mãos subiram pelo corpo dela, indo bolinar seus seios. Ela
continuou rebolando, subindo e descendo lentamente o corpo, aumentando
aos poucos o ritmo.
- Posso ficar em seu cú o resto da vida... Não sinto vontade de
parar... Meu caralho continua duro...
- E eu ficaria, se não quisesse tanto experimentar outros caralhos
em meu rabo...
- E eu quero experimentar outros cuzinhos, tão famintos e
apertados como o seu, para engolir meu caralho com tanta vontade... -
sussurrou, de forma que ela não o ouvisse, coordenando seus movimentos
aos dela.
O tesão aumentava violentamente. Ela começou a galopar sobre ele,
com a pica entrando e saindo de seu rabo. Derek correspondia,
golpeando-a com força.
A garota gozava com a vara dentro dela, entregando-se totalmente.
Derek sentiu seu caralho arrebentando-se de tesão.
Todo o seu corpo se agitou, então, ele gemeu alto, junto com
Rebeca, enquanto apertava os seios dela.
A garota empurrou com força a bunda contra o caralho dele e ficou
estremecendo e gemendo, contraindo os músculos, enquanto ele voltava a
gozar e encher a camisinha de porra.

Derek deixou a casa de Rebeca de madrugada. Quando retornava,
guiado por um impulso repentino, passou por um bar que havia muito não
freqüentava e onde deixara de ir, quando começara seu relacionamento com
Rebeca.
Havia bastante movimento ainda e uma garota, no balcão, chamou-lhe
a atenção.
Tinha um corpo muito bonito e parecia deslocada naquele ambiente.
Foi se sentar ao lado dela.
- Está sozinha?
- Sim, meu namorado me deixou esta noite.
Derek olhou para os lados. Era, com certeza, a mais bela mulher
dali. Sentiu-se em sua noite de sorte.
-Tem um namorado reserva?
-Sim, sempre trago um pardeles em minha bolsa-ironizou ela.
- Que tal experimentar um novinho em folha? - propôs ele, sentindo
que aquela era sua noite de libertação também.
Se Rebeca estava tão ansiosa para conhecer outras camas e outros
cacetes, ele tinha todo o direito de conhecer também outras camas e
outras bucetas.
A jovem se voltou para olhá-lo com simpatia.
- Sempre age dessa forma?
- Não, mas tenho meus motivos para estar assim hoje à noite -
respondeu ele, abrindo a porta.
- E que motivos são esses?
-Minha namorada me deu o fora-disse ele, convencido de que, de
certa forma, aquela não era uma mentira total. -Quer uma carona? Eu a
levo para casa. Olhando-o nos olhos, a garota ficou indecisa por
instantes. Depois tomou o resto de sua bebida, apanhou a bolsa e deixou
a cadeira do balcão. Derek segurou-a pelo cotovelo e levou-a até o
carro.
- Onde mora?
- Avenida Riverside.
- Certo, vamos lá - concordou ele.
- Meu nome é Carina.
- Ok, Carina. Sou Derek - respondeu ele, estendendo a mão, que ela
apertou com gentileza.
Tinha dedos firmes, mas macios. Conversaram e em pouco tempo Derek
descobriu naquela garota uma espontaneidade que há muito não via em
outra mulher. A garota morava num condomínio próximo de um centro
comercial.
- Quer entrar, tomar uma cerveja ou um café? - convidou ela,
sondando-o.
Nenhum compromisso o esperava e aquela noite tinha de ser especial
para ele. Não podia recusar aquele convite.
- Acho que vou aceitar um café - concordou ele.
Foram até o apartamento dela. Carina foi na frente, acendendo os
abajures.
-A cafeteira está na cozinha e todo o material necessário ao lado.
Pode ir adiantando as coisas? Vou vestir algo mais confortável.
- Deixe comigo - respondeu ele.
Ele foi até a cozinha e encontrou a cafeteira e tudo o mais.
-Tudo sob controle? - indagou ela, atrás dele.
Ele se voltou para olhá-la. Vestia uma camisola transparente sobre
o corpo perfeito, exibindo, abaixo do ventre uma cabeleira escura e
farta.

Ele nada disse. Ficou admirando a garota, enquanto ela ia ao seu
encontro, abrindo o zíper da calça dele, enfiando a mão e retirando pela
abertura o cacete, que terminou de endurecer entre seus dedos macios e
carinhosos.
-Querotransar... Querotransarcom um homem deverdade, que coma a
minha bucetinha... Que foda o meu rabo... Que me chupe inteira... Estou
desesperada de tesão... Quero ser usada... Lambida... Comida por essa
pica grossa e dura...
Ele se arrepiou todo com aquela voz ardente em seu ouvido, com
aquela língua atrevida penetrando sua orelha.
Ela se contorcia, esfregando-se nele, os dedos possessivos
enlaçando e acariciando o cacete duro, apertando, movendo para cima e
para baixo numa estonteante massagem.
- Quero chupar esta pica... - gemeu ela. - Quero-o na minha
boca... na minha buceta... no meu cú... -suspirou, subindo pelo corpo
dele com um fogo impressionante.
Parecia mesmo desesperada por uma trepada. Quando ele deu por si,
estavam os dois na cama, já nus.
Ela se debruçou sobre ele, lambendo seus testículos, enquanto as
mãos dominavam-lhe o membro endurecido.
Seus lábios carnudos e entreabertos aproximaram-se lentamente. A
língua estendeu-se, úmida e trêmula, roçando a glande avermelhada,
alisando-a e umedecendo-a de saliva.
Derek estremeceu, diante da fome e do tesão daquela mulher. Sentiu
o hálito ardente dela sobre sua glande e, no momento seguinte, uma boca
esfomeada e ardente envolveu seu membro. Ele se sentiu deslizando para o
interior de um paraíso morno.
Tremores de prazer fizeram todo o corpo dele estremecer, enquanto
a língua e a boca da garota o brindavam com as carícias mais íntimas e
alucinantes.
Ele acariciou febrilmente os cabelos dela, empurrando sua cabeça
contra o pinto, enterrando-o todo entre os lábios carnudos que o
devoravam.
- Vem... Vem... - pediu ela. - Quero ser chupada... Você me chupa?
- pediu ela, fora de si, já virando o corpo e enfiando sua chana molhada
e perfumada direto na boca dele.
Ele hesitou por instantes, mas aquela bucetinha estava tão
perfumada e tão apetitosa que ele não resistiu.
Agarrou-a freneticamente pelo traseiro, apertando-a contra o
rosto, puxando-a totalmente sobre si.
Sua língua enterrou-se de uma vez na buceta dela, afundando-se nas
carnes úmidas e perfumadas, buscando o ponto G para uma carícia
alucinadora.
Ela gemeu de prazer, arqueando todo o corpo, rebolando os quadris,
esfregando-se nele.
-Vocêé muitogostoso!-murmurou ela.-Quetesão de pinto... Que tesão
de corpo...
- É você quente demais... Muito quente e muito gostosa...
respondeu ele, erguendo o traseiro dela para examinar, com olhos
devoradores, a bucetinha bem delineada, com lábios rosados, contrastando
com os pêlos escuros que a rodeavam.
O perfume era perturbador e excitante. Ele afundou a cabeça entre
as coxas dela, bebendo direto na fonte o néctar mais embriagador.
Sua língua deslizou pra cima e para baixo, antes de se deter no
delicado grelinho, fazendo-a se remexer fora de controle.
Arrepiada e empolgada com aquela carícia tão íntima, ela voltou a
chupar sofregamente o caralho em sua boca, mascando-o e mamando- o com
um prazer inenarrável. Suas mãos distribuíam carícias recíprocas e
apressadas.
Gemidos e murmúrios apressados escapavam de suas gargantas. A
excitação aumentava vertiginosamente.
Derek queria acariciá-la por inteiro, tocando seus seios, alisando
sua bunda, massageando suas coxas.
- Não pare... Põe... Enfia o dedo... - pediu ela, alucinada,
quando a mão dele deslizou ao longo do rego entre suas nádegas. Derek
não a fez esperar. Seu dedo encontrou o orifício do ânus dela.
Massageou-o, forçando a entrada. Ela gemeu mais forte, quando o dedo
penetrou e ficou acariciando-a por dentro, levando-a à loucura.
- Põe tudo... Até o fim..: Lá dentro... Eu gosto... - suplicou
ela, estremecendo-se toda.
Derek vibrava, sentindo o calor intenso daquele corpo, enquanto
ela chupava, lambia e mascava seu cacete, levando-o ao auge da
excitação. Derek se viu à beira do orgasmo.
Ela continuava, enquanto estremecia continuamente, gozando mais e
mais.
-Não goze já, por favor... -suplicou ela, a língua deslizando ao
longo do pênis ereto dele.
- Não se preocupe... -tranquilizou-a ele, a língua indo e vindo na
xoxota molhada, o dedo enfiado no cu dela, girando, afundando-se,
retirando-se e voltando a entrar.
- Quero tudo... - pediu ela, com o corpo todo entrando em
convulsão.
Ele voltou a se concentrar no clitóris dela. Gemidos profundos e
roucos escapavam dos lábios entreabertos da garota, que estremecia
continuamente.
- Oh, como é bom... Como você é gostoso... Não pare... Mais...
Tudo... O dedo... A língua... Chupe... Assim... Oh, que delícia!-gemia
ela, enquanto ele se esmerava nas carícías que a punham fora de si,
chupando, beijando, lambendo, massageando, roçando habilmente seu ponto
G.
Tremores convulsos e suspiros mais fortes anunciaram o gozo no
corpo dela. Gritinhos escaparam de sua garganta, entrecortados,
deslumbrados, em êxtase.
- Goze... Goze bastante, querida... Goze no meu cacete... na minha
língua e no meu dedo... -murmurou ele, controlando-se ao máximo.

- Oh, como você é gostoso... Que tesão! Não pare... Estou
gozando... Gozando sem parar... - disse ela, agitando-se toda.
Depois, gradativamente, foi relaxando o corpo sobre o dele,
repousando a cabeça entre as coxas de Derek, que se sentiu tonto e à
beira da explosão, querendo enfiar seu caralho nela e gozar livremente.
-Quero gozar... Deixe-me fodê-la... -pediu ele, tentando virá- la
para trepar nela.
- Eu só estava aquecendo os motores. Agora quero trepar de
verdade...
Ela se moveu sobre ele de novo, enlaçando seu cacete. Ficou
apertando-o entre as mãos, provocando-o, fazendo Derek tremer de tanto
tesão. Ele se sentia à beira da explosão. sentindo necessidade de gozar.
Seu pênis latejava.
- Você está acabando comigo - confessou ele, trêmulo de tanto
tesão.
As bolas de seu saco pareciam que explodiriam, de tão sensíveis
que estavam. Ela lambeu suavemente toda a extensão do membro dele.
Deteve-se na glande exposta, quase arroxeada agora de tantas
mordidas e chupões.
Umedeceu-a com sua saliva, lambeu-a, depois apanhou uma camisinha
sob o travesseiro e vestiu-a no caralho, empurrando-a com os lábios e
com os dedos.
Em seguida ela se deitou de barriga para cima, como uma gata
preguiçosa e lânguida.
- Sou toda sua agora, Derek... Venha trepar comigo... - pediu ela,
oferecendo-lhe o corpo excitado.
Os olhos dela brilhavam. Os lábios entreabertos e úmidos pediam
beijos, exibindo a ponta da língua oferecida. Os seios arfavam, no
compasso da respiração apressada.
Eram redondos e perfeitos, com biquinhos escuros, enrugados de
tesão e salientes.
O olhar dele desceu pelo ventre, onde uma suave penugem ia se
acentuando, à medida que descia rumo à xoxota.
Ajoelhou-se ao lado dela, admirando suas formas, aspirando o
perfume sutil e embriagador que vinha da chana molhada e excitada ao
extremo.
- Você é tão tesuda! - murmurou ele, espalmando as mãos sobre os
seios dela, deslizando pelas encostas, subindo e descendo, alisando os
mamilos durinhos, provocando-a e fazendo-a arrepiar-se.
Uma expressão de prazer e luxúria se estampou no rosto dela.
Enquanto uma das mãos afagava os seios, a outra descia rumo aos pêlos
fartos que rodeavam sua buceta.
A mão sobre os seios subiu para acariciar o rosto dela. A garota
mordeu delicadamente um dos dedos dele, chupando-o para o interior de
sua boca.
Ele se inclinou sobre os seios dela. Seu hálito quente e sua
respiração quase ofegante, fizeram-na se arrepiar.
Ele lambeu uma das tetinhas dela, subindo e descendo, detendo-se
no biquinho para mascá-lo com provocação.
Ela gemeu de tesão, remexendo-se inquietamente.
- Ah, que tesão gostoso! - rouquejou ela.
A língua dele desceu pelo ventre da mulher, fazendo-a se contrair
e se arrepiar de novo. As pernas dela se abriram naturalmente. O seu
perfume se acentuou.
Ele foi lamber provocantemente a chaninha dela, depois retornou
pelo ventre, até os seios.
A mão entrou pelo meio das coxas, buscando o grelinho,
friccionando-o delicadamente, continuamente, fazendo-a remexer-se toda,
antes de avançar e ir buscar de novo o ponto G, massageando-o com
habilidade.
Ela estava de novo em brasa. Em pouco tempo já se contorcia
novamente, suplicando por ele, pedindo que ele a fodesse. Derekjá havia
esperado demais para comer aquela mulher.
- Vem... Foda-me... - suplicou ela, entregue, dominada e alucinada.
Ele não a fez esperar. Avançou decididamente para aquela bucetinha
com seu caralho pulsando de tesão.

Capítulo 2

Derek examinou melhor a mulherdiante de si. Vestia-se elegante-
mente, com um vestidojusto e um generoso decote, que deixava à mostra as
lindas e perfeitas formas de seus seios.
Os cabelos estavam presos no alto da cabeça e a maquilagem era
discreta, apenas realçando sua beleza. Seu rosto era expressivo e
tentador, com lábios carnudos num desenho delicado e provocante.
Até então, nunca olhara para Malory Duncak como uma mulher de
verdade. Fora sempre uma cliente de sua seguradora, jamais uma provável
amante.
Pela primeira vez reparou como os olhos dela passeavam pelo corpo
dele. Naquele olhar Derek percebeu o desejo e a tentação. Haviam
terminado de fechar uma apólice de seguro da casa e Derek pedira para
fazer uma vistoria.
Após percorrer todas as demais dependências, estavam agora no
quarto dela. Malory ofegava e seus seios pareciam querer saltar fora do
decote. Estava ruborizada e o brilho de seus olhos se acentuava cada vez
mais.
Derek não teve mais dúvidas. Aquela mulher o desejava mais do que
qualquer outra coisa. Precisava incentivá-la e fazê-la quebrar aquela
barreira inicial.
Não sabia exatamente como fazer isso, mas parou junto dajanela e
ficou olhando para ela. A dona da casa de aproximou:
- O jardim é lindo, visto daqui - disse ele.
Ela se aproximou e ficou junto dele para olhar pela janela. Seu
perfume era tentador e convidativo. Lado a lado, olharam-se.
- Posso ser ousado? - indagou ele, num fio de voz, resolvendo
arriscar.
- Sim, por favor! - respondeu ela, trêmula.
- O que desejaria ter mais do que tudo neste momento?
Ela pensou por instantes, hesitando, mas olhando-o no fundo dos
olhos.
- Você! - respondeu, num fio de voz.
- E por que não me pede isso?
- Eu jamais ousaria:
-Ouse-encorajou-a.
Seu olhar cintilou e ela ficou trêmula e tensa.
- Quero você. Quero vê-lo nu agora mesmo!
Derek não se fez de rogado. Despiu-se diante dos olhos extasiados,
que ficaram examinando seu corpo másculo e peludo. Ela sentiu um tesão
forte e incontrolável, devorando-o com os olhos, desejando fodê-lo
desesperadamente.
- Você é tão desejável...
- Agrado-a?
- Muito.
- Você me queria, você me tem agora. O que pretende fazer comigo?
- indagou ele, indo se deitar na cama, de onde ficou olhando-a com
provocação.
Malory levou as mãos às costas e o vestido que ela usava nem
farfalhou ao deslizar para seus pés. Seu corpo exuberante se exibiu
diante do olhar de aprovação do rapaz.
Ela subiu pela cama e se pôs de quatro sobre ele, com sua xoxota
ao alcance da língua dele e o caralho dele ao alcance de sua boca.
- Que coisinha mais delicada é sua bucetinha... E tão perfumada...
-murmurou ele, passando os dedos com adoração na vulva graciosa e
molhada.
- Ponha a língua... - pediu ela, trêmula de desejo.
Ele enterrou, então, sua língua na xoxota dela, buscando a fonte
mais profunda do sabor, a origem do néctar que adocicava seus lábios. A
carícia foi intensa e prolongada, pondo Malory frenética e extasiada.
A boca ardente de Malory buscou a ponta do cacete dele. A língua
hábil e morna se estendeu, penetrando entre a glande e o prepúcio,
girando. A sucção e os movimentos de sua língua entonteceram-no. Ele se
agarrou às coxas dela, sugando com redobrado ardor sua buceta, lambendo
o clitóris, mordiscando-a cuidadosamente. Suas mãos escorregavam pelas
pernas dela, numa carícia longa e vibrante.
Malory gemia. Sua respiração entrecortada revelava toda a paixão
que explodia em seu corpo, arrancada pela língua dele. Ela retribuía,
sugando avidamente o caralho em sua boca.
Seus corpos se esfregavam numa dança alucinante e excitada. Lenta
e habilmente ele penetrou seu dedo médio na xoxota dela, buscando o
ponto mais sensível, até encontrá-lo. Quando massageou a região do ponto
G, Malory sentiu o ar faltar em seus pulmões.
Derek parecia ter ligado um interruptor na chana dela, pondo-a
frenética, aguçando seu tesão e sua sensibilidade a um ponto que pareceu
a ela insuportável.
- E muito bom... Você é muito bom-murmurou ela, mascando o cacete
em súa boca gulosa.
-Sim... Quero vê-la se acabar de tanto gozar em meu caralho...
-disse ele, num estremecimento de prazer.
Uma das mãos foi acariciar o reguinho tentador das nádegas dela,
buscando o cuzinho para uma carícia mais profunda. Ela rebolou,
aceitando aquele dedo que forçava a passagem por entre suas pregas
anais:
Ela gemeu de puro prazer. Ele redobrou os beijos e chupadas no
clitóris, enquanto o dedo médio continuava lá dentro, massageando aquele
ponto sensível da chana de Malory, que logo começou a gozar
incessantemente, interminavelmente, com seu corpo tomado por contrações
e espasmos.
Enquanto ela o chupava, ele movia os quadris ritmicamente, fodendo
a boca devoradora da garota, cujos lábios apertavam-se contra a pele
retesada de seu pênis.
Pouco a pouco os movimentos dele foram se tornando frenéticos. Seu
dedo não saía da xoxota de Malory, que se contorcia de prazer, gozando
seguidamente e chupando seu caralho.
Finalmente ele gemeu rouca e prolongadamente, retesando o corpo
abalado por espasmos.
- Vou gozar! - avisou ele e ela ergueu o corpo, masturbando-o e
vendo, deliciada, o esperma jorrar e escorrer por entre seus dedos,
enquanto Derek gemia e se esvaía de tanto gozo.

Derek observou com tesão aquele corpo escultural e lânguido
deitado ao seu lado. Os biquinhos dos seios exibiam as auréolas escuras
e as pontinhas rijas e excitadas.
Seu olhar fixou-se na penugem que rebrilhava abaixo do umbigo dela
e ia se engrossando, na direção do monte-de-vênus, formando um delicado
novelo de pêlos sedosos e enrolados ao redor da vulva.
-Essa brincadeira me deixou com mais tesão ainda. Quero trepar de
verdade agora- pediu ela e ele imediatamente calçou uma camisinha no
caralho e subiu nela, acomodando a bucetinha na ponta do seu membro.
Ela gemeu, quando ele soltou o corpo e se enterrou profundamente
dentro dela.
- Que tesão! - murmurou ela, movendo os quadris no mesmo compasso
dele, sentindo a cabeça do caralho esfregar o interior de sua bucetinha.
Começou a gozar logo e continuou, mordendo os lábios para não
gritar, sentindo aquele membro grosso alargar suas dobras vaginais e
roçar seu ponto G alucinadamente.
Ela apertava e alisava o peito dele e os músculos do braço ,
gozando ininterruptamente, quase perdendo o fôlego naquela cavalgada
alucinante.
- Estou gozando! - gemeu ela, abraçando-o com força.
- Eu também... Que gostoso! Que tesão de bucetinha! Como ela é
apertadinha... Como você é tesuda... Ah, como é gostosa! -dizia ele,
acelerando ao máximo seus movimentos.
- Vem... Vem comigo... Goze comigo - pediu ela, beijando-o e
lambendo-oalucinadamente.
Derek gemeu alto, apertando as nádegas dela, enquanto seu pinto
pulsava, enchendo a camisinha de esperma. Ficaram gemendo e suspirando,
aproveitando cada espasmo de prazer, cada contração de seus ventres.
Malory girou o corpo e ficou sentada na pica dele, rebolando os quadris
e retirando daquele cacete ainda duro um resto de prazer:
Ele se estendeu na cama, sob ela, extenuado. Ela continuou movendo
o corpo, subindo e descendo. Ele estremecia e apertava os lábios. O
rosto dela era de pura malícia. Ela tremia, começando a gozar de novo.
Gradativamente foi aumentando os movimentos. A pica dele se mantinha em
pé, deslizando com facilidade na xoxota lubrificada. A porra escorria
pela base do cacete dele, lambuzando seus pêlos.
Suas mãos subiram pelo corpo dela, indo bolinar seus seios. Ela
continuou rebolando, subindo e descendo lentamente o corpo, aumentando
aos poucos o ritmo.
- Posso ficar aqui, dentro de você, pára sempre... Não sinto
vontade de parar... Meu caralho continua duro...
O tesão aumentava violentamente. Ela começou a galopar sobre ele,
com a pica. entrando e saindo de seu corpo. Derek correspondia,
golpeando-a com força.
Malory estava gozando com aquela vara dentro dela. Ele a
maravilhava e ela queria retribuir o prazer, entregando-se totalmente.
Derek sentiu seu caralho estremecer. Todo o seu corpo se agitou.
Ele gemeu alto, junto com ela, enquanto apertava os seios dela. A garota
ficou estremecendo e gemendo, contraindo os músculos, enquanto ele
voltava a gozar.

Haviam adormecido após aquelatrepada. Quando Derek acordou, Malory
estava terminando de vestir uma camisinha no cáralho dele, já
endurecido.
-Você não perde tempo-murmurou ele, sonolento, enquanto ela subia
nele, acomodando sua xana na ponta do caralho.
Com um gemido deliciado soltou o corpo e o fez enterrar-se
profundamente dentro dela.
- Você está quente de verdade - observou ele.
-Há muito eu queria trepar com você, Derek! Estavatarada porvocê.
- Então hoje é seu dia de sorte. Use e abuse.
-Quero que foda a minha bucetinha de novo, por favor! - pediu ela,
suplicante.
- Sendo assim... - murmurou ele, movendo os quadris no mesmo
compasso dela, entrando e saindo de sua xoxota incrivelmente apertada.
Ela começou a gozar logo e continuou, mordendo os lábios para não
gritar, saltando sobre ele, sentindo o membro alargar suavagina e roçar
por completo seu ponto G.
- Coma a minha buceta de novo. Estou cheia de tesão por você. Vem!
- falou ela, desmontando para cobrir todo o corpo dele de beijos.
Ele se árrepiava todo com aquela voz sensual e suplicante ao seu
ouvido, com aquela língua atrevida penetrando sua orelha, passeando por
sua pele. Ela se contorcia, esfregando-se nele, os dedos possessivos
enlaçando e acáriciando o cacete duro, apertando, movendo para cima e
para baixo, masturbando-o apaixonadamente.
- Quero chupar sua pica... - gemeu ela. - Quero-o na minha boca...
na minha buceta... no meu cu... -suspirou ela, subindo pelo corpo dele
com um fogo impressionante. .
Continuava fogosa e ardente. Quando ele deu por si, ela se
debruçava sobre ele, lambendo seus testículos, enquanto as mãos
dominavam-lhe o membro endurecido.
Seus lábios carnudos e entreabertos aproximaram-se lentamente. A
língua estendeu-se, úmida e trêmula, roçando a glande, alisando-a e
umedecendo-a de saliva.
Ele estremeceu, diante da fome e do tesão daquela garota, que
superava suas melhores expectativas. Sentiu o hálito ardente dela sobre
sua glande e, no momento seguinte, uma boca esfomeada e ardente envolveu
seu membro.
Ele se sentiu deslizando para o interior de um paraíso morno.
Tremores de prazer fizeram todo o corpo dele estremecer, enquanto a
língua e a boca da garota brindavam-no com as carícias mais íntimas e
alucinantes.
Ele acariciou febrilmente os cabelos dela, empurrando sua cabeça
contra o pinto, enterrando-o todo entre os lábios carnudos que o
devoravam.
-Vem.:. Vem... Eu quero serchupadatambém...-pediu ela, fora de si,
virando o corpo na cama.
Ele sentiu o perfume da xoxota dela próximo de seu rosto. ,Ele a
agarrou freneticamente pelo traseiro, apertando-a contra o rosto,
puxando-a sobre si.
Sua língua enterrou-se de uma vez na buceta dela, afundando-se nas
carnes úmidas e perfumadas.
Ela gemeu de prazer, arqueando todo o corpo, rebolando os quadris,
esfregando-se nele:
- Você é muito gostoso mesmo - murmurou ela. - Que pinto gostoso!
- É você quente demais. Muito quente e muito gostosa! - respondeu
ele, cheirando a bucetinha dela.
O perfume era perturbador e aguçava-lhe o desejo de comê-la sem
demora. Afundou a cabeça entre as coxas dela. Sua língua deslizou pra
cima e para baixo, antes de se deter no delicado grelinho, fazendo-a se
remexer fora de controle. Depois avançou pela bucetinha estreita,
localizando seu ponto G.
Arrepiada e empolgada com aquela carícia tão íntima, ela voltou a
chupar sofregamente o caralho em sua boca, mascando-o e mamando o com um
prazer sempre crescente.
Suas mãos distribuíam carícias recíprocas e apressadas. Gemidos e
murmúrios escapavam de suas gargantas. A excitação dela aumentava
vertiginosamente.
Ele sentia a fome e o desejo daquela garota ardente contagiando-o.
Queria acariciá-la por inteiro, tocando seus seios, alisando sua bunda,
massageando suas coxas.
- Não pare... Enfia o dedo... - pediu ela, alucinada, quando a mão
dele deslizou entre suas nádegas.
Ele a atendeu. Seu dedo encontrou o orifício do ânus dela.
Massageou-o, forçando a entrada. Ela gemeu mais forte, quando o dedo
penetrou, levando-a à loucura.
- Põe tudo. Eu gosto assim! -pediu ela, estremecendo-se toda, a
língua deslizando ao longo do pênis ereto dele.
Derek se esmerava a nas carícias, a língua indo e vindo na xoxota
molhada, o dedo enfiado no cú dela, girando, afundando-se, retirando-se
e voltando a entrar.
- Quero tudo! - pediu ela, com o corpo todo entrando em convulsão.
Ele voltou a concentrar-se no clitóris e no ponto G dela. Gemidos
profundos e roucos escapavam dos lábios entreabertos da garota, que
estremeciacontinuamente.
-Oh, como é bom! Como você é gostoso! Não pare! Mais! Oh, que
delícia!-gemia ela, enquanto ele se esmerava nas carícias que a punham
fora de si, chupando; beijando, lambendo, massageando e fodendo.
Tremores convulsos e suspiros mais fortes anunciaram o gozo no
corpo dela. Gritinhos escaparam de sua garganta, entrecortados,
deslumbrados, em êxtase.
-Goze! Goze bastante, querida! Goze no meu cacete, na minha língua
e no meu dedo! - gemeu ele, controlando-se ao máximo.
- Não pare! Estou gozando! Gozando sem parar! - disse ela,
agitando-se toda. - Quero na chana agora... Na buceta... Põe na minha
buceta, por favor!
Ela estava em brasa. Contorcia-se, suplicando por ele, pedindo que
ele a fodesse. Ele achou já a havia excitado demais. Ela estava pronta
para ser comida de verdade.
- Vem! Foda-me! - suplicou ela, enterre.
Ele avançou para a bucetinha dela com seu caralho pulsando de
tesão e levou-a à loucura com seus movimentos.
Ele ficou ali, com os sentidos saciados, aspirando aquele perfume
de sexo e prazer que pairava no aposento.

Capítulo 3

No estreito corredor que levava ao depósito de livros da editora
onde Rebeca trabalhava ela parou e esperou que ele se aproximasse por
trás dela. A provocação foi deliberada e aberta, deixando-o sem reação.
O rapaz havia percebido todas as insinuações e entendido o
convite. Sem pestanejar, ele a agarrou por trás, apertando os seios
dela, beijando sua nuca. Ela rebolou a bunda, provocando-o.
Ele a empurróu contra a parede. Enfiou a mão pelo decote dela,
colhendo um de seus seios rijos e redondos, com biquinhos salientes e
tentadores. Seu joelho entrou por entre as coxas dela, esfregando a
chana molhada.
Rebeca estava com seu fogo interior constantemente aceso, depois
que Derek a liberara para se entregar a quem quisesse. Não pensava em
outra coisa a não ser nisso.
O rapaz era Albert, um empacotador de músculos fortes e salientes,
com um sorriso cínico e um olhar devorador.
Levantou a saia dela e se ajoelhou diante do corpo excitado da
garota. Afastou suas coxas, beijando a pele acetinada e coberta por uma
penugem dourada. Aspirou o perfume intenso de sua chana.
Febrilmente retirou-lhe a calcinha e avançou sua língua, enfiando-
a pela estreita abertura perfumada. A sua respiração e o toque sutil de
sua língua fizeram-na estremecer de gozo.
Ela agarrou a cabeça dele, apertando-o contra o corpo, enquanto
olhava para ele, ofegando e gemendo, excitando-se brutalmente. A língua
de Albert penetrou entre suas coxas, tocando sua buceta.
Naquele mesmo instante Rebeca gozou, estremecendo toda. Albert
levantou a cabeça, vendo seu rosto de puro gozo. Ela lambia os próprios
lábios e revirava os olhos, numa imagem de volúpia e sensualidade
maravilhosa.
Ele continuou lambendo com gosto a bucetinha molhada. Ela se
contorcia e gozava.
- Ah, que língua safada... Não paro de gozar...
Ele continuou chupando-a. Os olhos dela ficaram esgazeados. Seu
corpo estremecia continuamente. Seusjoelhos ameaçaram dobrar-se, de
tanto tesão.
Albert sentia toda sensualidade daquela garota fluir para a língua
dele, enquanto a enterrava o mais fundo que podia, apertando a boca
contra a xoxota dela. O membro dele ameaçava romper o tecido da calça,
de tão duro que estava.
- Venha - disse ela, fazendo-o erguer-se.
Foi a vez dela se ajoelhar diante dele, soltar-lhe o cinto e puxar
a calça com a sunga para baixo, expondo o caralho duro, com a glande
avermelhada e maciça.
Os olhos dela brilhavam. O pinto de Albert, grosso e longo, era
uma novidade que provocava nela uma reação quase selvagem. Tirou-lhe os
sapatos e arrancou de toda a calça e a sunga. Ela recuou até uma pilha
de caixas e se sentou numa delas, abrindo as pernas e expondo sua
xoxota.
- Você é gostosa demais! - disse ele, estremecendo de tanto tesão,
quando a viu ali, oferecida, esperando por ele.
Suas mãos subiram pelo ventre dela, sob a blusa, tocando os seios,
com os biquinhos eriçados de tesão. Rebeca estremeceu, quando Albert pôs
uma camisinha e posicionou sua pica na buceta dela. Lentamente o caralho
dele foi deslizando para dentro de sua bucetinha apertada e molhada, até
que seus pêlos se juntassem.
Ela o abraçou em desespero, cheia de tesão, beijando-o, enfiando
sua língua na boca dele, que começou a movimentar os quadris, entrando e
saindo de dentro dela.
Rebeca foi ao delírio, perdendo totalmente a noção. Começou a
gemer cada vez mais alto. Albert golpeava a chana dela com vigor e
potência, pondo seu caralho profundamente dentro dela, em regiõesjamais
atingidas antes.
- Que loucura! - exclamou ela. Está bom demais... Tenho de ficar
assim... Eu quero gozar assim...
Albert abraçou a garota, com a pica dentro dela. Rebeca havia
passado as pernas sobre as dele e enlaçado a sua cintura. Seus
movimentos continuaram dentro de Rebeca.
- Está muito gostoso! - murmurou ela.
Albert acelerou seus movimentos.
- Eu estou, gozando! Está bom demais! Isto é que é uma foda
gostosa! -gritava ela, cada vez mais alto, agarrando-se nele com
frenesi, coordenando seus movimentos aos dele, enquanto se acabavam de
tanto prazer.

Havia um banheiro nos fundos do depósito e os dois foram para lá
refrescar seus corpos e se retazerem daquela foda inesperada. Rebeca
estava atordoada ainda pelo prazer inusitado que experimentara. Fora uma
experiência gratificante.
Albert a colocou sob a ducha morna e, com uma esponja marinha
ensaboada, começou a acariciar suavemente o corpo dela. De olhos
fechados, Rebecaficou sentindo aqueles movimentos carinhosos percorrendo
todo o seu corpo e sensibilizando a sua pele deliciosamente.
A esponja ensaboada deslizou pelo rosto dela, percorreu a curva do
pescoço, massageou os ombros por um longo tempo, depois desceu para os
seios, contornando-os, escalando-os de baixo para cima, esfregando os
biquinhos pontudos e intumescidos.
Ela suspirou. A esponja esfregou o ventre dela. Rebeca abriu as
pernas. A esponja fez carícias inéditas no clitóris, depois avançou
pelas coxas. Foi até os pés dela, passando por entre os dedos, pela
sola, voltando, subindo de novo pelas coxas.
Foi até a xoxota. Deteve-se e ficou esfregando. Tremores de tesão
percorreram o corpo dela.
-Você é tão carinhoso gostoso, Albert! -murmurou ela, de olhos
fechados e boca entreaberta.
Albert a beijou, lambendo os lábios dela, enfiando a lingua lá
dentro .
- Vem comigo - convidou ela, enlaçando-o pelo pescoço.
Albert foi puxado para debaixo da ducha. Rebeca tomou-lhe a
esponja e enlaçou-o por trás, fazendo-o apoiar as costas nos seios
pontudos e firmes. Rebeca esfregou-lhe o peito cabeludo, depois o
ventre. Soltou a esponja ao sentir o pênis dele grosso e duro. Segurou-o
entre seus dedos carinhosos, apertando-o possessivamente.
Albert estremeceu. Ela o beijou nos ombros e na nuca. De olhos
fechados, Albert sentia os movimentos suaves mas firmes e voluptuosos em
seu pênis. A mão dela subia e descia deliciosamente, dando prazer.
Ele se entregou nas mãos dela. Rebeca continuou movendo a mão,
roçando a glande e beijando-o no pescoço e nas orelhas.
- É tão gostoso sentí-lo... Apertá-lo... - murmurou ela.
A excitação dele era um afrodisíaco poderoso para ela. .
- É tão gostosa essa tua mão - afirmou ele.
- Estou adorando fazer isso - sussurrou ela, sem parar de mover o
pulso.
O membro rijo em sua mão pulsava, maciço e quente. Ela o alisava
continuamente, percebendo ostremores no corpo dele. Às vezes acelerava
os movimentos e os tremores no corpo dele aumentavam. Reduzia, então,
observando sempre as reações dele.
Albert suspirava. Ela voltava aos movimentos suaves, tentando-o.
Depois apressava, num jogo provocador, numa tortura alucinante e
prazerosa.
-Quero sentí-lo gozar! -disse ela, continuando seus movimentos,
alternando rapidez com suavidade.
Aquilo dava muito prazer a ele e Rebeca encontrava uma satisfação
naquilo. Percebia a tensão dele aumentar. Ele respirava fundo.
Estremecia. Ela acelerava. Ele vibrava. Ela diminuía. Ele suspirava. Ele
girou a cabeça e procurou os lábios dela com voracidade. Ela percebeu a
reação mais forte que se avizinhava no corpo dele. Acelerou os
movimentos.
- Oh, Rebeca! - murmurou ele e seu corpo se contorceu.
Ele gemeu e suspirou, com a língua enfiáda na boca da garota,
lambendo sua saliva.
- É delicioso! - ofegou ele, o corpo retesando-se.
- Venha! - convidou ela, puxando-o para fora do banheiro.
Deitou-o num banco de madeira, depois que ele colocou a camisinha.
Ela o montou e segurando o cacete dele, acomodando-o na entrada de sua
xoxota, fazendo entrar a pontinha.
Depois, decididamente, com um golpe de quadril fez o caralho
entrar profundamente em sua vagina. Começou a mover lentamente os
quadris; em círculos. Albert ofegava. Suspirava. Gemia. Agarrava-a.
Beijava-a. Movia seus quadris contra os dela, fodendo-a furiosamente. O
gozo foi enorme.
Rebeca desmontou do rapaz, retirou a camisinha e, com umas toalha
de papel, enxugou a porra que lambuzava o caralho dele. Depois se
inclinou, colhendo a glande entre seus lábios e sugando avidamente.
Ele gemeu e suspirou de tesão. Ela deixou o pau dele entrar
lentamente, sugando-o com avidez, fazendo-o recuperar rapidamente a
rigidez. Ela pensou em Derek, em como ele ficaria se soubesse o que ela
fazia naquele momento.
Isso aumentou ainda mais seu tesão e ela apanhou uma camisinha em
sua bolsa, pondo-a no caralho duro a sua frente: Depois subiu de novo
nele, enterrou-o em sua chana e ficou contraindo os músculos vaginais,
enquanto acariciava o peito de Albert, maravilhado com o fogo daquela
mulher sobre ele.
Começou ele a se mover lentamente, indo e vindo, sentindo cada
dobra interna daquela xoxota estreita e tesuda. Seus pensamentos e ações
estavam concentrados em Rebeca. Espicaçavam-no aqueles gemidos qué ele
sufocou com os lábios. A língua dela roçou a sua e dançou em sua boca
atrevidamente.
Os movimentos dele foram ganhando ritmo e intensidade. O tesão
crescia violentamente. Seus corpos se estremeciam, abalados por espasmos
e contrações instintivas. Rebeca ofegava, com a respiração entrecortada.
O desejo crescia. A empolgação também. O gozo se anunciava
violentamente.
- Mais, meu tesão... - pediu ela. - Mais forte... Assim... Quero
tudo... Sim... Tudo... Seu cacete inteiro...
Ele acelerou ao máximo seus movimentos. Seus corpos se
entrechocavam em murmúrios, em gemidos abafados por bocas vorazes. Ele a
beijava alucinadamente, apertando o corpo dela contra o seu, esfregando
seu peito nos seios pontudos e tentadores, sugando a língua dela,
bebendo sua saliva morna e perfumada.
- Mais... mais... Eu estou gozando... Como é gostoso trepar com
você, Albert... Mais... Dê-me mais... Quero derreter...
O prazer explodiu ém seus corpos novamente, intenso e demorado.
Suas bocas se esfregaram com volúpia, num beijo arrebatador que
encarnava todo o prazerque fluía torrencialmente em seus corpos suados.

Carina havia pedido que Derek a levasse até o centro da cidade.
Ela pretendia fazer compras. A tarde ia pelo meio e, considerando o
negócio que fechara com ela, Derek estava satisfeito com a comissão que
receberia e muito grato a ela por tudo o mais.
- Preciso escolher algumas roupas. Não quer me acompanhar?
-Tenho que fazer meu relatório do dia. Está ficando tarde.
- Promete que voltará a me visitar?
- Com certeza! - afirmou ele.
Deixou-a num shopping e foi para sua empresa. Precisava de
material, por isso foi ao almoxarifado apanhar. Quando entrou, encontrou
Marylou, uma garota que havia muito tempo vinha dando em cima dele.
Observou-a com atenção, atento agora a seus predicados. Ela vestia
uma calça comprida colante, que moldava suas coxas esculturaís e
evidenciava a xoxota, que se delineava perfeitamente.
Seu olhar se concentrou ali, depois foi subindo para os seios
pontudos, espetados na blusa de seda. Ela percebeu que ele a olhava de
uma forma diferente. Havia tesão e desejo em seu olhar dela e ela
interpretou logo isso.
Sorriu com malícia e jogou os cabelos para trás, passando a mão
num gesto displicente. Ficou olhando para ele e fazendo uma pose
estudada.
- O que foi? - indagou ela.
O desejo dele foi de agarrá-la.
- Puxa, Marylou, você está linda hoje.
- Sério? Nunca me disse isso antes...
- Você está... tesuda!
Ela esperou um instante, depois caminhou lentamente e parou diante
dele. Ambos ofegavam. Ela roçou os seios no peito dele. Derek olhou
aquele rosto tentador e provocante, depois os biquinhos dos seios,
eretos. Ela riu, enquanto suas mãos iam subindo atrevidamente pelas
pernas de Derek. Uma delas foi pousar sobre o pênis que se enrijecia. Um
sorriso de tesão e deslumbramento pairou nos lábios carnudos da garota.
Derek adorou quando ela tomou a iniciativa. Marylou puxou o zíper
da calça para baixo. Sua mão se introduziu marotamente pela abertura,
venceu a barreira da sunga e enlaçou o membro duro e grosso. Deslumbrada
e afogueada ela o trouxe para fora, admirando-lhe o tamanho e a rigidez.
Ofegou de prazer, com os olhos brilhantes e admirados. Ajoelhou-
se diante dele. Olhou com adoração o pênis em suas mãos, empurrando o
prepúcio para trás, descobrindo a glande avermelhada. Avançou a cabeça.
Derek arrepiou-se. Ela concentrou um pouco de saliva na ponta da língua,
depois esfregou-a na glande do pênis dele. Em seguida, com as duas mãos,
lenta e provocantemente, ela o masturbou, olhando as veias ázuis que se
dilatavam, quando ela empurrava a pele firmemente para trás.
Derekfoi recuando, até apoiar-se numa estante. Marylou estendeu a
língua. Enquanto o masturbava, ela lambia a cabeça inflada do caralho,
que se tornava cada vez mais vermelha.
Ele estremecia, enquanto ela babava de tesão, com a língua
ródeando a glande, lambendo e acariciando, mantendo-a sempre úmida de
saliva. A expressão do rosto dele era de pura satisfação. Marylou era
tesuda e sabia exatamente o que fazer para levá-lo ao delírio. Seus
lábios carnudos se abriram e ela sugou apenas a ponta do membro dele,
quase num beijo.
Soltou, enquanto Derek estremecia. Repetiu. Quando sugava, a ponta
da língua forçava o buraquinho da uretra, depois acariciava toda a
cabeça intumescida. Derek ofegou, deslumbrado.
Marylou suspirou, abrindo a boca e deixando o caralho dele se
enterrar nela lentamente, apertando os lábios contra a pele retesada.
Ela o abocanhou inteiro, girando a língua ao redor dele, sugando-o,
mamando- o com um prazer imenso.
Derek gemeu e retesou o corpo, deliciando-se com a carícia. A
garota sabia como fazer aquilo. A língua brincava com o membro dele. Os
lábios apertavam firme, indo e vindo, numa cadência gostosa, sem pressa,
mas lasciva e agradável.
Ele sentiu arrepios e sensações intensas percorrendo seu corpo, em
tremores inquietos e deliciosos
O olhar dele se concentrava agora nos seios jovens, rijos e
empinados que se ofereciam a ele. Ela continuava chupando-o. Derek
pendeu o corpo na direção dela, beijando seus ombros e seu pescoço,
enquanto suas mãos dominavam os seios dela.
Apertou-os, beliscando os mamilos eriçados, deliciando-se com
aquela firmezajovem e atrevida. Marylou ofegou e sugou com mais ênfase o
cacete em sua boca.
Derek olhava com profundo tesão aqueles lábios carnudos devorando
seu membro. As mãos dela subiram pelo corpo dele, soltando os botões da
camisa, depois os dedos finos e carinhosos enrolaram-se nos pêlos de seu
peito. Ela beliscou os mamilos dele.
- Fique pelada! - pediu ele, excitado ao extremo.
Ela sorriu, cheia de malícia. Levantou-se, então, e retirou a
calça. Seu corpo jovem e irretocável encheu os olhos dele, que a desejou
inteiramente.
Admirou com tesão os seios empinados, o ventre achatado e os pêlos
que cobriam seu monte-de-vênus gracioso.
- Fique pelado também! - pediu ela.
Ele a atendeu, depois se ajoelhou diante dela, enlaçou-a pela.
cintura, beijando-a ao redor do umbigo. As mãos foram apertar as nádegas
rijas e redondas. Em suas narinas chegava aquele perfume adocicado e
intenso, sutil e embriagadorda xoxotinhajovem, atraindo-o
inapelavelmente.
Seus lábios desceram, deslizando sobre os pêlos sedosos, buscando
o ponto mais úmido e perfumado.
Ela estremeceu e arrepios eriçavam sua pele continuamente. Ele
gemeu, esticando a língua e,lambendo toda a vulva e o clitóris ereto.
- Oh, delícia! - murmurou ela, o corpo estremecendo todo.
Suas mãos se enterraram nos cabelos dele, apertando-o contra o
corpo. Uma das mãos dele penetrou pelo reguinho tentador da bunda dela,
buscando o buraquinho apertado paraforçá-lo numa massagem inesperada.
Marylou sentiu as pernas bambearem e se apoiou nos ombros dele.
-Oh, isso é bom demais... Isso me derrete... - rouquejou ela, o
corpo pesando sobre ele.
Derek a fez se sentar numa escrivaninha que havia ali, postando-
se dejoelhos diante dela. Afastou as coxas dela para os lados. Olhou com
um prazer imenso aquela bucetinha orvalhada e ardente. Inclinou-se,
aspirando o perfume entontecedor, depois enfiou a línguá com prazer;
revirando, lambendo, sugando, beijando e alucinando-a.
- Também quero! - pediu ela, escorregando para fora da
escrivaninha e deitando-se no carpete.
Ele a atendeu, fazendo o sessenta e nove. Ele teve o caralho dele
ao alcance de sua boca.
Chupou-o desvairadamente, aumentando o tesão dele, que a lambia
alucinadamente. Suas respirações ofegantes misturavam-se ao ruído dos
gemidos e suspiros de prazerque escapavam de suas gargantas.
A língua de Derek roçava o clitóris dela, deixando-a tonta de
tantas sensações. Ela respondia com sucções e lambidas na pica dele,
pressionando seus lábios contra a glande, girando a língua,
entontecendo-o.
Marylou começou a gozar ininterruptamente. Derek percebia isso
pelas contrações do corpo dela, pelos tremores e pela maneira como ela
apertava as coxas contra a cabeça dele.
A volúpia no corpo dela o contagiava. Ele queria gozar e, ao mesmo
tempo, louvar demoradamente aquele corpo jovem que se oferecera a ele.
Esfregou-se nela, movendo-se como uma serpente sobre a pele da garota.
Beijou-lhe os seios, depois o pescoço e os ombros. As mãos dela se
mantiveram firmes no pênis dele, masturbando-o continuamente agora.
Marylou se remexia inquietamente no carpete. Derek girou-a,
pondo-a de bruços. Vestiu uma camisinha no cacete, depois deitou-se
sobre ela, beijando sua nuca e seus ombros, enquanto seu caralho se
enfiava entre as coxas dela, roçando sua vulva e seu ânus.
O contato com aquela bundinha rija e tentadora espicaçava-o. Derek
esfregou o pênis no reguinho tentador, depois o fez deslizar na direção
da xoxota, posicionando-o.
Pincelou-a, até encontrar o caminho. Empurrou apenas a ponta.
Marylou gemeu e ofegou, sentindo a potência e a grossura do caralho que
forçava a entrada de sua bucetinha.
- Quero tudo! Vem! - pediu ela.
-Vai tertudo!-garantiu ele, empurrando lentamente, enquanto a
puxava pelos quadris ao seu encontro.
A pica enterrou-se profundamente. A bunda dela ficou colada aos
pêlos dele, enquanto ambos suspiravam, ofegantes e trêmulos de tesão e
prazer.
- Oh, que tesão - gemeu ela, sentindo aquele cacete preencher toda
a sua vagina, distendendo-a totalmente, numa sensação gostosa e ardente.
Ele se debruçou sobre ela, coleando os quadris, entrando e saindo,
indo e vindo, numa cadência perfeita, que provocava espasmos de prazer
no corpo da garota. Ela gozou, a princípio em ondas menores, que foram
crescendo, até provocarem um verdadeirofuror em seu corpo, roubando-lhe
a consciência, deixando-a à beira da alucinação, de tão forte que era.
- Com força! Tudo! Põe! Enfia! Enterra! Quero gemer! Quero gozar
mais! É muito bom! Quero mais! Não pare! Oh, não pare! -dizia ela, fora
de si, rebolando e gozando.
Derek a mantinha presa pelos quadris, golpeando firme, sentindo a
bucetinha apertada e lubrificada comprimir seu caralho gostosamente,
dando-lhe um prazer extra ao roçá-la interna e externamente. Seus
movimentos cadenciados ganharam um ritmo alucinante.
- Vou gozar! - gemeu ele, estremecendo. - Goze comigo! Estou
começando! - interrompeu-se ele, retesando o corpo e gemendo
profundamente, enquanto o corpo todo se abalava.
Marylou sentiu que seus sentidos se embotavam, superados por uma
sensação deliciosa e prolongada de êxtase. Derek ainda estremecia de
gozo, quando Marylou se ergueu e encaixou o pênis entre suas nádegas. A
volúpia de Marylou foi uma grata surpresa. A garota gemeu, soltando o
corpo, girando os quadris, rebolando, forçando. A cabeça do pênis
entrou.
Ela suspirou e ofegou, imobilizando-se por instantes. Depois
forçou novamente e o caralho foi se enterrando gostosamente em suas
entranhas. Lágrimas brotaram em seus olhos.
- Oh, que delícia! - gemeu ela.
Começou a mover os quadris, até a glande quase escapar. Depois
enterrou-a novamente. Repetiu o movimento. Continuou, ganhando cadência.
Derek estremecia, sentindo o pênis latejar dentro daquele cuzinho
estreito e delicioso. Coordenou seus movimentos aos dela, fodendo-lhe o
rabo. Suas mãos bolinavam os seios dela, que gemia e se movia sobre ele.
Desvairada, ela sentia todo o seu corpo vibrar e seu ventre se
contrair em espasmos de pura delícia. Gozava seguidamente. Esfregava o
clitóris. Acariciava o próprio corpo. Agarrava-se aos pêlos dele.
Beliscava seus mamilos.
Derek jamais vira uma mulher tão ardente e decidida. Sentiu o
prazer de novo aproximar-se.
-Vou gozar! Vou gozar de novo! -anunciou e Marylou acelerou ainda
mais seus movimentos.
Ele gozou convulsamente, ejaculando novamente, quase estourando a
camisinha. Marylou continuou se movendo loucamente, até os gemidos serem
sufocados em sua garganta e ela tombar, quase desfalecida, sobre ele.
Ficaram ali, abraçados e engatados, beijando-se furiosa e
voluptuosamente.

Capítulo 4

Derek foi ao apartamento de Marylou, naquela noite, pois gostara
da maneira como ela fizera amor com ele naquela tarde. Haviam tomado
banhojuntos e Marylou enxugava-o, esfregando suavemente a toalha no
corpo dele. Finalmente, deteve-se no membro dele e começou a esfregar a
glande com a toalha úmida, provocando arrepios e tremores no corpo dele.
Rapidamente o caralho reagiu, endurecendo entre seus dedos
maravilhados. Marylou deixou cair a toalha de suas mãos e seus dedos
permaneceram, apertando e movendo-se lenta e voluptuosamente.
- Você é surpreendente! - murmurou ela.
- Por que diz isso?
-A maneiracomo fez amorcomigo. Pensei que nem percebesse que eu
existia. E olhe que já lhe dei muita bola!
- É que somente hoje eu pude perceber a mulher gostosa que você é
- respondeu ele, segurando-a pelas nádegas, flexionando os joelhos e
encaixando seu pênis entre as coxas dela.
Ergueu-se. Ela ficou nas pontas dos pés, com o caralho dele
roçando sua vulva molhada.
- É um grande mentiroso, mas acredito em você - respondeu ela,
esfregando-se nele, acariciando seus músculos firmes e delineados.
- Sabe o que eu gostaria de fazer?
- O quê? - indagou ela, tensa e excitada.
- Eu queria ficar aqui e repetir tudo o que fizemos hoje à tarde
fodendo-a a noite inteira, chupando sua bucetinha, comendo seu cuzinho!
-E porque não faz isso?-convidou ela, num desafio.-Tenho comida,
bebida e tudo o que precisarmos.
- E por que não? - arrematou ele, tomando-a nos braços.
Levou-a até a cama, onde deitou-a gentilmente. Olhou aquele corpo
tentador, ainda úmido e perfumado do banho. Depois inclinou-se e
lambeu-lhe os bicos dos seios, fazendo-os enrugarem-se deliciosamente.
Sua mão desceu pelo ventre dela e foi enfiar-se por entre as
coxas, que se abriram naturalmente. Tocou-lhe o clitóris e Marylou
arqueou o corpo, ofegando.
-Que delícia! Não pare! Continue assim!-pediu ela, enquanto o dedo
dele se movimentava sobre o botãozinho sensível.
A boca voraz de Derek pousou entre os seios dela, beijando,
lambendo, sugando, descendo e subindo as encostas acentuadas que se
arrepiavam mais e mais.
A mão continuou entre as coxas dela, movimentando-se ritmadamente,
arrebatando-a. Ela gemia e suspirava. Seus sons roucos e melodiosos eram
música aos ouvidos dele, provocando-o.
- Dentro! Põe dentro - pediu ela.
Derek atendeu-a imediatamente, enfiando o dedo e buscando o ponto
G para massageá-lo. Os olhos da garota ficaram esgazeados e ela respirou
profundamente.
Derek sentiu o tesão fazer seu pênis latejar. Os dedos apressados
e possessivos de Marylou tocaram-no, apertando-o, alisando a glande
intumescida.
O perfume da chana dela dominava o aposento. Derek deslizou o
corpo sobre o dela, indo até aquela fonte. Suas mãos ficaram acariciando
os seios e o corpo dela. Sua língua vou louvar a bucetinha perfumada com
lambidas apaixonadas.
Ela ofegou, retesando o corpo, gozando aquele prazer intenso que
ele lhe proporcionava.
- Que bucetinha gostosa você tem, Marylou! Tão apertadinha! Tão
ardente e tão gostosa!
O hálito quente em sua vagina e o som rouco da voz de Derek
provocaram um frêmito no corpo dela.
Ela agarrou a cabeça dele e apertou-a contra a vulva. Derek
lambeu com mais ímpeto, depois enfiou sua língua no buraco estreito,
lambendo e chupando, acariciando o ponto G habilmente, até que o corpo
dela fosse tomado por espasmos contínuos.
Ela apertou as coxas contra a cabeça dele, gozando
interminavelmente.
Ele percebia o quanto ela gozava pelas contrações de sua xoxota,
que se abria e fechava, contraindo e relaxando os músculos, acada vez
que um orgasmo acontecia.
- Oh, Derek! Venha! Quero sua pica dentro de mim! Agora! -
suplicou ela, agarrando-o pelos cabelos e puxando-o para cima de si.
Derek atendeu-a, subindo por ela, pondo uma camisinha no caralho,
depois abraçando-a com frenesi. Seu membro encaixou-se à entrada da
bucetinha apertada.
Ficou apenas pressionando levemente, pondo e tirando parte da
glande, sondando a entrada que se dilatava a cada avanço de seu pinto.
- Põe! Tudo! - pediu ela, suplicante e impaciente.
Derek ficou beijando-a e alisando seus seios, enquanto a cabeça de
seu pau ia e vinha, apenas ensaiando a penetração, pondo Marylou num
delirante estado de expectativa e tensão erótica.
- Põe! Vem! Eu quero agora! - pedia ela, os olhos entreabertos e
mortiços, brilhantes e úmidos.
A boca buscava impaciente a dele.
-Sim! Vou pôr! Agora! Tudo! Comovocê quer!-disse ele, afinal,
continuandoa brincadeira poralgumtempo, antesde pressionaro membro lenta
e firmemente, na bucetinha dela.
Sentiu a glande comprimir-se à entrada apertada da xoxota. Gozou
aquela resistência deliciosa, enquanto afundava-se pouco a pouco dentro
dela.
A bucetinha apertada sugou-o para dentro. Marylou ficou suspirando
e gemendo baixinho, contraindo os músculos vaginais, proporcionando-lhe
um prazer inusitado.
-Agora faz com força! Bastante força! Vem, paixão! - pediu ela,
movendo os quadris, transtornada de paixão.
Ele iniciou.seus movimentos de vaivém, que foram ganhando um ritmo
alucinante, como Marylou queria. Seus lábios se buscaram para um beijo
sôfrego e alucinado. Suas línguas se encontraram, trocando saliva e
paixão.
- Assim? - indagou ele, o ritmo da cavalgada tornando-se
alucinante.
-Sim! Sim!-concordou ela, frenética. -Estou gozando! Estou gozando
tanto! - acrescentou, num suspiro longo e profundo, enquanto todo o seu
corpo vibrava intensamente.
- Eu também! Oh! - gemeu ele, o corpo se retesando num espasmo
incontrolável.
Enterrado no mais fundo da xoxota de Marylou, Derek ejaculou
copiosamente, gozando cada jato, cada espasmo, cada onda de prazer e
arrepios que percorria seu corpo.

Marylou ficou deitada, com a cabeça no peito dele, sentindo aquela
forma especial que ele tinha de ficar tocando o corpo dela, como se
quisesse mantê-la numa excitação constante.
- Tenho uma festa para ir hoje à noite - lembrou-se ele.
- Precisa mesmo ir?
- Sim, por que não vamos juntos?
- Eu conheço alquém nessa festa?
- Não importa! E minha convidada. Vamos!
- Está bem, por que não? -concordou ela. - Só vou tomar um banho
rápido.
-Tudo bem! Vou me vestir enquanto isso -concordou ele, indo
apanhar suas roupas.
Começou a se vestir. Ouviu o barulho do chuveiro e imaginou a água
caindo sobre o corpo jovem e tentador de Marylou. Ela foi rápida,
retornando pouco depois, com gotículas brilhando em sua pele.
Vestiu-se diante dos olhos dele, que acompanharam a transformação.
Ela ficou linda com os cabelos soltos, o vestido evidenciando as curvas
do seu corpo e o rosto maquilado na medida certa para valorizar seus
encantos.
- Fantástico! - elogiou ele, como se visse uma nova mulher diante
dele.
- Podemos ir?
Ele sorriu, olhando-a. Havia uma oferta irrecusável nos olhos
dela, no seu corpo, no seu perfume. Ele simplesmente avançou e a abraçou
pela cintura, erguendo-ajunto ao seu corpo.
Beijou-a no pescoço e nos ombros, depois deixou-a escorregar
lentamente, enquanto seus lábios colavam-se em sua boca. Com extrema e
incendiária paixão ela o beijou, sugando sua língua e bebendo sua
saliva, embriagada de tesão.
-Tem certeza de que deseja mesmo ir a essa festa?-indagou ela, com
provocação.
- Convença-me do contrário! - pediu ele.
- Dê-me um motivo para fazê-lo! - retrucou ela.
Os braços fortes de Derek a apertaram cam tesão e ela desejou
fodê-lo de novo, sem mais demoras, esquecendo-se de tudo o mais. Marylou
estava mostrando ser uma garota especial e Derek queria aproveitar essa
descoberta.
- Nunca desejei uma mulher tanto como a desejo agora - murmurou
ele, beijando seus cabelos, o rosto, o pescoço, os ombros, enfiando seu
joelho por entre suas coxas e erguendo-a.
Ela encaixou a xoxota ali, esfregando.
- Você é um tesão...
- E você é gostosa demais. Está tão linda e desejável que quase
chego a gozar só de tocá-la - continuou ele, roucamente.
- Vamos mesmo sair? - indagou ela, provocando-o.
- Foda-se a festa! - exclamou ele, esfregando seus lábios nos
lábios mornos, carnudos e macios da garota.
- Foda mim, então!
- Com todo o prazer!
Ela suspirou; deslumbrada e febril, deixando-o se apossar dela.
Seu estômago se retorcia de tesão. Seus mamilos se arrepiavam, sensíveis
ao toque.
O sopro do hálito dele em suas orelhas a arrepiava. O joelho
roçando sua chana dava-lhe um prazer enorme.
-Quero vê-la nua outra vez - pediu ele, soltando-lhe o fecho do
vestido e puxando-o para cima.
Quando ele fez isso, seus peitinhos saltaram diante dos olhos
dele, belos e agressivos, empinádos e firmes, coroados por mamilos
enrugados de paixão e desejo.
-São lindos-murmurou ele, num suspiro.
Marylou sentia suas pernas bambas, enquanto elelambia, chupava,
mordiscava e beijava suas tetinhas, fungando de tanto prazer.
Tirou-lhe o paletó, depois repuxou acamisa dele, tirando-a.
Apertou seus músculos incrivelmente firmes e bem delineados. Enfiou seus
dedos naqueles pêlos fartos e encaracolados, sedosos e gostosos de
tocar.
Ele continuou beijando seus seios e devassando seu corpo
sofregamente. Lentamente ele foi se ajoelhando diante dela, beijando seu
ventre, enfiando a língua em seu umbigo. Seus dedos se enroscaram no
elástico da calcinha. Puxou lentamente para baixo, já de joelhos,
descobrindo seus pêlos.
O perfume de sua chana enlouqueceu-o.
- Que bucetinha linda! - rouquejou ele e ela sentiu seu hálito
quente entre as coxas, abrindo as pernas instintivamente. ,
Derek enfiou a cabeça entre elas e sua língua a tocou como um
ferro em brasa.
- Oh, Derek - ofegou ela, à beira de uma vertigem de puro prazer.
Ele insistiu na caricia. A ponta de sua lingua penetrou sua chana,
indo à procura do ponto G, tocando-o como uma corrente elétrica. Ela
quase desmaíou de gozo, apoiando-se na cabeça dele, apertando-o contra
seu corpo. A língua dele continuou lá dentro nela, alucinando-a. Seus
lábios tocavam sua vulva e seu clitóris. Movimentos sutis a faziam
explodir de gozo.
- Oh, Derek, vamos trepar! - pediu ela, quase sem fôlego.
-Sim, é o que mais quero-respondeu ele, fazendo-a sentar no tapete
do quarto.
Marylou ficou com as pernas abertas e com ele entre elas, a língua
indo e vindo, o hálito aquecendo-a intimamente, fazendo-a gozar. As mãos
dele subiram pelo seu corpo. Apertaram seus seios, beliscaram seus
mamilos durinhos e sensíveis.
Ela gemia de prazer, torcendo-se toda, gozando aquela delicia de
tê-lo ali, entre suas coxas, apenas sentindo sua fome de amor.
Derek sugava sua chana e sua vontade.
-Não pare! Não pare! Não pare! -suplicou ela, estremecendo e
gozando, os olhos revirados, a boca seca, o ar faltando em seus pulmões.
- Não vou parar. Quero que goze!. Que goze bastante, minha
querida!
Marylou perdeu a conta de quantas vezes ela gozou ali, até que ele
se levantou e ficou em pé, entre as suas pernas. Soltou o cinto. Abaixou
o zíper da calça. Empurrou-a para baixo, junto com a sunga. Retirou os
sapatos e as meias. Livrou-se de todas as roupas. Estava nu e cheio de
tesão diante dela.
- Vem, meu tesão! Você me deixou mole, sabia?
- E você me deixou tesudo. Muito tesudo, querida- respondeu ele,
excitado.
Derek se deitou sobre ela, beijando-a alucinadamente, fazendo-a
sentir a rigidez e o calor de seu pênis entre as suas coxas. Ele moveu
os quad ris lentamente, indo e vindo, rente a sua xoxota, molhando-se no
seu sumo.
-Foda-me, Derek! Foda-me todinha! -foi dizendo ela, com seus
sentidos em turbilhão.
Ela gozou com seu corpo sobre o dela, roçando, com seu hálito,
seus lábios, seu caralho em suas coxas, seu peito cabeludo esfregando-se
nos seios dela.
Tudo nele era uma fonte de prazer para Marylou. Nem ela conseguia
explicar o misterioso e violento fascínio que ele exercia agora sobre
ela. Sua simples presença estava tendo o poder de fazê-la melar-se toda.
- Minha gatinha molhadinha! - murmurou ele, descendo os lábios
para o seu pescoço e dali para os seus seios.
Lambeu-os, apertando os biquinhos com os dedos. Uma das mãos
desceu e foi tocar sua buceta, amolecendo-a totalmente. Seu clitóris
vibrou e ela foi gozando seguidamente.
Aqueles dedos mágicos e hábeis dedilhavam sua sexualidade e
levavam-na às alturas. Um deles penetrou seu corpo, buscando o ponto G,
alisando a rugosidade sensível e explosiva, fazendo Marylou se contorcer
no assoalho, gemendo de prazer.
- Quero seu caralho! Deixe-me brincar um pouco com ele. pedíu-lhe,
já fora de si, de tanto gozar.
- Sim, querida! Venha mamar no seu cacete - disse ele, .
sentando-se, as pernas abertas, o caralho endurecido à espera dela.
Ela caiu de boca e de língua nele. Apertou e beijou, masturbou e
lambeu, acariciou e chupou aquele pênis, sentindo um prazer enorme em
tê-lo nas mãos e na boca.
Derek ficou acariciando seus cabelos, enquanto ela o fazia
estremecer com suas carícias.
Seu pênis pulsava naquela boca faminta e hábil. Ela arranhou seus
testfculos, fazendo-se se torcer de gozo. Queria aquele cacete todinho
dentro dela, em sua chana, esfregando-se em seu clitóris, enfiando-se em
seu corpo, roçando seu ponto G.
Derek se deitou no assoalho e ela girou seu corpo; oferecendo sua
xoxota para ele chupar. A língua de Derek penetrou firmemente, morna e
viva, girando dentro dela.
Marylou redobrou a intensidade de suas carícias e quase o fez
gozar, de tanto que chupou e alisou seu pau , deixando-o à beira do
orgasmo.
- Mais! Enfie lá dentro! No grelinho! No ponto G! - ela pedia,
descontrolada, gozando continuamente.
-Chupe! Chupe mais! -pediu ele; enterrando a língua em sua xoxota,
indo e vindo.
- Oh, Derek! Quero foder! Quero trepar agora! - pediu ela, quando
aquele calor e aquelas serisações se tornaram insuportáveis em seu corpo
e ela se sentiu flutuando no centro de uma tempestade. Acomodaram-se.
Ela ficou por baixo. Ele começou a beijá-la a partir dos pés e foi
subindo lentamente. Uma das mãos brincava em sua xoxota, massageando seu
clitóris, indo até o ponto G para dar ligeiros toques que a incendiavam.
Tremores contínuos abalavam seu corpo. Os beijos chegaram a seus
seios e ao seu pescoço, concentrando-se, finalmente; em sua boca. Ela
arfava e suspirava, quase sem ar nos pulmões, arrepiada até à raiz dos
cabelos, presa de uma sensibilidade enorme em toda a sua pele.
-Oh, como você é gostoso! -murmurou, as mãos percorrendo o corpo
másculo que cobria o seu.
Ela queria sentir logo o caralho dele entrando em sua chana.
-Põe logo, Derek! Põe! Não agüento mais detesão! Quero sentir seu
caralho em mim, amor! Pôe! - suplicou.
-Calma, tesão! Calma! Temos tempo! Muito tempo!-disse ele,
segurando-a pelo ombro e pelo quadril, fazendo-a girar o corpo.
Ela ficou de costas para ele, ajoelhado ao seu lado: As mãos dele
tocaram sua pele e desceram como um arrepio pela sua espinha, até a sua
bunda arrebitada.
Dali cada uma delas tomou uma direção. Uma subiu até a sua nuca. A
outra desceu por entre suas coxas.
Ele se debruçou. Ela estremeceu com o hálito dele em suas nádegas.
Seus dentes em sua pele fizeram-na estremecer de gozo. Sua língua
descendo pelo reguinho provocou espasmos de prazer. Ela arrebitou ainda
mais a bunda. A língua moveu-se sobre seu ânus e convulsões agitaram seu
corpo novamente.
Ele beijou paciente e provocantemente suas costas, até sua nuca.
Ela estava mole, gozando sem parar.
Espasmos subiam e desciam sua espinha, brotando de seu ventre em
convulsão. Ela gemia e suspirava, sem forças para continuar gozando com
o toque de suas mãos e seus beijos.
Finalmente ele girou de novo o corpo. Pôs-se entre as suas pernas.
Debruçou-se mais uma vez e lambeu sua buceta, sugando o néctar abundante
que dela brotava. Ela estremecia em espasmos contínuos de prazer.
- Meu tesão! Você é simplesmente deliciosa! - rouquejou ele,
acomodando-se entre as coxas dela.
Ele segurou o caralho e pincelou a cabeça quase arroxeada em sua
vulva. Marylou quase desmaíou e se agarrou nele desesperadamente,
puxando-se sobre ela, enquanto movia ritmadamente os quadris, buscando a
penetração.
Ele a beijou alucinadamente, enquanto punha a camisinha.
Posicionou o membro. O caralho avançou devagar e firmemente, alargando,
entrando, afundando-se até que ela o engolisse todo e o ficasse
apertando com as contrações de sua buceta.
Ele ficou lá dentro dela e Marylou o sentia pulsar de tesão,
fundido à sua vagina, criando a sensação de que úm vulcão ameaçava
explodir. Ela havia atingido um nível de excitação jamais sentido antes.
Derek a levara ao paraíso. Ela estava à beira de desfalecer.
-Tesuda! -murmurou ele, trémulo e entrecortado.
- Foda-me, Derek! Foda-me! Estou à beira do desespero! Quero
gozar! Quero explodir! - suplicou ela, num fio de voz.
Ele a atendeu, finalmente, começando a se mover.
- Mais! Mais depressa! - ela pedia, mas ele controlava a situação
e aumentava o ritmo gradativamente, como se observasse suas reações e
sentisse prazer com isso.
- Oh, que bucetinha gostosa você tem! Como é apertadinha! Como é
gostosa!
- Vem! tudo! mais forte! mais! Oh, Derek! Oh, tesão! - ela
delirava.
Os quadris dele atingiram um ritmo impressionante, tirando-lhe o
fôlego, secando sua boca, fazendo-a se contorcer, inteiramente
arrepiada. Marylou começou a gozare seus orgasmos foram se prolongando,
subindo cada vez mais, cada vez mais fortes, até que seu corpo todo se
arrebentasse naquele vulcão contido.
Foi um gozo indescritível, cheio de sensações e emoções violentas.
Múltiplas reações ocorreram em seu corpo, cada uma melhor do que a
outra.
- Vou gozar! vou gozar em sua bucetinha! - anunciou ele,
imobilizando-se sobre ela, gemendo num suspiro prolongado e
entrecortado.
Seu rosto se contraiu de prazer, numa expressão de éxtase. Seu
caralho pulsou ritmadamente dentro dela, expelindo jatos quentes de
porra, inundando a camisinha. Ficaram ofegantes, apenas sentindo o
prazer, abraçados fortemente, naquela atmosfera que cheirava a porra e
buceta, a prazer e satisfação.
Depois seus corpos foram se relaxando. Ele ficou acariciando o
corpo dela.
- Quer ir a uma testa? - indagou ele.
Ela riu.
- Quer ir jantar?
-Qualquercoisa que você propuserestá bom para mim. Você foi ótimo!
-exclamou ela, sentando-se.
Ele a ajudou a se levantar. Foram para o banheiro. Um esfregava o
outro, na ducha morna e deliciosa. A espuma deslizava sobre as peles
lubrificadas. Os gestos foram provocantes, intencionalmente marotos,
buscando os pontos sensíveis, numa brincadeira divertida e excitante.
O tesão voltou mais forte do que da primeira vez.
-Estou desejando você de novo-murmurou ela, detendo suas carícias
no caralho dele.
Gradativamente ele reagiu e foi inchando entre seus dedos hábeis e
delicados.
- E eu quero mais! Quero tudo de você nesta noite- murmurou ele,
deslizando as mãos pelas nádegas dela, encontrando o buraquinho
pregueado para uma massagem provocante e sutil.
- E se fizéssemos um espaguete? - sugeriu ela, mas ele já a
beijava, sugando avidamente os lábios mornos e carnudos.
Apertou-a contra si, encaixando seu membro entre as coxas dela.
Segurou-a pelas nádegas e ergueu-a. Ela enroscou as pernas na cintura
dele. Caminharam assim para a cama.

Capítulo 5

Derek achou por bem não negligenciar de todo Rebeca. Acima de
tudo, aquela situação estava lhe proporcionando experiências incríveis
e, o que era mais importante, seu tesão por Rebeca era agora diferente,
muito mais intenso.
Percebeu isso quando se viu na garagem dela, esperando-a chegar,
num fim de noite. Assim que ela parou o carro, ele abriu a porta e
entrou.
-Surpresa! -disse ele, enquanto a abraçava e beijava ardente-
mente, enfiando a mão por entre as coxas dela, buscando sua xoxota que,
em questão de segundos, ficou toda molhada.
Ofegando, ela correspondeu àquele ataque inesperado e devastador,
apertando-se a ele e sentindo a rigidez dos músculos de seu tórax
másculo. Deslizou uma das mãos pela coxa dele, indo até o ventre,
encontrando ali o caralho já duro.
Derek estava excitado ao extremo, dedilhando a xoxota da garota
com habilidade, tocando seu clitóris e avançando até seu ponto G.
Ela se arrepiou toda e sentiu o ar faltar em seus pulmões.
Correntes de prazer percorreram sua espinha de cima a baixo.
- Oh, Derek! - exclamou, ofegando, sentindo os dedos dele
invadindo sua chana e arrancando dali as emoções mais arrepiantes.
- Pegue minha pica! - pediu ele, malissioso.
Ela empurrou o zíper da calça para baixo e enfiou a mão pela
abertura, encontrando facilmente o membro endurecido. Com tesão, Rebeca
trouxe para fora o caralho endurecido e quente, apertando-o entre seus
dedos febris.
Começou a masturbá-lo. Derek estremeceu, apertando-a e enfiando
uma das mãos pelo decote para buscar um dos seios rijos e tentadores.
-Quero você! -declarou ela, sentindo o desejo explodir em seu
corpo jovem e sedutor.
Derek concentrou sua atenção na xoxota dela, dedilhando-a com
habilidade, alternando carícias no clitóris e no ponto G, levando-a
rapidamente ao primeiro orgasmo.
Ela ficou estremecendo e apertando o pinto dele, com a língua toda
enfiada na boca dele, que a sugava deliciado.
- Vamos entrar - pediu ela, mas continuou com o caralho dele entre
seus dedos, manipulando-o, masturbando-o lentamente.
Inesperadamente, debruçou-se e começou a lamber e a sugar aquele
membro ereto e pulsante.
- Rebeca, sua tesuda!
Ela continuou mamando na pica dele, depois puxou-o pelo pinto,
fazendo-o sair do carro.
Entraram na casa, trocando beijos e amassos. Ele a prendeu contra a
porta, enfiou um dos joelhos entre as coxas dela e foi subindo, lévando
o vestido para cima. Imediatamente o perfume da xoxota dela invadiu a
sala, entontecendo-o.
- Oh, Rebeca, você continua mais quente do que nunca -
murmurou ele.
- Você me acende, Derek!
- Está trepando muito?
- Não tanto quanto gostaria- respondeu ela, levando-o para
a cama.
Ela se deitou, numa pose oferecida. Derek ficou observando
aquele corpo tentador, cujos seios perfeitos arfavam suavemente.
O ventre liso exibia uma penugem suave, que descia,
transformando-se num tufo escuro abaixo do ventre.
Ele concentrou sua atenção nas coxas entreabertas, sentindo um
tesão violento ao perceber a rachinha entre os pêlos encaracolados,
onde
rebrilhavam gotas do néctar da excitação.
Seu caralho latejou, de tanto desejo. Ela estava tão provocante
naquela posição que ele não resistiu e se abaixou diante dela.
Seu olhar passeou pelo corpo da garota, descendo dos cabelos
para os seios e dali para o ventre.
Ele se sentou na beira da cama e ficou se deliciando com a vi são
excitante daquela rachinha desenhada orvalhada.
Lembrava-se muito bem daquela xoxotinha e do prazer que elajá
lhe proporcionara tantas vezes.
Ele avançou por entre as pernas dela e se inclinou sobre o corpo
jovem e sedutor.
Pousou uma das mãos entre os seios dela e ficou alisando,
beliscando os biquinhos, que se enrijeceram.
- Você continua fantasticamente tentadora e deliciosa, Rebeca
-comentou ele.
Em resposta ela estendeu a mão e enfiou-a pela camisa dele, até
o peito. Deslizou-a para baixo lentamente. Suas unhas arranharam os
pêlos, descendo para a barriga.
O olhar dela se tornou brilhante. Derek fechou os olhos e
esperou,
apenas sentindo, até que a mão dela soltasse o cinto e o zíper de sua
calça
e chegasse ao seu pênis, agarrando-o e apertando-o com volúpia.
- Está tão duro! - falou ela, os dedos apertando o membro
grosso e longo, provocando-o.
-Oh, Rebeca! Seu toque é puro tesão-disse ele, sem abrir os
olhos, concentrado naqueles dedos movendo-se ao redor de seu cacete,
anunciando-lhe um prazer sem preçedentes.
Rebeca arrastou-se sobre a cama, enroscando-se nele e fazendo-o
se deitar.
Com gestos provocantes e sem pressa alguma, ela o despiu,
cobrindo de beijos a pele dele.
Em seguida, deitou-se sobre o corpo dele e segurou seu rosto, antes
de começar a lambê-lo.
Ele sentiu a respiração ardente contra sua pele, o contato dos
seios dela contra seu peito, as coxas macias esfregando-se nele. Os
movimentos do corpo dela incendiaram-no, contagiando-o.
Abraçou-a, apertando-a contra si, gozando o contato provo- cante
de sua pele, enquanto suas mãos desciam pelas costas da garota até as
nádegas roliças e arrebitadas, maravilhando-se com a perfeição de
formas.
- Senti um tesão enorme quando a vi chegar. Desejei trepar com
você lá no carro mesmo - murmurou ele, com a voz rouca pelo desejo.
Ela sorriu, buscando os lábios úmidos e entreabertos para beijá-
los sofregamente, enfiando sua língua na boca ardente, que a sugou com
voracidade.
Rebeca esfregou provocantemente seu ventre no pênis dele, gozando
aquele volume rijo e tentador. Derek ofegou de tesão, sentindo a pressão
e os movimentos dela.
- Você também me deixou cheio de tesão - murmurou ela, as mãos
passeando possessivamente pelo corpo dele.
-Quérotrepar logo com você! Enfiar meu cacete na sua bucetinha!
Sentir o fogo que há dentro de você - sussurrou ele.
O som daquela voz excitada arrepiou-a, fazendo-a ofegar de puro
prazer.
- Como você está ardente, Derek! Adoro isso! - exclamou ela,
beijando-o no pescoço e na orelha, enquanto éle punha o membro
endurecido entre as coxas dela, que se fecharam, prendendo-o.
Derek ficou fodendo nas coxas dela, movendo os quadris lentamente,
sentindo seu caralho roçar a pele macia e sensível.
- Que bom poder estar com você de novo! Fodê-la sem pressa! -
murmurou ele, girando o corpo e pondo-a sob si para gozar a visão do
formato perfeito de seus seios, com auréolas escuras que circundavam os
biquinhos enrugados de paixão.
Sua mão desceu pelo ventre achatado e foi se enfiar entre as coxas
dela, roçando os pêlos, buscando a buceta molhada e estreita para uma
carícia mais íntima.
Rebeca arqueou o corpo, quando o dedo dele roçou seu clitóris e
foi tatear a abertura lubrificada de sua chana, antes de penetrar
decidida e habilmente para ir tocar seu ponto G numa estonteante
massagem que a fez tremer de puro gozo.
O perfume penetrante de suá xoxota confundiu-se com os perfumes de
seus corpos, numa frágrância nova e erótica, aguçando o desejo dos dois.
Derek deslizou, então, sobre o corpo trêmulo e arrepiado debaixo
do seu. Segurou-a pelos tornozelos e começou a afastá-los lentamente,
com os olhos fixos na vulva dela.
A xoxota perfumada e estreita foi se abrindo gradativamente diante
de seus olhos excitados.
-Sua bucetinha é inesquecível, Rebeca-murmurou ele, rouco e
trêmulo.
- É toda sua! Faça bom proveito!
Derek desceu os olhos dos pêlos fartos para a tentadora xoxota,
onde gotas de néctar rebrilhavam:
Inclinou-se, atraido por ela. O cheiro arrebatador era um convite
irrecusável. Sua lingua estendeu-se.
Ele a segurou pelas nádegas, erguendo-lhe os quadris, trazendo a
taça preciosa de sua xana até os seus lábios.
Avançou a boca sofregamente e sugou, num beijo alucinado, o
delicado clitóris dela.
- Oh, Derek! Que loucura! - gemeu ela, arqueando o corpo de puro
prazer.
Ele enterrou a língua na xoxota dela, buscando o ponto G para
massageá-lo com a ponta da língua, enchendo-a de sensações e arrepios. A
carícia foi intensa e prolongada, pondo Rebeca frenética e extasiada.
-Deixe-me chupá-lo também-pediu ela, impaciente e faminta de
prazer.
Derek girou o corpo, conforme ela pedira. Seu caralho ficou ao
alcance dela. Voltou a segurá-la pelas coxas e a lamber e chupar a
xoxota molhada, enquanto a boca ardente de Rebeca tocava a ponta de seu
cacete.
Um arrepio intenso percorreu-lhe o. A língua morna estendeu-se,
aluciríando-o.
Ele estremeceu de puro prazer, sentindo espasmos percorrendo seu
corpo. A boca de Rebeca sugou o caralho dele e a sucção e os movimentos
de sua língua entonteceram-no:
Derek agarrou-se às coxas dela, chupando com redobrado ardor a
buceta deliciosa, lambendo o clitóris, mordiscando-o carinhosa mente,
indo buscar o ponto G numa alternância que enchia o corpo dela de tesão
e de calor.
Suas mãos escorregavam pelas pernas dela, numa carícia possessiva
e dominadora, quase dolorida.
Rebeca gemia agora. Sua respiração entrecortada revelava todo o
tesão que explodia em seu corpo jovem.
Ela retribuía, chupando gulosamente o caralho dele. Seus corpos se
esfregavam em movimentos alucinantes e excitados.
-Vou chupá-lo até enlouquecê-lo! -murmurou ela, mascando o cacete
em sua boca.
- Sim! Chupe! Desse jeito mesmo! - concordou ele, num
estremecimento de prazer.
Uma das mãos foi acariciar as nádegas dela, buscando o cuzinho
para uma carícia inesperada. Ela rebolou, aceitando aquele dedo que
forçava a passagem por entre suas pregas apertadas.
Ela gemeu de puro prazer novamente. Derek redobrou os beijos e
chupadas na chana e logo Rebeca começou a gozar incessantemente,
interminavelmente, com seu corpo tomado por contrações e espasmos.
Enquanto ela o chupava, Derek movia os quadris ritmadamente,
entrando e saindo por entre os lábios carnudos.
Pouco a pouco os movimentos dele foram se tornando frenéticos. Sua
boca não descolava da xoxota de Rebeca, que se contorcia de prazer.
Ela estava gozando seguidamente e chupando o caralho dele ao mesmo
tempo. Derek gemeu rouca e prolongadamente, retesando o corpo abalado
por espasmos contínuos. Começou a gozar, esguichando esperma na boca
faminta de Rebeca, que ficou gozando também, enquanto sugava e engolia
cada gota ejaculada por ele. Derek deitou-se sobre ela, que rebolava,
esfregando-se nele.
-Acho que vou querer isto aqui também!-disse ele, esfregando a
ponta do caralho entre as coxas dela.
Ela estremeceu e gozou mais forte e inesperadamente ainda, ao
sentir o toque da pica dele, de tanto tesão. .
- Por favor! Continue! - pediu ela, num fio de voz trêmulo e
excitado.
-Acho que vou fodê-la por completo. Comer sua buceta! Comer sua
bunda! Você é gostosa demais, sabia?
Os olhos dela cintilavam. Todo o seu corpo tremia. Lágrimas de
excitação e felicidade desciam de seus olhos.
-Tem usadocamisinha?
- Com as outras, sim. E você?
-Também!
- Então nada mais gostoso que comer uma xoxota ao natural.
- Sim! Foda-me, então, Derek! -disse ela, enquanto abria as pernas
ao máximo para prendê-lo depois pela cintura. - Põe! Põe logo! - pediu
ela.
Ele continuou esfregando o caralho na chana dela, fazendo-a
suspirarde paixão. Ela vibrava, gozando como nunca. Gemia e pedia mais.
Apesar de ter acabado de gozar, Derek continúava excitado.
Debruçado sobre ela, encaixou sua pica entre as coxas sedutoras. Ela
mesma, com a mão, guiou-o para a entrada de sua buceta.
- Põe tudo!
Ele a atendeu, empurrando de uma vez seu cacete, entrando fundo
dentro dela. Ele gemeu e gozou de prazer.
Elefodeu com gosto aquela bucetinha apertada, alisando a bunda
dela, amassando seus seios e lambendo sua nuca, enquanto a penetrava
freneticamente, fazendo-a gozar alucinadamente.
- Agora! Quero tudo! Estou gozando. Quero gozar mais! Mais! Mais!
- dizia ela, num tom cada vez mais alto.
Percebeu que ela desfalecia, o corpo agitando-se alucinada mente
de um lado para outro, os quadris jogando-se contra os dele: Sem lhe dar
tréguas, Derek continuava se movendo ritmada e virilmente. Seu cacete ia
fundo dentro da xana, num ritmo desenfreado que foi se tornando mais
forte, até que ele gozasse de novo.
-Delicioso! Você é o máximo, sabia?-disse ela, ofegante, com a voz
entrecortada, deixando-se envolver por uma gostosa sonolência.

Ela acordou algum tempo depois, espreguiçando-se gostosamente.
Derek ressonava ao seu lado, o corpo másculo e nu a sua disposição.
Um sorriso maroto se desenhou em seus lábios. Levantou-se e foi
até a cozinha, de onde retornou com um pote de manteiga de amendoim.
Lambuzou o pênis dele, depois começou a lamber deliciada. Ele
acordou e ficou olhando-a com olhos surpresos e deliciados.
-Está uma delícia!-exclamou ela, cheia de impaciência e desejo.
- Deixe-me experimentar também esse prato - falou ele, apanhando o
pote de manteiga de amendoim.
- Oh, claro que sim - respondeu ela, tentada.
Acomodou o corpo, pondo seu caralho ao alcance dos lábios dela.
Antes de cavalgá-lo num sessenta e nove, Rebeca lambuzou a xoxota,
depois ofereceu-a a ele.
Derek segurou-a pelas coxas e começou a lamber e a chupar a xoxota
dela, enquanto a boca ardente de Rebeca buscava afobadamente o cacete
dele, depois de tê-lo lambuzado de novo.
Ela sugou sofregamente, enquanto ele trabalhava com a língua na
xoxota dela, sentindo de novo um sabor novo e sutil naquela taça
inesquecível.
Coordenou os movimentos de suas mãos, para dar um prazer completo
à garota.
Primeiro deslizou os dedos pelos flancos dela. Um lado, depois o
outro, lentamente, numa provocação.
Depois enfiou uma das mãos por entre as nádegas dela, até encaixar
um dedo no apertado cuzinho dela.
Esfregou, indo e vindo. À outra mão apalpava uma das coxas delá.
Ela continua chupando e mascando seu caralho com desejo e tesão. Derek
sentiu a impaciência dominar seu corpo.
Lembrava-se daquela bunda e daquele cu e de como tivera tanto
prazer com eles.
- Vire-se! Assim! - pediu ele, ajudando-a a virar-se na cama,
pondo-se sobre ela e encaixando seu quadril contra as nádegas rijas e
empinadas.
Seu caralho entrou por entre as coxas dela. Suas mãos continuaram
alisando os flancos da garota, depois avançando por sua cintura, subindo
para seus seios.
- Esta posição me enlouquece-disse ele, com a boca próxima do
ouvido dela, fazendo-a arrepiar-se e rebolar.
-Então vem-murmurou ela, rebolando a bunda, esfregando-se no
caralho entre suas coxas.
-Oh, sim! Quero comer seu cuzinho como-murmurou ele, com a voz
trêmula e o corpo convulsionado de tesão.
- Come, querido!
- Sim, claro que sim!
Ela se arrepiou de tesão. Ele puxou os quadris dela para cima,
arrebitando seu traseiro.
O corpo dela cheirava agradavelmente, naquela mescla de cheiro de
buceta, de desejo, de perfume e de excitação.
Ele pincelou o pênis na bunda desejável, brincando um pouco com
ela. Depois esfregou manteiga de amendoim no orifício, preparando-se
para comer aquele cuzinho tentador.
Ela rebolava, estremecendo a cada vez que o pênis tocava seu
corpo. Ele encostou, então, sua pica no buraquinho apertado.
- Vou pôr na sua bundinha agora!
- Oh, sim, por favor! Coma a minha bundinha! - pediu ela,
arrebatada de tesão.
Ele experimentou a entrada, sentindo a glande comprimir-se no
buraco pregueado, deslizando com certa facilidade, graças à manteiga.
- É tão apertadinho! - murmurou ele, afogueado, empurrando
lentamente.
Sentiu a ponta comprimir-se gostosamente naquele rabinho tentador,
que se abria para recebê-lo prazerosamente.
- Está entrando! - ofegou ele.
- Sim, eu sinto! Mais!
- Assim?
- Sim, mas eu quero mais! Quero tudo! Está entrando! Mais! - foi
pedindo ela, enquanto ele avançava.
- Está gostoso?
- Oh, sim, que loucura! - ofegou ela. - Está me dando um tesão
enorme! Continue! - insistiu, com a voz trêmula e entrecortada,
rebolando os quadris, sentindo uma sensação selvagem tomar conta de seu
corpo.
Ele a segurou pelos quadris e continuou empurrando, enquanto a
puxava para si.
- Agora põe tudo - pediu ela.
-Tem certeza?
- Sim! Eu quero! Quero sentí-lo! Já estou gozando! Quero mais!
Mais! - disse ela, frenética, possessiva, alucinada.
- Então aqui está o que pediu, querida - disse ele, enfiando a
pica endurecida no rabo dela.
O cacete lubrificado deslízou pelas pernas dela, quando Derek
empurrou decididamente sua vara e ela se introduziu totalmente no
buraquinho faminto.
- É uma loucura! - murmurou ela, rebolando, sentindo todo aquele
volume dentro dela. - Agora foda-me de verdade! Coma meu cú! Foda meu
rabo! - insistiu, frenética e cheia de tesão.
Ele começou a moverseus quadris ritmadamente. Um movimento que foi
ganhando velocidade, entre gemidos e murmúrios abafados.
- Mais, Derek! Mais! - pedia ela, enquanto ele golpeava seu corpo
contra o dela, fazendo o caralho entrar fundo nas entranhas mornas e
famintas, que pareciam sugá-lo para dentro dela.
Ele acariciou os seios dela, beijando e mordendo seu pescoço e sua
nuca, enquanto roçava o cacete pelas pregas apertadas, num crescendo que
parecia levá-lo ladeira abaixo rumo a um abismo sem fim:
Rebeca masturbava-se, esfregando o clitóris ou massageando o ponto
G com a ponta de um dos dedos, num furor erótico que aenchia de arrepios
e de espasmos.
-Agora, Derek! Agora! Goze comigo! Goze comigo! -pediu ela, fora
de si, sentindo seu corpo experimentar mil tesões ao mesmo tempo.
Ambos explodiram novamente de gozo e ele caiu sobre ela, que se
estendeu extenuada na cama, molhada pelo suor de seus corpos.
Ficou contraindo o esfíncter, dando um prazer extra ao caralho
enterrado em seu rabo.
Uma gostosa sonolência invadiu seus corpos.
- Sentiu minha falta? - perguntou ele.
- Um pouco.
-Trepou com muita gente?
- Nem tantos. E você?
-Algumas.
-Acha que devemos continuar?
- Você é quem sabe.
Rebeca pensou por instantes. Novas experiências exerciam um apelo
muito forte sobre ela, mas preferiu não responder naquele momento.
Respirou fundo, abraçando-o. Adormeceu saciada.

Capítulo 6

Derek começou a desenvolver uma curiosa teoria. Tinha um tesão
muito grande por Rebeca e teria de conviver com isso. Por outro lado,
experimentar outras mulheres passou a ser uma tentação muito grande em
súa vida.
Decidiu fazer as duas coisas ao mesmo tempo. Trepar com quem
quisesse e procurar Rebeca, quando tivesse vontade. Nada mais justo.
Afinal, a idéia inicial fora dela mesmo.
As experiências bem sucedidas reforçavam sua segurança, tornando-o
ousado. Ele se lembrou de uma garota com quem saíra algumas vezes, mas
com quem não conseguira ir para a cama. Resolveu visitá-la.
Ela o recebeu muito bem. Convidou-o a entrar, surpresa e
deliciada.
- O que o traz aqui? - quis ela saber.
- Vim comer você, Dianne! - respondeu ele com naturalidade,
olhando-a com olhos e mostrando o quanto estava interessado nela.
Ela estremeceu de surpresa, tesão e desejo. Pudera sentir no tom
da voz dele o quanto ele a queria e isso a agradava.
Um calor intenso invadiu seu corpo. Sua xoxota ardeu. Ela queria
correr e atirar-se sobre ele, agarrando seu caralho para brincar com ele
e ter muito prazer.
Resolveu valorizar um pouco o jogo e ficou andando de um lado para
outro, como se estivesse em dúvida. Ele foi se sentar no sofá, olhando-
a desafiadoramente.
-Você está me deixando louco de vontade de tocá-la, de acariciá-
la, de possuí-la. Estou doido de vontade de foder sua bucetinha, seu
cuzinho, sua boca, tudo em você!
Ela tremia cada vez mais, sentindo sua xoxota se derreter, fazendo
escorregar a umidade por suas coxas.
- Venha para mim - pediu ele, estendendo os braços.
Ela ficou tentada, olhando para ele. Sem hesitar, Derek começou a
se despir lentamente, revelando músculos sólidos, o peito másculo e
cabeludo, até, finalmente, o pênis grosso e longo, que pulsava, duro,
apontado para ela, numa promessa de longas e loucas horas de prazer.
Ele segurou o cacete com uma das mãos e arregaçou-o para trás,
exibindo a cabeça maciça e avermelhada.
-Quero enfiartudo isto dentro de sua buceta, Dianne-murmurou ele,
rouco de tesão.
Ela ficou olhando aquele caralho e arrepiando-se. Ele caminhou ao
encontro dela e se encostou nela. Apertou-a contra si, levantando
lentamente sua saia, enfiando o pau entre as coxas dela.
Dianne o sentiu, quente e delicioso. Arrepios a invadiram. Ela
ficou imóvel e trêmula, desejando que ele a fodesse ali mesmo. Ela viu
desejo, um désejo que a contagiava e atraía. Ela foi se aproximando.
Ajoelhou-se diante dele. Abriu a boca e estendeu a língua. Derek ficou
se masturbando, enquanto esfregava o pênis na boca e na língua da
garota. Estremecia de prazer com aquele hálito quente.
-Deixe-me cuidardisso-falou ela e segurou com firmeza o caralho.
Massageou-o com dedos finos e delicados. Lambeu a glande exposta.
Mordiscou a carne maciça. Enfiou-o todo em sua boca e Derek estremeceu,
sufocando um gemido de prazer.
Ela o deliciou com a língua e os lábios, sugando seu caralho,
lambendo e arranhando seus bagos, mordiscando sua barriga e beliscando
suas nádegas.
Enfiou um dedo no cu dele, fazendo-o rebolar, incendiando-se de
paixão. Ele a agarrou, beijando-a apaixonadamente.
- Quero fodê-la, Dianne! Você me deixou louco, sabia? Quero enfiar
meu cacete na sua buceta! Ah, como que quero comer você,
Enquanto ele falava, ela se esfregava no seu corpo nu, brincando
com aquele caralho gostoso e grosso que se enfiara entre as suas coxas.
- Deixa eu sentir sua bucetinha - disse ele, num suspiro
apaixonado, enfiando a mão por entre as pernas dela, roçando seus pêlos
e indo esfregar sua xoxota.
Ela estremeceu. Jamais vira um homem com tanto tesão e isso a
deixava excitada ao máximo. Ele continuou com aquele dedo enlouquecedor;
introduzindo-se parcialmente em sua xoxota, fazendo movimentos lentos de
vaivém, roçando seu clitóris e seu ponto G, provocando uma tensão enorme
em seu corpo.
Ela apertou o caralho dele entre seus dedos, depois ficou
esfregando-o, enquanto Derek suspirava e uma expressão de inegável
prazer estampava-se em seu rosto.
-Quero lambersuastetinhas! Chuparsuabucetinha! Deixá-latão
excitada que vai suplicar para que eu a coma!
- E depois vai pôr devagarinho?
- Sim!
- Sim, prometo tudo que você quiser, meu amor. Vou começar pondo a
só bem devagarinho, só a pontinha! Depois eu vou empurrando! Vou
enterrando! Vou enfiando! Vou comendo sua xoxota inteirinha!
- Vai me lamber também?
- Sim!
-Vai enfiar sua lingua em minha xoxota e descobrir meu ponto G,
não vai?
- Vou achar o abecedário todo em sua bucetinha, querida. Vou
lamber até o reguinho do seu cuzinho, meu bem! Quero morder sua bunda,
fazer de tudo que for gostoso para nós!
Ela estava trêmula e meio tonta de tanta excitação, esfregando-se
nele, trocando carícias incendiárias. Um tesão sem tamanho tomou conta
de seu corpo, pondo-a extremamente sensível.
Dianne ficou brincando com o caralho dele, enquanto Derek brincava
com sua chana, esfregando sutilmente seu ponto G e seu grelinho, pondo-a
mole e quase sem fôlego.
-Digaque quer trepar comigo-pediu ele, avoz rouca etrêmula de
tesão, alterada pelo desejo e pela paixão.
- Quero trepar com você! Quero comer você!
- Sim, você vai me comer. Vai engolir inteiro a minha vara -
respondeu ele.
Ela continuou masturbando-o suavemente, sentindo a rigidez de sua
pica.
- Eu não agüento mais de tesão-disse ele, pegando-a no colo e
levando-a para a cama.
Abraçou-a e beijou-a ardentemente. Suas mãos envolveram o corpo
dela com força, desejo e paixão. Ela sentiu a língua dele brincar em sua
boca e, depois, suas mãos subirem pelo seu corpo, envolvendo seus seios,
pressionando-os carinhosamente.
- Vou fazê-la gozar! Gozar muito! - disse ele e ela tremia toda,
de excitação, de expectativa, de desejo, de tesão e de paixão. Ele a
virou na cama, debruçando-se sobre ela, beijando seus ombros e sua nuca.
Seus beijos eram ardentes, molhados, excitados. Sua língua lambeu a pele
arrepiada, subindo para a nuca, enchendo-a de arrepios. As mãos
avançaram para os seios, dominando-os, massageando-os, apertando-os,
bolinando-os. Ele beliscou os mamilos durinhos, apertou ás tetas
possessivamente, enquanto seu hálito arrepiava-lhe a nuca e os ombros.
Uma das mãos desceu pelo ventre dela, penetrou por entre as coxas
e foi se esfregar em sua xoxota molhada. Uma estava nos seios dela, a
outra em sua chana, o hálito, a língua e os beijos em sua nuca e ombros,
num crescendo de sensações que a fizeram gozar.
Ela estremeceu toda, sentindo espasmos contínuos no ventre. Sua
respiração sumiu e ela ticou sentindo aquela coisa gostosa que a deixava
mole inteiramente.
Girou o corpo e rolou sobre a cama, ficando com os braços
pendentes. Derek se arrastou na direção dela e a beijou no pescoço. Sua
língua brincou depois no ouvido dela, acentuando seus arrepios.
Seu hálito apressado, seus murmúrios de tesão, tudo o alucinava e
ele a brindava com as carícias mais alucinantes, deixando-a vencida e
subjugada no leito.
Ela o queria. Queria sua pica dentro dela, sua língua em seu ânus,
seus dedos em seu corpo todo. Queria sua boca beijando-a, chupando seus
seios, sugando sua xoxota. Queria tudo dele. Tudo mesmo.
Só aquelas carícias eram suficientes para fazê-la gozar
continuamente. Um gozo intenso, que a fazia apertar as coxas e ficar
tremendo, enquanto ele dominava seu corpo com carinho e habilidade.
-Você me mata de tanto prazer-murmurou ela, flexionando as pernas
e abrindo-as, oferecendo-lhe a buceta orvalhada de tesão.
Ele fungou de tesão e se debruçou entre as coxas de Dianne. Ela
sentiu seu hálito forte e quente em sua xoxota. Estremeceu. Gozou.
Delirou. Gemeu, quando a língua dele ficou brincando lá dentro dela.
Dianne agarrou-o pelos cabelos e apertou-o contra si. A língua
morna era uma serpente viva, movendo-se em sua chana, alisando seu ponto
G, dando-lhe uma sequência alucinante de orgasmos múltiplos.
-Oh, Dianne, que deliciosa é sua bucetinha! Não vejo a hora de
enfiar nela meu cacete!. De gozar lá dentro de você, enchendo de porra
sua chaninha apertada e perfumada! -murmurou ele.
Derek se movia entre as coxas dela, as mãos subindo e descendo
pelo seu corpo, cada vez mais possessivas e mais exigentes.
-Sim, querido! Sim! Enfia tudo! É demais!-gemia ela, as mãos
apertando-ocontra avagina, enquanto aquela língua incansável iaevinha,
lambia, esfregava, girava, roçava, levando-a à loucura. Dianne gozava
cada vez mais forte, mais prolongado, como se aquelas sensações jamais
tivessem fim e apenas crescessem. Ele retardava o momento da posse e
essa expectativa a deixava tensa e doida de tesão e desejo.
Ele percebia o quanto ela gozava e insistia com a língua. A chana
estava mais do que lubrificada. Ela continuava gozando, mas esperando
pela entradatriunfal daquele cacete. Queria brincar com ele, chupá-lo
também.
-Quero pôr agora! -murmurou ele e ela percebeu o quanto ele estava
excitado também.
Jamais havia chegado antes àquele estágio com Rebeca. Estava
descobrindo novas sensações, novas possibilidades. Não queria terminar
logo. Não tinha pressa. Queria aproveitar tudo.
- Quero brincar com sua pica também - pediu ela.
- Não agüento mais de tesão, Dianne!
-Eu também não, querido! Venha! Deite-se!-ordenou-lhe e ele
obedeceu.
Dianne jamais vira o caralho dele tão duro, com a cabeça tão
inchada e maciça. Com deslumbramento, apertou-o entre seus dedos, depois
masturbou-o lentamente, para que ele não gozasse.
Ela queria que ele chegasse também ao limite do tesão, que ficasse
à beira de explodir.
Sentou-se sobre suas pernas, segurando-lhe o pênis com as duas
mãos. Inclinou a cabeça. Lambeu a glande inchada, umedecendo-a com sua
saliva. Enfiou-o em sua boca, fazendo-o esfregar-se lá dentro. Mascou- o
entre seus dentes, jogando-o de uma bochecha à outra. Arranhou-lhe o
saco com as unhas.
Ele gemia e movia instintivamente os quadris, indo e vindo com seu
caralho entre os lábios dela, que se excitava cada vez mais com a
excitação dele.
Chegavam ambos à beira do gozo. Ela soltou o caralho e foi beijar
sua boca, avançando seus quadris, quase sentando em sua piroca. Ele
gemia, enroscando língua com língua.
Ela moveu os quadris, encaixando o pinto bem no rego de sua bunda,
em cima do seu cu. Pressionou, apenas para provocá-lo.
-Oh, Dianne, assim você me mata-disse ele, agarrando-a pela
cintura e forçando.
Ela sentiu que a pica alargava as pregas do seu cú, querendo
entrar. Ela ficou rebolando, só provocando, levando a excitação ao
máximo, ao ponto sem volta.
- Dianne! Vem! Não aguento mais! - pediu ele.
Sobre ele, Dianne segurou-lhe o pênis e vestiu-lhe uma camisinha.
Depois apontou-o para a sua chana. Forçou, sentindo-o entrar suavemente,
deslizando pelos lábios lubrificados.
Uma deliciosa vertigem a assaltou e ela ficou ansiosa e aflita,
desejando logo ter todo ele dentro de mim.
- Enterra tudo agora, Derek! - pediu ela.
Ele golpeou inesperadamente, com um movímento de quadril e o
caralho dele se enterrou todo em sua buceta. Ficaram abraçados,
estremecendo e gozando, como os pêlos dele se confundindo com os dela.
Excitado, Derek se moveu sob ela em movimentos potentes. A cada
estocada, era como se ele bombeasse o ar dos pulmões dela para fora.
Dianne foi ficando alucinada, numa vertigem louca.
Apertou os mamilos dele, beijou-o e mordeu-o, enquanto ele gemia e
saltava como um louco, com ela sobre ele, com a pica enterrada
gostosamente em sua buceta. Quando gozaram, Dianne se abraçou com força
a ele e ficou estremecendo, totalmente saciada.

Para Rebeca, a situação havia se tornado muito conveniente. Derek
a atraía sobremaneira, mas liavia outros homens que ela queria
experimentar. Um deles era seu patrão, refinado, maduro, çom um charme
grisalho e elegante.
Ele sempre tivera uma queda por ela. Por muitas vezes lançara
indiretas, que ela soubera descartar. Agora podia, finalmente, vero que
ele tinha a ensinar ou oferecer para ela.
Aceitou passar um fim de semana com ele, numa casa de praia.
Durante a viagem, Morgan foi muito educado. Conversaram o tempo todo e
ele se mostrou sempre muito atencioso.
Quando chegaram à casa, finalmente, ele a carregou imediatamente
para o quarto. Ela se deslumbrou com a voracidade, com a sensualidade e
com a volúpia com que ele se atirara sobre ela, despindo-a, abrindo-lhe
as pernas e se ajoelhando diante de sua xoxota.
Ele gemia de prazer. Seu hálito varreu a xoxota de Rebeca, quente
e provocante, arrepiando-a intensamente. Toda a pele dela se arrepiou.
Ele beijou toda a vulva perfumada, detendo-se, finalmente, no seu
grelinho ereto e proeminente.
Prendeu-o entre os lábios, movendo-os de um lado para outro,
enquanto friccionava sua língua nele. A técnica era perfeita. Derec
jamais conseguira aquela coórdenação, fruto da experiência e da
maturidade. Ela ofegou e se contorceu de tanto prazer, despindo-o e
buscando o membro dele para sugá-lo com maestria.
Morgan enfiou a língua dentro da chana dela, provando o sabor
adocicado e intenso, embriagando-se no perfume de fêmea excitada que
vinha dela quente de prazer, buscando o ponto G para alucinar a garota.
Éla se agitou, fora de controle, gozando como se tivesse levado um
choque elétrico. Ergueu-se buscando os lábios dele para um beijo
desesperado. Morgan a enlaçou pelo pescoço, puxando-a para si. Suas
respirações se confundiram. Seu hálito a arrepiou. A língua dele
realizou prodígios, enquanto seus corpos se esfregavam com luxúria.
Ondas de prazer percorreram seus corpos. Abraçaram-se com força,
trocando beijos e carícias.
Ele deslizava a mão pelo corpo dela. Ela fazia o mesmo, apertando
sua bunda e seus testículos. Ele acariciou seus seios, suas coxas e suas
nádegas. Ela suspirava continuamente, com aquele fogo ardendo dentro
dela, contagiando sua xoxota, pondo fagulhas em sua pele. Sua língua se
enroscava na dele. Ela bebia sua saliva.
Com estremecimento, ela sentiu o pênis rijo e quente entre as suas
coxas e apertou-o com prazer. Moveu as pernas, friccionando-o. Morgan
gemeu, deliciado.
- Estou ardendo, querido! Estou com fogo na xoxota! Estou a fim de
experimentar tudo com você, querido! Quero foder e chupar! Quero ser
fodida e chupada! Quero tudo de você - murmurou, fora de si.
Cada vez maior era o seu desejo. A coceira em sua chana aumentava.
Seu cu ardia de vontade de sentir uma lambida. Sua boca ansiava devorar
aquele caralho duro e gostoso.
- Vamos nos chupar - propôs ele.
rebeca não se fez de rogada. Ela queria agradar aquele homem.
Sabia o que isso poderia significar.
-Fique porcima de mim-disse ele, deitando-se de barriga para cima,
com aquele caralhão levantado à espera dela.
Ela o atendeu, acomodando-se sobre ele. Sua xoxota ficou pairando
acima da cabeça de Morgan. Ela olhava fixamente para o caralho, ao
alcance de sua boca. Ficou trêmula, sentindo o hálito dele se aproximar
de sua xoxota.
Ele fez isso vagarosamente, puxando a sua bunda para baixo. Ela
ficou imóvel, esperando até que a língua lhe tocassea buceta. Estremeceu
e vibrou, quando sentiu seu hálito mais próximo.
Suas mãos enlaçaram-lhe o pal , fazendo-se estremecer e suspirar.
A língua se afundou dentro dela, movendo-se. Ela gemeu, entontecida e
deliciada. A carícia era muito forte, intensamente deliciosa,
tirando-lhe a respiração.
Sentiu umafome inesperada de devorar aquele caralho maravilhoso em
suas mãos. Estendeu a língua, lambendo a cabeça intumescida, de cima
para baixo, de baixo para címa, ao redor, de todo jeito.
Morgan suspirou e a língua se moveu com maior ênfase na chana,
buscando de novo o ponto G, a pequena rugosidade, dotada de uma
sensibilidade extrema. Ela foi ao delírio e retribuiu. Enfiou a língua
entre a glande e o prepúcio dele, girando e alucinando-o.
Beijou-o, prendendo-o entre seus lábios e soltando-o em seguida.
Morgan esmerava-se em seu clitóris e no interior de sua vagina.
Elatremia, começando a gozar seguidamente.
Rebeca percebeu que poderia ficar horas com um homem paciente e
experiente como Morgan, gozando sem parar. Abriu a boca, então, e
abocanhou todo o cacete dele, de uma só vez, com uma voracidade que o
fez gemer. Ele estremeceu de prazer, apertando suas nádegas, penetrando
ardentemente sua buceta com a língua, lambendo o clitóris, mordiscando-
o, prendendo-o entre os lábios e esfregando a língua.
Ela sentiu uma das mãos dele passear no rego de sua bunda. Um dedo
se destacou, pressionando seu ânus. Foi uma sensação inesperada, mas
gostosa. Ela relaxou o corpo. Ele empurrou. Ela sentiu o dedo entrar
dentro dela e mover-se em seu rabo, indo e vindo, massageando-a por
dentro. Foi uma loucura! Parecia que a língua dele e o dedo se tocavam
lá dentro, numa carícia alucinante que a deixou elétrica, fissurada,
mais acesa do que antes.
Ela tremia e suspirava. Sua respiração parecia sumir, às vezes,
quando ela gozava, chupando e mamando aquele caralho gostoso em sua
boca, esfregando sua chana no rosto dele, rebolando a bunda onde aquele
dedo realizava maravilhas. Tudo ganhou um ritmo frenético. Ela sentiu
vertigem. Tremia e se contorcia, retribuindo as carícias na mesma
medida. Enfiou, então, sua mão por baixo da bunda dele e buscou também
seu cu.
Enfiou o dedo e gostou da brincadeira. Morgan não protestou.
Tornou-se ainda mais ardente em suas chupadas e movimentos. Tudo aquilo
estava insuportavelmente delicioso. Ela sentiacrescerdentro dela aquela
onda de orgasmos, ameaçando sufocá-la. Era a língua dele indo e vindo, o
dedo, o caralho em sua boca, os gemidos, os suspiros, o cheiro de seus
corpos, os movimentos, o esfregar de peles, o tesão que crescia sem
parar.
- Mais! Mais depressa! Vou gozar! Vou gozar em sua boca! - avisou
ele, freneticamente, com a voz rouca e entrecortada, o corpo
estremecendo convulsamente.
Ela apressou seus movimentos de boca e aumentou a intensidade de
suas chupadas, fazendo isso em delírio, com prazer e volúpia extremos.
Sua língua esfregava a glande exposta de todas as formas possíveis. Ela
gozava sem pararcom as carícias de Morgan e queria fazê- lo gozar
também.
Ele gemeu alto e arqueou o corpo. Ela sugou forte, então. Osjatos
de esperma foram direto para sua garganta e ela engoliu aquele néctar
com um prazer imenso, sugando até a última gota.
Ele ficou, com a língua e o dedo ainda enterrados nela e sua pica
amolecendo entre os lábios carnudos.
Adormeceram. Rebeca acordou algum tempo depois, com as mãos dele
acariciando sua bunda. Arrepiou-se. Eram carícias possessivas e cheias
de volúpia.
Propositadamente ela arrebitou as nádegas. Ele se ajoelhou atrás
dela, esfregando-lhe o caralho na bunda. Percebeu que ele vestira uma
camisinha e que esfregara um lubrificante nas pregas de seu ânus. Em
seguida, ele pressionou a ponta do membro, que foi se enterrando em sua
bunda lubrificada.
A jovem se arrepiou toda e gozou de novo, só com aquela enterrada.
Ele percebeu isso e penetrou-a profundamente. Ela ficou estremecendo,
enquanto ele bombeava, indo e vindo, tirando-lhe o fôlego e fazendo-a
amolecer-se toda. Continuou os movimentos de vaivém. As mãos a
acariciavam os seios, a outra nas nádegas. Os beijos em seus ombros e em
seu pescoço eram ardentes e incendiários, cheios de volúpia e tesão.
Ela se derretia de prazer. Um prazer diferente, selvagem e
alucinante. Aquele pal enorme em seu cu continuava se movendo, indo e
vindo, ganhando cadência, à medida que ela mais rebolava a bunda,
esfregando-a nos pêlos dele, quando ele se afundava nela. Rebeca sentia
os testículos dele baterem em seu corpo, enquanto ele bombeava, agora
com furor, com potência, tirando-lhe a respiração.
Gozou com ele esfregando seu grelinho. Gozou com toque das mãos
dele em seus seios. Gozou com os dedos dele esfregando a entrada de sua
buceta. Gozou, finalmente, no rabo também. Um gozo diferente, forte, que
mexeu com ela; perturbando-a e reduzindo-a um amontoado de sensações
selvagens.
- Você é demais, Rebeca! Vamos nos dar muito bem - confessou ele,
ainda emocionado de tesão.
-Tenho certeza que sim - afirmou ela.
-Tenho muitos planos para nós...
- Como assim?
- Sonhei trepar com você em diversos lugares. Você vai me ajudar a
realizar essas fantasias todas, não vai?
- E onde são essas fantasias? - quis ela saber, cheia de
curiosidade.
-Trepar num veleiro, no meujatinho particular, num elevador, no
alto do Empire State, na Estátua da Liberdade, numa limusine no centro
de Nova Yorque...
- Você é maluco! - exclamou ela, excitada e divertida.
- Prometa que vai fazer isso?
- Vamos ser presos!
- Prometa! - insistiu ele, mas Rebeca não teve tempo de responder,
pois a boca faminta de Morgan já devorava a sua com ardente paixão.

FIM
APOLLO
Por: Alex Hanger

Esta é a história de Fernando, um jovem inteligente e desejado da elite de São Paulo que está a procura de um grande amor...
A história se passa entre clubes, academias, shoppings, mas tendo como cenário principal a boate fictícia APOLLO, onde acontecem a maior parte dos encontros
e desencontros da personagem e seus amigos. Os nomes e descrições das personagens, bem como alguns lugares, foram tirados de minha cabeça. Qualquer semelhança com a vida real é mera coincidência.


CAPÍTULO I
A boate, a galera e os gatos
Sábado. A noite caiu. Nas ruas as pessoas voltam para suas casas. Umas exaustas
do trabalho, pensando apenas na hora em que vão deitar em suas camas, beijar
suas esposas e maridos, fazer sexo e dormir o Domingo inteirinho. Outras, ao
contrário, estão na maior expectativa para a noitada. Boates, bares, cinemas...
diversão! Não importa como, o lema é se divertir: sair com a galera, paquerar,
conhecer uns gatos e gatas, dar uns beijos, dançar, beber, curtir.
Esse é o caso de Fernando. Em seu apartamento no bairro de Pinheiros, grande São
Paulo, o jovem rapaz se prepara para cair na noite e voltar só de manhãzinha. A
música eletrônica no aparelho de som denuncia que hoje ele está muito animado.
Se olha no espelho fixamente, meio que admirando a si mesmo. Dá uma piscadela,
dá um sorriso, pega o gel sobre a mesa e aplica em seus cabelos lisos e negros.
Abre o armarinho do banheiro, pega uma loção pós-barba e passa em seu rosto liso
como bumbum de neném. Seus olhos negros procuram por mais alguma coisa... Claro!
O frasco de seu perfume favorito: Uomini. Não existe Fernando sem Uomini, oras.
Dá uns retoques finais e... pronto! A parte do embelezamento já está pronta,
agora ele parte para a roupa. A toalha ele joga no chão mesmo e dirige-se ao seu
guarda-roupa. Ao abri-lo.. quanta roupa! E tudo de marca. TNG, M. Officer,
Mulher do Padre, Fórum, Levis, Triton... até Armani e Prada o garoto tem. Não é
fraco não! Só que é tanta diversidade que ele fica na maior dúvida. O que vestir
nessa noite? A música continua tocando e ele vai se empolgando, dançando pelado
na frente do armário escancarado. Uma batida na porta. Quem será?
"Fala!" Diz com sua voz máscula.
"Telefone pra você, caramba! Tô chamando há meia-hora!" Diz a voz da irmã
caçula, Juliana. Parece irritada.
Fernando pega sua toalha no chão, enrola ao redor da cintura e vai até a porta
atender a irmã. Ela segura um telefone na mão e não parece nada feliz com a
idéia.
"Que carinha é essa?" Pergunta o gato.
"Carinha de quem teve que acordar pra atender o telefone que o senhor fez o
favor de deixar tocar até não poder mais".
"Desculpa, Ju. Eu juro que não ouvi. Mas obrigado mesmo assim".
Fernando pega o telefone e volta para o quarto, batendo a porta. Senta-se na
cama, novamente na frente do armário, e atende meio desanimado.
"Alô".
"Nando... Tá pronto? O Marcelo e o Ricardo estão passando pra te pegar aí em dez
minutos" Diz a pessoa do outro lado da linha. É Amanda, sua melhor amiga - desde
os três anos de idade que eles se conhecem.
"Como é que é aí?! Dez minutos?! Você bebeu, né Amanda? Eu não faço idéia da
roupa que eu vou vestir". Fala desesperado, começando a tirar qualquer coisa que
vê.
"Não sabe o que vestir? Bom, tá certo... Se eu tivesse metade do guarda-roupa
que você tem eu também não saberia o que vestir. Faz assim, pega aquela camisa
azul da Triton, aquele jeans manchado e rasgado da Fórum com aquele cinto que eu
te dei, e aquele Shocks. O que você acha?" Diz a amiga. Ela conhece o armário de
Fernando de cabo a rabo, afinal, é sua companheira inseparável nas compras (e em
tudo).
"Amanda, você bebeu? Eu já fui na Apollo com essa roupa!".
"Eu não vejo o menor problema em repetir uma roupa..."
"Como você é anti-fashion. Liga pros meninos e diz pra eles que eu vou atrasar
uns cinco minutos, tá? Vou ver mais umas coisas aqui".
"Tá. Mas se apressa porque eu ouvi que a boate hoje vai estar fervendo".
"Eu imagino. Deixe-me ir... Tchau, tchau, tchau" Fala rapidamente desligando em
seguida.
Ele olha para o armário, e olha e olha e olha e... nada! Tenta uma, duas, três
calças e nada. Seu humor, que antes estava muito bom, começa a cair
devagarzinho, e agora sua cara já não está uma das melhores. É então que uma luz
surge na escuridão... Jogada no canto, lá está sua camisa verde da Ópera Rock.
Era só isso que ele precisava. Foi bater o olho e já lhe veio toda a roupa que
ele iria usar. Sorte que não precisava passar, porque senão seria um Deus nos
acuda.
Rapidamente ele coloca a calça, afivela o cinto, veste a camisa, calça a meia e
o sapato, dá mais uma ajeitada no cabelo e corre para o espelho para conferir. A
camisa verde deixa seus braços bem à mostra, combinando bem com a calça que
marca sua bunda cheinha e as pernas. Ele pára, olha, dá uma rodadinha e fala com
seu jeito másculo:
"Fernando... hoje eu te comia! Gatão!"
Realmente, um gatão! Eu esqueci de dar maiores detalhes sobre o Fernando, não é
mesmo? Pois bem... vinte anos, um metro e oitenta e sete de altura, branco, mas
bem bronzeadinho (resultado de horas no clube); cabelos e olhos negros feito a
noite, nariz moldado pelas mãos de Apolo (Deus da beleza), os traços do rosto
delineados e fortes bem como os traços de seus lábios carnudos, cabelos finos e
lisos desfiados nas pontas com uma leve franja a la modelos Slam. Sem roupa ele
é melhor ainda! Peitoral largo e saltado, mas nada de exageros; barriga
"tanquinho", bem malhada; pernas e braços toneados e fortes, completamente sem
pêlos... COMPLETAMENTE! Ele depila "lá" também... E para completar, 18x5cm de
puro prazer, ativaço e muito discreto, embora assumido.
Agora está pronto. Marcelo e Ricardo já ligaram avisando que o estão esperando.
Essa noite promete mesmo!
Fernando pega o elevador e corre para o Astra CD de cor prata de seus amigos. Se
aproxima e já ouve os assobios deles, que o provocam toda vez que vão sair.
Marcelo sai do carro e abre a porta traseira.
"Entre príncipe!" Diz.
"Obrigado".
"Aonde é que você vai que está tão chique assim?"
"Eu não estou chique, eu sou chique. É bem diferente!" Diz Fernando com um tom
de brincadeira, zoando com Ricardo - o que está na direção.
"Pronto para ferver a Apollo esta noite, Nando?" Pergunta Marcelo entrando no
carro.
"Com certeza! Liga o som aí e vamos nessa"
Dito e feito. Marcelo liga o som e aumenta o volume. É um dos CDs favoritos
deles: Basement Jaxx. Eles saem com o som quase no último. Se rolar alguma
conversa, com certeza será nos berros, pois eles não fazem a mínima questão de
abaixar o volume.
Os amigos de Fernando - Marcelo e Ricardo - são namorados há mais de dois anos.
Eles se conheceram na Apollo, por intermédio do próprio Fernando, que já era
amigo de Marcelo - vinte e três anos, um metro e oitenta de altura, olhos
verdes, cabelos loiros, sorriso lindo, lábios bem rosados, cara de garotinho de
dezessete anos mas com um corpo de vinte e tantos - quando o apresentou a seu
primo Ricardo - também vinte e três anos, olhos negros como os de Fernando,
cabelos castanhos com uma grande franja diagonal cobrindo seu olho esquerdo,
corpo muito bem definido. Um detalhe que vale a pena ressaltar, todos os amigos
de Fernando, bem como ele próprio, são modelos - está aí o porquê de serem essas
beldades.
Os meninos estão empolgadíssimos essa noite. Desempedido, ao contrário dos que o
acompanham, Fernando só tem uma idéia na cabeça: beijar muito (e muitos). Se no
meio dessa farra toda, um namorado aparecer, ótimo! É isso mesmo que ele está
procurando... Mas apesar da empolgação, ele é bem seletivo, não é de ficar com
qualquer um. O primeiro pré-requisito que o cara tem que preencher é saber se
vestir. Nando ama um homem bem vestido. O segundo ponto que mais o atrai é o
rosto, principalmente se não tiver espinhas nenhuma. Depois, se ele tiver um
corpo muito bem esculpido e não tiver pinta de gay, ajuda muito. Normalmente, um
outro fator que conta muito, embora não leve muito em consideração, é a condição
financeira... Se for de algum bairro mais humilde, que esqueça! Por esse motivo,
algumas pessoas costumam chamá-lo de metido, arrogante e ridículo, embora ele
não se sinta dessa maneira. "Sou apenas muito seletivo e gosto de qualidade";
essa é sua resposta para tais ofensas.
Eles vão se aproximando da boate. Já se pode ver nas ruas os casais de mãos
dadas, drag queens maravilhosamente montadas, alguns gatos sozinhos, outros com
amigos, todos indo em direção ao point do momento: Apollo - a melhor boate GLS
da cidade. Apollo é conhecida não só pelos shows incríveis, mas também pelos DJs
muito bons e as pessoas que lá freqüentam. Em sua maioria, talvez pelo preço, é
de gente muito bem de vida e, pelo menos a metade, só modelos. São garotos e
garotas perfeitos, com corpos moldados a mão, e rostos angelicais. Segundo
Amanda, melhor amiga de Fernando, também freqüentadora da boate - apenas para
diversão, Apollo é uma "boate de gente fútil, metida, linda e que não quer nada
com nada". Em certo ponto ela está muito certa...
"Olha lá, a Amanda e o Juca!" Grita Marcelo apontando para a porta da boate.
"Buzina Ricardo" pede Fernando.
Assim o faz, chamando a atenção dos dois (e de meio quarteirão). Amanda e seu
namorado correm até o carro, mostrando uma vaga onde eles poderiam estacionar.
Param o carro e descem. Do caminho do estacionamento até a entrada da boate,
Fernando levou pelo menos cinco secadas fenomenais, sendo que duas delas foram
seguidas de elogios do tipo "Ai se eu te pego!" e "Me espera lá dentro que eu tô
chegando". Que alimento para o ego, não?
"Fer, você está simplesmente... ab.. abs... ah... eh... tudo!" Diz Amanda
engasgando no meio. Amanda, por sinal, estava linda! Com um longo preto da
Gucci, sapato combinado e seus cabelos castanhos todos cacheados. Ela é modelo
da Ford... Morena jambo, cabelos castanhos bem compridos e lisos (os cachos são
só charme), lábios carnudos e avermelhados, corpo a la Britney Spears, como ela
mesma gosta de se comparar.
"Realmente, eu queria parecer você hoje" Cumprimenta Juca, o namorado de Amanda.
Também é modelo da Ford, um metro e oitenta e cinco, cabelos bem escuros e
curtos, olhos azuis feito o céu e um corpo de dar inveja. O mais sexy de tudo é
seu olhar... E que olhar!
"Acho que o Nando hoje tá que tá! Todo mundo vem com elogios pra cima dele" diz
Ricardo.
"Gente, parem com isso. Eu já to me sentindo demais hoje e ainda vocês ficam me
enchendo. Vocês me estrag...". Não consegue terminar a frase ao ver um jovem
lindo, com braços grandes e fortes entrando na boate sozinho. Mas não foi nem
isso que o deixou pasmo, foi o olhar que o cara deu.
"Que foi, Fernando?"
"Quem é aquele cara?"
"Qual deles?"
"Aquele de cabeça raspada e blusa preta" explica.
Todos olham, analisam, pensam bem. Ricardo, porém, é quem sabe a resposta. É
Gabriel Monteiro, um modelo com quem já trabalhara dois meses atrás. Mas, pelo
que já se ouviu do rapaz, ele não é lá flor que se cheire.
"E você acha que eu ligo para o que os outros falam? Olha esse homem, meu! Eu
preciso conhecê-lo. Ricardo, você vai me ajudar".
"Eu?! Eu não vou fazer nada!"
"Ah, vai sim! Por favor, meu priminho querido. Fale com ele..."
"O que você não me pede rindo que eu não faço chorando, né?' Diz Ricardo se
rendendo ao charme do primo.
Antes de fazer qualquer coisa, eles precisam entrar na boate. Vão todos para a
fila, já com seus cartões VIP em mãos e entram rapidamente, afinal, a noite
estava apenas começando. Se bem que pra um começo de noite, a casa até que
estava bem cheia. Tão cheia que o tal do Gabriel, que mal havia entrado, já se
perdeu na multidão.
"Xii! O gatinho sumiu" diz Amanda, pegando seu namorado e indo para o meu da
pista.
"Assim que eu o vir, eu te chamo e você vai falar com ele, falou Ricardo?"
"Okay, Nando, okay! Eu só não to entendendo esse seu fogo todo... A gente mal
chegou na boate e você já tá querendo sair beijando qualquer um?"
"Não é qualquer um... É o deus do Gabriel!"
"Fernando, um dia você vai acabar quebrando a cara com esses carinhas aí" diz
Marcelo.
"Se eu quebrar, compro superbonder e colo".
"Se você acha... Ri, vamos dançar um pouco?"
"Vamos nessa!"
Ricardo, Marcelo e Fernando vão até a pista juntar-se a Amanda e Juca, que já
estão no maior agito.
Eles vão passando pelo meio das pessoas, se empurrando.. É quase uma luta para
conseguir andar por ali. Para dificultar ainda mais as coisas, a estrobo começa
a piscar ainda mais rápido e vem aquela fumaça chata. Os olhos de Fernando se
mantém abertíssimos, procurando Gabriel por todos os cantos. Está tão fissurado
que não foi nem preciso procurar demais, já o viu no cantinho sozinho, dançando
de olhos fechados, viajando. Fernando olha para um lado, olha para o outro, vê
que seus amigos não estão por perto e resolve tentar sozinho. Vai caminhando com
dificuldade até onde o gato se encontra. No meio do caminho, um rapaz o pára.
"Oi" diz o menino, que aparenta ter seus dezoito anos.
"Oi. Será que você pode me dar licença".
"Sabe o que é? Eu queria te conhecer melhor. Pode ser?"
"Hã?" Espanta-se.
"Quer dançar?"
"Humm... Eu quero... com aquele carinha ali. Sai da frente, pirralho".
"Desculpa aí" diz o garoto completamente desiludido.
Bom, Fernando quando quer sabe ser realmente muito grosso. O garoto era gatinho,
mas o problema é que ele está muito afim do outro. Quando Nando coloca uma coisa
na cabeça, pode aparecer até o Brad Pitt a sua frente que ele vai atrás de quem
ele quer. Só tem uma coisa, não é ele quem chega no cara... E, como todas as
vezes, prepara sua tática. Se aproxima do cara, ficando num local onde ele tenha
certeza que seus olhares possam se cruzar facilmente. Começa a dançar
sensualmente, mexendo bastante o quadril e alisando o corpo. Praticamente a
boate inteira pára para olhá-lo. Quando começa a tocar sua música favorita
(Irresistible, da Jéssica Simpson, na versão remixada), ele se empolga ainda
mais... Com o calor, levanta sua camisa até a altura do peito e começa a exibir
seu belíssimo abdome.
"Gostoso!" gritam no meio da galera.
Gabriel o nota. Um sorriso se estampa em seu rosto ao ver que a dança é para
ele. Do mesmo modo, Gabriel começa a dançar levantando sua camisa e vai se
aproximando de Fernando, que fica ainda mais animado com a presença do gato bem
pertinho dele. Gabriel vem lentamente e fica frente a frente, dançando coladinho
a seu corpo. Eles começam a se esfregar sensualmente, subindo e descendo, se
tocando muito. Os rostos começam a se aproximar lentamente.
"O que você quer comigo, Fernando Liandris?" Pergunta Gabriel ao ouvido do
rapaz.
"O que a noite permitir!"
Dizendo isso, Fernando, que já não estava mais agüentando segurar aquele tesão
que sentia, puxa Gabriel pela camisa e o beija loucamente, quase tirando todo o
ar do gostosão. Ali perto, Amanda, Juca, Marcelo e Ricardo só observam o
belíssimo beijo por entre cabeças e corpos suados. Nando se esquece
completamente do que se passa ao seu redor. A única coisa que nota é que está
com o cara que queria. Gabriel mal pode acreditar que esteja beijando Fernando.
Ele já estava bem informado sobre as histórias que contam a respeito dele, e por
isso nunca tinha tentado nada, embora sempre o tenha observado à distância. Mas
ele fica ainda mais surpreso com o beijo que recebe. Jamais alguém o tinha
beijado daquela forma tão gostosa! Aquele beijo não podia acabar, pelo menos
esse era o desejo de Gabriel.
Fernando está tão excitado que começa a ficar fora de si. Suas mãos fortes
começam a correr por todo o corpo de seu parceiro. Gabriel enlouquece com
aqueles toques. Em pouco tempo, estão ambos sem camisas e se agarrando
descaradamente na frente de todos.
"Você não quer ir para algum lugar mais discreto?" pergunta Gabriel,
interrompendo o beijo.
"Aham. Vamos para o darkroom".
"Eu estava pensando em algum lugar melhor, como minha casa talvez. Eu to louco
pra ir pra cama contigo".
"To ligado, mas eu não posso sair daqui. Vamos no darkroom cara!"
Sem nem esperar resposta, Fernando pega na mão de Gabriel e o puxa para dentro
do tal do darkroom. Eles se encaminham para um cantinho mais isolado e começam a
se beijar novamente. Fernando está com um fogo descomunal... Sua mão vai em
cheio na calça de Gabriel, desabotoando-a por inteiro, sendo necessário que o
próprio Gabriel a segure.
O clima vai esquentando e o careca se rende à Fernando. O jogando contra a
parede, desce direto até seu pau e começa um boquete de fazer inveja a qualquer
um. Suga com força o pau do menino, arrancando-lhe uns belos gemidos. A cada
momento vai aumentando ainda mais a sucção e começa a coloca-lo quase que
inteiro em sua boca. Fernando o segura pelos cabelos e começa a pressionar
contra seu membro, fazendo movimentos como se estivesse fodendo aquela boquinha
quente e gulosa.
"Meu, você chupa pra cacete!" Diz.
Gabriel começa a chupar mais rápido e, ao mesmo tempo, passar a mão pela bunda
do outro. Vai indo em direção ao seu cuzinho, mas sua mão é bruscamente tirada
dali. Fernando não gosta muito dessas idéias...
"Qual o problema?" Pergunta Gabriel se levantando.
"Eu não gosto disso. Sou ativo".
"Quê?"
"Sou ativo, oras. Por quê?"
"Eu tam... Quer saber... Eu tenho uma camisinha aqui, quer usar?"
"Adoro caras ousados!" Responde Fernando pegando a camisinha da mão do rapaz.
Está realmente escuro ali, enquanto na pista a ferveção é geral. Não tem ninguém
parado. E por todos os cantos tem pelo menos um casal se beijando. Mas com
certeza o clima no darkroom está apenas começando a pegar fogo...
Com dificuldade por causa da escuridão, Fernando veste a camisinha em seu pau e
encosta Gabriel de costas na parede. O tesão que os dois sentem é muito grande.
Gabriel sente também um pouco de medo, pois não era com freqüência que era o
passivo, e tem medo de que doa. Mas ao mesmo tempo, sente uma certa segurança,
pois Fernando não parece ser do tipo violento... Muito pelo contrário, ele é
super calmo, e vai devagar.
Encaixando seu pau na entradinha e o abraçando com força, Nando começa a
pressionar. Lentamente ele vai penetrando no cuzinho quase-virgem de Gabriel,
que vai soltando um leve gemido, num misto de dor e prazer incríveis. As
respirações tornam-se ofegantes quando os dezoito centímetros do ativo entram
completamente em Gabriel. Fernando começa a bombear bem devagar, para que o
outro se acostume com o tamanho e a grossura. Mas assim que percebe que já deu,
começa a bombear mais rápido. Ele mal pode se controlar, tamanho o tesão que
sente. Estar comendo um cara tão gostoso quanto Gabriel é a coisa mais gostosa
que poderia acontecer para um começo de noite. Um cuzinho tão apertadinho, tão
gostoso daqueles merecia ser comido.
Gabriel está delirando com aquele gostosão fodendo seu cu. Ele nunca pensou que
fosse gostar tanto da idéia de ser passivo. O jeito que Fernando mexe seu
quadril é de enlouquecer. Ele se sente nas nuvens e se segura ao máximo para não
gritar de tão bom que aquilo está sendo. Fernando por sua vez, aperta os
músculos de Gabriel, mordendo seu pescoço e metendo cada vez mais fundo nele.
Sente um calor intenso tomando conta de seu corpo, subindo pela espinha,
fazendo-o tremer estranhamente, não o deixando parar. Ele sussurra no ouvido do
parceiro, que está quase tendo um orgasmo.
"Gato, como você é gostoso! Cara!"
Ele começa a bombear ainda mais forte, fazendo com que Gabriel comece a gemer
loucamente.
Na pista de dança, ninguém desconfia do que se passa. Para eles, Nando está
apenas aproveitando mais uma noite dando beijos em altos gatos. Ricardo, primo
dele, fica preocupado com o comportamento do primo, mas acha que não deve
interferir para não causar briga - ele sabe que se disser alguma coisa, Fernando
vai ter um argumento bem forte para fazê-lo calar-se.
A boate inteira está fervendo. O darkroom, onde encontram-se Fernando e Gabriel
numa deliciosa transa, está começando a lotar de homens caçando outros para sexo
anônimo, e de namorados procurando um lugar mais quietinho para uns amassos mais
fortes. Os dois, por sinal, estão pingando de tão quentes que seus corpos estão.
Fernando começa a sentir os primeiros sinais de que vai gozar logo... Ele avisa
Gabriel que começa a se masturbar, aumentando ainda mais o prazer que sente.
Então, com gritos abafados, fechando fortemente seus olhos, os dois gatos gozam,
tremendo de tanto tesão. Gabriel despeja todo seu esperma no chão, próximo aos
pés de Fernando, que enche a camisinha com seu sêmen.
Eles permanecem abraçados naquela posição por algum tempo. Gabriel vira sua
cabeça lentamente e começa a beijar Fernando, que contribui na boa por algum
tempo. Ele retira seu membro ainda rijo do ânus de Gabriel e arranca a camisinha
jogando num cantinho qualquer, limpando o resto que sobrou com um lenço que tira
da camisa. Fica parado encostado na parede com os olhos fechados, enquanto sente
as mãos do outro subindo por seu peito, indo em busca de um abraço. Gabriel se
sente muito atraído por aquele homem, e quer tê-lo mais do que uma noite.
Fernando mexeu com ele... Porém, mal sabe ele o que se passa na cabeça do
modelo. Tenta beija-lo novamente,mas, para sua surpresa, Fernando vira o rosto e
o afasta. Pega sua camisa pendurada no cinto, veste e sai do darkroom se
juntando aos amigos. Gabriel permanece no local sem nada entender. Para ele as
coisas estavam meio confusas. Como pode? Como um cara sai com ele, o beija, o
come em plena boate e sai sem dizer nada? Ele se sente um lixo...
Fernando está de volta com os amigos. Age como se nada tivesse acontecido. Só
pensa em dançar e se divertir. Por um momento vai até o bar pedir alguma coisa
para beber, mas volta a dançar em pouco tempo. Está se sentindo renovado,
realizado, pois ganhou o cara que queria... Pena que ele não correspondia a
todas as suas expectativas. Se sente um deus.
Enquanto dança, nem percebe que Gabriel passa por sua frente mais de três vezes
seguidas, provocando-o com o olhar. Ele realmente não o vê. É como se alguém
tivesse deletado os registros de sua memória. Gabriel tenta se aproximar
novamente. Ele afasta algumas pessoas e chega até o gatinho. Fica olhando-o
indignado com o que acontecera. O toca no ombro direito, chamando-o.
"Hei!" diz.
"Desculpe, mas eu não estou afim" Diz Fernando.
"Cara, qual é o seu problema?"
Calmamente, Nando responde: "Eu tô com cara de quem está com problemas? Eu só
estou dançando, por que?"
"Você... Ah! Esquece!"
Gabriel sai indignado com a atitude daquele com quem tinha ficado e transado.
Ele realmente se sente um lixo. Se sente tão mal que resolve sair da boate.
Fernando já está de olho em um outro cara. É um loirinho, mais baixo que ele,
mas bem sensual. Ele dança de um jeito que o está deixando ligadão. Veste uma
camisa presa apenas num botão e uma calça tão larga que deixa aparecendo um
pedaço de sua cueca. Seus olhos estão fixos nos olhos de Fernando, que o provoca
insistentemente, como que o chamando para dançar com ele. Amanda, Juca e os
outros dois não estão mais por ali, eles foram pegar alguma bebida. O garoto,
que aparenta uns dezesseis anos, sorri. Fernando retribui. Ele repara na boca do
rapaz, bem rosadinha... O menino vai chegando lentamente e começa a dançar na
frente dele. Eles se olham fixamente. O novinho resolve arriscar e põe sua mão
na cintura de Fernando, dançando com ele, acompanhando seus movimentos. Depois
coloca a outra mão, se aproximando ainda mais. Fernando, ousadamente, desabotoa
a camisa do garoto, passando sua mão nem seu corpinho em desenvolvimento, porém
bem definido. Eles não tiram os olhos uns dos outros. Fernando morde seus
lábios, induzindo o menino a tentar um beijo. Ele resolve facilitar as coisas e
o beija também. É um beijo maravilhoso. Suas línguas se encontram e começam a
massagear uma a outra, numa dança sincronizada, quase que seguindo as batidas da
música que toca. Seus corpos vão se aproximando mais e mais, até que se abraçam
e continuam a beijar-se, sem nunca parar de dançar.
Novamente, aquele fogo começa a tomar conta do corpo de Fernando. Aquele garoto
é diferente, ele tem um "Q" a mais que realmente o deixou ligado. Eles começam a
se esfregar um no outro. Logo, Fernando começa a beijar e chupar o pescoço do
garoto, que mal pode acreditar no que está acontecendo. Continua beijando-o e
vai descendo até o peito dele, chupando seus mamilos com força, deixando-o sem
ar. O garoto o afasta um pouco e fica olhando-o.
"Qual seu nome?" Grita tentando se fazer ouvir. Fernando o abraça e responde num
tom de voz bem sexy...
"Fernando e o seu?"
"Bruno. Cara, você é muito gostoso".
"Não. Você que é. Posso te fazer uma pergunta?"
"Claro".
"Qual a sua idade?"
"Tenho dezoito anos. Por que?"
"Você tem cara de dezesseis".
"Todo mundo diz isso... E você, quantos anos tem?" Pergunta ainda sem acreditar
que está com um cara tão lindo.
"Vinte".
"Nossa! Que delícia. Escuta, você não quer ir até ali fora pra gente conversar
um pouco?"
"Claro" responde Fernando muito empolgado com o convite.
Bruno pega de leve na mão de Fernando e o vai puxando para a parte externa da
boate. A Apollo é também famosa pelo tamanho... Além da pista e o darkroom, tem
ainda uma parte externa com umas mesinhas e uns sofás para quem quer dar uma
relaxadinha. E é para lá que os dois vão. Eles avistam uma mesa mais ao fundo,
onde não há muita gente e se encaminham para lá. Puxam duas cadeiras e sentam-se
um em frente ao outro. Ficam se olhando sem nada a dizer, apenas mexendo em suas
mãos. Fernando acaricia a mão de Bruno, fazendo seus lindos olhos azuis
brilharem.
"Que foi?" Pergunta Fernando.
"Nada, é que eu to meio bobo, sabe? Eu quase nunca fico com ninguém quando venho
pra cá... Bom, se bem que essa é só a terceira vez que venho".
"É? Mas por que nunca fica com ninguém? Não curte muito?"
"Não é isso. É que eu normalmente não gosto de chegar em ninguém, sabe?"
"Entendo. Mas não entendo como nunca chegaram em você. Você é uma graça".
Fernando diz isso com toda sua sinceridade. O que ele sentiu com Bruno não foi
exatamente o mesmo que sentiu com Gabriel.
"Você que é lindo. Cara, eu não acredito que eu fiquei com você"
"Você não ficou, você está ficando"
Dizendo isso, Fernando o puxa para mais um longo e molhado beijo de língua.
Bruno o toca suavemente no rosto, sentindo sua pele macia. Fernando pega sua mão
e a leva até a nuca do menino, puxando-o para sentar-se em sua perna,
possibilitando um beijo mais cômodo e um contato maior. Bruno envolve Fernando
com seus braços, dando-lhe um abraço quente e confortante.
Amanda e Juca, cansados de dançar e a procura de algum lugar mais calmo, saem de
dentro da boate indo aonde Fernando e seu "rolo" estão ficando. Se deparam com a
cena do maravilhoso beijo dos dois. Amanda disfarça e tenta não chamar atenção
para não atrapalha-los, mas Juca, que nunca foi discreto, vai direto até eles...
"Ê Fernando! Não vai apresentar seu amiguinho?"
Os dois param o beijo e olham meio que de lado para ver se aquilo realmente
estava acontecendo. Fernando pede que Bruno saia de seu colo e levanta-se. Meio
sem graça, apresenta o gatinho para seus amigos.
"Gente, esse é o Bruno. Bruno esses são Amanda e Juca, meus amigos. Eles sempre
vêm comigo aqui".
"Oi".
Fernando olha para Amanda, que entende o recado na hora.
"Juca, acho que eu estou com sede. Vamos entrar?"
"Mas você acabou de beber, Amanda".
"Juca, se liga!" diz Amanda dando-lhe um beliscão no ombro e puxando-o para sair
dali.
"Desculpe, Bruno".
"Não tem problema. Senta aí, porque eu ainda não terminei de te beijar" Fala
Bruno fazendo-o sentar novamente, retomando suas posições.
O tempo vai passando e a boate esvaziando. Estranhamente Fernando fica com Bruno
ali fora a noite inteirinha, sem nem se preocupar em procurar outros caras ou
juntar-se aos amigos. Mas chegou a hora da despedida... Os dois amigos de Bruno
estão indo embora e ele tem que ir junto.
"Nando, posso pegar seu telefone?".
"É melhor que você me dê o seu. Eu ligo".
"Tá... Pegue aqui o meu cartão. Tome". Bruno tira de seu bolso um cartãozinho
preto com seu nome, endereço, e-mail e telefone para contato. Dá um último beijo
demorado em Fernando e sai.
Nando fica vendo seu "ficante" sair pela porta da boate e fica ali, sem se
mexer. Busca uma razão para estar daquela maneira. Como aquele garoto de dezoito
anos conseguiu mexer com ele? Essa é a pergunta que ficou em sua cabeça até às
sete e meia da manha - hora que chegou em sua casa para dormir.
Como no Domingo não tem trabalho agendado e nenhum compromisso, o moreno dorme
até uma hora da tarde. É engraçado como já acorda de bom-humor e pronto para
suas tarefas diárias. Antes de qualquer coisa, toma um café-da-manhã reforçado,
com suco de frutas, leite desnatado, cereais e torradas. Depois, vai direto até
a academia do prédio onde mora para começar seus exercícios. É ali onde ele
relaxa e esquece dos problemas. Porém, hoje, algo de diferente está acontecendo
em sua cabeça. Enquanto começa a pedalar, Fernando começa a lembrar de Bruno - o
carinha da noite passada. Apesar de não se lembrar de muitos detalhes, como a
cor dos olhos dele ou mesmo o nome dele, Nando lembra-se dos beijos que recebeu
e dos toques do menino com rosto de criança...
Por pelo menos duas horas, Fernando pedala na bicicleta ergométrica e só para
porque o telefone celular em sua bolsa tocou. Preguiçoso, ele vai até até a
bolsa e a abre na maior calma, deixando o celular "esguelar" o quanto queira.
"Alô" atende num tom de saco cheio.
"Nando, sou eu a Amanda".
"Fala..."
"Que voz é essa?"
"Nada não. É que eu fiz bicicleta por duas horas e fiquei meio cansado. Tudo
bem?"
"Tudo bem e você?"
"Também... Tirando o fato de eu estar meio encanado com aquele carinha de ontem,
está tudo ótimo".
"É sobre isso que eu queria falar com você, meu amigo".
"Sobre o carinha?"
"Não. Sobre ontem! Nando, como você consegue ficar com dois caras, sendo que com
um deles você... bom... você sabe muito bem do que eu estou falando!"
"Meu, eu não estava nem aí! Eu vou pra boate pra me divertir e só... Além do
mais, aquele tal de Gabriel era gostoso, mas muito babaca".
"Babaca? Como é que você pode dizer isso dele? Por quanto tempo você conversou
com ele, hein? Dois.. segundos?!?!"
"Amanda, eu só o achei gostoso, trepei com ele e só".
"Ai, Nando. Quando você vai aprender, hein?"
"O que?"
"AAAAAH!" grita Amanda.
"Que foi Amanda?"
"O que você vai fazer agora, nesse momento?"
"Vou tomar um banho e ia assistir um filme. Quer vir?"
"Que filme?"
"Miss Simpatia. Minha irmã alugou o DVD"
"Tá. Então em uma hora eu to aí pra gente ver esse filme e conversar um pouco.
Eu to preocupada com você"
"Don't worry, be happy, dear"*. (*não se preocupe, seja feliz, querida)
"Tá. Tchau..."
"Tchau". Desliga o telefone.
Fernando volta até seu apartamento para tomar um banho e limpar um pouco o corpo
daquele suor todo. Bom, pelo menos ele conseguiu queimar todas as calorias que
ganhou com as bebidas da noite passada...
Logo após o seu demorado banho, e após escolher uma roupa, Fernando vai
preparando as coisas na sala para assistir ao tal filme que sua irmã alugou.
Enquanto Amanda não chega, ele prepara um suco e corta uns morangos para comerem
na hora do filme.
"Fernando!?!" Grita sua mãe.
"Fala mãe".
"Tem um cartão aqui na sua calça preta da Slâmica... Joga fora ou guarda?"
"É SLAM mãe! E pode jogar fora sim, eu não vou usar isso". Grita da sala.
A campainha toca. Amanda chegou e trouxe junto Juca, Marcelo e Ricardo - o que
já era de se esperar, visto que eles andavam juntos o tempo todos. Eles se
cumprimentam e cada um vai pegando um lugar na frente da televisão.
"Eu adoro vir assistir filme aqui na sua casa, Nando. Essa tv 29 polegadas e
esse home theatre são muito show" comenta Marcelo.
"Também acho". Diz.
"Viu, e aí? O que deu na noite passada?" pergunta Ricardo.
"Ele ficou com um menino chamado Bruno". Diz Juca cortando Fernando
"Ah... Esse era o nome dele... Então, eu fiquei com ele e com aquele carinha da
entrada da boate. Aliás, que cara gostoso! Meu, eu comi ele no dark"
"Você é a pessoa mais sem noção que eu conheço Fernando" diz Ricardo. "E que fim
deu esse Gabriel?"
"Depois do darkroom eu não o vi mais... Mesmo porque eu não o queria mais não.
Ele era besta"
"E o Bruno?"
"Sei lá. Ele pediu pra eu ligar, mas eu não sei se ligo".
"Você gostou dele, Nando?" Pergunta Amanda.
"Ah. Sei lá! Amanda, cê sabe que rolo de boate não serve pra nada e não vai pra
frente".
Todos se entreolham e nada dizem. Detalhe: Juca e Amanda, e também Ricardo e
Marcelo se conheceram na boate e tem namoros de longa data. Fernando continua
dizendo que não acha que Bruno tenha mesmo gostado dele e que não vai correr
atrás de um "pivete qualquer".
"Não foi o que parecia quando eu vi vocês se beijando" Diz Juca.
"O que você quer dizer com isso?"
"Que você gostou dele e está com a mão coçando pra pegar o telefone e ligar, mas
tem medo de admitir isso porque você acha que é sinal de fraqueza correr atrás
de alguém que você gostou, pois morre de medo que o cara pise em você como
aconteceu com o Thiago há dois anos atrás quando só você se dedicava a ele e ele
quase não te dava bola. É isso que ele quer dizer. Pronto, falei" Diz Amanda
perdendo o controle sobre si.
"Não! Não tem nada a ver com o Thiago, Amanda"; Fernando altera-se "Vocês não
entendem! Eu já disse que foi um rolo de boate e pronto. Meu, só porque eu
resolvi ficar com esse carinha o resto da noite significa que eu esteja
apaixonado? Não é bem assim. Eu curti ele sim, mas não quero nada sério,
cacete!"
Amanda fica olhando para o amigo e fica sem saber o que dizer. Desculpa-se por
ter tocado em seu ponto fraco...
O filme começa e os cinco assistem sem abrir a boca para falar um com o outro, a
não ser para dar risadas nas cenas mais engraçadas. Percebendo o clima chato,
eles resolvem sair para dar uma volta logo após o término do filme. Resolvem ir
até o shopping fazer umas compras e esfriar a cabeça. Entram rindo e tirando
sarro um dos outros, ou seja, um clima completamente diferente do que estava
antes.
Andam pelos corredores olhando vitrines, encontrando alguns amigos, conversando.
Meninos e meninas passam por eles e mexem com Fernando dando piscadelas e
assobiando. Ele não está nem aí para nada, quer apenas bater papo com sua
galera. Eles param na praça de alimentação para tomar um suco. Conversam sobre
os programas para a noite.
"Eu acho que a gente podia voltar na Apollo. O que vocês acham?" Sugere Ricardo.
"Pode ser, mas vocês não estão afim de ir a outro lugar não? Sei lá, tem o
Allegro, a SoGo, a Fábrica 5, o Cabral, a Pool... Tem tantos outros lugares!"
diz Juca.
"Meu, se liga, né? Allegro e SoGo só dá ralé" diz Fernando.
"Como é que é, Nando?"
"Marcelo, os caras mais gatos e style estão só na Apollo. Eu concordo que tem
uns caras que valem a pena nesses outros lugares, mas nada se compara aos corpos
que vão na Apollo. Todo mundo que freqüenta lá tem muita grana, se veste bem pra
caralho e são todos lindos".
"Nando, você não sabe ir pra boate com outro intuito a não ser caçar?" Amanda
comenta dando um gole em seu suco.
"Meu, eu sou jovem e to afim de beijar muito hoje".
"Quê? Mas já não bastam os dois de ontem?" diz Ricardo.
"Que nada, Rica. Aqueles foram só aquecimento"
"Gente, eu não reconheço o meu primo"
"E quer saber..."
Fernando ia completar a frase quando sente uma mão em seus ombros. Estranha.
Vira-se devagar e se depara com uma menina baixinha, meio gordinha, cabelos
cacheadinhos, branquinha com alguma sardinhas no rosto, olhos verdes e muito
simpática.
"Oi. Tudo bem? Meu nome é Mariana. Por acaso eu estou atrapalhando alguma
coisa?" Diz a garota, que aparenta uns dezessete anos.
"Na verdade você es..." Novamente Fernando ia dizer algo, mas é interrompido.
Desta vez, por Amanda.
"De jeito nenhum. O que a gente pode fazer por você?"
"Na verdade não é bem por mim..."
"Como assim?"
"Bom, ai... Eu fico até sem graça. Desculpa a ousadia, mas você é gay, moço?"
Pergunta referindo-se a Fernando.
"C-como?"
"Ai! Desculpa perguntar, mas é que meu amigo queria saber".
"Humm... Olha aí, Nando. O amigo dela quer te conhecer" diz Juca.
"É..." Diz Mariana sorrindo.
"Sabia que você é uma graça. Adorei você" diz Amanda.
"Ai, obrigada! Eu fico sem graça..."
"E onde está seu amigo, Mari?" pergunta Juca, sendo super simpático.
"É. Onde está seu amigo?" indaga Fernando, dando mais um gole em seu suco de
frutas vermelhas.
"Aquele ali de camisa vermelha e calça jeans. O Douglas." Diz apontando para um
rapaz de uns dezessete anos, cabelo raspadinho, aparelho nos dentes.
Fernando vira-se para ver quem é o tal do amigo da simpática garota. Ele olha,
recebe um belo sorriso do garoto, vira-se de volta para a mesa, coloca as mãos
no rosto e começa a rir com deboche. Mariana nada entende e pergunta o motivo.
Ainda rindo, Fernando responde:
"Se liga, garota! Vai viver! Você acha que eu vou estar interessado num cara
mirradinho, feio e mal vestido daquele jeito?" Volta a rir.
Todos da mesa olham pra Fernando não acreditando no que acabaram de ouvir.
Mariana pergunta delicadamente:
"Você viu o moço certo? É aquele de..."
"Camisa vermelha podrérrima, calça jeans comprada em camelô, tênis de vinte
reais e um monte de ferro no dente? É, eu olhei o cara certo".
"Olha aqui, seu moleque idiota.... Vê se você cresce um pouco! As pessoas são
mais do que as roupas que vestem. Te garanto que meu amigo, que se veste como um
cara qualquer, tem muito mais caráter e coração do que você que só tem carcaça!"
Dizendo isso, Mariana, furiosa, pega o copo de suco de Fernando e despeja com o
maior gosto todo seu conteúdo na roupa dele. "Gente, vocês parecem ser super
legais, mas esse seu amigo... Pelo amor de Deus! Tchau. Desculpem incomodar".
Mariana sai dali muito puta da vida. Fernando não mais ri, pois está
completamente sujo e molhado de suco. Sua camisa branca, não é mais branca.
Agora quem ri são Mariana e seu amigo ao longe. Amanda, Juca, Ricardo e Marcelo
olham inconformados para Fernando, que muito bravo, diz:
"Eu não acredito que essa vaca fez isso com minha camisa da TNG!"
"Eu não falo mais nada. Aliás, falo sim. Gente, eu já volto" diz Amanda
retirando-se da mesa, enquanto Fernando continua a ter um escândalo por causa da
camisa manchada.
Amanda caminha até Mariana e seu amigo Douglas. De certo modo ela se sente
culpada pelo que aconteceu, embora não tenha feito nada. Se aproxima muito sem
graça e percebe que Douglas não está muito legal.
"Oi Mariana. Oi Douglas. Nessa confusão eu nem tive tempo de me apresentar, né?
Sou Amanda".
"Oi Amanda".
"Gente, eu queria pedir mil desculpas pelo comportamento do meu amigo. Ele foi
um grosso, ridículo, idiota".
"Não precisa pedir desculpas" fala Douglas. "Eu sou mesmo um cara ridículo que
se veste mal".
"Não é assim, Douglas. O Fernando não sabe o que fala... Você é um menino muito
gatinho, viu? Não liga pra ele. Seja mais você. Ele não te merece... E olha que
pra eu falar isso de um amigo meu não é fácil, hein?"
"É, Douglas. Você é tudo! Aquele cara só tem dinheiro. É como eu falei pra ele:
ele pode ter o dinheiro e a roupa que quiser, mas jamais vai ter o coração que
você tem. Tenho certeza que tem um monte de gatos por aí querendo um cara como
você".
"Ah tá..." Fala desanimado.
"É verdade, Mari. E eu conheço um muito legal que está solteiro. Ele é um
modelo, lindo, dos olhos castanhos, cabelo preto e um corpo muito legal. O nome
dele é João Pedro... Se eu não me engano eu tenho o cartão dele aqui".
"P-péraí! Você vai me dar o telefone de um amigo meu que eu nem conheço?"
"Não... Eu vou ligar pra ele mesmo" diz Amanda pegando seu celular e ligando
para o tal amigo. Ao telefone: "JP, será que você pode vir até o shopping? Eu
tenho uma pessoa pra te apresentar. É? Tá... Tá... Beijo". Desliga. Com um
sorriso no rosto, continua: "Adivinha, só. O João tá aqui no shopping".
"Por que você tá fazendo isso, Amanda? Você nem me conhece" diz Douglas.
"Isso é para ver se eu consigo te animar um pouco... Eu sei como o Fernando
derruba uma pessoa com as palavras dele. Ah! Olha lá o João... João!!!"
Saindo de dentro de uma lojas de perfume, João Paulo, amigo de Amanda desde os
quinze anos, a vê e corre em sua direção. Eles se abraçam e se beijam, matando a
saudade que sentem, afinal fazem dois ou três meses que não se vêem, só se falam
por telefone.
"E aí. Quem você vai me apresentar?"
"Ele, o Douglas. Douglas esse é o João Paulo. João, esse é o Douglas, meu
amigo".
"O-oi!" Diz João Paulo todo sem graça. Ele vai ao ouvido de Amanda e sussurra:
"Meu Deus! De onde você tirou esse gatinho?"
"Eu o conheci aqui no shopping. Bom, eu acho que vocês têm muito o que
conversar, né? Mariana, você não quer dar uma volta com a gente?"
"Bom, acho que é o jeito, né? Pelo que eu to vendo eu vou ficar sozinha. Vamos
lá".
Amanda pega na mão de Mariana e elas saem dali de fininho, pois realmente rolou
uma troca de olhares muito forte entre seus amigos. Fernando está com Ricardo e
Marcelo numa loja comprando uma camisa nova para vestir. Juca espera por Amanda
do lado de fora.
"Meu, o Nando tá muito estranho" comenta Juca.
"Está mesmo, Ju. Eu não sei o que está acontecendo".
"Eu sei" diz Mariana. "É falta de p... Vocês sabem".
Eles riem.
"É bem por aí mesmo. Oops! Lá vem ele".
Fernando sai com três sacolas de roupas da loja, acompanhado pelos dois amigos
que estão visivelmente de saco cheio dele. Quando vê Mariana, pára, a olha e
diz:
"O que você está fazendo aqui?"
"Eu estou com meus amigos".
"Onde? Cadê o feinho?"
"Ela está com a gente!" diz Amanda. "E o Douglas tá ali com o JP".
Fernando olha e não acredita no que vê.
"O JP tá conversando com ele? Bem que disseram que ele tem mal gosto".
Ninguém abre a boca para fazer comentário nenhum. Os seis saem para dar umas
voltas pelo shopping e acabam entrando no cinema para assistir a um filme que
estavam querendo, assim poderiam juntar o útil (deixar João Paulo e Douglas a
sós) ao agradável.
Fernando e companhia saem do shopping por volta das nove horas da noite. Antes
de saírem recebem a notícia de que os dois (JP e Douglas) ficaram e trocam
telefones com Mariana. Ela parece ser uma pessoa realmente muito legal. Entram
no carro e vão direto para a Apollo, já que estão todos bem vestidos.
"Será que eu vou arranjar algum gato hoje?" diz Fernando.
Ninguém responde. Ele pergunta novamente em tom mais alto. Nada de resposta.
"Qual é galera? O que foi?"
"Fernando hoje você está um saco! Você não tem noção de como. E eu to muito puta
com o que você fez lá no shopping".
"O que? Chamar o feinho de feinho?"
"Cala a boca Fernando" dizem Marcelo e Ricardo, que também parecem bem chateados
com ele.
"Xiii... Meu, na boa, o cara era feio memso. Você acha que eu vou sair com um
cara desses? De jeito nenhum... Homem pra mim tem que se vestir bem, acima de
tudo, e ser muito lindo de tirar o ar".
"Vai ver que é por isso que você tem toda a propensão pra acabar sozinho, né?"
diz Juca.
"Como é que é?"
"Como você consegue ser tão superficial?"
"Pô, eu não sou superficial... Eu sou seletivo".
"Uh! Muito" diz Amanda com um tom bem irônico.
"Acho que vocês está com o cu virado hoje, hein? Que idéia é essa de pegar no
meu pé agora?"
"A gente não quer pegar no pé de ninguém. A gente só quer mostrar que o que você
faz com as pessoas não está certo. Você tem noção de como o Douglas se sentiu?"
explica.
"Sabe o que eu não entendo? Por que vocês estão tão preocupados com um cara que
vocês mal conhecem?"
"Não é isso, sua anta! A gente está preocupado é com você mesmo... Você vai
acabar se ferrando grandão e eu só quero ver" diz Ricardo, perdendo a paciência
com o primo.
Durante os próximos quinze minutos até a boate, ninguém fala com ninguém. A
única coisa que se ouve no carro é a música e algumas buzinas do povo da rua.
Novamente, a galera está de volta ao point. Apesar de ser Domingo, a Apollo está
lotada! Tem uma fila enorme na entrada. Fernando não perde tempo e já vai
analisando os caras que esperam para entrar. Em cinco minutos de fila, ele já
está de trocas de olhares com um negro maravilhoso que viu.
Entrando na boate, ele vai direto para o bar pegar um energético e depois volta
para a pista, onde dá de cara com o negro que secava.
"Oi'. Diz aproximando-se.
"Oi. E aí?" diz.
"Beleza. Sou o Fernando, e você?"
"Eduardo. Tá afim do quê?"
"Que tal uns beijos?"
Eduardo nem responde, apenas o puxa pelos braços e tasca-lhe um beijo na boca.
Fernando adora sentir aquela boca carnuda e quente junto a sua e começa a chupar
a língua daquele negro lindo. Amanda, que passa por ali, só olha e balança a
cabeça demonstrando indignação.
Os dois se atracam naquele beijo por longos quinze minutos. Enquanto se beijam,
um outro rapaz, sem que Fernando perceba, está alisando seu "ficante", passando
a mão em sua bunda, suas costas e seu pau. Então, do nada, Eduardo para de
beija-lo. Fernando o olha maravilhado com o beijo. Quando vai para beija-lo
novamente, o negro afasta com um empurrão no peito e começa a beijar o outro que
o estava alisando, sem nem se preocupar em dar satisfação. Nando olha e não
acredita na cena que vê. Como era possível um cara dispensá-lo? Os amigos dele,
que assistem de longe, riem muito, pois vêem o jogo virando.
Fernando volta até o bar, pede um vinho tinto, bebe tudo de uma vez e, sem se
deixar abalar, retorna à pista, onde vê um loiro muito gostoso dançando sozinho.
O cara o olha e quando percebe que está sendo secado, para de dançar na hora,
dando um sorriso safado para Fernando e chamando-o com movimentos de dedos.
Fernando vai e o segura pela cintura. Sem nem perguntar seu nome, começa a
beijá-lo, já passando as mãos por todo seu corpo. Em seguida, desce sua mão
pelas costas do rapaz e a coloca dentro da calça dele por trás. O cara continua
a beijá-lo, agora mais selvagemente, alisando o pau do moreno com uma das mãos
enquanto esse começa a massagear a entrada de seu ânus com dois de seus dedos,
pressionando de leve. Os dedos de Fernando entram no loirinho, que começa a dar
leves gemidas e mexe o quadril, de modo a fazê-lo entrar ainda mais.
"Tá afim de ir até minha casa?" pergunta o loiro.
"Onde fica?"
"A duas quadras daqui"
"Vamos, porque eu tô louco".
Eles se recompõe e se encaminham para a saída da boate, onde encontram Juca.
Fernando diz que vai sair e que não o esperem, pois vai passar a noite toda
fora.
"Onde você vai?" pergunta Juca, preocupado.
"Na casa dele".
"Dele quem?"
"Desse cara, meu. Tchau"
Sem mais explicações, Fernando paga a conta e sai com o cara, caminhando até sua
casa. Eles param pelo menos duas vezes no meio do caminho para se beijar. A
excitação toma conta deles, que sequer sabem o nome um do outro...
Chegando na casa de Rubens - esse é o nome dele - vão direto para o quarto, sem
nunca desgrudar suas bocas. Fernando vai despindo o parceiro, que faz o mesmo
por ele. Em pouco tempo encontram-se nus na cama, se agarrando, se esfregando e
se beijando. Rubens está sobre Fernando e passa suas mãos por seu peito
definido, sua barriga, suas pernas, seu pau... Fernando o beija e sente todos os
músculos de suas costas, sua bunda e também um pau bem avantajado: uns 21cm -
maior e mais grosso que o do próprio Fernando.
O clima entre os dois começa a pegar fogo cada vez mais. Rubens começa a descer,
beijando todo o corpo de Nando, que se contorce de tanto tesão. Começa a gemer
quando Rubens coloca seu pau na boca e chupa com força e muita habilidade. Ele
sobe e desce naquele pau gostoso variando a velocidade, hora forte, hora fraco,
fazendo com que Fernando quase suba pelas paredes.
Ficam nessa posição por muito tempo, até que viram num 69. Com dificuldade,
Fernando vai chupando o imenso pau do gostoso loiro, mas quase o coloca inteiro
na boca, engasgando às vezes. Como está por baixo, vai chupando e também
enfiando o dedo naquela bundinha apertada de Rubens, que rebola pra ele. Então,
com jeito, Nando começa a chupar o cuzinho do parceiro, que vai ao delírio.
Enfia sua língua, chupa gostoso, enfia o dedo, lambe bastante, enquanto tem o
pau engolido com muito gosto. Ele está louco para meter a vara naquele
buraquinho tão lisinho quanto o resto do corpo de Rubens.
Saindo do 69, Rubens coloca-se de quatro, ficando de joelhos no chão e
apoiando-se na cama. Fernando retira uma camisinha de sua carteira, coloca em
seu pau, o umedece com um pouco de saliva e prepara-se para foder o loirão. Com
calma, vai colocando na entradinha e vai pressionando lentamente, fazendo-o
deslizar com cuidado para dentro. Vai sentindo cada centímetro penetrando
naquele quentinho. Fecha seus olhos para sentir ainda mais o tesão. Rubens quase
vê estrelas de tanto tesão que sente ao perceber que os dezoito centímetros de
Nando já entraram nele. Começa a mexer a bunda, enquanto Fernando bombeia
devagarinho, segurando-o pela cintura.
Em meio a todo aquele clima de sexo, e toda aquela excitação, não se pensa em
problemas. As únicas coisas que vêem é um ao outro. A única coisa que sentem é
um prazer quase incontrolável. Seus corpos suados se tocam e se acariciam
maliciosamente, querendo arrancar os últimos suspiros e os últimos gemidos.
Mudam de posição. Agora num frango assado, eles se beijam ardentemente, enquanto
o fogo aumenta. Fernando mete em Rubens num ritmo acelerado, entrando tudo,
batendo suas bolas com força em suas nádegas. Rubens se masturba enquanto é
fodido por aquele deus grego. Fernando, para ajuda-lo, chupa seus mamilos,
mamando neles com força. Rubens geme muito.
Estão molhados de suor e queimando de prazer. Não querem parar. Continuam até
que, não conseguindo mais segurar, o loiro goza abundantemente em seu peito.
Aquela visão faz com que Fernando também esteja próximo do gozo. Ele tira o pau
de dentro de Rubens, arranca a camisinha e, se masturbando, goza.. goza muito,
molhando ainda mais o peito de seu rapaz. Deita-se sobre ele e, beijando-o,
acaba adormecendo... Os dois dormem. Fernando está exausto, não tem forças para
sair dali. Aquela transa o tinha feito muito bem, pois tinha aliviado todo o
stress que passou e também conseguiu esquecer que seus amigos estavam chateados
com ele, o que já era um bom peso a menos em suas costas.
Fernando nem se toca do que se passou na noite passada. Quando acorda na manhã
seguinte, por volta das sete da manhã, não reconhece o local, fica perdido, até
que lentamente suas memórias vão voltando. Ele está todo grudento de gozo.
Percebe que está sozinho na cama e ouve o som do chuveiro ligado. Sem pensar
duas vezes, vai até o banheiro e se depara com Rubens tomando um bom banho, todo
ensaboado. Ao vê-lo, Rubens o convida para entrar no chuveiro e ele prontamente
aceita o convite. Ao fechar o box é surpreendido por um delicioso beijo de
língua, que demora a corresponder por ainda estar acordando. Depois de beijar,
entra embaixo do chuveiro para limpar-se.
A água cai por seu corpo e parecem alfinetes. Sua pele está muito sensível...
Provavelmente era resultado de uma leve ressaca, pois lembra-se que bebeu ainda
mais três ou quatro taças de vinho do Porto ali na casa de seu rolo.
"Gostou da noite passada?" pergunta Rubens.
"É... Gostei? Acho que gostei. Nossa, eu to acabado".
"Quer que eu te prepare alguma coisa pra comer, guri?"
"Não sei. Eu ainda to meio grog".
"Termina teu banho aí que eu já venho, tá bem?"
"Aham" concorda.
Nando fica ali embaixo do chuveiro enquanto Rubens vai até a cozinha onde
prepara um senhor café-da-manhã para o gatinho, que chega todo pingando
perguntando onde pode encontrar uma toalha.
Já seco e vestido, Fernando senta-se à mesa. Seu cérebro já está voltando a
funcionar...
"Seu nome é...?"
"Rubens. É esquecidinho, né não guri?"
"Você veio do Sul, é?"
"É. De Floripa, conhece?" Fala com seu típico sotaque catarinense.
"Conheço. Já fui pra lá várias vezes..."
"Quantos anos tu tens?"
"Vinte. Tenho vinte".
"Pra um guri de vinte anos tu é bem experiente na cama. Acabasse comigo".
Fernando ri.
"Queres passar o dia aqui comigo?"
"Não, não! De jeito nenhum. Eu tenho aula hoje. Vou ter que pegar a segunda
aula. Valeu pelo convite".
"Posso pegar teu telefone? Tipo assim, eu sei que vocês não podem se envolver
com outros caras, mas eu queria te ver mais vezes".
"Vocês?"
"É... Tu não é mixê?"
Quando ouve aquilo, Fernando olha para a cara de Rubens e sem dizer nada
levanta-se, pega sua carteira e sai do apartamento dele. Rubens, enrolado numa
toalha, vai atrás dele e o pega no corredor, esperando o elevador.
"Que foi, guri? Não gosta que te chame de mixê?"
"Em primeiro lugar, eu não sou mixê. E em segundo... vai se foder!" Diz entrando
no elevador.
"Mas eu posso te ver?"
"Pode... Em uma outra vida talvez".
Fernando mostra-lhe o dedo do meio, a porta do elevador fecha e ele desce. Ele
está inconformado com o que acaba de ouvir. Ser chamado de mixe foi a maior
ofensa de sua vida. E para completar, quando vai conferir sua carteira, encontra
vinte reais a mais do que ele tinha e um bilhete: "Obrigado pela noite, seja lá
quem for". A porta do elevador se abre e ele sai pisando duro do prédio, pegando
o primeiro táxi que vê na frente, indo direto para a faculdade, mesmo sem seu
material. Está puto da vida! Não existe outra palavra para descrever seu estado
de espírito. Como o cara foi pensar isso dele?
Durante a corrida do táxi, Nando vai reavaliando seu comportamento e começa a
ficar confuso sobre si mesmo. Chega na faculdade e corre para sua classe, onde
pega uns papeis e canetas emprestados com seus colegas. Não fica meia-hora na
sala de aula e volta para sua casa para dormir, pois não está se agüentando.
Também pudera, foi dormir às quatro e meia, acordou às sete e meia, foi chamado
de garoto de programa e ainda queria assistir aula? Não tinha como.
***
CAPÍTULO II
Alguma coisa está acontecendo...
O dia inteirinho já passou e nem sinal de Fernando. Ele ficou dormindo o tempo
todo para recuperar o sono perdido na noite passada e para se recuperar dela.
Acordou meio atordoado por volta de sete da noite e agora está sentado em frente
ao seu computador no site da UOL, vestido apenas com uma cueca samba-canção
azul, procurando alguém. Estranho? Não, não é! Sempre que se sente mal ele "voa"
para o computador, arranja um gatinho, trepa bastante e esquece as coisas ruins.
Perfeita forma de escapismo!
O cara com quem tecla, BiggyBoy21a, já está no papo. E parece ser um rapaz
interessante - pelo menos no que diz em sua descrição: alto, moreno, lábios
carnudos, corpo definido e louco por sexo. É bem isso mesmo que Nando está
procurando. Com certeza essa noite promete...
Conversa vai, conversa vem, e eles começam a ficar loucos um pelo outro sem nem
mesmo se verem. "Isso tem que dar em alguma coisa!" pensa Fernando, dando o
número de seu telefone celular para que possam entrar em contato. Não demora
muito, aquele barulho irritante começa. Fernando, meio nervoso, o pega em sua
mesa e aperta o botão.
"A-alô?"
"Fernando?"
"Sim, sou eu".
"Oi. Aqui é o BiggyBoy. Beleza, cara?"
"Beleza. E então?"
"Pois é... Tá afim mesmo?"
"Pra caramba! E você?"
"Tô morrendo de tesão. Meu pau tá queimando aqui".
"E qual é seu nome?"
"Henrique. Quando posso te conhecer?"
"Que tal daqui a uns quarenta minutos lá no shopping Iguatemi?"
"Beleza. Como sei que é você?"
"Me encontra na frente do McDonald's. Tô de camisa preta, calça jeans e um
sapato preto. Você vai saber quem sou".
"Falou. Eu tô de camisa vermelha e calça branca. A gente se fala".
"Beleza. Até mais".
"Até".
Desligando o telefone, Fernando corre para seu quarto vestir-se o mais rápido
que pode. Está muito nervoso, apesar de sempre ter marcado encontros por
internet. Fica só imaginando como poderia ser o tal do Henrique... Pensa em tudo
quanto é cara que já conheceu ou conhece, tentando montar em sua cabeça o cara
perfeito.
Veste rapidamente uma roupa já pré-selecionada para tal ocasião e sai de casa na
maior pressa. A ansiedade é tão forte que dá até uma leve dor de barriga nele.
Para ajudar, os carros nas ruas parecem que só querem atrapalhar, entrando na
frente toda hora. Ele tenta desestressar ligando o som. É em vão. A hora está
passando. Ele tem apenas dez minutos para chegar.
Felizmente o trânsito resolve fluir. Fernando chega ao shopping, guarda seu
carro no estacionamento e segue com passo acelerado para o McDonald's, pois por
causa do tráfego acaba chegando um pouco atrasado ao encontro. Começa a apertar
ainda mais seus passos, esbarrando em todo mundo, chegando até o local marcado.
Olha a sua volta procurando um rapaz com as descrições da Internet. Não encontra
nada. Olha mais uma vez, dá uma volta ali por perto e se vê sozinho. Henrique
não apareceu... Começa a desanimar. Ele detesta se sentir esquecido. Bravo,
senta-se num banco e fica pensando. Pra que continuar ali? Nando resolve ir
embora.
Quando levanta-se, percebe alguém atrás dele. Começa a andar e nota que está
sendo seguido, mas sem nunca olhar para trás. Logo, sente uma mão em seu ombro.
Meio assustado, vira-se lentamente, deparando-se com um rapaz loiro, alto, de
olhos tão azuis quanto o céu e lábios rosados e grossos.
"Você se chama Fernando, certo?"
"É, por quê?"
"Prazer. Sou eu, o Henrique".
"Aham... Tá. Vai nessa!". Diz com deboche, afinal o cara não tem nada a ver com
o descrito pelo "verdadeiro" Henrique da internet.
"Sério, meu, sou eu... BiggyBoy21a".
"Mas... Não. Você tá me zoando".
"Não tô não. Se decepcionou?"
"Claro que não. Você é puta gostoso!".
"Eu achei que seria mais legal fazer uma surpresa... Vamos nessa?"
"Para onde?"
"Um motel. Que acha?".
"Beleza".
Sem mais nenhuma palavra, Nando acompanhou Henrique até seu quarto no
estacionamento. Ele ainda está nervoso, e ainda mais pelo fato do gato ser ainda
mais gato do que ele imaginava. O peito dele é maravilhoso, mesmo coberto por
aquela roupa. A vontade dele é joga-lo no chão, arrancar toda aquela roupa e
transar "horrores" com aquele garanhão puro-sangue.
Eles se dirigem a um motel meio afastado dali. A conversa que rola no carro não
é das mais descontraídas, porém ambos estão loucos de tesão. Henrique apenas
observa faminto cada detalhe de Fernando, sem nem elogia-lo nem nada. Já Nando
aproveita e observa ainda mais descaradamente o loirão, enchendo sua bola com
elogios. Até o próprio Fernando estranha essa reação, pois ele não é de ficar
falando isso nem para sua melhor amiga... Mas, enfim, o que importa nessa hora é
apenas que ele está indo trepar - termo que usa com freqüência.
Chegam no motel, e vão direto para o quarto onde Henrique, ao trancar a porta,
já começa a arrancar a roupa. Quando ele tira a camisa, Fernando, sentado na
cama, fica boquiaberto com aquele peito aberto e largo que tem. Já completamente
nu, o loiro caminha em direção a Nando e, ajoelhando-se bem a sua frente,
ajuda-o a despir-se para ficarem mais a vontade. Isso tudo sem trocar uma
palavra.
Estão nus, de paus duros e se tocando ainda meio inibidos. Fernando arrisca um
beijo, mas esse é recusado pelo rapaz, que retruca:
"Cara, não beijo homem".
Sem saber o que dizer ou fazer, Nando fica quieto, puxando-o para cima da cama.
Deita-se deixando com que seu pau fique duríssimo apontando para o teto. Espera
que Henrique o chupe. Aliás, espera isso desde o momento em que viu aquela boca
carnuda dele. Henrique fica deitado e não diz nada, apenas respira. Um tempo
depois, diz grosseiramente com sua voz máscula:
"Cara, você vai me chupar ou o quê?".
Fernando realmente não esperava por essa. Por um momento se sente desconfortável
por estar ali, mas logo o tesão toma conta dele, que resolve chupar o pau -
diga-se de passagem, imenso - do loiraço gostoso. Se posiciona entre as fortes
pernas do cara e começa a dar beijos no pau dele, segurando com uma de suas
mãos, enquanto a outra acariciava seus músculos peitorais. Começa a chupar pela
cabeça, colocando-a todinha na boca, sugando com força. Henrique geme, dizendo
em seguida:
"Cara, que boca quente. Continua a me chupar, vai! Coloca essa pica toda na tua
boca, vai".
Fernando, que de pouco em pouco vai se acostumando com a idéia de estar
novamente chupando um pau, continua chupando com vontade e vai ficando cada vez
mais excitado com aquilo. Logo começa a chupar com força, deixando o loirão
sarado completamente louco. Henrique leva sua mão até a cabeça de Nando e começa
a forçá-la mais em seu pau, como que fodendo a boca dele. Nando engasga algumas
vezes e pára.
"Agora a sua vez". Diz Fernando.
"Eu não vou por minha boca no seu pau, brother. Quero te comer".
"Me comer? Eu não falei que sou ativo, cara?"
"Falou, e é exatamente por isso que eu tô louco pra meter esse meu pauzão na tua
bunda. Vem aí".
Fernando olha para ele com uma cara de interrogação enorme.
"Que cara é essa? Pega a camisinha e senta no meu pau".
"Não! Sem essa, meu".
"Ah! Vai! Tô sabendo que você é louco pra sentar num desses. Todo mundo da sua
agência fala isso, garoto. Vem logo e não enrola que eu tô com tesão". Diz de
modo debochado e estúpido.
"Como é que é?"
"Eu tô com tesão".
"O que você disse da agência? Como você sabe que sou modelo?".
"Eu sou modelo também. E eu tenho uns camaradas na sua agência... Todo mundo
fala que o Fernando Superficial é o maior cu quente da parada".
"Fernando o quê?"
"Superficial".
"Por quê?"
"Todo mundo sabe, cara, que você é um puta cara interesseiro. É por isso que tá
sozinho até hoje. Só quer ficar com carinhas gatos. Por isso sabia que tinha
chance contigo. Agora, me diz uma coisa, pra que a gente tá conversando? Vira
essa bundinha pra cá".
Fernando fica parado por um tempo olhando para Henrique sem entender o que ele
está falando. Está indignado com o que acabara de ouvir. Perde completamente o
tesão. Levanta-se e começa a se vestir. Henrique senta-se na cama, ainda de pau
duro,
"Qual é? Pra onde você vai?"
"Vou embora".
"Broxou?" Pergunta tirando sarro.
Puto da vida, Nando responde seco: "É. Broxei! Fica aí na punheta, falou?"
Terminando de se vestir Nando vai até a porta. Antes de sair para, olha para
Henrique na cama e diz:
"Que perfume você usa?"
"SeaWind".
"Ah! Já imaginei... "
"Bom, né?"
"Lembra brisa do mar... fede a peixe!".
Bate a porta e sai do quarto.
Ele está muito chateado com o que ouviu de Henrique. Fernando Superficial?!
Sente um aperto forte no peito enquanto caminha até o ponto de táxi no meio da
noite paulista, longe de sua casa. Está se sentindo só. Precisa muito de um
apoio. Pega seu celular na bolsa e liga para Amanda. O telefone toca até não
poder mais e nada dela atender. Desanima. Fernando vê um táxi se aproximando e o
chama. Entra. Diz ao taxista o destino dele e segue viagem. O aperto em seu
peito é mais forte agora. Uma raiva estranhíssima começa a tomar conta dele. A
primeira coisa que vai fazer assim que pegar seu carro no shopping é ir direto à
agência para tirar satisfações.
Uma hora depois, Fernando está na porta da agência. Apesar de já ser dez e meia
da noite, ainda tem gente trabalhando, pois o expediente vai, às vezes, até as
onze. Estaciona o carro na primeira vaga que vê e entra puto da vida. Todos
olham estranhamente para ele, pois nunca o viram daquela maneira.
"Ivonete, cadê o Jair?" Pergunta à recepcionista.
"Na sala dele. Vou anun..."
"Não precisa! Deixa que eu vou pra lá sozinho".
Pisando duro, vai andando até a sala de Jair Karlson, um dos diretores da
agências. Entra na sala com tudo, dando de cara com Jair e Amanda, que estão
acertando alguns detalhes de um desfile que estão organizando para a Triton.
"Sobre o palco eu...."
"Jair! Eu quero falar agora com você!" Diz muito bravo, interrompendo a
conversa.
"Nando? O que você está fazendo aqui?".
"Ah! Amanda. Você também está aqui? Ótimo! Eu preciso esclarecer umas coisas....
Algum de vocês conhece um tal de Henrique? Ele é modelo também".
"Fica difícil assim, mas aqui não tem Henrique".
"Ele é alto, loiro, olhos azuis, peito largo...".
"Eu conheço um. Henrique Lagos, da 2001 Models. Por quê?". Diz Jair.
"Isso não vem ao caso. O fato é que esse cara me disse umas coisas que eu não
gostei e eu quero saber isso agora... Que história é essa de eu ser o Fernando
Superficial e adorar sentar num pau??".
"O quê? Que absurdo!" Diz Amanda sentando-se novamente de tão chocada.
"Pode me dizer, Jair?! Porque ele me disse que todo mundo tá comentando isso. Me
fala!"
Jair fica quieto por um segundo. Seu rosto fica todo vermelho, o que acaba
denunciando que ele realmente sabe de algo. Pede que Fernando se sente, mas ele
reluta e continua em pé. Gaguejando, o diretor tenta explicar:
"Isso é... é... uma...."
"Fala de uma vez, cacete!" Grita Fernando perdendo a paciência, batendo forte na
mesa.
"É verdade, Nando. Aqui e em pelo menos mais três agências daqui de Sampa você
tá queimadaço. Tá todo mundo falando do Fernando Superficial ou o Fernando
Descartável, aquele de uma vez só. Sua reputação não está nem um pouco legal,
mocinho. Todo mundo tá comentando dos foras que você tem dado, dos caras com
quem tem ficado e as coisas que tem feito. Todo mundo tá comentando do Fernando
Liandris, o cara que só liga para roupas maravilhosas e carros importados, sem
sequer saber o que se passa na cabeça dos outros. Você tá fodido, meu amigo".
Fernando fica para olhando para os dois. Amanda não diz nada.
"Amanda, isso é verdade?"
"Gente, eu não tô sabendo disso não".
"Claro que ela não está sabendo, Nando. Você acha que a galera ia ser idiota de
falar mal de você pra sua melhor amiga? Agora, se você quer um conselho, muda
esse teu jeito logo, porque senão...."
"Senão o quê?"
"Senão eu vou ter que te transferir. Porque, acredite se quiser, veio gente de
fora reclamar de você. Gente de FO-RA! Você tem noção do que isso pode fazer pra
agência? Ou pior... Do que isso pode fazer pra você? Você já pensou o porquê de
você estar sem namorado? O amor não se resumo em roupinhas, carros e dinheiro,
Fernando. Amor é confiança, sinceridade, transparência e bom caráter. Quem vai
querer se envolver com um cara que só pensa em dinheiro? Quem vai querer um cara
que despreza outras pessoas que não têm ou não podem comprar roupas Triton, TNG
ou Fórum? Sinceramente, ninguém...".
Ele fica sem reação, sem fala. Vira-se e sai sem dizer nada. Passa pelos
corredores e conforme vai se aproximando da saída, escuta um burburinho vindo de
um dos estúdios".
"....aquele Fernando". Ouve. Se aproxima devagar e fica na porta.
"Eu o acho muito gato. Queria muito sair com ele" Diz um dos modelos que está
posando para umas fotos da Ellus.
"Esquece, Marco. Esse cara é um porre! Meu, ele só pensa em sexo e se você
aparece com uma camiseta Hering, ele acaba com você".
"Como assim?".
"Pra ele, gente só é gente se veste de TNG pra cima. Menos que isso é merda".
"Pelo amor de Deus. Isso é exagero, vai".
"Acho que não, viu?"
Não afins daquela conversa, sai da agência, entra em seu carro, liga o som e se
dirige à sua casa. Está atordoado com as coisas que ouviu. Sente aquele aperto
no peito de novo. As palavras começam a se repetir em sua cabeça, deixando-o
louco. Quer sumir do mundo! Explodir!
Chegando em sua casa, Fernando vai direto a seu quarto, onde se tranca e se joga
na cama. Fica um tempão olhando para o teto, como que buscando uma resposta para
tudo o que estava acontecendo. Apesar de não concordar muito com as críticas a
seu respeito, está pensativo, avaliando muita coisa. Memórias começam a
atormenta-lo... Thiago, seu primeiro e último namorado, está em quase todas.
Nando começa a lembra-se do tempo em que estava com ele, e como gostava de
Thiago, como o amava. Mas logo, as doces memórias se tornam sombrias... As
lembranças de como terminou o namoro começam a aparecer também. Thiago tinha
pisado muito em Fernando. Sempre dizia que o amava, que o queria, que sempre
ficariam juntos, mas na verdade só estava alimentando a ilusão do rapaz, que
estava mais apaixonado do que jamais tinha ficado. Num belo dia, Thiago resolve
dizer pra Nando que não mais o amava e que estava indo embora com seu namorado,
com quem já estava fazia sete meses, ou seja, dois meses a mais do tempo que
estava com Nando. Aquilo foi como uma bomba para o menino que, depois disso, não
mais conseguiu ter outros relacionamentos.
Por horas aqueles e outros pensamentos passam por sua cabeça. Está se sentindo
muito mal, muito só. Novamente sente um aperto no peito. Então, pela primeira
vez em muito tempo, Fernando chora. Tenta lutar contra o choro, mas acaba
cedendo, pois está profundamente magoado.
Nando adormece enquanto chora, acordando apenas no dia seguinte, já se sentindo
uma outra pessoa. Levanta-se. Está atrasado para a faculdade. Veste-se
apressadamente e corre para ainda pegar a primeira aula. Sai sem nem mesmo tomar
seu café-da-manhã - coisa que pode fazer na faculdade mesmo.
Guarda seu carro no estacionamento. Enquanto pega suas coisas, não percebe que
Amanda e Juca se aproximam dele. Se assusta com eles.
"Nando, ce tá bem?" Pergunta Amanda.
"Tô, por quê?"
"Fala, Nando! A Amanda me contou as coisas que rolaram ontem na agência. Que
foda, cara!".
"Ah! Aquilo? Não foi nada. Eu sei que tem gente que morre de inveja de mim e
fica falando esse monte de coisas sem nexo. E, outra, eu não ligo para o que os
outros pensam. Eu nem os conheço. O que importa é que vocês não pensam assim,
né?" Diz super tranqüilo.
Amanda e Juca se entreolham e nada dizem. Fernando os olha e sente que querem
dizer algo.
"Vocês pensam assim?".
"Nando, você realmente tem agido mal ultimamente. Você viu como você tratou
aquele menino no shopping?" Diz Amanda.
"Fora que você anda muito promíscuo Nando. A vida não é feita só de sexo..."
"E muito menos de roupas bonitas. As pessoas tem sentimentos, amigo".
"Espera! Eu mal cheguei na faculdade e sou esfaqueado pelos meus melhores
amigos? É isso que está acontecendo?"
"Não é isso. Nando, a gente só está dizendo que você tá precisando de ajuda".
Diz Juca.
"Ajuda?! Vocês acham que eu preciso de ajuda? Vão viver, vocês dois" Diz
Fernando muito chateado com o que ouviu. Ele se vira e sai andando. Nunca pensou
que fosse ouvir o que ouviu de quem ouviu.
Ele entra em sua sala de aula, onde é recebido por Juliana, uma de suas colegas
de sala. Ela parece preocupada. Aproveitando que o professor vai chegar atrasado
para a primeira aula, Ju pede que Nando a acompanhe até um canto para conversar
um pouco.
"Hei, você tá bem?" Pergunta.
"Por que não estaria?"
"Nando, tá todo mundo comentando que você deu o maior escândalo na agência
ontem..."
"Puta que pariu! Até na faculdade eu tenho que escutar isso?!?! Pelo amor de
Deus!".
"O que está acontecendo, Fer?"
"O que está acontecendo é que esse povo invejoso fica falando um monte de merda
sobre mim e fica esperando que eu fique quieto. Só que eu não vou ficar quieto!
Se eu não quero ter um namorado é porque eu não quero. E se eu gosto de transar
é porque eu quero aproveitar a vida, cacete! Esse povo não entende. Se eu gosto
de caras que se vestem bem é porque eu não quero nenhum pé rapado que se
aproveite de mim mais pra frente, entende? Eu gosto de cara bem vestido mesmo,
porque eles têm futuro. Ai que ódio!" Diz Fernando, ficando cada vez mais bravo
conforme vai falando.
Juliana fica quieta apenas olhando Fernando desabafar. Assim que ele termina ela
continua em silêncio. Ele espera uma resposta, uma reação, alguma coisa. Juliana
respira fundo e, olhando no fundo de seus olhos, diz:
"Ai ai, meu amigo. Quer saber?"
"O quê?"
"Não que eu esteja defendendo o que os outros dizem, mas você já pensou que essa
sua concepção de "aproveitar a vida" tem um outro nome?"
"Que nome?"
"Promiscuidade".
"Promiscuidade?"
"Isso mesmo! Você já parou pra pensar o que você tá fazendo com você mesmo?" Diz
Juliana acendendo um cigarro que tirou de seu bolso.
"Como assim?"
"Nando, você ta esquecendo de você. Sexo é bom, mas não enche a barriga".
"Como é que é?"
"Ah! Não é bem isso, mas você entendeu".
"Não, sinceramente eu não entendi".
"Nando, percebe o que você está se fazendo, cara. Você ta se metendo com um
monte de gente, se tornando uma pessoa promíscua, que sai com qualquer um, vive
transando, mas você está esquecendo de alimentar seu coração".
"Alimentar o coração?"
"Viu, não adianta você dizer pra mim que você não sente falta de alguém ao seu
lado, te beijando, abraçando e falando coisas bonitas, porque eu sei que não é
bem assim. Todo mundo precisa de alguém pra amar e ser amado".
"Bom, eu não sou assim"
Fernando levanta-se e deixa sua amiga sozinha. O sinal para a primeira aula
bate. A sala está cheia. Diferente de todos os dias, ele se dirige ao fundão, lá
no canto, onde fica isolado do resto da sala. Algumas pessoas o olham com
olhares curiosos e ficam cochichando. Fernando só observa sem nada dizer.
A aula começa. Ele abre seu caderno e começa a anotar as coisas que o professor
fala. O tempo inteiro tenta escrever tudo da aula, sem se deixar alterar com o
que ouvia ao seu redor. Percebe, porém, que dois de seus colegas de classe,
Mário e Marcel, estão de segredinhos e ficam a todo momento olhando para ele no
fundo da sala. Isso começa a irritá-lo, mas ele se segura, pois essa é uma de
suas aulas favoritas.
Hora do intervalo. Todos estão saindo da sala, mas Fernando continua em seu
canto. Juliana vem chamá-lo, mas ele pede que o espere do lado de fora pois tem
algo a fazer. Finalmente, ele consegue o que conseguia: ficar na sala com Mário
e Marcel, que ainda estavam pegando algo em suas mochilas. Fernando se levanta e
vai até os dois.
"Vocês dois, qual é a de vocês?"
"Como assim?" Pergunta Mário.
"Qual a de vocês?"
"Ei, a gente não curte viado não. Se liga!" Diz Marcel.
"Não é isso que eu tô dizendo, seu otário. Onde vocês querem chegar falando de
mim, hein? Posso saber?"
"Pode sim. Nós só estamos falando as coisas que estão rolando por aí. E, na boa,
eu sei que é tudo verdade".
"É mesmo Marcel? O quê, por exemplo?"
"Que você é um cara metido... E que..."
"Cala a boca, Marcel" Diz Mário.
"Não cale, não. Continua, Marcel" Pede Fernando.
"É... Que você dá pra qualquer um e que seu dinheiro é tudo das drogas que você
repassa".
Fernando realmente não esperava aquela resposta. Drogas? Ele nem sequer havia
experimentado drogas em sua vida e estão dizendo que ele está vendendo drogas?
Está chocado com o que acaba de ouvir. Suas intenções eram as piores possíveis,
mas depois dessa acabou perdendo a reação... Fernando sai da sala e vai andar
pela universidade.
Nesse momento, milhões de pensamentos estão passando por sua cabeça. Ele anda
sem rumo, pensando nas coisas que falam sobre ele. Na verdade, tenta ao máximo
não dar ouvidos às fofocas, pois sabe que existe muita inveja. Mas o que o está
deixando confuso é que até seus amigos estão dizendo coisas que ele jamais
pensou que fosse ouvir. Nunca em sua vida achou que fosse ouvir que é
superficial ou promíscuo ou insensível... De onde as pessoas estavam tirando
todas aquelas histórias? E por quê? Isso é uma coisa que não dá pra saber tão
cedo...
Fernando passa o intervalo inteiro sozinho, apenas refletindo. Está, pela
primeira vez, se auto-avaliando, vendo as coisas que ele ache que estejam
erradas nele próprio.
"Sexo... Eu gosto de transar. Se eu saio com muitos caras é porque eu posso. O
povo fica falando que eu sou promíscuo, mas eu acho que é inveja, porque eu só
cato cara gostoso..." Pensa. "Acho que não tem nada a ver. Agora, todo mundo
fica falando de namorado. Eu não tenho porque eu não quero mesmo, ué? Desde
quando um cara é obrigado a namorar. Eu sou jovem, não tenho que me prender a
ninguém. E eu não me sinto sozinho não... Sei lá. Roupas... Eu gosto de quem se
veste bem. Se um cara se veste com uma roupa legal, ele se torna mais
interessante, mais bonito, mais charmoso. E eu acho, sim, que roupa é
importante, pois a roupa mostra a personalidade da pessoa..."
Pára de pensar por um segundo. Olha em volta. Observa as pessoas. E continua seu
raciocínio:
"Bom, não é bem assim. O Juca hoje não ta vestido legal e mesmo assim ele é
gente fina. Ah! Quer saber, foda-se o que os outros pensam..."
Nessa hora, passam dois casais em sua frente de mãos dadas, ou abraçados. Ele os
observa atentamente. Um dos casais pára num cantinho e, abraçados, começam a
conversar bem pertinho um do outro. A menina coloca seus braços em volta do
pescoço do cara, que coloca suas mãos em volta de sua cintura. Ficam falando
quase tocando os lábios e os narizes. Não dá pra ouvir o que eles falam. Ela dá
um sorriso bonito. Seu olhar é bem apaixonado, parece que seus olhos brilham.
Ele também a olha de maneira doce - um olhar que há muito Fernando não via.
Então, o casal se olha um pouco mais e dão um beijo tão apaixonado que parecem
transbordar amor pelos poros. Fernando os observa e começa a sentir alguma coisa
em seu peito...
"Bom... acho que... é.... namorar deve ser legal..."
Parece estar mudando de idéia em relação à questão do namorado. Continua
observando o casal, agora imaginando como seria estar no lugar de um deles,
beijando um cara que ele gostasse, e que gostasse dele da mesma maneira. Voa
longe nos pensamentos, mas logo volta ao seu mundo quando começa a lembrar de
Thiago, aquele que o fez sofrer profundamente.
"Não! Eu não vou namorar. Não vou deixar que outro filho da mãe pise em mim e me
faça sofrer de novo. Prometi a mim mesmo e não vou quebrar a promessa: não vou
mais me envolver com ninguém. Meu coração não agüenta! Drogaaa!" Pensa. Sente
seus olhos se encherem de lágrimas. Uma lágrima vai rolando de seu olho direito.
Ele sente o quentinho da gota em seu rosto, descendo. Seu peito dói. Fecha os
olhos. Mais algumas lágrimas rolam.
"Nando?!" Grita alguém ao longe. Ele rapidamente seca as lágrimas, dá um sorriso
bem grande e vira-se.
"Nando? Onde você estava o intervalo inteiro? A sua aula já vai começar...."
"Eu tava andando por aí, Amanda. Não tava me sentindo muito bem e resolvi dar
uma volta só pra relaxar".
"Me disseram que você estava meio mal, o que aconteceu?"
"Nada. Só novas fofocas".
"É... A das drogas, né?"
"É" Diz, dando uma respirada bem profunda. "Mas fazer o quê, né? Deixa o povo
falar. Enquanto ficar só na fofoca tá bem, né?"
"Com certeza! Viu, que horas você sai hoje?"
"Acho que umas onze, por que?"
"Eu estava pensando em te chamar pra ir almoçar comigo lá no Habib's hoje. O que
você acha?"
"Não sei, Amanda. Eu tava pensando em sair da "facul" e ir direto pra academia.
Tô precisando malhar um pouco".
"Malhar de barriga vazia? Sei, sei. Às onze eu passo na sua sala".
"Mas..."
"Sem mas, Fernando. Você vai. Tchau".
Amanda tem de sair porque sua aula já está preste a começar. Fernando também tem
de se apressar para sua classe.
Onze horas em ponto. Amanda está na frente da sala de aula de seu amigo,
esperando que ele saia. O sinal bate. Logo, começam a sair desesperados os
alunos, correndo, se estapeando. No meio dessa multidão, sai Nando, com a maior
cara de cansado. Com sua mochila nas costas, cheia de novos livros emprestados
por seu amigo Luis, vai até Amanda e logo saem para almoçar. Como o carro de
Amanda está mais perto, deixa o seu na universidade e vão com o dela.
No meio do caminho para o Habib's, Fernando percebe que sua amiga não está indo
exatamente onde disse que ia.
"Amanda onde você tá indo?"
"Eu tô te levando até o Parque Ibirapuera".
"Pra quê?"
"Porque eu quero conversar com você".
"E por quê você vai me levar até lá sendo que a gente pode conversar aqui ou em
qualquer lugar?"
"Porque eu sei que lá você se sente bem, oras... E porque lá tem um sorvete que
eu adoro". Diz Amanda. Fernando sorri.
Chegando no Parque, eles começam a caminhas. Por alguns minutos, Amanda não fala
nada, deixando Nando esperando.
"O que aconteceu hoje?"
"Como assim?"
"Nando, você pode ser capaz de muita coisa, mas a única coisa que você jamais
vai conseguir fazer em sua vida é mentir pra mim. Eu sei o que aconteceu no
intervalo".
"O que já foram fofocar pra você, hein?"
"Ninguém foi fofocar nada, homem!".
"Então do quê você tá falando, mulher?"
"Eu sei que você tava chorando".
Fernando pára de andar. Amanda continua... "Eu vi você olhando aquele casal e vi
você chorando também. Que foi?".
"Não foi nada. Não se preocupa".
"Nada? Você acha que eu acredito? Fala..."
"Não foi nada mesmo..." Diz meio desanimado.
Amanda pára, olha pra ele, e diz brava:
"Olha aqui! Ou você me fala, ou você me fala. Não tem escolha! Cacete de menino,
viu?"
"Calma! Que menina estressada... Tá, eu falo. Eu estava chorando porque eu me
senti muito sozinho naquela hora. Eu queria estar com alguém... Sabe?"
"Sei. E sei que você fica aí se fazendo de rocha, de super seguro, mas por
dentro é um super bebezão em busca de amor... E também sei que você não vai
atrás de namorado porque você tem medo que eles façam a mesma coisa que aquele
idiota do Thiago fez com você... E sei que você está super triste com tudo o que
estão falando de você, embora viva dizendo que não tem nada a ver. Pensa que eu
não conheço o meu melhor amigo?".
Os olhos de Nando novamente se enchem de lágrimas. Ele se segura ao máximo para
não chorar na frente de Amanda, que, docemente, pegando em suas mãos, diz:
"Pode chorar... Eu tô aqui".
Fernando abraça fortemente a amiga e, silenciosamente, chora as mágoas que há
muito segura. As lágrimas caem em abundância e ele sente uma forte dor dentro de
si. Amanda passa suas mãos nos cabelos dele, como que tentando acalma-lo. Fica
em silêncio, deixando que o outro chore e desabafe tudo o que guarda. Às vezes,
o silêncio é a melhor resposta ou o melhor conforto.
Por alguns minutos, Fernando fica ali, abraçado com a amiga. Já se sentindo
melhor, diz:
"Desculpa, Amanda".
"Desculpar do quê? Eu sabia que estava precisando fazer isso, amigo. Quer me
contar o que acontece?"
Ele balança a cabeça dizendo que "sim". Se dirigem a um banco que vêem ali
perto, para que possam conversar um pouco melhor.
"Eu tenho medo. Ao mesmo tempo que eu quero muito ter um namorado, ter alguém ao
meu lado, eu me sinto meio bloqueado, meio preso. Eu tenho medo do cara me fazer
sofrer e... eu não quero sofrer, Amanda. Não de novo".
"Fê, você já parou pra pensar uma coisa?"
"Você disse a mesma frase que a Juliana... Hehe".
"Então... Meu, quando alguém parte o coração da gente, a tendência é mesmo
generalizar, pensar que todo mundo vai fazer igual, que só nos quer ver sofrer.
É normal isso. Mas, é nessas horas que a gente tem que ver que as coisas não são
bem por aí. Eu, por exemplo, antes de te conhecer namorei o Marcos. O cara me
fez sofrer pra caralho, eu até pensei em me matar... Depois dele, achei que
jamais poderia amar de novo. Então, do nada, quando fui pra boate com você e os
meninos, quem eu conheci? O Juca... E agora eu estou amando de novo. Aliás, eu
tô amando mais e melhor. Entende o que eu quero dizer?"
"Mais ou menos...".
"Pra ser mais explícita, mais direta: se dê uma chance, Fê. Tem tantos caras por
aí que são super gente fina, super carinhosos e estão procurando por um amor.
Você é lindo, doce, inteligentíssimo, sensível... Todo mundo quer um cara assim.
Por que você não dá um tempo nessas suas ficadinhas, nessas suas transas
malucas, e pensa em você? Vai pra boate, se diverte, mas dá um tempo pra sua
cabeça. Não fica com ninguém agora".
"É... Você tá certa. Mas... Então eu devo procurar um amor?"
"Não. Amor não se procura... Se acha!"
***
CAPÍTULO III
O Estranho
Fernando está mudado. Ultimamente, tem ido bastante à boate, mas ao contrário do
que costuma fazer, vai apenas para se divertir com seus amigos e esquecer um
pouco dos problemas. Com todo o stress que vem rolando por causa da faculdade,
tem estado meio afastado do pessoal. Está cheio de trabalhos e projetos que tem
que resolver, e passa a maior parte do tempo em sua casa com dois de seus
colegas de sala, que fazem parte de seu grupo. Coisa que parece ter se
"re-acostumado" é escrever. Toda noite se senta na frente de seu computador e
redige páginas e mais páginas de contos ou histórias que lhe vêm à cabeça. Esses
dias, terminou de escrever um roteiro para um filme que pretende produzir assim
que se formar.
Apesar de toda essa mudanças - visivelmente notada por todos os amigos, que
comentam o tempo inteiro - ele se sente muito só. Pela primeira vez, depois do
traumática relacionamento com Thiago, ele sente que precisa de alguém ao seu
lado, e de preferência que preencha todos os pré-requisitos: bonito, chique e
descolado. Por sinal, já tem alguém em vista... É Victor. Um loirinho que faz
Publicidade na FAAP. Já faz um tempinho estão trocando olhares sempre que se
encontram e, pelo que ouviu de Amanda, também está caidinho por ele. Mas, dessa
vez, Nando quer esperar que o gato tome a iniciativa de vir puxar conversa.
O frio está começando a apertar nessa época do ano. Já não tem como sair de casa
sem um casaco, pelo menos de manhã e à noite. E junto com o frio, está se
aproximando o aniversário de Ana, irmã de Amanda. Juntos, Amanda, Nando,
Ricardo, Marcelo e a mãe de Amanda estão tramando uma super festa surpresa no
salão de festas do prédio. E a coisa está ficando grande. A decoração será toda
feita por uma equipe de som e iluminação e será contratado um bufê. Mal sabe
Ana...
É sexta-feira. A festa está bem perto, é no Sábado. Amanda e Nando combinaram
que vão direto para o shopping depois das aulas para poderem comprar o presente
da menina. E não vai ser fácil, pois Ana tem gostos peculiares e muito difíceis
de acertar. Tendenciosa, nunca que se sabe o que está na moda para ela. A única
coisa que é certa é sua adoração e devoção pela banda inglesa Oasis. Mas essa
informação não ajuda em muito, afinal de contas ela já tem tudo o que foi
lançado deles. O trabalho não vai ser brincadeira.
Por horas e horas os dois amigos vão caminhando pelo shopping entrando em
praticamente todas as lojas à procura de alguma coisa que lhes chame atenção.
Entram aqui, ali, em lojas de música, lojas de roupas... E a cada loja de roupa
que entram, os dois babam. Como são consumistas natos, quem disse que saem de
mãos vazias? Saem com pelo menos duas sacolas nas mãos. Só na TNG saíram com
três sacolas cada um... E na loja da Triton, gastaram horrores. E o presente de
Ana ficou de lado...
Mais de três horas se passaram e os dois ainda estão fechados na loja da M.
Officer. Fernando está sentado num banquinho enquanto Amanda é atendida por um
moço lindo e muito simpático, que lhe mostra cada vez mais roupas. Olhando o
movimento lá fora, Nando vê uma pessoa que reconhece. Fica tentando lembrar-se
de onde seria a tal pessoa. Olha mais um pouco e se toca que é ninguém mais,
ninguém menos do que a própria Ana. É só aí que ele lembra que o objetivo de
estarem ali é o presente da irmã de Amanda. Rapidamente, ele se levanta e
interrompe a compra da amiga.
"Quê isso, Nando!?"
"Quê isso?!?! Amanda, você esqueceu o motivo de estarmos aqui?"
"Não. A gente veio fazer umas comprinhas...".
"Não, invertebrada mental! A gente veio comprar o presente da sua irmã".
"Ah meu Deus!" Diz Amanda lembrando. "O presente. Ai, moço, deixa quieto. Depois
eu compro com você, tá?"
"Vamos?"
"Claro. Claro".
Amanda, toda atrapalhada e afobada, pegas as várias sacolas que deixou num
cantinho no chão, se despede dos vendedores e sai de passo apertado com seu
amigo ao lado. Eles se dirigem à uma loja de eletrônicos, que pensam ser o lugar
certo. Ana é meio molecona, adora computadores e videogames. Os dois olham um
pouco mais, e acabam achando num pedestal como promoção o novo console da
Microsoft, o X-Box.
"Isso ela não tem" Diz Amanda.
"É esse mesmo que eu vou levar".
"E eu?!?!!?" Se desespera.
"Calma, mulher. Você leva uns jogos, né?".
"É verdade. É verdade".
Resolvidos, pegam o tal console e levam ao caixa. Enquanto o moço do balcão vai
passando o produto e os jogos que Amanda comprou, ela e Nando batem um papo meio
descontraído, até Amanda, do nada, dar um puxão na camisa de Fernando, tentando
chamar atenção dele para alguma coisa.
"Quêêêê?"
"Olha lá. Olha lá!".
"O quê?"
"O Victor. O Victor de PP. Olha ele lá" Diz Amanda apontando descaradamente,
praticamente fazendo um escândalo.
"Eu vi".
Com o escândalo de Amanda, Victor acaba olhando para dentro da loja e a vê
apontando para ele e comentando alguma coisa com Fernando, que fica
completamente sem graça.
"Vai falar com ele" Diz Amanda.
Nando fica sem fala, de tão sem jeito. Victor olha e faz cara de bravo.
Fernando, então, lê seus lábios e o vê dizendo: "Que cara idiota". Fica muito
desanimado, mas também bem chateado com Amanda. Se não fosse por ela...
Eles já saíram da loja. Amanda anda na frente de Fernando tentando pedir
desculpas. Tropeça em seus próprios pés, deixa cair algumas sacolas, mas tenta
ser perdoada pelo que fez. Fernando quase não olha para sua cara, até chegarem
no carro, onde ele entra, senta-se na direção e fica olhando para o nada.
"Desculpa, Nando!".
"Você é foda, Amanda. Poxa, precisava fazer aquele escândalo? Minhas chances com
o Victor se foram..."
"Desculpa, Nando".
"Tá. Deixa quieto. Vamos embora que eu tô com fome".
Liga o carro e sai.
Fernando deixa Amanda e volta direto para sua casa, onde pretende ficar horas
deitado na banheira com hidromassagem de seu banheiro. Ele precisa relaxar.
Coloca o CD da Enya de fundo e fica deitado ali, só descansando. Está pensando
na vida, sentindo-se só novamente.
"O que eu daria agora por um cara gostoso e uma transa...". Pensa alto.
Leva sua mão até seu membro e o segura, começando a apertá-lo e acariciá-lo. Vai
ficando excitado com o estímulo. Já com o pau a ponto de bala, começa a se
masturbar com o pênis submerso. Fecha seus olhos e continua os movimentos, de
cima para baixo, lentamente. Para excitar-se ainda mais, tenta imaginar Victor
nu. Em sua imaginação, o rapaz vem e passa a beijá-lo. Fernando quase pode
sentir o calor dos lábios do moreno sobre os seus. Aumenta os movimentos de suas
mãos. Agora, Victor se ajoelha e coloca o membro rijo de Nando em sua boca,
começando uma felação nervosa, com força. O chupa com vontade, como se o
quisesse engolir por inteiro. Nando está mais do que excitado. Então, pela falta
de sexo, e a imaginação fértil, goza um gozo gostoso, denso e abundante que sobe
na água e fica flutuando ali. Ainda de olhos fechados, Fernando descansa a
cabeça na beira da banheira e ali fica por uma hora.
Sábado de manhã. Sorte que não tem aula. Fernando levantou cedo. Está sentado em
sua cama assistindo um de seus DVDs. Não está nem um pouco afim de sair do
quarto. Mas o telefone toca. É Amanda.
"Bom dia, Amanda".
"Bom dia. Nando, eu preciso de você".
"Pra quê? São onze da manhã".
"Eu sei, mas você lembra que a festa da minha irmã começa às três? E eu preciso
de você para os toques finais".
"Ai! É mesmo! Começa às três. Você vem me pegar daqui a meia-hora?".
"Tá".
Nando toma um banho rápido e já trata de pegar uma boa roupa para a festa. Ele
realmente tinha esquecido o fato da festa ser tão cedo, pois o prédio tem
aquelas regras de poder ter barulho só até as dez. Como o combinado, Amanda
passa na hora certa e eles vão direto para o salão, onde Nando fica besta com o
que vê. Marcelo e Ricardo, que estão super bem vestidos, estão dando os últimos
acertos no som e na decoração. O salão está parecendo uma boate. Com certeza,
Ana vai adorar a surpresa.
Por volta de duas horas da tarde, alguns amigos de Ana começam a chegar e entrar
no salão. A aniversariante está sendo despistada por sua mãe, que usou a
desculpa de levá-la ao cabeleireiro. Os amigos parecem não acabar mais. Não são
nem três horas ainda e já tem mais de 20 pessoas, todos na idade entre 15 e 17
anos, com exceção de algumas pessoas da família de Amanda, como duas primas
delas que tem 20 e uma tia de 34, mas que é tão louca quanto qualquer um dali. A
música já toca, porém bem baixinho para não dar na cara. O sinal que estão
esperando é o telefonema da mãe de Amanda, dona Lucia.
Mais gente começa a chegar, e parece que a lista de convidados está quase
completa. As duas únicas pessoas que estão faltando são dona Lucia e um tal de
Alexandre, que Fernando - que ficou responsável pela parte de receber o pessoal
na porta - não conhece.
"Tudo certo aí, Nando?"
"Tudo certo. Amanda, quem é esse Alexandre?"
"Ai, lembra que eu te falei que tenho um primo que é maravilhoso? É ele".
"Ah... Ta... Ele é gay?"
"Ahahahah!" Amanda ri sarcasticamente. "Em seus sonhos, Nando. Aquele cara é
mais hétero que sei lá o quê".
"Tá, eu só perguntei".
"Mas se você quer um gay, ta vendo aquele moreninho magrinho ali, o Jorge, ele
tem 15 anos, nunca ficou com ninguém e é gay".
"E eu tenho cara de berçário?"
Amanda voltou para junto dos outros enquanto Nando esperava na porta. Então,
finalmente, chegou mais um convidado: Alexandre. Mas ele não está sozinho, está
acompanhado de sua namorada Cecília.
"Oi. Sou o Alexandre, primo da Amanda e da Ana. Essa é a Cecília".
"Oi. Sou o Fernando. Prazer".
Nando aperta a mão do primo de sua amiga, um moreno, baixinho (1,78m de altura),
olhos castanhos, um corpo legalzinho mas meio magro, e uma boca até que bonita,
vestindo apenas uma calça jeans e uma blusa moleton azul.Apesar disso, Nando
sente uma coisa estranha correndo por todo seu corpo. Seus joelhos ficam fracos,
e ele dá uma leve inclinada, pois perde um pouco a força. Alexandre não é tão
lindo quanto Amanda descreveu, mas tem alguma coisa nele que mexeu com Fernando.
Mas mexeu mesmo! Nando está sem ar. Cecília está de mãos estendidas esperando
que ele a cumprimente, mas Nando não tira os olhos do cara. Só volta à Terra
quando Amanda chega, aí sim ele cumprimenta Cecília, a linda loira que o
acompanha - o que deixa não deixa Fernando muito feliz.
Assim que Alexandre entra e junta-se aos outros convidados, Fernando sai do
salão. Logo em seguida, sai Amanda.
"Que foi Nando? Cê tá bem, amigo?".
"Não... Tô... Não... É... Tô. Tô bem".
"Mesmo?"
"Mesmo. Eu só preciso de um pouco de ar".
O celular de Amanda toca. É o sinal que estavam esperando. Eles voltam para o
salão e ficam à espera. A música pára, a iluminação também. Já dá para ver a
sombra das duas se aproximando da porta.
"Que bosta, mãe! Me larga! Eu quero dormir". Grita a irmã de Amanda do outro
lado da porta.
"Deixa eu te mostrar uma coisa?".
Assim que a mãe das meninas abre a porta, as luzes e a música são ligadas e
todos gritam "Surpresa!". Ana fica perplexa. Seus olhinhos enchem de lágrimas ao
ver que todos os seus amigos estão ali e que fizeram uma surpresa tão linda. O
primeiro a se manifestar da turma toda é Gregory, o namorado da garota. Ele anda
até ela com uma caixa na mão e diz:
"Parabéns Ana. Esse é meu presente material".
Eles se abraçam.
"Como assim presente material? Tem presente de outro tipo?".
"Tem. EU TE AMO".
Na hora que o rapaz diz isso, ela o abraça com força e chora emocionada. Todos
batem palmas. A festa começa. A música é de primeira qualidade e deixa todo
mundo animado. Até mesmo Fernando não fica parado e se junta no meio da
"criançada" - como ele se refere aos amigos de Ana.
A festa vai passando e parece ser um arraso. Durante o tempo todo, Nando procura
ficar perto de Alexandre e o seca muito, tentando sempre puxar assunto com ele,
que não desgruda de Cecília. Fernando começa a ficar triste. Não consegue
explicar o que está sentindo. De algum modo, aquele desconhecido mexeu com ele
de um modo que há muito ele não sentia. Vê-lo com aquela menina só deixava
Fernando mais pra baixo, e embora tentasse não demonstrar, as pessoas perceberam
que estava diferente, inclusive Alexandre.
No meio da festa, Fernando sai até a varanda. Ele quer ficar sozinho. Fica
pensando. Não consegue entender o que está acontecendo com ele.
"Fernando? Tudo bem?".
"Amanda?! Oi..."
"Quê foi? Você tá tão pra baixo".
"Nada não. Amanda, tem certeza que seu primo não é gay ou bi ou algo assim?"
"Absoluta. Você não viu a menina linda que tá com ele. Espera... Deixa eu
adivinhar .Você tá afim dele".
"Acho que sim. Desculpa".
"Desculpa do quê? Se liga, Nando. Só que... Meu, na boa, desencana".
"Tá. Me deixa sozinho agora?"
"Como você quiser.... Ah! Daqui a pouco, às nove, a gente vai dar uma volta e
acho que vamos naquele barzinho que cê gosta. Quer? Eu combinei com todo mundo.
O Má e o Ri tão embora agora e vão nos encontrar lá".
"Tá. Pode ser".
Fernando passa mais ou menos uma hora ali fora. Nesse tempo a festa vai rolando
e as pessoas saindo. Para não ficar mais chato, ele volta para aproveitar o
final da festa, mas quando vê só estão ele, Amanda, Alexandre, Cecília e mais
duas amigas de Ana ali. A festa acabou. Como o combinado, eles começam a arrumar
a bagunça. Fernando fica para pegar o lixo do chão. Começa a catar os papéis e
copos plásticos. Alexandre se aproxima com um saco de lixo nas mãos.
"Põe aqui".
Nando se assusta.
"Pode pôr aqui. Sua mão tá bem cheia já"
"Obrigado".
"Você tá bem, cara? Percebi que você até saiu da festa"
"Eu só tô meio cansado".
"Ah tá".
Alexandre sai dali. Fernando respira fundo e continua a pegar as coisas.
Depois de tudo limpo, eles resolvem sair. Amanda e Nando vão no carro de Amanda,
enquanto Alexandre e Cecília vão no Audi do primo de Amanda. Ricardo, Marcelo e
Juca já estão no bar esperando por eles.
Já de humor bem mudado, Fernando começa até a fazer piadas com a galera. Eles
riem de tudo, principalmente de coisas que aconteceram no meio da festa. O
pessoal que bebia já tomou umas então estão mais bestas ainda. Nando, que não
bebe nada, procura sempre estar perto de Alexandre, embora o gatinho não lhe dê
a menor bola e só fique de cochichos com a namoradinha.
O papo rola solto e eles parecem estar se divertindo muito. Por meia-hora Xande
e Cecília somem. Isso deixa Fernando meio mal. O pessoal sacou tudo o que está
acontecendo e tenta animá-lo. Mais tarde, os dois voltam à mesa com a maior cara
de "já terminamos" e sentam-se entrando na conversa. Fernando permanece ali por
mais alguns minutos, até não mais agüentar. Como Amanda e Juca foram dar uma
volta, ele se levanta e diz:
"Pessoa, tô vazando"
"Já, Fer?" Diz Ricardo.
"Já".
"Não vai nem esperar a Amanda? Ela ta com a chave do carro dela e o Juca levou a
chave dele, e como viemos com ele..." Tenta explicar Marcelo.
"Não tem problema. Eu vou a pé".
"Eu te levo, cara. Sem zica". Alexandre se oferece.
"Deixa que eu vou sozinho, obrigado. Minha casa é aqui perto". Recusa, mentindo.
A casa de Nando é a dois quilômetros dali.
"Fica quieto. Eu te levo, bobo. Tá frio".
"Não!" Diz nervoso.
Fernando pega seu casado, vira as costas para a mesa e sai andando em direção a
sua casa. Está muito nervoso. Está muito chateado. A vontade dele era voltar,
aceitar a carona e pronto. Mas tem medo de não agüentar e fazer bobagens... Se
pergunta repetidas vezes "O que está acontecendo comigo?", mas nunca encontra
resposta.
Quatro quarteirões pra frente, numa rua praticamente vazia, Fernando nota faróis
de carro se aproximando. Como é São Paulo, ele nem pensa em virar para ver se é
Alexandre. Logo, percebe o carro diminuindo a velocidade. Sente um frio na
barriga, com medo de que seja um assalto. Mas logo, ouve uma voz familiar:
"Hei!".
Nem pára. Ouve o carro sendo desligado, o barulho do freio de mão e a porta
batendo. Percebe alguém vindo atrás dele.
"Fernando, espera!" Grita Alexandre.
"O que?" Diz Fernando, parando finalmente.
"Qual é, cara? Qual o grilo?"
"Não tem grilo nenhum. Eu to indo pra casa, não tá vendo?!".
"Mas eu já disse pra você que te levava".
"E eu já disse que não precisa, não disse?"
"Você é uma pessoa muito estranha, sabia? O que eu te fiz pra você ser tão
grosso comigo?"
"O que você fez? Nada! Esse é o problema". Retoma a caminhada.
Alexandre fica parado. Mais dois quarteirões na frente, o carro passa novamente,
dessa vez bem devagarinho, sem parar, acompanhando os passos de Nando...
"Entra".
"Deixa quieto, Alexandre".
"Entra, meu!"
Ele pára. Olha pra frente, só escuridão. Olha pra trás, mais escuridão. Está bem
frio. Meio que sem escolha, Nando entra no carro.
"Que sacrifício! Tava difícil, hein?"
"Pois é... Me diz uma coisa, você é sempre assim ou só de vez em quando?"
"Como assim?"
"Há quanto tempo cê tá com a Cecília?"
"Você diz... aquela Cecília?"
"Não. A Maria Joanita!!" Diz bravo.
Alexandre começa a rir.
"Ah! É isso então... Você é bobo eu come bosta? Eu e a Cecília somos a-mi-gos!".

"Ah, claro! E você acha que eu vou acreditar nisso? Eu vi a cara de vocês depois
de vocês desaparecerem por meia-hora".
Xande fica em silêncio e logo depois começa a rir novamente. Fernando não ri,
pelo contrário, está mais sério do que nunca. Pergunta qual o motivo da risada.
Alexandre vai parando o riso devagar.
"Você é muito bobão".
"Quer levar um murro no meio da fuça, é?" Diz, já fechando a mão.
"Acho que quem quer é você. Se liga, cara... Será que você não notou nada não?"
"Não!"
"Ai Deus!".
"Quê?"
"Garoto, se liga: eu to afim de você!"
Fernando não esperava ouvir o que ouviu, embora tivesse fantasiado com aquilo
desde o momento em que Alexandre passou pela porta. Alexandre fica olhando meio
que esperando alguma resposta do rapaz. Agora é Fernando quem ri.
"Acho que você não queria ouvir isso, não é?" Diz.
"Cala a boca, vai!"
Dizendo isso, Fernando puxa Alexandre pela camiseta e dá-lhe um beijo
desesperado. Só de sentir os lábios do outro sobre os seus, Nando quase derrete.
Sente seu coração bater mais forte, suas pernas ficarem mais fracas e começa a
suar frio. Vai beijando Xande desejando que aquele momento nunca mais acabe. As
mãos do gatinho vão até os cabelos de Nando acariciando-os. Ele começa a fazer
carinhos. Nunca ninguém tinha feito isso... Suas mãos agora vão para o rosto de
Nando, acariciando levemente. Alguns carros passam na rua com os faróis ligados.
Alguns engraçadinhos dando buzinadinhas e gritam coisas, outro apenas passam e
olham. Os dois não estão nem aí para os outros. Naquele momento são apenas eles
dois.
O beijo parece ser o beijo mais apaixonado. Eles se abraçam com carinho,
querendo ficar cada vez mais perto um do outro. O celular de Alexandre começa a
tocar. Sem parar o beijo, ele leva a mão até o celular e o desliga, não
permitindo que aquele momento seja interrompido.
Nando está completamente fora de si. Está sem noção, sem rumo. Sente que, de
algum modo, é um vitorioso. Sente como se tivesse conquistado o maior prêmio.
Para ele, aqueles beijos estão significando muito mais do que apenas uma ficada.
Ele, estranhamente, sente coisas que pensou que jamais fosse sentir outra vez.
Mas além de despertar esse estranho quentinho no peito, o gatinho da boca
adocicada deixa-o muito excitado. E parece que é recíproco, pois agora ele pega
a mão de Fernando e leva lentamente até sue membro, que se encontra duro feito
rocha. Nando interrompe o beijo e o fica olhando. Alexandre sorri.
"Posso?"
"O quê?"
"Chupar você".
"Aqui?!"
"É. Aqui".
"No carro? No meio da rua?"
"É".
"Não sei... E se..."
Alexandre interrompe a fala de Fernando dando uma lambida safada nos lábios
dele. Nando se cala, enquanto vê o outro abrindo seu zíper e tirando seu pau
para fora.
"Nossa! Que meninão!". Espanta-se Alexandre.
Sem graça, Fernando dá um sorrisinho e não se mexe. Alexandre abaixa-se e, com
cuidado, vai colocando o pau em sua boca quente. A sensação é incrível! Parece
que aquela boca foi feita exatamente para o membro de Fernando. Assim que ele
começa a chupá-lo, Nando vai à loucura. Ninguém o havia chupado daquela maneira
antes... Seu pau parece crescer cada vez mais naquela boca tão pequena, mas
deliciosa. É um tesão quase incontrolável.
Alexandre fica nessa por um bom tempo. Enquanto chupa, tem seu pau acariciado
pela mão de Nando, que também se espanta com o tamanho da "criança". O clima já
está pegando fogo.
"Ei, gatinho... Pare. Pare". Pede Fernando.
"Que foi? Não gostou?".
"Ao contrário. Eu amei. Tô amando. Mas se você não parar eu vou gozar... E eu
não quero fazer isso. Não agora".
"Você quer ir pra algum lugar?"
"Você quer?"
"Mais do que qualquer coisa".
"Tudo bem. Podemos ir até minha casa".
"Beleza. Mas antes eu posso te dizer uma coisa?"
"Claro. Claro. Mas eu tenho que falar uma coisa antes".
"Fale".
"Você é diferente dos outros. Não sei o que é, mas eu fico extremamente sem
graça com você".
"Bom, era mais ou menos o que eu ia dizer. Tipo assim... Parece que eu te
conheço há séculos. Me sinto tão bem com você".
Fernando fica enrubescido e timidamente diz:
"Eu também. Cara, eu nunca fiquei tão sem graça na frente de alguém! Você é
perigoso, viu?"
"Ahaha. Eu? Perigoso? Não.. Só um pouco.."
Eles se beijam novamente e logo seguem para a casa de Fernando. O tempo todo
ficam de mãos dadas e se olhando com olhares bobos. Percebe-se facilmente o
envolvimento que está rolando entre os dois.
Chegando ao prédio, eles entram no elevador. Como não há câmeras por perto e
eles têm 24 andares para subir até a cobertura - casa de Fernando - aproveitam
para trocarem mais uns beijos intensos e apaixonados. Chegam. Entram em
silêncio. Alexandre fica até sem ar ao ver o "pequeno" apartamento de Nando.
Eles vão até o quarto, fecham a porta. Nando pega uma Coca no frigobar embaixo
da tevê e oferece a Xande, que senta-se na cama.
"Isso tudo é seu?" Pergunta Xande.
Fernando balança a cabeça dizendo que sim.
"Uau! Tô besta".
Nando lhe entrega o copo de Coca e liga o som num volume razoável. Xande dá um
ou dois goles e deixa o copo na mesa de cabeceira. Nando gatinha até a cama e
senta-se no chão, pegando nas mãos de Xande, que as segura com força. Fernando
se ajoelha e fica olhando para seu "ficante". Ele se inclina um pouco e beija a
boca de Nando suavemente. Mas logo esse beijo acaba tornando-se um super beijo,
mas que não dura muito tempo, pois é interrompido por Nando.
"Que foi?"
"Agora é minha vez".
"De quê?"
"Não fale. Apenas sinta".
Fernando bate as mãos uma na outra apagando as luzes de seu quarto. Esticando um
pouco seu braço, ele acende um abajur com uma luz bem fraquinha.
"Nossa!"
"Não fale nada, moço" Pede Nando.
Ele se levanta um pouco e volta a beijar Xande ao mesmo tempo em que começa a
tirar seus sapatos, deixando o gatinho descalço. Ainda beijando-o, vai
desabotoando sua própria camisa, ficando com o dorso nu. Alexandre leva sua mão
até seu peito e fica ainda mais excitado em sentir o corpo gostoso de Nando.
Agora Nando pausa o beijo e tira a blusa de Xande, deixando-o sem camisa. Quem
se espanta agora é Fernando... Apesar de mais magro, Xande tem o corpo todo
definido. Começa a beijar seu peito, sua barriga e vai descendo para fazer algo
que não é de seu costume fazer: chupar o pau de Alexandre. Com cuidado, Nando
tira a calça do gato deixando-o só de cueca na cama. A respiração de Xande fica
mais ofegante. Fernando começa a dar beijos no pau do outro ainda, sobre a
cueca. Lentamente, ele tira a cueca liberando um enorme cacete de 23cm, e
grosso. Se aproxima ainda mais e coloca só a cabeça na boca, começando a
chupá-lo com vontade. Xande solta um gemido.
Apesar de não estar muito acostumado com sexo oral, logo Nando pega o jeito e
começa a chupá-lo com a maior destreza, arrancando vários elogios do moreninho.
Não demora muito para que os dois fiquem deitados no chão num perfeito 69.
Enquanto Alexandre devora o membro de Fernando, este, com dificuldade, tenta
chupar sem se engasgar. Mas os dois não permanecem muito nessa posição.
Agora, Fernando está sobre Xande. Está penetrando nele. Já estão de camisinha e
tudo, e na posição frango assado fazem sexo louco. Não desgrudam a boca e Nando
vai bombeando seu pau no cuzinho apertado de Xande. Ele geme e adora! Nando
delira. Sente as mãos do gatinho acariciando seu rosto, suas costas. Está sendo
uma transa diferente. Nela, Nando está mais preocupado em dar prazer do que
receber, ao contrário do que sempre faz.
Mudam de posição. Para deixar Xande mais confortável, Nando deita-se na cama e o
outro vem por cima, cavalgando lentamente, enquanto se masturba e faz com que o
membro de Nando o penetre cada vez mais. O calor aumenta.
Não demora muito para que os dois explodam o gozo ao mesmo tempo. Enquanto Xande
esporra por todo o peito de Fernando, este enche a camisinha com um porra grossa
e intensa. Deitam-se exaustos.
Depois de um certo tempo, eles se levantam e vão ao banheiro limpar-se. Passam
mais tempo beijando-se do que se lavando. Logo voltam para o quarto e ficam na
cama abraçadinhos e em silêncio.
"Você é lindo, sabia?".
Xande ri. "Eu? Você deve estar meio bêbado".
"Eu não bebo. Tô falando sério".
"Na verdade eu tô me perguntando desde o momento em que te beijei... quer
dizer... que você me beijou, o que você viu em mim. O que foi?".
"Primeiro de tudo... Você é lindo! E depois quando eu te vi eu tremi na base,
fiquei sem ar, passei mal. Isso nunca aconteceu comigo".
"Nunca?!"
"É que eu acho que nunca me apaixonei de verdade".
Xande fica em silêncio por um tempo. Olha fixamente nos olhos de Fernando e diz:

"E nem eu".
Eles se beijam apaixonadamente e logo adormecem do mesmo jeito em que estão.
Pela manhã, Nando acorda mais cedo e, aproveitando que sua família foi para a
casa de sua avó - como fazem todos os Domingos - e prepara um café da manhã bem
farto para seu gatinho.
"Bom dia!" Diz Xande vindo até a cozinha enrolado no lençol.
"Bom dia, gato".
Eles se beijam.
"Dormiu bem?"
"Eu dormi com você".
"E o que isso quer dizer?"
"Eu dormi maravilhosamente bem".
Nando sorri e puxa uma cadeira para Xande, ajudando-o a sentar-se. Puxa também
uma cadeira e senta-se ao seu lado.
"Nossa! Você quem preparou tudo isso?"
"Foi. Espero que goste".
Depois desse farto café da manhã, Fernando leva Alexandre até sua casa para que
possa trocar de roupa. Já têm planos para o dia inteiro, e os cumprem
direitinho. Só naquele Domingo eles foram passear no shopping, no parque
Ibirapuera, comer no Habib's... Para terminar o dia, o programa foi bem simples:
uma seção de vídeo na casa de Amanda.
"Oi gente! Vocês sumiram ontem" Diz Amanda convidando-os para entrar.
"Oi Juca".
"Oi Fernando. Oi Alexandre. Onde vocês foram?"
"Bom... A tia Lucia tá aí, Mani?" Pergunta Alexandre.
"Não, Xande. Por quê?"
"É que... Bom, eu e o Fernando passamos uma noite maravilhosa... juntos... na
casa dele e eu não queria que ela ficasse sabendo".
Amanda pára e fica boquiaberta".
"Gente, tô boba. Você também é? Ah Xande! Por que você nunca me disse, meu?"
"Eu nunca tive a chance, Amanda. Mas agora..."
"Agora ele tá comigo, que sou seu amigo e ele pode dizer" Diz Fernando.
"Gente, que legal! Ai que tudo! Tô feliz. Mas vocês estão namorando?".
Silêncio total. Eles se entreolham, mas não sabem o que responder.
"Então, gente, vamos ver um filme?" Diz Juca quebrando o silêncio.
Durante toda a tarde o pessoal fica vendo alguns filmes que foram locados.
Fernando não queria que o tempo passasse, pois ele sabe que pela manhã Xande
terá que ir embora para o Rio de Janeiro - visto que ele veio apenas para
visitar Ana. As horas vão passando e Nando vai ficando cada vez mais triste,
pois sente que dessa vez ele encontrou uma pessoa diferente de todas as outras
com quem tinha se relacionado... Dessa vez ele sente que as coisas mudaram.
Claro, estranha um pouco, afinal já tem um bom tempo que não sabe o que é se
apaixonar.
Dez horas da noite. Alexandre e Fernando estão dentro do carro, bem em frente ao
prédio de Nando. Eles se olham. Nando segura bem forte as mãos de Xande...
"Quando eu vou te ver?" Pergunta.
"Não sei, Fê. Não tenho previsão de volta".
"Por quê?"
"Não sei. Por que, você tinha planos?"
Nando fica quieto por alguns instantes, sentindo uma dorzinha no coração.
"Só imaginei que...".
"Que talvez a gente pudesse ter um namoro?"
"É..."
"Você não acha que tá muito cedo pra isso?".
"Não sei. Eu só sei que eu quero muito te ver logo".
"Calma, moço. Vamos com calma nisso".
Por um momento, Nando se sente que perdeu uma grande chance. Porém, logo lhe vem
à memória um pequeno detalhe...
"Ei! Já sei!"
"Nossa... Calma. Que foi?"
"Eu já sei. No final de semana que vem eu tô indo pro Rio fazer uns trabalhos
para a Slam. A gente vai fazer umas fotos por lá. Vai ser na Quinta-feira, e vai
acabar pegando a Sexta. O que você acha de eu passar o final de semana contigo?"

"Tudo! Eu acho tudo de bom! Agora... é melhor você subir, gatinho".
"Você não vai subir?"
"Não. Prefiro ficar por aqui..."
"Até parece. Eu te levo".
"Não precisa. Eu combinei com a Amanda e ela já vem vindo".
"Mesmo? Eu te levo, na boa..."
"Pode deixar. Sobe que o povo deve estar te esperando. Depois eu te ligo,
gatinho".
Eles se beijam apaixonadamente se despedindo. Algo dentro de Fernando o diz que
aquela história ainda vai muito longe. Ele sabe, de algum modo, que o sentimento
é recíproco e que o que sente por Alexandre não é apenas uma simples atração.
Atração ele já sentiu por muitos outros... Mas Alexandre o pega em outro
sentido. Ele se sente completamente enfeitiçado apenas com sua presença. É
paixão. E ele sabe que pode virar amor. E quer que vire amor. Talvez, um trauma superado.

Fim













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José de Alencar







CINCO MINUTOS




Texto proveniente de:
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A Escola do Futuro da Universidade de São Paulo
Permitido o uso apenas para fins educacionais.

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Texto scanneado e passado por processo de reconhecimento óptico de caracteres (OCR) por Renato Lima <rlima@elogica.com.br>, graças a doação a partir da Cognitive Software do seu excelente Cuneiform <http://www.orcr.com>.

Este material pode ser redistribuído livremente, desde que não seja alterado, e que as informações acima sejam mantidas. Para maiores informações, escreva para <bibvirt@futuro.usp.br>.

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SINOPSE

No ônibus, ele tocou sem querer a mão de sua vizinha. E a surpresa: não houve resistência ao seu gosto. Do rosto oculto por um véu, nada se conseguia ver. Quem seria aquela misteriosa mulher? Depois do encontro, ainda ressoavam em sua memória as últimas palavras de moça: "Não te esqueças de mim". Até que um dia, num baile...

Cinco Minutos
José de Alencar

A D...

I

É uma história curiosa a que lhe vou contar, minha prima. Mas é uma história e não um romance.
Há mais de dois anos, seriam seis horas da tarde, dirigime ao Rocio para tomar o ônibus de Andaraí.
Sabe que sou o homem menos pontual que há neste mundo; entre os meus imensos defeitos e as minhas poucas qualidades, não conto a pontualidade, essa virtude dos reis e esse mau costume dos ingleses.
Entusiasta da liberdade, não posso admitir de modo algum que um homem se escravize ao seu relógio e regule as suas ações pelo movimento de uma pequena agulha de aço ou pelas oscilações de uma pêndula.
Tudo isto quer dizer que, chegando ao Rocio, não vi mais ônibus algum ; o empregado a quem me dirigi respondeu :
— Partiu há cinco minutos.
Resigneime e esperei pelo ônibus de sete horas. Anoiteceu.
Fazia uma noite de inverno fresca e úmida; o céu estava calmo, mas sem estrelas.
A hora marcada chegou o ônibus e apresseime a ir tomar o meu lugar.
Procurei, como costumo, o fundo do carro, a fim de ficar livre das conversas monótonas dos recebedores, que de ordinário têm sempre uma anedota insípida a contar ou uma queixa a fazer sobre o mau estado dos caminhos.
O canto já estava ocupado por um monte de sedas, que deixou escaparse um ligeiro farfalhar, conchegandose para darme lugar.
Senteime; prefiro sempre o contato da seda à vizinhança da casimira ou do pano.
O meu primeiro cuidado foi ver se conseguia descobrir o rosto e as formas que se escondiam nessas nuvens de seda e de rendas.
Era impossível.
Além de a noite estar escura, um maldito véu que caía de um chapeuzinho de palha não me deixava a menor esperança.
Resigneime e assentei que o melhor era cuidar de outra coisa.
Já o meu pensamento tinhase lançado a galope pelo mundo da fantasia, quando de repente fui obrigado a voltar por uma circunstância bem simples.
Senti no meu braço o contato suave de um outro braço, que me parecia macio e aveludado como uma folha de rosa.
Quis recuar, mas não tive ânimo; deixeime ficar na mesma posição e cismei que estava sentado perto de uma mulher que me amava e que se apoiava sobre mim.
Pouco a pouco fui cedendo àquela atração irresistível e reclinandome insensivelmente; a pressão tornouse mais forte; senti o seu ombro tocar de leve o meu peito; e a minha mão impaciente encontrou uma mãozinha delicada e mimosa, que se deixou apertar a medo.
Assim, fascinado ao mesmo tempo pela minha ilusão e por este contato voluptuoso, esquecime, a ponto que, sem saber o que fazia, inclinei a cabeça e colei os meus lábios ardentes nesse ombro, que estremecia de emoção.
Ela soltou um grito, que foi tomado naturalmente como susto causado pelos solavancos do ônibus, e refugiouse no canto.
Meio arrependido do que tinha feito, volteime como para olhar pela portinhola do carro, e, aproximandome dela, disselhe quase ao ouvido :
— Perdão!
Não respondeu; conchegouse ainda mais ao canto.
Tomei uma resolução heróica.
— Vou descer, não a incomodarei mais.
Ditas estas palavras rapidamente, de modo que só ela ouvisse, inclineime para mandar parar.
Mas senti outra vez a sua mãozinha, que apertava docemente a minha, como para impedirme de sair.
Está entendido que não resisti e que me deixei ficar; ela conservavase sempre longe de mim, mas tinhame abandonado a mão, que eu beijava respeitosamente.
De repente veiome uma idéia. Se fosse feia! se fosse velha! se fosse uma e outra coisa!
Fiquei frio e comecei a refletir.
Esta mulher, que sem me conhecer me permitia o que só se permite ao homem que se ama, não podia deixar com efeito de ser feia e muito feia.
Não lhe sendo fácil achar um namorado de dia, ao menos agarravase a este, que de noite e às cegas lhe proporcionara o acaso.
É verdade que essa mão delicada, essa espádua aveludada... Ilusão! Era a disposição em que eu estava!
A imaginação é capaz de maiores esforços ainda.
Nesta marcha, o meu espírito em alguns instantes tinha chegado a uma convicção inabalável sobre a fealdade de minha vizinha.
Para adquirir a certeza renovei o exame que tentara a princípio: porém, ainda desta vez, foi baldado; estava tão bem envolvida no seu mantelete e no seu véu, que nem um traço do rosto traía o seu incógnito.
Mais uma prova! Uma mulher bonita deixase admirar e não se esconde como uma pérola dentro da sua ostra.
Decididamente era feia, enormemente feia!
Nisto ela fez um movimento, entreabrindo o seu mantelete, e um bafejo suave de aroma de sândalo exalouse.
Aspirei voluptuosamente essa onda de perfume, que se infiltrou em minha alma como um eflúvio celeste.
Não se admire, minha prima; tenho uma teoria a respeito dos perfumes.
A mulher é uma flor que se estuda, como a flor do campo, pelas suas cores, pelas suas folhas e sobretudo pelo seu perfume.
Dada a cor predileta de uma mulher desconhecida, o seu modo de trajar e o seu perfume favorito, vou descobrir com a mesma exatidão de um problema algébrico se ela é bonita ou feia.
De todos estes indícios, porém, o mais seguro é o perfume; e isto por um segredo da natureza, por uma lei misteriosa da criação, que não sei explicar.
Por que é que Deus deu o aroma mais delicado à rosa, ao heliotrópio, à violeta, ao jasmim, e não a essas flores sem graça e sem beleza, que só servem para realçar as suas irmãs?
É decerto por esta mesma razão que Deus só dá à mulher linda esse tato delicado e sutil, esse gosto apurado, que sabe distinguir o aroma mais perfeito...
Já vê, minha prima, porque esse odor de sândalo foi para mim como uma revelação.
Só uma mulher distinta, uma mulher de sentimento, sabe compreender toda a poesia desse perfume oriental, desse hatchiss do olfato, que nos embala nos sonhos brilhantes das Mil e uma Noites (1), que nos fala da Índia, da China, da Pérsia, dos esplendores da Ásia e dos mistérios do berço do sol.
O sândalo é o perfume das odaliscas de Stambul e das huris do profeta; como as borboletas que se alimentam de mel, a mulher do Oriente vive com as gotas dessa essência divina.
_________________
(1) Mil e uma Noites: coleção de contos da Literatura Oriental, estruturados da seguinte forma: diz a lenda que o Rei Shahryar, descobrindo que uma mulher lhe fora infiel, mata-a, bem como a todas as outras que lhe servem de esposa. Uma delas, entretanto, Sherezade, concebe um plano para escapar da morte: todas as noites conta ao rei metade de uma estória. Curioso por saber seu final, o soberano vai indefinidamente adiando a execução de Sherezade que, assim, salva sua vida. Os contos de Mil e uma Noites reproduzem as estórias que Sherezade contou ao rei.
Seu berço é de sândalo ; seus colares, suas pulseiras, o seu leque, são de sândalo; e, quando a morte vem quebrar o fio dessa existência feliz, é ainda em uma urna de sândalo que o amor guarda as suas cinzas queridas.
Tudo isto me passou pelo pensamento como um sonho, enquanto eu aspirava ardentemente essa exalação fascinadora, que foi a pouco e pouco desvanecendose.
Era bela!
Tinha toda a certeza; desta vez era uma convicção profunda e inabalável.
Com efeito, uma mulher de distinção, uma mulher de alma elevada, se fosse feia, não dava sua mão a beijar a um homem que podia repelila quando a conhecesse; não se expunha ao escárnio e ao desprezo.
Era bela!
Mas não a podia ver, por mais esforços que fizesse.
O ônibus parou; uma outra senhora ergueuse e saiu.
Senti a sua mão apertar a minha mais estreitamente; vi uma sombra passar diante de meus olhos no meio do rugeruge de um vestido, e quando dei acordo de mim, o carro rodava e eu tinha perdido a minha visão.
Ressoavame ainda ao ouvido uma palavra murmurada, ou antes suspirada quase imperceptivelmente:
— Non ti scordar di me! (1)...
Lanceime fora do ônibus; caminhei à direita e à esquerda; andei como um louco até nove horas da noite.
Nada!




II

QUINZE dias se passaram depois de minha aventura.
Durante este tempo é escusado dizerlhe as extravagâncias que fiz.
Fui todos os dias a Andaraí no ônibus das sete horas, para ver se encontrava a minha desconhecida; indaguei de todos os passageiros se a conheciam e não obtive a menor informação.
Estava a braços com uma paixão, minha prima, e com uma paixão de primeira força e de alta pressão, capaz de fazer vinte milhas por hora.
Quando saía, não via ao longe um vestido de seda preta e um chapéu de palha que não lhe desse caça, até fazêlo chegar à abordagem.
_____________
(1) "Non ti scordar di me!" — Não te esqueças de mim!: verso extraído da ópera Il Trovatore, composta por G. Verdi em 1853.
No fim descobria alguma velha ou alguma costureira desjeitosa e continuava tristemente o meu caminho, atrás dessa sombra impalpável, que eu procurava havia quinze longos dias, isto é, um século para o pensamento de um amante.
Um dia estava em um baile, triste e pensativo, como um homem que ama uma mulher e que não conhece a mulher que ama.
Recosteime a uma porta e dai via passar diante de mim uma miríade brilhante e esplêndida, pedindo a todos aqueles rostos indiferentes um olhar, um sorriso, que me desse a conhecer aquela que eu procurava.
Assim preocupado, quase não dava fé do que se passava junto de mim, quando senti um leque tocar meu braço, e uma voz que vivia no meu coração, uma voz que cantava dentro de minha alma, murmurou :
— Non ti scordar di me!...
Volteime.
Corri um olhar pelas pessoas que estavam junto de mim, e apenas vi uma velha que passeava pelo braço de seu cavalheiro, abanandose com um leque.
— Será ela, meu Deus? pensei horrorizado
E, por mais que fizesse, os meus olhos não se podiam destacar daquele rosto cheio de rugas.
A velha tinha uma expressão de bondade e de sentimento que devia atrair a simpatia; mas naquele momento essa beleza moral, que iluminava aquela fisionomia inteligente, pareceume horrível e até repugnante.
Amar quinze dias uma sombra, sonhála bela como um anjo, e por fim encontrar uma velha de cabelos brancos, uma velha coquette e namoradeira!
Não, era impossível! Naturalmente a minha desconhecida tinha fugido antes que eu tivesse tempo de vêla.
Essa esperança consoloume ; mas durou apenas um segundo.
A velha falou e na sua voz eu reconheci, apesar de tudo, apesar de mim mesmo, o timbre doce e aveludado que ouvira duas vezes.
Em face da evidência não havia mais que duvidar. Eu tinha amado uma velha, tinha beijado a sua mão enrugada com delírio, tinha vivido quinze dias de sua lembrança.
Era para fazerme enlouquecer ou rir; não me ri nem enlouqueci, mas fiquei com um tal tédio e um aborrecimento de mim mesmo que não posso exprimir.
Que peripécias, que lances, porém, não me reservava ainda esse drama, tão simples e obscuro!
Não distingui as primeiras palavras da velha logo que ouvi a sua voz; foi só passado o primeiro espanto que percebi o que dizia.
— Ela não gosta de bailes.
— Pois admira, replicou o cavalheiro ; na sua idade!
— Que quer! não acha prazer nestas festas ruidosas e nisto mostra bem que é minha filha.
A velha tinha uma filha e isto podia explicar a semelhança extraordinária da voz. Agarreime a esta sombra, como um homem que caminha no escuro.
Resolvime a seguir a velha toda à noite, até que ela se encontrasse com sua filha : desde este momento era o meu fanal, a minha estrela polar.
A senhora e o seu cavalheiro entraram na saleta da escada. Separado dela um instante pela multidão, ia seguila.
Nisto ouço uma voz alegre dizer da saleta:
— Vamos, mamã!
Corri, e apenas tive tempo de perceber os folhos de um vestido preto, envolto num largo burnous (1) de seda branca, que desapareceu ligeiramente na escada.
Atravessei a saleta tão depressa como me permitiu a multidão, e, pisando calos, dando encontrões à direita e à esquerda, cheguei enfim à porta da saída,
O meu vestido preto sumiuse pela portinhola de um cupê, que partiu a trote largo.
Voltei ao baile desanimado; a minha única esperança era a velha; por ela podia tomar informações, saber quem era a minha desconhecida, indagar o seu nome e a sua morada, acabar enfim com este enigma, que me matava de emoções violentas e contrárias.
Indaguei dela.
Mas como era possível designar uma velha da qual eu só sabia pouco mais ou menos a idade?
Todos os meus amigos tinham visto muitas velhas, porém não tinham olhado para elas.
Retireime triste e abatido, como um homem que se vê em luta contra o impossível.
De duas vezes que a minha visão me tinha aparecido, só me restavam uma lembrança, um perfume e uma palavra!
Nem sequer um nome!
A todo momento pareciame ouvir na brisa da noite essa frase do Trovador, tão cheia de melancolia e de sentimento, que resumia para mim toda uma história.
Desde então não se representava uma só vez esta ópera que eu não fosse ao teatro, ao menos para ter o prazer de ouvila repetir.
A princípio, por uma intuição natural, julguei que ela devia, como eu, admirar essa sublime harmonia de Verdi, que devia também ir sempre ao teatro.
O meu binóculo examinava todos os camarotes com uma atenção meticulosa; via moças bonitas ou feias, mas nenhuma delas me fazia palpitar o coração.
_____________________
(1) burnous: agasalho muito amplo, semelhante à vestimenta usada pelos árabes.
Entrando uma vez no teatro e passando a minha revista costumada, descobri finalmente na terceira ordem sua mãe, a minha estrela, o fio de Ariadne (1) que me podia guiar neste labirinto de dúvidas.
A velha estava só, na frente do camarote, e de vez em quando voltavase para trocar uma palavra com alguém sentado no fundo.
Senti uma alegria inefável.
O camarote próximo estava vazio; perdi quase todo o espetáculo a procurar o cambista incumbido de vendêlo. Por fim acheio e subi de um pulo as três escadas.
O coração queria saltarme quando abri a porta do camarote e entrei.
Não me tinha enganado; junto da velha vi um chapeuzinho de palha com um véu preto rocegado, que não me deixava ver o rosto da pessoa a quem pertencia.
Mas eu tinha adivinhado que era ela; e sentia um prazer indefinível em olhar aquelas rendas e fitas, que me impediam de conhecêla, mas que ao menos lhe pertenciam.
Uma das fitas do chapéu tinha caído do lado do meu camarote, e, em risco de ser visto, não pude susterme e beijeia a furto.
Representavase a Traviata (2) e era o último ato; o espetáculo ia acabar, e eu ficaria no mesmo estado de incerteza.
Arrastei as cadeiras do camarote, tossi, deixei cair o binóculo, fiz um barulho insuportável, para ver se ela voltava o rosto.
A platéia pediu silêncio; todos os olhos procuraram conhecer a causa. do rumor; porém ela não se moveu; com a cabeça meio inclinada sobre a coluna, em uma lânguida inflexão, parecia toda entregue ao encanto da música.
Tomei um partido.
Encosteime à mesma coluna e, em voz baixa, balbuciei estas palavras :
— Não me esqueço!
Estremeceu e, baixando rapidamente o véu, conchegou ainda mais o largo burnous de cetim branco.
Cuidei que ia voltarse, mas enganeime ; esperei muito tempo, e debalde.
Tive então um movimento de despeito e quase de raiva; depois de um mês que eu amava sem esperança, que eu guardava a maior fidelidade à sua sombra, ela me recebia friamente.
Revolteime.
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(1) Fio de Ariadne: com esta expressão, Alencar indica que a mãe da moça servia de pista para o encontro da filha. A metáfora origina-se na Mitologia grega, onde Ariadne fornece a Teseu um fio de jóias com o qual o herói escapa do labirinto do Minotauro.

(2) Traviata: opera composta em 1853 por G. Verdi, compositor italiano que, nesta peça, adaptou para o palco o romance de Alexandre Dumas Filho A Dama das Camélias.

— Compreendo agora, disse eu em voz baixa e como falando a um amigo que estivesse a meu lado, compreendo por que ela me foge, por que conserva esse mistério ; tudo isto não passa de uma zombaria cruel, de uma comédia, em que eu faço o papel de amante ridículo. Realmente é uma lembrança engenhosa! Lançar em um coração o germe de um amor profundo ; alimentálo de tempos a tempos com uma palavra, excitar a imaginação pelo mistério; e depois, quando esse namorado de uma sombra, de um sonho, de uma ilusão, passear pelo salão a sua figura triste e abatida, mostrálo a suas amigas como uma vítima imolada aos seus caprichos e escarnecer do louco! É espirituoso! O orgulho da mais vaidosa mulher deve ficar satisfeito!
Enquanto eu proferia estas palavras, repassadas de todo o fel que tinha no coração, a Charton (1) modulava com a sua voz sentimental essa linda ária final da Traviata, interrompida por ligeiros acessos de uma tosse seca.
Ela tinha curvado a cabeça e não sei se ouvia o que eu lhe dizia ou o que a Charton cantava; de vez em quando as suas espáduas se agitavam com um tremor convulsivo, que eu tomei injustamente por um movimento de impaciência.
O espetáculo terminou, as pessoas do camarote saíram e ela, levantando sobre o chapéu o capuz de seu manto, acompanhouas lentamente.
Depois, fingindo que se tinha esquecido de alguma coisa, tornou a entrar no camarote e estendeume a mão.
— Não saberá nunca o que me fez sofrer, disseme com a voz trêmula.
Não pude verlhe o rosto; fugiu, deixandome o seu lenço impregnado desse mesmo perfume de sândalo e todo molhado de lágrimas ainda quentes.
Quis seguila; mas ela fez um gesto tão suplicante que não tive ânimo de desobedecerlhe.
Estava como dantes; não a conhecia, não sabia nada a seu respeito; porém ao menos possuía alguma coisa dela; o seu lenço era para mim uma relíquia sagrada.
Mas as lágrimas? Aquele sofrimento de que ela falava? O que queria dizer tudo isto?
Não compreendia; se eu tinha sido injusto, era uma razão para não continuar a esconderse de mim. Que queria dizer este mistério, que parecia obrigada a conservar?
Todas estas perguntas e as conjeturas a que elas davam lugar não me deixaram dormir.
Passei uma noite de vigília a fazer suposições, cada qual mais desarrazoada.

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(1) Charton: cantora lírica do século passado que, na apresentação da Traviata, representava a personagem feminina central, a cortesã Marguerite Gautier, acometida de tuberculose.


III

RECOLHENDOME no dia seguinte, achei em casa uma carta.
Antes de abrila conheci que era dela, porque lhe tinha imprimido esse suave perfume que a cercava como uma auréola.
Eis o que dizia :
"Julga mal de mim, meu amigo ; nenhuma mulher pode escarnecer de um nobre coração como o seu.
Se me oculto, se fujo, é porque há uma fatalidade que a isto me obriga. E só Deus sabe quanto me custa este sacrifício, porque o amo!
Mas não devo ser egoísta e trocar sua felicidade por um amor desgraçado.
Esqueçame."
Reli não sei quantas vezes esta carta, e, apesar da delicadeza de sentimento que parecia ter ditado suas palavras, o que para mim se tornava bem claro é que ela continuava a fugirme.
Essa assinatura era a mesma letra que marcava o seu lenço e à qual eu, desde a véspera, pedia debalde um nome!
Fosse qual fosse esse motivo que ela chamava uma fatalidade e que eu supunha ser apenas escrúpulo, senão uma zombaria, o melhor era aceitar o seu conselho e fazer por esquecêla.
Refleti então friamente sobre a extravagância da minha paixão e assentei que com efeito precisava tomar uma resolução decidida.
Não era possível que continuasse a correr atrás de um fantasma que se esvaecia quando ia tocálo.
Aos grandes males os grandes remédios, como diz Hipócrates (1). Resolvi fazer uma viagem.
Mandei selar o meu cavalo, meti alguma roupa em um saco de viagem, embrulheime no meu capote e saí, sem me importar com a manhã de chuva que fazia.
Não sabia para onde iria. O meu cavalo levoume para o EngenhoVelho e eu daí me encaminhei para a Tijuca, onde cheguei ao meiodia, todo molhado e fatigado pelos maus caminhos.
Se algum dia se apaixonar, minha prima, aconselholhe as viagens como um remédio soberano e talvez o único eficaz.
Deramme um excelente almoço no hotel; fumei um charuto e dormi doze horas, sem ter um sonho, sem mudar de lugar.
_________________
(1) Hipócrates: personagem grego considerado "Pai da Medicina" pela quantidade e qualidade dos escritos que deixou sobre a arte médica.
Quando acordei, o dia despontava sobre as montanhas da Tijuca.
Uma bela manhã, fresca e rociada das gotas de orvalho, desdobrava o seu manto de azul por entre a cerração, que se desvanecia aos raios do sol.
O aspecto desta natureza quase virgem, esse céu brilhante, essa luz esplêndida, caindo em cascatas de ouro sobre as encostas dos rochedos, serenoume completamente o espírito.
Fiquei alegre, o que havia muito tempo não me sucedia.
O meu hóspede, um inglês franco e cavalheiro, convidoume para acompanhálo à caça; gastamos todo o dia a correr atrás de duas ou três marrecas e a bater as margens da Restinga.
Assim passei nove dias na Tijuca, vivendo uma vida estúpida quanto pode ser: dormindo, caçando e jogando bilhar.
Na tarde do décimo dia, quando já me supunha perfeitamente curado e estava contemplando o sol, que se escondia por detrás dos montes, e a lua, que derramava no espaço a sua luz doce e acetinada, fiquei triste de repente.
Não sei que caminho tomavam as minhas idéias; o caso é que daí a pouco descia a serra no meu cavalo, lamentando esses nove dias, que talvez me tivessem feito perder para sempre a minha desconhecida.
Acusavame de infidelidade, de traição; a minha fatuidade diziame que eu devia ao menos terlhe dado o prazer de verme.
Que importava que ela me ordenasse que a esquecesse? Não me tinha confessado que me amava, e não devia eu resistir e vencer essa fatalidade, contra a qual ela, fraca mulher, não podia lutar?
Tinha vergonha de mim mesmo; achava-me egoísta, covarde, irrefletido, e revoltavame contra tudo, contra o meu cavalo que me levara à Tijuca, e o meu hóspede, cuja amabilidade ali me havia demorado.
Com esta disposição de espírito cheguei à cidade, mudei de traje e ia sair, quando o meu moleque me deu uma carta.
Era dela.
Causoume uma surpresa misturada de alegria e de remorso :

"Meu amigo.
Sintome com coragem de sacrificar o meu amor à sua felicidade; mas ao menos deixeme o consolo de amálo.
Há dois dias que espero debalde vêlo passar e acompanhálo de longe com um olhar! Não me queixo; não sabe nem deve saber em que ponto de seu caminho o som de seus passos faz palpitar um coração amigo.
Parto hoje para Petrópolis, donde voltarei breve; não lhe peço que me acompanhe, porque devo serlhe sempre uma desconhecida, uma sombra escura que passou um dia pelos sonhos dourados de sua vida.
Entretanto eu desejava vêlo ainda uma vez, apertar a sua mão e dizerlhe adeus para sempre."

"C."

A carta tinha a data de 3; nós estávamos a 10; havia oito dias que ela partira para Petrópolis e que me esperava.
No dia seguinte embarquei na Prainha e fiz essa viagem da baía, tão pitoresca, tão agradável e ainda tão pouco apreciada.
Mas então a majestade dessas montanhas de granito, a poesia desse vasto seio de mar, sempre alisado como um espelho, os grupos de ilhotas graciosas que bordam a baía, nada disto me preocupava.
Só tinha uma idéia... chegar; e o vapor caminhava menos rápido do que meu pensamento.
Durante a viagem pensava nessa circunstância que a sua carta me revelara, e faziame por lembrar de todas as ruas por onde costumava passar, para ver se adivinhava aquela onde ela morava e donde todos os dias me via sem que eu suspeitasse.
Para um homem como eu, que andava todo o dia desde a manhã até a noite, a ponto de merecer que a senhora, minha prima, me apelidasse de Judeu Errante, este trabalho era improfícuo.
Quando cheguei a Petrópolis, eram cinco horas da tarde; estava quase noite.
Entrei nesse hotel suíço, ao qual nunca mais voltei, e enquanto me serviam um magro jantar, que era o meu almoço, tomei informações.
— Têm subido estes dias muitas famílias? perguntei eu ao criado.
— Não, senhor.
— Mas, há coisa de oito dias não vieram da cidade duas senhoras?
— Não estou certo.
— Pois indague, que preciso saber e já ; isto o ajudará a obter informações.
A fisionomia sisuda do criado expandiuse ao tinir da moeda e a língua adquiriu a sua elasticidade natural.
— Talvez o senhor queira falar de uma senhora já idosa que veio acompanhada de sua filha?
— É isso mesmo.
— A moça pareceme doente; nunca a vejo sair.
— Onde está morando?
— Aqui perto, na rua de...
— Não conheço as ruas de Petrópolis; o melhor é acompanharme e vir mostrarme a casa,
— Sim senhor.
O criado seguiume e tomamos por uma das ruas agrestes da cidade alemã.




IV

A noite estava escura.
Era uma dessas noites de Petrópolis, envoltas em nevoeiro e cerração.
Caminhávamos mais pelo tato do que pela vista, dificilmente distinguíamos os objetos a uma pequena distância; e muitas vezes, quando o meu guia se apressava, o seu vulto perdiase nas trevas.
Em alguns minutos chegamos em face de um pequeno edifício construído a alguns passos do alinhamento, e cujas janelas estavam esclarecidas por uma luz interior.
É ali.
— Obrigado.
O criado voltou e eu fiquei junto dessa casa, sem saber o que ia fazer.
A idéia de que estava perto dela, que via a luz que a esclarecia, que tocava a relva que ela pisara, faziame feliz.
É coisa singular, minha prima! O amor que é insaciável e exigente e não se satisfaz com tudo quanto uma mulher pode dar, que deseja o impossível, às vezes contentase com um simples gozo d'alma, com uma dessas emoções delicadas, com um desses nadas, dos quais o coração faz um mundo novo e desconhecido.
Não pense, porém, que eu fui a Petrópolis só para contemplar com enlevo as janelas de um chalé; não; ao passo que sentia esse prazer, refletia no meio de vêla e falarlhe.
Mas como?...
Se soubesse todos os expedientes, cada qual mais extravagante, que inventou a minha imaginação! Se visse a elaboração tenaz a que se entregava o meu espírito para descobrir um meio de dizerlhe que eu estava ali e a esperava!
Por fim achei um; se não era o melhor, era o mais pronto.
Desde que chegara, tinha ouvido uns prelúdios de piano, mas tão débeis que pareciam antes tirados por uma mão distraída que roçava o teclado, do que por uma pessoa que tocasse.
Isto me fez lembrar que ao meu amor se prendia a recordação de uma bela música de Verdi; e foi quanto bastou.
Cantei, minha prima, ou antes assassinei aquela linda romanza; os que me ouvissem tomarmeiam por algum furioso; mas ela me compreenderia.
E de fato, quando eu acabei de estropiar esse trecho magnífico de harmonia e sentimento, o piano, que havia emudecido, soltou um trilo brilhante e sonoro, que acordou os ecos adormecidos no silêncio da noite.
Depois daquela cascata de sons majestosos, que se precipitavam em ondas de harmonia do seio daquele turbilhão de notas que se cruzavam, deslizou plangente, suave e melancólica uma voz que sentia e palpitava, exprimindo todo o amor que respira a melodia sublime de Verdi.
Era ela que cantava!
Oh! não posso pintarlhe, minha prima, a expressão profundamente triste, a angústia de que ela repassou aquela frase de despedida :
Non ti scordar di me.
Addio!...

Partiame a alma.
Apenas acabou de cantar, vi desenharse uma sombra em uma das janelas; saltei a grade do jardim; mas as venezianas descidas não me permitiam ver o que se passava na sala.
Senteime sobre uma pedra e esperei.
Não se ria, D... ; estava resolvido a passar ali a noite ao relento, olhando para aquela casa e alimentando a esperança de que ela viria ao menos com uma palavra compensar o meu sacrifício.
Não me enganei.
Havia meia hora que a luz da sala tinha desaparecido e que toda a casa parecia dormir, quando se abriu uma das portas do jardim e eu vi ou antes pressenti a sua sombra na sala.
Recebeume com surpresa, sem temor, naturalmente, e como se eu fosse seu irmão ou seu marido. É porque o amor puro tem bastante delicadeza e bastante confiança para dispensar o falso pejo, o pudor de convenção de que às vezes costumam cercálo.
— Eu sabia que sempre havias de vir, disseme ela.
— Oh! não me culpes! se soubesses!
— Eu culparte? Quando mesmo não viesses, não tinha o direito de queixarme.
— Por que não me amas!
— Pensas isto? disseme com uma voz cheia de lágrimas.
— Não! não!... Perdoa!
— Perdôote, meu amigo, como já te perdoei uma vez; julgas que te fujo, que me oculto de ti, porque não te amo e, entretanto, não sabes que a maior felicidade para mim seria poder darte a minha vida.
— Mas então por que esse mistério?
— Esse mistério, bem sabes, não é uma coisa criada por mim e sim pelo acaso ; se o conservo, é porque, meu amigo..., tu não me deves amar.
— Não te devo amar! Mas eu amote!...
Ela recostou a cabeça ao meu ombro e eu senti uma lágrima cair sobre meu seio.
Estava tão perturbado, tão comovido dessa situação incompreensível, que me senti vacilar e deixeime cair sobre o sofá.
Ela sentouse junto de mim; e, tomandome as duas mãos, disseme um pouco mais calma:
— Tu dizes que me amas!
— Jurote!
— Não te iludes talvez?
— Se a vida não é uma ilusão, respondi, penso que não, porque a minha vida agora és tu, ou antes, a tua sombra.
— Muitas vezes tomase um capricho por amor; tu não conheces de mim, como dizes, senão a minha sombra!...
— Que me importa? ..
— E se eu fosse feia? disse ela, rindo.
— Tu és bela como um anjo! Tenho toda a certeza.
— Quem sabe?
— Pois bem; convenceme, disse eu, passandolhe o braço pela cintura e procurando levála para uma sala vizinha, donde filtravam os raios de uma luz.
Ela desprendeuse do meu braço.
A sua voz tornouse grave e triste.
— Escuta, meu amigo ; falemos seriamente. Tu dizes que me amas ; eu o creio, eu o sabia antes mesmo que me dissesses. As almas como as nossas quando se encontram, se reconhecem e se compreendem. Mas ainda é tempo; não julgas que mais vale conservar uma doce recordação do que entregarse a um amor sem esperança e sem futuro?...
— Não, mil vezes não! Não entendo o que queres dizer; o meu amor, o meu, não precisa de futuro e de esperança, porque o tem em si, porque viverá sempre!...
— Eis o que eu temia; e, entretanto, eu sabia que assim havia de acontecer; quando se tem a tua alma, amase uma só vez.
— Então por que exiges de mim um sacrifício que sabes ser impossível?
— Porque, disse ela com exaltação, porque, se há uma felicidade indefinível em duas almas que ligam sua vida, que se confundem na mesma existência, que só têm um passado e um futuro para ambas, que desde a flor da idade até à velhice caminham juntas para o mesmo horizonte, partilhando os seus prazeres e as suas mágoas, revendose uma na outra até o momento em que batem as asas e vão abrigarse no seio de Deus, deve ser cruel, bem cruel, meu amigo, quando, tendose apenas encontrado, uma dessas duas almas irmãs fugir deste mundo, e a outra, viúva e triste, for condenada a levar sempre no seu seio uma idéia de morte, a trazer essa recordação, que, como um crepe de luto, envolverá a sua bela mocidade, a fazer do seu coração, cheio de vida e de amor, um túmulo para guardar as cinzas do passado! Oh! deve ser horrível!...
A exaltação com que falava tinhase tornado uma espécie de delírio; sua voz, sempre tão doce e aveludada, parecia alquebrada pelo cansaço da respiração.
Ela caiu sobre o meu seio, agitandose convulsivamente em um acesso de tosse.




V

ASSIM ficamos muito tempo imóveis, ela, com a fronte apoiada sobre o meu peito, eu, sob a impressão triste de suas palavras.
Por fim ergueu a cabeça; e, recobrando a sua serenidade disseme com um tom doce e melancólico:
— Não pensas que melhor é esquecer do que amar assim?
— Não! Amar, sentirse amado, é sempre um gozo imenso e um grande consolo para a desgraça. O que é triste, o que é cruel, não é essa viuvez da alma separada de sua irmã, não; aí há um sentimento que vive, apesar da morte, apesar do tempo. É, sim, esse vácuo do coração que não tem uma afeição no mundo e que passa como um estranho por entre os prazeres que o cercam.
— Que santo amor, meu Deus! Era assim que eu sonhava ser amada! ...
— E me pedias que te esquecesse!...
— Não! não! Amame; quero que me ames ao menos...
— Não me fugirás mais?
— Não.
— E me deixarás ver aquela que eu amo e que não conheço? perguntei, sorrindo.
— Desejas?
— Suplicote!
— Não sou eu tua?...
Lanceime para a saleta onde havia luz e coloquei o lampião sobre a mesa do gabinete em que estávamos.
Para mim, minha prima, era um momento solene; toda essa paixão violenta, incompreensível, todo esse amor ardente por um vulto de mulher, ia depender talvez de um olhar.
E tinha medo de ver esvaecerse, como um fantasma em face da realidade, essa visão poética de minha imaginação, essa criação que resumia todos os tipos.
Foi, portanto, com uma emoção extraordinária que, depois de colocar a luz, volteime.
Ah!...
Eu sabia que era bela; mas a minha imaginação apenas tinha esboçado o que Deus criara.
Ela olhavame e sorria.
Era um ligeiro sorriso, uma flor que se desfolhava nos seus lábios, um reflexo que iluminava o seu lindo rosto.
Seus grandes olhos negros fitavam em mim um desses olhares lânguidos e aveludados que afagam os seios d'alma.
Um anel de cabelos negros brincavalhe sobre o ombro, fazendo sobressair a alvura diáfana de seu colo gracioso.
Tudo quanto a arte tem sonhado de belo e de voluptuoso desenhavase naquelas formas soberbas, naqueles contornos harmoniosos que se destacavam entre as ondas de cambraia de seu roupão branco.
Vi tudo isto de um só olhar, rápido, ardente e fascinado! Depois fui ajoelharme diante dela e esquecime a contemplála.
Ela me sorria sempre e se deixava admirar.
Por fim tomoume a cabeça entre as mãos e seus lábios fecharamme os olhos com um beijo.
— Amame, disse.
O sonho esvaeceuse.
A porta da sala fechouse sobre ela, tinhame fugido.
Voltei ao hotel.
Abri a minha janela e senteime ao relento.
A brisa da noite traziame de vez em quando um aroma de plantas agrestes que me causava íntimo prazer.
Fazia lembrarme da vida campestre, dessa existência doce e tranqüila que se passa longe das cidades, quase no seio da natureza.
Pensava como seria feliz, vivendo com ela em algum canto isolado, onde pudéssemos abrigar o nosso amor em um leito de flores e de relva.
Fazia na imaginação um idílio encantador e sentiame tão feliz que não trocaria a minha cabana pelo mais rico palácio da terra.
Ela me amava.
Só essa idéia embelezava tudo para mim; a noite escura de Petrópolis pareciame poética e o murmurejar triste das águas do canal tornavaseme agradável.
Uma coisa, porém, perturbava essa felicidade; era um ponto negro, uma nuvem escura que toldava o céu da minha noite de amor.
Lembravame daquelas palavras tão cheias de angústia e tão sentidas, que pareciam explicar a causa de sua reserva para comigo: havia nisto um quer que seja que eu não compreendia.
Mas esta lembrança desaparecia logo sob a impressão de seu sorriso, que eu tinha em minh'alma, de seu olhar, que eu guardava no coração, e de seus lábios, cujo contato ainda sentia.
Dormi embalado por estes sonhos e só acordei quando um raio de sol, alegre e travesso, veio baterme nas pálpebras e darme o bom dia.
O meu primeiro pensamento foi ir saudar a minha casinha; estava fechada.
Eram oito horas.
Resolvi dar um passeio para disfarçar a minha impaciência; voltando ao hotel, o criado disseme terem trazido um objeto que recomendaram me fosse entregue logo.
Em Petrópolis não conhecia ninguém; devia ser dela.
Corri ao meu quarto e achei sobre a mesa uma caixinha de paucetim; na tampa havia duas letras de tartaruga incrustadas : C. L.
A chave estava fechada em uma sobrecarta com endereço a mim; dispusme a abrir a caixa com a mão trêmula e tomado por um triste pressentimento.
Pareciame que naquele cofre perfumado estava encerrada a minha vida, o meu amor, toda a minha felicidade.
Abri.
Continha o seu retrato, alguns fios de cabelos e duas folhas de papel escritas por ela e que li de surpresa em surpresa.




VI


EIS o que ela me dizia:
"Devote uma explicação, meu amigo.
Esta explicação é a história da minha vida, breve história, da qual escreveste a mais bela página.
Cinco meses antes do nosso primeiro encontro completava eu os meus dezesseis anos, a vida começava a sorrirme.
A educação rigorosa que me dera minha mãe, me conservara menina até àquela idade, e foi só quando ela julgou dever correr o véu que ocultava o mundo aos meus olhos, que eu perdi as minhas idéias de infância e as minhas inocentes ilusões.
A primeira vez que fui a um baile, fiquei deslumbrada no meio daquele turbilhão de cavalheiros e damas, que girava em torno de mim sob uma atmosfera de luz, de música, de perfumes.
Tudo me causava admiração; esse abandono com que as mulheres se entregavam ao seu par de valsa, esse sorriso constante e sem expressão que uma moça parece tomar na porta da entrada para só deixálo à saída, esses galanteios sempre os mesmos e sempre sobre um tema banal, ao passo que me excitavam a curiosidade, faziam desvanecer o entusiasmo com que tinha acolhido a notícia que minha mãe me dera da minha entrada nos salões.
Estavas nesse baile; foi a primeira vez que te vi.
Reparei que nessa multidão alegre e ruidosa tu só não dançavas nem galanteavas, e passeavas pelo salão como um espectador mudo e indiferente, ou talvez como um homem que procurava uma mulher e só via toilettes.
Compreendite e, durante muito tempo, seguite com os olhos; ainda hoje me lembro dos teus menores gestos, da expressão do teu rosto e do sorriso de fina ironia que às vezes fugiate pelos lábios.
Foi a única recordação que trouxe dessa noite, e quando adormeci, os meus doces sonhos de infância, que, apesar do baile, vieram de novo pousar nas alvas cortinas de meu leito, apenas foram interrompidos um instante pela tua imagem, que me sorria.
No dia seguinte reatei o fio de minha existência, feliz, tranqüila e descuidosa, como costuma ser a existência de uma moça aos dezesseis anos.
Algum tempo depois fui a outros bailes e ao teatro, porque minha mãe, que guardara a minha infância, como um avaro esconde o seu tesouro, queria fazer brilhar a minha mocidade.
Quando cedia ao seu pedido e me ia aprontar, enquanto preparava o meu simples traje, murmurava: — Talvez ele esteja.
E esta lembrança, não só me tornava alegre, mas fazia com que procurasse parecer bela, para te merecer um primeiro olhar.
Ultimamente era eu quem, cedendo a um sentimento que não sabia explicar, pedia a minha mãe para irmos a um divertimento, só na esperança de encontrarte.
Nem suspeitavas então que, entre todos aqueles vultos indiferentes, havia um olhar que te seguia sempre e um coração que adivinhava os teus pensamentos, que se expandia quando te via sorrir e contraíase quando uma sombra de melancolia anuviava o teu semblante.
Se pronunciavam o teu nome diante de mim, corava e na minha perturbação julgava que tinham lido esse nome nos meus olhos ou dentro de minh'alma, onde eu bem sabia que ele estava escrito.
E, entretanto, nem sequer ainda me tinhas visto; se teus olhos haviam passado alguma vez por mim, tinha sido em um desses momentos em que a luz se volta para o íntimo, e se olha, mas não se vê.
Consolavame, porém, que algum dia o acaso nos reuniria, e então não sei o que me dizia que era impossível não me amares.
O acaso deuse, mas quando a minha existência já se tinha completamente transformado.
Ao sair de um desses bailes, apanhei uma pequena constipação, de que não fiz caso. Minha mãe teimava que eu estava doente, e eu achavame apenas um pouco pálida e sentia às vezes um ligeiro calafrio, que eu curava, sentandome ao piano e tocando alguma música de bravura.
Um dia, porém, acheime mais abatida; tinha as mãos e os lábios ardentes, a respiração era difícil, e ao menor esforço umedeciaseme a pele com uma transpiração que me parecia gelada.
Atireime sobre um sofá e, com a cabeça recostada ao colo de minha mãe, caí em um letargo que não sei quanto tempo durou. Lembrome somente que, no momento mesmo em que ia despertando dessa sonolência que se apoderara de mim, vi minha mãe, sentada à cabeceira de meu leito, chorando, e um homem dizialhe algumas palavras de consolo, que eu ouvi como em sonho:
— Não desespere, minha senhora; a ciência não é infalível, nem os meus diagnósticos são sentenças irrevogáveis.
Pode ser que a natureza e as viagens a salvem. Mas é preciso não perder tempo.
O homem partiu.
Não tinha compreendido as suas palavras, às quais não ligava o menor sentido.
Passando um instante, ergui tranqüilamente os olhos para minha mãe, que escondeu o lenço e tragou em silêncio o seu pranto e os seus soluços.
— Tu choras, mamãe?
— Não, minha filha... não... não é nada.
— Mas tu estás com os olhos cheios de lágrimas!... disse eu assustada.
— Ah! sim!... uma notícia triste que me contaram há pouco... sobre uma pessoa... que tu não conheces.
— Quem é este senhor que estava aqui?
— É o Dr. Valadão, que te veio visitar.
— Então eu estou muito doente, boa mamãe?
— Não, minha filha, ele assegurou que não tens nada; é apenas um incômodo nervoso.
E minha querida mãe, não podendo mais conter as lágrimas que saltavam dos olhos, fugiu, pretextando uma ordem a dar.
Então, à medida que a minha inteligência ia saindo do letargo, comecei a refletir sobre o que se tinha passado.
Aquele desmaio tão longo, aquelas palavras que eu ouvira ainda entre as névoas de um sono agitado, as lágrimas de minha mãe e a sua repentina aflição, o tom condoído com que o médico lhe falara.
Um raio de luz esclareceu de repente o meu espírito.
Estava desenganada.
O poder da ciência, o olhar profundo, seguro, infalível, desse homem que lê no corpo humano como em um livro aberto, tinha visto no meu seio um átomo imperceptível.
E esse átomo era o verme que devia destruir as fontes da vida, apesar dos meus dezesseis anos, apesar de minha organização, apesar de minha beleza e dos meus sonhos de felicidade!"
Aqui terminava a primeira folha, que eu acabei de ler entre as lágrimas que me inundavam as faces e caíam sobre o papel.
Era este o segredo de sua estranha reserva; era a razão por que me fugia, por que se ocultava, por que ainda na véspera dizia que se tinha imposto o sacrifício de nunca ser amada por mim.
Que sublime abnegação, minha prima! E, como eu me sentia pequeno e mesquinho à vista desse amor tão nobre!



VII


CONTINUEI a ler :
"Sim, meu amigo!...
Estava condenada a morrer; estava atacada dessa moléstia fatal e traiçoeira, cujo dedo descarnado nos toca no meio dos prazeres e dos risos, nos arrasta ao leito, e do leito ao túmulo, depois de ter escarnecido da natureza, transfigurando as suas belas criações em múmias animadas.
É impossível descreverte o que se passou então em mim; foi um desespero mudo e concentrado, mas que me prostrou em uma atonia profunda; foi uma angústia pungente e cruel.
As rosas da minha vida apenas se entreabriam e já eram bafejadas por um hálito infetado; já tinham no seio o germe de morte que devia fazêlas murchar!
Meus sonhos de futuro, minhas tão risonhas esperanças, meu puro amor, que nem sequer ainda tinha colhido o primeiro sorriso, este horizonte, que há pouco me parecia tão brilhante, tudo isto era uma visão que ia sumirse, uma luz que lampejava prestes a extinguirse.
Foi preciso um esforço sobrehumano para esconder de minha mãe a certeza que eu tinha sobre o meu estado e para gracejar dos seus temores, que eu chamava imaginários.
Boa mãe! Desde então só viveu para consagrarse exclusivamente à sua filha, para envolvêla com esse desvelo e essa proteção que Deus deu ao coração materno, para abrigarme com suas preces, sua solicitude e seus carinhos, para lutar à força de amor e de dedicação contra o destino.
Logo no dia seguinte fomos para Andaraí, onde ela alugara uma chácara, e aí, graças a seus cuidados, adquiri tanta saúde, tanta força, que me julgaria boa se não fosse a sentença fatal que pesava sobre mim.
Que tesouro de sentimento e de delicadeza que é um coração de mãe, meu amigo! Que tato delicado, que sensibilidade apurada, possui esse amor sublime!
Nos primeiros dias, quando ainda estava muito abatida e era obrigada a agasalharme, se visses como ela pressentia as rajadas de um vento frio antes que ele agitasse os renovos dos cedros do jardim, como adivinhava a menor neblina antes que a primeira gota umedecesse a laje do nosso terraço!
Fazia tudo por distrairme; brincava comigo como uma camarada de colégio; achava prazer nas menores coisas para excitarme a imitála; tornavase menina e obrigavame a ter caprichos.
Enfim, meu amigo, se fosse a dizerte tudo, escreveria um livro e esse livro deves ter lido no coração de tua mãe, porque todas as mães se parecem.
Ao cabo de um mês tinha recobrado a saúde para todos, exceto para mim, que às vezes sentia um quer que seja como uma contração, que não era dor, mas que me dizia que o mal estava ali, e dormia apenas.
Foi nesta ocasião que te encontrei no ônibus de Andaraí; quando entravas, a luz do lampião iluminoute o rosto e eu te reconheci.
Faze idéia que emoção sentira quando te sentaste junto de mim.
O mais tu sabes; eu te amava e era tão feliz de terte ao meu lado, de apertar a tua mão, que nem me lembrava como te devia parecer ridícula uma mulher que, sem te conhecer, te permitia tanto.
Quando nos separamos, arrependime do que tinha feito.
Com que direito ia eu perturbar a tua felicidade, condenarte a um amor infeliz e obrigarte a associar tua vida a uma existência triste, que talvez não te pudesse dar senão os tormentos de seu longo martírio?!
Eu te amava; mas, já que Deus não me tinha concedido a graça de ser tua companheira neste mundo, não devia ir roubar ao teu lado e no teu coração o lugar que outra mais feliz, porém menos dedicada, teria de ocupar.
Continuei a amarte, mas impusme a mim mesma o sacrifício de nunca ser amada, por ti.
Vês, meu amigo, que não era egoísta e preferia a tua à minha felicidade. Tu farias o mesmo, estou certa.
Aproveitei o mistério do nosso primeiro encontro e esperei que alguns dias te fizessem esquecer essa aventura e quebrassem o único e bem frágil laço que te prendia a mim.
Deus não quis que acontecesse assim; vendote só em um baile, tão triste, tão pensativo, procurando um ser invisível, uma sombra e querendo descobrir os seus vestígios em algum dos rostos que passavam diante de ti, senti um prazer imenso.
Conheci que tu me amavas; e, perdoa, fiquei orgulhosa dessa paixão ardente, que uma só palavra minha havia criado, desse poder do meu amor, que, por uma força de atração inexplicável, tinhate ligado à minha sombra.
Não pude resistir.
Aproximeime, dissete uma palavra sem que tivesses tempo de verme; foi essa mesma palavra que resume todo o poema do nosso amor e que, depois do primeiro encontro, era, como ainda hoje, a minha prece de todas as noites.
Sempre que me ajoelho diante do meu crucifixo de marfim, depois de minha oração, ainda com os olhos na cruz e o pensamento em Deus, chamo a tua imagem para pedirte que não te esqueças de mim.
Quando tu te voltaste ao som da minha voz, eu tinha entrado no toilette; e pouco depois saí desse baile, onde apenas acabava de entrar, tremendo da minha imprudência, mas alegre e feliz por te ter visto ainda uma vez.
Deves agora compreender o que me fizeste sofrer no teatro quando me dirigias aquela acusação tão injusta, no momento mesmo em que a Charton cantava a ária da Traviata.
Não sei como não me traí naquele momento e não te disse tudo; o teu futuro, porém, era sagrado para mim, e eu não devia destruílo para satisfação de meu amor próprio ofendido.
No dia seguinte escrevite; e assim, sem me trair, pude ao menos reabilitarme na tua estima; doíame muito que, ainda mesmo não me conhecendo, tivesses sobre mim uma idéia tão injusta e tão falsa.
Aqui é preciso dizerte que no dia seguinte ao do nosso primeiro encontro, tínhamos voltado à cidade, e eu te via passar todos os dias diante de minha janela, quando fazias o teu passeio costumado à Glória.
Por detrás das cortinas, seguiate com o olhar, até que desaparecias no fim da rua, e este prazer, rápido como era, alimentava o meu amor, habituado a viver de tão pouco.
Depois da minha carta tu deixaste de passar dois dias, estava eu a partir para aqui, donde devia voltar unicamente para embarcar no paquete inglês.
Minha mãe, incansável nos seus desvelos, quer levarme à Europa e fazerme viajar pela Itália, pela Grécia, por todos os países de um clima doce.
Ela diz que é para mostrarme os grandes modelos de arte e cultivar o meu espírito, mas eu sei que essa viagem é a sua única esperança, que não podendo nada contra a minha enfermidade, quer ao menos disputarlhe a sua vítima durante mais algum tempo.
Julga que fazendome viajar, sempre me dará mais alguns dias de existência, como se estes sobejos de vida valessem alguma coisa para quem já perdeu a sua mocidade e o seu futuro.
Quando ia embarcar para aqui, lembreime de que talvez não te visse mais e, diante dessa derradeira provança, sucumbi. Ao menos o consolo de dizerte adeus!...
Era o último!
Escrevite segunda vez; admiravame da tua demora, mas tinha uma quase certeza de que havias de vir.
Não me enganei.
Vieste, e toda a minha resolução, toda a minha coragem cedeu, porque, sombra ou mulher, conheci que me amavas como eu te amo.
O mal estava feito.
Agora, meu amigo, peçote por mim, pelo amor que me tens, que reflitas no que te vou dizer, mas que reflitas com calma e tranqüilidade.
Para isto parti hoje de Petrópolis, sem prevenirte, e coloquei entre nós o espaço de vinte e quatro horas e uma distância de muitas léguas.
Desejo que não procedas precipitadamente e que, antes de dizerme uma palavra, tenhas medido todo o alcance que ela deve ter sobre o teu futuro.
Sabes o meu destino, sabes que sou uma vítima, cuja hora está marcada, e que todo o meu amor, imenso, profundo, não te pode dar talvez dentro em bem pouco senão o sorriso contraído pela tosse, o olhar desvairado pela febre e carícias roubadas aos sofrimentos.
É triste; e não deves imolar assim a tua bela mocidade, que ainda te reserva tantas venturas e talvez um amor como o que eu te consagro.
Deixote, pois, meu retrato, meus cabelos e minha história; guardaos como uma lembrança e pensa algumas vezes em mim: beija esta folha muda, onde os meus lábios deixaramte o adeus extremo.
Entretanto, meu amigo, se, como tu dizias ontem, a felicidade é amar e sentirse amado; se te achas com forças de partilhar essa curta existência, esses poucos dias que me restam a passar sobre a terra, se me queres dar esse consolo supremo, único que ainda embelezaria minha vida, vem!
Sim, vem! iremos pedir ao belo céu da Itália mais alguns dias de vida para nosso amor; iremos aonde tu quiseres, ou aonde nos levar a Providência.
Errantes pelas vastas solidões dos mares ou pelos cimos elevados das montanhas, longe do mundo, sob o olhar protetor de Deus, à sombra dos cuidados de nossa mãe, viveremos tanto um como outro, encheremos de tanta afeição os nossos dias, as nossas horas, os nossos instantes, que, por curta que seja a minha existência, teremos vivido por cada minuto séculos de amor e de felicidade.
Eu espero; mas temo.
Esperote como a flor desfalecida espera o raio de sol que deve aquecêla, a gota de orvalho que pode animála, o hálito da brisa que vem bafejála. Porque para mim o único céu que hoje me sorri, são teus olhos; o calor que pode me fazer viver, é o do teu seio.
Entretanto temo, temo por ti, e quase peço a Deus que te inspire e te salve de um sacrifício talvez inútil!
Adeus para sempre, ou até amanhã!"

CARLOTA



VIII


DEVOREI toda esta carta de um lanço de olhos. Minha vista corria sobre o papel como o meu pensamento, sem parar, sem hesitar, poderia até dizer sem respirar.
Quando acabei de ler, só tinha um desejo: era o de ir ajoelharme a seus pés e receber como uma bênção do céu esse amor sublime e santo.
Como sua mãe, lutaria contra o destino, cercálaia de tanto afeto e de tanta adoração, tornaria sua vida tão bela e tão tranqüila, prenderia tanto sua alma à terra, que lhe seria impossível deixála.
Criaria para ela com o meu coração um mundo novo, sem as misérias e as lágrimas deste mundo em que vivemos; um mundo só de ventura, onde a dor e o sofrimento não pudessem penetrar.
Pensava que devia haver no universo algum lugar desconhecido, algum canto de terra ainda puro do hálito do homem, onde a natureza virgem conservaria o perfume dos primeiros tempos da criação e o contato das mãos de Deus quando a formara.
Aí era impossível que o ar não desse vida; que o raio do sol não viesse impregnado de um átomo de fogo celeste; que a água, as árvores, a terra, cheia de tanta seiva e de tanto vigor, não inoculassem na criatura essa vitalidade poderosa da natureza no seu primitivo esplendor.
Iríamos, pois, a uma dessas solidões desconhecidas; o mundo abriase diante de nós e eu sentiame com bastante força e bastante coragem para levar o meu tesouro além dos mares e das montanhas, até achar um retiro onde esconder a nossa felicidade.
Nesses desertos, tão vastos, tão extensos, não haveria sequer vida bastante para duas criaturas que apenas pediam um palmo de terra e um sopro de ar, a fim de poderem elevar a Deus, como uma prece constante, o seu amor tão puro?
Ela davame vinte e quatro horas para refletir e eu não queria nem um minuto, nem um segundo.
Que me importavam o meu futuro e a minha existência se eu os sacrificaria de bom grado para darlhe mais um dia de vida?
Todas estas idéias, minha prima, cruzavamse no meu espírito, rápidas e confusas, enquanto eu fechava na caixinha de paucetim os objetos preciosos que ela encerrava, copiava na minha carteira a sua morada, escrita no fim da carta, e atravessava o espaço que me separava da porta do hotel.
Aí encontrei o criado da véspera.
— A que horas parte a barca da Estrela?
— Ao meiodia.
Eram onze horas; no espaço de uma hora eu faria as quatro léguas que me separavam daquele porto.
Lancei os olhos em torno de mim com uma espécie de desvario.
Não tinha um trono, como Ricardo III (1), para oferecer em troca de um cavalo; mas tinha a realeza do nosso século, tinha dinheiro.
A dois passos da porta do hotel estava um cavalo, que o seu dono tinha pela rédea.
— Comprolhe este cavalo, disse eu, caminhando para ele, sem mesmo perder tempo em cumprimentálo.
— Não pretendia vendêlo, respondeume o homem cortesmente; mas, se o senhor está disposto a dar o preço que ele vale.
— Não questiono sobre o preço; comprolhe o cavalo arreado como está.
O sujeito olhoume admirado; porque, a falar a verdade,os seus arreios nada valiam.
________________
(1) Ricardo III: rei da Inglaterra a quem se atribui a frase: "Meu reino por um cavalo!"
Quanto a mim, já lhe tinha tomado as rédeas da mão; e, sentado no selim, esperava que me dissesse quanto tinha de pagarlhe.
— Não repare, fiz uma aposta e preciso de um cavalo para ganhála.
Isto deulhe a compreender a singularidade do meu ato e a pressa que eu tinha; recebeu sorrindo o preço do seu animal e disse, saudandome com a mão, de longe, porque já eu dobrava a rua:
— Estimo que ganhe a aposta; o animal é excelente!
Na verdade era uma aposta que eu tinha feito comigo mesmo, ou antes com a minha razão, a qual me dizia que era impossível apanhar a barca, e que eu fazia uma extravagância sem necessidade, pois bastava ter paciência por vinte e quatro horas.
Mas o amor não compreende esses cálculos e esses raciocínios próprios da fraqueza humana; criado com uma partícula do fogo divino, ele eleva o homem acima da terra, desprendeo da argila que o envolve e dálhe força para dominar todos os obstáculos, para querer o impossível.
Esperar tranqüilamente um dia para dizerlhe que eu a amava e queria amála com todo o culto e admiração que me inspirava a sua nobre abnegação, me parecia quase uma infâmia.
Seria dizerlhe que tinha refletido friamente, que tinha pesado todos os prós e os contras do passo que ia dar, que havia calculado como um egoísta a felicidade que ela me oferecia.
Não só a minha alma se revoltava contra esta idéia; mas pareciame que ela, com a sua extrema delicadeza de sentimento, embora não se queixasse, sentiria verse o objeto de um cálculo e o alvo de um projeto de futuro.
A minha viagem foi uma corrida louca, desvairada, delirante. Novo Mazzeppa (1), passava por entre a cerração da manhã, que cobria os píncaros da serrania, como uma sombra que fugia rápida e veloz.
Dirseia que alguma rocha colocada em um dos cabeços da montanha tinhase despreendido de seu alvéolo secular e, precipitandose com todo o peso, rolava surdamente pelas encostas.
O galopar do meu cavalo formava um único som, que ia reboando pelas grutas e cavernas e confundiase com o rumor das torrentes.
As árvores, cercadas de névoa, fugiam diante de mim como fantasmas; o chão desaparecia sob os pés do animal; às vezes pareciame que a terra ia faltarme e que o cavalo e cavaleiro rolavam por algum desses abismos imensos e profundos, que devem ter servido de túmulos titânicos.
_____________
(1) Mazzeppa: personagem de Byron, poeta romântica inglês, inspirado no chefe dos cossacos. Segundo a lenda, em sua juventude, Mazzeppa foi amarrado a um cavalo selvagem como punição por ter raptado uma mulher. Como sobreviveu ao castigo, passou a simbolizar o cavaleiro perito e arrojado.
Mas, de repente, entre uma aberta de nevoeiro, eu via a linha azulada do mar e fechava os olhos e atiravame sobre o meu cavalo, gritandolhe ao ouvido a palavra de Byron: — Away! (1)
Ele parecia entenderme e precipitava essa corrida desesperada; não galopava, voava; seus pés, como impelidos por quatro molas de aço, nem tocavam a terra.
Assim, minha prima, devorando o espaço e a distância, foi ele, o nobre animal, abaterse a alguns passos apenas da praia; a coragem e as forças só o tinham abandonado com a vida e no termo da viagem.
Em pé, ainda sobre o cadáver desse companheiro leal, via a coisa de uma milha o vapor que singrava ligeiramente para a cidade.
Aí fiquei, perto de uma hora, seguindo com os olhos essa barca que a conduzia; e quando o casco desapareceu, olhei os frocos de fumaça do vapor, que se enovelaram no ar e que o vento desfazia a pouco e pouco.
Por fim, quando tudo desapareceu e que nada me falava dela, olhei ainda o mar por onde havia passado e o horizonte que a ocultava aos meus olhos.
O sol dardejava raios de fogo; mas eu nem me importava com o sol; todo o meu espírito e os meus sentidos se concentravam em um único pensamento; vêla, vêla em uma hora, em um momento, se possível fosse.
Um velho pescador arrastava nesse momento a sua canoa à praia.
Aproximeime e disselhe :
— Meu amigo, preciso ir à cidade, perdi a barca e desejava que você me conduzisse na sua canoa.
— Mas se eu agora mesmo é que chego!
— Não importa; pagarei o seu trabalho, também o incômodo que isto lhe causa.
— Não posso, não, senhor, não é lá pela paga que eu digo que estou chegando; mas é que passar a noite no mar sem dormir não é lá das melhores coisas; e estou caindo de sono.
— Escute, meu amigo...
— Não se canse, senhor; quando eu digo não, é não; e está dito.
E o velho continuou a arrastar a sua canoa.
— Bem, não falemos mais nisto; mas conversemos.
— Lá isto como o senhor quiser.
— A sua pesca rendelhe bastante?
— Qual! rende nada!...
— Ora digame! Se houvesse um meio de fazerlhe ganhar em um só dia o que pode ganhar em um mês, não enjeitaria decerto?
___________________
(1) Away!: adiante!
— Isto é coisa que se pergunte?
— Quando mesmo fosse preciso embarcar depois de passar uma noite em claro no mar?
— Ainda que devesse remar três dias com três noites, sem dormir nem comer.
— Nesse caso, meu amigo, preparese, que vai ganhar o seu mês de pescaria; leveme à cidade.
— Ah! isto já é outro falar; por que não disse logo?...
— Era preciso explicarme?!
— Bem diz o ditado que é falando que a gente se entende.
— Assim, é negócio decidido. Vamos embarcar?
— Com licença; preciso de um instantinho para prevenir a mulher; mas é um passo lá e outro cá.
— Olhe, não se demore; tenho muita pressa.
— É em um fechar de olhos, disse ele, correndo na direção da vila.
Mal tinha feito vinte passos, parou, hesitou, e por fim voltou lentamente pelo mesmo caminho.
Eu tremia; julgava que se tinha arrependido, que vinha apresentarme alguma nova dificuldade. Chegouse para mim de olhos baixos e coçando a cabeça.
— O que temos, meu amigo? pergunteilhe com uma voz que esforçava por ter calma.
— É que... o senhor disse que pagava um mês...
— Decerto; e, se duvida, disse, levando a mão ao bolso.
— Não, senhor, Deus me defenda de desconfiar do senhor! Mas é que... sim, não vê, o mês agora tem menos um dia que os outros!
Não pude deixar de sorrirme do temor do velho; nós estávamos com efeito, no mês de fevereiro.
— Não se importe com isto; está entendido que, quando eu digo um mês, é um mês de trinta e um dias; os outros são meses aleijados, e não se contam.
— É isso mesmo, disse o velho, rindose da minha idéia; assim como quem diz, um homem sem um braço. Ah!... ah!...
E, continuando a rirse, tomou o caminho de casa e desapareceu.
Quanto a mim, estava tão contente com a idéia de chegar à cidade em algumas horas, que não pude deixar também de rirme do caráter original do pescador.
Contolhe estas cenas e as outras que se lhe seguiram com todas as suas circunstâncias por duas razões, minha prima.
A primeira é porque desejo que compreenda bem o drama simples que me propus traçarlhe ; a segunda é porque tenho tantas vezes repassado na memória as menores particularidades dessa história, tenho ligado de tal maneira o meu pensamento a essas reminiscências, que não me animo a destacar delas a mais insignificante circunstância; pareceme que se o fizesse, separaria uma parcela de minha vida.
Depois de duas horas de espera e de impaciência, embarquei nessa casquinha de noz, que saltou sobre as ondas, impelida pelo braço ainda forte e ágil do velho pescador.
Antes de partir fiz enterrar o meu pobre cavalo; não podia deixar assim exposto às aves de rapina o corpo desse nobre animal, que eu tinha roubado à afeição do seu dono, para imolálo à satisfação de um capricho meu.
Talvez lhe pareça isto uma puerilidade; mas a senhora é mulher, minha prima, e deve saber que, quando se ama como eu amava, temse o coração tão cheio de afeição, que espalha uma atmosfera de sentimento em torno de nós e inunda até os objetos inanimados, quanto mais as criaturas, ainda irracionais, que um momento se ligaram à nossa existência para realização de um desejo.



IX

ERAM seis horas da tarde.
O sol declinava rapidamente e a noite, descendo do céu, envolvia a terra nas sombras desmaiadas que acompanhavam o ocaso.
Soprava uma forte viração de sudoeste, que desde o momento da partida retardava a nossa viagem; lutávamos contra o mar e o vento.
O velho pescador, morto de fadiga e de sono, estava exausto de forças; a sua pá, que a princípio fazia saltar sobre as ondas como um peixe o frágil barquinho, apenas feria agora a flor da água.
Eu, recostado na popa, e com os olhos fitos na linha azulada do horizonte, esperando a cada momento ver desenharse o perfil do meu belo Rio de Janeiro, começava seriamente a inquietarme na minha extravagância e loucura.
À proporção que declinava o dia e que as sombras cobriam o céu, esse vago inexprimível da noite no meio das ondas, a tristeza e melancolia que infunde o sentimento da fraqueza do homem em face dessa solidão imensa de água e de céu, se apoderavam do meu espírito.
Pensava então que teria sido mais prudente esperar o dia seguinte e fazer uma viagem breve e rápida, do que sujeitarme a mil contratempos e mil embaraços, que no fim de contas nada adiantavam.
Com efeito já tinha anoitecido; e, ainda que conseguíssemos chegar à cidade por volta de nove ou dez horas, só no dia seguinte poderia ver Carlota e falarlhe.
De que havia servido, pois, todo o meu arrebatamento, toda a minha impaciência? Tinha morto um animal, tinha incomodado um pobre velho, tinha atirado às mãos cheias dinheiro, que poderia melhor empregar socorrendo algum infortúnio e cobrindo esta obra de caridade com o nome e a lembrança dela.
Concebia uma triste idéia de mim; no meu modo de ver então as coisas, pareciame que eu tinha feito do amor, que é uma sublime paixão, apenas uma estúpida mania; e dizia interiormente que o homem que não domina os seus sentimentos, é um escravo, que não tem o menor merecimento quando pratica um ato de dedicação.
Tinhame tornado filósofo, minha prima, e decerto compreenderá a razão.
No meio da baía, metido em uma canoa, à mercê do vento e do mar, não podendo dar largas à minha impaciência de chegar, não havia senão um modo de sair desta situação, e este era arrependerme do que tinha feito.
Se eu pudesse fazer alguma nova loucura, creio piamente que adiaria o arrependimento para mais tarde, porém era impossível.
Tive um momento a idéia de atirarme à água e procurar vencer a nado a distância que me separava dela; mas era noite, não tinha a luz de Hero (1) para guiarme, e me perderia nesse novo Helesponto.
Foi decerto uma inspiração do céu ou o meu anjo da guarda que me veio advertir que naquela ocasião eu nem sabia mesmo de que lado ficava a cidade.
Resigneime, pois, e arrependime sinceramente.
Dividi com o meu companheiro algumas provisões que tínhamos trazido; e fizemos uma verdadeira colação de contrabandistas ou piratas.
Caí na asneira de obrigálo a beber uma garrafa de vinho do Porto, bebendo eu outra para acompanhálo e fazerlhe as honras da hospitalidade. Julgava que deste modo ele restabeleceria as forças e chegaríamos mais depressa.
Tinhame esquecido de que a sabedoria das nações, ou a ciência dos provérbios, consagra o princípio de que devagar se vai ao longe.
Acabada a nossa magra colação, o pescador começou a remar com uma força e um vigor que me reanimaram a esperança.
Assim, docemente embalado pela idéia de vêla e pelo marulho das ondas, com os olhos fitos na estrela da tarde, que se ia sumindo no horizonte e me sorria como para consolarme, senti a pouco e pouco fecharemseme as pálpebras, e dormi.
Quando acordei, minha prima, o sol derramava seus raios de ouro sobre o manto azulado das ondas: era dia claro.
__________________
(1) Hero: o texto faz alusão a uma lenda grega, segundo a qual Leandro, apaixonado por Hero, todas as noites atravessava a nado o helesponto, guiado por uma fogueira que sua amada acendia.
Não sei onde estávamos; via ao longe algumas ilhas; o pescador dormia na proa, e ressonava como um boto.
A canoa tinha vogado à mercê da corrente; e o remo, que caira naturalmente das mãos do velho, no momento em que ele cedera à força invencível do sono, tinha desaparecido.
Estávamos no meio da baía, sem poder dar um passo, sem poder movernos.
Aposto, minha prima, que a senhora acaba de dar uma risada, pensando na cômica posição em que me achava; mas seria uma injustiça zombar de uma dor profunda, de uma angústia cruel como a que sofri então.
Os instantes, as horas, corriam de decepção em decepção; alguns barcos que passaram perto, apesar dos nossos gritos, seguiram o seu caminho, não podendo supor que com o tempo calmo e sereno que fazia, houvesse sombra de perigo para uma canoa que boiava tão levemente sobre as ondas.
O velho, que tinha acordado, nem se desculpava; mas a sua aflição era tão grande que quase me comoveu; o pobre homem arrancava os cabelos e mordia os beiços de raiva.
As horas correram assim nessa atonia do desespero. Sentidos em face um do outro, talvez culpandonos mutuamente do que sucedia, não proferíamos uma palavra, não fazíamos um gesto.
Por fim veio a noite. Não sei como não fiquei louco, lembrandome de que estávamos a 13, e que o paquete devia partir no dia seguinte.
Não era unicamente a idéia de uma ausência que me afligia; era também a lembrança do mal que ia causarlhe, a ela, que, ignorando o que se passava, me julgaria egoísta, suporia que a havia abandonado e que ficara em Petrópolis, divertindome.
Aterravame com as conseqüências que poderia ter esse fato sobre a sua saúde tão frágil, sobre a sua vida, e me condenava já como assassino.
Lancei um olhar alucinado sobre o pescador e tive ímpetos de abraçálo e atirarme com ele ao mar.
Oh! como sentia então o nada do homem e a fraqueza da nossa raça, tão orgulhosa de sua superioridade e do seu poder!
De que me serviam a inteligência, a vontade e essa força invencível do amor, que me impelia e me dava coragem para arrostar vinte vezes a morte?
Algumas braças d'água e uma pequena distância me retinham e me encadeavam naquele lugar como a um poste; a falta de um remo, isto é, de três palmos de madeira, criava para mim o impossível; um círculo de ferro me cingia, e para quebrar essa prisão, contra a qual toda a minha razão era impotente, bastavame que fosse um ente irracional.
A gaivota, que frisava as ondas com a ponta de suas asas brancas; o peixe, que fazia cintilar um momento seu dorso de escamas à luz das estrelas; o inseto, que vivia no seio das águas e plantas marinhas, eram reis dessa solidão, na qual o homem não podia sequer dar um passo.
Assim, blasfemando contra Deus e sua obra, sem saber o que fazia nem o que pensava, entregueime à Providência; embrulheime no meu capote, deiteime e fechei os olhos, para não ver a noite adiantarse, as estrelas empalidecerem e o dia raiar.
Tudo estava sereno e tranqüilo; as águas nem se moviam; apenas sobre a face lisa do mar passava, uma aragem tênue, que se diria hálito das ondas adormecidas.
De repente, pareceume sentir que a canoa deixara de boiar à discrição e singrava lentamente; julgando que fosse ilusão minha, não me importei, até que um movimento contínuo e regular convenceume.
Afastei a aba do capote e olhei, receando ainda iludirme; não vi o pescador; mas a alguns passos da proa percebi os rolos de espuma que formavam um corpo, agitandose nas ondas.
Aproximeime e distingui o velho pescador, que nadava, puxando a canoa por meio de uma corda que amarrara à cintura, para deixarlhe os movimentos livres.
Admirei essa dedicação do pobre velho, que procurava remediar a sua falta por um sacrifício que eu supunha inútil: não era possível que um homem nadasse assim por muito tempo.
Com efeito, passados alguns instantes, vio parar e saltar ligeiramente na canoa como temendo acordarme; a sua respiração fazia uma espécie de burburinho no seu peito largo e forte.
Bebeu um trago de vinho e com o mesmo cuidado deixouse cair n'água e continuou a puxar a canoa.
Era alta noite quando nesta marcha chegamos a uma espécie de praia, que teria quando muito duas braças. O velho saltou e desapareceu.
Fitando a vista nas trevas, vi uma claridade, que não pude distinguir se era fogo, se luz, senão quando uma porta, abrindose, deixoume ver o interior de uma cabana.
O velho voltou com um outro homem, sentaramse sobre uma pedra e começaram a falar em voz baixa. Senti uma grande inquietação; na verdade, minha prima, só me faltava, para completar a minha aventura, uma história de ladrões.
A minha suspeita, porém, era injusta; os dois pescadores estavam à espera de dois remos que lhes trouxe uma mulher, e imediatamente embarcaram e começaram a remar com uma força espantosa.
A canoa resvalou sobre as ondas, ágil e veloz como um desses peixes de que havia pouco invejava a rapidez.
Erguime para agradecer a Deus, ao céu, às estrelas, às águas, a toda a natureza enfim, o raio de esperança que me enviavam.
Uma faixa escarlate já se desenhava no horizonte; o oriente foise esclarecendo de gradação em gradação, até que deixou ver o disco luminoso do sol.
A cidade começou a erguerse do seio das ondas, linda e graciosa, como uma donzela que, recostada sobre um monte de relva, banhasse os pés na corrente límpida de um rio.
A cada movimento de impaciência que eu fazia, os dois pescadores dobravamse sobre os remos e a canoa voava. Assim nos aproximamos da cidade, passamos entre os navios, e nos dirigimos à Glória, onde pretendia desembarcar, para ficar mais próximo de sua casa.
Em um segundo tinha tomado a minha resolução; chegar, vêla, dizerlhe que a seguia, e embarcarme nesse mesmo paquete em que ela ia partir.
Não sabia que horas eram; mas há pouco havia amanhecido; tinha tempo para tudo, tanto mais que eu só precisava de uma hora. Um crédito sobre Londres e a minha mala de viagem eram todos os meus preparativos; podia acompanhála ao fim do mundo.
Já via tudo corderosa, sorria à minha ventura e gozava da alegre surpresa que ia causarlhe, a ela que já não me esperava.
A surpresa, porém, foi minha.
Quando passava diante de Villegaignon, descobri de repente o paquete inglês: as pás se moviam indolentemente e imprimiam ao navio essa marcha vagarosa do vapor, que parece experimentar as suas forças, para precipitarse a toda a carreira.
Carlota estava sentada sob a tolda, com a cabeça encostada ao ombro de sua mãe e com os olhos engolfados no horizonte, que ocultava o lugar onde tínhamos passado a primeira e última hora de felicidade.
Quando me viu, fez um movimento como se quisesse lançarse para mim; mas contevese, sorriuse para sua mãe, e, cruzando as mãos no peito, ergueu os olhos ao céu, como para agradecer a Deus, ou para dirigirlhe uma prece.
Trocamos um longo olhar, um desses olhares que levam toda a nossa alma e a trazem ainda palpitante das emoções que sentiu noutro coração; uma dessas correntes elétricas que ligam duas vidas em um só fio.
O vapor soltou um gemido surdo; as rodas fenderam as águas; e o monstro marinho, rugindo como uma cratera, vomitando fumo e devorando o espaço com os seus flancos negros, lançouse.
Por muito tempo ainda vi o seu lenço branco agitarse ao longe, como as asas brancas do meu amor, que fugia e voava ao céu.
O paquete sumiuse no horizonte.

X

O resto desta história, minha prima, a senhora conhece, com exceção de algumas particularidades.
Vivi um mês, contando os dias, as horas e os minutos; e tempo corria vagarosamente para mim, que desejava poder devorálo.
Quando tinha durante uma manhã inteira olhado o seu retrato, conversado com ele, e lhe contado a minha impaciência e o meu sofrimento, começava a calcular as horas que faltavam para acabar o dia, os dias que faltavam para acabar a semana e as semanas que ainda faltavam para acabar o mês.
No meio da tristeza que me causara a sua ausência, o que me deu um grande consolo foi uma carta que ela me havia deixado e que me foi entregue no dia seguinte ao da sua partida.
"Bem vês, meu amigo, dizia-me ela, que Deus não quer aceitar o teu sacrifício. Apesar de todo o teu amor, apesar de tua alma, ele impediu a nossa união; poupou-te um sofrimento e a mim talvez um remorso.
Sei tudo quanto fizeste por minha causa e adivinho o resto; parto triste por não te ver, mas bem feliz por sentirme amada, como nenhuma mulher talvez o seja neste mundo."
Esta carta tinha sido escrita na véspera da saída do paquete; um criado que viera de Petrópolis e a quem ela incumbira de entregarme a caixinha com o seu retrato, contoulhe metade das extravagâncias que eu praticara para chegar à cidade no mesmo dia.
Disselhe que me tinha visto partir para a Estrela, depois de perguntar a hora da saída do vapor; e que embaixo da serra referiramlhe como eu tinha morto um cavalo para alcançar a barca e como me embarcara em uma canoa.
Não me vendo chegar, ela adivinhara que alguma dificuldade invencível me retinha, e atribuía isto à vontade de Deus, que não consentia no meu amor.
Entretanto, lendo e relendo a sua carta, uma coisa me admirou; ela não me dizia um adeus, apesar de sua ausência e apesar da moléstia, que podia tornar essa ausência eterna.
Tinhame adivinhado! Ao mesmo tempo que fazia por me dissuadir, estava convencida de que a acompanharia.
Com efeito parti no paquete seguinte para a Europa.
Há de ter ouvido falar, minha prima, se é que ainda não o sentiu, da força dos pressentimentos do amor, ou da segunda vista que tem a alma nas suas grandes afeições.
Vou contarlhe uma circunstância que confirma este fato.
No primeiro lugar onde desembarquei, não sei que instinto, que revelação, me fez correr imediatamente ao correio; pareciame impossível que ela não tivesse deixado alguma lembrança para mim.
E de fato em todos os portos da escala do vapor havia, uma carta que continha duas palavras apenas:
"Sei que tu me segues. Até logo."
Enfim cheguei à Europa e via. Todas as minhas loucuras e os meus sofrimentos foram compensados pelo sorriso de inexprimível gozo com que me acolheu.
Sua mãe dizialhe que eu ficaria no Rio de Janeiro, mas ela nunca duvidara de mim! Esperavame como se a tivesse deixado na véspera, prometendo voltar.
Encontreia muito abatida da viagem; não sofria, mas estava pálida e branca como uma dessas Madonas de Rafael (1), que vi depois em Roma.
Às vezes uma languidez invencível a prostrava; nesses momentos um quer que seja de celeste e vaporoso a cercava, como se a alma exalandose envolvesse o seu corpo.
Sentado ao seu lado, ou de joelhos a seus pés, passava os dias a contemplar essa agonia lenta; sentiame morrer gradualmente, à semelhança de um homem que vê os últimos clarões da luz que vai extinguirse e deixálo nas trevas.
Uma tarde em que ela estava ainda mais fraca, tínhamonos chegado para a varanda.
A nossa casa em Nápoles dava sobre o mar; o sol, transmontando, escondiase nas ondas; um raio pálido e descorado veio enfiarse pela nossa janela e brincar sobre o rosto de Carlota, sentada ou antes deitada em uma conversadeira.
Ela abriu os olhos um momento e quis sorrir ; seus lábios nem tinham força para desfolhar o sorriso.
As lágrimas saltaramme dos olhos; havia muito que eu tinha perdido a fé, mas conservava ainda a esperança; esta desvaneceuse com aquele reflexo do ocaso, que me parecia o seu adeus à vida.
Sentindo as minhas lágrimas molharem as suas mãos, que eu beijava, ela voltouse e fixoume com os seus grandes olhos lânguidos.
Depois, fazendo um esforço, reclinouse para mim e apoiou as mãos sobre o meu ombro.
— Meu amigo, disse ela com voz débil, vou pedirte uma coisa, a última; tu me prometes cumprir?
— Juro, respondilhe eu, com a voz cortada pelos soluços.
— Daqui a bem pouco tempo... daqui a algumas horas talvez... Sim! sinto faltarme o ar!...
_____________________
(1) Madonas de Rafael: quadros de Nossa Senhora, pintados por Rafael, artista da Renascença italiana.
— Carlota!...
— Sofres, meu amigo! Ah! se não fosse isto eu morreria feliz.
— Não fales em morrer!
— Pobre amigo, em que deverei falar então? Na vida?... Mas não vês que a minha vida é apenas um sopro... um instante que breve terá passado?
— Tu te iludes, minha Carlota.
Ela sorriu tristemente.
— Escuta; quando sentires a minha mão gelada, quando as palpitações do meu coração cessarem, prometes receber nos lábios a minha alma?
— Meu Deus!...
— Prometes? sim?...
— Sim.
Ela tornouse lívida; sua voz suspirou apenas:
— Agora!
Aperteia ao peito e colei os meus lábios aos seus. Era o primeiro beijo de nosso amor, beijo casto e puro, que a morte ia santificar.
Sua fronte se tinha gelado, não sentia a sua respiração nem as pulsações de seu seio.
De repente ela ergueu a cabeça. Se visse, minha prima, que reflexo de felicidade e alegria iluminava nesse momento o seu rosto pálido!
— Oh! quero viver! exclamou ela.
E com os lábios entreabertos aspirou com delícia a aura impregnada de perfumes que nos enviava o golfo de Ischia.
Desde esse dia foi pouco a pouco restabelecendose, ganhando as forças e a saúde; sua beleza. reanimavase e expandiase como um botão que por muito tempo privado de sol, se abre em flor viçosa.
Esse milagre, que ela, sorrindo e corando, atribuía ao meu amor, foinos um dia explicado bem prosaicamente por um médico alemão que nos fez uma longa dissertação a respeito da medicina.
Segundo ele dizia, a viagem tinha sido o único remédio e o que nós tomávamos por um estado mortal não era senão a crise que se operava, crise perigosa, que podia matála, mas que felizmente a salvou.
Casamonos em Florença na igreja de Santa Maria Novella.
Percorremos a Alemanha, a França, a Itália e a Grécia; passamos um ano nessa vida errante e nômade, vivendo do nosso amor e alimentandonos de música, de recordações históricas, de contemplações de arte.
Criamos assim um pequeno mundo, unicamente nosso; depositamos nele todas as belas reminiscências de nossas viagens, toda a poesia dessas ruínas seculares em que as gerações que morreram, falam ao futuro pela voz do silêncio; todo o enlevo dessas vastas e imensas solidões do mar, em que a alma, dilatandose no infinito, sentese mais perto de Deus.
Trouxemos das nossas peregrinações um raio de sol do Oriente, um reflexo de lua de Nápoles, uma nesga do céu da Grécia, algumas flores, alguns perfumes, e com isto enchemos o nosso pequeno universo.
Depois, como as andorinhas que voltam com a primavera para fabricar o seu ninho no campanário da capelinha em que nasceram, apenas ela recobrou a saúde e as suas belas cores, viemos procurar em nossa terra um cantinho para esconder esse mundo que havíamos criado.
Achamos na quebrada de uma montanha um lindo retiro, um verdadeiro berço de relva suspenso entre o céu e a terra por uma ponta de rochedo.
Aí abrigamos o nosso amor e vivemos tão felizes que só pedimos a Deus que nos conserve o que nos deu; a nossa existência é um longo dia, calmo e tranqüilo, que começou ontem, mas que não tem amanhã.
Uma linda casa, toda alva e louçã, um pequeno rio saltitando entre as pedras, algumas braças de terra, sol, ar puro, árvores, sombras, ...eis toda a nossa riqueza.
Quando nos sentimos fatigados de tanta felicidade, ela arvorase em dona de casa ou vai cuidar de suas flores; eu fechome com os meus livros e passo o dia a trabalhar. São os únicos momentos em que não nos vemos.
Assim, minha prima, como parece que neste mundo não pode haver um amor sem o seu receio e a sua inquietação, nós não estamos isentos dessa fraqueza.
Ela tem ciúmes de meus livros, como eu tenho de suas flores. Ela diz que a esqueço para trabalhar; eu queixome de que ela ama as suas violetas mais do que a mim.
Isto dura quando muito um dia; depois vem sentarse ao meu lado e dizerme ao ouvido a primeira palavra que balbuciou o nosso amor: — Non ti scordar di me.
Olhamonos, sorrimos e recomeçamos esta história que lhe acabo de contar e que é ao mesmo tempo o nosso romance, o nosso drama e o nosso poema.
Eis, minha prima, a resposta à sua pergunta; eis por que esse moço elegante, como teve a bondade de chamarme, fezse provinciano e retirouse da sociedade, depois de ter passado um ano na Europa.
Podia darlhe outra resposta mais breve e dizerlhe simplesmente que tudo isto sucedeu porque me atrasei cinco minutos.
Desta pequena causa, desse grão de areia, nasceu a minha felicidade; dele podia resultar a minha desgraça. Se tivesse sido pontual como um inglês, não teria tido uma paixão nem feito uma viagem; mas ainda hoje estaria perdendo o meu tempo a passear pela rua do Ouvidor e a ouvir falar de política e teatro.
Isto prova que a pontualidade é uma excelente virtude para uma máquina; mas um grave defeito para um homem.
Adeus, minha prima. Carlota impacientase, porque há muitas horas que lhe escrevo; não quero que ela tenha ciúmes desta carta e que me prive de enviála.

Minas, 12 de agosto.

Abaixo da assinatura havia um pequeno postscriptum de uma letra fina e delicada :
"P. S. — Tudo isto é verdade, D..., menos uma coisa.
Ele não tem ciúmes de minhas flores, nem podia ter, porque sabe que só quando seus olhos não me procuram é que vou visitálas e pedirlhes que me ensinem a fazerme bela para agradálo.
Nisto enganoua; mas eu vingome, roubandolhe um dos meus beijos, que lhe envio nesta carta.
"Não o deixe fugir, prima; iria talvez revelar a nossa felicidade ao mundo invejoso."
CARLOTA





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Macbeth - William Shakespeare
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Macbeth
William Shakespeare

Edição
Ridendo Castigat Mores
Fonte Digital
http://www.jahr.org

Versão para eBook
eBooksBrasil.com

MACBETH

William Shakespeare

ÍNDICE

ATO I
Cena I
Cena II
Cena III
Cena IV
Cena V
Cena VI
Cena VII

ATO II
Cena I
Cena II
Cena III
Cena IV

ATO III
Cena I
Cena II
Cena III
Cena IV
Cena V
Cena VI

ATO IV
Cena I
Cena II
Cena III

ATO V
Cena I
Cena II
Cena III
Cena IV
Cena V
Cena VI
Cena VII

Personagens

DUNCAN, rei da Escócia.
MALCOLM, seu filho
DONALBAIN, seu filho.
MACHBETH, General do exército do rei
BANQUO, General do exército do rei.
MACDUFF, Nobre da Escócia.
ROSS, Nobre da Escócia.
MENTEITH, Nobre da Escócia.
ANGUS, Nobre da Escócia.
CAITHNESS, Nobre da Escócia.
FLEANCE, filho de Banquo.
SIWARD, duque de Northumberland, general do exército inglês.
O jovem Siward, seu filho.
SEYTON, oficial ligado a Macbeth.
Menino, filho de Macduff.
Um médico inglês.
Um médico escocês.
Um sargento.
Um porteiro.
Um velho.
Lady Macbeth
Lady Macduff
Criado de quarto de Lady Macbeth.
Hécate e três bruxas.
Nobres, gentis-homens, oficiais, soldados, assassinos, criados e mensageiros. O fantasma de Banquo e outras aparições.

ATO I
Cena I

Lugar deserto. Trovões e relâmpagos. Entram três bruxas.

PRIMEIRA BRUXA - Quando estaremos à mão com chuva, raio e trovão?
SEGUNDA BRUXA - Depois de calma a baralha e vencida esta batalha.
TERCEIRA BRUXA - Hoje mesmo, então, sem falha.
PRIMEIRA BRUXA - Onde?
SEGUNDA BRUXA - Da charneca ao pé.
TERCEIRA BRUXA - Para encontrarmos Macbeth
PRIMEIRA BRUXA - Graymalkin, não faltarei.
SEGUNDA BRUXA - Paddock chama.
TERCEIRA BRUXA - Depressa!
TODAS - São iguais o belo e o feio; andemos da névoa em meio.
(Saem).

Cena II

Um campo perto de Forres. Alarma dentro. Entram o rei Duncan, Malcolm, Donalbain, Lennox e pessoas do séquito. Encontram um sargento ferido.

DUNCAN - Quem é esse indivíduo ensangüentado? Pelo que mostra, pode dizer algo sobre o estado recente da revolta.
MALCOLM - É o sargento que, como bom e intrépido soldado, me livrou do cativeiro. Salve, valente amigo! Ao rei relata quanto sabes da luta até ao momento
em que saíste dela.
SARGENTO - Duvidoso era o desfecho, como dois cansados nadadores que um no outro se embaraçam, a arte prejudicando mutuamente. O impiedoso Macdonwald,
digno em tudo de ser mesmo um rebelde - que as inúmeras vilanias do mundo em torno dele como enxames esvoaçam - suprimentos das ilhas do oeste recebeu
de quernes e galowglasses; e a fortuna, rindo para sua querela amaldiçoada, mostrou-se prostituta de um rebelde. Mas tudo isso foi fraco em demasia, porque
o bravo Macbeth - merece o título - desdenhando a fortuna, de aço em punho, a fumegar da execução sangrenta, tal como o favorito da bravura, soube um caminho
abrir até postar-se bem na frente do escravo, não lhe tendo apertado a mão nem dito nenhum adeus, enquanto de alto a baixo não o descoseu e em nossos parapeitos
pendurou-lhe a cabeça.
DUNCAN - Oh bravo primo! Que digno gentil-homem!
SARGENTO - Como nascem tempestades terríveis e arrebentam pavorosos trovões do mesmo lado em que o sol principia a levantar-se: da mesma fonte, assim,
de onde o socorro parecia manar, surgiu o alarma. Presta atenção agora, rei da Escócia: mal havia a justiça, redobrada pelo valor, forçado os ágeis quernes
a confiar nos próprios calcanhares, quando o senhor dos noruegueses, tendo percebido a vantagem, com polidas armas e gente fresca de reforço, recomeçou
o assalto.
DUNCAN - E porventura temor não causou isso em nossos cabos Banquo e Macbeth?
SARGENTO - Como os pardais às águias ou a lebre ao leão. Para dizer o que houve, terei de relatar que pareciam canhões com dupla carga reforçados.
Assim eles redobravam no imigo duplos golpes. Se queriam banhar-se em fumegantes feridas, se dar fama a um outro Gólgota, não sei dizê-lo. Mas temo desmaiar;
minhas feridas reclamam por socorro.
DUNCAN - Teu relato te orna tão bem como esses ferimentos; lídimo sabor de honra eles revelam. Ide buscar um cirurgião para ele. (Sai o sargento, acompanhado.)
(Entra Ross.) Quem vem aí?
MALCOLM - O muito digno thane de Ross. Nos olhos dele, quanta pressa! O olhar assim teria quem nos viesse dar notícias de fatos muito estranhos.
ROSS - Que Deus proteja o rei.
DUNCAN - Mui digno thane, de onde vens?
ROSS - Grande rei, venho de Fife, onde as bandeiras norueguesas zombam do céu e deixam fria nossa gente com sua agitação. O soberano norueguês em pessoa,
com terrível número, reforçado pelo thane de Cawdor o traidor desleal e pérfido, deu início a um conflito pavoroso, até que o forte noivo de Belona, à
prova de valor, veio com ele defrontar-se em combate singular, espada contra espada, braço contra braço rebelde, e fez que seu espírito altivo se curvasse.
Em conclusão: a vitória pendeu do nosso lado.
DUNCAN - Grande felicidade!
ROSS - De tal medo que Sweno, o norueguês, paz nos implora. Mas não o deixamos sepultar os mortos sem que, antes, em Saint Colme, dez mil dólares houvesse
pago para nossa caixa.
DUNCAN - Jamais de novo há de trair o thane de Cawdor nosso afeto. Sem delongas o condenai à morte e com seu título saudai Macbeth.
ROSS - A mim tomo esse encargo.
DUNCAN - Folga Macbeth com o que para ele é amargo.
(Saem).

Cena III

A charneca. Trovões. Entram as três bruxas.

PRIMEIRA BRUXA - Onde estiveste, irmã?
SEGUNDA BRUXA - Matando porco.
TERCEIRA BRUXA - E tu, irmã?
PRIMEIRA BRUXA - Cheio o regaço tinha de castanhas a mulher de um marujo, e mastigava, mascava, mastigava. "Cede-me uma", lhe disse. "Vai-te embora,
bruxa!" grita-me a gorda comedora de babugem. Em caminho de Alepo está o marido, como chefe do "Tigre". Mas como rato cotó numa peneira vou só. E roque,
roque, roque!
SEGUNDA BRUXA - Vou dar-te um bom vento.
PRIMEIRA BRUXA - Vem a meu contento.
TERCEIRA BRUXA - Com mais um podes contar.
PRIMEIRA BRUXA - Saberei outros achar e os portos de mais zunidos e os pontos deles sabidos na carta dos marinheiros. Vou deixá-lo como enguia, sem
que o sono, noite e dia, lhe baixe aos olhos um nada. Vai ser vida amaldiçoada. Semanas noventa e nove, fraco e magro, nem se move; e embora não perca
o barco, de tufões não será parco. Vê o que eu trouxe!
SEGUNDA BRUXA - Mostra-me! Mostra-me!
PRIMEIRA BRUXA - O dedo de um marinheiro que naufragou no roteiro.
(Barulho de tambor, dentro.)
TERCEIRA BRUXA - Tambor! Tambor! Eis Macbeth, o vencedor!
TODAS - As três bruxas, mãos unidas, por estradas não batidas, por mar e terra se vão. Três para ti, três a mim. três para nove no fim. Silêncio! O
encanto está pronto.
(Entram Macbeth e Banquo.)
MACBETH - Nunca vi dia assim, tão feio e belo.
BANQUO - A que distância ainda se encontra Forres? Quem são essas criaturas tão mirradas e de vestes selvagens, que habitantes não parecem da terra
e, no entretanto, nela se movem? Acaso tendes vida? Sois algo a que perguntas dirijamos? Pareceis compreender-me, pois a um tempo levais os dedos ósseos
a esses lábios encarquilhados. Quase vos tomara por mulheres; no entanto vossas barbas não me permitem dar-vos esse nome.
MACBETH - Respondei, se puderdes: quem sois vós?
PRIMEIRA BRUXA - Viva, viva Macbeth! Nós te saudamos, thane de Glamis!
SEGUNDA BRUXA - Viva, viva Macbeth! Nós te saudamos, thane de Cawdor!
TERCEIRA BRUXA - Viva Macbeth, que há de ser rei mais tarde!
BANQUO - Meu bondoso senhor, por que motivo vos mostrais assustado, parecendo recear o que de ouvir é assim tão belo? Em nome da verdade, imaginárias
sereis realmente, ou o que mostrais por fora? Meu nobre companheiro foi saudado com títulos, por vós, de atual valia e grande predição de haveres nobres
e de real esperança, que parece deixá-lo arrebatado. Porém nada me dissestes. Se podeis ver a seara do tempo e predizer quais as sementes que hão de brotar,
quais não, falai comigo, que não procuro nem receio vosso ódio ou vosso favor.
PRIMEIRA BRUXA - Salve!
SEGUNDA BRUXA - Salve!
TERCEIRA BRUXA - Salve!
PRIMEIRA BRUXA - Menor do que Macbeth, porém maior!
SEGUNDA BRUXA - Não tão feliz, mas muito mais feliz!
TERCEIRA BRUXA - Gerarás reis, embora rei não sejas! Assim, viva Macbeth e viva Banquo!
PRIMEIRA BRUXA - Viva Banquo e Macbeth! A todos, viva!
MACBETH - Um momento, oradoras imperfeitas. Falai-me mais um pouco. Pela morte de Sinel eu fiquei thane de Glamis. Mas, Cawdor, de que jeito? Vive
o thane de Cawdor, gentil-homem muito próspero; e ser rei ultrapassa os horizontes da crença tanto ou mais do que ser Cawdor. Dizei de onde tirastes tão
insólita notícia e por que causa nos fizestes parar nesta charneca desolada, com saudações proféticas? Intimo-vos a me falar.
(As bruxas desaparecem.)
BANQUO - A terra tem borbulhas, tal como a água. Elas são justamente isso. Mas para onde sumiram?
MACBETH - No ar; e tudo quanto nos parecia ser corpóreo se fundiu como ao vento nosso anélito. Oh! se tivessem demorado um pouco!
BANQUO - Aqui estiveram, mesmo, essas criaturas sobre que conversamos, ou teríamos comido da raiz malsã que deixa prisioneira a razão?
MACBETH - Reis, vossos filhos?
BANQUO - Chegareis a rei.
MACBETH - E assim, thane de Cawdor. Não foi isso?
BANQUO - Esse, o tom e as palavras. Quem vem vindo?
(Entram Ross e Angus.)
ROSS - Macbeth, com alegria o rei as novas recebeu da vitória que obtiveste, e quando ouve falar que aventuraste tua pessoa contra esses rebeldes,
põem-se nele a lutar os elogios e a admiração sobre que parte fora justo te reservar, qual a ele próprio. Se sobre isso não fala, compendiando quanto houve
neste dia extraordinário, descobre-te na fila dos intrépidos noruegueses, impávido ante as formas da morte estranhas por ti próprio criadas. Bastos como
granizo, os mensageiros se sucediam, todos portadores de encômios para ti nesta grandiosa defesa de seu reino, derramando-lhe aos pés os elogios.
ANGUS - Aqui estamos para trazer-te os agradecimentos de nosso real senhor e te levarmos à sua frente, não para pagar-te.
ROSS - E como arras de uma honra de mais vulto, por ele devo te chamar de thane de Cawdor. Salve, pois, mui digno thane, por essa promoção, pois teu
é o título.
BANQUO - Como! Falou o diabo, então, verdade?
MACBETH - Vive o thane de Cawdor; qual a causa de me vestirdes com a roupagem de outrem?
ANGUS - O que foi thane ainda está com vida: mas sob pesado juízo a vida se acha que ele malbaratou. Ou mantivesse combinação com os próprios noruegueses,
ou por meios secretos os rebeldes procurasse auxiliar, ou dos dois lados se empenhasse na ruína de sua pátria, não sei dizê-lo; mas o certo é que altas
traições, já confessadas e provadas, o fizeram cair.
MACBETH (à parte) - Glamis e thane de Cawdor... O maior virá a seu tempo. (A Ross e Angus.) Agradeço o trabalho. (A Banquo.) Esperançado não ficais
de que venham vossos filhos a ser reis, uma vez que as que de thane de Cawdor me chamaram, não menores coisas lhes prometeram?
BANQUO - Uma grande confiança na promessa poderia vos inflamar para chegar ao trono, mais que thane de Cawdor. Mas é estranho; por vezes, para nos
perdermos, contam-nos os agentes das trevas alguns fatos verídicos, seduzem-nos com coisas inocentes, porém de pouca monta, para nos arrastar a conseqüências
incalculáveis. Primo, uma palavrinha, por obséquio.
MACBETH (à parte) - Duas verdades foram ditas, prólogo feliz do ato elevado, cujo tema é simplesmente real. - Muito obrigado. senhores. (À parte.)
Essa solicitação tão sobrenatural pode ser boa, como pode ser má... Se não for boa, por que me deu as arras de bom êxito, relatando a verdade? Sou o thane
de Cawdor. Sendo boa, por que causa ceder à sugestão, cuja figura pavorosa os cabelos me arripia, fazendo que me bata nas costelas o coração tão firme,
contra as normas da natureza? O medo que sentimos é menos de temer que as mais terríveis mas fictícias criações. Meu pensamento no qual o crime por enquanto
é apenas um fantasma, a tal ponto o pobre reino de minha alma sacode, que esmagada se torna a vida pela fantasia, sem que haja nada além do que não é.
BANQUO - Como ficou absorto nosso amigo!
MACBETH (à parte) - Se o acaso quer que eu seja rei, o acaso me poderá coroar sem que eu me mexa.
BANQUO - As honras mais recentes caem nele como em nós roupa nova, que somente com o uso vêm a se ajeitar no corpo.
MACBETH (à parte) - Venha o que vier, que a hora da alegria chega depois do mais cansado dia.
BANQUO - Digno Macbeth, por vós é que esperamos.
MACBETH - Desculpai-me; mas meu pesado cérebro se ocupava com coisas esquecidas. Vosso trabalhos, dignos cavalheiros, gravados ficam onde diariamente
virar eu possa as folhas para lê-los. Procuremos o rei. (A Banquo.) Pensai no que houve, que mais tarde, depois de refletirmos, com o coração aberto falaremos.
BANQUO - Pois não.
MACBETH - Por hoje basta. Amigos, vamos!
(Saem.)

Cena IV

Forres. Um quarto no palácio. Fanfarra. Entram Duncan, Malcolm, Donalbain, Lennox e pessoas do séqüito.

DUNCAN - Cawdor já foi executado? Os homens incumbidos do feito já voltaram?
MALCOLM - Meu suserano, ainda não vieram; mas falei com alguém que o viu morrer, que me disse haver ele confessado francamente as traições, pedido
a Vossa Grandeza lhe perdoasse e revelado grande arrependimento. Nada em vida tanto o ornou como o modo de deixá-la. Morreu tal como se estudado houvesse
como na hora da morte desfazer-se do mais precioso bem, como se fosse de somenos valor.
DUNCAN - Não existe arte que ensine a ler no rosto as feições da alma. Era um fidalgo em quem depositava absoluta confiança. (Entram Macbeth, Banquo,
Ross e Angus.) Ó digno primo! Neste instante pesava-me o pecado de minha ingratidão. Tão na dianteira te achas agora, que as mais lestes asas da recompensa
se revelam tardas demais para alcançar-te. Quem me dera que teus méritos fossem mais modestos, porque estivesse em mim a conta certa dos agradecimentos
e da paga! Só me resta dizer-te que mereces mais, muito mais do que as mais ricas messes.
MACBETH - O serviço e a lealdade que vos devo por si mesmos se pagam, competindo tão-somente a Vossa Honra contar sempre com nossa obrigação, consistindo
esta em bem servir o trono, o Estado, os filhos e os servidores, que só fazem quanto devem fazendo tudo quanto podem com relação a vosso amor e glória.
DUNCAN - Sê bem-vindo. A plantar-te comecei; hei de esforçar-me, assim, para que alcances crescimento completo. Nobre Banquo, que menos não fizeste
e cujos feitos ficar não devem menos conhecidos: permite que te abrace e aperte muito de encontro ao coração.
BANQUO - Se em tal terreno eu me der bem, vossa será a colheita.
DUNCAN - As minhas abundantes alegrias, ébrias de plenitude, ora procuram ocultar-se nas togas da tristeza. Filhos, parentes, thanes, e vós outros
que vos achais mais próximos: sabei que reforçar queremos nosso Estado em nosso primogênito Malcolm a quem nomeamos doravante príncipe de Cumberlândia.
Mas não há de essa honra a ele somente ornar. Não; como estrelas, títulos brilharão de alta nobreza sobre quem merecer. (A Macbeth.) Daqui sigamos para
Inverness, a fim de que se dobrem minhas obrigações para convosco.
MACBETH - Trabalho será o ócio que em proveito vosso não for usado. Eu mesmo quero ser o aposentador de Vossa Alteza, para que jubilosos os ouvidos
deixe de minha esposa com a notícia de que em breve estareis em nossa casa. Assim, despeço-me.
DUNCAN - Meu digno Cawdor!
MACBETH (à parte) - Já príncipe de Cumberlândia! É escolho que ao mar me joga, se eu não abrir o olho. Estrelas, escondei a luz jucunda, para que a
escuridão não veja funda de meus negros anseios! Que na frente da mão o olho se feche prestesmente; mas que se concretize o que, acabado, faça o olho estremecer
de horrorizado. (Sai.)
DUNCAN - É certo, digno Banquo; é mui valente. Dos elogios dele me alimento; são para mim banquete. Acompanhemo-lo. O zelo dele vai na nossa frente
para nos preparar o acolhimento. Não há parente igual.
(Fanfarras. Saem.)

Cena V

Inverness. Castelo de Macbeth. Entra lady Macbeth, lendo uma carta.

LADY MACBETH - "Elas me encontraram no dia da vitória e pude verificar, pela mais exata confirmação, que são dotadas de saber mais do que humano. Quando
eu ardia em desejos de continuar a interrogá-las, desfizeram-se em ar, no qual se dissiparam. Enquanto eu me encontrava tomado de estupor com o que acontecera,
chegaram mensageiros do rei, que me cumprimentaram a uma voz como "Thane de Cawdor", título com que, antes, me haviam saudado as irmãs feiticeiras, referindo-se
ao meu futuro por este modo: "Salve! Ainda virás a ser rei!". Pareceu-me bem comunicar-te o que se passou, companheira querida de minha grandeza, para
que não viesses a perder a parte que te cabe dessa felicidade, com ignorares o futuro que te está prometido. Guarda isto no coração e adeus."
Glamis já és e Cawdor, e em futuro virás a ser o que te prometeram. Temo, porém, a tua natureza cheia de leite da bondade humana, que entrar não te
consente pela estrada que vai direito à meta. Desejaras ser grande, e não te encontras destituído, de todo, de ambição; porém careces da inerente maldade.
O que desejas com fervor, desejaras santamente; não queres jogo ilícito, ruas queres ganhar mal. Desejaras, grande Glamis, possuir o que te grita: "Desse
modo precisarás fazer, para que o tenhas!" Mas antes medo tens de fazer isso do que desejas que não fique feito. Vem para cá, para que meus espíritos nos
ouvidos te deite e com a ousadia de minha língua chicoteie quantos obstác'los te separam do áureo círculo com que o destino e o auxílio metafísico como
que desde já te coroaram. (Entra um mensageiro.) Quais são as novidades?
MENSAGEIRO - Hoje à noite o rei chegará aqui.
LADY MACBETH - Como! Estás louco? Acaso teu senhor não está com ele? Não deixaria de instruções mandar-me, para os preparativos.
MENSAGEIRO - Com licença. mas é verdade. Vai chegar o thane. Um dos meus camaradas a dianteira dele tomou, de estafa quase morto, mal lhe restando
o fôlego preciso para dar o recado.
LADY MACBETH - Cuidem dele com carinho; traz grandes novidades. (Sai o mensageiro.) Rouco está o próprio corvo que crocita a chegada fatídica de Duncan
à minha fortaleza. Vinde, espíritos que os pensamentos espreitais de morte, tirai-me o sexo, cheia me deixando, da cabeça até aos pés, da mais terrível
crueldade! Espessai-me todo o sangue; obstruí os acessos da consciência, porque batida alguma compungida da natureza sacudir não venha minha hórrida vontade,
promovendo acordo entre ela e o ato. Ao feminino peito baixai-me, e fel bebei por leite, auxiliares do crime, de onde as vossas substâncias incorpóreas
sempre se acham à espreita de desgraças deste mundo. Vem, noite espessa, e embuça-te no manto dos vapores do inferno mais sombrios, porque as feridas meu
punhal agudo não veja que fizer, nem o céu possa espreitar através do escuro manto e gritar: "Pára! Pára!" (Entra Macbeth.) Grande Glamis, digno Cawdor,
maior do que ambos, ainda, pela futura saudação. Tua carta além me pôs deste presente néscio, sentindo eu futuro neste instante.
MACBETH - Duncan, meu caro amor, chega esta noite.
LADY MACBETH - E quando vai embora?
MACBETH - Amanhã mesmo, segundo pensa.
LADY MACBETH - O sol, oh! nunca, nunca verá esse amanhã. Vosso rosto, meu thane, é um livro aberto em que podemos ler coisas estranhas. Para o mundo
enganardes, a aparência tomai do mundo; tende boas-vindas nas mãos, nos olhos e na própria língua; a todos parecei flor inocente, mas sede a serpe que
na flor se esconde. Cuidemos do hóspede que chega, sendo que a meu cargo deveis deixar o grande negócio desta noite, que nos há de legar dias e noites
de alegria, de mando soberano e de valia.
MACBETH - Depois conversaremos.
LADY MACBETH - Só te digo que a voz mudar é revelar perigo. Deixa o resto comigo.
(Saem.)

Cena VI

O mesmo. Diante do castelo. Oboés e tochas. Entram Duncan, Malcolm, Donalbain, Banquo, Lennox, Macduff, Ross, Angus e pessoas do séquito.

DUNCAN - É bela a posição deste castelo. O ar afaga os sentidos delicados por maneira agradável e serena. Os hóspedes do estio, as andorinhas, dos
templos familiares, bem demonstram com seus ninhos mimosos que o celeste hálito aqui cativa com o perfume. Não há sacada, friso, arcobotante, ou favorável
canto em que esses pássaros não suspendam seu leito e o berço fértil. Onde eles gostam de viver, notei-o, o ar é mui delicado. (Entra lady Macbeth.) Vede!
Vede! Nossa hospedeira ilustre! O amor que segue nossos passos, por vezes nos perturba. Mas, sendo amor, agradecemos sempre. Com isso vos ensino a dirigir-nos
um "Deus vos recompense" pelos muitos trabalhos que vos damos, e a os incômodos ainda agradecer-nos.
LADY MACBETH - Fossem duplos nossos trabalhos, sob qualquer aspecto, e depois redobrados, ainda foram coisinhas sem valor, se comparados com as honrarias
grandes e profundas com que sobrecarrega nossa casa vossa alta majestade. Pelos velhos benefícios e as honras mais recentes que lhe acrescentastes, confessamo-nos
como vossos devotos.
DUNCAN - E onde o thane de Cawdor se meteu? No encalço dele corremos até aqui, pensando mesmo que de aposentador lhe serviríamos. Mas ele monta muito
bem, e o grande afeto que nos vota, agudo como suas esporas, à sua própria casa o trouxe antes de nós. Formosa e digna hospedeira, esta noite ficaremos
aqui como vosso hóspede.
LADY MACBETH - A existência tiveram sempre os servos, eles próprios e seus haveres todos como simples depósito ao dispor de Vossa Alteza, pronto a
ser devolvido.
DUNCAN - A mão vos tomo; para o meu hospedeiro conduzi-me. Temos-lhe grande amor e mostrar-lhe-emos provas ainda mais de nossa graça. Permiti-me, hospedeira.
(Saem.)

Cena VII

O mesmo. Um quarto no castelo. Oboés e tochas. Um trinchante atravessa o palco com diversos criados, que carregam pratos e acessórios da mesa. Depois entra
Macbeth.

MACBETH - Se feito fosse quanto fosse feito, seria bom fazermo-lo de pronto. Se o assassínio enredasse as conseqüências e alcançasse, com o fim, êxito
pleno; se este golpe aqui fosse tudo, e tudo terminasse aqui em baixo, aqui somente, neste banco de areia da existência, a vida de após morte arriscaríamos.
Mas é aqui mesmo nosso julgamento em semelhantes casos; só fazemos ensinar as sentenças sanguinárias que, uma vez aprendidas, em tormento se viram do inventor.
Essa justiça serena e equilibrada a nossos lábios apresenta o conteúdo envenenado da taça que nós mesmos preparáramos. Ele está aqui sob dupla salvaguarda.
De início, sou parente dele e súdito, duas razões de força contra esse ato; depois, sou o hospedeiro, que devera fechar a porta a seus assaltadores, não
levantar contra ele minha faca. Esse Duncan, por fim, tem revelado tão brandas qualidades de regente, seu alto ofício tem exercitado por maneira tão pura
que suas claras virtudes hão de reclamar, sem dúvida, contra o crime infernal de sua morte. E a piedade, tal como um recém-nado despido, cavalgando a tempestade,
ou querubim celeste que montasse nos corcéis invisíveis das rajadas, há de atirar esse ato inominável contra os olhos de todas as pessoas, até que o vento
as lágrimas afoguem. Esporas não possuo, para os flancos picar do meu projeto, mas somente a empolada ambição que, ultrapassando no salto a sela, vai cair
sobre outrem. (Entra lady Macbeth.) Que há de novo?
LADY MACBETH - Já está no fim da ceia. Por que saístes?
MACBETH - Perguntou por mim?
LADY MACBETH - Pois ainda me fazeis essa pergunta?
MACBETH - Não iremos mais longe neste assunto. Muitas honras me fez ultimamente, havendo eu conquistado áureo conceito junto de toda gente, que desejo
mostrar com o novo brilho, não de lado jogar sem mais nem menos.
LADY MACBETH - Encontra-se embriagada a esperança que até há pouco vos revestia? Adormeceu, decerto, desde então e acordou agora, pálida e verde a
contemplar o que ela própria começara tão bem? Desde este instante para mim teu amor vale isso mesmo. Tens medo de nos atos e coragem mostrar-te igual
ao que és em teus anelos? Queres vir a possuir o que avalias como ornamento máximo da vida, mas qual poltrão viver em tua estima, deixando que um "Não
ouso" vá no rasto de um "Desejara", como o pobre gato de que fala o provérbio?
MACBETH - Paz, te peço. Ouso fazer tudo o que faz um homem; quem fizer mais, é que deixou de sê-lo.
LADY MACBETH - Que animal foi, então, que teve a idéia de me participar esse projeto? Quando ousastes fazê-lo éreis um homem, e querendo ser mais do
que então éreis tanto mais homem a ficar viríeis. Lugar e tempo então não concordavam; no entanto desejáveis ajeitá-los; e ora que se acomodam por si mesmos,
essa boa vontade vos abate! Já amamentei e sei como é inefável amar a criança que meu leite mama; mas no momento em que me olhasse, rindo, o seio lhe tirara
da boquinha desdentada e a cabeça lhe partira, se tivesse jurado, como o havíeis em relação a isso.
MACBETH - Se falharmos...
LADY MACBETH - Falharmos? Bastará aparafusardes vossa coragem até o ponto máximo, para que não falhemos. Quando Duncan se puser a dormir - e a rude
viagem de hoje o convidará para isso mesmo - ambos os camareiros de tal modo dominarei com vinho, que a memória, essa guarda do cérebro, fumaça tão-somente
será e o receptáculo da razão, alambique. E quando os corpos nesse sono de porco se encontrarem, como se mortos fossem, que de coisas não faremos em Duncan
indefeso, que culpas não imputaremos a esses servidores-esponjas, porque fiquem responsáveis por nosso grande crime?
MACBETH - Só deves dar à luz a filhos homens, pois teu vigor indômito só pode filhos homens nutrir. Será aceitável, quando de sangue besuntado houvermos
os dois homens que dormem no seu quarto, e seus próprios punhais também usado, que foram eles os autores disso?
LADY MACBETH - Quem ousará pensar de outra maneira, quando rugirmos nossa dor e os altos clamores rimbombarem sobre o morto?
MACBETH - Preparado me encontro e deixo tensos todos os nervos para esse ato horrível. Vamos! Recomponhamo-nos primeiro; coração falso e rosto lisonjeiro.
(Saem.)

ATO II
Cena I

Inverness. Pátio no interior do castelo. Entram Banquo e Fleance, precedidos de um criado com uma tocha.

BANQUO - Quanto da noite já será, menino?
FLEANCE - Não ouvi bater horas, mas a lua já se escondeu.
BANQUO - Ela se esconde às doze.
FLEANCE - Penso, senhor, que será mais do que isso.
BANQUO - Toma aqui minha espada. Há economia no céu; todas as luzes se apagaram. Fica também com isto. Em mim se exerce uma pressão pesada como chumbo.
No entretanto, quisera não dormir. Detende em mim, poderes criadores, os pensamentos maus que a natureza permite aos que repousam. (Entra Macbeth, acompanhado
de criado, com uma tocha.) Quem vem lá?
MACBETH - Um amigo.
BANQUO - Como, senhor! Ainda estais de pé? O rei já foi deitar-se; revelava insólita alegria, tendo enchido de grossos cabedais vossos celeiros. Saúda
vossa esposa, oferecendo-lhe este diamante, como à mais bondosa das hospedeiras. Foi-se para o quarto com um contentamento sem limites.
MACBETH - Tomada de surpresa, nossa boa vontade se mostrou serva da falta. Se não, teria inteira liberdade.
BANQUO - Tudo vai bem. Sonhei na última noite com as três irmãs fatais. Muito verídicas com relação a vós se revelaram.
MACBETH - Não penso nelas; no entretanto, quando tivermos alguma hora favorável dedicaremos a isso umas palavras, se o tempo vos sobrar.
BANQUO - Com todo o gosto.
MACBETH - Se no tempo oportuno concordardes com meu modo de ver, ganhareis honra.
BANQUO - Se não vier a perdê-la no propósito de fazê-la aumentar, puro deixando-me o coração e límpida a obediência, ouvir-vos-ei de grado.
MACBETH - Bom repouso até esse dia.
BANQUO - Muito agradecido, meu senhor; iguais votos vos dirijo.
(Saem Banquo e Fleance.)
MACBETH - Vai dizer à senhora que me faça sinal com o sino, quando estiver pronta minha bebida. Depois disso, deita-te. (Sai o criado.) Será um punhal
que vejo em minha frente com o cabo a oferecer-se-me? Peguemo-lo. Não te apanhei ainda; no entretanto, vejo-te sempre. Não serás sensível, visão funesta,
ao tato como à vista? Ou de um punhal não passas, simplesmente, do pensamento, uma criação fictícia, procedente do cérebro escaldante? Percebo-te, no entanto,
e tão palpável como este que ora empunho. Mostras-me a estrada que seguir eu devo e o instrumento que a usar serei forçado. Se meus olhos joguete não se
mostram de meus outros sentidos, sobrepujam todos eles. Ainda te percebo, manchado o cabo e a lâmina de gotas de sangue que antes não estava neles. Não
existe tal coisa; é o sanguinário projeto que a meus olhos toma forma. Em metade do mundo, neste instante, parece estar sem vida a natureza; os sonhos
maus iludem sob as pálpebras o sono bem velado; feiticeiras o rito exercem singular da pálida Hécate; o esquálido assassino, posto de alerta pela sua sentinela,
o lobo, cujo uivar lhe serve de horas, com passo de ladrão e o andar furtivo de Tarquínio, da meta se aproxima, tal qual fantasma. Ó terra forte e sólida,
não ouças o barulho de meus passos, seja qual for a direção que tomem, porque as próprias pedrinhas não propalem para onde eu vou e dissipar não façam
o horror desta hora que tão bem lhe fica. Eu ameaço; ele vive; congelada pelo meu sopro a ação se torna em nada. (O sino soa.) Já vou; está feito. O sino
me convida. Duncan, não ouças; é um chamado eterno que para o céu te leva ou para o inferno. (Sai.)

Cena II

O mesmo. Entra lady Macbeth.

LADY MACBETH - O que os embebedou me deu coragem: fogo me deu o que os deixou extintos. Ouvi! Silêncio! É o pio da coruja, sentinela fatal que augura
a mais sinistra noite. Vai dar o golpe; a porta se acha aberta; o ressonar dos guardas embriagados zomba do ofício deles. Pus mistura na bebida de todos,
de tal forma que a morte e a natureza neles lutam sobre se vão morrer ou ficar vivos.
MACBETH (dentro) - Quem está aí? Olá!
LADY MACBETH - Que pena! Temo, que acordassem e nada esteja feito. O que nos atrapalha é a tentativa, somente, não a ação. Ouvi! De jeito deixei os
punhais deles; não podiam ficar despercebidos. Se não fosse parecer-se no sono com meu pai, eu própria o realizara. - Meu marido!
(Entra Macbeth.)
MACBETH - Realizei o ato. Ouviste algum barulho?
LADY MACBETH - O pio, apenas, da coruja, e o grito do grilo. Não falastes?
MACBETH - Quando?
LADY MACBETH - Agora.
MACBETH - Quando eu descia?
LADY MACBETH - Sim.
MACBETH - Escuta um pouco. Quem é que está naquele quarto ao lado?
LADY MACBETH - Donalbain.
MACBETH (Contemplando as mãos) - Oh, que vista lastimável!
LADY MACBETH - É um pensamento néscio dizer isso: "Que vista lastimável!"
MACBETH - Um, no sono, sorriu, e o outro gritou: "Ai! Assassínio!" E, com isso, acordaram. Escutando-os, me detive. Mas eles murmuraram orações, tão-somente,
e dispuseram-se a dormir outra vez.
LADY MACBETH - No mesmo quarto se acham dois.
MACBETH - Um gritou: "Deus nos ampare!" E "Amém" disse o outro, como se tivessem percebido as mãos sujas do carrasco. Ao escutar-lhe o temor, não pude
dizer "Amém", quando eles murmuraram "Deus nos ampare".
LADY MACBETH - Não será prudente pensar tanto sobre isso.
MACBETH - Por que causa não pude, então, dizer "Amém?" De bênção tinha necessidade mui premente; mas na garganta o "Amém" ficou pegado.
LADY MACBETH - Essas coisas não devem ser pensadas dessa maneira. É de deixar-nos loucos.
MACBETH - Uma voz pareceu-me ouvir, aos gritos de: "Não durmais! Macbeth matou o sono!" o meigo sono, o sono que desata a emaranhada teia dos cuidados,
que é o sepulcro da vida cotidiana, banho das lides dolorosas, bálsamo dos corações feridos, a outra forma da grande natureza, o mais possante pábulo do
banquete da existência.
LADY MACBETH - Que pretendeis dizer?
MACBETH - Por toda a casa continuava a gritar: "Basta de sono! Não durmais! Glamis destruiu o sono! Por isso Cawdor já dormir não pode, Macbeth dormir
não pode!"
LADY MACBETH - Quem gritava por esse modo? Ora, meu digno thane, relaxais vossas nobres energias considerando as coisas por maneira tão doentia. Arranjai
um pouco de água, para das mãos tirardes todas essas testemunhas manchadas. Por que causa trouxestes os punhais de onde se achavam? Precisam ficar lá.
Tomai a pô-los em seus lugares e sujai de sangue os criados que ainda dormem.
MACBETH - Não; não volto. Tenho pavor só de pensar no feito; voltar a contemplá-lo me é impossível.
LADY MACBETH - Oh! que vontade fraca! Dai-me as armas. Os mortos e os que dormem são pinturas, nada mais. É somente o olho da criança que tem medo
do diabo desenhado. Se estiver a sangrar, deixarei tintos com isso o rosto de seus próprios criados, pois é preciso que pareça que eles o crime cometeram.
(Sai. Pancadas dentro.)
MACBETH - Onde batem? Que se passa comigo, para um simples ruído apavorar-me? E aquelas mãos, ai! que os olhos me arrancam? Todo o oceano do potente
Netuno poderia de tanto sangue a mão deixar-me limpa? Não; antes minha mão faria púrpura do mar universal, tornando rubro o que em si mesmo é verde.
(Volta lady Macbeth.)
LADY MACBETH - De vossa cor as mãos agora tenho; mas de possuir ficara envergonhada um coração tão branco. (Pancadas dentro.) Ouvi! Novas batidas.
Ide logo vestir vosso roupão; se nos chamarem, não devemos mostrar que não dormimos. Não deveis entregar-vos a essas cismas tão miseravelmente.
MACBETH - Conhecer o que fiz... Melhor me fora se não me conhecesse. (Pancadas dentro.) Acordam Duncan batendo desse modo. Ah! se acordasses!
(Saem.)

Cena III

O mesmo. Pancadas dentro. Entra o porteiro.

PORTEIRO - Isso, sim, é que é bater! Quem fosse porteiro no inferno não faria outra coisa senão virar a chave. (Pancadas dentro.) Bate, bate, bate!
Quem está aí, em nome de Belzebu? Eis que chega um lavrador que se enforcou, na expectativa de uma boa colheita. Chegais na hora. Trazei boa carga de lenços,
por isso que tereis de suar aqui a valer. (Pancadas dentro.) Bate, bate, bate! Quem está aí, em nome do outro diabo? Por minha fé, é um sujeito de língua
equívoca, que poderia jurar em qualquer um dos pratos da balança, contra o outro prato, que cometeu bastantes traições por amor de Deus, mas não pôde equivocar
o céu. Oh! entrai, meu equivocador! (Pancadas dentro.) Bate, bate, bate! Quem está ai? Por minha fé, é um alfaiate inglês que vem para cá por ter roubado
uns calções franceses. Entrai, senhor alfaiate! Aqui podereis aquecer à vontade vosso ferro de engomar. (Pancadas dentro.) Bate, bate! Não há sossego de
jeito nenhum. Quem sois? Mas, para inferno, este lugar é muito frio. Não continuarei nele por mais tempo como porteiro do diabo. Tinha pensado em deixar
entrar gente de todas as profissões, que vai para os fogos eternos pela estrada semeada de rosas. (Pancadas dentro.) Um momento! Um momento! Por obséquio,
não vos esqueçais do porteiro. (Abre o portão.)
(Entram Macduff e Lennox.)
MACDUFF - Fostes, amigo, vos deitar tão tarde para demorar tanto a levantar-vos?
PORTEIRO - Em verdade, senhor, ficamos a beber até ao segundo canto do galo, e a bebida, senhor, é um grande provocador de três coisas.
MACDUFF - Quais são as três coisas que a bebida provoca especial mente?
PORTEIRO - Ora, senhor, nariz vermelho, sono e urinas. A lascívia, senhor, ela provoca e deixa sem efeito; provoca o desejo, mas impede a execução.
Por isso pode-se dizer que a bebida usa de subterfúgios com a lascívia: ela a cria e a destrói; anima-a e desencoraja-a; fá-la ficar de pé e depois a obriga
a não ficar de pé. Em resumo: leva-a a dormir com muita lábia e, lançando-lhe o desmentido, abandona-a a si mesma.
MACDUFF - Penso que a bebida te lançou o desmentido esta noite.
PORTEIRO - Foi isso mesmo, senhor, que ela fez comigo, pela garganta a dentro. Mas eu lhe dei o troco do desmentido; porque sendo, como penso ser,
mais forte do que ela, embora por vezes ela me quisesse passar rasteira, acabei por jogá-la ao solo.
MACDUFF - Teu senhor já se levantou? (Entra Macbeth.) O barulho acordou-o. Ei-lo que chega.
LENNOX - Nobre senhor, bom dia.
MACBETH - Para todos também bom dia.
MACDUFF - O rei, mui digno thane, já terá acordado?
MACBETH - Não, ainda.
MACDUFF - Pediu-me que o chamasse bem cedinho. Por pouco perdi a hora.
MACBETH - Vou levar-vos até onde ele se encontra.
MACDUFF - Sei que alegre vos deixa esse trabalho. Porém sempre será trabalho.
MACBETH - O trabalho agradável é remédio da canseira. Eis a porta.
MACDUFF - A liberdade vou tomar de bater, pois a incumbência que recebi foi essa. (Sai.)
LENNOX - O rei parte hoje?
MACBETH - Parte; assim decidiu.
LENNOX - A noite toda foi desassossegada. Onde dormimos o vento derrubou a chaminé. Dizem que no ar se ouviram muitos prantos, gritos de morte estranhos,
profecias, em terríveis acentos, de horrorosas devastações, confusos acidentes, ninhada destes tempos ominosos. Durante toda a noite a ave das trevas não
deixou de piar. Dizem que a terra teve febre e tremeu.
MACBETH - Foi uma noite muito rude, em verdade.
LENNOX - Minha jovem memória não se lembra de outra igual.
(Volta Macduff.)
MACDUFF - Horror, horror, horror! Não pode a língua, não pode o coração nem conceber-te nem dar-te nome algum.
MACBETH e LENNOX - Que aconteceu?
MACDUFF - A destruição concluiu sua obra-prima. Arrombou o sacrílego assassínio o templo ungido do Senhor, e a vida roubou do próprio altar.
MACBETH - Como dissestes? A vida?
LENNOX - Pretendeis dizer que é a vida de Sua Majestade?
MACDUFF - Ide até o quarto e a vista destruí ante outra Górgona. Quero ficar calado. Ide vós mesmos, para depois falardes. (Saem Macbeth e Lennox.)
Despertai! Despertai! Traição e morte! Malcolm, Banquo, Donalbain, depressa, sacudi esse sono de penugem, simulacro da morte, e vinde a própria morte encarar.
De pé! A imagem vede do grande julgamento. Malcolm! Banquo! Vinde como das tumbas, como espíritos, para ver este horror. Tocai o sino!
(Soa o sino.)
(Entra lady Macbeth.)
LADY MACBETH - Que aconteceu aqui, para que, tão medonha, uma trombeta desperte os moradores desta casa, para parlamentar? Falai! Falai!
MACDUFF - Ó gentil dama, não deveis ouvir-me no que tenho a dizer. Esse relato, repetido ao ouvido de uma dama, produziria a morte. (Entra Banquo.)
Ó Banquo! Banquo! assassinado foi nosso real amo.
LADY MACBETH - Ai! como? Em nossa casa?
BANQUO - Oh! muito cruel, pouco importa onde fosse. Caro Duff, desmente-te a ti próprio, por obséquio, e dize que houve engano.
(Voltam Macbeth e Lennox.)
MACBETH - Se eu tivesse morrido uma hora, apenas, antes de isto se dar, teria tido uma vida abençoada. Doravante nada mais há de sério no universo.
Tudo é farandolagem; a honra e a glória já não existem. Esgotado se acha o vinho da existência, só restando simples borra no fundo desta adega com que
possa jactar-se.
(Entram Malcolm e Donalbain.)
DONALBAIN - Que foi que aconteceu?
MACBETH - Como! Estais vivos e não sabeis o que houve? A fonte, a origem, o princípio secou de vosso sangue, a própria origem já parou de todo.
MACDUFF - Vosso real pai se encontra assassinado.
MALCOLM - Oh! E por quem?
LENNOX - Ao que parece, foram seus próprios camareiros que o mataram. De sangue o rosto e as mãos tinham manchados, como os punhais que sem bainha
achamos sobre seus travesseiros. De olhar fixo se achavam, como alheados. Não deviam ter-lhes confiado a vida de ninguém.
MACBETH - Agora me arrependo de os ter morto na minha indignação.
MACDUFF - Por que o fizestes?
MACBETH - Quem sábio pode ser e estupefacto, moderado e furioso, leal e neutro na mesma hora? Ninguém. A diligência do meu amor violento deixou longe
a razão vagarosa. Neste ponto se achava Duncan, com sua cute branca acairelada pelo sangue de ouro; as feridas abertas pareciam brechas da natureza, adrede
feitas para a entrada da ruína vastadora; além, os assassinos, embebidos da cor da profissão, monstruosamente recobertas de sangue as próprias armas...
Quem poderia reprimir-se, tendo coração para amar e, nele, o brio de tornar conhecidos seus pendores?
LADY MACBETH - Oh! Tirai-me daqui!
MACDUFF - Vede a senhora.
MALCOLM - (à parte, a Donalbain) - Por que ficamos mudos, se este caso de perto nos atinge mais que a todos?
DONALBAIN (à parte, a Malcolm) - Por que falar aqui, onde o destino, a espiar de algum buraco, poderia lançar-se sobre nós? Fujamos; nossas lágrimas
não estão bem preparadas.
MALCOLM (à parte, a Donalbain) - Nem nossa grande dor para a vingança.
BANQUO - Socorrei a senhora. (Lady Macbeth é levada para fora.) E após agasalharmos a fraqueza, muito sensível a este tempo frio, reunamo-nos a fim
de interrogarmos esta obra enormemente sanguinária, para com mais vagar a conhecermos. A dúvida e o receio nos abalam. Na grande mão de Deus ora me encontro,
disposto a combater as não sabidas intenções da malícia criminosa.
MACDUFF - Como eu.
TODOS - Como nós todos.
MACBETH - Com presteza viril nos aprontemos para em pouco nos reunirmos na sala.
TODOS - Bem pensado.
(Saem todos, com exceção de Malcolm e Donalbain.)
MALCOLM - Que pretendeis fazer? Não nos unamos com essa gente. É muito fácil para o homem fingido aparentar tristeza. Irei para a Inglaterra.
DONALBAIN - E eu para a Irlanda. Separados, assim, nossos destinos cuidarão de nós dois com maior zelo. Os sorrisos aqui punhais escondem. Quanto mais
perto o sangue dos parentes, maior é a afinidade sanguinária.
MALCOLM - A mortífera flecha disparada ainda não caiu; nosso caminho mas seguro é evitar-lhe a trajetória. A cavalo, portanto, sem perdermos tempo
com despedidas delicadas. Saiamos de mansinho. Condenável não pode ser o roubo da prudência, quando não há nem rasto de demência.
(Saem.)

Cena IV

O mesmo. Do lado de fora do castelo. Entram Ross e um velho.

O VELHO - Posso lembrar-me bem de setenta anos; nesse espaço de tempo vi terríveis horas e coisas por demais estranhas; mas esta noite triste deixa
longe tudo quanto até agora eu conhecia.
ROSS - Ó meu bom pai! O céu, como estás vendo, indignado com o jogo dos humanos, comina ameaças ao sanguíneo palco. Pelo relógio, é dia; no entretanto,
atrasa a lâmpada ambulante a noite caliginosa. E tão potente a noite? É a vergonha do dia que permite que a treva cubra o rosto, assim, da terra, a que
beijar devera a luz radiosa?
O VELHO - É contra a natureza, tal como o ato que aqui foi perpetrado. Na passada terça-feira um falcão que se gloriava no remígio habitual, preado
e morto foi por uma coruja caça-ratos.
ROSS - E os cavalos de Duncan - fato estranho por demais, porém certo - tão velozes e formosos, ornatos de sua raça, tornaram-se selvagens, as cocheiras
arrebentaram, contra as ordens todas, puseram-se a correr, como querendo guerrear a humanidade.
O VELHO - Dizem que eles se devoraram mutuamente.
ROSS - É certo; para perplexidade destes olhos, que tudo presenciaram. Aí vem vindo o bondoso Macduff. (Entra Macduff) Então, senhor, como vai indo
o mundo?
MACDUFF - Então não vedes?
ROSS - Já se conhece o autor desse atentado mais do que sanguinário?
MACDUFF - Os camareiros apunhalados por Macbeth.
ROSS - Oh dia! E acaso a que vantagens aspiravam?
MACDUFF - Estavam subornados; os dois filhos do rei, Malcolm e Donalbain, fugiram, o que faz cair neles a suspeita.
ROSS - Sempre contrário à natureza! Ó fútil ambição que destróis as próprias fontes de tua vida! Assim, é bem possível que Macbeth suba ao trono.
MACDUFF - Proclamado já foi, tendo ido agora para Scone, a fim de ser coroado.
ROSS - E que fizeram do cadáver de Duncan?
MACDUFF - Foi levado para Kolmekill, sacra sepultura de seus antepassados e guarida de seus restos mortais.
ROSS - Ireis a Scone?
MACDUFF - Não, primo; vou a Fife.
ROSS - Pois eu vou.
MACDUFF - Que tenhais festa alegre e sem fadiga, não vindo a lastimar a roupa antiga.
ROSS - Adeus, pai.
O VELHO - Deus vos proteja e a quantos sabem a arte de trazer o inimigo à boa parte.
(Saem.)

ATO III
Cena I

Forres. Um quarto no palácio. Entra Banquo.

BANQUO - Tens tudo agora: és rei, Cawdor e Glamis, como as bruxas proféticas disseram. Mas temo que roubado ao jogo houvésseis. Mas foi dito também
que não havia de ficar isso em tua descendência e que viria a ser raiz e tronco de numerosos reis. Se falam certo, como se deu, Macbeth, a teu respeito,
por que - se tudo quanto te auguraram se tornou realidade - não hão de elas ser-me o mesmo que oráculo, deixando-me também esperançado? Mas, silêncio!
(Fanfarra. Entram Macbeth, como rei; lady Macbeth, como rainha; Lennox, Ross, nobres, damas e pessoas do séqüito.)
MACBETH - Eis nosso convidado principal.
LADY MACBETH - Se olvidado ele houvesse sido, fora como um vazio em nossa grande festa, vindo tudo a falhar.
MACBETH - Uma solene ceia, senhor, daremos esta noite, esperando que nela tomeis parte.
BANQUO - Bastará que mo ordene Vossa Alteza, a quem me liga minha obediência, para sempre, por laços inquebráveis.
MACBETH - Viajareis esta tarde?
BANQUO - Sim, milorde.
MACBETH - Se não, pedira vossos bons conselhos - que de peso são sempre e proveitosos - para a reunião que vamos ter agora. Nesse caso, amanhã vos
ouviremos. Ides longe?
BANQUO - O suficiente, meu senhor, apenas para o tempo ocupar de agora à ceia. Se não se esforçar muito meu cavalo, à noite poderei pedir de empréstimo
uma ou duas de suas horas foscas.
MACBETH - Vinde sem falta para nossa festa.
BANQUO - Não faltarei, milorde.
MACBETH - Notícia já tivemos de que nossos sanguinários parentes se passaram para a Inglaterra e Irlanda, e que ainda negam o parricídio cruel, enchendo
as ouças de todos com estranhas fantasias. Mas sobre isso, amanhã, já que teremos de tratar de um negócio de importância relativo ao Estado. Levais Fleance?
BANQUO - Sim, meu senhor; o tempo nos reclama.
MACBETH - Desejo-vos cavalos de pés firmes e bem velozes, e ao costado deles vos recomendo. Adeus. (Sai Banquo.) Todos agora o tempo gastem como lhes
parecer melhor, até às sete horas. Porque depois nos seja a sociedade muito mais agradável, até à ceia iremos ficar só. Até esse instante, que Deus seja
convosco. (Saem todos, com exceção de Macbeth e um criado.) Olá, maroto, uma palavra! Aguardam nossas ordens aqueles indivíduos?
CRIADO - Sim, milorde, no portão do palácio.
MACBETH - Ide buscá-los. (Sai o criado.) Ser rei assim, é nada; é necessário sê-lo com segurança. É muito grande nosso medo de Banquo; em sua postura
soberana domina qualquer coisa que deve ser temido. E corajoso como poucos e à têmpera indomável do espírito une uma sabedoria que faz o valor no alvo
acertar sempre. Tirante ele, não há pessoa alguma de quem eu tenha medo, e junto dele meu gênio se intimida, como dizem que com o de Marco Antônio acontecia,
quando junto de César. Dirigiu-se corajoso às irmãs, interpelando-as quando o nome de rei elas me deram, forçando-as a falar-lhe a seu respeito, ao que
elas, quais videntes, o saudaram como pai de uma série de monarcas. Na cabeça puseram-me a coroa sem frutos e nas mãos o cetro estéril, para que mo arrebate
um punho estranho, pois para herdeiro nenhum filho tenho. Se for assim, para a posteridade de Banquo, tão-somente, sujei a alma; matei para eles o gracioso
Duncan; por causa deles ódio pus no vaso da minha paz, havendo entregue a minha jóia eterna ao comum imigo do homem, para fazê-los reis, para dos filhos
de Banquo fazer reis! Antes que venha isso a se dar, que à liça baixe o fado, para o combate eterno. Quem vem lá? (Entra o criado, com dois assassinos.)
Fica na porta e espera até que eu chame.
(Sai o criado.) Não foi ontem que juntos conversamos?
PRIMEIRO ASSASSINO - Sim, com vossa licença, majestade.
MACBETH - Muito bem; refletistes no que eu disse? Sabeis, pois, que foi ele quem, até hoje, vos tem deixado em posição precária, o que pensáveis que
era culpa minha. Tudo isso vos expus à farta em nossa última conferência; apresentei-vos as provas da maneira por que tendes sido prejudicados e burlados,
os instrumentos, quem os manejava, e tudo o mais, que proclamar faria até mesmo meia alma ou tipo idiota: "Eis o que Banquo fez!"
PRIMEIRO ASSASSINO - Sim, explicastes-nos.
MACBETH - Sim; mas fiz mais ainda, o que é o objeto desta nossa segunda conferência. Porventura a paciência predomina tanto em vós, que deixeis passar
tudo isso? Tão religiosos sois, que poderíeis rezar pela prosperidade deste bom homem e dos seus, sendo verdade que sua mão pesada à sepultura vos fez
vergar e para todo o sempre vos arruinou a casa?
PRIMEIRO ASSASSINO - Somos homens, meu suserano.
MACBETH - Sim, passais por homens no catálogo, como os perdigueiros, os galgos e os mastins, alãos e gosos, molossos, braços, dogues e rafeiros também
de cães, por junto, são chamados; mas distingue o registo o vagaroso, o veloz, o guardião, o de bom faro, cada um conforme as próprias qualidades que lhe
haja dado a liberal natura e que um título à parte lhes granjeia na lista em que se encontram conglobados. Com os homens dá-se o mesmo. Assim, se tendes
um lugar no registo, não sendo ele o mais mesquinho e vil da humanidade, falai, que então vos confiarei ao peito certo assunto, de cujo cumprimento resultará
ficar vosso inimigo supresso para sempre e vós mais presos à nossa gratidão e nosso afeto, pois também se ressente nosso estado da vida dele, e só se refará
se vier a falecer.
SEGUNDO ASSASSINO - Meu suserano, sou um indivíduo que os maldosos golpes do mundo e seus embates irritado de tal modo deixaram, que faria não importa
o que for para vexá-lo.
PRIMEIRO ASSASSINO - E eu sou outro tão lasso de desastres, tão amassado pelo vil destino, que a vida arriscaria em qualquer lance, para de vez perdê-la
ou endireitá-la.
MACBETH - Sabeis que Banquo foi vosso inimigo.
SEGUNDO ASSASSINO - É certo, meu senhor.
MACBETH - E meu é ainda, em conflito a tal ponto sanguinário, que os minutos de toda a sua vida ferem de perto o coração da minha. É bem verdade que
eu podia, às claras, varrê-lo para longe, reportando-me tão-só ao meu querer. Mas me contenho por causa de comuns amigos, cuja afeição não desejo ver perdida.
Terei de lastimar, assim, a morte de quem eu derrubei. Esse o motivo de recorrer agora a vosso auxílio, pois me forçam razões de muito peso a evitar que
se vulgue esse negócio.
SEGUNDO ASSASSINO - Senhor, faremos quanto nos mandardes.
PRIMEIRO ASSASSINO - Embora nossas vidas...
MACBETH - A coragem transparece de vós. Dentro de uma hora, no máximo, hei de vos mostrar o ponto em que deveis ficar e a par vos ponho da ocasião
mais propícia para a coisa, do momento adequado, pois que tudo precisará ser feito ainda esta noite, a uma certa distância do palácio, sem que vos esqueçais
de que preciso ficar sem mancha nisso. Juntamente com ele - para que o trabalho saia sem o menor senão - Fleance, seu filho, que com ele também saiu de
viagem e cujo afastamento não me importa menos do que o do pai, compartir deve também dessa hora negra. Tomai vossas resoluções à parte; já vos sigo.
SEGUNDO ASSASSINO - Já resolvemos, meu senhor.
MACBETH - Em pouco vos chamarei; ficai dentro de casa. (Saem os assassinos.) Está feito. Se há ponto em que se acoite, Banquo, tua alma no céu, será
esta noite. (Sai.)

Cena II

O mesmo. Outro quarto no palácio. Entram Lady Macbeth e um criado.

LADY MACBETH - Banquo deixou o pátio?
CRIADO - Deixou, senhora; mas retorna à noite.
LADY MACBETH - Vai, dize ao rei que eu quero ter com ele uma conversa rápida.
CRIADO - Isso mesmo, senhora, lhe direi. (Sai.)
LADY MACBETH - Tudo é perdido, quando o desejo fica repartido. Toca ao morto decerto melhor sorte que a de alegrar-se assim quem lhe deu morte. (Entra
Macbeth.) Então, marido, por que só ficardes, tendo por companhia as fantasias mais desconsoladoras e ocupando-vos com pensamentos que já deveriam ter
morrido com quem se relacionam? O que não tem remédio, não devera ser pensado sequer. O que está feito, não está por fazer.
MACBETH - Nós só talhamos a serpe, sem matá-la. Em pouco tempo se refará e volta a ser o que era, ficando o nosso miserável ódio de novo exposto ao
seu antigo dente. Que a estalar venham todas as junturas das coisas e a gemer ambos os mundos, antes de termos de tomar os nossos alimentos com medo e
de dormirmos na aflição desses sonhos pavorosos que nos têm abalado as noites todas. Muito melhor nos fora estar com o morto que, para nossa própria paz,
mandamos para o seio da paz, do que vivermos no banco de tormento de nossa alma, numa angústia sem fim. Duncan descansa no sepulcro; tranqüilo dorme, agora,
depois das convulsões febris da vida. A traição lhe fez tudo o que podia; a perfídia doméstica, o veneno, o aço, a invasão de fora, nada pode, doravante,
atingi-lo.
LADY MACBETH - Caro esposo, saiamos. Alisai esse olhar crespo; sede claro e jovial com todos hoje.
MACBETH - Sê-lo-ei, amor; o mesmo vos desejo. A Banquo dedicai todas as vossas atenções, distinguindo-o dentre todos com palavras e olhares. Pouco
firme é nossa situação, enquanto for preciso lavar nossas honras nessa corrente aduladora e as feições empregarmos como máscara do coração, que os traços
lhe disfarce.
LADY MACBETH - Precisais deixar isso.
MACBETH - Oh! tenho o espírito cheio de escorpiões, querida esposa! Sabeis que vivem Banquo e seu Fleance.
LADY MACBETH - Mas eterna não é neles a cópia da natureza.
MACBETH - É o que consola a gente; são vulneráveis. Fica, pois, alegre. Antes de completar o vôo em torno do convento o morcego e Hécate negra ter
ordenado que o besouro córneo com seu zumbido surdo dê o toque sonolento da noite, será feito algo aqui de memória pavorosa.
LADY MACBETH - O que é que vai ser feito?
MACBETH - Não macules tua inocência com saberes isso, minha pombinha, até saudares o ato. Vem, noite cega, tapa os olhos ternos do dia compassivo,
e com sangrentas mãos e invisíveis rasga o grande pacto que me deixa tão pálido! Escurece; para a mata sombria voa a gralha. Vacila o claro agente, de
fraqueza; mas a noite se atira para a presa. Admiras-te; mas fica sossegada, que o mal reforça a ação mal começada. Por favor, acompanha-me.
(Saem.)

Cena III

O mesmo. Um parque com uma estrada que vai ter ao palácio. Entram três assassinos.

PRIMEIRO ASSASSINO - Quem te disse que viesses ter conosco?
SEGUNDO ASSASSINO - Não há razão de desconfiarmos, porque ele se acha a par de tudo quanto nos incumbiram, repetindo ponto por ponto as instruções.
PRIMEIRO ASSASSINO - Fica conosco. Ainda brilham no poente algumas riscas da luz solar. É a hora em que o viajante retardado esporeia a montaria para
alcançar o desejado albergue, e de nós se aproxima o que esperamos.
TERCEIRO ASSASSINO - Silêncio! Ouço cavalos.
BANQUO (dentro) - Uma luz, Aí! Tragam-nos luz! Olá!
SEGUNDO ASSASSINO - É ele, não há dúvida. Os outros convidados já se encontram no pátio.
PRIMEIRO ASSASSINO - Seu cavalo fez um desvio.
TERCEIRO ASSASSINO - Quase de uma milha. Mas, como todos, ele comumente vai a pé deste ponto até o palácio.
SEGUNDO ASSASSINO - Uma luz! Uma luz!
TERCEIRO ASSASSINO - É ele.
PRIMEIRO ASSASSINO - É agora
(Entram Banquo e Pleance, com uma tocha.)
BANQUO - Vai chover hoje à noite.
PRIMEIRO ASSASSINO - Então que caia. (Atiram-se sobre Banquo.)
BANQUO - Oh! traição! Foge, foge, bom Fleance! Podes vingar-me. Foge! Que bandido! (Morre.)
TERCEIRO ASSASSINO - Quem apagou a luz?
PRIMEIRO ASSASSINO - Não era o certo?
TERCEIRO ASSASSINO - Um, somente, caiu, o filho foi-se.
SEGUNDO ASSASSINO - Metade, então, perdemos do trabalho.
PRIMEIRO ASSASSINO - Bem; mas vamos contar quanto foi feito.
(Saem.)

Cena IV

Um salão do palácio. Mesa posta para banquete. Entram Macbeth, lady Macbeth, Ross, Lennox, nobres e pessoas do séqüito.

MACBETH - Conheceis vossos postos; assentai-vos. E de uma vez por todas: sois bem-vindos de todo coração.
NOBRES - Agradecemos a Vossa Majestade.
MACBETH - Desejamos misturar-nos em vossa companhia, na qualidade de hóspede modesto. Nossa hospedeira fica no seu posto; mas no momento certo lhe
daremos as boas-vindas.
LADY MACBETH - Dai-a em meu nome, caro marido, a todos os amigos; pois diz-me o coração que são bem-vindos.
(O primeiro assassino aparece à porta.)
MACBETH - Vê, todos eles agradecimentos de coração te enviam. Os dois lados estão iguais; sentar-me-ei no centro. Ficai alegres; logo beberemos uma
rodada. (Aproxima-se da porta.) Sangue tens no rosto.
ASSASSINO - Nesse caso, é de Banquo.
MACBETH - Antes por fora de ti que dentro dele. Liquidados?
ASSASSINO - A garganta, senhor, tem ele aberta. Fiz-lhe isso.
MACBETH - És o melhor dos cortadores de garganta. Porém será tão hábil quem tiver feito a Fleance a mesma coisa.
ASSASSINO - Meu muito real senhor, Fleance escapou.
MACBETH - Volta-me, então, o acesso. Não fora isso, e eu estaria bom, firme qual rocha, inteiro como o mármore, tão largo, tão vasto e universal como
o ar ambiente. Mas agora estou preso, barricado, metido num curral, atado ao poste do medo das angústias insolentes. Mas Banquo está seguro?
ASSASSINO - Sim, milorde; no fundo de uma vala, tendo vinte feridas na cabeça, das quais uma qualquer já fora mais que suficiente.
MACBETH - Obrigado por isso. A velha serpe já se encontra vencida; o vermezinho que conseguiu fugir tem natureza para mais tarde produzir veneno, mas
carece de dentes por enquanto. Vai-te logo; amanhã conversaremos.
(Sai o assassino.)
LADY MACBETH - Meu real senhor, não animais os hóspedes. Fica estragada a festa, quando muitas e muitas vezes, enquanto ela dura, não afirmamos quanto
nos é grata. Para comer, têm todos suas casas; o tempero melhor em casa alheia é sempre a cortesia, parecendo sem ela as reuniões lugar deserto.
MACBETH - Galante conselheira! Que à alegria da mesa a digestão venha associar-se. À saúde das duas!
LENNOX - Vossa Alteza não quererá sentar-se?
(Entra o fantasma de Banquo e se senta no lugar de Macbeth.)
MACBETH - Nosso teto abrigaria agora as honras todas da nação, se a pessoa primorosa de Banquo aqui estivesse, a quem desejo antes ter de ralhar por
faltazinha que lastimar qualquer desastre grave.
ROSS - Sua ausência, senhor, manchou a promessa por ele feita. Queira Vossa Graça distinguir-nos com vossa real presença.
MACBETH - A mesa está completa.
LENNOX - Aqui, milorde, há um lugar reservado.
MACBETH - Onde?
LENNOX - Aqui mesmo, meu bom senhor. Que é que vos abala dessa maneira?
MACBETH - Qual de vós fez isso?
NOBRES - Fez quê, meu bom senhor?
MACBETH - Dizer não podes que fui eu que fiz isso. Não sacudas para mim teu cabelo ensangüentado.
ROSS - Levantai-vos, senhores; Sua Alteza está passando mal.
LADY MACBETH - Ficai, amigos; meu marido é assim mesmo desde criança. Sentai-vos, por obséquio; o acesso passa. Se atenção lhe prestardes, insistente,
podereis ofendê-lo, contribuindo para agravar o mal. Comei, portanto, sem olhardes para ele. - Não sois homem?
MACBETH - Sim, corajoso, que se atreveria a encarar o que espanta o próprio diabo.
LADY MACBETH - Que matéria admirável! É o produto do medo, apenas; é o punhal aéreo que - dissestes - a Duncan vos levara. Esse olhar espantado, esses
tremores que o verdadeiro medo parodiam, muito bem estariam numa história que uma mulher contasse ao pé do fogo com a aprovação da avó. Envergonhai-vos!
Por que tantas caretas? Feita a conta, só olhais uma cadeira.
MACBETH - Vede ali, por favor! Olhai! Olhai! Que me dissestes? Ora, que me importa. Se sacudir consegues a cabeça, é que podes falar. Se as sepulturas
e as carneiras os mortos nos reenviam que nelas enterramos, das entranhas dos abutres faremos nossos túmulos.
(O fantasma desaparece.)
LADY MACBETH - Quê! Desvirilizou-vos a loucura?
MACBETH - Tão certo como achar-me aqui, eu o vi.
LADY MACBETH - Fora, fora! Que opróbrio!
MACBETH - Derramado muito sangue já foi, nos velhos tempos, antes que a humana lei limpado houvesse o mundo dos pagãos, sim, e até mesmo depois têm
sido perpetrados crimes terríveis de se ouvir. Já houve tempo em que, saltado o cérebro, morria de vez alguém e... tudo estava feito. Mas os mortos, agora,
se levantam com vinte fatais golpes na cabeça e de nossas cadeiras nos empurram. E mais estranho do que o próprio crime.
LADY MACBETH - Vossos nobres amigos, caro esposo, já sentem vossa a ausência.
MACBETH - É que o esquecera... Caros amigos, não fiqueis pasmados. pois sofro há muito de uma doença estranha, que nada significa para quantos me conhecem
de perto. Vinde; a todos, amizade e saúde. Vou sentar-me. Dai-me vinho. Bem cheio; beber quero à saúde e à alegria dos presentes e à do nosso querido amigo
Banquo, que não está conosco. Oh! se estivesse! A todos! Ao ausente! Tudo a todos!
TODOS - Com lealdade homenagem vos prestamos.
(Volta ao fantasma.)
MACBETH - Fora, fora de minha vista! Esconda-te a terra! Os ossos tens sem vida alguma; enregelado o sangue. Não tens vista nesses olhos que tanto
resplandecem.
LADY MACBETH - Não vejais, nobres pares, em tudo isso senão algo habitual. Não é outra coisa. Apenas nos estraga a festa de hoje.
MACBETH - O que o homem ousa eu ouso. Tal qual híspido urso da Rússia vem para o meu lado, rinoceronte encouraçado, tigre da Hircânia. Assume qualquer
forma, menos essa; nenhuma os nervos firmes conseguirá abalar-me. Ou torna à vida e, de espada na mão, me lança um repto para um lugar deserto. Acontecendo
que a tremer eu me mostre, de menino me acoima ou rapariga. Pavorosa sombra, fora daqui! Caricatura fingida, fora! fora! (O fantasma desaparece.) Bem,
agora que sumiste, me sinto outra vez homem. Por obséquio, sentai-vos.
LADY MACBETH - Expulsastes a alegria, estragastes o convívio com esse desarranjo mais que insólito.
MACBETH - Podem dar-se tais coisas e envolver-nos como nuvem de Outono, sem que o espanto mais alto nos provoque? Assim, fazeis-me duvidar de mim próprio,
quando vejo que encarais tais visões, sem que das faces se vos altere o natural rosado, enquanto eu fico pálido de medo.
ROSS - Que visões, meu senhor?
LADY MACBETH - Não, por obséquio, não lhe faleis. Está piorando muito. As perguntas o deixam mais furioso. Boa noite para todos. A saída não vos preocupe
a ordem. Ide logo, sem outras cerimônias.
LENNOX - Boa noite; muitas melhoras para Sua Alteza.
LADY MACBETH - Uma noite tranqüila para todos
(Saem os nobres e as pessoas do séqüito.)
MACBETH - Afirmam todos que isso chama sangue; o sangue chama sangue. As pedras podem mover-se, já foi visto, e falar a árvore. Os áugures e ocultas
relações já conseguiram pela voz das gralhas, pegas e corvos descobrir os crimes de sangue mais ocultos. Em que ponto se encontra a noite?
LADY MACBETH - A competir com o dia, sem que se saiba qual vantagens tenha.
MACBETH - Que dizes de Macduff ter recusado nosso invite solene?
LADY MACBETH - Acaso enviastes-lhe, senhor, algum recado?
MACBETH - Casualmente soube disso; mas vou mandar-lhe um próprio. Não há ninguém em cuja casa eu deixe de ter algum espia. Amanhã mesmo, bem cedinho,
vou ver as irmãs bruxas. Terão de falar mais alguma coisa, pois estou decidido a saber tudo pelos piores meios. Para minha salvação tudo tem de abrir caminho.
A tal ponto atolado estou no sangue que, esteja onde estiver, tão imprudente será recuar como seguir à frente. Tenho em mente uma idéia pervertida, que
urge concretizar numa investida.
LADY MACBETH - Careceis do que à vida é grato: sono.
MACBETH - Vamos dormir; minha ilusão selvagem é muito nova; falta-lhe coragem. Somos moços demais.
(Saem.)

Cena V

A charneca. Trovão. Entram as três bruxas, que encontram Hécate.

PRIMEIRA BRUXA - Hécate, que houve? Pareceis zangada.
HÉCATE - Causa não tenho, feiticeiras? Qual a razão, bisbilhoteiras, de ser Macbeth neste negócio de morte e enigmas vosso sócio, enquanto eu, dona
de vós todas, que apresto sempre as negras bodas, não fui chamada a tomar parte no brilho e glória de nossa arte? E o que é pior: quanto fizestes a tudo
vos mostrando prestes, foi para um tipo truculento de mui grosseiro acabamento. que não vos tem nenhuma estima e só de egoísmo em tudo prima. Mas emendai-vos;
e defronte do fundo charco do Aqueronte amanhã cedo ide encontrar-me, que ele em estado está de alarme, e para lá, quase sem tino, irá saber de seu destino.
Vasos e encantos tende à mão; de tudo basta provisão. Para o ar me vou; na noite escura farei bem cedo uma ação dura. De uma grande obra a fantasia será
completa enquanto é dia. Ora uma gota espessa e crua dos cornos pende ali da lua. Vou apanhá-la antes que caia, pois, destilada, de atalaia gênios porá
de tanto alcance que, por sua força, ele se lance na destruição, à morte e ao fado a resistir qual renegado, pondo a esperança acima em tudo da própria
graça e o medo agudo. Para os mortais a segurança é o imigo mor, que jamais cansa. (Canção dentro: "Vinde, vinde," etc.) Chamam-me; é meu espírito travesso
que me aguarda das nuvens num cabeço. (Sai.)
PRIMEIRA BRUXA - Apressemo-nos; ela volta logo.
(Saem.)

Cena VI

Forres. Um quarto no palácio. Entram Lennox e outro nobre.

LENNOX - Meu discurso anterior só mui de leve tocou em vossos pensamentos, sendo-vos agora facultado interpretá-lo como vos aprouver. Direi somente
que tudo se passou por modo estranho. Por Macbeth foi chorado o meigo Duncan. Que pena! Estava morto. Muito tarde saiu de casa o nosso bravo Banquo, que,
podereis dizer, se assim quiserdes, Fleance matou, pois Fleance fugiu logo. É perigoso passear de noite. A quem não ocorreu o pensamento de quão monstruoso
foi haver Malcolm e Donalbain o pai assassinado? Que ação maldita! E como entristecido deixou Macbeth! Pois ele, na mesma hora, arrebatado de um furor
piedoso, em pedaços não fez os dois facínoras, servos do sono e escravos da bebida? Não foi nobre tudo isso? E foi prudente. Pais qualquer coração se tornaria
por demais irritado, quando os homens negar ouvisse o fato. Assim, vos digo, soube fazer a coisa, como penso que se ele vier a ter sob chave os filhos
de Duncan - o que nunca, Deus louvado, chegará a conseguir - hão de ver ambos o que é matar o pai. E o mesmo, Fleance. Mas, silêncio! Por causa de palavras
um tanto livres e por ter faltado à festa do tirano, soube há pouco que em desgraça Macduff agora vive. Caro senhor, dizer-me poderíeis em que lugar ele
encontrou abrigo?
NOBRE - Na corte da Inglaterra vive o filho de Duncan, cuja herança verdadeira o tirano retém, e é recebido pelo piedoso Eduardo com tal graça que
a má vontade da fortuna em nada do alto respeito merecido o priva. Para lá foi Macduff, a fim de ao santo rei suplicar auxílio, no sentido de estimular
Northumberland e o bravo Siward, e assim, com a ajuda desses nobres - confirmando lá do alto Deus tudo isso - possamos restituir a nossas mesas os alimentos,
sono a nossas noites, livrar nossos festejos e banquetes das facas sanguinárias, homenagens da lei prestar e receber as honras a que temos direito, coisas
essas que nos faltam de todo. Essa notícia exasperou o rei de tal maneira que aprontando se está para uma guerra.
LENNOX - Mandou ele a Macduff algum recado?
NOBRE - Mandou; porém o mensageiro turvo com um resoluto "Eu não, senhor!" as costas voltou-me decidido, resmungando, como quem diz: "Haveis de arrepender-vos
do tempo que me impõe essa resposta".
LENNOX - Que isso o ensine a ser cauto, conservando-se a distância que possa aconselhá-lo sua sabedoria. Se um santo anjo fosse à Inglaterra e desse
o seu recado antes de ele chegar, para que pronta bênção se espalhe logo em nossa pátria que geme ao peso dessa mão maldita!
NOBRE - Mandaria com ele minhas preces.
(Saem.)

ATO IV
Cena I

Uma caverna. No meio, um caldeirão a ferver. Trovão. Entram as três bruxas.

PRIMEIRA BRUXA - Gato malhado já miou três vezes.
SEGUNDA BRUXA - Três e mais uma já guinchou o ouriço.
TERCEIRA BRUXA - A harpia já gritou: "É hora! É hora!
PRIMEIRA BRUXA - Atirai no caldeirão entranhas em podridão. Os sapos das pedras frias que durante trinta e um dias suaram seu bom bocado, jogai no
pote encantado.
TODAS - Mais dores para a barrela. mais fogo para a panela.
SEGUNDA BRUXA - Lombo de cobra novinha atirai no pote asinha, pé de sapo e lagartixa, de cão a língua que espicha, pêlos brandos de morcego, asa de
bufo-sossego, de lagarto a perna fina, acúleo de colubrina jogai na sopa do mal nesta mistura infernal.
TODAS - Mais dores para a barrela, mais fogo para a panela.
TERCEIRA BRUXA - Três escamas de dragão, com bucho de tubarão que os mareantes intimida; cicuta à noite colhida, bofes de um judeu malvado, ramo de
teixo tirado em noite de muito escuro; beiço de tártaro, o duro nariz de turco, o dedinho de uma criança sem linho que matado a mãe houvesse sem dizer
nenhuma prece. Deixai bem forte a mistura; juntai do tigre a fressura, porque nosso caldeirão tenha caldo em profusão.
TODAS - Mais dores para a barrela, mais fogo para a panela.
SEGUNDA BRUXA - Esfriai com sangue de mico que o encanto ficará rico.
(Entra Hécate.)
HÉCATE - Muito bem feito; seu quinhão todas por isto ainda terão. Agora como elfos e fadas cantai à volta, de mãos dadas, para que o encanto se complete.
(Música e a canção "Espíritos negros' etc.)
SEGUNDA BRUXA - Meu dedão está coçando. Vem algum patife andando. Ferrolhos, fora! Estamos na hora.
(Entra Macbeth)
MACBETH - Que fazeis, misteriosas e sombrias bruxas de meia-noite?
TODAS - Algo sem nome.
MACBETH - Conjuro-vos por vosso próprio ofício, seja qual for sua origem: respondei-me. Mesmo que os ventos a soltar viésseis, jogando-os contra as
torres das igrejas; mesmo que as ondas escumantes venham a destruir os navios e a tragá-los; ainda que o trigo verde caia todo e as árvores se vejam derrubadas;
embora o cimo dos castelos caia na cabeça dos guardas, e as pirâmides e os palácios os picos altanados nivelem com suas bases; muito embora venha a desmoronar
todo o tesouro dos germes da natura, de tal modo que a própria destruição se mostre farta: respondei às perguntas que vos faço.
PRIMEIRA BRUXA - Fala.
SEGUNDA BRUXA - Pergunta.
TERCEIRA BRUXA - Vamos responder-te.
PRIMEIRA BRUXA - Que preferes: ouvir de nossas bocas ou da de nossos mestres?
MACBETH - Invocai-os; desejo vê-los.
PRIMEIRA BRUXA - Sangue de porca, então, nesse fogo atira, que comesse seus nove filhos, gordura de uma corda bem segura, de que pendesse, enforcado,
um suicida amaldiçoado.
TODAS - Mostra agora que és ousado.
(Trovão. Primeira aparição: uma cabeça, armada de capacete.)
MACBETH - Ouve-me, força ignota...
PRIMEIRA BRUXA - Não prossigas. Sabe o que pensas. Ouve e nada digas.
PRIMEIRA APARIÇÃO - Macbeth, Macbeth, Macbeth! Toma cuidado com Macduff, acautela-te com o thane de Fife! Desobriga-me; é o bastante.
(Desce.)
MACBETH - Quem quer que sejas, fico-te obrigado pela boa advertência. Isso concorda com meus receios. Mais uma palavra...
PRIMEIRA BRUXA - Não aceita injunções. Eis que vem outro ainda mais forte que ele.
(Trovões. Segunda aparição: uma criança ensangüentada.)
SEGUNDA APARIÇÃO - Macbeth, Macbeth, Macbeth!
MACBETH - Se três ouvidos tivesse, te ouviria.
SEGUNDA APARIÇÃO - Sanguinário sê sempre, ousado e resoluto, e aprende a rir do homem, porque ninguém nascido de mulher poderá, em nenhum tempo, fazer
mal a Macbeth.
MACBETH - Então, Macduff, podes viver. Por que de ti recear-me? Contudo, quero a segurança em dobro segurar, e penhor obter do fado. Vivo não ficarás,
para que eu possa dizer que mente o medo de alma pálida e, apesar dos trovões, dormir tranqüilo. (Trovão. Terceira aparição: uma criança coroada, com uma
árvore na mão.) Quem é que surge como descendente de um soberano e na infantil cabeça traz o fecho e diadema do comando?
TODAS - Escuta só; não fales.
TERCEIRA APARIÇÃO - Veste a força do leão, sê orgulhoso e não te importes com quem quer que resmungue ou se rebele, ou contra ti conspire, pois vencido
não há de ser Macbeth, enquanto o grande bosque de Birnam não subir contra ele ao alto Dunsinane. (Desce.)
MACBETH - Jamais isso poderá dar-se, pois quem tem poderes para a floresta armar e dizer à árvore que liberte a raiz fixa na terra? Ótimo indício!
Belo! Não eleves, rebelião, a cabeça sem que o bosque de Birnam se levante, e assim o nosso grande Macbeth há de chegar ao termo da natureza até ao alento
extremo, segundo o mortal uso. Mas agita-me o coração esta fatal pergunta: Dizei-me - se vossa arte chega a tanto - alcançarão um dia os descendentes de
Banquo o trono e o cetro deste reino?
TODAS - Não queiras saber mais.
MACBETH - Não; é preciso satisfazer-me. Se não me fizerdes esta vontade, apenas, que uma eterna maldição vos destrua. Saber quero. Par que este caldeirão
está afundando? E que barulho é esse?
PRIMEIRA BRUXA - Vê!
SEGUNDA BRUXA - Vê!
TERCEIRA BRUXA - Vê!
TODAS - Mostrai-vos como visão, angustiai-lhe o coração, aparecendo qual sombra, para sumir pela alfombra.
(Aparece uma seqüência de oito reis, tendo o último um espelho na mão; segue-o o fantasma de Banquo.)
MACBETH - Pareces muito o espírito de Banquo. Desce! Tua coroa cauteriza-me os olhos; teus cabelos - tu, uma outra fronte de ouro cingida - se parecem
com os do primeiro, tal como o terceiro que se lhe segue. Bruxas repugnantes, por que me mostrais isto? Outro! É o quarto! Olhos, estarrecei. Como! esta
linha se estenderá até ao fim do mundo? Mais um, ainda? o sétimo? Não quero ver mais nada; porém eis que surge o último com um espelho na mão, que muitos
outros, ainda, me revelam. Uns distingo com duplo globo e cetro triplicado. Pavorosa visão! Agora vejo que é verdade, pois Banquo, recoberto de sangue,
me sorri e mos indica, como se filhos dele fossem todos. (As visões desaparecem.) Como! É assim!
PRIMEIRA BRUXA - É assim mesmo. Mas por que Macbeth treme do que vê? Manas, ele desvaria; infundamos-lhe alegria, revelando de nossa arte a mais sedutora
parte. No ar porei muitos encantos. enchendo-o de sons e cantos, enquanto vós a rodada deixareis bem acabada, para que este rei potente conosco fique contente.
(Música. As bruxas dançam, desaparecendo depois, com Hécate.)
MACBETH - Onde estão? Já se foram? Que maldita se torne sempre esta hora perniciosa no calendário. - Entrai! Quem está aí?
(Entra Lennox.)
LENNOX - Que quer Vossa Grandeza?
MACBETH - Acaso vistes as irmãs feiticeiras?
LENNOX - Não, milorde.
MACBETH - Infectado seja o ar em que cavalgam e maldito quem quer que lhes dê crédito. Há pouco ouvi barulho de cavalo. Chegou alguém?
LENNOX - Sim; dois ou três correios, milorde, que a notícia vos trouxeram de que Macduff fugiu para a Inglaterra.
MACBETH - Para a Inglaterra!
LENNOX - Sim, senhor bondoso.
MACBETH - Ó tempo! antecipaste-te a meus atos assustadores! Nunca alcançaremos a intenção fugitiva, se com ela não fizemos seguir o ato expedito. Doravante
ser-me-ão os primogênitos do coração também os primogênitos do braço. E agora mesmo, porque fiquem coroadas as ações com os pensamentos, em prática ponhamos
essa idéia. Vou surpreender o burgo de Macduff, de Fife apoderar-me, sua esposa passar à espada, os filhos e, assim, todas as almas desgraçadas de sua
raça. Ameaças não farei qual um demente; dobra-se o ferro enquanto ele está quente. Basta de aparições. É os tais senhores, onde se encontram? Conduzi-me
a eles.
(Saem.)

Cena II

Fife. Castelo de Macduff. Entram lady Macduff, seu filho e Ross.

LADY MACDUFF - Que fez, para exilar-se assim de súbito?
ROSS - Precisais ser paciente, nobre dama.
LADY MACDUFF - Ele o não foi. Loucura foi a fuga; quando não pelos atos, pelo medo nos mostramos traidores.
ROSS - Não sabemos se o medo há nisso parte ou só prudência.
LADY MACDUFF - Prudência? Abandonar a esposa e os filhos, a casa, as dignidades, numa parte de onde ele mesmo foge? Não nos ama; não possui coração.
A carricinha - dos passarinhos o de menor porte - em defesa da prole no seu ninho briga com a coruja. O medo é tudo, nada o amor, e a prudência é coisa
alguma numa fuga assim fora de propósito.
ROSS - Querida prima, sede moderada, por obséquio, pois vosso esposo é sábio, nobre, sensato e, mais do que nós todos, conhece as injunções do nosso
tempo. Não me atrevo a falar mais claramente, mas cruel é o tempo em que traidores somos sem o sabermos, quando ouvimos boatos sobre o que receamos, sem
sabermos o que nos faz ter medo, desgarrados vamos num mar violento e tempestuoso, sem direção alguma. Bem, despeço-me. Dentro de pouco aqui estarei de
volta. As coisas, quando o ponto pior atingem, ou aí param, ou de novo sobem para onde antes estavam. Lindo primo, que Deus vos abençoe.
LADY MACDUFF - Ainda tem pai; no entanto, é como se já não tivesse.
ROSS - Revelo-me insensato; se mais tempo ficasse aqui, podia desgraçar-me, sobre prejudicar-vos. Bem, despeço-me definitivamente.
(Sai.)
LADY MACDUFF - Olá, menino, vosso pai está morto. Que destino tereis agora? Como vivereis?
O FILHO - Como os pássaros, mãe.
LADY MACDUFF - Como! De vermes e de mosquitos?
O FILHO - Não; do que encontrar, foi o que eu quis dizer; como eles fazem.
LADY MACDUFF - Pobre bichinho! Nunca terás medo de laço, máquina e armadilha.
O FILHO - Medo por quê? Não foi tudo isso feito para os pássaros pobres. Ainda vive meu paizinho, apesar do que dissestes.
LADY MACDUFF - Não, morreu. Como vais fazer agora para arranjar um pai?
O FILHO - De que maneira fareis, também, para arranjar marido?
LADY MACDUFF - Ora, em qualquer mercado compro vinte.
O FILHO - Então os comprareis para vendê-los?
LADY MACDUFF - Falas com muito espírito e, de fato, bastante para a idade.
O FILHO - Mãe, meu pai foi um traidor?
LADY MACDUFF - Sim, é o que ele foi.
O FILHO - Que é um traidor?
LADY MACDUFF - Ora, é toda pessoa que jura e mente.
O FILHO - Todos os que fazem isso são traidores?
LADY MACDUFF - Quem quer que assim proceda, é traidor e merece ser enforcado.
O FILHO - E precisam ser enforcadas todas as pessoas que juram e mentem?
LADY MACDUFF - Todas.
O FILHO - E quem é que as enforca?
LADY MACDUFF - Ora, os homens de bem.
O FILHO - Então os mentirosos e os que juram não passarão de grande tolos, pois há mentirosos e jurados bastantes para darem nos homens de bem e para
os enforcarem.
LADY MACDUFF - Que Deus te ajude agora, macaquinho. Mas, como farás para arranjar outro pai?
O FILHO - Se ele tivesse morrido, haveríeis de chorar a morte dele. Se o não fizésseis, seria sinal certo de que eu logo iria ter novo pai.
LADY MACDUFF - Pobre tagarela, como sabes falar!
(Entra um mensageiro.)
MENSAGEIRO - Formosa dama, Deus vos abençoe. Não sabeis quem eu sou, conquanto eu saiba tudo o que se refere ao vosso estado. Temo que algum perigo
esteja prestes a vos tocar. No caso de aceitardes o conselho de um homem tão singelo, não vos deixeis ser encontrada aqui. Fugi com vossos filhos. Estou
certo de que, atemorizando-vos, procedo como selvagem; mas ser mais explícito fora crueldade bárbara, que muito perto de vós já se acha. O céu vos guarde.
Não me atrevo a ficar aqui mais tempo. (Sai.)
LADY MACDUFF - Para onde hei de fugir? Nunca fiz mal. Mas agora me ocorre que me encontro neste mundo terreno, onde é louvável fazer o mal, às vezes,
e, por vezes, o bem fazer é insânia perigosa. Par que valer-me, então, dessa defesa feminina, dizendo simplesmente que não fiz mal? (Entram assassinos.)
Que caras serão essas?
ASSASSINO - Onde está vosso esposo?
LADY MACDUFF - Não há de estar, espero-o, em nenhum ponto tão profano que possa ser achado por tipos como tu.
ASSASSINO - É um traidor.
O FILHO - Mentes, peludo!
ASSASSINO - Como, espécie de Ovo? Filhinho da traição! (Apunhala-o.)
O FILHO - Ele matou-me, mãe. Fugi, sem demora. (Morre.)
(Lady Macduff sai gritando "Assassínio!" perseguida pelos assassinos.)

Cena III

Inglaterra. Diante do palácio do rei. Entram Malcolm e Macduff

MALCOLM - Busquemos uma sombra desolada para desafogar os tristes peitos, chorando seus pesares.
MACDUFF - Não! Saquemos da espada cortadora e, como bravos, amparar procuremos nossa pátria que ameaça desabar. Novas viúvas, cada manhã, ululam; novos
órfãos soluçam; novas dores no céu batem, que ressoa tal como se sofresse juntamente com a Escócia e as mesmas sílabas emitisse de dor.
MALCOLM - Chorar só hei de sobre o que creio; creio o que conheço, e assim que o tempo se mostrar amigo, estando em mim fazer alguma coisa tornando-se-me
o tempo favorável, farei o que puder. O que dissestes, talvez seja verdade. Esse tirano, cujo nome, tão-só, nos deixa a língua coberta de feridas, como
honesto já foi considerado. Vós o amastes. Atingido por ele ainda não fostes. Sou moço; mas por mim talvez pudésseis torná-lo vosso devedor. A astúcia
manda sacrificar um cordeirinho pobre, inocente e fraco, para a cólera propiciar de um deus.
MACDUFF - Não sou traidor.
MALCOLM - Mas traidor é Macbeth. Pode dobrar-se uma leal natureza e em tudo boa ante uma imperial ordem. Mas preciso que me perdoeis; modificar não
posso com o pensamento o que realmente sois. Os anjos ainda brilham, muito embora tenha caído o mais brilhante deles. Se as feições da virtude os vícios
todos a assumir viessem, ela nem por isso deixaria de ter o mesmo aspecto.
MACDUFF - Já perdi a esperança.
MALCOLM - Porventura no mesmo ponto em que achar fui a dúvida. Par que razão deixastes, tão de súbito e sem vos despedir, a esposa e os filhos, esses
caros penhores, elos fortes do verdadeiro amo? Nessas suspeitas não vejais, por obséquio, mancha alguma que vos possa atingir, mas tão-somente minha tranqüilidade.
Mui sincero podereis ser, pense eu o que pensar.
MACDUFF - Sangra, então, grande pátria. Poderosa tirania, reforça tua base, porque a virtude contra ti não se alça. Carrega o roubo, pois o teu direito
já viste confirmado. Adeus, milorde; ser não quero o vilão que ora imaginas, nem por todas as terras que nas garras se encontram do tirano, acrescentadas
das riquezas do Oriente.
MALCOLM - Ofensa alguma desejara fazer-vos. Não por medo absoluto de vós assim me exprimo penso que nossa pátria sob o jugo sucumbe do tirano; chora
e sangra, vendo aumentar-lhe cada dia as chagas uma ferida nova. Sei que muitas mãos se levantariam na defesa de meus direitos, e aqui mesmo acaba de ofertar-me
a Inglaterra generosa alguns milhares delas. Mas, ao cabo, depois de haver pisado na cabeça do tirano, ou de tê-la em minha espada, ficará minha pátria
desditosa com mais vícios do que antes, padecendo muito mais, por maneiras mais variadas do que nunca, debaixo do domínio de quem lhe suceder.
MACDUFF - Quem será esse?
MALCOLM - Eu mesmo, é claro, em quem percebo vícios enxertados tão bem que, se algum dia a pegar vierem, até mesmo o negro Macbeth parecerá nitente
neve, considerando-o nossa pobre pátria como um cordeiro, quando comparado com minha enormidade de defeitos.
MACDUFF - Nem mesmo nas legiões do hórrido inferno poder-se-ia encontrar um mais completo demônio que a Macbeth no mal se iguale.
MALCOLM - Concedo que ele seja sanguinário, lúbrico, falso, enganador, avaro, violento, malicioso e com os sentidos sempre vivos a todos os pecados
que possam ser nomeados; porém fundo não tem, não pode ter, minha lascívia. Vossas esposas, vossas filhas, vossas matronas, vossas virgens jamais hão de
deixar plena a cisterna de meus vícios, vindo a vencer minha avidez os óbices que ao meu desejo, acaso, se opuserem. Antes Macbeth que um rei com tais
defeitos.
MACDUFF - A licenciosidade é tirania da própria natureza, que bastantes tronos felizes já deixou vazios antes do tempo e ocasionou a queda de muitos
reis. Mas não tenhais receio de vos apoderar do que já é vosso. Podereis expansão dar aos prazeres em toda plenitude, parecendo, no entanto, frio e, assim,
burlando o mundo. Damas condescendentes não nos faltam. Não é possível que abrigueis abutre no íntimo, que devore quantas forem entregar-se à grandeza
que pendida para elas perceberem.
MALCOLM - Além disso, de minha natureza mal formada nasce avareza tão descomedida que, vindo eu a reinar, darei a morte a muitos nobres, para despojá-los
de suas propriedades; os tesouros deste cobiçarei; deste outro, a casa. Todo aumento de bens ser-me-á tempero para excitar-me a fome, de tal modo que farei
suscitar brigas injustas entre os melhores e mais leais vassalos, para destruí-los e ficar com tudo.
MACDUFF - A avareza penetra mais, emite raízes mais nocivas que a luxúria transitória do estio; foi o gládio que matou nossos reis. Mas pouco importa:
nada temais; a Escócia tem recursos para saciar-vos só com o que for vosso. Tudo isso é suportável, que as virtudes contrabalançam tudo.
MALCOLM - Mas é o que eu não possuo! As qualidades próprias de um rei: justiça, temperança, perseverança, devoção, piedade, coragem, destemor, magnificiência
me são de todo estranhas, e eu me alegro com dividir os vícios em diversas variedades, a fim de praticá-los de todas as maneiras. Se estivesse em meu poder,
atiraria logo no inferno o doce leite da concórdia, a paz universal deixara esfeita e confundira toda segurança que no mundo existisse.
MACDUFF - Oh Escócia! Escócia!
MALCOLM - Se é digno de reinar um homem desses, falai, pois sou tudo isso que vos disse.
MACDUFF - Se é digno de reinar? Nem de viver. Ó povo miserável, governado por um monstro ilegítimo, de cetro cheio de sangue! Quando novamente poderás
ver teus dias de saúde, se o herdeiro mais autêntico do trono, maldito se declara, blasfemando contra sua própria raça? Teu virtuoso pai foi um santo rei;
a soberana que à luz te deu, vivendo mais de joelhos do que de pé, matava os dias todos de sua própria vida. Meus; os males que em tua própria cabeça despejaste
me baniram da Escócia. Ó coração! tua esperança acaba neste ponto!
MALCOLM - Macduff, essa emoção em tudo nobre, nascida da pureza, a negra dúvida me tirou da alma e, alfim, meus pensamentos reconciliou com tua fé
sem jaça e tua probidade. O demoníaco Macbeth tem procurando por enredos desse gênero pôr-me ao seu alcance, ensinando-me, assim, a mais modesta sabedoria
a desconfiar da pressa crédula por demais. Mas que lá do alto juiz Deus seja entre nós dois agora, pois desde este momento sob a tua direção me coloco.
Aqui renego minha autodetração e abjuro todos os vícios e defeitos que em mim próprio lançara há pouco, como incompatíveis com minha natureza. Nunca tive
contacto com mulher, não fui perjuro mal cobicei aquilo que é meu mesmo, jamais quebrei qualquer promessa feita, demônio algum traí para seus próprios
companheiros do inferno. Como à vida, tenho amor à verdade. Minha estréia na mentira foi esta a meu respeito. O que eu realmente sou se encontra à tua
disposição e do meu pobre povo. Para auxiliá-lo aqui se achava há pouco, no instante de chegares, o ancião Siward com dez mil aguerridos combatentes, no
ponto de partirem. Vamos juntos; que o favor da vitória corresponda à justiça de nossa discordância. Por que ficais calado?
MACDUFF - É mui difícil reconciliar eventos a um só tempo não gratos e agradáveis.
(Entra um médico.)
MALCOLM - Bem; voltaremos a falar sobre isso. Dizei-me, por obséquio: o rei vem vindo?
O MÉDICO - Sim, senhor; numerosos desgraçados o auxílio dele aguardam, pois a doença de que padecem tem zombado da arte. Mas sua mão - tal é a santidade
com que o céu a dotou - vai sãos deixá-los no instante de os tocar.
MALCOLM - Agradecido, doutor, vos fico.
(Sai o médico.)
MADCUFF - De que doença fala?
MALCOLM - Chamam-lhe o mal. Miraculoso feito realiza este bom rei, já presenciado várias vezes por mim, desde que me acho no reino da Inglaterra. De
que modo consegue o céu mover, só ele sabe. Mas pessoas tocadas de moléstias estranhas, cheias de úlceras, tristíssimo espetáculo a todos, desespero da
medicina, sãs ele tem posto com lhes pôr ao pescoço uma áurea estampa, ao tempo em que murmura santas preces. Dizem também que aos reis seus sucessores
transmitirá esse poder bendito de curas realizar. Mas além dessa virtude estranha, o dom possui celeste da profecia, sobre lhe cercarem o trono várias
bênçãos que o declaram cheio de graças.
MACDUFF - Olhai quem vem chegando!
MALCOLM - Um dos meus compatriotas; mas ainda não o conheço.
(Entra Ross.)
MACDUFF - Sede aqui bem-vindo, meu sempre gentil primo.
MALCOLM - Reconheço-o agora. Ó Deus bondoso, afasta em tempo tudo quanto estrangeiros nos tem feito.
ROSS - Amém, senhor.
MACDUFF - A Escócia continua no mesmo lugar de antes?
ROSS - Pobre pátria, revela medo até de conhecer-se. De nossa mãe não pode ser chamada, mas nossa sepultura, porque nela só ri ainda quem ignora tudo;
os gritos e suspiros, os gemidos que os ares dilaceram, emitidos apenas são, sem serem percebidos. As mais violentas dores assemelham-se a emoção cotidiana;
os dobres fúnebres passam despercebidos e as pessoas de bem fenecem antes de murcharem as flores do chapéu e a vida perdem sem virem a adoecer.
MACDUFF - Oh! relação muito precisa e, no entretanto certa!
MALCOLM - Qual é a última dor?
ROSS - A que de vida tem uma hora faria ser vaiado quem viesse relatá-la; a cada instante nasce uma nova dor.
MACDUFF - E minha esposa, como ficou?
ROSS - Ora, essa ficou bem.
MACDUFF - E meus filhos?
ROSS - Também.
MACDUFF - A paz de todos não havia o tirano ainda assaltado?
ROSS - Não; deixei-os em paz ao despedir-me.
MACDUFF - Sede menos avaro de palavras. Que aconteceu?
ROSS - No instante em que eu trazia para aqui essas novas que tão fundo pesavam sobre mim, soube do boato de que bastantes homens valorosos se tinham
posto em campo, o de que logo me convenci ao ver os contingentes do tirano aprestados para a luta. Eis o momento de intervirmos. Vossos olhares, lá na
Escócia, aprestariam soldados, levariam para a luta nossas mulheres, para porem termo à desgraça indizível.
MALCOLM - Sirva a todos de consolo saber que já me encontro a caminho da Escócia. Dez mil homens cedeu-nos a Inglaterra, comandados pelo bondoso Siward.
Mais completo guerreiro e mais idoso não se encontra em toda a Cristandade.
ROSS - Ah! se eu pudesse dar-vos notícia tão reconfortante! Mas trouxe-vos palavras para serem uivadas no ar deserto, onde não possam ser percebidas
por nenhum ouvido.
MACDUFF - A que dizem respeito? À causa pública? Ou trata-se, talvez, de sofrimento particular, que a um peito, apenas, toca?
ROSS - Todas as almas nobres têm sua parte; mas a maior, decerto, vos pertence.
MACDUFF - Se me pertence, não me priveis dela. Vamos; dai-ma depressa.
ROSS - Que não fiquem vossos ouvidos para sempre odiando minha língua, por ter de molestá-los com os sons mais tristes que jamais ouviram.
MACDUFF - Hum! Presumo o que seja.
ROSS - Vosso burgo foi assaltado; vossa esposa e os filhos, mortos selvagemente. Relatar-vos como se deu, o mesmo fora ao monte de caças abatidas vosso
corpo sem vida acrescentar.
MALCOLM - Oh céu piedoso! Não, homem! Levantai vosso chapéu! Dai palavras à dor. Quando a tristeza perde a fala, sibila ao coração, provocando de pronto
uma explosão.
MACDUFF - Meus filhinhos também?
ROSS - Esposa, filhos, criados, tudo o que acharam.
MACDUFF - E eu, ausente! Também minha mulher?
ROSS - Já vo-lo disse.
MALCOLM - Coragem! Aprestemos o remédio para essa dor mortal com prepararmos nossa vingança.
MACDUFF - Ah! Ele não tem filhos! Todos os meus pequenos tão graciosos? Dissestes "todos?" Oh infernal abutre! Como! Todos? Os lindos pequerruchos
juntamente com a mãe, num só mergulho?
MALCOLM - Como homem, resisti.
MACDUFF - É o que farei; mas preciso também sentir como homem. Não consigo esquecer que hajam vivido essas pessoas que tão caras me eram. O céu viu
isso, sem que os amparasse? Depravado Macduff Por tua causa assassinados todos eles foram; por mim, que nada valho. Não por culpas próprias, mas pelas
minhas, tão-somente, caiu a morte sobre as almas deles. Que o céu lhes dê sossego.
MALCOLM - Que seja isso a pedra de amolar de vossa espada. Fazei que a dor se vos transforme em cólera; não emboteis o peito: enraivecei-o.
MACDUFF - Como mulher, agora, poderia representar com os olhos e mostrar-me valente só com a língua. Ó céu bondoso! põe termo às dilações e, face a
face com o demônio da Escócia me coloca, ficando ele ao alcance de meu gládio: vindo a escapar, que lhe perdoe o céu.
MALCOLM - Viril é essa cantiga. Vamos, vamos procurar logo o rei. Prestes se encontram nossas forças; só falta despedirmo-nos. Macbeth está maduro
para a queda, já tendo prestes os poderes do alto os instrumentos que hão de sacudi-lo. Criai coragem; não há noite fria, por mais longa que seja, sem
seu dia.
(Saem.)

ATO V
Cena I

Dunsinane. Um quarto no castelo. Entram um médico e uma camareira.

O MÉDICO - Estive de vigília convosco durante duas noites consecutivas, mas não posso descobrir indício de verdade em tudo o que dissestes. Quando
foi que ela andou como sonâmbula pela última vez?
A CAMAREIRA - Desde que Sua Majestade foi para a campanha eu a tenho visto levantar-se da cama, atirar sobre si o roupão de dormir, abrir a escrivaninha,
tira uma folha de papel, dobrá-la, escrever alguma coisa, ler o que escreveu, selar depois a folha e voltar em seguida para a cama, fazendo tudo isso,
no entanto, no mais profundo sono.
O MÉDICO - É indício de uma grande perturbação da natureza receber os benefícios do sono e executar, simultaneamente, os atos de vigília. Nessa inquietação
do sono, além desses passeios e de ocupações concretas, não percebestes se, por vezes, ela dizia alguma coisa?
A CAMAREIRA - Ouvi coisas, senhor, que não me atrevo a repetir.
O MÉDICO - A mim podereis dizer o que ouvistes, sendo mesmo de vantagem que o façais.
A CAMAREIRA - Nem a vós nem a ninguém, uma vez que não tenha testemunha para confirmar o que disser. (Entra Lady Macbeth, com uma vela.) Vede! Aí vem
ela! É assim mesmo que sempre faz, e, por minha vida, a dormir profundamente. Observai-a; aproximai-vos dela um pouco.
O MÉDICO - Como conseguiu essa luz?
A CAMAREIRA - Ora, estava perto dela. Tem sempre luz ao pé de si; são ordens expressas.
O MÉDICO - Como vedes, está com os olhos bem abertos.
A CAMAREIRA - É certo; mas os sentidos estão fechados.
O MÉDICO - Que faz ela agora? Vede como esfrega as mãos.
A CAMAREIRA - É um gesto habitual nela, fazer como quem lava as mãos. Já a vi continuar desse jeito durante um quarto de hora.
LADY MACBETH - Aqui ainda há uma mancha.
O MÉDICO - Atenção! Está falando. Vou tomar nota do que ela disser, para reforçar a memória.
LADY MACBETH - Sai, mancha amaldiçoada! Sai! Estou mandando. Um dois... Sim, já é tempo de fazê-lo. O inferno é sombrio... Ora, marido! Ora! Um soldado
ter modo? Por que termos medo de que alguém o venha a saber, se ninguém poderá pedir contas a nosso poder? Mas quem poderia imaginar que o velho tivesse
tanto sangue no corpo?
O MÉDICO - Ouvistes o que ela disse?
LADY MACBETH - O thane de Fife tinha uma mulher. Onde se encontra ela agora? Como! Estas mãos nunca ficarão limpas? Basta, senhor; não falemos mais
nisso. Estragais tudo com essa vacilação.
O MÉDICO - Ide, ide! Ficastes sabendo mais do que seria conveniente.
A CAMAREIRA - Ela falou o que não devia, tenho certeza. Só Deus sabe o que ela sabe.
LADY MACBETH - Aqui ainda há odor de sangue. Todo o perfume da Arábia não conseguiria deixar cheirosa esta mãozinha. Oh! Oh! Oh!
O MÉDICO - Que suspiro! Tem o coração por demais opresso.
A CAMAREIRA - Eu não quisera ter no peito um coração assim, nem pelas dignidades de todo o corpo.
O MÉDICO - Bem, bem, bem.
A CAMAREIRA - Rogai a Deus, senhor, para que seja assim.
O MÉDICO - Esta doença ultrapassa minha arte. No entanto, conheci sonâmbulos que morreram santamente em suas camas.
LADY MACBETH - Ide lavar as mãos; vesti vosso roupão de dormir. Não fiqueis assim tão pálido. Torno a dizer-vos que Banquo está enterrado; não poderá
sair da sepultura.
O MÉDICO - Também isso?
LADY MACBETH - Para o leito! Para o leito! Estão batendo no por tão. Vinde, vinde! Dai-me a mão. O que está feito não está por fazer. Para o leito,
para o leito, para o leito! (Sai.)
O MÉDICO - E agora, ela vai para o leito?
A CAMAREIRA - Diretamente.
O MÉDICO - Circulam por aí terríveis boatos. feitos contra a natura sempre engendram conseqüências doentias. As consciências manchadas descarregam
seus segredos nos surdos travesseiros. Mais de padre tem ela precisão do que de médico. Deus, Deus que nos perdoe! Acompanhai-a. Deixai bem longe dela
quanto possa causar-lhe qualquer dano. E ora, boa noite. Ela deixou-me o espírito confuso e a vista absorta com tamanho abuso. Penso, mas não me atrevo
a dizer nada.
A CAMAREIRA - Boa noite, bom doutor.
(Saem.)

Cena II

Planície perto de Dunsinane. Entram com bandeiras e tambores Menteith, Caithness, Angus, Lennox e soldados

MENTEITH - As forças da Inglaterra já estão perto. Trá-las Malcolm, seu velho tio Siward e o valente Macduff. Arde a vingança neles todos, pois uma
causa dessas fará os próprios mortos levantarem-se para o combate atroz e sanguinário.
ANGUS - Decerto vamos encontrá-los perto da floresta de Birnam; vêm por lá.
CAITHNESS - Alguém sabe informar se Donalbain vem com o irmão?
LENNOX - Decerto não, senhor. Possuo a lista da nobreza toda; nela o filho se encontra do bom Siward e muitos outros moços ainda imberbes, que como
homens estréiam.
MENTEITH - E, o tirano, que está fazendo?
CAITHNESS - Alenta a resistência do grande Dunsinane. Alguns murmuram que ele está louco; outros, que o odeiam menos, o nome dão de fúria valorosa.
Mas certo é que ele sua natureza desmanchada abarcar já não consegue no cinturão da regra.
ANGUS - Ele ora sente como as mãos se lhe envisgam com seus crimes secretos. A toda hora uma revolta lhe exprobra a deslealdade. Seus soldados não
os move o amor; ordens somente cumprem. Começou a notar que a dignidade do título de rei lhe envolve o corpo como faria a roupa de um gigante a um anão
que a roubasse.
MENTEITH - Quem pudera censurar-lhe os sentidos, exaltados por tantos sobressaltos e recuos, quando tudo o que há nele se envergonha por nele se encontrar?
CAITHNESS - Então sigamos para a frente; prestemos a obediência pelo dever imposta. Dirijamo-nos para o médico desta terra doente, e, para restaurarmos
nossa pátria, derramemos com ele todo o sangue de nossas veias.
LENNOX - Ou somente quanto bastar para orvalhar a flor bendita e afogar a cizânia parasita. Marchemos para Birnam.
(Saem marchando.)

Cena III

Dunsinane. Um quarto no castelo. Entram Macbeth, o médico e pessoas do séqüito.

MACBETH - Deixai de me trazer essas notícias. Que fujam todos, pois enquanto a mata de Birnam não chegar a Dunsinane, não poderá manchar-me o frio
medo. Que é o pequeno Malcolm? Porventura não nasceu de mulher? Ora, os espíritos que os processos mortais mui bem conhecem, a meu respeito assim se pronunciaram:
"Nada temas, Macbeth, pois nenhum homem nascido de mulher pode vencer-te". Fugi, portanto, miseráveis thanes, e ide associar-vos aos ingleses lúbricos.
Jamais se dobrará meu forte espírito sob o peso da dúvida, nem há de mostrar meu coração menor vontade. (Entra um criado.) Que o diabo te condene em negro,
biltre de cara de coalhada. Onde encontraste essas feições de ganso?
CRIADO - É que há dez mil...
MACBETH - Gansos, vilão?
CRIADO - Soldados, meu senhor.
MACBETH - Vai esfregar o rosto e de vermelho pintar o medo, fígado de lírio! Que soldados, poltrão? Morte de tua alma! Essas bochechas brancas como
linho são ministro do medo. Que soldados, cara de leite?
CRIADO - Não vos desagrade, os soldados ingleses.
MACBETH - Tira a tua cara daqui. Depressa! (Sai o criado.) Seyton! Dói-me demais o coração, quando contemplo... Seyton! torno a chamar... Essa batalha
vai-me dar alegria para sempre ou tirar-me do trono neste instante. Já vivi muito; minha vida inclina-se para o Outono de folhas amarelas, e a nada do
que deve vir no rasto da velhice: amor, honras, obediência, amigos, poderei eu aspirar. Em lugar disso, maldições, não ditas em voz alta, mas fundas; homenagens
à flor da boca apenas, que, de grado o pobre coração contestaria, conquanto não se atreva... Seyton! digo.
SEYTON - Que é o vosso prazer gracioso agora?
MACBETH - Quais são as outras novidades?
SEYTON - Quanto vos disseram, senhor, foi confirmado.
MACBETH - Hei de lutar até que me retalhem toda a carne dos ossos. Dai-me logo minha armadura. Vamos!
SEYTON - Ainda é cedo.
MACBETH - Quero vesti-la já. Mais cavaleiros mandai já limpar a redondeza. Dai-me a armadura. Como vai passando vossa doente, doutor?
O MÉDICO - Não se acha doente, propriamente, senhor, mas perseguida por freqüentes visões que do repouso de todo a têm privado.
MACBETH - Cura-a disso. Não podes encontrar nenhum remédio para um cérebro doente, da memória tirar uma tristeza enraizada, delir da mente as dores
aí escritas e com algum antídoto de oblívio doce e agradável aliviar o peito que opresso geme ao peso da matéria maldosa que comprime o coração?
O MÉDICO - Para isso deve o doente achar os meios.
MACBETH - Então atira aos cães a medicina. Não quero saber dela. Vamos logo! Minha armadura! Dai-me o meu bastão. Seyton, manda sair... Doutor, os
thanes fogem de mim. - Vamos! Mais pressa nisso! - Se examinar, doutor, pudesses a água do meu reino, encontrar a doença dele, restituir-lhe por meio de
uma purga a saúde primeira, tão notória, aplaudir-te-ia que os próprios ecos aplaudissem de novo. - Fora! digo - Que ruibarbo, que sene ou droga drástica
nos limpará desses ingleses todos? Já ouviste falar deles?
O MÉDICO - Sim, bondoso senhor; vossos reais preparativos nos forçam a ouvir algo.
MACBETH - Não hei de ter da morte medo inane, se Birnam não vier a Dunsinane.
O MÉDICO (à parte) - E eu se longe estivesse neste dia, nenhum lucro a voltar me obrigaria.
(Saem.)

Cena IV

Planície perto da mata de Dunsinane. Entram com tambores e bandeiras Malcolm, o velho Siward e seu filho, Macduff, Menteith, Caithness, Angus, Lennox, Ross
e soldados, marchando.

MALCOLM - Primos, creio que o dia se aproxima de ficarem seguras nossas casas.
MENTEITH - Não o duvidamos.
SIWARD - Que floresta é esta?
MENTEITH - É a floresta de Birnam.
MALCOLM - Que cada homem corte um galho e o carregue, pois, com isso, não só faremos sombra para as tropas, como a erro induziremos o inimigo no cômputo
dos nossos.
SOLDADOS - Será feito.
SIWARD - Só o que ouvimos dizer é que o tirano, confiante sempre, em Dunsinane se acha, onde vai resistir ao nosso cerco.
MALCOLM - É nisso que depõe toda a esperança, pois sempre que ocasião se tem mostrado, todos o deixam, grandes e pequenos, só à força o servindo os
que ainda restam, mas sem que o coração influa nisso.
MACDUFF - Que nosso justo juízo aguarde a marcha dos acontecimentos. Enquanto isso, em prática ponhamos toda a nossa ciência de bons soldados.
SIWARD - Está na hora de ficarmos sabendo com certeza quem tem a haver, quem fez maior despesa. Da mente nasce uma esperança inglória; mas dos golpes
certeiros, a vitória, que é para onde marchamos.
(Saem marchando.)

Cena V

Dunsinane. No interior do castelo. Entram com tambores e bandeiras Macbeth, Seyton e soldados.

MACBETH - Desfraldai as bandeiras nas muralhas de fora. A senha é sempre: "Aí vêm eles!" Nosso forte castelo ri de um cerco de brinquedo como este.
Que aí fiquem, até que a fome e a peste os extermine. Se eles não se tivessem reforçado com os que do nosso lado estar deviam, barba com barba nós os enfrentáramos
sem receio nenhum e os tocaríamos, vencidos, para casa.
(Ouve-se dentro um grito de mulher.)
SEYTON - Um grito de mulher, meu bom senhor. (Sai.)
MACBETH - Quase esqueci que gosto tem o medo. Já houve tempo em que um só grito, à noite, gelados os sentidos me deixava, e a relação de qualquer fato
horrendo eriçar os cabelos me fazia, como se vivos fossem. Entupi-me de tal modo com coisas pavorosas, que o horror, já agora familiar das minhas cogitações
de morte, não consegue abalar-me no mínimo. (Volta Seyton.) Que houve?
SEYTON - A rainha morreu, senhor.
MACBETH - Devia ter morrido mais tarde; então, houvera ocasião certa para tal palavra. O amanhã, o amanhã. Outro amanhã, dia a dia se escoam de mansinho,
até que chegue, alfim, a última sílaba do livro da memória. Nossos ontens para os tolos a estrada deixam clara da empoeirada morte. Fora! apaga-te, candeia
transitória! A vida é apenas uma sombra ambulante, um pobre cômico que se empavona e agita por uma hora no palco, sem que seja, após, ouvido; é uma história
contada por idiotas, cheia de fúria e muita barulheira, que nada significa. (Entra um mensageiro.) Vens para usar a língua; fala logo.
MENSAGEIRO - Meu gracioso senhor, desejara dizer-vos o que penso ter visto, mas não sei como expressar-me.
MACBETH - Muito bem; pois falai, caro senhor.
MENSAGEIRO - Quando estava de guarda na colina, olhei naturalmente para Birnam, tendo-me parecido que a floresta começava a mover-se.
MACBETH - Mentiroso lacaio!
MENSAGEIRO - Que em mim caia vossa cólera, se não for mesmo assim, pois à distância de três milhas podeis vê-la avançando: uma floresta em movimento.
É isso.
MACBETH - Se estiveres mentindo, no mais próximo galho serás dependurado vivo, até que a fome venha ressecar-te; se a verdade falaste, não me importa
que comigo procedas de igual modo. De coragem revisto-me e começo a suspeitar do equívoco do demo que mente sob a capa da verdade. "Nada temas até que
a Dunsinane chegue a mata de Birnam." E ora acontece que uma floresta vem a Dunsinane! Às armas, logo! Às armas! Para fora! Se o que ele disse é certo,
é indiferente fugir daqui ou combater na frente. Começo a achar a luz do sol enjoada. Ah! se este mundo se acabasse em nada! Tocai o alarma! Abri-vos,
sepultura! Posso morrer, mas dentro da armadura.
(Saem.)

Cena VI

O mesmo. Uma planície diante do castelo. Entram com tambores e bandeiras Malcolm, o velho Siward, Macduff etc. e seu exército, com galhos de árvores.

MALCOLM - Eis-nos bastante perto; jogai fora vosso amparo de folhas e mostrai-vos como sois mesmo. Vós, meu digno tio, com vosso nobre filho, meu bom
primo, comandareis nosso primeiro corpo. Nós e o digno Macduff encarregados ficaremos do mais, de acordo em tudo com nossas próprias ordens.
SIWARD - Passai bem. Se hoje eu achar as forças do tirano, que a morrer venha, se não causar dano.
MACDUFF - Tocai logo os clarins; soprai bem forte nesses arautos de sangueira e morte.
(Saem.)

Cena VII

O mesmo. Outra parte da planície. Alarma. Entra Macbeth.

MACBETH - Amarraram-me ao poste; é-me impossível fugir, sendo preciso que, como urso, agüente o ataque deles. Onde se acha quem não houvesse de mulher
nascido? Esse é que eu temer devo; mais ninguém.
(Entra o jovem Siward.)
O JOVEM SIWARD - Teu nome?
MACBETH - Terás medo só de ouvi-lo.
O JOVEM SIWARD - Não; ainda mesmo que mais quente fosse do que o de todos que no inferno se acham.
MACBETH - Então, Macbeth me chamo.
O JOVEM SIWARD - O próprio diabo não poderia pronunciar um título que mais odioso fosse a meus ouvidos.
MACBETH - Não; nem mais de temer.
O JOVEM SIWARD - Mentes, tirano detestável. Com a ponta desta espada vou provar que mentiste.
(Batem-se; o jovem Siward é morto.)
MACBETH - Tu nasceste de mulher. Para mim são como o vento golpes de quem teve esse nascimento. (Sai.)
(Alarma. Entra Macduff)
MACDUFF - Deste lado é o barulho. Mostra o rosto, tirano! Se não cais por minha espada, perseguido serei eternamente pelo fantasma de minha esposa
e pelos de meus filhinhos caros. Impossível me será atacar esses coitados que trazem armas só pelo salário. Ou te encontro, Macbeth, ou na bainha reponho
a espada, intacta e sem trabalho. Deves estar ali. Aquele estrépito quer anunciar alguém de grande fama. Faze que o encontre, ó Fado! Mais não peço. (Sai.
Alarma.)
(Entram Malcolm e o velho Siward.)
SIWARD - Por aqui, meu senhor; sem resistência entregou-se o castelo. Estão lutando dos dois lados os homens do tirano. Os nobres thanes nesta guerra
deram provas de alto valor. O próprio dia está a vosso favor; já quase nada resta para fazer.
MALCOLM - Vimos de perto como o imigo lutava.
SIWARD - Eis o castelo, caro senhor, entrai.
(Saem. Alarma.)
(Volta Macbeth.)
MACBETH - Por que fazer como o romano bobo e o corpo atravessar com a própria espada? Enquanto vidas eu achar, os golpes serão para elas, não para
o meu corpo.
(Volta Macduff)
MACDUFF - Volta-te, cão do inferno!
MACBETH -Dentre todos os homens só a ti tenho evitado. Retira-te; tenho a alma carregada por demais de teu sangue.
MACDUFF - Não me sobram palavras; minha voz é minha espada, monstro mais sanguinário do que possa expressar a linguagem.
(Batem-se.)
MACBETH - É trabalho perdido o teu. Com mais facilidade poderias fender o ar impalpável com tua espada aguda do que sangue do meu corpo arrancar. Deixa
que a lâmina caia sobre cimeiras vulneráveis. Ampara-me um encanto; a vida tenho assegurada contra qualquer homem nascido de mulher.
MACDUFF - Perde a confiança em tal encantamento, e que o mau anjo a que serviste até hoje te declare que do ventre materno foi Macduff tirado antes
do tempo.
MACBETH - Maldita seja a língua que diz isso, pois com medo deixou a melhor parte de minha intrepidez, e que não sejam cridos jamais esses demônios
falsos que nos enganam com palavras dobres e sustenta a promessa feita a nossos ouvidos, sem que a nossas esperanças intacta a deixem nunca. Não pretendo
cruzar armas contigo.
MACDUFF - Então, entrega-te, covarde, e vive para te tornares espetáculo e assombro do universo. Como fazemos com esses monstros raros, teu retrato
será posto num mastro, tendo em baixo a inscrição: "Eis o tirano!"
MACBETH - Não me rendo; beijar não hei de a terra diante dos pés do juvenil Malcolm, nem de isca servirei para a canalha. Embora Birnam viesse a Dunsinane
e tu, que me resistes, não tivesses nascido de mulher, vou tentar o último recurso. Ponho assim, em frente ao corpo, meu escudo guerreiro. Vem, Macduff!
E que por todos seja amaldiçoado quem primeiro gritar: "Estou cansado!"
(Saem, lutando.)
(Retirada. Voltam, com tambores e bandeiras, Malcolm, o velho Siward, Ross, thanes e soldados.)
MALCOLM - Desejara que salvos estivessem os amigos que faltam.
SIWARD - E forçoso que alguém pereça. Mas, por quanto vejo, custou barato um dia tão glorioso.
MALCOLM - Falta Macduff e vosso nobre filho.
ROSS - Vosso filho, senhor, pagou a dívida de soldado. Viveu até ser homem; logo que pôde comprovar a força no posto em que, sem vacilar, lutava, como
homem pereceu.
SIWARD - Então, morreu?
ROSS - Sim; seu corpo, também, já foi trazido do campo de batalha. Não podemos medir a causa de vosso alto luto pelo mérito dele, o que seria deixá-la
sem limites.
SIWARD - Foi ferido na frente?
ROSS - Sim, na frente.
SIWARD - Que soldado de Deus, então, se torne. Se tantos filhos eu tivesse quantos cabelos, não quisera mais bonita morte para nenhum. Esse é o seu
dobre de finados.
MALCOLM - Merece maior luto; disso me incumbirei.
SIWARD - Não; não merece. Dizem que morreu bem; pagou o escote. Assim, Deus o acompanhe. Mas diviso novo conforto que nos chega a tempo.
(Volta Macduff, com a cabeça de Macbeth.)
MACDUFF - Salve, rei! pois que o és. Olha onde se acha a cabeça maldita do tirano. O mundo já está livre. Ora te vejo cercado pelas jóias de teu reino,
que saudação te enviam do imo peito e a cujas vozes associo a minha: sê feliz, Rei da Escócia!
TODOS - Sê feliz, Rei da Escócia!
(Fanfarras.)
MALCOLM - Não deixaremos que se passe o tempo sem que com vosso amor justemos contas e, assim, fiquemos quites com vós todos. Meu thanes e parentes,
sede condes de hoje em diante, os primeiros que na Escócia tal título recebem. Quanto resta para fazer e que será plantado, segundo as próprias condições
do tempo: como o repatriamento dos amigos que para longe foram, porque às malhas fugissem da astuciosa tirania; o julgamento dos cruéis ministros do carniceiro
morto e sua esposa tão infernal quanto ele e que, segundo consta, pôs termo à vida com violência, por suas próprias mãos: tudo isso e quanto mais ainda
for preciso, pela graça da Graça a cabo havemos de levar na medida do tempo e do lugar. Convido-vos, assim, de mui bom grado, para que em Scone me vejais
coroado.
(Fanfarras. Saem.)

Ridendo Castigat Mores
www.jahr.org

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__________________
Junho 2000
OS DEZ MANDAMENTOS
Tradução - Mariangela Amorim
Você encontrou seu caminho através do labirinto da www até a Christians.org. Você pode estar se perguntando o quê é o cristianismo afinal de contas. Com certeza é um conjunto de crenças sobre Deus e o mundo, como está escrito no credo dos apóstolos e confirmado por todas as igrejas cristãs. Mas é também um estilo de vida que se encontra nos Dez Mandamentos e exemplificado na vida de Cristo.
Nenhum conjunto de leis governou o comportamento humano tão abrangentemente e por tanto tempo como essas. Mesmo os que não acreditam em Deus tem honrado os Dez Mandamentos, as tábuas da ética por mais de 3.000 anos.
Os Dez Mandamentos começam com uma importante palavra do seu patrocinador: "Eu sou o Senhor vosso Deus, que os tirou do Egito, da terra das escravidão" (Êxodo 20:2). Antes de Deus entregar as leis à Israel, ele os lembrou de sua prisão debaixo do domínio de faraó. Pelo poder e graça de Deus, eles agora eram livres da escravidão do Egito, mas sujeitos à Lei. Nós encaramos a mesma alternativa hoje. Ou nós seremos governados pela palavra dos nossos governadores ou pela palavra de Deus, diante do qual todos os reis, faraós, presidentes e primeiro ministros se dobrarão.

Essa leis são mais fundamentais do que a Constituição. Você pode inventar as leis morais de Deus, tanto quanto você pode inventar as leis naturais da física. O mesmo Deus que fez ambas as leis, as deu a você. Não se pode emendar ou repelir nenhuma delas. Você nem mesmo pode quebrar as leis. Eu estou falando que saltar de um avião sem para quedas talvez desafie a lei da natureza, mas não a quebre. Da mesma maneira, você pode desafiar a lei moral de Deus, mas não quebrá-la. Você só pode ser quebrado por ela. O Deus que te deu vida, também forneceu os mandamentos para vive-la.
Para começar.........
ADORAR O DEUS CERTO

O primeiro mandamento é: "Não adorarás outro deus além de mim" (Êxodo 20:3). Parece bem fácil. Qual foi a última vez que você ficou seriamente tentado em adorar baal ou oferecer incenso à Júpiter ou beber em homenagem à Bacus, ou ainda oferecer sacrifícios à Zeus? Para onde foram todos os ídolos? O grande Jeová engoliu todos os seus competidores? As pessoas só precisam de nove mandamentos hoje em dia?
Certamente os tempos mudaram desde que Moisés trouxe as tábuas do monte Sinai. Parece que o mundo mudou do politeísmo para o monoteísmo, e do monoteísmo para o ateísmo - da adoração de muitos deuses para a adora de um Deu, para a adoração de nenhum. Os pagãos da velha guarda tiveram que escolher entre um universo caótico com deuses sem lei ou um universo ordenado por um Deus e suas leis morais. Os pagãos modernos escolheram entre esta ordem divina e o plano fortuito, fatalístico do universo ateísta. Essa escolha é geralmente feita inconscientemente, não por clara convicção, mas por devaneio, não pela negação de Deus, mas por perder interesse nele. Pessoas que dizem: "eu acredito em Deus" e não ligam, são ateístas de coração.
Nós poderíamos esperar que o primeiro mandamento dissesse: "Acreditarás em Deus", um mandamento contra o ateísmo. Mas Deus já se incumbiu disso na criação. Eles nos criou com um vazio em nossas almas que só pode ser preenchido por Ele. Ninguém precisa ensinar um bebê a ter fome ou sede. Nós só temos que mostrar ao bebê como satisfazer sua sede ou fome. Embora nada além de Deus possa satisfazer a fome da nossa alma, muitas pessoas gastam suas vidas tolamente procurando ídolos substitutos. Idolatria são as porcarias que alimentam a alma.
Adorar qualquer outro deus que não seja o verdadeiro Deus, nos leva a subnutrição espiritual e escravidão. Nenhum substituto de Deus é grande o suficiente para sustentar o compromisso de sua vida. As páginas da História estão cheias de tristes histórias de vítimas que renderam lealdade de primeira à causas de segunda que os decepcionaram.
Qualquer coisa que você adore, independente do seu nome, é o seu deus. Adorar alguma coisa é tratá-la como a melhor coisa na sua vida, o centro de todos os seus interesses.
Se sua vida está centrada em algo muito pequeno, você se encontrará girando em círculos ao invés de explorar o maravilhoso universo que Deus criou e do qual ele mesmo é o centro e eixo. A adoração do Deus verdadeiro, por outro lado, amplia sua vida e te capacita a experimentar e gozar o seu todo. Adorar qualquer coisa menor do que Deus, sufoca e escraviza sua vida.
A bíblia nos lembrar uma vez após a outra que Deus é um Deus ciumento, que não dividirá sua afeição com outro (Êxodo 34:14; Deuteronômio 4:24; 5-9; Josué 24:19). Ele ama muito você para ficar simplesmente de lado enquanto você vai se prostituir após outros deuses que só te desapontarão e destruirão. (Êxodo 34:15-16; Ezequiel 16: 1-43; Oseias 4: 12; 9:1)
Deuses substitutos possuem muitos nomes. Considere apenas três dos mais comuns: ego, sexo e segurança.
O deus do ego
Os idolatras do deus moderno do ego, estão em maior necessidade do primeiro mandamento do que seus companheiros da antigüidade que adoravam outro deus que não a si mesmos - um poder maior que eles. Os politeístas primitivos tinham a intenção de servir a Deus. Os monoteístas modernos, no entanto, constantemente confundem suas próprias imagens com a divindade. Ao invés de dizer: "por mim, um pecador, Deus falou", eles dizem implicitamente: "Quando eu falo, Deus concorda". Eles se adoram com todo seu coração, força , alma e mente, e servem somente a si mesmos (ver Marcos 12:29-30). O apóstolo Paulo os descreve como pessoas "cujo deus é o seu estômago" (Filipenses 3:19).
"Ego", como todos os ídolos, faz promessas que não pode cumprir. Embora pareça satisfazer no momento, no final desaponta. "Coma, beba e se regale", diz a si mesmo, "porque amanhã morreremos" (Lucas 12:19; I Cor. 15:32). Mas como você consegue se regalar se sua mente está perseguida pelo fatal amanhã? Viver para seu próprio prazer é a ato menos prazeroso que você pode praticar. Se teus próximos não o matarem por estarem enojados, você morrerá vagamente pelo tédio e solidão. Adorar a si mesmo é a única religião onde quanto mais devotado você for, menos seguidores você conquista.
Se o deus do ego não consegue satisfazer, considere o segundo deus da trindade profana.
O deus do sexo
O deus do sexo tem "marcado presença". Os antigos cananitas chamavam este deus de Astarote; os gregos o chamavam de Afrodite; os romanos de Vênus. O seu nome e figuram mudam, mas a mesma luxúria que movia os antigos à adorarem o deus do sexo, ainda move o coração das pessoas hoje. O problema de se falar qualquer palavra de aviso a respeito deste deus, no entanto, é que possui tantas qualidades atrativas e admiráveis, que seus devotos pensam que estamos sendo baixos. Vamos deixar claro que o deus do sexo, como qualquer outro deus falso, é um anjo caído. Começa como algo bom que perdeu a forma. O sexo foi criado por Deus para nosso prazer. Mas quando usamos de forma errada, quando sacrificamos outros valores por causa dele, quando o adoramos supremamente, traz miséria e deboche. Sexualidade não é algo intrinsecamente mal; é algo bom. E por essa razão somos tentados a idolatra-la, dando a ela a devoção que pertence somente a Deus.
Nenhum ídolo traí seus adoradores tão rápido quanto o deus do sexo. Nenhum outro deus faz promessas tão grandes e falha tão dolorosamente. A revolução sexual do século XX, que prometia curar nossa reprimida vida sexual vitoriana, criou, na verdade, uma condição pior. Ela deixou no seu despertar mais gravides indesejadas, mais doenças, e mais lares destruídos, corações machucados e vidas devassadas, do que praguejaram os nossos antepassados tolerantes e reprimidos.
Se o deus do sexo não consegue satisfazer, considere o terceiro deus da trindade profana.
O deus da segurança.
Devotos do deus da segurança acreditam que a fé é um substituto muito pobre para o dinheiro ou depósito bancário. Seu objetivo é adquirir bens materiais suficiente para que eles não tenham que mais que confiar em Deus para o seu "pão diário".
Jesus chamou o deus da segurança "Mamom" (Mateus 6:24). A raiz da palavra é "confiar". É uma boa palavra. Originalmente se refere ao que nós confiamos a um amigo ou um banco. Mais tarde veio a significar "aquilo onde alguém coloca sua confiança". E finalmente Mamom foi considerado como ídolo, que recebe confiança no lugar de Deus.
Se considerarmos todos os nossos bens materiais como simples bens a nós confiados pelo Verdadeiro Dono, somos apenas administradores responsáveis. Mas no momento que colocarmos nossa confiança em bens ao invés Daquele que os deu, nos tornamos idólatras.
Se for oferecida uma alternativa em que, ou desistirmos de Deus, ou de nossas possessões, a maioria de nós, eu espero, escolheria Deus. Mas a escolha raramente é colocada de maneira abrupta. No subconsciente tomamos decisões que mostram que nosso compromisso é com coisas, não com Deus. Segurança (pessoal ou nacional) é a base das nossas decisões, o ponto pivô da nossa dedicação. Quando o barco afunda, nós preferimos ter ouro no lugar de Deus. Arão deixou os israelitas derreterem seus brincos de ouro para fazer um bezerro . Nos nossos dias, nós adoramos o ouro sem derrete-lo. Ainda que nas nossas moedas tenha a frase: "Em Deus nós confiamos", nós queremos dizer "Neste Deus nós confiamos".
Jesus não disse que devemos servir mais á Deus do que ao dinheiro, mas ele disse que nós temos que servir ou à Deus ou ao dinheiro (Lucas 16:13). È Deus ou Mamom; faça sua escolha! Você ou irá servir a Deus e usar o dinheiro, ou servir o dinheiro e usar a Deus.
O deus da segurança é enganador e sua cadeia sutil. È como o papel de pegar moscas e a mosca: a mosca posa na substância grudenta e pensa: meu papel; apenas para descobrir que o papel está dizendo: minha mosca. Tenha cuidado se acaso suas possessões o possuem. Aqueles que buscam o deus da segurança, estão condenados a perpétua insegurança. Algum dia, mesmo o mais seguro e rico vai ouvir de Deus: "Tolo! Esta noite pedirão a tua alma; e quem irá gozar de todas as coisas que juntou para si? " (Lucas 12:20)
A humanidade é incuravelmente religiosa. Você tem necessidade de adorar algo. Você não consegue não adorar. Sua única escolha é escolher qual deus irá adorar. Você é livre para decidir qual deus controlará sua vida. È livre para escolher se sua veias terão o sangue vermelho de Deus ou o tóxico pus dos ídolos. Parafraseando o grande Josué:
Escolham neste dia quem vocês servirão, o verdadeiro e vivo Deus de seus pais ou os deuses do ego, sexo e segurança, os deuses daqueles os quais entrais para conquistar a terra. Porém eu e minha casa, serviremos ao Senhor. (Josué 24:15)


ADORAR A DEUS DA MANEIRA CERTA
Adoração é comumente considerada como uma atividade inofensiva. Algumas pessoas acham que é tão brando quanto um sanduíche de purê de batata. Considere, no entanto, a possibilidade da adoração ser altamente perigosa. Certamente, na mente daqueles que desenharam o primeiro código moral bíblico, adoração errada está no mesmo páreo com vícios, tais como homicídio, roubo e adultério. Os primeiros dois dos Dez Mandamentos tratam com adoração.
Hoje em dia, as pessoas se sentem menos culpadas em quebrar esse mandamento do que os outros. Você se surpreenderia em saber que a bíblia diz mais sobre o segundo mandamento do que os restantes? Eis o que Deus disse por Moisés: "Não farás imagens para ti imagem de escultura, nem semelhança alguma que há encima nos céus ou embaixo na terra, nem nas águas embaixo na terra. Não te encurvarás a elas nem as servirás, pois eu, o Senhor teu Deus, sou Deus zeloso, que visito a maldade dos pais nos filhos até a terceira e quarta geração, daqueles que me odeiam, mas faço misericórdia até mil gerações daqueles que me amam e guardam os meus mandamentos." (Êxodo 20: 4-6).
O segundo mandamento tem duas partes: não faça imagens e não as adore. Quando você diz para os seus filhos não fazerem algo e eles perguntam porquê? Você responde: porque sim?
Nove dos dez mandamentos Deus nos manda cumprir porque sim. Mas o segundo nos dá três motivos:
1 Deus não tolera rivais;
2 punirá aqueles que o odeiam;
3 recompensará aqueles que o amam e o obedecem.
Em outras palavras, a forma como adoramos é importante, porque o Deus que adoramos faz diferença. Se Deus não amasse ou odiasse, punisse ou recompensasse, então quem se importaria como ou quando alguém o adora? A adoração foi trivializada porque pessoas sabem o quanto ela é importante. É importante para você e é importante para Deus.
O segundo mandamento refuta a idéia popular de que desde que alguém seja sincero, Deus está satisfeito com qualquer tipo de adoração. Especificamente, sem imagens.
Imagens do Deus verdadeiro são proibidas tanto quanto de deuses falsos. Foi assim que Arão se meteu em encrenca. Enquanto seu irmão Moisés, estava no alto da montanha recebendo as leis, Arão estava no vale fazendo um bezerro de ouro dos brincos que os israelitas ganharam dos egípcios (Êxodo 12:35) Eles dedicaram o bezerro de ouro especificamente para o Deus de Israel. Arão e seus contemporâneos ficariam chocados se alguém sugerisse que eles estavam adorando um deus estrangeiro. As pessoas disseram: "Esse é o nosso deus, que nos tirou do Egito", e eles fizeram uma festa para honrar o Senhor (Yahweh)" (Êxodo 32:1-5). Eles eram sinceros, mas Deus não estava contente. Ele disse que as pessoas pecaram e o rejeitaram. A imagem possuía seu nome, mas ele sabia que não era realmente ele que as pessoas estavam adorando.
Relíquias religiosas tornam-se ídolos quando tiram a atenção de Deus. A serpente de bronze, pôr exemplo, era um tesouro nacional. Deus disse a Moisés para faze-la e usá-la para curar o povo israelita das picadas de cobra no deserto. (Números 21:9). É um símbolo do poder salvador de Cristo. Mas quando foi adorado como um ídolo deve de ser destruída pelo rei Ezequias (II Reis 18:4). Figuras do Santo facilmente se tornam imagens santas - imagens que as pessoas adoram por si mesmas.
Eu creio que pela misericórdia de Deus nós não temos um único manuscrito original assinado pelos apóstolos ou profetas. Nossa bíblia é traduzida de cópias antigas do original. Se tivéssemos uma cópia autografada por Pedro, Paulo ou João, nós com certeza a transformaríamos num ídolo, não focalizando o que diz, mas no objeto em si mesmo.
Recentemente um grande interesse cresceu em torno do Santo Sudário, como sendo os panos que envolveram Jesus no seu sepultamento. Francamente, mesmo que seja o tecido original, eu espero que não possa ser provado. A tentação seria esmagadora para as pessoas darem mais atenção as vestimentas que Jesus usou, do que no Ressurrecto Salvador. Somos afortunados de não termos a Arca de Noé, nem a Arca da Aliança, nem as genuínas relíquias de Jesus e dos Apóstolos. Nossa adoração deve estar focalizada somente em Deus e não nas coisas que Deus usou através da História para se fazer conhecido.
Para driblarmos a tentação crônica em transformar os meios de adoração na sua finalidade, corrompendo o ato da adoração, Deus ordenou: "Não farás esculturas de nenhum ser......." No século VIII uma guerra começou entre os cristãos por causa do segundo mandamento. Os Iconoclastas ("quebradores de imagens"), exigiram que todas as imagens de adoração fossem destruídas. A partir deste dia, a Igreja Ortodoxa do Oeste restringiu imagens à figuras coloridas numa superfície plana enquanto a Igreja Católica Romana do Oeste permitiu imagens de escultura. Nenhuma medida, obviamente, chegou ao cerne da questão: a atitude e intenção da adoração. A imagem nada mais é do que uma sólida metáfora. Qualquer metáfora -esculpida, pintada escrita ou falada - pode se tornar um ídolo quando é tratada como santa por si mesma.
Metáforas e imagens são inevitáveis. A esposa de um prisioneiro de guerra guarda uma imagem, fotografia, do seu marido num lugar de destaque em sua casa. Serve como uma lembrança da ausência do seu esposo. Mas quando ele retorna, ela coloca a foto de lado e dá toda atenção à ele. E, o que é mais importante, ela permite que ele seja diferente da sua memória e da foto no porta retrato.
A igreja, que é a noiva de Cristo, precisa do mesmo bom senso sobre todas as suas imagens. Com muita freqüência, através da História, a igreja tem substituído a Presença Real por figuras. Aí, quando Deus arromba nosso mundo de tempos em tempos, a igreja se encontra tolamente agarrada a suas imagens inadequadas. Uma cena tão sem sentido poderia ser desfeita com uma boa risada se não tivesse conseqüências tão ameaçadoras.
Imagens confeccionadas despersonificam à Deus. Transformam o Grande Eu Sou numa coisa. Porque, você pode se perguntar, alguém faria isso? Porque isso mantém Deus "no seu lugar". Se Deus é uma coisa ao invés de um ser, as pessoas podem pensar a seu respeito, pregar, estudar, escrever, provar sua existência e usa-lo para satisfazer seus desejos. Esse é um conveniente tipo de deus de se ter por perto - um mordomo cósmico para quem as pessoas dão 10% de gorjeta se fizer um bom serviço!
Mas Deus não é uma coisa. Ele é uma pessoa. E uma pessoa só se satisfaz com relacionamentos de amor. Você gostaria que seu marido ou esposa, ou melhor amigo o tratasse da mesma forma que as imagens de escultura tratam Deus? Você ficaria lisonjeado se provassem sua existência, falassem, pensassem, e estudassem você? Uma pessoa você pode conhecer; uma coisa só se tem conhecimento a seu respeito. Não é suficiente saber que existe um Deus. Você sabia que o Deus que você conhece é um ser? Você pode dizer como o apóstolo Paulo: " Tudo que eu quero é conhecer a Cristo e experimentar o poder da sua ressurreição" (Filipenses 3:10)?
Imagens de escultura tentam controlar Deus. È constrangedor adorar um deus que não se padroniza a nossa compreensão e não faz o que esperamos dele. Através da História nós temos tentado domesticar a Divindade, em o manso Todo Poderoso. Nossos esforços tem sempre resultado em alguma forma de imagem de idolatria Todo empenho em conhecer a Deus como um fato objetivo "lá longe" ou um exaltado ideal "aqui" tenta trazer Deus para nossa possessão. Nós fazemos isso confeccionando ídolos, tanto os de metal como os mentais. Ídolo não é só a falsa imagem que seguramos em nossas mãos, mas também a idéia falsa que nutrimos em nosso coração.
Mas Deus transcende tudo o que podemos pegar ou conter. Quando pensamos que temos Deus, a verdade é que ele escorregou pelos nossos dedos, e somos deixados apegados a alguma imagem medíocre que nós mesmos fizemos. Nós nunca conheceremos a Deus tentando segura-lo, mas sim permitindo que ele nos segure. Nós não conhecemos a Deus tornando-o uma de nossas posses, que é absurdo e blasfemo, mas nos deixando ser possuídos por ele e nos tornando abertos ao seu ser que é infinito, o qual está dentro de nós, ao nosso redor e sobre nós (Efésios 4:6)
Imagens de escultura destroem a personalidade humana e sua liberdade. Idólatras fazem deuses como a si mesmos, mas com uma exceção: seus deuses não tem personalidade nem liberdade. Não importa se são uma boneca de trapo de uma tribo selvagem ou um sangrento conceito filosófico, eles nunca alcançam a personalidade e liberdade de quem os fez. Os fazedores de escultura são mais vivos do que suas imagens. Thomas Carlyle observou que as pessoas se tornam como os deuses que adoram. Em vão se tornando gradualmente como os deuses que servem, os idolatras, consequentemente perdem personalidade e liberdade. Eles se tornam menos pessoas e mais um objeto - um objeto que não pode agir, apenas reagir as condições ao seu redor. Ralph Waldo Emerson nos alerta: "Os deuses que adoramos escrevem seus nomes em nosso rosto, tenha certeza disso. E o homem adorará algo - não tenha dúvida disso também. Ele pode achar que o seu tributo é pago em secreto, no escuro esconderijo do seu coração - mas virá para fora. Aquele que domina, determinará sua vida e caráter. Portanto, é melhor termos cuidado com o que adoramos, porque aquilo que estamos adorando é o que estamos nos transformando'.
O velho salmista disse com sabedoria: "Nosso Deus está nos céus; e faz tudo conforme lhe agrada. Os deuses das nações são prata e ouro, trabalho de mãos humanas. Têm boca mas não falam, olhos mas não vêem; têm ouvidos mas não ouvem, nariz mas não cheiram. Têm mãos mas não sentem; pés, mas não andam, e nenhum som saí de sua garganta. Sejam como eles os que os fazem e depositam neles sua confiança" (Salmos 115: 2-8)
A adoração de Deus, na verdade, é um negócio perigoso quando distraído ou distorcido por falsas imagens. Insulta a Deus, despersonifica e controla sua pessoa. Além disso, desumaniza os adoradores destruindo sua personalidade e liberdade. Adore o Deus verdadeiro da maneira certa.

NÃO TOMARÁS O NOME DE DEUS EM VÃO
Eu ouvi alguém dizer: "Você nunca aprende a xingar até tirar a carteira de motorista". O corolário é: Você nunca aprende a orar até que seus filhos aprendam a dirigir! Amaldiçoar e orar são as duas formas mais comuns de usar o nome de Deus.
A pequena Susie de 7 anos, virou para seu pai perguntou: "Porque o Tommy não fala?"
"Ele não consegue", seu pai respondeu. Bebes do tamanho dele nunca falam".
Ah, falam sim, Susie respondeu. "Na escola dominical da semana passada nosso professor disse que Jó amaldiçoou o dia que ele nasceu"!
Embora Susie tenha entendido errado a história bíblica, ela não estava longe da verdade. As pessoas aprendem o hábito do linguajar baixo na mais tenra idade. Mesmo que algumas pessoas não se importem com palavrões, Deus leva o que as pessoas dizem mais a sério do que a censura da mídia. Na verdade, ele dedicou um dos dez mandamentos para esse assunto: "Não use meu nome para o mal, porque eu, o Senhor vosso Deus, punirei qualquer que tomar meu nome em vão"
Antes de considerar o significado desse mandamento, vamos entender o que ele não significa.
O QUE NÃO SIGNIFICA ESTE MANDAMENTO
Obscenidade
Embora eu não goste de obscenidades, esse não é o alvo do terceiro mandamento. Eu me oponho a perda de tempo verbal no fundamento da ética e modos sociais e não nas bases da sagrada escritura. Eu não me utilizo de palavrões pelo mesmo motivo que não limpo meu nariz em público ou falo de boca aberta durante as refeições. Os costumes, e não a bíblia, dizem que aquela palavra de quatro letras de origem anglo - saxônica é obscena. Eu acho algumas palavras pessoalmente ofensivas, mas o ato delas me ofenderem não significa que ofendem à Deus. A violação de padrões culturais e do bom gosto não é necessariamente violação da lei divina.
Palavras
O mal referido no terceiro mandamento não diz respeito a palavra em si mesma, mas na idéia e na intenção por traz dela.
"Isso é o que eu gosto em você", o diácono disse para o pregador.
"Quando suas tacadas de golfe são péssimas, você não amaldiçoa como outras pessoas."
"Pode ser, o pregador confessou, mas quando eu pigarreio, a grama morre!"
O humorista Grady Nutt sugeriu que alguém teve a audácia de inventar palavrões para os pastores. Quando os pastores dão uma martelada no dedão eles podem dizer: " Ai, ai", mas isso não é suficiente para tirar a dor.
Deixando a brincadeira de lado, pessoas debaixo de grande pressão se expressão com linguajar pesado. As palavras, no entanto, podem não ter nenhum sentido literal. Jó reclamou: "Você pensa que pode reprovar palavras, quando o discurso de um homem desesperado é vento?" (Jó 6:26). A maioria do profano é vazio de significado como o vento. Considere o absurdo de pessoas que, se de um lado, protestam em auto e bom som contra guerra nuclear, por outro lado, entregam os outros ao fogo do inferno! Mais absurdo ainda, embora menos ameaçador, é o fato de pessoas amaldiçoarem sinais de trânsito, ferramentas que não conseguem encontrar e unhas quebradas. O sobrenome de Deus não é "maldição"!
(Nota: em inglês, existe uma palavrão muito usado que é God demnet, que significa Deus te amaldiçoe, mas é bem pejorativo)
A malícia não está nas palavras em si mesmas, mas na intenção pensada por trás delas. Mark Tawain estava certo quando disse: " O espírito da ira - não as palavras - é pecado; e o espirito da ira é amaldiçoar. Nós começamos a amaldiçoar antes de aprendermos a andar. As pessoas se enganam se acham que falar droga, porcaria, coco, caracas, orra, os afasta de pecar quando o pensamento e intenção dos seus corações é a mesma que está por trás das palavras de baixo escalão. Você pode imaginar o General Sherman dizer: "A guerra é uma droga!"?
O terceiro mandamento não é apenas um esconderijo puritano contra linguajar baixo, mas se parece mais com um aviso colocado numa usina de energia: "Perigo - Alta Voltagem". Quando Uzias tocou acidentalmente a arca da aliança, ele foi fulminado. (II Samuel 6:7). A palavra se espalhou com rapidez: "Tenha cuidado com a forma que tocas em Deus, você pode se machucar!" Aqueles antigos judeus entenderam o que muitos modernos esquecem: Deus é uma rede elétrica viva. Trate-o com seriedade.
O s judeus levaram o nome de Deus tão a sério que eles se privaram de pronunciá-lo. Mesmo quando liam as Sagradas Escrituras, eles substituíam a Adonai, que significa Senhor, pelo nome escrito no texto. Era tão comum essa prática, que quando as vogais foram acrescentadas no texto, as vogais de Adonai, foram inseridas nas consoantes do nome impronunciável de Deus. Portanto, Jehovah é uma palavra híbrida. Tem as consoantes de Yahwe ( o nome impronunciavel de Deus) e as vogais de Adonai. Se parece confuso, entenda que os antigos judeus reverenciavam tanto o nome de Deus que eles esqueceram como pronunciá-lo: o nome Yahweh é uma descoberta lingüística recente.
Uma vez que entendemos o que não significa o terceiro mandamento, vamos dar atenção agora para o que ele significa.
Tomar o nome de Deus em vão significa.......
NÃO LEVAR DEUS A SÉRIO
As pessoas falham em não levar o nome de Deus á sério, negligenciando juramentos. Quebram promessas feitas em nome de Deus e prevaricam em fazer o que prometeram. Um sinal de maturidade é a fidelidade com que pessoas cumprem seus compromissos. Alguns compromissos são mais importantes que outros. Se as pessoas não conseguem cumprir o que disseram que fariam, então eles tem que fazer uma escolha, e isso exige uma escala de prioridades.
O compromisso do cristão com Jesus Cristo, obviamente, vem em primeiro lugar. Em seguida, pela ordem de importância, estão os votos do casamento. Quando prometemos "amar, honrar e cuidar, até que a morte nos separe", deixa o divórcio, como pelo menos, uma violação do terceiro mandamento. Não é um pecado imperdoável, mas que fique claro: divórcio é pecado. Tendo dado sua palavra de honra, cristãos não devem negligenciar em mante-la.
Negligenciar um juramento, diz respeito a casos futuros, mas juramentos enganosos, dizem respeito a problemas do passado. Podem haver algumas desculpas por se quebrar uma promessa, mas não existe desculpa por se mentir sobre algo que já se sabia de antemão. Pessoas que deliberadamente enganam outras sob juramento, sofrem um julgamento muito mais rígido da mão de Deus do que da justiça dos homens.
Algumas pessoas tentam evitar um juramento negligente e decepcionante, através de um voto evasivo. Jesus alertou seus conterrâneos que achavam que se o nome de Deus não fosse especificamente invocado, Deus não seria parte da transação. Jesus disse: "Aí de vós, condutores cegos, que dizeis: aquele que jurar pelo templo, isso nada é; mas o que jurar pelo ouro do templo, esse é devedor. Insensatos e cegos! Qual é maior o ouro ou o templo? Também dizeis: Aquele que jurar pelo altar, isso nada é; mas aquele que jurar pela oferta que está sobre o altar, esse é devedor. Insensatos e cegos! Qual é maior: a oferta ou o altar que santifica a oferta? Portanto, o que jurar pelo altar jura por ele e por tudo que sobre ele está. E o que jurar pelo templo, jura por ele e por aquele que nele habita. E o que jurar pelo céu, jura pelo trono de Deus, e por aquele que está assentado no trono." (Mateus 23: 16-22).
Jesus deixou claro: Você não pode deixar Deus fora de nada. Toda declaração e promessa, e toda transação humana é feita em sua presença e está sujeita a sua aprovação. Como os cristãos nunca são dispensados de seus juramentos solenes e da honestidade, seu simples sim ou não, não deveria requerer mais nada do que seu cumprimento. Juramentos são supérfluos. Jesus colocou dessa forma: "Ouvistes também o que foi dito aos antigos: Não perjurarás, mas cumprirás teus juramentos ao Senhor. Eu porém vos digo: De maneira nenhuma jureis: nem pelo céu por ser o trono de Deus, nem pela terra por ser o estrado de seus pés; nem por Jerusalém por ser a cidade do grande Rei. Não jures pela tua cabeça pois não podes tornar um cabelo branco ou preto. Seja, porém o vosso sim, sim, e o vosso não, não; o que passar disso vem do maligno." (Mateus 5: 33-37)
Juramentos são uma concessão temporária à condições malignas, e Jesus ensinou que isso é completamente desnecessário entre cristãos. Mas, uma vez que os cristãos não vivem em um mundo ideal, juramentos são necessários em algumas situações legais. Jesus mesmo testemunhou sob juramento em seu julgamento (Mateus 26:63). E mesmo Deus fez um juramento. O autor do livro aos Hebreus diz: "Quando uma pessoa faz um juramento ele usa o nome de alguém maior que si mesmo, e o juramento acalma todos os argumentos. (Hebreus 6: 16-17)
Pelo fato de nem todos terem uma consciência clara do envolvimento de Deus em todos os feitos e palavras, votos são comumente acrescentados à promessas. Especialmente no sistema jurídico. "Você jura em dizer a verdade, somente a verdade, e nada mais do que a verdade, e que Deus o ajude?" é perguntado a testemunha. Uma testemunha que levou a pergunta a sério respondeu: "Se eu soubesse a verdade, toda verdade e nada mais do que a verdade, eu seria Deus!"
Com conhecimento limitado e uma resolução fraca, cristãos, apesar de tudo, sabem que toda sua vida é um juramento vivo sujeito a misericórdia e julgamento de Deus. Fazer um juramento não acrescenta nada a nossa firme intenção de dizer a verdade, porque sabemos que Deus nos considera responsáveis por cada palavra e atitude. Longe de tomar o nome de Deus em vão, nós o santificamos, não somente em oração, mas em toda conversa e comportamento.
Pedro disse: "Não há outro nome abaixo dos céus, dado entre os homens, o qual importa que sejamos salvos" (Atos 4:12). João disse: "Estes, porém, foram escritos, para que creiais que Jesus é o Cristo, o filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome." (João 20:31). Paulo disse: "Pelo que Deus o exaltou soberanamente, e lhe deu um nome que é sobre todo nome, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho dos que estão no céu, na terra e embaixo da terra, e toda língua confesse que Cristo Jesus é o Senhor, para a glória de Deus Pai." (Filipenses 2:9-11). O que se pode dizer?
Talvez, como o profeta Isaías, você diga: "Pobre de mim!....porque sou homem de lábios impuros, e habito no meio de um povo de impuros lábio" (Isaías 6:5). Você fala besteira? Você já se amoldou aos hábitos daqueles com que você se associa? Talvez, como Isaías, você precisa que um anjo toque seus lábios com brasas de fogo, para que possa dizer a verdade em amor.
7 DIAS DE TRABALHO FAZEM 1 SEMANA
"Você tem trabalho antes de brincar". Essa é uma das primeiras lições que a maioria das pessoas aprendem - ou deveriam aprender desde cedo. Antes mesmo que possa expressar isso em palavras, você sabe que há uma grande diferença entre lazer e trabalho. A diferença é mais difícil de definir do que muitos supõe. Com certeza não tem nada haver com o fato de ser pago pela atividade. Muitas pessoas são pagas para ter lazer, para fazer coisas que você faria prontamente de graça. E há os outros, pobres escravos, que não recebem nada por seu trabalho pesado.
Uma maneira de distinguir trabalho de lazer, é definir a palavra "lazer" como: "trabalho que você não tem que fazer". Então porque faze-lo? Porque você quer faze-lo. E você o deseja porque a atividade está de acordo com que você é. Tem a ver com seus interesses, dons e talentos. Trabalho, por outro lado, é uma atividade que entra em conflito com sua personalidade. Independente do seu interesse, talento ou dom, terá que faze-lo.
TRABALHE SEIS DIAS
"Trabalharás seis dias e fará toda tua obra....." (Êxodo 20:9). Muito antes de Deus falar com Moisés no monte Sinai, ele revelou o valor do trabalho. Em Gênesis 2, antes dos humanos pecarem, Deus mandou Adão cultivar o jardim do Éden. O trabalho não era um fardo, mas uma atividade nobre.
Alan Richardson, na Doutrina Bíblica do Trabalho, escreveu: "Diferente dos gregos, que achavam que trabalhar para viver está aquém da dignidade de um cavalheiro, os hebreus consideravam a labuta diária como parte normal da divina ordem do mundo, e nenhum homem estava fora disso." O escritor de I Samuel não vê como problema o fato de mostrar que o rei Saul era um trabalhador (I Samuel 11:5). O título "servo de Deus" era um título de prestígio (Gênesis 26:24; Êxodo 14:31).
Embora o trabalho tenha sido ordenado por Deus como uma atividade nobre, logo foi corrompido pelo pecado. Uma das conseqüências da queda de Adão é que seus descendentes tem que trabalhar ao invés de fazer o que desejam. "Pôr causa do que você fez", Deus disse, "maldita é a terra; em fadiga comerás dela todos os dias da tua vida. Ela produzirá cardos e abrolhos, e terás que comer ervas do campo. Trabalharás e do suor do teu rosto, farás com que o solo produza" (Gênesis 3:17-19).
Alguns podem presumir desse texto que a diferença da maldição pelo pecado está na quantidade de exercício que humanidade teria que fazer. Ainda assim é muito pouco provável supor que os músculos de Adão antes da queda eram flácidos pelo desuso. Melhor, a diferença está no fato de que antes do pecado, o que ele fazia estava mais em harmonia com quem ele era, lazer. Depois do pecado, o que ele fazia estava em conflito com quem ele era, seu trabalho se tornou árduo e compulsivo. Talvez, antes do pecado, Adão encarava seu trabalho como o caçador entusiasmado que chega na madrugada sedento por um dia de caça, e volta para casa suado, feliz e exausto no fim do dia. Mas depois de pecar, seu trabalho se transformou na tortura diária do arrancador de cardos que se obriga a sair da cama contrariamente a sua natureza interior.
O trabalho se tornou não somente preocupante, mas também compulsivo. Fornece uma estrutura melancólica para uma vida que de outra forma, seria sem sentido. Durante a recessão de 1982, Daiane Sawyer disse no noticiário matutino da CBS, que para 1% do crescimento do desemprego, existe uma média de 4% de suicídio. Sua sobrevivência depende exclusivamente em fazer algo que você preferiria não fazer. Não é de estranhar tanta infelicidade e insatisfação neste mundo!
Pode haver tanta intemperança no trabalho como na bebida. Os "viciados em trabalho" sacrificam suas esposas, maridos, filhos e mesmo sua alma no altar da realização profissional.
O fato de uma atividade ser trabalho ou lazer, nem depende tanto no que você faz, mas da sua atitude. O trabalho de um pescador pode ser o lazer de um jardineiro e vice-versa. Trabalho é qualquer coisa que você faz, preferindo fazer outra coisa. Lazer é a "outra coisa". Ela brota espontaneamente pelo tipo de pessoa que você é.
Lazer é uma parte importante da adoração. A irmã de Moisés, Miriã, liderou as mulheres de Israel a celebrar com dança, a miraculosa libertação do Egito pelo Mar Vermelho (Êxodo 15:20). Quando a arca da aliança foi trazida à Jerusalém, as escrituras nos falam que Davi "dançou com todas suas forças para honrar a Deus" (II. Samuel 6:14). Em seu ponto mais alto, adoração não pode ser traduzida em palavras. Quando as palavras falham, pessoas cantam e dançam. Mesmo o profeta chorão Jeremias, descreveu a nova geração como se em lazer: "Te adornarás com enfeites, e dançarás a dança de núpcias" (Jeremias 31:4).
Adoração que é um trabalho obrigatório, não é adoração, mas sacrilégio. A verdadeira adoração, como lazer, brota de seu coração. Jesus disse: "Aquele que crê em mim, rios de água viva jorrarão do seu interior" (João 7:38).
DESCANÇE UM DIA
"Lembra-te do dia do Sábado para o santificar. Seis dias trabalharás e farás toda a tua obra, mas no sétimo dia é o Sábado do Senhor teu Deus. Não farás nenhum trabalho." (Êxodo 20:8-10).
Para nossa geração compulsiva, o Senhor, com efeito diz: "Não façam apenas alguma coisa Se posicione. Se posicione com regularidade suficiente para descobrir e reafirmar quem é você em relação ao seu Criador."
Lazer significa liberdade para fazer algo. Também significa liberdade para não fazer nada. Numa sociedade dirigida pela compulsão do trabalho, liberdade para não fazer nada talvez seja a mais rara e preciosa de todas.
È um mandamento importante. Embora o Sábado seja apenas um sétimo da semana, é o único dia que Deus abençoou e santificou. Isso implica que o chefe da humanidade não é o trabalho, ao contrário, descanso e adoração. Jesus escolheu este tema na casa de Maria e Marta quando ele disse que Maria havia escolhido a melhor parte, ou seja, estar desfrutando dele, ao invés de trabalhar na cozinha com sua irmã. (Lucas 10:38-42).
Existem 3 considerações envolvidas no descanso verdadeiro. Descanso não é somente inatividade. Nos tempos modernos a maioria do trabalho não exige esforço físico, e consequentemente, não necessita de descanso físico. Descanso é o contraste da atividade agradável, com o que você faz o resto do tempo. Descanso é algo que você faz porque gosta da atividade por si só, sem buscar somente os resultados. O golfe pode se tornar trabalho se seu único interesse é em aumentar os pontos.
O escritor de Hebreus descreve a vida cristã como um perpétuo Sábado. Ele começa citando Gênesis "Deus descansou no sétimo dia de todo seu trabalho" (Hebreus 4:4). Ele relembra seus leitores: " Os que primeiro receberam as boas novas, não receberam esse descanso, porque não acreditaram" (4:6). Então ele argumenta: "Há, porém, os que podem receber...que ainda há descanso para o povo de Deus, o descanso como o que Deus descansou no sétimo dia" (4:9). Finalmente ele concluí: "Façamos, portanto, o nosso melhor para receber esse descanso (4:11). Em nenhuma dessas referências o Sábado significa um dia do calendário, nem o descanso mera inatividade.
Descanso não é desistir
Da carreira ocupada
Descanso é encaixar
A si mesmo em sua esfera
Ama-lo e servi-lo
O Altíssimo e o melhor!
Seu progressivo encontro
Este é o verdadeiro descanso. (John Sullivan Dwuight)
O Sábado não é somente um dia da semana, mas um estilo de vida. É como a vida funciona. Deus descansou não porque estava cansado ou não conseguia pensar em nada melhor para fazer. Ele criou você e o mundo para funcionar em harmonia. Do mesmo jeito que o compasso das peças deve estar correto para que o motor trabalhe em harmonia, existem tempos que devem ser observados, se você e o universo querem funcionar da maneira devida. O ciclo fundamental que Deus construiu nas coisas, se alterna entre fazer e ser, trabalho e descanso. O quarto mandamento diz que até os animais precisam e merecem descanso. (Êxodo 20:10).
O professor de Oxford/ Cambirdge, C. S. Lewis, escreveu: "Você deve ter notado, eu espero, que a humanidade é o único animal amador; todos os outros são profissionais. Eles não tem lazer e não o desejam. O leão não para de caçar e o castor de construir açudes ou a abelha de fazer mel. Quando Deus fez as bestas sem entendimento ele salvou o mundo de infinito tédio, porque se eles pudessem falar, todos eles não fariam nada o dia todo, não teriam outro assunto além de compras."
O Sábado era originalmente o sétimo dia da semana. Mas foi modificado pela igreja primitiva para o primeiro dia da semana, Domingo. Essa mudança não veio de nenhum mandamento específico, mas por circunstâncias históricas. Domingo foi o dia que Jesus ressuscitou e começou uma nova criação. Até sua ressurreição, os crentes trabalhavam até o Sábado. Depois de sua ressurreição, os crentes trabalham a partir do Sábado. A vida de fé - descanso dos cristãos é o ponto inicial, não o fim. Consequentemente, o Sábado é celebrado no Domingo ao invés de Sábado.
Negligenciar o Sábado (descanso) faz da vida uma tarefa, um emprego, um trabalho. Deus não precisa de um dia santificado; você sim. "O Sábado foi instituído para o homem reto", disse Jesus (Marcos 2:27). Ele "perseverou em fazer o bem" (Atos 10:38). Sem o Sábado as pessoas apenas perseveram. Eles precisam aprender a parar e deixar suas almas se atualizarem com o seus corpos. Pessoas que não guardam o descanso, são como estradas sem retorno.
Não confunda ocupação com bênçãos. Ativismo não deve passar por espiritualismo. O que você é, é mais importante do que você faz. Preenchendo sua vida com atividades sem fim, você a esvazia de significado.. Você acaba se desgastando até os ossos!
Nós até fazemos piada sobres as regras extremistas do Sábado guardada pelos puritanos, mas a piada somos nós. Eles não viveram numa era de euforia como a nossa. Eles não foram vexados como nós com doenças mentais, alcoolismo, colapsos nervosos e suicídio. Nós somos as pessoas com mais entretenimento e mais infelizes da terra. O fato é que não podemos quebrar o Sábado (descanso); nós só podemos ser quebrados por ele.
Guardar o Sábado é fazer da vida um lazer. Lembrar que somos filhos de Deus empurra os limites da vida infinitamente além da maçante, monótona rotina do labor e a transforma. Perguntaram a dois pedreiros: "O que vocês estão fazendo?" O primeiro respondeu: "assentando tijolos!". O segundo respondeu: "construindo uma catedral." Para algumas pessoas a vida é apenas assentar um tijolo após o outro - muito trabalho! Mas para outros é a construção de uma catedral, ou seja, lazer. Antes de conseguir construir uma catedral, você tem que saber quem você é, e qual seu lugar no plano do Mestre. O Sábado é o momento onde você descobre essas coisas.
Anos atrás, um locutor da rádio NBC, recebeu uma carta de um criador de ovelhas de Idaho. "Eu gosto dos seus programas", ele escreveu, "mas eu quero te pedir um favor. È bem solitário aqui nas montanhas a não ser pelo rádio. Eu costumava tocar o meu violino, mas ele desafinou terrivelmente. Você faria a gentileza de parar durante o seu próximo programa para tocar "A" para que eu possa afinar meu violino e aproveitar seu som novamente?"
A sua vida está desafinada sem Deus? Quanto tempo faz que você não escuta "A"? Não faça apenas alguma coisa. Permaneça até que escute um "A". Então afine sua vida para tocar em harmonia com o grande coral cósmico de Deus.
HONRAR A PAI E MÃE
Embora a bíblia diga que os dez mandamentos foram escrito em duas tábuas de pedras (Êxodo 24:12; 34:1) não nos fala como eles foram divididos nas tábuas. Cinco em um e cinco na outra parece o mais razoável, mas é uma divisão errada se forem considerados os temas dos mandamentos. Desde os tempos remotos, estudiosos da bíblia notaram que os primeiros quatro mandamentos dizem respeito ao nosso relacionamento com Deus, e os últimos seis, concernem nosso relacionamento com o próximo.
Não tem realmente importância em como os mandamentos foram organizados nas tábuas de pedra, mas é importante notar os temas idênticos. O judaísmo foi a primeira religião do mundo a combinar adoração (responsabilidades referentes à Deus) com ética (responsabilidades referentes à humanidade). Os deuses do monte Olimpo não eram nem éticos em seu comportamento, nem faziam exigências éticas aos seus adoradores. Essa fé barata ainda tem seus fãs. Os neo-paganistas tem todo o conforto e excitação da sua religião sem nenhum dos inconvenientes de um Deus que pega no seu pé quando querem fazer alguma coisa.
Na religião da bíblia, no entanto, Deus é o instituidor da lei. Ética é teologia na prática.; os dez mandamentos são adoração na finalidade. Os mandamentos falam das duas, teologia (nosso relacionamento com Deus) e ética (nosso relacionamento com o próximo).
O quinto mandamento começa com a segunda "tábua da lei": nossa responsabilidade uns para com os outros. Nessa parte Deus nos fala de como nos tornarmos mais humanos controlando certos impulsos que compartilhamos com os animais irracionais - como ira, raiva e luxúria. Esses comportamentos são naturais. Na verdade, são essenciais a nossa sobrevivência. Mas Deus nos chama para fazermos algo maior e mais nobre. Ele nos comanda a controlar o que vem naturalmente, para que não matemos nem roubemos e não forniquemos simplesmente porque acontece para nossa vantagem imediata. Ira, raiva e sexo são necessidades fortes dentro de todos nós. Como fogo, são bons presentes de Deus. Também como fogo, se tornam perigosos quando perdem o controle. Por isso temos os dez mandamentos, para nos dizer como controlar nossas inclinações naturais para que ninguém se machuque.
Qual inclinação você acha que é controlada pelo quinto mandamento? A maioria dos animais instintivamente se preocupam com seus filhotes. Ursos e leoas o atacarão se você mexer com seus filhotes. Embora a maioria das espécies cuidem de suas crias, nenhuma cuida dos seus velhos, a não ser os humanos. O quinto mandamento nos convida a nos colocarmos acima de nossa natureza animal. Deus espera mais de mim e de você do que dos gatos e cachorros. Ele ordena que os filhos cuidem dos pais da mesma forma que os pais instintivamente cuidam dos filhos. "Honra teu pai e tua mãe". Honrando os idosos nós nos colocamos acima do resto da natureza e nos tornamos verdadeiramente o que somos. Nós precisamos ouvir novamente o quinto mandamento. Nossa geração moderna não dá ao idoso o lugar de honra que eles tinham antigamente e tão ricamente merecem hoje. Bertrand Russell reclamou: "Eu nasci na geração errada. Quando eu era jovem, ninguém tinha respeito pela juventude. Agora eu sou um homem velho e ninguém respeita os idosos."
Quase todos, da Avenida Madison, até a igreja local, honram os jovens. Agora, isso não é uma idéia má, mas lembre-se que a juventude não é a época que a bíblia dá a maior honra. Moisés disse: "Mostre respeito pelos velhos e os honre" (Levítico 19:32). E Pedro acrescentou: "Jovens sede submissos aos mais velhos" (I Pedro 5:5).
Eu me ressinto do fato de que chamar alguém de velho seja um insulto. Nossa cultura distorceu o valor da tradição da terceira idade, fazendo algo honroso parecer uma desgraça. Na bíblia a velhice não é um problema. É uma benção (Isaías 65:20; Zacarias 8: 4-5). Por milhares de anos, ser chamado de "velho" foi uma grande honra. Hoje em dia, é um insulto. O que foi que aconteceu com nossos valores?
Uma cultura centrada no jovem, é uma cultura olhando do avesso. È uma sociedade onde pessoas honram o que eles costumavam ser, ao invés do que eles serão.
Idade é como dinheiro. Não é o quanto você já gastou que conta, mas o quanto você ainda tem para gastar. Se nós verdadeiramente acreditamos no que dizemos sobre a vida eterna, o que temos para gastar é a eternidade. Cada aniversário nos leva um ano mais longe do dia do nosso nascimento, e um ano mais perto da casa de nosso Pai eterno.
A raiz da palavra em hebraico para honra significa "pesar bastante". As pessoas que me consideram bastante, são as que mais contribuem para meu peso (valor): meus pais, minha esposa e meus filhos - a eles eu devo grande respeito e honra.
O quinto mandamento é primeiramente endereçado aos adultos. Não é um clube de faturamento que pais frustrados podem usar para bater em seus filhos rebeldes com respeito a submissão. Os pais que tentam conseguir respeito dos filhos citando as escrituras, terão tanto sucesso quanto manobrar o carro tocando a buzina.
O quinto mandamento tem mais a ver com cuidado da saúde, pensão para idosos, e casas de repouso, do que com menores desobedientes. Significa, pura e simplesmente quando seu pai e mãe precisar de você, não os abandone. Honre seu pai e sua mãe.
Embora o INSS, plano de saúde, e asilos, tenham tomado para si esse tipo de responsabilidade exigida nesse mandamento, nenhum sistema organizacional pode honrar seus pais por você. Muitas organizações são terrivelmente impessoais e até desumanas.
Quando os pais não são mais membros produtivos da sociedade, eles necessitam mais do que nunca, serem honrados e estar conscientes do seu valor. O quinto mandamento ordena honra aos pais, mas não honra somente. Ele não diz: "Honra somente teu pai e tua mãe. Esse é só o começo. O apóstolo Pedro disse: " respeite a todos" (I Pedro 2:17). Não somente as crianças devem respeitar seus pais, mas pais devem honrar seus filhos. O rico deve honrar o pobre, e o pobre honrar o rico. O fraco deve honrar o forte, e o forte honrar o fraco.
Jesus deu a esse mandamento sua maior aplicação quando declarou: "Verdadeiramente vos digo, o que fizeres a esse menor entre vós, a mim o fazeis" (Mateus 25:40). Você honra os outros os tratando com a mesma consideração que você tem com a pessoa de Jesus Cristo? Se você trata os outros, da maneira que trata Jesus, você honrará não somente seus pais, mas toda alma vivente.
A honra existe de formas diferentes. È muito mais do que cartão, bombons ou flores no dia das mães. A forma como os pais honram os filhos, por exemplo, é diferente de como os filhos honram os pais. È uma desonra tratar todos da mesma maneira sem respeitar as diferentes necessidades de cada um e suas responsabilidades. A verdadeira honra leva em conta a idade e situação das pessoas envolvidas, e a natureza do relacionamento. Você é jovem apenas uma vez, mas pode ficar imaturo pelo esto de sua vida. Uma das razões que o espaço entre as gerações é um problema, é porque não é largo o suficiente. Muitos adultos tentam agir como se fossem adolescentes, e muitos adolescentes como se fossem adultos. Com todos os atores lendo as falas de outro personagem, não é de se estranhar que a peça seja confusa. Filhos não podem honrar seus pais se não aceitarem o seu papel de dependentes. E pais não podem honrar seus filhos enquanto fogem de suas responsabilidades de pais.
Para complicar ainda mais as coisas, os papeis continuam mudando. Para uma criança, honra significa obediência. Para um adolescente, significa respeito. Conforme a criança se torna adulta significa bondade, consideração e cuidado com os pais.
Um menino nunca se tornará um homem, e a menina nunca será uma mulher, se sempre tiverem que obedecer seus pais. Embora as crianças desenvolvam a necessidade de obedecer seus pais, eles nunca desenvolverão seu dever de honrar seus pais. Chegará o tempo em que pais idosos terão que obedecer seus filhos, mas mesmo assim, e especialmente nessa hora, os filhos devem encontrar uma forma de honrar seus pais , para reafirmar sua dignidade e valor.
O apóstolo Paulo nos lembra que o quinto mandamento é o primeiro mandamento com promessa: " Para que tudo te vá bem, e tenhas abundância de dias" (Efésios 6:3). Quando um professor de escola dominical perguntou a um menino o que isso significava, sua interpretação foi: "É melhor eu fazer o que meus pais dizem ou eles me matarão". Embora existam pais que concordem com essa versão, eu não creio que era isso que Moisés ou Paulo tinham em mente. "Para.......que tenhas abundância de dias sobre a terra", não é uma garantia de anos extras de vida para os indivíduos que honram seus pais. È uma promessa para preservar a ordem social que respeita gerações precedentes. Lembre-se que os mandamentos foram dados depois que o povo de Israel saiu do Egito, e antes de entrarem e ocuparem a terra prometida. Eles eram uma nação novinha em folha. Então Deus deu a eles leis e mandamentos para mostra-los como funcionar. Bons cidadãos podem morrer cedo, mas culturas onde as pessoas honram os mais velhos duram com estabilidade.
Uma das razões porque a cultura chinesa tem sobrevivido por milhares de anos através de revoluções políticas e sociais, é que, em meio a tudo isso, eles obedeceram o quinto mandamento - não porque Deus falou para Moisés, mas porque é sábio. "(Para) que tenhas abundância de dias sobre a terra", não é um suborno tentador a boa conduta, mas uma afirmação de fato, sobre tribos, nações e famílias, nas quais honra é achada.
Lembre-se, a bíblia não ensina quem deve te honrar, mas quem você deve honrar - seus pais, seus filhos e todas as outras pessoas. Você obedece o quinto mandamento não exigindo que os outros te honrem, mas tomando a iniciativa em honra-los.
ASSASSINATO MISTO
Agora chegamos no mais controvertido mandamento de todos. Se perguntado para citar os dez mandamentos, muitas pessoas começariam com "Não matarás", porque ele classifica a maldade mais óbvia que Deus proibiu. Embora esteja claro que a proibição do mandamento seja para todas as culturas - bíblicas e não bíblicas - as pessoas hoje em dias não estão todas em concordância com seu escopo e intenção.
O sexto mandamento não é uma interdição vazia contra matanças, mas, ao contrário, uma proibição específica sobre o homicídio, a intenção em tirar a vida humana. Os defensores dos Direitos Animais vão muito longe em aplicar esse mandamento a morte de vacas, galinhas e porcos. Assim como nem todo sexo é adultério, nem todo assassinato é homicídio. A história do Velho Testamento deixa claro que os antigos hebreus não aplicavam esse mandamento para guerras fora da lei ou punição capital, mas para vingança pessoal de sangue.
Em seu senso limitado, é o mandamento menos complicado dos dez. "Não matarás". Irmãos, muitos de nós está tão apto a isto como se Deus tivesse ordenado: "Não cuspirás na lua"! Nós nunca matamos ninguém e não temos a intenção. Adultério, roubo, mentira....Ah, são questões diferentes. Mas falaremos mais sobre eles depois.
Muitas pessoas, quando perguntadas se aprovam o sexo e violência, responderiam: "Sim e não!" Independente de toda violência em nosso mundo, poucas pessoas a aprovam. Somente uma pessoa entre mil quebra o sexto mandamento, em seu sentido estrito de homicídio. E muitos assassinos são psicopatas incapazes de sentir culpa por sua má conduta. Portanto, para homicidas e não homicidas, o sexto mandamento é o menos complicado deles.
Conquanto que nos apeguemos a referência primária do sexto mandamento, estamos a salvo num terreno sem controvérsias. Mas nós não temos que comprar um livro ou olhar um site na Internet para descobrir que Deus desaprova a matança de pessoas. Nós, portanto, deixaremos a fortaleza segura do óbvio, para explorar as florestas profundas e cavernas escuras que circundam este mandamento. Antes de nos adiantarmos em nossa jornada, eu te aviso que há atiradores de tocaia espreitando no escuro ao longo do caminho, prontos para atacar se transgredirmos seus códigos de comportamento. Eu tentarei ser um guia confiável, mas confesso que outros guias, os quais a sabedoria e compromisso cristão eu respeito grandemente, te levariam por uma estrada diferente.
A referência primária do sexto mandamento é o homicídio, tirar a vida humana, que é tão sagrada quanto o sopro de Deus que a deu. (Gênesis 2:7). Mas existem outras maneiras de acabar com uma vida além do "homicídio mais abominável". Vamos considerar alguns atos mistos que violam a santidade da vida de maneiras diferentes.
Suicídio
Toda forma de vida é sagrada, incluindo a sua. Você não escolhe a hora e as circunstâncias do seu nascimento, e nem da sua morte. Essas questões pertencem exclusivamente ao Criador. "Vocês não pertencem a si mesmos mas à Deus" (I Coríntios 6:19). Tirar sua vida destroi o que pertence à Deus, e mais ainda, priva os outros do amor e ajuda que você poderia ter dedicado à eles. Suicídio quebra o sexto mandamento.
Existem outras maneiras de encurtar sua vida que podem ser menos violentas, mas tão eficientes quanto. Pôr exemplo..........
Drogas, Álcool, Cigarros e Glutonaria
Álcool é a droga número um em morte nos Estados Unidos. Mata muito mais pessoas do que cocaína ou heroína. Cinqüenta por cento de todos os acidentes de carro fatais envolve motoristas bêbados. Se houvessem motoristas bêbados no tempo de Moisés, provavelmente existiriam onze mandamentos. Alcoolismo não leva as pessoas à morte tão somente, mas as mata enquanto estão vivas, o que é ainda pior! Nove milhões de alcoólatras, sofrem o inferno em vida nos EUA. Eles estão quebrando o sexto mandamento matando a si mesmos e aos outros.
È tão sério o problema do alcoolismo nos nossos dias, que muitos cristãos defendem total abstinência como a única solução responsável. A bíblia ordena claramente a temperança. (I Timóteo 3:8; Tito 2:3) e condena a bebedice (Provérbios 23:29-35; I Coríntios 6:9-10; Efésios 5:18), mas não insiste em total abstinência. Jesus mesmo transformou a água em vinho e era largamente conhecido como beberrão de vinho (João 2:1-11); Mateus 11:19; Lucas 7:34). Embora abstinência completa de toda bebida alcóolica não seja um comportamento esperado dos cristãos, talvez seja necessário para aqueles cuja o ambiente ou o biótipo leva ao alcoolismo, um pecado capital.
Álcool não é o único assassino "não violento". Cigarros também são uma substância letal. O Serviço de Saúde Pública dos Estados Unidos, prevê que um milhão de crianças agora na escola, irão morrer de câncer no pulmão antes de atingirem a idade de 70 anos. Pode ser que fumar não te deixe fora do céu. Na verdade, pode te levar para lá mais rápido! 390,000 americanos morrem todos os anos por causa do efeito tóxico do tabaco. È a mesma fatalidade de três jumbos 747, lotados de passageiros, caíssem todos os dias, durante um ano inteiro. Se essa jornada no território do homicídio misto não conseguiu deixar você nervoso ainda, segure o seu chapéu. Na esquina existe outro assassino que se parece com um velho amigo.
Comida mata pessoas de duas maneiras: ou não se tem o suficiente, ou se tem demais. Alguns dos filhos de Deus morrem de fome, enquanto outros "cavam" sua própria cova com seus garfos. Eles encurtam suas próprias vidas comendo em excesso, e a dos outros se recusando a não repartir o excedente alimentar. Aqueles que se entregam às drogas, álcool, cigarro e glutonaria, cometem suicídio a prestação. É um ato misto de homicídio, uma violação do sexto mandamento.
Aborto
Desde 1973, mais de 30 milhões de vidas humanas foram legalmente mortas nos EUA antes de nascer. Enquanto os defensores do pró- vida e pró- escolha debatem o assunto, a carnificina continua. Ao invés de ficarmos discutindo entre nós mesmos, porque não encontrar formas de diminuir as mortes? O Presidente Clinton disse repetidamente: "Aborto deveria ser legalizado, seguro e raro". Nós gastamos todo nosso dinheiro e energia discutindo sua legalidade e segurança. Eu creio que é tempo de trabalharmos juntos para torna-lo raro. Militantes do pró- vida e pró- escolha poderiam concordar em uma coisa: vamos fazer o aborto raro. Como? Uma forma seria exigir que toda clínica de aborto desse o nome de pais adotivos a suas clientes. Oferecer a elas cuidado pré o pós parto e uma lar cheio de amor para seu bebê que está prestes a ser abortado. Pense nas vidas que seriam salvas! Isso pode acontecer? Não exatamente, porque as pessoas preferem mais defender sua opinião do que encontrar uma solução. Portanto, a matança continua.
O que a bíblia fala sobre aborto? Não muito. Não existe uma afirmação direta no Novo Testamento e somente uma referência incidental no Velho Testamento. Embora matar uma criança no útero, não recebesse a mesma consideração do homicídio pela lei Mosaica, é considerado crime (Êxodo 21:22-25). Os cristãs de hoje podem ter diferentes visões políticas no tocante a forma com que o governo deve se envolver nesse assunto, mas todos os cristãos devem concordar na santidade da vida. A vida não é mero acidente. È um Dom divino. Pessoas não deveria ousar em destruir o que Deus tem nos dado.
O sexto mandamento fica mais e mais controverso quando nós desviamos da santidade da vida embrionária, para a santidade da vida criminal. Isso nos trás a uma área onde estudiosos da bíblia diferem.
Pena de Morte
Agora, nós entramos num território que passou por muitas mudanças desde os dias de Moisés. Longe de proibir a pena capital, o Velho Testamento, na verdade, o ordena para crimes como o adultério, não cumprimento do Sábado, desonrar pai e mãe (Levítico 20:10; Números 15:32-36); Deuteronômio 21:18-21) e, meu favorito, discutir com o pastor (Deuteronômio 17:12). Graças à Deus essa não é a lei de hoje, ou você não teria condições de ler isso a não ser que estivesse escrito em amianto!
Sim, os tempos mudaram. As leis do velho testamento governaram um sociedade primária. Aquelas leis foram modificadas através dos anos por uma gradual redução dos tipos crimes onde as penas capitais são determinadas. Existem crimes em nossa sociedade moderna para os quais a pena de morte seja a pena adequada? Alguns cristãos responderiam que sim, e alguns que não. O não arrependido Tim McVey certamente merece morrer por matar um homem inocente, mulheres e crianças, quando explodiu o prédio da Justiça Federal Americana em Tulsa. Igual ao divórcio e escravidão, talvez a pena capital seja uma daquelas infrações da vontade divina, que a bíblia não eliminou imediatamente.
Algumas coisas eu tenho certeza, algumas não. Eu não sei se a sociedade estaria melhor, com ou sem pena de morte. Eu sei que eu preferiria mais viver num país onde ela é rara, do que em um onde ela é comum. E eu tenho certeza que Deus ama todos os pecadores, até os assassinos, e oferece salvação através do sangue derramado de seu filho Jesus Cristo, e tenho certeza que esse deveria ser nosso maior recado a um mundo perdido e condenado.
Guerra
Novamente nós nos aprofundamos em um território que modificou-se desde os dias de Moisés. Por outro lado, os antigos hebreus foram ensinados a não matar. Mesmo assim, eles eram comandados a travar guerras "santas" contra os pagãos - não era qualquer guerra, para seu conhecimento, mas somente as que eram determinadas por Deus.
Cristãos tem discutido entre si através dos séculos, sobre quais condições pode-se, conscientemente, iniciar uma guerra. E, em nossa geração, outra grande oportunidade aconteceu neste campo. Nossa geração é a única que tem o poder e a habilidade de ser a última geração. Os especialistas são quase unânimes: guerra global nuclear, seria suicídio global. Consequentemente, quase todo mundo parece estar a favor de um desarmamento nuclear global. Mas o problema é que nenhuma nação que ser a primeira a começar o desarmamento. Então as nações continuam como doidas, estocando incríveis arsenais de armas que pode matar os dois lados por muitas vezes.
Para focalizar a questão mais de perto, aqui vai um desafio. Dois homens estão num porão. Um forte cheiro de gás está no ar. Um tem quinze fósforos. O outro tem vinte. A pergunta é qual dos dois ganha o jogo ou é mais esperto que o outro? Se puder responder essa pergunta, poderá responder a questão de quem ganha quanto ao armamento nuclear.
O armamento nuclear, pode destruir a raça humana. Parece mais claro do que nunca que, a única esperança para este mundo sobreviver no século XXI, é que as nações confiem em Deus ao invés de armamentos (Salmos 44:3-8; Zacarias 4:6).
Ódio
Nós avanços muito no território que circunda o sexto mandamento, mas nenhum é tão "extrapolado" quanto o mandamento de Jesus: "Ame os seu inimigos" (Mateus 5:44). João aplica isso diretamente ao sexto mandamento: "Qualquer que odiar seu irmão, é assassino..." (I João 3:15). Agora todos nós fomos pegos. O que começou como o mandamento pouco implicador, nos pegou.
Embora nós nunca tenhamos matado ninguém, temos de confessar que, algumas vezes, lemos os avisos fúnebres com prazer. Enquanto a lei de Moisés restringe o fim da violência, a lei de Jesus restringe a causa inicial da violência. Ele impede não somente a mão que está prestes a atacar, mas também o coração que está prestes a odiar.
Quase todos são culpados de algum homicídio misto. Essas são as más notícias. Mas a boa notícia é que Deus nos ama a ainda tem um plano maravilhoso para nossas vidas. Moisés, Davi e Paulo eram todos assassinos que Deus resgatou e restaurou para grandes bênçãos e ministério. O mesmo que Deus fez por eles, pode fazer por nós.
ADULTÉRIO
Jesus chamou a geração em que ele viveu: "geração adúltera e pecadora" (Marcos 8:38) Quais palavras você acha que ele usaria para descrever a nossa?
As novelas podem não melhorar o que ocorre na vida real, mas demonstram o que as pessoas reais acham apropriado para se distrair. Entretenimento reflete a sociedade, e é um dos fatos que forma o comportamento do público. A Universidade de Pensilvânia, Annemberg Escola de Comunicação, publicaram os resultados de uma pesquisa sobre o comportamento sexual mostrado nas novelas. Quarenta e nove por cento dos relacionamentos acontecia entre pessoas não casadas entre si. Vinte e nove por cento entre desconhecidos e seis por cento um casal casado. "Devido a crescente audiência desses seriados" a reportagem concluí, "novelas tem uma grande força de transmitir valores, estilo de vida e informação sexual à juventude telespectadora".
Alguns já desistiram da batalha por valores morais. Eles jogaram a toalha e disseram estar quites. Ann Landers que tem dado conselhos a mais pessoas do que qualquer pastor disse: "Com relação a padrões de moralidade, eu sinto muito dizer, mas esqueça. Esse trem já partiu a muito tempo atrás" (LA Times, 12/7/91). Dr. Ruth Westheimer , renomada terapeuta sexóloga disse na NBC Today Show (7/5/88): "As gerações passadas não conversavam sobre sexo; a nossa não conversa sobre moralidade".
A nossa geração é uma geração pecadora e adúltera. Eu gostaria de estar me referindo somente aos pagãos. Mas mesmo cristãos são pegos no clima sexual. Ao invés de serem termostatos eles são termômetros. Ao invés de mudar seu ambiente moral, eles refletem os atos de uma sociedade decadente. O ponto de referência dos cristãos não deveria ser o índice Gallup, mas a eterna Palavra de Deus, que declarou no monte Sinai e através da bíblia: "Não adulterarás".
Adultério Adultera
Porque as pessoas devem afastar-se do adultério? Porque Deus mandou! E ele mandou por várias razões óbvias. Primeiro de tudo, adultério adultera. Sexo é essencialmente puro. É parte da criação que Deus declarou boa. Mas, porque é puro, deve ser protegido de ser adulterado. Nós precisamos da lei do sexo puro de Deus, da mesma forma que precisamos de comida sem contaminação e leis contra drogas. As leis nos protegem de elementos que contaminam, que distroem nossa saúde e felicidade. A bíblia não é contra o sexo, ao contrário, ela o valoriza ao ponto de resgata-lo do adultério.
O primeiro mandamento (adorarás somente o Senhor teu Deus) deixou claro que há coisas boas na vida que facilmente se tornam ídolos. Nós somos tentados a dar a elas a devoção que pertence somente à Deus. Adorar Afrodite, ou seja, sensação sexual, diminui ao invés de aumentar o prazer sexual. O casa - separa de Holywood é uma demonstração pública que promiscuidade sexual mata a felicidade do matrimônio. Rev. Glynn "Scotty" Wolfe está no livro Guines dos Recordes como o homem mais casado do mundo. Após 29 casamentos, ele morreu sozinho na idade de 88, num asilo. Por duas semanas ninguém se pronunciou para pedir seu corpo. A solidão de Scotty Wolfe demonstra a derrota de muitos que não conseguem manter um relacionamento estável por muito tempo. O mundo não está pronto para voltar ao puritanismo exacerbado, mas não pode mais sobreviver o moderno papel de lixo que faz do sexo uma distração, das mulheres meras atrizes e moralidade uma piada.
Contrária a opinião popular, não é a presença do amor que faz o sexo casto e não é sua ausência que faz dele um pecado. A diferença entre adultério e castidade não depende de como alguém está sentindo no momento. O ato sexual, como outros atos, é justificado por um critério mais amplo: pelo cumprimento de promessas, pela caridade, pela obediência. Quando esses critérios se encontram, a união sexual se transforma em um compromisso completo.
Moisés declarou e Jesus confirmou que no ato matrimonial "os dois se tornam um" (Gênesis 2:24; Marcos 10:8; I Coríntios 6:16). Casamento não é somente uma união, mas uma profunda reunião. A questão da mulher ter sido formada da costela de Adão, é que a unidade de Adão, que foi desmembrada com a criação de Eva, é restaurada no casamento. A união marital, simboliza outro tipo de união - a reunião das almas com Deus - e requer um nível de renúncia própria segundo deve ser renunciado apenas à Deus (Efésios 5:28-33). Quando a união matrimonial é apenas parcial, o sexo dificilmente vale a pena - um prazer momentâneo e uma solidão permanente.
Existem várias formas de adulterar o sexo. A lei sexual pura da bíblia especifica um número determinados de praticas que não são seguras e eficientes. Nesta lista de proibições, está o sexo antes do casamento (Deuteronômio 22:13-21; I Coríntios 6:9; I Tessalonicenses 4:1-8), sexo extra conjugal (Provérbios 2:16-19; 5:15-22; 30:20), incesto (Levítico 18: 6-18), sodomismo (Levítico 20:15-16), prostituição (Provérbios 6:24-33; 7:6-27), estupro (Deuteronômio 22:25-29) e divórcio (Marcos 10:2-12). Essas práticas sexuais são claramente destrutivas do bem estar da sociedade e indivíduos, por isso são proibidos até por alguns governos como a República Popular da China, que não crê em Moisés ou Jesus.
Deus não proíbe ou impede só para ser mandão. Pela compaixão pelas pessoas, Deus avisa sobre o perigo em adulterar o sexo. Pessoas não podem melhorar sua vida sexual através dessas práticas proibidas. Elas somente destruirão algo precioso.
Deus quer libertar as pessoas para gozarem o sexo na sua plenitude. Um livro inteiro da bíblia foi escrito para celebrar a alegria do amor romântico. Você supõe que existe qualquer significado na sua iniciação? S O S! A despeito de todos os livros modernos e informação, a vida amorosa das pessoas está clamando por socorro, como nunca antes. Respondendo aquela súplica está o Livro de Cantares e os Dez Mandamentos. Definindo os limites do comportamento sexual, Deus protege o sexo de ser adulterado.
Adultério fascina
Jesus redefiniu a lei d Moisés: "Você ouviram o que foi dito, 'Não adulteraras', mas eu vos digo: não se preocupe, seja feliz!" È isso que diz a sua bíblia? Não! Jesus disse: "qualquer que olhar uma mulher com desejo, já cometeu adultério" (Mateus 5:27-28). Jesus condenou não somente o ato do homicídio, mas a ira que leva ao ato. Da mesma forma, ele condenou não somente o ato do adultério, mas também a motivação mental que leva a isso.
Essa geração tem sofrido uma exploração sexual por tanto tempo, que perdeu sua habilidade de destinguir claramente entre luxúria e amor.
Lascívia é mostrada numa grande tela com violinos tocando. Pessoas chamam isso amor, mas não é. A diferença se encontra nos pronomes. A lascívia quer a coisa em si mesma. Amor quer ele ou ela, o ser amado. A coisa é um sensor que ocorre dentro do corpo de alguém. È comum as pessoas dizerem que um homem lascivo deseja uma mulher. Mas isso não é o que ele realmente quer. Ele quer o prazer, do qual a mulher é um conveniente aparato. Lascívia é o que faz alguém querer o sexo, mesmo que não queira estar com a outra pessoa. Amor é o que faz alguém querer estar com o outro, mesmo que não exista desejo sexual. Moisés disse: "Não faça", Jesus disse: "Nem pense em fazer". Agora, para ser perfeitamente honesto, 97% das pessoas não chegou até a proposta de Moisés, quanto mais a de Jesus. Muitos quebraram o sétimo mandamento, tanto em ato quanto em pensamento. O fato importante para notar aqui é que Deus se preocupa com todos os pecadores. Jesus diz aos que se acham retos: "Antes que vocês condenem os adúlteros, olhe seu próprio coração." Se os pensamentos deixassem o rosto vermelho, seriamos vermelhos!
A imprensa secular riu muito da confissão do presidente Carter há alguns anos atrás, de que ele havia cometido adultério no coração. O fato é que, com certeza, ele falou a verdade, não somente sobre si, mas sobre todos nós. A diferença é que o Presidente Carter foi humano o suficiente para admitir. E nós?
Partindo do ponto que somos todos adúlteros em pensamento, mesmo que não em atos, o que devemos fazer a esse respeito? Jesus oferece alguns conselhos bem práticos em termos metafóricos bem fortes:
"Se teu olho direito te faz pecar, arranca-o fora! È melhor perderes teu olho direito do que ter seu corpo inteiro atirado no inferno. Se sua mão direita te faz pecar, arranca-a fora! È melhor perder um de teus membros do que ter o corpo inteiro atirado no inferno" (Mateus 5:29-30)
O conselho de Jesus é para ser levado a sério, mas não literalmente. Muitas pessoas podem ver tanto com o olho direito quanto com o esquerdo, e fazer tanto com a mão direita, tanto quanto com a esquerda. O pecado não se encontra na mão ou no olho, mas no coração. Jesus e o bom senso ordenam que as pessoas eliminem qualquer coisa que as faz tropeçar.
O princípio de Jesus não impõe um código uniforme para todos. O que leva alguém a pecar pode não fazer nada para outro. Em dezembro de 1975, o chefe de Israel, Oavdaih Yosef declarou que judeus ortodoxos só poderiam ouvir uma mulher cantando no rádio se não a conhecessem pessoalmente. "De acordo com algumas autoridades religiosas, pode levar os pensamentos longe de serem espirituais......mas se um homem nunca viu a cantora, existe um perigo pequeno em ser seduzido". Sem argumentos sobre isso! Mas não ria tanto por ter perdido o fio da meada. Poucos cristãos serão tão extremistas para evitar cair em adultério, mas todos os cristãos precisam saber seus limites. Todo cristão é responsável por si mesmo. Se algo te faz pecar, se livre dele! Mas lembre-se que é uma cirurgia feita por si mesmo. Ninguém tem o direito de amputar o braço ou olho de seu irmão ou irmã.
Tarde da noite um pastor recebeu um telefonema de um de seus fiéis que perguntou: "Deus perdoará uma pessoa por cometer adultério?" O pastor respondeu: "Isso depende. Já fez, ou está prestes a fazer?"
Adultério em ato ou pensamento é um pecado que nenhum filho de Deus devia cometer deliberadamente, mas não é um pecado imperdoável. O rei Davi, a mulher Samaritana, e a mulher pega em adultério, quebraram o sétimo mandamento e foram perdoados e restaurados em santidade. Não importa o que já tenha feito, e o quanto se sinta culpado, você pode confessa-lo agora mesmo e ouvir Jesus dizer: "Nem eu te condeno: vá e não peques mais" (João 8:11). Você pode recomeçar com uma vida sexual pura e sem adulteração com Jesus.
VOCÊ DIZ PARA OS OUTROS NÃO ROUBAREM
--- VÔCE ROUBA?
Durante a greve dos trabalhadores em New York, alguns anos atrás, um desesperado pai de família encontrou uma forma esperta de se livrar do seu lixo. Ele embrulhou para presente e deixou no assento de seu carro sem trancar. A tardinha já era!
Deveria ser mais fácil de clamar contra o roubo. Afinal, até ladrões são roubados. "Não roubarás", parece ser tão obvio que Deus está desperdiçando seu fôlego em dar o oitavo mandamento. Mesmo que ele não tivesse dito isso, nós certamente diríamos: "Não roubarás (de mim)." Todos, religiosos ou não, concordam que roubar é errado.
O apóstolo Paulo disse algo que chamou minha atenção: "Vocês dizem aos outros para não roubar - você rouba?" (Romanos 2:21 Versão atualizada). Sua pergunta nos força a olhar para o roubo de uma perspectiva diferente. A bíblia não nos permite ser os acusadores, mas ao contrário, ser os defensores da justiça. A palavra de Deus nos força a reexaminar nossas convicções básicas sobre pessoas e propriedades.
Convicção
Claro, os tempos são outros. Mudanças desde os tempos de Moisés facilitaram a consciência pesada. A mudança de uma cultura basicamente agrícola para uma era industrial, tem dado a muitos ladrões a desculpa do lucro. "Afinal", "ele dizem", "não estou prejudicando ninguém em particular". Alguém que nunca pensaria em roubar o martelo do seu vizinho, talvez roube sem punição, corporações, companhias de seguro ou governos.
Existe uma nova ética pessoal que diz: "Eu mereço o tanto que eu conseguir". O Reverendo John Papwoth , um pastor da igreja inglesa, disse a sua congregação que, como supermercados distroem a vida da comunidade, não tem problema em rouba-los. "Eu não reconheço isso como roubo", ele disse. "Eu reconheço essa atitude como muito necessária para a melhor distribuição de recursos econômicos". Ele foi denunciado pela Igreja da Inglaterra, mas o que ele disse é o que muitos ladrões acreditam.
A sociedade moderna se desviou completamente dos padrões de conduta. Ao invés de uma ética de culpa (restrita pela consciência), nós temos uma ética de vergonha (restrita pelo medo de ser pego). "Não serás pego" é grandemente conhecido como o décimo primeiro mandamento.
Os criminais de sucesso recebem admiração e aprovação. Nossa sociedade recompensa grandeza e sucesso. Se alguém mata uma pessoa, é um homicida. Se alguém matar vinte e cinco pessoas, é um psicopata; se alguém matar um a milhão de pessoas, é um herói nacional. Se alguém roubar mil reais, a sociedade o manda para a prisão; mas se roubar um milhão de dólares, a sociedade manda ele para o congresso! Muitos filantropos doam, aquilo que na verdade estão devolvendo.
As pessoas encontraram uma forma respeitável de quebrar o oitavo mandamento. Um anúncio de página inteira numa revista conhecida, oferece um livro intitulado "Como roubar legalmente sua riqueza". Existem tantas formas legais de "roubar", de que é uma interrogação como alguém recorre ao crime. A bíblia condena o desonesto rico, mais do que o pobre desesperado que rouba. "Pessoas não desprezam um ladrão se ele roubar comida quando está com fome..." (Provérbios 6:30). Mas o profeta Miqueias trovejou:
A voz do Senhor clama a cidade; temer-lhe o nome é sabedoria escutai a vara, e quem a ordenou.
Ainda há na casa do ímpio tesouros de impiedade, e efa pequeno, que é detestável?
Poderei eu inocentar balanças falsa, com um saco de pesos enganosos?
Os seus ricos estão cheios de violência , os seus habitantes falam mentiras, e a sua língua
É enganosa na sua boca. Assim eu também te enfraquecerei, ferindo-te
E assolando-te por causa dos teus pecados. (Miquéias 6:9-13)
Jesus avisou severamente os escribas que "tiravam vantagem das viúvas e as roubava em suas casas, e davam um show fazendo longas orações. A sua punição, ele declarou, "será tudo o de pior!" (Marcos 12:40). Perto do fim de sua vida ele expulsou os "respeitáveis" cambistas do templo, dizendo que eles o tinham transformado em "cova de salteadores" (Mateus 21:13), mas por outro lado, ele recebeu o ladrão arrependido no paraíso. Todos eles eram ladrões, mas que diferença na forma como o Salvador os considera! Que tipo de ladrão é você?
Convenção
O tipo de ladrões que Jesus considerava mais responsáveis, era os que não viviam por suas convicções, mas por suas convenções. Fraude nos negócios, é roubo convencional. Quando perguntado por seus padrões éticos de negócios, um homem deu esse exemplo: "Se alguém comprar um pneu por dez reais, mas por engano me dá uma nota de cem, ética de negócios é se eu devo ou não comunicar meu sócio".
Lucros excessivos e honorários profissionais se tornam roubo, quando exigem mais do que é justo, dos bens de outra pessoa. Aí vem um ponto onde o lucro não é somente obsceno; ele constituí roubo de imediato. Lucros sem limite tem sido justificados pela teoria "trickle-down"(pingar para baixo). Essa teoria prevê que os pobres ficarão melhor se, ao invés de dar o dinheiro diretamente à eles, o dinheiro deve ser dado aos ricos que irão "pingar, repassar", para os pobres. O resultado atual dessa teoria pode ser visto em muitos países pobres de terceiro mundo, que são dominados por um pequeno número de políticos multimilionários, latifundiários e industriais, enquanto o resto das pessoas sofrem da esmagadora pobreza. Mobuto, pôr exemplo, se tornou um dos homens mais ricos do mundo, enquanto a nação do Zaire (agora Congo), permaneceu desesperadamente pobre. E foi tudo feito dentro da lei. Acontece na África, Ásia, América Latina, e mesmo nos Estados Unidos: os ricos ficam mais ricos e os pobres mais pobres. Desde que seja feito dentro da lei, ninguém se sente responsável.
Reter um salário justo à um trabalhador é roubar. A bíblia diz: "Não explorarás assalariado pobre e necessitado , seja ele teu irmão, seja ele estrangeiro que mora na tua terra e nas tuas cidades. No mesmo dia lhe pagarás o seu salário, para que o sol não se ponha sobre a dívida, pois ele é pobre, e disso depende a sua vida; para que não clame contra ti ao Senhor, e haja em ti pecado". (Deuteronômio 24: 14-15).
"Ouçam! O salário dos trabalhadores que ceifam os vossos campos, e que por vós foi retido com fraude, está clamando. Os clamores dos ceifeiros chegam aos ouvidos do Senhor Todo - Poderoso". ( Tiago 5:4.). Se você pensa que é duro encarar a ira dos sindicatos, tente encarar a ira de Deus. Isso o deixa bravo, quando trabalhadores não recebem um salário digno.
Não roubarás, significa que os empregados devem receber uma diária justa, por um justo dia de trabalho, e os trabalhadores darem um dia justo de trabalho por um salário justo. Funciona dos dois lados. Dar 30 horas de salário, por 40 horas de trabalho, é roubo. E ganhar 40 horas de salário, por 30 horas de trabalho também é roubar.
Outro tipo de roubo convencional, se encontra na dificuldade comum das pessoas pagarem suas contas. Cristãos, logicamente, devem ser compassivos com pessoas pobres que não tem como pagar suas contas (Mateus 18: 21-35). Mesmo assim, qualquer que gasta desenfreadamente, mais do que ganha, em coisas que não suas necessidades básicas, é um ladrão.
Suborno alcança não só o alto escalão político, mas também o mais simples escritório de igreja. Cartas chegam a minha mesa dizendo: "Escolha qualquer presente". È de graça com seu pedido". Me oferecem transistores de rádio, bandejas térmicas e abajures se eu comprar o papel ou os suprimentos da igreja de determinado fornecedor. Mas para gastar o dinheiro da igreja de maneira que me beneficia pessoalmente, é roubo. Nações, tanto quanto indivíduos, podem quebrar o oitavo mandamento.
Exploração internacional é outra forma de roubo convencional. Colombo, por exemplo, não descobriu a América. Colombo encontrou a América, e quando isso aconteceu, já tinha um dono. Colombo tinha tanto direito de possuí-la para a Espanha, quanto eu tenho de "descobrir" seu carro, e possuí-lo. Os ladrões mais velhacos, são os que conseguem outra pessoa para roubar por eles.
Jesus não foi crucificado porque disse: "Veja os lírios do campo, como crescem...", mas porque ele disse sobre olhar para os ladrões e como eles roubam. Ele expôs o engano daqueles que tem uma consciência de conveniência, ao invés de uma consciência de convicção. "Você diz aos outros para não roubar - você rouba?" Essa é a pergunta incomoda que nos condena todos por nossos roubos convencionais.
Conversão
O que faremos sobre roubo? Primeiro de tudo, vamos considerar o pecado do roubo. Jesus disse: "Do coração procedem os maus pensamentos, que levam ao.....roubo...." (Mateus 15:19). Todo roubo, legal ou ilegal, envolve o mesmo pensamento sujo: Desprezo por outras pessoas.
Nós somos convidados de Deus na terra. Presumir em sua hospitalidade, de que sua criação é nossa incondicionalmente, é roubo. O apóstolo Paulo não somente ordena que o ladrão pare de roubar, mas também que vá trabalhar para que comece a ofertar aos outros. Todo aquele que não oferta, rouba alguém de alguma coisa. O profeta Miquéias retrata pessoas que provavelmente não teriam roubado um centavo do cofrinho, como os ladrões cósmicos roubando o cofre dos céus!" "Vocês tem me roubado, diz o Senhor"....nos dízimos e ofertas...vocês tem me roubado, até esta nação" (Miquéias 3:8-9).
Salvação da prática do roubo começa com arrependimento e restituição. Zaqueu, é o modelo. Ele disse: "Darei metade dos meus bens aos pobres, e se tenho enganado à alguém, pagarei de volta quatro vezes mais. Jesus disse à ele: 'Hoje ouve salvação nesta casa'". (Lucas 19:8-9)
A boa notícia é que Deus ama tanto os ladrões que Jesus morreu por eles. Através da sua expiação, eles podem ser perdoados. Jesus morreu entre dois ladrões para salvar todos eles.
O ladrão morrendo se regozijou ao ver
A fonte neste dia;
E talvez eu possa, mesmo vil como ele,
Lavar todos meus pecados......(William Cowper)

SETE VEZES MAIS ABOMINÁVEL
Peço licença a David Letterman e vos dou a lista das 10 maiores mentiras: (David Letterman é um apresentador de talk show nos EUA e apresenta como um dos quadros a lista dos 10 mais)
10. Vamos ficar só cinco minutos
9. Está reunião será bem rápida
8. Nós teremos consideração por você pela manhã.
7. O cheque já foi depositado
6. Eu sou do governo e estou aqui para ajudar
5. Dói mais em min do que em você
4. Seu dinheiro será reembolsado
3. Eu vou estar lá domingo, eu prometo!
2. Nós teremos um pequeno intervalo para nossos patrocinadores.
1. Finalmente, para concluir, meu último argumento é......
Dois irmãos aterrorizaram um cidadezinha por décadas. Eles eram infiéis a suas esposas, maltratavam os filhos e eram desonestos nos negócios. Quando o mais novo morreu, o mais velho disse ao pastor da igreja local: "Quero que o senhor faça o enterro do meu irmão, mas quero pedir um favor, durante o velório, quero que diga a todos que ele era um santo!"
"Não posso fazer isso", falou o pastor. "Todos sabem que isso não é verdade".
O rico irmão sacou o talão de cheque. "Reverendo, estou pronto a dar US$ 100.000,00 a sua igreja. Tudo que peço é que declare publicamente que meu irmão era um santo".
No dia do enterro, o pastor começou sua pregação. "Todo mundo aqui sabe que o falecido era um homem iníquo, um mulherengo e um bêbado. Ele maltratava seus empregados e sonegava impostos." Aí, ele fez uma pausa. "Mas, mesmo sendo mal e pecador, comparado com seu irmão mais velho, ele era um santo!" Você pode imaginar se ele levou o dinheiro.
Uma testemunha estava mentindo no seu depoimento na justiça. O juiz disse para ele: "Tião, lembre-se do que a bíblia diz: "Não darás falso testemunho contra teu vizinho'". A testemunha respondeu: "Meritíssimo, eu não estou dando falso testemunho contra meu vizinho. Eu estou dando falso testemunho pelo o meu vizinho".
Embora a referência primária do nono mandamento, diz respeito a um testemunho formal diante da justiça, o mandamento ilustra o princípio da honestidade, que se aplica em tudo na vida. Calúnia diante de um juiz de direito, ou sussurrada a um vizinho, é diferente somente em que o primeiro tem uma culpa extra por estar debaixo de juramento. Eu nunca foi intimado para testemunhar numa corte, mas o nono mandamento ainda me serve de uma forma mais pessoal: "Dizer a verdade".
Mentir, é uma abominação sete vezes pior. A antiga sabedoria Hebraica declara:
Há sete coisas que o Senhor odeia e não pode tolerar:
O olhar altivo,
A língua mentirosa,
Mãos que matam gente inocente,
a mente que planeja o mal,
Pés que se apressam em fazer o mal,
A testemunha que diz uma mentira após outra,
O homem que suscita contenda entre amigos.
Provérbios 6:16-19
Todos os sete maus hábitos se encontram na pessoa que quebra o nono mandamento. Todo ser da pessoa, língua, mãos, mente e pés - estão infectados com a doença da desonestidade. Não somente Deus acha esse tipo de pessoa intolerável, mas ninguém os suporta.
Dizer a verdade
"O amor cobre uma multidão de pecados", afirma a bíblia (I Pedro 4:8). Mas é muito mais fácil encontrar pessoas que agem como o ditado: "Mentira cobre uma multidão de pecados". Porque, a mentira os cobre - temporariamente! As pessoas mentem para evitar as conseqüências de algo errado que fizeram.
È fácil mandar alguém mentir, mas é difícil ficar somente numa. Uma pessoa não consegue comer só um bis, e uma pessoa não conseguem mentir somente uma vez. Uma mentira leva a outra, e a outra, e a outra, até que alguém se encontre numa teia de desonestidade. E os que começam dizendo "mentiras brancas", logo se tornam "cegos coloridos".
"A mentira é uma abominação para Deus...........e sempre presente em dias de problemas". Essa afirmação é uma confusão de passagens bíblicas, mas uma reflexão verdadeira da vida. Quando as pessoas estão encrencadas, a mentira sempre parece mais uma virtude do que uma sujeição. Mas se apegar a ela em defesa própria, é como segurar um raio numa tempestade.
Tanto funciona para indivíduos, como com o governo: quanto mais eles se afundam em problemas, mais apto eles estão em encontrar uma saída na mentira. Verdade é a primeira morte em qualquer guerra. Governos acham que é seu dever patriótico enganar o inimigo, e acidentalmente, sue próprio povo. Embora cada governo inflame as perdas do inimigo no campo de batalha, e diminua as suas, a "Segurança Nacional" se torna o detergente prático com o qual um governo lava a sujeira de toda mentira de seus oficiais. As coisas não mudaram muito nos últimos quatrocentos anos desde que Henry Wotton descreveu um embaixador como "um homem honesto enviado para mentir no exterior em favor do bem comum."
Embora muitas pessoas possam detestar mentiras oficiais, bradar contra tal decepção não é de muita ajuda nem mesmo muito cristão. Existe, logicamente, um precedente bíblico para denunciar o engano no alto escalão do governo, mas está em sua maioria no Velho Testamento, quando o reino de Israel era um reino teocratico. O próprio rei foi arrancado da comunidade da fé e sujeito a disciplina. No Novo Testamento, Jesus e os apóstolos viviam debaixo do corrupto império romano, mas tinham muito pouco a dizer sobre desonestidade dos lideres políticos como Herodes, Pilatos, César e outros. Por outro lado, Jesus tinha muito a dizer sobre o engano dos lideres religiosos. (Mateus 23)
O que parece ser um padrão duplo, é na verdade a única aproximação sensível. Toda mentira - governamental ou individual - é errada. Mas atacar as mentiras das pessoas em postos de autoridade, desvia a atenção das nossas próprias tentações de enganar. O ataque não é capaz de mudar nada na vida política, mas nos tira da responsabilidade. Se olharmos mais de perto, seremos aptos a encontrar em nós mesmos as mesmas sementes de engano que vemos nos outros.
Nas palavras de Paulo: "Cada um de vós deixe a mentira e fale a verdade com seu irmão, pois somos todos membros do mesmo corpo". (Efésios 4:25). Perceba que o motivo que ele nos dá para dizer a verdade, não é que você será pego e punido por mentir, mas que somos membros do mesmo corpo. Uma vez que você entende a unidade do Corpo de Cristo, você percebe o quanto absurdo é mentir. Faz tanto sentido quanto se o seu pé direito, diz para seu umbigo que a água do mar está morna. Somos todos membros do mesmo corpo, portanto, diga a verdade.
Aqueles que vem a Ele que é o Caminho, a Verdade e a Vida (João 14:6) devem portanto dizer a verdade - e não somente a verdade, mas .........
Diga Toda a Verdade
O melhor mentiroso é o que está capaz de fazer a menor mentira ir bem longe. Verdadeiros profissionais conseguem mentir sem dizer nenhuma inverdade. Pôr exemplo, todas as vezes que Satanás citou a bíblia foi verdade (Marcos 1:23-34; 3:11; 5:6-7), mas como mestre do engano, os demônios usam a verdade para seus fins dissimulados. O resto de nós, mentirosos amadores, os imitamos.
Após uma viagem de pescaria, o pescador parou num mercado de peixes. Vá daquele lado e jogue-me as cinco maiores trutas que tiver.
"Joga-las?" perguntou o vendedor confuso. "Para quê?"
"Para que eu possa dizer a minha esposa que os peguei. Eu posso ser um pescador meia boca, mas não sou um mentiroso".
Isso é o que ele pensa. Ele disse a verdade, mas não toda a verdade. Ele é como o fazendeiro que sendo incomodado pela consciência pesada, foi a seu vizinho e confessou: "Eu sinto muito, eu roubei uma corda sua no ano passado."
"uma corda? Deixa para lá, vizinho. Vamos esquecer e ser amigos".
Mas o fazendeiro não ficou em paz, porque ele ocultou do vizinho que havia uma vaca na ponta da corda que ele roubou. Diga a verdade, mas certifica-se de dizer toda a verdade.
Uma verdade inteira é facilmente destruída, mas meias mentiras tem nove vidas. È muito mais enganadora, porque é mais fácil de engolir. Benjamim Disrael disse: "Existem três tipos de mentiras: mentiras, mentiras amaldiçoadas e estatísticas." São os fatos estatísticos, cuidadosamente escolhidos e ardilmente arranjados para enganar, que constituem a pior forma de desonestidade.
"A verdade dita com más intenções
vence todas as mentiras que você possa inventar." (Blake)
Diga toda a verdade mas se lembre sempre de......
Dizer Toda a Verdade em Amor
Paulo junta dois princípios importantes em sua carta aos éfesos. "Antes, seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é o cabeça, Cristo" (Efésios 4:15). Sempre que houver um conflito entre amor e verdade, o amor deve vencer.
A família de um pregador ganhou um a torta de natal de uma senhora que tinha um bom coração, mas não era boa cozinheira. A torta estava tão dura e super temperada, que teve que ser jogada fora. Encarando a difícil tarefa de ser ambos, verdadeiro e gentil, o pregador disse: "Nós gostamos muito do seu presente. E deixe eu garantir que uma torta como a sua nunca dura muito tempo em nossa casa."
Essa foi, logicamente, uma mentira bem engenhosa, mas presumivelmente, o motivo por trás a torna um apouco mais aceitável. A maioria das mentiras brancas, não são ditas, no entanto, por amor, mas para evitar vergonha pública. Raabe nos dá o melhor exemplo de mentira branca. Ele deu falso testemunho contra seus vizinhos em Jericó, quando eles exigiram os espias de Israel (Josué 2:1-7). Embora seu comportamento, fosse condenável, manteve a lei maior do amor. Todas as vezes que amor e a verdade estiverem em conflito, é melhor estar do lado do amor.
Os cristãos vão muito além do requerimento mínimo de honestidade para falar a verdade em amor.
Sem verdade, o amor se torna barato "ágape vagabundo". Desintegra-se em mero sentimento emocional.
Sem amor, a verdade se torna dura, fatos frios que congelam a alma. Fale a verdade em amor.
PECADO DURO DE SE CONVIVER
Moisés desceu do monte Sinai com dez mandamentos, o mais honrado código de moral do comportamento humano da história. Há um mandamento, no entanto, que não é observado, o último. Ninguém o leva a sério. Você já ouviu alguém ser punido por quebrar o décimo mandamento? Pessoas já foram enforcadas por quebrar o sexto (homicídio), desonrados por quebrar o sétimo (adultério) e processados por quebrar o nono (perjúrio), mas ninguém nunca pagou uma multa ou foi para a cadeia por cobiçar. Nenhuma lei humana se interessa em dirigir atitudes humanas, mas Deus sim. Mesmo que houvesse uma lei criminal contra a cobiça, nenhum detetive humano poderia descobrir sua violação, mas Deus pode.
Nem mesmo a igreja leva o pecado da cobiça a sério. A Convenção Batista do Sul foi convocada para boicotar a Disney por causa de sua política favorável aos gays e lésbicas. Mas nenhuma indústria de entretenimento foi boicotada por sua política favorável a riquezas e opulência. Igrejas passaram por revoluções contra o pecado da intoxicação pelo espírito da bebida, mas onde estão as revoluções contra a intoxicação pelo espírito da avareza? Muitas igreja não permitem que alguém seja se voluntário no escritório da igreja, porque o amor por outra mulher o levou a se divorciar de sua esposa, mas qual igreja que desqualifica alguém nos termos que o amor pelo dinheiro o tornou muito ambicioso? O jovem rico é bem vindo e convidado a servir no comitê do orçamento.
No entanto, o mandamento diz: "Não cobiçarás". E aí fica bem específico: Não cobiçarás os bens do seu vizinho, esposa, escravo, gado ou jumento. Eu estou feliz em dizer que eu nunca cobicei o escravo do meu vizinho, gado ou jumento, embora eu deva confessar que as vezes eu dou uma olhadela nas novas casas que vão surgindo, como margaridas em nossa cidade. Elas não são bonitas? Você não gostaria de trocar a sua pela deles? Mas a palavra de Deus diz: "Não cobiçarás a morada do teu próximo.....nem sua esposa".
Cobiçar a mulher do meu próximo, me faz lembrar do que Deus disse no sétimo mandamento: "Não adulterarás". O décimo mandamento via um passo mais adiante dizendo: nem pense nisso! Caso você ainda não esteja se sentindo culpado, o último mandamento adiciona uma pegadinha final: "Não cobiçarás nada que pertence ao teu vizinho." Eu creio que o alvo de Deus com este mandamento era nossos dias, muito mais do que no tempo em que foi instituído. Ganância é com certeza, um problema muito maior para nós, do que para Moisés e seus ambulantes seguidores, 1400 anos A C. Não havia muitas coisas para um hebreu possuir, que os outros hebreus também não tivessem. Um poderia ter dez cabritos, e o outro vinte, mas cabritos são cabritos, e não é um caso tão sério de cobiça. Com poucas exceções, toda a comunidade hebraica compartilhava dos mesmos padrões de vida, e desfrutavam de oportunidades semelhantes.
Ah, mas hoje somos abençoados com uma grande abundância de bens que alimentam nossa ganância. Nós temos a tecnologia para criar uma infinita variedade de coisas que as pessoas desejam, e temos a indústria da propaganda, que faz com que as pessoas os queiram. Adicione esses dois juntos, e nós temos as bases da cobiça, o sustentáculo da nossa economia. Pessoas tem tudo que podem e podem tudo que tem.
O economista John Maynard escreveu: "Por pelo menos mais cem anos, nós devemos fingir para nós mesmos e para os outros que o justo é abominável e o abominável é justo, porque o abominável é útil e o justo não. Avareza, usura e precaução devem ser nossos deuses, por um pouco mais de tempo." Ivam F. Boesky disse aos formandos da Escola de Negócios e Administração de UC Berkley: "Ganância é legal....eu acho que ganância é saudável. Você pode ser ganancioso e continuar se sentindo bem sobre si mesmo." Isso foi antes de Boesky ser condenado por violações internas da corporação, e ter pago US$ 100.000.000,00 de multas por seus ganhos ilícitos.
A Ganância Torna Mais Difícil de Conviver Conosco
Nosso moderno estilo de vida tem sido tão impregnado pela ganância, que es pessoas acham difícil de conviver consigo mesmos. A raça humana é a única espécie do reino animal, que tem o desejo ampliado enquanto se alimenta. Fido, o cão da família, não quer mais do que os seus ancestrais que viviam nas cavernas. O boi suspira hoje em dia, tanto quanto seus antecessores que primeiro puxavam carroças pelos prados do oeste. Mas a espécie humana está insatisfeita com o básico que satisfazia as gerações passadas.
Não seria interessante ouvir os adolescentes de hoje dizer a seus filhos o que eles não tiveram? Os luxos de ontem se tornaram as conveniências de hoje e as necessidades de amanhã. È banal, mas é verdade: quanto mais nós temos, mais nós queremos. O Presidente Lyndon Johnson falou por todos os insatisfeitos quando disse: "Tudo que eu quero, é tudo que existe." A fome humana para bens materiais é insaciável. Cobiça é uma ferida que quanto mais você coça, mais incha.
"Satisfação garantida" é uma promessa vã para aqueles que entregaram seus corações aos bens, poder e status. As pessoas gananciosas jogam o jogo da vida como Pac-Man; eles engolem tudo que podem, mas inevitavelmente são vencidos e engolidos. Elas não podem vencer perdendo. Se elas não conseguirem o que querem, ficam frustradas; mas se conseguem o que desejam, ficam rapidamente entediadas. As pessoas mais entediadas da terra não são os destituídos, mas os muito privilegiados. Eles possuem de tudo para se viver, mas muito pouco pelo que se viver.
A bíblia nos dá um intrigante conjunto de paradoxos, que dizem respeito a bens materiais. Eles são coisas boas (Lucas 16:25), mas não devemos almeja-los (Colossenses 3:5-7). Eles são para ser desfrutados, mas não devemos fazer desse desfrute o nosso objetivo. Eles são coisas que precisamos (Tiago 2:16), mas não devemos dedicar nossas vidas em sua conquista (Mateus 6:25).
Esses paradoxos se tornam um pouco mais fácil de entender se distinguirmos, cuidadosamente entre, meios e fins. Jesus disse: "Buscai em primeiro lugar o reino de Deus...e todas essas coisas vos serão acrescentadas" (Mateus 6:33). O seu reino é nosso objetivo; todo o resto é somente um meio de consegui-lo. Os bens materiais são valorados pela foram que contribuem com o reino de Deus. Se eles construem o reino de Deus, eles são bons. Se não, são inúteis ou pior.
Bens materiais podem ser uma moeda de amor - os meios através dos quais nós compartilhamos amor uns com os outros, e pelos quais descobrimos o amor de Deus. Nós demos desejar aquilo que conseguimos de maneira reta, usar de maneira sábia, distribuir com alegria e viver satisfeito. A bíblia não diz: "Dinheiro é a raiz de todos os males". Ela diz: "O amor ao dinheiro é a raiz de todos os males". (I Timóteo 6:10).
Os que são cobiçosos, estão atolados em meio a fartura, como Tantalus com água até o queixo, e continua com sede. Ganância torna mais difícil de conviver conosco e ........
Ganância torna mais difícil de conviver com os outros
Pessoas gananciosas não desfrutam, verdadeiramente, o que possuem. O que dá prazer, é ter mais do que os outros. Pobreza é um estado de espírito, induzido pelo carro novo do nosso vizinho, seu barco ou piscina.
Existe uma profunda sabedoria na parábola de Aesop sobre o homem ganancioso. Zeus prometeu conceder a ele qualquer desejo, conquanto que seu vizinho recebesse o dobro. Ele pedia uma mansão, e seu vizinho ganhava um castelo. Ele pedia vinte vacas, e seu vizinho recebia quarenta. A história termina com o homem pedindo para ficar cego de um olho!
Roland Diller, um dos vizinhos de Abrão Lincon, em Springfeild, escreveu sobre um incidente que ocorreu no começo de sua carreira. Levado até sua porta pelo choro de crianças na rua, ele viu Lincon passando com seus dois meninos que gritando e choramingavam. "O que aconteceu com os meninos, senhor Lincon?" ele perguntou.
"O mesmo que acontece com o mundo inteiro", ele respondeu. "Eu tenho três nozes e cada um quer duas".
Isso é, na verdade, o que está errado com o mundo. A ganância torna difícil a convivência com outros, porque a pessoa cheia de ganância vê os outros como competidores, ao invés de parceiros. Ou seja, ganância destroí a solidariedade. Cria uma espécie de inferno na terra - sem satisfação, sem segurança, sem paz, somente o constante descontentamento de um desejo egoísta incompleto.
Por pior que seja uma pessoa generosa, alguém vai gostar dela. (Robin Hood a Jesse James são honrados no folclore americano). Por outro lado, por melhor que seja uma pessoa gananciosa, todos vão detestá-la. Generosidade cobre uma multidão de vícios, mas ganância cancela uma multidão de virtudes. Um sovina pode ser valorizado como parente, mas não como vizinho. A ganância faz com que seja intolerante conviver com os outros e........
Ganância torna difícil a convivência com Deus
Ganância torna difícil a convivência com Deus, porque a ganância é completamente contrária a natureza de Deus. Deus é infinitamente generoso. "Ele dá chuva aos bons e aos maus" (Mateus 5:45). Não pode existir relacionamento entre Deus, cujo coração queima de amor, e pessoas que tem o coração congelado pela ganância.
Quando pessoas gananciosas oram, não é para buscar a vontade de Deus, mas para listar sua ajuda para suprir seus desejos egoístas. Eles não buscam Deus por si mesmo, mas para que possam contratá-lo de guarda costa para Mamom.
Nessa altura você pode concordar que a ganância dificulta conviver consigo mesmo, com os outros e com Deus. Mas você pode perguntar onde pode-se encontrar contentamento que domina a cobiça? Certamente não na simples confirmação que você não precisa de tudo que quer. A fortaleza do desejo é muito forte para isso. Somente um amor maior pode deslocar o desejo mortal da cobiça. Paulo adverte os Coríntios a "Cobiçar os melhores dons" (I Cor. 12:31). Os melhores presentes não são o carro do seu vizinho, ou esposa. Os melhores dons são sabedoria, bondade, cortesia e honestidade. Paulo disse: "Almeje o vosso coração as coisas celestes...mantenha sua mente nas coisas de lá, não nas coisas aqui do mundo....Portanto, despoje-se dos desejos da carne que atuam em você, como prostituição, indecência, luxúria, paixões carnais e avareza que é idolatria" (Colossenses 3:1-5). A única coisa que pode conquistar o forte desejo da ganância, é o desejo por coisas melhores. "Pensai em tudo que é bom, e merece honra: coisas verdadeiras, nobres, justas, puras amáveis e honráveis" (Filipenses 4:8-9)
Davi disse: " Agradai-vos do Senhor, e ele te satisfará os desejos do seu coração" (Salmos 37:4). Isso não significa que o Senhor dará o que você quer, mas vai controlar o seu "desejo". O segredo de dominar a cobiça é desejar tanto à Deus, que você não pode ser mais incomodado por uma ganância desregrada por outra coisa.

O DEZ PERFEITO
Geralmente se dá crédito à Moisés por nos ter dado os dez mandamentos. Se ele estivesse aqui, eu creio que ele dispensaria a honra. Ele introduziu os mandamentos no livro de Êxodo dizendo: "Disse Deus, e essa são suas palavras...." (Êxodos 20:1). Estas não são somente as leis de Moisés, são as leis de Deus.
DEUS TEM FALADO, NÃO TEMOS OUVIDO
Nós sofremos de uma doença moral chamada Falta e Falha em Ouvir (FFO). A crise de ética dos nossos tempos, não é somente a disseminação da dificuldade em aceitar padrões morais, mas em negar que exista qualquer padrão que seja universal e absoluto. A noção de um código moral, não tem significado para muitos homens e mulheres. Quebrar os padrões, enquanto tem-se conhecimento de sua autoridade é uma coisa, mas perder todo o senso de obrigação e repudiar toda autoridade moral é algo muito mais sério. Estar perdido na estrada é muito ruim, mas jogar o mapa pela janela é bem pior. E discutir que o mapa não existe é a pior condição imaginável. Nós precisamos de um Guia Quatro Rodas para a pisque humana.
Algumas pessoas tentam desenhar seu próprio mapa moral. Eles pensam que moralidade é um projeto auto executável. Para eles é simplesmente um problema individual, privado, de opinião pessoal. Negando que existe um Fazedor de leis, ao qual eles devem dar crédito, preferem criar suas próprias regras. Eles dizem coisas como: "Eu acho que adultério é errado, mas sexo antes do casamento é normal se você acha que está pronto. Eu acho que aborto é homicídio, mas nem tanto quanto a eutanásia. Eu acho....eu acho....eu acho....." Seus padrões morais, são seus sentimentos. Dizer "eu tenho a obrigação" significa tanto para eles quanto dizer "eu coço". É somente a forma como sentem.
As vezes, quando um pai diz ao filho que é hora de por o quarto em ordem, o filho responde; "Eu não estou com vontade".
"Eu não perguntei se você está com vontade. Eu pedi para você limpá-lo."
"Porque ?"
"Porque eu disse que sim."
A mesma conversa acontece entre nós e nosso Pai Celeste. Deus tem falado, mas nós não temos ouvido.
Outros são tentados a evitar as ordens da lei de Deus, buscando provas bíblicas em textos que parecem ter abolido a lei. Eles podem citar Romanos 6:14 " Pois não estais mais debaixo da lei, mas debaixo da graça, "mas eles falham em continuar no próximo versículo, 'Que então? Devemos pecar, porque não estamos debaixo da lei mas debaixo da graça? De maneira nenhuma1" Paulo argumenta que a graça não nos dá licença para pecar; graça nos dá poder para dominar o pecado e quebrar o seu julgo.
Dietrich Bonhoeffer disse: "Você não pode ouvir a última palavra, até que escute a penúltima palavra." Você não pode conhecer o evangelho até que conheça a lei. Você não consegue entender o Novo Testamento, até que esteja debaixo do Velho Testamento.
Jesus disse: "Não penseis que vim para destruir a lei ou os profetas; não vim para destruí-los, mas para cumpri-los". (Mateus 5: 17). Paulo pergunta: "Anulamos pois a lei pela fé? E ele responde: "De maneira nenhuma! Antes confirmamos a lei" (Romanos 3:31). Depois ele diz: "A lei por si é santa, e o mandamento santo, justo e bom". (Romanos 7:12).
Tudo bem, a lei é boa, mas...........
PARA QUE SERVE A LEI?
Para esta pergunta, existem três respostas, três boas utilidades para a lei. A primeira função da lei é social. Ela restringe o mal da sociedade. Paulo disse a Timóteo: "Nós sabemos que a lei é boa se dela faz-se uso legitimamente. Tendo em vista que a lei não é feita para o justo, mas para os transgressores e rebeldes, os irreverentes e pecadores, os ímpios e profanos, para os parricidas, matricidas e homicidas." (I Timóteo 1:8-9).
A lei não o salva dos seus pecados, mas pode salvar os outros dos seus pecados. Seu propósito é evitar a desintegração da sociedade. Moisés subiu o monte Sinai como o absoluto governador de Israel. Ele desceu da montanha debaixo da lei. Dali por diante, Moisés não podia dizer nada sem alguém perguntar: "Onde isso está escrito na lei?"
O rei Davi quase se tornou o absoluto governador de Israel, mas mesmo ele foi derrubado pela lei dita através da boca do profeta Natã. Havia lei em Israel, e nem mesmo o rei Davi pode se esquivar.
A lei se aplica igualmente a todos - ao rico e pobre, ao forte e ao fraco. E ainda é assim. Leis contra beber embriagado, e alta velocidade se aplicam a princesa e o plebeu. Princesa Diana e seu companheiro, pagaram um terrível preço por quebrar essa lei. Pena de morte parece severa demais para a lei de trânsito, mas a lei foi feita para prevenir o que aconteceu num túnel em Paris. As leis de Deus funcionam da mesma maneira. Está designada para restringir o mal na sociedade.
A Segunda função da lei é teológica. Ela revela nossa condição pecadora e nos leva a Cristo. "De maneira que a lei nos serviu de aio, para nos conduzir a Cristo, a fim de que pela fé fossemos justificados." (Gálatas 3:24). Outra palavra para aio, é cicerone. Na antiga Grécia e Roma, o aio era uma escravo que acompanhava a criança de ida e vinda da escola. Ele não tinha autoridade para controlar o comportamento da criança, nem autoridade para castigar, e nem autoridade para instruir; ele tinha somente a autoridade para transmitir a mal conduta da criança. A função teológica da lei é transmitir nossa mal conduta. É uma visão mais alta da lei do que sua mera função social. A pequena visão social leva ao legalismo da religião, mas a visão teológica leva o transgressor a buscar a graça divina. Como disse John Newton: "Graça que ensinou meu coração a temer, e graça que aliviou meus temores".
A Terceira função da lei é didática. Ela guia aqueles que correspondem a graça de Deus. Lembre-se, somos salvos pela graça, não pelas obras (Tito 3:5). Os mandamentos foram endereçados especificamente para os que pela graça são filhos de Deus. Eles começam com a declaração: "Eu sou o Senhor vosso Deus, que os tirou da terra do Egito, da casa da servidão" (Êxodo 20:2). Os mandamentos não foram dados aos pagãos, mas para o povo que foi salvo pela poderosa mão de Deus - povo que entrou em aliança com Deus e prometeu ama-lo e servi-lo.
Paulo escreveu aos colossenses: " Por esta razão, nós também, desde o dia em que o ouvimos, não cessamos de orar por vós, e de pedir que sejais cheios do pleno conhecimento da sua vontade, em toda sabedoria e entendimento espiritual. E oramos para que possais andar dignamente diante do Senhor, agradando-lhe em tudo, frutificando em toda boa obra, e crescendo no conhecimento de Deus". (Colossenses 1:9-10). O amor motiva o comportamento cristão. Horácio Bonar, escritor do querido hino 'Eu Ouvi a Voz de Jesus Dizer", escreveu: "Nos dirão eles o que regula o serviço senão a lei? Amor, eles dizem. Isso é puro sofisma. Amor não é uma norma, mas uma razão.
O amor não me diz o que fazer; ele me diz como fazer. O amor me constrange a fazer a vontade do ser amado, mas para saber qual é essa vontade eu devo ir à outro lugar. A lei de Deus é o desejo do ser amado".
Jesus disse: "Aquele que me ama, guarda os meus mandamentos". (João 14:15)
A LEI DE DEUS É A VONTADE AMOROSA DE DEUS
Embora os cristãos sejam remidos pela graça através da fé, eles permanecem pecadores (I João 1:8) e, portanto, continuam a ouvir as acusações da lei. Mas agora enxergam a lei numa diferente perspectiva, como a vontade amorosa de Deus. Como a antiga Israel: "Antes tem o prazer na lei do Senhor, e na sua lei medita de dia e de noite". (Salmos 1:2). Pois para eles os mandamentos não são barras de uma prisão, mas vigas de um teto que os abriga das tempestades da vida.
Contrário a opinião popular, pecado não é o que você quer fazer, mas o que não pode fazer. Pecado é o que você não deveria fazer porque irá te machucar - e te machucar feio. Deus não é um policial cósmico. Ele é o Pai Celeste que ama e protege seus filhos. Quando uma criança quer brincar numa rua movimentada, um pai amoroso dirá: "Não deve.....", ou algo parecido. A criança pode achar o pai um chato e mandão. Mas é o maior que dá as ordens. Como disse o apóstolo João: "E o amor de Deus é esse, que cumpramos os seus mandamentos. E seus mandamentos não são pesados" (I João 5:3).
O decálogo e a mesa da multiplicação vão longe na história, mas nenhum é antiquado ou fora de moda.. Nenhum outro código de lei conseguiu alcançar a mente humana e influenciar seu comportamento tão amplamente e por tanto tempo como os Dez Mandamentos - o perfeito 10.
"Quando todo resto falhar, tente ler as instruções." Esse é um bom conselho, seja para fazer funcionar um cortador de grama ou sua vida. Existem instruções para organizar a vida, de forma que tudo se encaixe sem sobrar nenhuma peça? Existem um manual d manutenção do fabricante para a psique humana? Sim! A maior lista básica de instruções nos foi dada por Deus nas sagradas escrituras.
A o moderador de televisão noturna, Ted Koppel, da TV ABC, disse na Universidade de Duke; "Nossa sociedade acha a verdade um medicamento muito forte para digerir . O que Moisés trouxe do monte Sinai não foram as 'Dez Sugestões'. Eles eram os Dez Mandamentos. Não eram, são. A grandeza dos Dez Mandamentos é que eles codificam de uma forma simplificada o comportamento humano aceitável, não somente aqui e ali, mas para toda vida."
Nas palavras de Moisés: "Ora, este mandamento que hoje te ordeno, não te é difícil demais , nem está longe de ti. Não está nos céus para dizeres: Quem subirá por nós aos céus para, que no-lo traga e no-lo faça ouvir, para que o cumpramos?" Nem está do outro lado do mar para dizeres: Quem atravessará por nós o mar para que no-lo traga , e no-lo faça ouvir, para que o cumpramos?" Pois esta palavra está mui perto de ti, na sua boca e no seu coração para a cumprires." (Deuteronômio 30:11-14)
Por mais de três mil anos essas leis fundamentais tem servido como chave para o comportamento Judeu - Cristão. Não significa que os judeus e cristãos sempre o tenham obedecido. Nossa mútua história e a triste história de desobediência crônica. Mas descobrimos que elas continuam suprindo as únicas chaves que funcionam para destrancar a vida e nos libertar para viver plenamente. Eles proporcionam sabedoria antiga para a vida de hoje.
Oxiayala holado, od zodirome O coraxo das zodiladare raasyo. Od vabezodire cameliaxa od bahala: NIISO! salamanu telocahe!
Casaremanu hoel-qo, od ti ta zod cahisa soba coremefa i ga. NIISA! bagile aberameji nonucape. Zodacare eca od Zodameranu! odo cicale Qaa! Zodoreje, lape zodiredo Noco Mada, hoathahe I A I D A!
Oxiayala holado, od zodirome O coraxo das zodiladare raasyo. Od vabezodire cameliaxa od bahala: NIISO! salamanu telocahe! Casaremanu hoel-qo, od ti ta zod cahisa soba coremefa i ga. NIISA! bagile aberameji nonucape. Zodacare eca od Zodameranu! odo cicale Qaa! Zodoreje, lape zodiredo Noco Mada, hoathahe I A I D A!


RELATÓRIO SEXUAL
L. P. BAÇAN
VISITE A CASA DO MAGO DAS LETRAS

RELATÓRIO SEXUAL

L P BAÇAN

Copyright (c) 1998

L P B Edições
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AVISO IMPORTANTE

Os relatos aqui apresentados foram extraídos de anotações do livro da
psiquiatra Norah Tompkins, autora do célebre livro A Vida Sexual de
Machos e Fêmeas. Por conterem indiscrições protegidas por lei, os
nomes dos pacientes, bem como das localidades onde se passaram os
fatos e das pessoas envolvidas foram alterados, de modo a proteger
totalmente suas identificações.

Da mesma forma, não foram apresentados diagnósticos nem tratamentos,
limitando-se a presente obra a simplesmente narrar as diferentes
manifestações do apetite sexual, sem entrar no mérito de um ou de
outro.

Cabe ao leitor analisar os comportamentos e conhecer as diferentes
formas de manifestação sexual, adaptando-a ou não a sua vida pessoal e
privada, sob sua inteira responsabilidade.

A linguagem utilizada foi baseada, sempre que possível, nos
comentários e narrativas dos próprios pacientes, evitando-se a
inserção de termos técnicos ou arrazoados científicos que se tornariam
maçantes aos leigos.

Para maiores detalhes ou a compreensão científica do fato sexual,
recomendamos a leitura do livro A Vida Sexual de Machos e Fêmeas, onde
a totalidade desses casos são analisados sob um enfoque científico. E
maçante, por sinal.

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Capítulo 1


Consulta Inicial de Oliver Dexter, Médico.

Síntese do caso: Fixação em uma paciente.

Narrativa do paciente: Naquela noite, eu precisava de Minha namorada.
Estava cansado após um dia de trabalho pesado no hospital, mas estava
também estranhamente excitado.

Ainda tinha diante de mim a imagem daquelas formas perfeitas,
iluminadas pelas lâmpadas do centro cirúrgico, enquanto eu trabalhava,
operando o corte logo acima do umbigo.

Tentava me concentrar em meu trabalho, mas distraía-me olhando aquelas
coxas cobertas por uma penugem delicada, que prendiam minha atenç
ão.

No momento seguinte eu deslizava os olhos pelo ventre achatado e
perfeito, indo até o monte-de-vênus deliciosamente raspado, bem como
toda a penugem que deveria subir até próximo do umbigo.

Ficava imaginando o roçar das m
ãos, dos dedos e do próprio caralho naquela xoxota barbeada e pelada,
enquanto tentava suturar o ferimento profundo e perigoso.

Segundo ela informara, fora um acidente com uma faca. Eu já vira
acidentes com faca antes. Em nenhum a trajetória seguia a linha que o
ferimento indicava. Alguém, a quem ela tentava proteger, a havia
ferido.

A enfermeira enxugava minha testa, depois aplicava compressas no
ferimento. Meu olhar fixava-se nos seios, de medidas perfeitas, num
formato que parecia talhado para encaixar-se em minhas m
ãos.

Eu tocava a pele dela, enfiava meu dedo no ferimento e olhava seu
rosto adormecido tranqüilamente, imaginando-a a minha disposiç

ão, esperando-me numa cama com lençóis vermelhos de cetim e meu
caralho latejava de tanto tesão.

Eu jamais havia experimentado algo assim antes. Jamais uma paciente
provocara em mim uma reaç
ão tão forte e inesperada, a ponto de me fazer ficar de pau duro na
sala de cirurgia.

Tive de fazer um esforço enorme para conseguir chegar ao fim daquela
operaç
ão com sucesso, inclusive dando pontos tão perfeitos que poderia jurar
que nem uma cicatriz restaria ali para denunciar o ferimento

Quando dei por terminado meu trabalho, estava t
ão excitado que não pude esperar mais. Precisava desabafar meu tesão
de algum modo, por isso fui ao encontro de Minha namorada, em sua
casa.

Eu tinha livre trânsito na ampla cobertura da família, na Quinta
Avenida, no Edifício Dallas, em frente ao Central Park. Era uma das
vistas mais lindas de Nova Iorque.

Os pais dela n
ão estavam, como sempre. Viajavam muito. Eu já era velho conhecido dos
empregados. Muitas vezes dormira ali, com minha namorada e acordara
com Susy, a camareira, levando-nos o café na cama.

-- Sua namorada está no quarto dela -- informou-me Susy, com aquele
seu jeitinho todo especial de me olhar.

N
ão fosse meu respeito por Minha namorada e pela família dela, já tinha
metida a vara naquela garota oferecida e deliciosa. Tinha grandes
seios e uma bunda empinada. Seu ar fogoso e sempre aceso denunciavam
uma mulher ardente e sensual.

Fui até o quarto de Minha namorada e me despi, enfiando-me debaixo do
lençol de cetim que deslizou deliciosamente sobre meu corpo. Meu
caralho já estava duro, espetando o tecido, armando um circo à espera
da domadora para o ato principal.

Minha namorada estava no banho e eu podia ouvir o barulho da água.
Imaginei-a nua, com a pele molhada, os cabelos escorridos, a espuma
lubrificando providencialmente os locais corretos e a excitaç
ão chegou a um ponto brutal.

Aquela espera poderia se tornar insuportável, se ela se demorasse
muito. Felizmente ela surgiu logo depois, enrolada com uma toalha, os
cabelos ainda úmidos, a pele fresca e perfumada.

Sorriu, agradavelmente surpresa ao me ver. Depois, notando minhas
roupas espalhadas pelo quarto, seu rosto se encheu de malícia. Ela
soltou a toalha e exibiu seu corpo escultural.

Os seios pontudos e perfeitos mal se moviam, enquanto ela caminhava na
minha direç
ão com os movimentos felinos de uma pantera.

Devorei-a com os olhos, como havia devorado aquela paciente na sala de
cirurgia. Das coxas aos lábios carnudos, passando pelos seios e pelo
ventre, descendo, acompanhando o triângulo peludo que descia rumo a
sua vulva, tudo nela era desejável e tentador.

Apoiou um dos joelhos na cama. Seu perfume veio até mim, envolvendo-se
e embriagando-me.

-- Estou surpresa! -- murmurou ela, passando a língua pelos lábios,
tornando-os brilhantes e tentadores.

As mãos subiram pelo próprio corpo, deslizando cintura acima, até
juntarem-se sobre os seios. Sua pele estava arrepiada. Os biquinhos de
seus seios estavam durinhos, demonstrando como ela se excitava
rapidamente com a minha presença ali, em seu quarto, nu em sua cama.

-- Estou tão cheio de tes
ão que mal posso esperar... -- murmurei, contraindo meu pinto e
fazendo-o mover-se sob o lençol, como se acenasse para ela,
convidando-a.

Minha namorada levantou a beirada do lençol e fez um biquinho de
satisfaç
ão ao ver meu cacete em pé.

-- O que houve?

-- N
ão sei... Estava operando uma garota e pensei em você...

Ela riu, olhando-me com desconfiança. Eu falara a verdade.

-- Quem era ela?

-- O nome é Muriel qualquer coisa...

-- Bonita? -- indagou ela, agora com um acento de ciúme na voz.

-- N
ão tanto quanto você...

-- Seu mentiroso safado! -- rugiu ela, saltando furiosamente sobre
mim.

Abri os braços para recebê-la e apertá-la com força, fazendo-a sentir
todo o meu tes
ão. Beijei seu rosto e seus lábios carnudos, enquanto minhas mãos
deslizavam pelo seu corpo, tocando sua pele macia, descendo por suas
costas e indo apertar com luxúria sua bunda empinada e tentadora.

Nossas línguas encontraram-se, trocando carícias loucas. Deitei-a ao
meu lado, empurrando o lençol para o lado, puxando-a para mim,
enfiando minha pica entre suas coxas, sentindo o calor e a umidade de
sua chana.

-- Ela garota deve ser um vulc
ão... -- murmurou ela, enquanto eu a apertava e sugava seus lábios.

-- Todo o tempo em pensava em você...

-- E agora, em quem está pensando?

-- Continuo pensando em você, em sua xoxota apertadinha e gostosa, em
sua bunda deliciosa, em sua boca insaciável... --

menti eu, pois todo o tempo eu mantinha em minha mente a imagem
daquela garota estendida, nua e indefesa, na mesa do centro cirúrgico.

-- Você n
ão sabe mentir -- observou ela.

-- Ela me despertou apenas... Comecei a sentir sua falta e a
desejá-la, Minha namorada... Um desejo irresistível que me fez correr
para cá para trepar com você, fodê-la até meu pau esfolar e todo o
fogo que arde dentro de mim transbordar em porra na sua buceta... --
disse ela, fazendo-a arrepiar.

Minha namorada adorava quando eu falava no ouvido dela. Quando eu
falava e fazia, enfiando o dedo em sua chana, mordiscando suas tetas,
penetrando em seu ânus.

-- Oh, querido! -- murmurou ela, totalmente acesa agora, virando-se
sobre mim, esfregando seu corpo sobre o meu e beijando-me como uma
alucinada.

Minhas m
ãos ficaram livres para percorrer as formas perfeitas de seu corpo.
Fechando os olhos, no entanto, eu pensava em minha paciente, em seu
corpo, em sua chana peladinha, lisinha, onde eu poderia deslizar a mão
e sentir o cetim de sua pele.

Desejou ter podido descobrir mais sobre ela, mas isso podia esperar.
Teria muito tempo para isso nos próximos dias. Com aquele ferimento,
ela teria de ficar três ou quatro dias no hospital, antes de ser
mandada para casa.

Ent
ão saberia mais sobre ela, com certeza. E enquanto isso não aconteça,
eu deixava Minha namorada conduzir minha fantasia.

Ela foi deslizando o corpo para baixo, com a boca deixando uma trilha
de saliva em minha pele. Ela ia fazer o que mais gostava de fazer e
que me levava à loucura.

Sua boca faminta desceu, roçando meus pêlos, até a base de meu cacete
e iniciou uma inesquecível escalada rumo ao topo.

Sua língua enroscava-se na pele retesada, subindo, subindo, até que
seus lábios roçassem a glande intumescida e sensível. Sugou-me para
dentro de sua boca com avidez e aquela sensaç
ão de me sentir chupado por sua boca morna foi eletrizante.

Conservou meu pênis em sua boca, mamando-o provocantemente por um
longo tempo, tornando-o mais rijo ainda, fazendo-me estremecer quando
o deixava escorregar para fora para chupá-lo para dentro novamente e
ficar movendo a língua ao redor da glande.

-- Você me derrete... -- murmurei, entregue às artimanhas daquela
mulher em fogo.

-- Ainda n
ão viu nada, seu tarado... Vai aprender a não ficar seduzindo pobres
pacientes...

-- Ei m
ão faço isso... Você sabe...

-- Mas fica com tes
ão, enquanto as opera... Fica passando a mão nelas, não... Alisando
suas tetinhas... Brincando com suas bucetinhas, não? Vamos, seu
tarado... Confesse...

-- Quer que eu faça o mesmo com você? Quer brincar de médico?

-- Vou lhe mostrar o que é brincar de médico -- respondeu ela,
continuando a me sugar loucamente.

Eu enfiei a m
ão por baixo dela, ajoelhada entre minhas pernas, e busquei sua xoxota
molhada. Esfreguei-a delicadamente, passando o dedo por toda a sua
extensão, sentindo seu calor ardente.

Minha namorada ofegou, quase mordendo minha pica de tanto tes
ão. Eu insisti na carícia, buscando o botãozinho saliente de seu
clitóris para acariciá-lo com a ponta do dedo.

-- Miserável! Sabe como me fazer ficar assim, n
ão? -- desabafou ela.

-- Gosto de sentí-la assim t
ão molhada...

-- Gosto de sua xoxota assim...

-- Bandido! -- arrematou ela, girando a boca ao redor de minha glande,
quase me fazendo gozar.

Estremeci e senti meu pinto latejar. Espertamente ela parou de me
sugar e deitou-se ao meu lado. Sabia que eu havia chegado próximo de
meu limite. Era perita nisso.

Pus-me de lado para olhar seu corpo. Seus olhos brilhavam de paix
ão. Seu peito arfava deliciosamente. Seu ventre se contraía
ritmadamente. Tudo nela indicava o grau de excitação que atingira.

-- Vou lhe mostrar o que é ficar molhada -- falei eu, debruçando-me
sobre ela.

Primeiro lambi e mordisquei seus seios pontudos, prendendo entre meus
dentes os biquinhos rijos e salientes, como se fossem uvas tenras que
eu pudesse morder e sugar o néctar contido neles.

Sua pele fresca e perfumada, ainda úmida em alguns pontos, tinha um
sabor todo especial. A excitaç
ão me fazia trêmulo e ansioso. Eu gostava daquilo. Gostava de chegar
naquele ponto onde todos os pensamentos falham e quando o ato começa
torna-se impossível parar.

É como uma febre, que enche o corpo de calor e pressa, que exige a
penetraç
ão, que se transforma em movimentos e explode em prazer e satisfação.

Beijei o pescoço dela, seus ombros, retornando aos seios para
lambê-los e mascar os biquinhos. Minha namorada suspirava de tes
ão, o corpo abandonado na cama, as pernas abertas, de onde vinha o
perfume intenso e perturbador de sua xoxota.

Aquilo provocava em mim reações selvagens e primitivas. Eu queria
comer aquela mulher, lambê-la, penetrá-la, gozá-la de todas as formas.

Escorreguei pela cama, lambendo seu ventre, brincando com seu umbigo,
afundando o rosto nos pêlos de sua vulva. A fonte daquele perfume
estava cada vez mais próxima, deixando-me febril.

Encaixei-me entre suas pernas. Fiz com que ela flexionasse os joelhos,
deixando-os penderem para os lados. A fenda tentadora e orvalhada, a
fonte do perfume mais original e sutil do corpo de uma mulher, estava
ali, diante de meus olhos, oferecida e convidativa.

Estremeci de tes
ão, olhando-a. Minha namorada tinha uma xoxota incomparável, estreita,
com lábios rosados e delicados.

-- Como gosto desta bucetinha! -- murmurei ele, a boca bem próxima
dela para que meu hálito a acariciasse e fizesse Minha namorada gozar
de tanto prazer.

Ela ofegou, estremecendo-se toda. Pendi a cabeça, atraído
inapelavelmente pelo perfume intenso. Minha namorada arqueou o corpo,
deixando escapar um gemido. A ponta de minha língua tocou seu bot
ãozinho delicado e sensível, pressionando-o.

-- Oh, querido... Que... tes
ão... -- murmurou ela, com a voz entrecortada e rouca, apertando minha
cabeça contra seu corpo.

Minha língua passeou por toda a sua vulva e ela gemeu roucamente, com
o corpo todo abalado por espasmos contínuos.

-- Está gozando antes de mim... -- observei.

-- Sim, estou... E vou gozar mais... Quero gozar mais... antes de
ter... sua pica em minha chana...

Seu desejo era uma ordem para mim. Eu adorava ver como ela gozava,
estremecendo, murmurando, gemendo, gritando às vezes, arranhando-me e
beliscando-me.

Minha língua ficou brincando com seu clitóris, pressionando,
esfregando, lambendo, provocando. Sua xoxota tornou-se ainda mais
molhada, juntando minha saliva com seu néctar.

Eu lambia aquele líquido precioso, sugando e beijando sua chana.
Minhas m
ãos estendiam-se sobre seu corpo, buscando os seios para apertá-los
com volúpia e tesão. Minha língua brincava continuamente à porta de
sua vagina estreita e deliciosa.

Arrepios cobriam a pele dela. Minha namorada se contorcia. Ondas de
prazer percorriam seu corpo. Suas reações me faziam insistir naquelas
carícias que a punham num estado de orgasmo permanente.

Mordisquei-lhe o clitóris, prendendo-o entre meus dentes. Depois lambi
incessantemente sua xoxota, esfregando minha língua nos lábios
rosados. Ela se contorcia e suspirava sem parar.

Eu sentia seu perfume se acentuar, à medida que a excitaç
ão se transformava em satisfação. Minha namorada já tivera vários
orgasmos. Eu acompanhava suas reações, bebendo o suco de sua buceta,
onde meus lábios continuavam colados.

Suas pernas tremiam. Seus dedos enterravam-se em meus cabelos,
apertando-me com força na xoxota, onde, finalmente, eu enterrei minha
língua o mais profundo que consegui, brincando lá dentro com seus
pontos sensíveis, com suas dobras que em breve se dilatariam para
receber toda a grossura rija e viril de minha vara.

-- Oh, querido... É demais... Estou desfalecendo... Mas n
ão pare... Continue... Assim... Quero gozar tudo... Quero gozar pela
mulher que você desejou... Quero gozar por mim e por ela... --
rouquejou ela, entre gemidos e espasmos incontroláveis.

Minha namorada reforçou em mim a lembrança de minha paciente. Eu a
desejei duplamente, ent
ão. Desejei por ser ela, uma mulher fogosa com quem eu só tinha prazer
e por representar aquela que não pude ter, mas que desejei, enquanto,
como um deus, eu lhe restituía a vida.

Entreguei-me ao corpo de Minha namorada.

Ele representava, naquele momento, a fonte dupla de prazer e desabafo
para aquele tes
ão que nascera com outra mulher e que explodiria todo dentro dela.

Como uma cobra insinuante, minha língua se movia dentro da buceta em
fogo de Minha namorada, sorvendo seu néctar, misturando-o com minha
saliva, lambendo-a em todas as direções e fodendo-a.

Orgasmos mais intensos punham Minha namorada prostrada agora, mas
minha língua n
ão parava. Eu queria trepar nela, cavalgá-la, enterrar-lhe minha pica,
mas, ao mesmo tempo, queria compensá-la por ter desejado outra. Era
uma sensação estranha, que me fazia dar-lhe tudo que seu corpo pudesse
experimentar.

-- Vem... vem... quero seu caralho... Agora... Vem... -- pediu ela,
totalmente fora de s.

Eu sentia que n
ão poderia esperar mais também. Meu orgasmo estava às portas. Meu
pênis doía. Meus testículos pareciam querer explodir.

Meu corpo subiu pelo dela, lambendo a pele, chegando aos seios, onde
me detive para lamber, beijar e sugar.

Uma de minhas m
ãos ficou entre as coxas dela, esfregando continuamente seu clitóris e
a entrada de sua xoxota inundada. Os orgasmos foram mais intensos e
contínuos agora. O corpo de Minha namorada não parava de estremecer.

-- Eu derreto... de... tanto... gozar... -- confessou ela, quase sem
voz.

-- Continue gozando, minha putinha... minha biscate... minha
vagabunda... Goze... Goze que vou me enterrar em sua buceta agora...
Vou rasgá-la com meu caralho... Vou enchê-la de porra... -- fui
murmurando, enquanto subia por ela e encaixava meu pinto na entrada de
sua chana.

Empurrei só a pontinha, só para sentí-la.

Depois comecei a deslizar suavemente por entre os lábios rosados e
lubrificados, mas ela n
ão esperou.

Minha namorada jogou o quadril contra o meu, enterrando-me
profundamente dentro dela.

Fiquei pensando na minha paciente, enquanto avançava dentro de Minha
namorada. Ficaria ali eternamente, apenas sentindo as contrações dos
músculos vaginais, pressionando meu caralho na bucetinha estreita,
buscando sutilmente um prazer que vinha lá de dentro de meu ventre
como uma manada de cavalos selvagens em disparada.

-- Como é gostoso sentir sua bucetinha... N
ão pare... Aperte assim... Hum! -- murmurei, sentindo que meu controle
chegava ao seu limite máximo.

Comecei a me mover, fodendo uma chana e duas mulheres ao mesmo tempo.
A que se acabava em suspiros e gemidos sob mim e a que estava em minha
mentes, desfalecida n
ão em função da anestesia, mas de minhas carícias.

Foi um dos orgasmos mais intenso de toda a minha vida. O cheiro de
esperma misturou-se ao da xoxota de Minha namorada, perfumando
intensamente o quarto.



Capítulo 2



Consulta inicial.

Paciente: Pennie Sommers.

Síntese: Origem do problema.

Diagnóstico: Fixação de caráter sexual.

Quando eu era pequena, tínhamos um vizinho chamado Antony, que era
motoqueiro. Eu tinha um fascínio por ele, com seus braços musculosos,
seu peito cabeludo, seu blusão de couro e sua barba comprida.

Aquela minha fixação acabou se tornando uma obsessão, enquanto eu
crescia. Quando fui para a universidade, ficava pensando em
motoqueiros, principalmente depois que vira um, num posto de gasolina,
com a calça bem justa, a bunda redonda e dura, a camisa sem mangas, os
braços musculosos e peludos de fora, fazendo-me lembrar de Anthony.

Eu saía muito à noite e ia às lanchonetes. Tinha uma predileção por
aquelas que funcionavam junto aos postos de gasolina e nunca fechavam.

Havia máquinas de jogos eletrônicos e eu fingia que brincava, mas na
verdade observava os motoqueiros que iam e vinham na estrada, parando
no posto, entrando na lanchonete. Cada um deles era uma fonte de
inspiração para me masturbar depois.

Às vezes eu pedia um refrigerante e me sentava numa das mesas. Enfiava
uma das mãos entre as pernas e ficava brincando com o grelinho,
gozando e olhando aqueles homens maravilhosos.

Não usava sutiã. Apenas uma calcinha minúscula e transparente sob o
vestido, com meus ombros de fora e um palmo de coxa acima do joelho.

Eu me excitava, vendo aqueles homens me olhando com desejo. Eu me
sentia agarrada, lambida, chupada, penetrada, fodida de todas as
formas possíveis e imaginárias. Para mim era um delírio. Eu queria
comer todos eles, ser de todos eles.

Via o brilho do desejo nos olhos daqueles homens e queria trepar com
todos. Mas estava esperando alguém em especial, um motoqueiro que
viria e me arrebataria. E foi o que aconteceu.

Numa sexta-feira, pouco depois das dez, ele entrou na lanchonete, com
uma camiseta sem mangas realçando seus músculos, os cabelos compridos
e um ar de cansaço no rosto.

Foi até o balcão e pediu uma cerveja. Eu esperava ansiosamente pelo
seu olhar. Tremia. Molhava-me de tesão. Queria que ele me olhasse e me
visse.

Então ele se virou e me viu. Eu fiquei em pé, instintivamente. Ele
sorriu. Eu sorri em resposta. Ah, deliciosos e intermináveis momentos
de espera, naquela paquera à distância. Minha pele se arrepiava, a
cada vez que ele levava a garrafa de cerveja aos lábios e sugava a
bebida.

Fiquei imaginando aquele corpo nu, sua pica endurecida, sua bunda
gostosa. Desejei sentir seus pêlos roçando a minha pele e suas mãos
fortes passeando pelos meus seios, tocando os biquinhos, alisando meu
ventre, massageando meu clitóris, enfiando-se em minha bucetinha.

Ele comentou alguma coisa com o garçom, depois caminhou na minha
direção. Rebolava ligeiramente, como um gato caminhando, cheio de
sensualidade e tesão.

Junto da mesa ele me olhou nos olhos e sorriu. Era lindo, realmente
lindo. A camiseta justa e sem mangas deixava à mostra seus braços
fortes, seu peito cabeludo e másculo.

-- Olá! -- disse-lhe eu, num sopro de voz cheio de emoção, sentindo
minha calcinha melecar-se de tanto tesão.

-- Olá! Já a vi aqui antes -- comentou ele. -- Tem hora para voltar
para casa?

Fiz um sinal negativo com a cabeça, enquanto passava a ponta da língua
por entre os lábios, numa proposta provocante.

-- Ótimo! Costumo não ter pressa -- disse ele, sentando-se ao meu
lado.

Mediu-me com o olhar atento e sedutor.

-- Você é muito bonita -- disse ele e senti sua perna esfregando-se na
minha.

-- Já trepou antes, garota?

-- Trepar? O que é isso? -- retruquei, fazendo cara de ingênua e ele
riu.

-- Sabe fazer coisas?

-- Algumas coisinhas...

-- Como o quê, por exemplo?

-- Vai preferir que eu demonstre ou que só fale? -- indaguei,
provocante.

-- Ele manteve seu olhar cravado em mim, avaliando-me. Acho que
percebeu que compensaria, pois ali ele segurou o meu queixo e
inclinou-se, lambendo meus lábios.

Não me beijou. Apenas lambeu os meus lábios, passando a língua de um
lado para outro.

-- Também sei fazer umas coisinhas -- disse. -- Como passar a língua
assim em sua bucetinha -- acrescentou.

Eu me arrepiei inteira e já imaginei aquela língua esperta corrente
pela minha preciosa.

Não me fiz de rogada. Minha mão avançou sobre a coxa dele, apertando o
volume entre suas pernas. Foi um apertão bem sutil, suave, mas
provocante.

No momento seguinte senti aquela coisa gostosa crescer rapidamente
entre meus dedos.

-- Muito bom! -- elogiou-me ele, pousando a mão no cetim de minha
coxa, subindo, até tocar a calcinha molhada.

Sorriu com satisfação.

-- Vejo que é rápida no gatilho, queridinha... Está toda molhada...
Gosto disso -- continuou, os dedos roçando a minha vulva, subindo e
descendo, provocando arrepios e tremores.

O que me excitava brutalmente era estarmos fazendo isso em público, de
uma forma tão natural que as pessoas nem percebiam. Eu continuei
massageando seu caralho, até sentí-lo em toda a sua potência.

-- Estou com fome e gostaria de comer alguma coisa -- disse ele.

-- Não tenho pressa -- respondi. -- Como eu lhe disse, não tenho
horário para voltar para casa.

-- Janta comigo?

-- Com prazer!

Ele sorriu. Tinha um sorriso gostoso, cativante e promissor. Fiquei
olhando seu bigode, imaginando-o roçar a minha pele e isso me excitou
ainda mais.

Quando terminamos o jantar, ele comprou chicletes e cerveja. Fomos
para o motel ao lado do posto. Ele me ajudou a entrar, empurrando-me
pela bunda.

O quarto era agradável. Havia uma cama no fundo. Fui me sentar nela.
Ele fechou as cortinas. A luz varava palidamente o tecido grosso,
iluminando gostosamente o aposento.

-- Como é seu nome? -- indagou.

-- Samantha.

-- Belo nome! O meu é All. Acho que vamos nos dar muito bem, Samantha
-- disse ele, começando a se despir.

Ele se sentou na cama para tirar as botas. Depois tirou a calça. O
tempo todo ele olhava para mim e sorria. Finalmente ele tirou a
camiseta. Não usava cueca. Estava nu diante de mim e era lindo.

Seu caralho era grosso e longo. Ele se sentou ao meu lado. Repuxou meu
vestido, tirando-o por cima. Suspirou ao ver meus peitinhos. Cobriu-os
com as mãos, enquanto me beijava os ombros e o pescoço. Seu bigode
provocava uma sensação nova, deliciosa e arrepiante.

Empurrou-se delicadamente para trás, fazendo-me deitar. Retirou minha
calcinha. Abriu minhas pernas. Alojou ali sua cabeça. Seu hálito e sua
língua me levaram à loucura.

Ela entrava e saia, subia e descia, girava e se movia em todos os
sentidos. O bigode esfregava-se no meu clitóris e era uma coisa
alucinante.

Eu gemi de prazer e logo gozei, me contorcendo na cama do caminhão,
com ele entre as minhas pernas, fungando e se deliciando com minha
bucetinha.

-- Isto é melhor que uísque, cerveja, vinho ou qualquer outra bebida
-- disse ele, levantando finalmente a cabeça, com os olhos brilhantes
de tesão.

Lambeu os lábios deliciado, depois me beijou e eu senti o gosto de
minha buceta em sua boca. Ele me soltou em seguida e voltou para me
lamber a chana.

Depois começou a me beijar a partir das virilhas, subindo pelo meu
ventre, depois dominando meus seios. Lambia e beijava, mordiscando e
salivando, suspirando de tesão.

Senti seu cacete roçar minhas coxas e estremeci com o calor e a
rigidez dele.

-- Quero brincar um pouco com ele -- murmurei e meu motoqueiro se
deitou de costas, com aquele esplêndido caralho levantado, firme como
um mastro cravado na terra.

Segurei-o e apertei-o. Descobri o quanto adorava fazer isso. Apertava
com um prazer enorme. Esfregava meus dedos na glande intumescida,
provocando tremores no corpo dele.

Um calor enorme invadia meu corpo, entrando pela minha xoxota e
subindo pelo meu ventre, deixando-me sem fôlego. Fiquei afogueada, com
a boca seca, de tanto tesão.

Estava molhada e excitada o bastante para receber logo seu caralho em
minha buceta, mas sabia que não adiantava ter pressa nessas coisas.

Quanto mais a gente demora, mais prazer a gente tem. Por isso brinquei
à vontade com o caralho de All.

Provoquei-o ao extremo. Masturbei-o lentamente, deixando minha mão
escorregar gostosamente pelo pinto dele. All gemia e estremecia, a
cada vez que eu baixava a mão, arregaçando ao máximo seu belo cacete,
expondo totalmente aquela flecha de carne ardente e gostosa que
vararia minha xoxota em breve.

-- Venha cá -- convidou ele, rouco e tenso. -- Quero chupá-la de novo.

Girei meu corpo rapidamente num sessenta e nove e esfreguei minha
chana em seus lábios. Senti sua língua avançar para dentro de mim.

Suas mãos fortes alisaram minha bunda. Um dedo maroto foi brincar com
as preguinhas do meu cu.

Eu gemi de prazer, rebolando as nádegas. A língua entrava e saía. O
dedo já se afundara em meu rabo.

Eu chupei o caralho dele com voracidade, lambendo, sugando, deixando-o
avançar apertadamente por entre meus lábios carnudos e famintos.

Os biquinhos estavam tão duros que ameaçavam arrebentar-se. Percebi
que All gozaria em breve, se eu continuasse excitando-o daquela forma.

-- Não goze ainda, querido -- pedi-lhe.-- Não se preocupe, queridinha.
Minha primeira gozada será em sua bucetinha...

-- A primeira? Então teremos muitas?

-- Pode apostar nisso -- garantiu ele e não mentia para mim,
realmente.

Continuei brincando com aquela coisa grossa e gostosa, lambendo e
beijando, esfregando-a em meu rosto com adoração. Lambi seus
testículos, chupei suas bolas, enfiando-as todas em minha boca. All se
torcia de tanto prazer.

Em seguida enrolei minha língua no caralho dele e fui subindo. Lambi a
glande exposta novamente. Depois fechei os lábios sobre a ponta da
flecha e deixei minha cabeça pender para baixo. Ele penetrou,
esfregando-se no céu de minha boca.

All gemeu, suspirando de tesão. Seu bigode arranhava gostosamente
minha chana. Ele prendeu meu clitóris entre seus lábios e ficou
alisando-o, numa fricção que me levou ao delírio, de tão gostoso.

Foi o máximo para mim. Gozei de novo, arqueando o corpo, gemendo com o
caralho dele em minha boca. Apertei suas coxas, depois suas nádegas.
Massageei sua bunda.

Toquei seu ânus e enfiei nele meu dedo, fazendo All rebolar e aceitar
a brincadeira, retribuindo na mesma medida.

Seu dedo roçava minhas pregas anais, indo e vindo. Eu rebolava. Ele
acompanhava meus movimentos com o bigode e com a língua, lambendo,
entrando e saindo.

-- Está gozando? -- indagou ele, percebendo como o meu corpo tremia.

-- Sim... Muito... Bastante... -- respondi, girando a língua ao redor
do cacete dele.

All coordenou os movimentos de sua língua com os do dedo. Fodeu meu cu
e minha buceta ao mesmo tempo, indo e vindo, alucinando-me, apertando
meus seios com a mão livre.

Eu apertei minhas coxas contra a sua cabeça, tremendo e gozando,
gemendo e gozando, suspirando e gozando como uma louca.

-- Você é toda cheia de tesão... -- disse ele. -- Na chaninha... Nas
tetinhas... Na bundinha... Vou me acabar com você esta noite, menina,
mas quero fazê-la se arrebentar de tanto gozar -- murmurou ele,
girando-me na cama e ajoelhando-se entre as minhas coxas.

Ergueu minhas pernas, pondo-as em seus ombros. Depois inclinou-se.
Meus quadris se ergueram. Minha xoxota escancarou-se à investida
fulminante daquele pau grosso e duro.

-- Vou fazê-la gozar de novo agora -- disse ele, o membro roçando a
minha vulva.

-- Põe devagar... Bem devagar... Quero sentí-lo entrando... Até o
fim... Até as bolas...

Ele me atendeu. Sua chapeleta alargou a entrada de minha preciosa
florzinha. Senti-o se contrair, depois afundar-se gostosamente,
avançando sem pressa, pouco a pouco, devagarinho, enterrando-se em
mim.

Eu perdi o fôlego. Vertigem e delírio me assaltaram. Continuei
gozando.

-- Não se mova... Fique assim... -- pedi-lhe, contraindo meus músculos
vaginais, apertando o pinto dele como se quisesse espremê-lo dentro de
mim e tirar-lhe o precioso sumo.

Ele ficou sobre mim, naquela posição, totalmente enterrado em minha
bucetinha, sem se mover.

Eu fiquei contraindo, fazendo aumentar o tesão dele.

-- Você é demais...

-- Pode gozar assim?

-- Claro... Sua bucetinha está mamando meu caralho...

-- Então goze, gostosão... Goze em minha chana... Encha-a de porra...
Quero tudo agora...

-- Então vou lhe dar o que quer...

Aí eu perdi mesmo o fôlego e a noção de tudo, totalmente contagiada
por aquela sensação desenfreada de prazer que se tem, quando um macho
pintudo começa a mover seu caralho dentro da gente. Ele ia e vinha,
beijando-me e fodendo-me.

Meu ventre pegou fogo. Fechei os olhos, abri a boa ao máximo, tentando
aspirar todo o ar que me faltava.

Girei, subi e desci, flutuei, caí, tudo ao mesmo tempo, num amontoado
de sensações que me deixaram atônita e gratificada.

-- Ah, bucetinha apertada... gostosa... molhada... tesuda... -- ficou
ele murmurando, enquanto me fodia, golpeando-me virilmente.

Eu sentia o caralho dele tocar lá no fundo, depois se retrair, até
quase escapar de minha vagina, depois retornar. Ao fazer isso,
roçava-me por dentro e por fora, forçando a pele contra o clitóris,
fazendo-me subir pelas paredes.

Ele gemeu alto e se imobilizou. Senti as contrações de seu corpo e de
seu pênis, enquanto ele ejaculava, inundando-me de porra.

Levei alguns minutos, até voltar à realidade, alucinada com as
sensações todas que ele havia provocado em meu corpo.

Ele tombou, finalmente, para o lado. Eu estendi minhas pernas trêmulas
e preguiçosas. O esperma dele escorria de minha chana. Limpei-me com a
camiseta dele.

-- Você é demais, garota... Não acredito que tenha feito tudo isso com
você... -- murmurou ele, ainda rouco de tesão.

-- Vai ter que acreditar...

-- O que mais sabe fazer?

-- Está pronto para outra? -- indaguei, surpresa.

-- Garota, quando eu começo, meu pau só desaba quando eu quiser.

-- Não acredito -- murmurei, tocando o caralho dele, lambuzado de
esperma.

Para minha surpresa, estava duro como no início. Fiquei alucinada. Ele
riu divertido, quando avancei sobre ele, montando-o.

Esfreguei o caralho em minha xoxota. Depois ergui-me. Apontei-o com a
mão, posicionando-o à entrada de meu cu. O motorista gemeu e levantou
os braços, tocando meus seios e alisando-os com tesão e delicadeza.

-- Na bundinha, assim em seguida? -- indagou ele, surpreso.

-- Sim... Não quer?

-- Claro que sim... Estou apenas admirado com seu fogo...

-- Eu tenho fogo e você tem um caralho que não amolece... Que dupla
formamos, não? -- afirmei, sentando-me no caralho dele.

Fui empurrando a bunda. O ânus relaxado aceitou logo aquele pau
lubrificado de porra. A glande se contraiu toda. Minhas pregas se
dilataram. Ele entrou. Apenas a ponta. Macia e maciça. Fiquei piscando
o cu, contraindo os músculos, provocando-o ainda mais.

-- É demais... Você é demais... -- sussurrou ele, acariciando-me o
corpo todo.

Fui soltando o corpo lentamente, deixando aquela pica enorme e grossa
enterrar-se em meu cu. Ah, que sensação diferente e boa. Eu o tive
inteiro dentro de mim, pulsando quente e gostoso.

-- Deixe que eu faço tudo -- ordenei-lhe, iniciando lentamente meus
movimentos de subida e descida, controlando o prazer daquela trepada.

Uma das mãos dele desceu pelo meu ventre e foi buscar meu clitóris.
Massageou. Apertou. Espremeu. Eu tremia. Movia-me mais depressa. A
ansiedade crescia. O tesão também.

O prazer começou a fluir. O pau dele entrava e saía. O fogo correndo
nas veias... A vertigem de novo... O desmaio... O esperma dele
novamente inundando meu corpo.

Fiquei ali, sentada nele, com o pau dentro de mim, apertando-o em meu
rabo, enquanto o mundo real voltava a se materializar ao nosso redor.

Tombei sobre ele, beijando-o alucinadamente, acariciando seu corpo
másculo e viril.

Foi quando comecei a sentir um terrível complexo de culpa, do qual não
consigo me livrar. É pior ainda do que a minha obsessão por
motoqueiros. O que posso fazer a respeito, doutora?



Capítulo 3



Segunda consulta

Paciente: Oliver Dexter.

Síntese: Início do processo de fixação.

Diagnóstico inicial: Complexo de culpa juvenil e fixação.

Naquela noite, aconteceu algo interessante comigo. Aliás, isso sempre
acontece quando uma mulher me atrai muito. Eu sonho com ela. A mulher
é diferente, mas o sonho é igual.

Apesar de ter feito amor com minha namorada até a exaustão, adormeci e
sonhei com a minha paciente. Aquele mesmo sonho que me remetia de
volta à juventude e a algo que eu fizera com uma antiga namorada.

Quando tive de deixar minha cidade para fazer meu curso, fui me
despedir dela. Em meu inconsciente ficou gravada aquela cena de
despedida, talvez pela sua sensibilidade, quiçá pela emoção presente
naquele momento.

E lá estava minha adorável paciente, na janela, olhando-me com seus
olhos molhados de lágrimas e pedindo-me:

-- Fique, por favor! Fique comigo! -- repetia ela, num tom de voz que
me cortava o coração.

Eu me debrucei na janela, com o rosto bem perto do dela, olhando-a sem
saber o que dizer. A lua refletia-se nas lágrimas que escorriam pelo
seu rosto.

Muriel, minha paciente, me abraçou, então, com força, colando seu
rosto ao meu.

-- Fique comigo... Por favor! -- repetiu ela, ao meu ouvido, enquanto
seus braços apertavam meu pescoço e seu hálito ardente e entrecortado
pelos soluços fizeram-me arrepiar dos pés à cabeça.

Ainda não estávamos prontos para a separação, eu sentia isso.

-- Vamos até o celeiro! -- convidei-a, num sussurro.

Ajudei-a a pular a janela e corremos para o celeiro. Assim que
entramos, ela me abraçou de novo, o corpo trêmulo apertando-se contra
o meu. Sua cabeça apoiou-se em meu peito. Ela ficou um longo tempo
assim.

Depois ergueu o rosto, olhando-me. O luar penetrava pelas frestas da
madeira e iluminava suas faces. Havia lágrimas nela ainda. Os lábios
entreabertos deixavam escapar soluços.

Senti um grande tesão por ela. Um tesão maior que o maior que eu já
havia sentido na vida. As formas tentadoras de seu corpo jovem
comprimiam-se contra o meu. Os seios redondos e pontudos espetavam meu
peito. O hálito morno e perfumado era uma provocação adicional.

Suas coxas tremiam, apoiadas nas minhas. Aquele rosto iluminado pelo
luar era lindo.

Afaguei seus cabelos demoradamente, enquanto sentia meu caralho subir
firmemente, roçando as pernas dela. Segurei-a pela nuca, fazendo-a
inclinar a cabeça para trás. Rocei meus lábios nos dela. Lambi-os
lentamente.

Muriel suspirou e senti a ponta de sua língua estender-se e buscar a
minha. A volúpia tomou conta de nós. O desejo nos contagiou e nós nos
beijamos sofregamente, quase que desesperadamente.

Nossas línguas se enroscaram, trocando saliva. Nossos corpos se
espremeram com luxúria e tentação. A excitação foi brutal. Minha pica
ameaçava rasgar sunga e calça, atrás da chana dela.

-- Sei que será nossa última vez... -- disse ela. -- Quero gozar seu
corpo ao máximo para gravá-lo em minha lembrança. Venha, marque meu
corpo -- pediu ela, roçando o ventre contra meu caralho endurecido.

-- Meu amor! -- murmurei, enquanto minhas mãos buscavam os seios dela,
comprimindo-os apaixonadamente, deslizando os dedos ao longo de seu
corpo tentador, indo até as coxas, depois nas nádegas, desejando
sentí-la por inteiro.

-- Faça amor comigo -- pediu ela com a voz embargada de emoção e
desejo. -- Quero sentí-lo dentro de mim... Inteiro... Quero trepar com
você... Quero fodê-lo... Quero comê-lo...

Febrilmente suas mãos arrancaram minha camiseta. Havia ansiedade e
paixão em seus movimentos frenéticos, buscando meu corpo, tocando meu
peito, apertando meus músculos, beliscando meus mamilos.

Ela colou a língua em minha pele, lambendo-se o pescoço, depois
descendo, até um dos mamilos. Mordiscou-o e sugou-o, fazendo-me
arrepiar intensamente. Eu me contagiei pelo fogo que ardia
incontrolavelmente no corpo dela.

-- Sim, meu amor, vamos fazer amor... Vou lhe dar tudo... Tudo que
você quiser... -- falei, apertando os seios dela com as mãos, alisando
seu ventre, buscando o fecho de sua calça para soltá-la e enfiar minha
mão até tocar a xoxota já molhada e perfumada.

Havia uma pilha de sacos de milho atrás de nós e subimos nela,
deixando nossas roupas para trás. Nua, ela se deitou, oferecendo-me o
corpo desejável, com seus seios tentadores, os lábios molhados e
provocantes, as coxas que se esfregavam uma na outra, demonstrando
toda a impaciência que dominava seu corpo e contagiava o meu.

O perfume de sua buceta enlouqueceu-me. Eu a contemplei com o desejo
de gravar em minha mente aquela imagem de total entrega. Acho que o
consegui, realmente. A cena permanece em minha mente, ano após ano,
mulher após mulher.

Meu caralho doía de tanto tesão. Eu queria enfiá-lo logo naquela
bucetinha apertada e perfumada.

Deitei-me lentamente sobre ela, sentindo a maciez de seu corpo sob o
meu. Estremeci de desejo. Os seios dela comprimiram-se contra meu
peito. Nossas coxas se entrelaçaram.

Colei meus lábios nos dela, sugando-os, enfiando minha língua entre
eles, buscando aquele sabor escondido no fundo de sua garganta.

-- Coma minha bucetinha - pediu ela, com a voz rouca.

-- Sim...

-- Minha bunda também...

-- Tudo, querida.

-- Quero ser lambida...

-- Tudo que quiser...

-- Chupada também...

-- Será.

-- Mordida...

-- Inteiramente...

-- Mascada...

-- Como uma uva delicada.

-- Fodida.

-- Como uma puta.

-- Quero sua pica em mim...

-- Até os bagos.

-- Bem lá dentro, enchendo-me de porra...

-- Todinha, até a última gota.

Enquanto falava, ela me beijava, me arranhava, esfregando-se em mim
numa excitação voraz, num desejo arrebatador e incontrolável.

Senti suas mãos movendo-se entre nossos corpos. Seus dedos enlaçaram
meu pinto, acariciando-o, alisando-o, apertando-o com luxúria,
movendo-se em vaivém e fazendo-me estremecer.

-- Quero chupar seu pau... -- pediu ela.

-- Sim, tudo que desejar -- respondi.

-- Quero sentí-lo por inteiro em minha boca...

-- Sim, claro -- concordei, girando o corpo sobre a sacaria,
trazendo-a para cima de mim.

Ela deslizou como uma cobra, indo se encaixar entre minhas pernas.
Debruçou-se sobre mim, lambendo meu saco, enquanto as duas mãos
enlaçavam meu caralho endurecido.

Seus lábios carnudos e vorazes se aproximaram. A língua se estendeu,
provocante e insinuante, roçando a glande avermelhada, molhando-a de
saliva.

Eu estremeci, fascinado pelo desejo de Muriel. Senti seu hálito
ardente cobrir meu cacete e, logo depois, seus lábios envolverem a
pele retesada e deslizarem ao longo dela, até os pêlos. Senti-me
penetrando num paraíso ardente e prazeroso.

Espasmos de puro prazer estremeceram meu corpo. A língua e a boca de
Muriel brindaram-me com carícias indescritíveis e vorazes.

Eu acariciava possessivamente sua nuca, seus ombros e seus cabelos,
apertando-a contra mim, enterrando fundo meu caralho em sua garganta.
Ela apertava os lábios e os dentes contra meu pinto, mamando e
mordendo ao mesmo tempo.

-- Vem... Chupa também... - pediu ela, com meu caralho em sua boca.

A princípio não entendi.

-- Minha buceta... Chupa... -- repetiu ela.

-- Quer que eu chupe sua chana? -- indaguei.

-- Sim... Sim... -- respondeu ela, já girando o corpo sobre o meu,
pondo os joelhos um de cada lado de minha cabeça, posicionando sua
xoxota perfumada e gotejante acima de minha boca.

Agarrei-a pela bunda e puxei-a de encontro a minha boca. Minha língua
se estendeu e se enfiou dentro dela, afundando nas carnes saborosas e
lubrificadas.

Fiquei ali, esquecido de tudo, sentindo o sabor e o calor de sua chana
apertada, enquanto ela mamava meu caralho, sugando de uma forma toda
especial.

Ela gemia de prazer, quando a língua entrava nela e meu lábio tocava
seu grelinho, fazendo-a estremecer. Ela arqueava o corpo e rebolava os
quadris de pura satisfação.

-- Que tesão você é! -- murmurou ela, chupando-me sempre, enquanto eu
me deliciava com sua chaninha, tão molhada que seu néctar e minha
saliva se misturavam em abundância, escorrendo-me pelo queixo.

O cheiro era inesquecível e perturbava meus sentidos. Eu mantive minha
cabeça enterrada entre as coxas dela, bebendo o néctar direto na
fonte, na própria taça inebriante onde ele era produzido.

Comecei a deslizar minha língua para cima e para baixo, fazendo-a
estremecer a cada movimento. Minha atenção estava toda concentrada no
seu botãozinho delicado, indo e vindo, roçando e esfregando, girando,
fazendo-a delirar.

Aquela carícia devastadora teve logo sua resposta. Ela começou a sugar
meu pinto sofregamente, movendo a cabeça de um lado para outro,
proporcionando-me um prazer estonteante.

Nossos gemidos e suspiros se confundiam no celeiro vazio. A excitação
crescia em nossos corpos. Eu sentia um desejo violento de fodê-la logo
e sentir sua chana apertando meu cacete.

Essa volúpia me fez deslizar os dedos pela bunda dela, buscando as
preguinhas de seu cu. Pus um dedo no botãozinho, apertando.

-- Com saliva... -- pediu ela.

-- Sim, querida -- concordei, lambendo o dedo, enfiando-o algumas
vezes na xoxota cheia molhada.

Ela ofegava, rebolando, totalmente fora de si. Delicadamente fui
pressionando e girando o dedo em seu cu, sentindo as preguinhas irem
se relaxando gradativamente, enquanto ela se abria para mim.

Meu dedo se introduziu pela passagem apertada, afundando-se no buraco
ardente. Ela gemeu e suspirou.

-- Dói? - perguntei.

-- Não... Põe mais...

-- Assim?

-- Mais...

-- Está bom...

-- Assim... Continue lambendo minha chana... O dedo e a chana...
Juntos... Sim...

Enquanto ela gemia, eu coordenava os movimentos de minha língua em sua
vagina e os do dedo em seu ânus com os de meu pau em sua boca,
vibrando com o calor intenso que encontrava nos orifícios do corpo
dela.

Muriel parecia possuída. Chupava, lambia, mascava, esfregava, sugava,
mordiscava e brincava com meu pênis, deixando-o às portas do gozo.

A qualquer momento eu poderia descuidar e gozar.

-- É bom demais! -- exclamou ela, o corpo arqueando e estremecendo ao
mesmo tempo.

Senti sua xoxota pulsar e os músculos de sua bunda se contraírem,
enquanto ela gozava seguidamente.

Seu corpo continuou estremecendo em espasmos prolongados. Ela soltou
meu pinto e ficou arando, quase sem fôlego, enquanto minha língua ia e
vinha dentro de sua buceta e meu dedo continuava brincando com o cu
dela.

-- Quero tudo... Tudo mesmo... -- soluçou ela, com voz trêmula e o
corpo convulsionado.

-- O que é tudo para você? -- indaguei.

-- Quero na bunda primeiro...

Arrepiei-me de tesão.

-- Tudo? -- quis eu saber.

-- Tudo -- exigiu ela.

Somente em sonhos uma mulher poderia ser tão perfeita para um homem.
Somente em sonho, talvez, aquela namorada minha, deixada há tanto
tempo tão longe me dera aquilo.

Mas eu estava com Muriel, a paciente que eu desejara na mesa de
operação. Ela me pedia e eu queria. Não havia como hesitar ou não
fazer tudo quanto fizera com minha namorada esquecida.

Ela se debruçou contra uma saca de milho, arrebitando a bunda perfeita
e tentadora. Seu corpo cheirava a sexo, a xoxota, a bunda, a suor e
tentação.

Firmei-me de joelhos atrás dela, pincelando meu caralho por sua bunda,
antes de brincar um pouco à entrada de sua xoxota, para lubrificá-lo.

Ela continuava rebolando, estremecendo a cada vez que meu pênis tocava
seu corpo. Eu aponte, então, minha pica contra seu buraquinho
apertado.

-- Posso? -- indaguei.

-- Sim, põe...

Forcei um pouco, sentindo a glande comprimir-se contra seu cu.

-- Vou ter que forçar - avise.

-- Põe saliva...

Atendi-a, pondo saliva na palma da mão, depois untado a ponta de meu
caralho e o ânus dela.

Voltei ao ataque. Senti a ponta da glande achar seu caminho,
comprimindo-se dolorosamente.

-- Relaxe um pouco -- pedi.

-- Assim...

-- Mais...Está entrando... Mais... -- fui dizendo, enquanto a
resistência diminuía e eu avançava.

-- Vem... Vem, querido...

-- Não dói?

-- Não... -- ofegou ela. -- Está dando um tesão incrível...
Continue... -- insistiu, com a voz trêmula e entrecortada.

Segurei-a pelos quadris e continuei empurrando, enquanto a puxava para
mim.

-- Tudo... Com força... - pediu ela.

-- Tem certeza?

-- Sim... Vem... Eu quero... Quero sentí-lo... Já estou gozando...
Quero mais... Mais... -- disse ela, frenética, possessiva, alucinada.

Metade da glande há havia entrado em seu rabo, mas ela tinha pressa,
ela queria tudo e depressa.

-- Deixe-me fazer isso -- pediu ela, levantando-se e fazendo-me
deitar.

Sem perda de tempo ela se sentou em minhas coxas.

-- Quero logo, amor... Não agüento esperar -- falou ela, inclinando-se
para cuspir saliva sobre a ponta de meu cacete.

No momento seguinte, acomodou-se, espetando meu caralho em seu cu
novamente. Sentada em meu pau ela foi soltando o corpo, rebolando,
conseguindo a penetração.

Tonto de prazer, deixei que ela tomasse toda a iniciativa. Senti seu
buraco ceder rapidamente à pressão e minha glande ir se comprimindo e
avançando, conquistando o ocupando espaços.

-- Que tesão! -- suspirei, ofegando.

-- Eu o sinto em mim... É gostoso -- falou ela, fogosa.

Toquei seus seios, acariciando-os, enquanto ela rebolava em meu
cacete. A cada movimento, eu me sentia penetrar um pouco mais em seu
corpo.

-- Oh! Sim! -- gemeu ela, quando a cabeça do membro entrou toda em seu
ânus..

O calor intenso de suas entranhas provocou-me um prazer inesperado.
Sentir o pau no cu de uma mulher sempre foi uma sensação arrepiante
para mim.

-- Gosta? -- perguntei.

-- Sim, é demais!

-- Quer pôr mais?

-- Sim... Vou pôr tudo...

-- Sim, tudo...

Rebolado sempre, com uma pressa contida, ela foi empurrando a bunda
contra o meu cacete, que lentamente foi se afundando dentro dela,
penetrando-a.

-- Oh, querido! Que delícia! -- explodiu ela, quando meu caralho
finalmente se enterrou todo dentro dela.

Ficamos os dois imóveis, apenas sentindo o prazer da posse. Eu me
relaxei sob ela, à espera de seu próximo movimento.

Muriel soluçava, com lágrimas de tesão nos olhos, o corpo
estremecendo, os músculos da bunda se contraindo ritmadamente,
apertando meu caralho.

-- Está gozando? -- indaguei.

-- Sim, por todos os buracos de meu corpo... -- disse ela, erguendo-se
lentamente.

Meu pau deslizou por suas pregas, até que a glande quase escapasse.
Muriel voltou a sentar-se na minha vara e ela se introduziu totalmente
no buraquinho faminto.

-- É uma loucura... Um tesão... Uma delícia -- repetia ela, voltando a
fazer o mesmo movimento, subindo e descendo.

Um movimento que foi ganhando ritmo e velocidade, até que ela
cavalgou-me, entre gemidos e murmúrios. Eu me senti próximo do
orgasmo, com as torneiras de porra prestes a se abrirem para jorrar no
interior de Muriel todo o meu tesão.

Nesse momento acordei, com o coração aos pulos, o caralho doendo de
tanto tesão, as mãos tateando a cama em busca do corpo de Muriel.

Minha namorada acendeu a luz e olhou-me sonolenta.

-- O que houve? -- indagou, assustada.

Eu fiquei imóvel por algum tempo, parado, ofegante, voltando à
realidade. O sonho com Muriel parecera tão real que eu ainda podia
sentir e minhas mãos o contato com sua chana raspada e sem pêlos.

-- Foi um pesadelo? -- insistiu ela, encostando-se em mim e sentindo
meu caralho endurecido. -- Um pesadelo erótico? -- acrescentou,
jogando o lençol para o lado e escorregando pela cama para ir esfregar
meu pau em seu rosto.

-- Mais ou menos...

-- Quem estava com você em seu sonho? Era eu?

Hesitei para responder. Ela percebeu que não fora com ela.

-- Com quem foi? -- indagou.

Olhei para o meu caralho duro que latejava de tesão, depois para o
corpo nu de Minha namorada. Por momentos julguei ver ali, em minha
frente, o corpo tentador de Muriel.

-- Não vai me contar? -- continuou ela, subindo em mim e sentando-se
em minhas coxas.

Suas nádegas roliças e firmes me fizeram lembrar do sonho e eu desejei
aquele rabo tentador. Ela segurou meu pinto e ficou esfregando-o
contra sua xoxota, molhando-o e lubrificando-o.

Inesperadamente, ela enfiou meu pau em sua buceta. Debruçou-se sobre
mim, rebolando os quadris, enquanto os erguia e abaixava. Eu me
afundava e saía de sua chana ardente.

-- Já que não quer me contar, quero que faça comigo o que estava
fazendo com ela, seu puto! -- ordenou ela.

Abracei-a. Fechei os olhos e me concentrei nos seus movimentos e em
sua xoxota, engolindo e soltando meu membro, pressionando-o,
massageando-o com deliberadas contrações musculares.

-- O que estava fazendo com ela? -- continuou Minha namorada.

Deslizei as mãos pelo corpo dela.

-- Quer mesmo saber?

-- Sim, o que era? -- apressou-se ela em perguntar.

-- Eu estava enrabando uma de minhas pacientes...

-- Filho de uma cadela. É isso que quer? Foder o meu rabo?

-- Sim, quero comer o seu rabo... Não sabe quanto eu quero isso...

Ela me beijou e lambeu provocantemente, enquanto erguia os quadris e
deixava meu pau escapar de chana. No momento seguinte o sonho se
tornou realidade. Rebolando e se agitando, minha namorada encontrou o
melhor ângulo de penetração e, sentou-se em minha vara. Fechei os
olhos e me concentrei na penetração.

-- Era isso que você queria? -- indagou ela, começando a se mover,
subindo e descendo.

Toquei os seios dela, apertando-os em minhas mãos, beliscando os
biquinhos eriçados. Ela se movia com ritmo, devorando meu caralho.
Arrepios invadiram meu corpo.

Eu me abracei ao seu corpo, beijando seu pescoço, enfiando minha
língua em seu ouvido. O prazer aproximava-se rapidamente

-- Vou gozar... É tesão demais... -- murmurei, com a voz sumida, quase
desmaiando de tanto desejo.

Minha namorada não quis ficar para trás. Seus movimentos se tornaram
frenéticos. Ela saltava sobre mim. Meu caralho entrava e saía com
força de seu rabo. Ela gemia alto. Sua respiração era entrecortada.

Abracei-a com força e coordenei meus movimentos aos dela. Meu caralho
pareceu inchar-se dentro dela, antes de começar a pulsar
espasmodicamente, injetando porra dentro dela.

Abri os braços e mordi a ponta do travesseiro para não urrar, de tanto
prazer. Acho que desfaleci ao gozar, tamanha foi a sensação que me
dominou.

Dessa noite em diante, jamais consegui outra ereção.



Capítulo 4



Consulta inicial

Paciente: Samantha Jones.

Síntese: Obsessão de caráter sexual.

Diagnóstico: Desejo reprimido.

Eu estava interessada naquele homem. Era empregada na casa, cuidava de
seu filho, já que sua esposa havia falecido na parto, mas isso não me
impedia de ter desejo. Eu sentia tesão por ele e não conseguia evitar.
Isso foi se tornando uma obsessão para mim. Acho que tudo se
precipitou naquele sábado.

Pela manhã, quando ele saiu para o clube, fui até o quarto dele,
enorme, com um armário cheio de roupas, um banheiro imenso, com
hidromassagem, aparelhos de ginástica e muitas plantas.

Cheirei as toalhas, procurando o cheiro dele. Depois vasculhei a
gaveta de roupas sujas. Encontrei uma cueca usada. Apertei-a contra o
rosto, cheirando o perfume mais íntimo daquele homem.

Fiquei alucinada. Ali mesmo, no banheiro dele, esfregando a cueca no
rosto, nos seios e nas coxas, bati uma inesquecível punheta. Pensei
que tivesse jogado fora todas as minhas chances com ele, mas me
enganara. À tarde, Jones, o mordomo, me procurou, assim que o bebê
dormiu a sesta da tarde.

-- O patrão pediu que lhe levasse uma garrafa de champanhe até o
quarto. Não tenho nenhuma copeira disponível. Pode fazer isso, por
favor? -- indagou ele, pondo a bandeja em minhas mãos, antes que eu
fizesse qualquer coisa.

Olhei-o com atenção. Havia um ar de cumplicidade e malícia no seu
rosto sério, quase impenetrável. Examinei a bandeja. Uma garrafa de
champanhe, num balde de gelo, e duas taças. Eu sabia que ele estaria
sozinho. Por que duas taças?

Antes de ir para o quarto dele, fui até o meu e, diante do espelho,
retoquei os cabelos, arrumei o uniforme, enrolando um pouco mais o cós
da saia para ela ficar mais curta, adotei meu ar mais ingênuo e fui
para lá.

Quando entrei no aposento, ouvi o barulho da hidromassagem. Pé ante pé
fui até a porta. Ele estava deitado, coberto de espuma, na água
agitada. Seu olhar cravou-se em mim e, confesso, arrepiei-me toda.
Havia desejo naquele olhar. Eu sabia que ele ia me comer naquela
tarde, se eu deixasse, e isso me excitou muito. Minha xoxota melecou
toda naquela arrepio.

Continuei, porém, com meu ar de virgem desamparada e assustada.
Depositei a bandeja junto à banheira, ao alcance dele.

-- Por favor, sirva-me uma taça -- pediu ele, com voz tranqüila, mas
arrepiante.

Fiz o que ele pedira. Hesitou. Depois, resolvida, estendi até a mão
dele. Ele segurou a taça e minha mão, tudo junto. Ficou segurando-me.
Pensei que fosse me puxar para dentro da banheira.

-- Não quer experimentar? -- convidou ele.

-- Não, nunca bebo quando trabalho.

-- Eu não me referia ao champanhe.

-- A que, então?

-- À banheira.

Recuei, deixando a taça na mão dele. Eu era mesmo perfeita. A minha
reação deixou-o encantado. Fiquei olhando aquela espuma e imaginando o
corpo dele nu.

Ele sorriu, seguro de si, mas excitado.

-- Relaxe, Samantha. Acho que precisa de um pouco de champanhe
também... Vamos, beba! Não lhe fará mal...

-- Preciso ir... O bebê poderá acordar...

-- O pequeno All dormiu há pouco, só vai acordar daqui a duas ou três
horas.

-- Mesmo assim, não posso... -- insisti, fazendo menção de me retirar.

-- Espere! -- ordenou ele e não pude resistir ao seu comando.

Voltei-me e encarei-o. Ele mantinha a calma, mas me olhava
devorando-me com os olhos.

-- Tenho observado você todas as noites, quando está adormecida em sua
cama. Tem lindos seios, belas coxas, bunda arrebitada. Vou comer você,
Samantha. E nada que me diga impedirá isso.

Acho que corei naquele momento. Corei de prazer, de desejo, de tesão,
de gozo mesmo. Pude sentir no tom da voz dele o quanto ele me queria e
isso me agradou muito.

Apoiei-me no batente da porta, entontecida. Um calor intenso invadiu
meu corpo. Minha xoxota ardia. Eu queria me despir e correr para a
banheira, atirando-me sobre ele, caçando seu caralho no meio daquela
espuma para brincar com ele e ter muito prazer.

Mas alguma coisa perversa e maldosamente esperta dentro de mim me
mandou resistir. Eu sabia que a estratégia era correta. Vi que ele
tremia de tesão também.

-- Fico louco de vontade de tocá-la, de acariciá-la, de me deitar
junto ao seu corpo e possuí-la. Fico doido de vontade de foder sua
bucetinha, seu cuzinho, sua boca, tudo em você...

Eu tremia cada vez mais, sentindo minha xoxota derreter-se, como se
fosse gelo ao sol, fazendo escorregar a umidade por minhas coxas.

-- Acho que você quer o mesmo. Não gostaria de ver o que tenho a
oferecer? -- falou ele, erguendo-se.

Fiquei sem fala. A espuma que cobria seu corpo foi deslizando pouco a
pouco, revelando músculos sólidos, um peito másculo e cabeludo, um
pênis grosso e longo, que pulsava, duro, apontado para mim, como uma
promessa de longas e loucas horas de prazer.

Ele segurou o cacete com uma das mãos e arregaçou-o para trás,
exibindo a cabeça maciça e avermelhada.

-- Quero enfiar tudo isto dentro de sua buceta, Samantha -- murmurou
ele, rouco de tesão.

Eu quase implorei para que ele fizesse aquilo naquele mesmo momento,
mas fingi estar assustada e corri dali, levando aquela imagem
maravilhosa gravada em minha mente.

Que dia! Como me sufoquei naquela tarde, masturbando-me como uma
louca, pensando naquele corpo, naquele homem, naquele caralho
arregaçado, duro, pronto para mim.

Estava resolvida, no entanto. Enquanto pudesse, eu me satisfaria com
minhas siriricas, esperando o momento certo de dar o bote. Percebia
que poderia acertar a minha vida. Não queria depender o resto de minha
vida de um trabalho, de me sujeitar a horários ou de depender de um
homem qualquer.

Eu queria mais. Achava que poderia ter mais. Aquela mansão me ensinara
o gosto pelo luxo e pela riqueza. Eu aprendera que era possível entrar
numa loja e comprar o que me desse vontade, sem me preocupar com
trocados que fariam falta.

Arthur era o caminho para isso. Eu precisava, porém, dar-lhe o golpe
de misericórdia, levando-o ao cúmulo do tesão, pronto para aceitar
negociar nas minhas bases.

No domingo eu teria a minha primeira folga quinzenal. Combinei com um
amigo para que apanhar em frente à mansão.

Quando ele chegou, buzinou seu carro indiscretamente, chamando a
atenção de todo mundo.

Quando fui ao encontro dele, olhei para trás. Vi Arthur na janela do
quarto, olhando na minha direção. Estava imóvel. Meu amigo veio ao meu
encontro e eu o surpreendi. Lancei-me nos braços dele e beijei-o como
nunca o havia beijado antes, esfregando-me nele.

Ele adorou aquela minha manifestação. Desceu as mãos pelo meu corpo,
até minhas nádegas e coxas. Eu torcia para que Arthur estivesse lá,
assistindo a isso.

Passei o dia na casa de minha mãe, contando-lhe como em breve eu teria
uma promoção e ela não precisaria mais trabalhar como uma louca.

Voltei tarde da noite. Quando cheguei, entrei pela porta dos fundos,
de onde tinha a chave. Passei pela cozinha, pelo living, na direção da
escadaria que me levaria ao andar superior e ao meu quarto.

Antes de subir, notei que a biblioteca estava com a luz acesa e a
porta entreaberta. Estranhei, pois ninguém ficava até tarde ali,
principalmente no domingo.

Imaginei que Jones tivesse esquecido de desligar a luz e fui fazer
isso para ele. Empurrei a porta. Arthur estava em sua escrivaninha e
levantou os olhos para mim. Estava ligeiramente transtornado e entendi
logo. Havia uma garrafa de uísque e um copo diante dele.

Olhamo-nos. Ele me desejando, me comendo com os olhos e eu não
querendo outra coisa senão as pica dele no meio de minha racha.

-- É tarde -- disse ele, num tom de censura.

-- Meu dia de folga -- respondi, apoiando o corpo na porta.

Com as mãos nas costas, fiquei brincando com a chave, até fazê-la
girar. Estávamos trancados ali. Ele reclinou-se em sua poltrona.
Vestia um roupão de seda sobre o peito nu, onde eu percebia os cabelos
negros e enovelados.

-- Vi quando saiu...

-- Verdade?

-- Vi como se atirou para cima daquele sujeito, sua putinha!

Quando ele falou isso, naquele tom, eu me derreti toda. Ele estava
bravo, furioso comigo e isso me encantou, pois demonstrava seu ciúme.
Continuei, porém, olhando-o com surpresa e ingenuidade.

-- Não sei do que está falando, Arthur...

-- Vi quando ele passou a mão na sua bunda e nas suas coxas... E você
beijou-o daquele jeito... Não entendo... Uma garota linda e gostosa
como você, que poderia ter tudo... Com um sujeito como aqueles... Não
dá para entender! E ainda diz que é virgem...

-- Mas eu sou virgem -- protestei, com veemência.

-- Está mentindo... Mentindo descaradamente... Uma garota como você
foi feita para alguém que saiba desfrutá-la e valorizá-la...

-- Como quem, por exemplo?

-- Como eu...

-- E o que o faz diferente dos outros? -- continuei, com ar de
desafio.

-- Tenho dinheiro e sou charmoso. Tenho educação, sei apreciar as
coisas finas. Posso lhe dar todo com que jamais sonhou...

-- Como um apartamento de quarto e sala barato e alugado?

-- Eu compro um bom apartamento para você.

-- E como vou mantê-lo com meu salário de babá?

-- Eu a ajudo... Dou-lhe dinheiro... Cartões de crédito... Uma conta
bancária... O que precisar...

-- E para ter tudo isso eu...

-- Só tem que ser boazinha para mim, Samantha. Veja, veja o que vou
fazer -- disse ele, abrindo a gaveta e apanhando seu livro de cheques,
assinando meia dúzia deles, em branco.

Destacou-os e atirou-os sobre a mesa.

-- São seus. Preencha o valor que julgar necessário para satisfazer
seus gostos. Quer um apartamento? Use este cheque -- disse ele. --
Quer um carro? Use este outro. Roupas? Jóias? O que mais? --
finalizou, recolhendo as folhas e abrindo-as como um leque.

Eu teria dado de graça para ele, mas estava começando a ficar esperta
na vida. Precisava me cuidar. Havia acertado com Arthur. Ele estava me
dando a vida que eu sempre pedira.

-- Quem me garante que amanhã cedo você não cancelará estes cheques?
Quer se aproveitar da minha inocência, depois me expulsará daqui como
uma cadela vadia.

-- Oh, Samantha! Será que não entende que estou louco por você? --
murmurou ele, levantando-se e vindo na minha direção.

Apoiei-me na porta. Se ele me tocasse, eu sabia que não resistiria e
me entregaria ali mesmo.

Diante de mim, ele dobrou as folhas de cheques e enfiou-as em meu
decote.

-- Saia amanhã. Compre um apartamento. Decore-o a seu gosto. Tem uma
semana para fazer isso. No domingo nós nos encontraremos de novo e
você provará a sua gratidão. Mas cuidado! Não tente ser mais esperta
do que eu. Nada do que faça a livrará de mim, garota. Posso esperar.
Vou esperar. Mas terei o que paguei para ter e posso ser muito cruel,
se for enganado -- avisou ele.

Eu percebi, pela abertura do roupão, o caralho dele surgindo duro e
gostoso, arrepiando-me.

Ele se encostou em mim. Repuxou meu vestido. Enfiou o pau entre as
minhas coxas. Era quente e delicioso. Arrepios me invadiram. Eu fiquei
imóvel e trêmula, desejando que ele arrancasse a minha calcinha e me
fodesse ali mesmo.

Ao invés disso, ele recuou um passo e começou a se masturbar, olhando
para mim.

Eu sentia aqueles cheques entre meus seios. Via o desejo nos olhos
dele. Achei que seria justo da minha parte dar-lhe uma amostra do meu
potencial.

Avancei até ele. Ajoelhei-me. Segurei seu caralho. Massageei-o com
meus dedos finos e delicados. Lambi a glande exposta. Mordisquei a
carne maciça. Enfiei-o todo em minha boca e Arthur estremeceu,
sufocando um gemido do mais puro prazer.

Deliciei-o com minha língua e meus lábios, sugando seu caralho,
lambendo e arranhando seus bagos, mordiscando sua barriga e beliscando
suas nádegas.

Enfiei um dedo no cu dele, fazendo-o rebolar. E chupei, chupei até que
ele gozasse e enchesse a minha boca de porra. Que delícia! Engoli
aquele néctar com um prazer enorme, depois recuei, batendo em retirada
imediatamente, deixando-o ofegante e surpreso com meu desempenho.

Fui para o meu quarto, despi-me rapidamente e me sentei no bidê. Abri
o jato de água morna direto em meu clitóris e fiquei ali, tremendo e
gozando, pensando em Arthur, pensando nos cheques e no que poderia
fazer com eles.

No dia seguinte não foi difícil convencer Jones a me dar uma nova
licença. Disse que estava doente e que precisava ir a um médico. Ele
apenas sorriu com malícia e cumplicidade.

Procurei na lista telefônica uma imobiliária, a mais conceituada. Fui
até lá. Pedi um apartamento até certo ponto modesto, pois não conhecia
direito o tamanho da fortuna de Arthur e não queria correr o risco de
ter o cheque devolvido.

Eu não precisava mais do que aquela elegante e agradável cobertura de
dois quartos, num modesto, mas privilegiado condomínio na Park Avenue.

Gastei um pouco de dinheiro para completar a mobília e assim foi-se o
meu segundo cheque. Depois comprei roupas e gastei o terceiro. Com o
quarto eu abri uma conta bancária e ganhei um cartão de crédito do
banco.

Quando voltei para casa, naquela tarde, fiquei ansiosa para encontrar
Arthur e demonstrar-lhe toda a minha gratidão. Ele não apareceu, no
entanto, e isso me incomodou de certa forma. Ele não apareceu naquele
dia nem nos outros. Eu não o via mais.

Na sexta-feira pedi demissão. Arthur não aparecera. Jones nem insistiu
para que eu ficasse. Penso que sabia exatamente o que estava
acontecendo. Fui para o meu apartamento e tomei um porre de vinho para
comemorar minha nova vida.

No sábado fui às compras. Tinha meu próprio talão de cheques e um
cartão de crédito, tudo o que uma garota de dezoito anos precisava
numa cidade como Nova Iorque. Senti-me bem, muito bem mesmo. Deitei-me
em minha cama, quando voltei. Apanhei o telefone. Disquei para a
mansão Holly, pedindo para falar com o Sr. Holly.

-- E então, está feliz? -- indagou ele, quando me identifiquei.

-- Oh, Arthur, estou sonhando!

-- Fico feliz com isso, querida.

-- Quando virá me ver?

-- Que tal amanhã, domingo?

-- Eu vou adorar... A que horas virá?

-- Cedo, bem cedo, querida, sua campainha irá tocar.

Eu mal podia esperar por isso.

No domingo, fui esperá-lo na portaria. Quando ele chegou, fomos para o
elevador. Assim que a porta se fechou, ele me agarrou, beijando-me
apaixonadamente.

-- Quero fodê-la, Samantha... Estou louco por você... para enfiar meu
cacete na sua buceta... Ah, como que quero comer você, minha putinha
malvada...

Enquanto ele falava, eu fiquei imaginando-o nu, junto de mim, de mim,
com aquele caralho gostoso e grosso enfiado entre as minhas coxas.

-- Deixa eu sentir sua bucetinha -- disse ele, num suspiro apaixonado,
enfiando a mão pelo elástico da calcinha, roçando meus pêlos e indo
esfregar minha xoxota.

Eu estremeci. Jamais vira alguém com tanto tesão e isso me deixava da
mesma forma, excitada ao máximo.

Ele continuou com aquele dedo enlouquecedor, introduzindo-se
parcialmente em minha xoxota, fazendo movimentos lentos de vaivém,
roçando meu clitóris, provocando uma tensão enorme em meu corpo
virgem.

Em minha mão em comprovava sua excitação. Seu caralho ameaçava romper
o tecido da calça, de tão duro que estava. Apertei-o. Depois fiquei
esfregando a mão por cima.

Arthur suspirava e uma expressão de inegável prazer estampava-se em
seu rosto.

-- O que você fará comigo? -- indaguei, apenas para provocá-lo.

-- Vou despí-la pouco a pouco... depois vou lamber suas tetinhas...
Chupar sua bucetinha... Deixá-la tão excitada que vai suplicar para
que eu a coma...

-- Promete pôr devagarinho?

-- Sim...

-- Com todo carinho?

-- Claro, amor.

-- E se doer?

-- Eu tiro...

-- Promete?

-- Prometo, meu amor. Mas não vai doer, você verá...Já não fez isso
antes?

-- Não, eu juro... Sou mesmo virgem...

-- Eu ponho só a pontinha? Se doer e você não quiser, eu tiro...
Prometo que tiro...

-- Acho que se você me excitar bastante e deixar minha chana bem
lubrificada, não vai doer. Mas você terá de caprichar. Vai me lamber
inteirinha. Vai enfiar sua língua maravilhosa em minha xoxota, não
vai?

-- Vou lamber até o seu cuzinho, meu bem...

-- Também?

-- Sim, quero morder sua bunda, fazer de tudo que for gostoso para
nós...

Eu estava trêmula e meio tonta de tanta excitação. Aquela foda me
parecia promissora, cheia de novos encantos e novas descobertas.

Fiquei com um tesão sem tamanho em meu corpo, pondo-me extremamente
sensível.

Abaixei o zíper da calça dele e puxei o pênis para fora. Fiquei
brincando com ele, enquanto Arthur brincava com minha chana.

-- Diga que vai trepar comigo -- pediu ele, a voz rouca e trêmula de
tesão, alterada pelo desejo e pela paixão. -- Prometo que serei gentil
com você... Prometo que vai sentir coisas que jamais sentiu antes...

-- Sim, eu quero -- respondi, sem esconder o quanto eu também desejava
aquilo.

Continuei masturbando-o suavemente, sentindo a rigidez de sua pica,
enquanto o elevador subia silenciosamente.

Pouco depois chegávamos ao apartamento. Quando eu o abri, ele me tomou
nos braços e me levou direto para o quarto, onde me abraçou e me
beijou ardentemente. Suas mãos envolveram meu corpo com força e
desejo. Senti sua língua brincar em minha boca e, depois, suas mãos
subirem pelo meu corpo, envolvendo meus seios, pressionando-os
carinhosamente.

-- Vou fazê-la feliz... Muito feliz... -- disse ele e eu tremia toda,
de excitação, de expectativa, de desejo, de medo, de tudo, afinal.

Eu empurrei para os lados as alças do meu vestido e me virei de costas
para ele.

-- Ajude-me com o zíper -- pedi-lhe.

Arthur desceu lentamente o fecho, desnudando minhas costas. Beijou-me
ali. Seus beijos eram ardentes, molhados, excitados. Sua língua lambeu
a minha pele, subindo para a minha nuca, enchendo-me de arrepios.

Suas mãos penetraram pela abertura até meu ventre, fazendo-me contrair
o corpo.

As mãos subiram para os seios, empurrando o sutiã. Ele beliscou meus
mamilos durinhos, apertou minhas tetas possessivamente, enquanto seu
hálito arrepiava a minha nuca e meus ombros.

Uma das mãos desceu pelo meu ventre, penetrou pela calcinha e foi se
esfregar em minha xoxota molhada. Uma das mãos em meus seios, a outra
em minha chana, o hálito, a língua e os beijos em minha nuca e ombros
me fizeram gozar rapidamente. Estremeci toda, sentindo espasmos
contínuos no ventre. Minha respiração sumiu e eu fiquei sentindo
aquela coisa gostosa que me deixava mole inteiramente.

Deixei o corpo pender para trás, encostando-me nele. Arthur beijou-me
o pescoço. Sua língua brincou em meu ouvido, acentuando meus arrepios.
Seu hálito apressado, seus murmúrios de tesão, tudo me alucinava.

Eu queria aquele homem. Queria sua pica dentro de mim, sua língua em
meu ânus, seus dedos em meu corpo todo. Queria sua boca me beijando,
me chupando os seios, me sugando a xoxota. Queria tudo dele. Tudo
mesmo.

-- Vou me despir -- falou ele, após uma última lambida em minha nuca.

Meu corpo tremia e ardia de tesão. Despi-me rapidamente. Quando ele
tirou os sapatos e levantou os olhos para mim, percebeu que eu já
estava completamente nua, à espera dele.

-- Oh, Samantha, você é linda -- exclamou ele, quando eu subi na cama.

Deitei-me numa pose bem sensual, olhando-o com olhos apaixonados.
Arthur começou a se despir. Primeiro a camisa, desnudando o tórax
másculo e forte. Depois a calça, exibindo as coxas grossas e peludas
que eu adorava. O volume em sua sunga traía sua excitação.

Ele se livrou desta última peça. A luz do sol, varando as cortinas da
janela, rebrilhou em seu caralho, grosso, duro, longo, cheio de
volúpia e luxúria.

Só de vê-lo totalmente nu, daquela forma, já me fez gozar de novo. Um
gozo intenso, que me fez apertar as coxas e ficar tremendo, enquanto
ele caminhava para mim e se ajoelhava ao meu lado.

-- O que você quer primeiro? -- perguntou.

-- O que você oferece?

-- Tem algo que eu sempre quis fazer quando a via nua, com aquela
rachinha desejada em sua calcinha... -- disse ele, a voz rouca e
trêmula de paixão.

-- O que é?

-- Enfiar a minha língua na xoxotinha da minha virgenzinha... Provar o
sabor de seu cabaço...

-- Seus desejos se tornam realidade -- afirmei, deitando-me,
flexionando as pernas e abrindo-as, oferecendo a minha buceta
orvalhada de tesão.

Ele gemeu de prazer e debruçou-se entre as minhas coxas. Senti seu
hálito forte e quente em minha xoxota. Estremeci. Gozei. Delirei. Gemi
como uma loba, uivando para a lua, quando sua língua ficou brincando
lá dentro de mim.

Agarrei-lhe os cabelos e apertei-o contra mim. A língua morna era uma
serpente viva movendo-se em minha chana, proporcionando-me uma
seqüência inesperada e inesquecível de orgasmos.

-- Oh, Samantha, que deliciosa é sua bucetinha... Que gostoso é o seu
cabacinho... Sinto-o na ponta de minha língua... Não vejo a hora de
arrancá-lo... De enfiar nele meu cacete.... De gozar lá dentro de
você, enchendo de porra sua chaninha apertada e perfumada... --
murmurou ele.

Arthur se movia entre as minhas coxas, as mãos subindo e descendo pelo
meu corpo, cada vez mais possessivas e mais exigentes.

-- Sim, querido... Sim... Enfia tudo... Está bom... Muito bom... É
demais...-- gemia eu, as mãos apertando-o contra a minha vagina,
enquanto aquela língua incansável ia e vinha, lambia, esfregava,
girava, roçava, levando-me à loucura.

Difícil dizer quantas vezes gozei. Gozava cada vez mais, mais forte,
mais prolongado, imaginando o que haveria no final de tudo aquilo.
Essa expectativa me deixava tensa e doida de tesão e desejo.

Ele percebia o quanto eu gozava e insistia com a língua. Minha chana
estava mais do que lubrificada. Eu continuava gozando, mas esperando
pela entrada triunfal daquele cacete. Queria brincar com ele, chupá-lo
também.

-- Posso pôr agora? -- indagou ele e eu percebia o quanto ele estava
excitado.

Eu nunca tinha chegado àquele estado. Estava descobrindo coisas. Não
queria terminar logo. Não tinha pressa. Queria aproveitar tudo.

-- Não, Arthur, ainda não... Quero brincar com sua pica primeiro --
pedi-lhe, emocionada.

-- Não agüento mais de tesão... Posso gozar em sua mão...

-- Não, segure-se, querido... Venha... Deite-se... -- ordenei-lhe e
ele me obedeceu.

Eu nunca vira um caralho tão duro, com a cabeça tão inchada e maciça.
Apertei-o entre meus dedos. Masturbei-o lentamente, para que ele não
gozasse. Eu queria que ele chegasse também ao limite do tesão, que
ficasse à beira de explodir.

Sentei-me sobre suas pernas, segurando-lhe o pênis com as duas mãos.
Inclinei-me.

Lambi a cabeça inchada, umedecendo-a com minha saliva. Enfiei-o em
minha boca, fazendo-o esfregar-se lá dentro. Masquei-o entre meus
dentes. Joguei-o de uma bochecha à outra. Arranhei-lhe o saco com
minhas unhas. Ele gemia e movia instintivamente os quadris, indo e
vindo com seu caralho entre meus lábios.

Eu me excitava cada vez mais com a excitação dele, que às vezes
estremecia e segurava minha cabeça, imobilizando-me. Acho que chegava
à beira do gozo e interrompia meus movimentos. Queria a minha chana.
Queria a minha virgindade. E eu o queria.

Soltei o caralho e fui beijar sua boca, avançando meus quadris, quase
sentando em sua piroca. Ele gemia, com a língua dentro de minha boca,
enroscada na minha. Movi os quadris. Encaixei seu pinto bem no rego de
minha bunda, encima do meu cu. Pressionei, apenas para provocá-lo.

-- Oh, Samantha, assim você me mata -- disse ele, agarrando-me pela
cintura e forçando.

Senti que sua pica alargava as pregas do meu cu, querendo entrar.

-- Não, aí não -- reclamei, batendo em retirada, muito embora o tesão
sentido fosse intenso e diferente.

Antes de mais nada, eu queria cuidar de minha virgindade. A partir
dela, eu aprenderia todo o resto.

-- Samantha... Vem... Não agüento mais... -- pediu ele.

Da forma como eu estava sobre ele, segurei-lhe o pênis e apontei-o
para a minha chana. Forcei, sentindo-o entrar suavemente, deslizando
pelos lábios lubrificados.

Uma deliciosa vertigem me assaltou. Algo que eu nunca tinha
experimentado antes, que me deixou aflita e ansiosa, desejando logo
ter todo ele dentro de mim.

-- Livre-me deste cabaço, meu tesão! -- pedi-lhe.

Ele golpeou inesperadamente, com um movimento de quadril e lá se foi
meu cabaço, quando o caralho dele se enterrou todo em minha buceta.

Fiquei ali, estremecendo e gozando, como os pêlos dele se confundindo
com os meus, roçando a minha bunda. Só aquele prazer intenso e
prolongado já teria sido suficiente para mim. Mas eu ainda não tinha
descoberto nada.

Excitado como estava, Arthur moveu-se sob mim em movimentos potentes.
A cada estocada, era como se ele bombeasse o ar de meus pulmões para
fora.

Fui ficando alucinada, numa vertigem louca. Apertei seus mamilos,
beijei-o e mordi-o, enquanto ele gemia e saltava como um louco, comigo
sobre ele, com a pica enterrada gostosamente em minha buceta.

Acho que experimentei naquele momento a sensação de ser um domador de
potros xucros. Só que eu era o cavaleiro. Aquele cacete me fez arder e
delirar, gemer e gritar de tesão, até que tudo explodiu em minha mente
e eu senti que meu corpo se desfazia, transformado em luar.

Meu cavalinho fodedor imobilizou-se, num gemido profundo e prolongado,
o corpo todo arqueado. Senti, então, aqueles jatos quentes dentro de
mim. Seu esperma inundou minha xoxota, transbordou, escorreu para o
corpo dele, misturando nossos cheiros.

Fiquei imóvel sobre ele, contraindo instintiva e ritmadamente a minha
chana, extraindo até a última gota de porra da pica dele.

Depois tombei sobre seu corpo. Ele me abraçou e me beijou
demoradamente. Eu chorei de felicidade e de gozo.

A partir desse dia, jamais voltei a dormir em paz novamente. O que
posso fazer para me curar dessa terrível insônia?



Capítulo 5



Consulta inicial.

Paciente: Bill Hammond.

Síntese: Confusão mental e fixação.

Diagnóstico: Desejo reprimido e impotência.

Comecei, de repente, a me preocupar com o meu passado. Surpreendi-me
revendo meu álbum do colegial, procurando entre outros rostos o de
Kathy , a minha namorada no último ano.

Senti saudades dela. Comecei a pensar muito em Kathy. Sou segurança
numa firma de computadores. Tudo aconteceu na sexta-feira passada. Era
madrugada e eu fazia uma ronda naquele dia, substituindo um colega.

Passei pela sala das secretárias. Ali estava Kim, uma garota nova. Ao
vê-la, estremeci. Ela se parecia com Kathy. Era a própria Kathy.
Imagine a confusão que se formou em minha cabeça. Era muita
coincidência.

Cumprimentei-a.

-- Fazendo serão? -- indaguei.

-- Sim -- respondeu ela, espreguiçando-se.

Mexeu em sua bolsa e retirou um cigarro. Levantou-se e caminhou na
minha direção.

-- Tem fogo? -- indagou.

-- Sim, claro -- respondi, acendendo-lhe o cigarro.

Kim continuou parada ali na porta, sem se mover. Olhando-a, na
penumbra, eu percebia como era notável sua semelhança com Kathy.
Talvez o formato do cabelo, a mesma altura, não sei.

-- Estou com cólicas -- disse-me ela.

-- Tensão pré-menstrual?

-- Não, menstruei na semana passada. Pode me examinar?

-- Claro -- concordei, sem, malícia alguma.

Antes que eu desse por fé, ela começou a tirar a roupa, recuando até
um sofá. Além da lâmpada acesa em sua mesa, não havia outra
iluminação, a não ser aquela do corredor.

Fiquei constrangido, olhando seu corpo na penumbra.

-- Terei que acender a luz -- eu disse.

-- Sem problema -- concordou ela.

Fiz isso, depois aproximei-me do sofá. Kim olhava-me com olhos
brilhantes e eu não percebi nenhum subentendido em seu modo de agir.

Olhei seu ventre. Vi a marca do elástico da calcinha em sua pele. Ela
estava nua, completamente nua. Isso abalou-me, principalmente por
acontecer naquele momento, em que eu pensava tanto em Kathy.

Deslizei o olhar pelos seios de Kim. Eram redondos, perfeitos, rijos,
com biquinhos salientes. Estavam enrugados e destacados. Eu toquei o
ventre dela, apalpando-o, tentando sentir algum alguma anormalidade na
região do apêndice.

Observei a pele dela quando a toquei. Ela se arrepiou toda. Os
biquinhos de seus seios tornaram-se ainda mais salientes, como
pequenas uvas rosadas.

Isso me incentivou. Fui apalpando e deslizando a mão, subindo até seu
umbigo, depois descendo um pouco mais, até a linha do púbis, onde os
pêlos começavam a enovelar-se.

-- Quando fez seu último exame ginecológico? -- indaguei.

-- Há um seis meses.

-- Alguma coisa?

-- Não -- respondeu ela e sua voz era ofegante.

Ela mantinha os olhos grudado sem mim, perturbando-me. Movia-se de um
modo estranho, traindo a excitação de seu corpo. Baixei os olhos um
pouco mais, vislumbrando os pêlos e o princípio de sua vulva.

O perfume de mulher excitada chegou a minhas narinas, espicaçando-me.
Meu caralho reagiu imediatamente, subindo.

-- Como são as dores? -- indaguei, a ponta do dedo tocando a chana
dela, fazendo-a contrair-se e arrepiar com um suspiro prolongado que
fez tremer todo o seu corpo.

Ela apertou os olhos e os lábios, prendendo a respiração. Ou eu estava
enganado ou ela estava gozando.

-- Como está sua vida sexual? -- indaguei.

-- Uma merda! -- respondeu ela, de olhos fechados ainda. -- Meu
namorado só me excita... me excita... Acho que estou ficando louca...
-- acrescentou, com a voz trêmula.

Desci o dedo um pouco mais, percorrendo toda a extensão de sua vulva.
Ela ofegou e estremeceu mais forte. Toda a sua chana estava molhada,
altamente lubrificada.

-- O diagnóstico é claro, Kim -- disse eu, mantendo meu dedo em sua
chana, indo e vindo numa carícia que a mantinha tremendo e arrepiada.

-- E o que é?

-- Tesão encravado.

Ela ficou uns instantes em silêncio, olhos fechados, lábios apertados,
estremecendo e respirando pesado.

-- E como se cura isso?

-- Com uma boa pica no meu da racha, Kim. Acho que devia exigir mais
de seu namorado -- sugeri.

-- Ele é um bolha... Acho que preciso de quem me dê um remédio de
verdade -- disse ela, a mão tocando a minha coxa e subindo, até pousar
no volume rijo sob minha calça.

Seus olhos se abriram, revelando surpresa.

-- Eu o deixei com tesão? Está com tesão por minha causa? -- indagou
ela, abaixando o zíper da calça e retirando meu cacete para fora.

Ficou apertando-o e masturbando-o com deslumbramento.

-- Ele gosta de ser masturbado apenas... E você?

-- Gosto de gozar numa chana ou num rabo bem apertado.

Ela estremeceu de tesão, apertando meu cacete com força.

-- Posso vê-lo? -- pediu ela.

Eu sorri, concordando e expus aos seus olhos deslumbrados meu caralho,
com a glande descoberta e avermelhada, as grossas veias intumescidas
indicando sua potência.

-- É tão grosso... E tão comprido... Nossa! -- murmurou ela, com a voz
rouca, apertando-o agora com as duas mãos.

-- O de seu namorado não é assim?

-- Não, de jeito nenhum... O seu é melhor... maior... mais grosso...
mais comprido... mais bonito... mais tesudo...

Olhei-a. Estava trêmula e arrepiada. Não havia dúvida. Seu namorado
vinha excitando-a constantemente, sem criar mecanismos de satisfação
para ela.

Kim vinha acumulando tesão em seu ventre que se manifestava na forma
daquelas cólicas. Eu estava certo de que, com uma só aplicação local
eu a curaria.

Primeiro, no entanto, teria de esperar até que o seu deslumbramento
passasse. Ela não cessava de alisar meu pau, de apertar, de passar a
mão e me fazer arrepiar de tesão também.

Ela se posicionou melhor. Esfregou meu caralho em seus cabelos, na
testa, nos olhos, no nariz, nos lábios, na orelha, depois no pescoço,
entre os seios, retornando à boca para beijá-lo e lambê-lo com a
pontinha da língua.

-- Você o quer, Kim?

-- Sim, eu o quero...

-- Onde?

-- Em tudo... De todo jeito...

-- Você é virgem? -- indaguei.

Ela me olhou surpresa, como se tivesse sido pega em flagrante
cometendo um crime, depois virou-se para o lado, pôs o travesseiro na
cabeça e começou a soluçar.

-- Ei, o que foi? -- indaguei.

-- Vocês são todos iguais... -- reclamou ela.

-- Iguais por quê? -- perguntei, segurando-a pelos ombros e
obrigando-a a olhar-me. -- Do que está falando, afinal?

-- Pensei que vocês homens gostassem... -- soluçou ela, chorando.

-- Gostasse do quê?

-- De um cabacinho... É por isso que meu namorado não me come...
Porque sou virgem... E você pensa e age da mesma forma.

Fiquei maravilhado. Havia muito tempo não sabia o que era comer um
cabacinho. Debrucei-me sobre ela para ficar com meu rosto quase colado
ao dela.

-- Você é virgem? Verdade?

-- Sim, por quê?

-- E quer dar seu cabacinho para eu comer? -- continuei, com
deslumbramento.

-- Sim... Você quer? -- falou ela, parando de soluçar.

-- Eu vou adorar isso, querida -- falei eu, beijando-a ardentemente.

Ela se abraçou a mim, enroscando-se toda, demonstrando todo o fogo
apaixonado que ardia em seu corpo.

-- Diga que é verdade, que não está mentindo... -- pediu ela,
desesperada.

-- Não, não estou mentindo...

-- Vai me comer mesmo?

-- Sim, com o maior prazer.

-- Vai me tirar o cabaço?

-- Pode ter certeza disso...

-- Com este pinto gostoso? -- continuou ela, apertando e alisando meu
caralho com as duas mãos, enquanto eu lambia seus seios e chupava os
biquinhos salientes.

Sua pele estava eriçada. Constantes arrepios percorriam-na. Ela não
parava de tremer. Sua voz estava rouca. Seu hálito mais perfumado. De
sua chana subia aquele perfume inconfundível, o mais poderoso dos
afrodisíacos.

Estava tudo na minha mão... E eu não consegui comê-la.



Capítulo 6



Consulta inicial.

Paciente: Gerald Foster.

Síntese: Solidão e angústia.

Diagnóstico: Típico caso de carência emocional.

Minha namorada teve de fazer um viagem à Europa, por isso eu ficaria
sozinho por algum tempo. Estava às voltas com o problema de saúde de
seu pai e eu não tivera mais tempo para mi. Tínhamos uma vida sexual
muito ativa, por isso senti sua ausência, acumulando um tesão enorme
dentro de mim.

Aquele tesão que eu sentia por ela persistia. Bastava olhar para uma
fotografia dela para me lembrar dela e sentir meu caralho formigar de
vontade e revê-la, tocá-la e comê-la.

Certa manhã, meu chefe mandou me chamar.

-- Meu amigo, seu sonho vai se tornar realidade -- disse ele, com
satisfação.

-- Verdade? Vou ganhar um aumento?

-- Deixe isso para lá. Você já ganha mais do que precisa...

-- Mas menos do que mereço...

-- Não discuto isso e você sabe disso. Confio e gosto do seu trabalho.
Pago-lhe bem e deixo-o à vontade em seu trabalho. Mesmo assim, sei que
ninguém é de ferro, por isso você vai ter alguns dias para se preparar
para suas sonhadas... férias!

Quase caí para trás. Eu trabalhava ali havia quase dois anos e jamais
conseguira tirar um final de semana que fosse de licença, quando mais
alguns dias de férias, apesar de ter insistido nisso nos últimos seis
meses quase que diariamente.

Afinal, eu ganhara duas semanas de férias remuneradas e em poucos dias
começaria meu descanso. Eu precisava fazer planos, havia uma porção de
coisas que eu poderia fazer.

Pensei em visitar minha namorada, mas achei que iria incomodá-la
apenas. Estava preocupada demais com a saúde do pai para me dar alguma
atenção.

Assim, resolvi visitar minha cidade natal. Havia alguns amigos de quem
eu gostava muito, principalmente de Jimmy, o Grande, como era
conhecido.

Jimmy fora um de meus melhores amigos, quando estudei o segundo grau.
Era enorme e tinha muita agilidade, força e até velocidade, sendo um
dos ídolos do time de futebol da nossa época.

Jogamos juntos várias vezes. Fomos campeões da Liga Estadual no último
ano do colegial e eu tinha boas recordações daquele safado. Ele
chegara a ir para a Universidade, mas seu pai, que tinha uma rede de
postos de gasolina, morreu inesperada e tragicamente.

Jimmy assumiu os negócios da empresa e se deu muito bem no ramo. Por
isso, quando cheguei à cidade, procurei logo por ele.

Mal pode acreditar quando me viu. Repetimos nossa saudação do tempo do
time de futebol, cantamos algumas canções da torcida da época e nos
abraçamos como dois irmãos.

Estávamos conversando em seu escritório, com uma vista, pela janela
envidraçada, das bombas na parte da frente, quando um carro estacionou
lá fora.

-- Ei, venha comigo! Vamos fazer uma surpresa a uma conhecida -- disse
ele, praticamente arrastando-me para fora da sala.

Aproximamo-nos do carro. Ele me fez ficar um pouco para trás.
Inclinou-se na janela e disse:

-- Olá, Sra. Wilson! Como vai? Gostaria que visse alguém -- disse ele,
abrindo a porta.

Uma mulher desceu. Jimmy apontou na minha direção. Ela se voltou e eu
estremeci. Os olhos dela revelaram incredulidade. Aproximei-me. Era
Heather, minha primeira namorada.

Ela manteve os olhos fixos nos meus. Vestia uma blusa azul, fechada
até o pescoço e uma saia longa, branca. Os cabelos presos no alto da
cabeça não lhe faziam justiça. Eu os conhecera sempre soltos,
emoldurando sua beleza.

Os olhos eram azuis, com leves tons de verde, profundos e serenos, mas
cheios de mistério e calor. Abriu os braços para mim. Eu a abracei,
apertando-a com força contra meu corpo.

-- Heather , querida, você está ótima! -- murmurei ao seu ouvido,
sentindo contra o meu corpo suas formas perfeitas.

Ela nada disse. Apenas ficou me apertando contra o corpo. Percebi que
soluçava, escondendo o rosto em meu ombro.

-- Heather , não fique assim! Sou eu!

Ela foi se afastando devagarinho, com a cabeça baixa. Segurei-a pelo
queixo e a fiz erguer o rosto. De fato ela chorava. Havia lágrimas em
seus olhos e elas os limpou rapidamente.

-- Vou deixá-los a sós, acho que têm muito que conversar -- disse
Jimmy.

-- Não, agora eu não posso, realmente -- falou ela. -- Preciso ir ao
Banco, antes que feche, depois resolver alguns negócios. Mas estarei
livre até a hora do jantar.

-- Vamos jantar juntos? -- convidei-a.

Ela pensou por instantes.

-- Sou uma viúva agora -- disse ela. -- Você conhece o pessoal
daqui... Vão falar...

-- Heather , eles vão falar de qualquer maneira. Eles que se danem,
mulher. A vida é sua -- falou Jimmy, dando-lhe uma dura.

Ela continuou pensativa.

-- Quer que eu vá buscá-la? Poderemos jantar aqui na cidade... --
propus.

-- Não... Jimmy tem razão. Eles que se danem. Espero-o às sete. Moro
na fazenda Wilson, acho que sabe onde é, não?

-- Tom Wilson? Você se casou com ele?

-- Sim... Eu me casei com Tom...

-- E como ele morreu?

-- Caiu do trator... Estava bêbado como um gambá, para variar -- disse
ela, com certo rancor, como se eu tivesse culpa naquela tragédia.

No momento não entendi isso. Ela se foi pouco depois. Jimmy me contou
que ela havia herdado a fazenda do marido e que estava se saindo bem,
apesar de muito trabalho.

-- Está saindo com alguém? -- indaguei.

-- Olhe, para ser sincero com você, meu chapa, só conheci dois homens
que tiveram o privilégio de se deitar com Heather . Um foi você. O
outro foi o velho Tom Wilson. Só que não sei se ele cumpria suas
obrigações de marido, pois deu para beber demais.

-- Tiveram filhos?

-- Não, nenhum.

Fiquei pensando na jovem que eu havia deixado muitos anos antes. Ela
se transformara numa mulher madura e um tanto sofrida, mas eu sabia
que, por debaixo daquela aparência seca, daqueles cabelos presos no
alto da cabeça e daquelas roupas fechadas, havia uma mulher ardente.

Senti arrepios de tesão em pensar que, em breve, eu poderia
redescobrir aquela garota que eu deixara. Estava havia mais de dois
anos. Dava para imaginar o que isso significava para uma mulher como
ela, ardente e fogosa, reprimindo-se, guardando-se para o momento
certo.

Eu torci para que tudo isso aflorasse comigo. Não sabia se aquela
mudança externa que eu notara nela havia se processado também
internamente, o que seria uma pena.

-- Vou procurar um hotel para ficar e... -- ia dizendo eu.

-- Nada feito, meu chapa. Você vai ficar comigo, em minha casa. Tem
mais quartos do que consigo contar -- riu ele. -- Além disso, tenho
duas ou três mulheres trabalhando lá que você precisa conhecê-las.

-- Jimmy, seu safado! Em sua própria casa?

-- E por que não? Pelo menos fica tudo em família.

Ri com ele, apesar de não ter entendido no momento o que significava
tudo aquilo. Um pouco depois, quando fomos para a casa dele, onde
conheci sua encantadora esposa.

Tomei um banho e barbeei-me. Vesti-me esportivamente e usei uma
colônia máscula e sedutora. Eu pretendia jogar pesado com Heather .

Fui um pouco mais cedo, para caminhar com calma e poder observar a
paisagem, matando as saudades que sentia daquele lugar. Fui
reconhecendo os lugares com muita satisfação. Algumas coisas haviam
mudado, outras pareciam ter permanecido congeladas no tempo.

Nos campos, as plantações estendiam-se com regularidade. Eram terras
férteis e produtivas.

Quando me aproximava, tive de reconhecer que era um belo rancho, tudo
muito bem cuidado, com um toque feminino na casa recém-pintada, no
celeiro bem conservado, no silo para guardar o milho, nas máquinas
cobertas com lona para protegê-las da chuva e do sol.

O milharal margeava a pequena estrada que avançava na direção da casa.
Espigas gordas exibiam-se nos pés, prometendo uma boa colheita.

Quando chegava, percebi-a sentada na varanda, numa cadeira de balanço,
olhando para mim. Aproximei-me. Havia no ar um delicioso cheiro de
pernil de porco assado.

-- Pelo menos isso não mudou com o tempo -- disse ela.

-- Isso o quê?

-- Continua um homem pontual.

-- Lembrou-se disso? -- indaguei, subindo a escada até a varanda.

Havia alguns sinais sutis da parte dela, como a colônia insinuante que
usava e o litro de uísque e dois copos na mesinha entre as duas
cadeiras de balanço, junto com alguns salgadinhos.

-- Sirva-se -- disse ela, apontando para a mesinha.

Servi dois copos e estendi um para ela. Quando a deixei, o máximo que
ela bebia era uma cerveja. Mas esta era uma outra mulher. Mais madura.

Examinei-a melhor no lusco-fusco do fim do dia. Vestia uma blusa mais
aberta que a daquela tarde, exibindo agora o colo e o início do vale
perfumado de seus seios.

A saia era longa e rodada, cobrindo até sua canela, enquanto sentada.
Calçava sandálias abertas, deixando ver pés delicados e femininos, com
as unhas pintadas às pressas, mas apresentáveis.

Agora eu podia perceber melhor seu corpo. Em minha mente havia uma
outra imagem, sobrepondo-se e isso me confundia de certa forma.

-- A nós -- brindou ela, tomando todo o conteúdo do copo, para minha
surpresa.

Imitei-a. Ela voltou a encher os copos. Tomou outro trago e repetiu.
Achei estranho.

-- Ei, calma! -- disse-lhe.

-- Como pode me pedir isso, depois do que me fez? -- indagou ela, com
um rancor que parecia ter sido guardado por um longo tempo dentro
dela.

Ela desceu tempestivamente a escada e caminhou pelo pátio da casa, na
direção do milharal. Fui atrás dela, tentando entender por que ela
estava tão brava comigo, após todos aqueles anos.

Alcancei-a logo, segurando-a pelo braço e fazendo-a olhar-me.

-- O que houve, Heather ? O que foi que eu fiz? -- indaguei, aturdido.

-- Não se lembra? -- indagou-me ela, como se eu devesse me lembrar.

-- Não... sinceramente que não...

-- Eu o esperei, sabia?

-- Eu pensei em você, mas... os estudos... a mudança... depois a
residência médica... Eu não tinha tempo para nada...

-- Enquanto isso, eu aqui, esperando por você, confiante em sua
promessa...

-- Que promessa? -- perguntei, intrigado.

-- A promessa que me fez, naquela noite, quando nos despedimos.

-- Sério? E o que eu lhe prometi?

-- Que voltaria para me buscar. Que nada no mundo o impediria. Que
faria o que fosse preciso...

Das trevas do passado, aquelas palavras ecoaram em minha mente e eu me
lembrei de ter feito aquilo. Não apenas prometera, mas havia jurado
que voltaria para ela.

-- Oh, Deus, Heather ! Se eu soubesse...

-- Escrevi-lhe...

-- Nunca recebi suas cartas...

-- Eu sei... Elas voltaram todas. Devo ter errado o endereço e não
quis pedir para sua mãe... Então apareceu o Tom... Eu achei que você
não ia voltar mais mesmo... Tom era um bom homem, trabalhador durante
o dia, mas um beberrão à noite... Nem chegamos a ter filhos... Ele não
conseguia endurecer o pau para trepar comigo -- confessou ela,
escondendo as lágrimas.

Na claridade que vinha da lâmpada acesa na varanda eu pude perceber
nitidamente os detalhes de seu rosto, os lábios carnudos que tremiam,
enquanto ela soluçava.

Segurei-a pelos ombros, trazendo-a gentilmente ao encontro do meu
peito. Ela veio mansamente, encostando-se em mim.

-- Se soubesse quantas vezes sonhei, esperando você voltar...
Masturbando-me para satisfazer-me, enquanto Tom dormia, roncando como
um porco...

Aspirei seu perfume, esfregando meu rosto no dela. Senti-a tremer.
Cheirei seus cabelos, ainda presos no alto da cabeça. Minhas mãos
subiram até o rosto dela. Heather fechou os olhos. Comecei a retirar
os grampos que prendiam seus lindos cabelos.

As mechas, como uma cascata mágica, foram se desenrolando, caindo
atrás de sua cabeça, emoldurando seu rosto. Eram cabelos lisos e
compridos, perfumados e sedosos.

Ela se remexia agora diante de mim e sua respiração era apressada,
fora de controle. Eu podia ouvir seu coração batendo e de dentro de
seu decote subiu aquele perfume de fêmea excitada.

Beijei-lhe o canto da boca. Ela girou lentamente a cabeça, esfregando
seus lábios nos meus. Beijei-a com toda gentileza, mas com muito
tesão. Abracei-a, colando meu corpo ao dela, sentindo o volume de seus
seios, a firmeza de suas coxas e o desenho e sua cintura.

Ela me abraçou em resposta, apertando-se contra mim. Suspirou quando
enfiei minha língua entre seus lábios e provei sua saliva adocicada,
com sabor de uísque.

Meu caralho manifestou-se logo, erguendo-se. Heather sentiu-o subir,
pois estremeceu e apertou o ventre contra mim.

-- Quero você, Heather . Acho que a quero como naquela noite --
murmurei, rouco de tesão.

-- Eu também o quero. Jamais consegui fazer amor com outro homem.
Mesmo após a morte de Tom, eu não conseguia... Sempre me lembrava de
você e... Simplesmente esfriava...

Enquanto ela falava, suas mãos desceram pelas minhas costas e foram
apertar as minhas nádegas com volúpia. Fiz o mesmo, puxando-a ao meu
encontro, para que ela sentisse toda a rigidez de minha pica.

-- Vamos -- propus eu, tomando-a pela mão e levando na direção da
casa.

-- Não, na casa não -- pediu ela.

-- Por quê? Tem medo de fantasmas?

-- Não... É que eu quero no celeiro... Por favor! -- insistiu ela.

-- Que seja -- concordei, levando-a.

Heather se deixou levar mansamente na direção do celeiro. Quando
entramos, eu tateei a parede à procura de um interruptor, já que via
uma fileira de lâmpadas ao longo da construção.

-- Não... Não acenda... -- pediu ela.

-- Por quê? Eu quero vê-la nua...

-- Depois...

-- Está com vergonha de seu corpo?

-- Não... Apenas quero que seja assim...

Confesso que a idéia também me encheu de tesão. Um tesão que cresceu
violentamente

Entramos. A claridade da varanda projetava-se contra a porta do
celeiro, pintada de branco, refletindo-se fracamente no interior. Eu
podia ver o vulto de Heather contra a claridade da porta, mas não via
os detalhes. Isso excitou-me brutalmente.

Acariciei seus cabelos, caídos diante do corpo. Minhas mãos tocaram os
seios dela. Senti-lhes o formato, depois de muito tempo. Eram ainda
redondos e rijos, com biquinhos salientes e desejáveis, espetados
contra o tecido do sutiã e da blusa.

Heather estremeceu. Ofegou. Fechou os olhos e ficou imóvel diante de
mim. Estava carente e frágil. Eu queria tocá-la e sentí-la, imaginando
suas formas voluptuosas, a auréola de seus seios, o formato de seu
monte-de-vênus, os pêlos, a bundinha e as coxas, tudo, enfim.

-- Você é tão gostosa -- murmurei ao seu ouvido.

Ela permaneceu imóvel, trêmula e entregue. Estava se entregando
totalmente a mim.

Minhas mãos buscaram os botes de sua blusa, começando a soltá-los um a
um. Depois enfiei a mão na abertura.

Toquei um dos seios dela. Senti o biquinho eriçado. Ela arrepiava-se.
Eu sentia isso em sua pele. Heather estava excitada, muito excitada
mesmo. O perfume de sua chana melava a calcinha e subia até minhas
narinas.

Fiquei doido de tesão e terminei de soltar os outros botes da blusa,
despindo-a.. A blusa escorregou para trás, caindo no piso. O sutiã foi
junto.

Voltei a tocar seus seios, colhendo cada um em minhas mãos,
amassando-os suavemente, esfregando os biquinhos salientes e
enrugados.

-- São gostosos de tocar, Heather ... Como são... -- murmurei, rouco e
afogueado.

Empurrei os cabelos dela para trás e beijei seu pescoço com
provocação, lambendo sua pele, deixando ali a minha saliva. Fui
descendo, lambendo as encostas tentadoras, em todas as direções. Ela
não parava de se arrepiar.

-- É bom... Muito bom... -- murmurou ela.

-- Como pude deixá-la, Heather ... Você é fantástica... --
respondi-lhe, mordiscando as tetinhas, alisando sua cintura, lambendo
os biquinhos, colhendo-os entre os dentes e mascando-os suavemente.

Ela ofegava, toda inquieta. Busquei o fecho de sua saia, então,
enquanto continuava dando toda a minha atenção aos seus seios.
Momentos depois, a saia farfalhava ao amontoar-se nos pés dela.

O perfume de sua checa era demais agora. Heather deveria estar mais
molhada do que jamais estivera em toda a sua vida.

Desci as mãos pelos quadris ela, sentindo sua pele arrepiada...
Segurei o elástico da calcinha. Comecei e enrolá-la, empurrando-a para
baixo.

Desejei que a luz estivesse acesa para ver toda a beleza de seu corpo.
A silhueta contra a claridade mostrava uma cintura afunilada, coxas
proporcionas e uma bunda tentadora.

Dos seios desci minha boca para seu ventre, beijando, lambendo e
mordiscando. Minhas mãos contornaram o corpo dela e foram massagear
suas nádegas rijas e roliças.

O perfume da xoxota mais e mais me provocava, atraindo-me
inapelavelmente. Eu queria sentí-lo de perto. Queria prová-lo. Queria
resgatar aquele sabor que povoava meus sonhos. Queria beber direto no
gargalo, na fonte, na bica.

-- Oh, não! -- murmurou ela, enquanto eu me ajoelhava diante dela.

-- Abre as pernas um pouco mais -- pedi, empurrando suas coxas para o
lado.

-- Sim... Sim... -- repetiu ela, atendendo-me.

Subi uma de minhas mãos pela parte interna de sua coxa até a vulva.
Ela gemeu e ofegou, abalando-se toda. Estendi minha língua, então, e
lambi sua chana com gosto.

Heather incendiou-se. Gemeu, suspirou, contorceu-se, agarrando-me
pelos cabelos, apertando-me contra o corpo, enquanto eu a brindava com
a delícia das delícias.

Senti em minha boca sua xoxota estreita e seu sabor de fêmea, bebendo
na fonte seu néctar mais precioso. Ela ficou alucinada. Deveria estar
mesmo havia muito tempo sem ter um macho, pois gozou com a minha
língua em sua chana, que senti dilatando-se, enquanto Heather
estremecia e fungava, gemendo sempre.

Insisti naquela carícia que tanto a havia arrebatado. Minha língua não
lhe deu tréguas. Enfiei com gosto. Lambi. Chupei. Descobri o
botãozinho delicado de seu clitóris. Prendi-o entre os dentes. Mordi-o
como havia mordiscado os biquinhos dos seios.

Ela gozava continuamente. Eu pressionava a língua contra o grelinho,
enquanto ela só gemia e soluçava agora de tanto prazer.

As formas roliças de suas nádegas em minhas mãos provocavam-me.
Deslizei um dedo pelo reguinho de suas nádegas, até encontrar as
preguinhas tentadoras de seu cu..

Ela gemeu mais forte, rebolando inesperadamente abunda. Acariciei com
força o buraco. Ela gostou. Insisti na massagem, enquanto ela remexia.

Deixei que meu dedo fosse entrando naturalmente, na medida em que ela
rebolava e jogava a bunda contra ele, quando os espasmos de gozo
agitavam-na.

-- Oh, é bom... Estou ficando tonta de tanto gozar... Mas quero
mais... Tenho o direito a mais... Continue... Mate a minha saudade...
-- suplicou ela, em frenesi.

Minha língua continuava entrando e saindo alucinadamente na sua
buceta. O dedo no ânus iniciou uma nova sessão de carícias. Ali, com
ela de pé na minha frente, no meio do celeiro, eu a fiz gozar
incontáveis vezes, até que os joelhos dela fraquejassem e ela tombasse
sobre mim.

-- O que é isto... Que loucura é esta... O que acontece comigo...
Estou gozando como uma louca... Nunca pensei que voltaria a sentir
isso... -- confessou ela, maravilhada, ofegante, com a voz
entrecortada e rouca.

-- Estamos apenas no começo, minha querida. Ainda a farei gozar muito
muitas... -- prometi, como se fosse ficar lá para sempre

Então pensei em minha namorada... E brochei!

FIM
_________________________________________________________________

VISITE A CASA DO MAGO DAS LETRAS

David HUME
Anthony Quinton

FUNDAÇÃO EDITORA DA UNESP
Presidente do Conselho Curador Antonio Manoel dos Santos Silva
Diretor-Presidente José Castilho Marques Neto
Assessor Editorial Jézio Hernani Bornfirn Gutierre
Conselho Editorial Acadêmico Aguinaldo José Gonçalves, Álvaro Oscar Carnpana, Antonio Celso Wagner Zanin, Carlos Erivany Fantinati, Fausto Foresti, José Aluysio
Reis de Andrade, José Roberto Ferreira, Marco Aurélio Nogueira, Maria Sueli Parreira de Arruda, Roberto Kraenkel e Rosa Maria Feiteiro Cavalari.
Editor Executivo Tulio y, Kawata
Editoras Assistentes Maria Apparecida F. M. Bussolotti e Maria Dolores Prades

Anthony Quinton

HUME

Tradução José Oscar de Almeida Marques
Departamento de Filosofia -Unicamp

Editora Unesp

Copyright @ 1998 by Anthony Quinton
Titulo original em inglês: Hume, publicado em 1998 pela Phoenix, uma divisão da Orion Publishing Group Ltda.
Copyright @ 1999 da tradução brasileira: Fundação Editora da UNESP
Praça da Sé, 108
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E-mail: feu@editora.unesp.br

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

Quinton, Anthony.
Hume / Anthony Quinton; tradução José Oscar de Almeida Marques - São Paulo: Editora UNESP (FEU), 1999. - (Coleção Grandes Filósofos)

Título original: Hume.
ISBN 85-7139-234-4

1. Hume, David, 1711-1776 I. Título. II. Série.

Índice para catálogo sistemático:
I. Filósofos ingleses: Biografia e obra 192

ABREVIAÇÕES DAS OBRAS DE HUME

E Enquiries Concerning Human Understanding and Concerning the Principles of Morais. SELBY -BIGGE, L. A. (Ed.). 2.ed. Oxford, 1902.
D Dialogues Concerning Natural Religion. KEMP SMITH, N. (Ed.). Oxford, 1935.
Ess Essays. Oxford, 1963.
N The Natural History of Religion and Dialogues Concerning Natural Religion. GLYN, A. W., PRICE,J. V. (Ed.). Oxford, 1976.
T Treatise of Human Nature. SELBY -BIGGE, L. A. (Ed.). Oxford, 1888 e posteriores.


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INTRODUÇÃO

Hume é o maior dos filósofos britânicos: o mais profundo, penetrante e abrangente. Seu trabalho é o ponto alto da tradição empirista dominante na filosofia britânica
que começa com Guilherme de Ockham no século XIV, passa por Bacon e Hobbes, Locke e Berkeley, prossegue, depois de Hume, com Bentham e J. S. Mill e culmina na filosofia
analítica do presente século, que Bertrand Russell inaugurou e, postumamente, ainda preside.
Ele não foi um filósofo tão razoável nem - em parte por essa razão - tão influente quanto Locke. Enquanto este recomendava, quanto às crenças, uma atitude cautelosa
ou reservada que era bem-vinda após um século de horríveis conflitos religiosos, Hume parecia comprazer-se em paradoxos e chegar a um ceticismo total que só a frivolidade
podia aliviar. As doutrinas políticas de Locke contribuíram em alguma medida, particularmente pela aprovação entusiástica de Voltaire, para a corrente de pensamento
que inspirou a Revolução Francesa e desempenhou um papel muito maior no projeto da Constituição americana. Os utilitaristas do século XIX fizeram de uma versão simplificada
da teoria moral e política de Hume a base efetiva de uma variedade radical de liberalismo que ele dificilmente teria aprovado. Até o século XX, o principal efeito
de sua filosofia teórica foi negativo, provocando numerosos filósofos ao desafio de refuta-lo. Kant disse que Hume o tinha "despertado de seu sono dogmático". Thomas
Reid, o filósofo escocês do senso comum, viu Hume como tendo demonstrado de maneira brilhante o absurdo implícito da "teoria das idéias" de Locke. T. H. Green escreveu
uma enorme introdução a uma edição das obras de Hume,


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rastreando seus supostos erros com inabalável resolução. Só o século XX o reconheceu como um importante filósofo no sentido construtivo.
Hume era profundamente escocês, pelo nascimento, residência preferencial, lealdade, sotaque e maneiras. Foi o mais notável expoente do Iluminismo escocês do século
XVIII, que também incluiu Adam Smith, o grande economista, Adam Ferguson, o fundador da sociologia, o historiador William Robertson e muitos outros. Esses homens
criaram um ambiente intelectual admiravelmente vivo e estimulante no qual se cultivaram todas as ciências humanas: filosofia, história, política, economia, crítica
e o estudo não-dogmático da religião. O estilo desses escoceses do século XVIII compara-se muito favoravelmente, em seu rigor e generalidade, com os modos de pensamento
mais descuidados de seus contemporâneos ingleses. (Há a exceção de Samuel Johnson, mas ele poderia ter-se beneficiado de um pouco mais de sistematicidade e de pessoas
menos insípidas com quem debater).
Hume compartilhava com seus associados, e, na verdade, com a maioria dos filósofos de sua época, duas qualidades que o distinguiam, e a eles, dos filósofos dos dias
de hoje. Em primeiro lugar, a esfera de seus interesses era extraordinariamente ampla. Não se limitou a escrever sobre filosofia - tanto teórica como moral -, teoria
política, economia e o estudo histórico e doutrinário da religião, mas trouxe, para essas áreas, contribuições de decisiva importância, escrevendo de forma memorável
sobre milagres, sobre a liberdade da vontade, sobre a imortalidade da alma e o suicídio, e devastando ao mesmo tempo o tipo de religião racional ou natural, o deísmo,
que era a posição mais avançada que a maioria dos pensadores das Luzes julgaram razoável atingir em termos práticos ou teóricos.
Ele foi, contudo, muito mais conhecido em sua época como um historiador, e muito mais bem recompensado por essa atividade. Sua obra-prima filosófica de juventude,
o Tratado sobre a natureza humana, embora não tenha, como ele


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tristemente proclamou, "saído do prelo natimorto", levou décadas para esgotar sua pequena primeira edição. Mas sua posterior História da Inglaterra em seis volumes
foi um best-seller.
A outra qualidade que distingue Hume profissionalmente dos filósofos contemporâneos é o caráter literário de suas ambições. Em sua breve Autobiografia ele se refere
à "minha paixão dominante, meu amor pela fama literária". Foi um escritor consciente, elegante, de um tipo Augustino, produzindo sentenças polidas e equilibradas,
coloridas com exemplos e analogias concretas. Samuel Johnson disse "ora, senhor, o estilo dele não é inglês. A estrutura de suas sentenças é francesa". O que não
constitui, evidentemente, um defeito. Hume escreveu o Tratado durante uma longa estada na França, e esse pode ser o trabalho que Johnson tinha em mente. A filosofia
no século XVIII fazia parte das belas letras; e, nas universidades, aparecia apenas como uma tímida auxiliar da teologia e dos estudos clássicos. Hume se dirigia
a leitores providos de uma educação geral, não a acadêmicos, os quais em sua maior parte nunca o apreciaram. Trata-se, de fato, de um escritor despreocupado, demasiado
tolerante para ficar se preocupando em amarrar todas as pontas de seu texto. Em particular, do ponto de vista do estilo, ele está bem abaixo do quase perfeito Berkeley,
mas não se poderia considerar isso uma fraqueza, e é difícil pensar em algum filósofo britânico posterior que tenha escrito tão bem quanto ele, com a possível exceção
de F. H. Bradley.
Há uma importante limitação na bagagem intelectual de Hume. Possuidor de um conhecimento espantoso sobre as humanidades, ele parece não ter sabido quase nada de matemática e ciência natural, nem ter tido qualquer interesse por essas disciplinas. Mas isso não trouxe muito prejuízo. O que ele escreveu sobre matemática está perfeitamente dotado de


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um bom senso mais ou menos leibniziano. Se é verdade que ele supôs erroneamente que toda ciência natural é causal, pelo menos suas partes mais elementares o são.
Onde sua fragilidade matemática o põe a perder é na parte 2 do Tratado, na qual coisas muito estranhas são ditas sobre espaço e tempo. Ele afirma, por exemplo, que
um todo extenso deve ser composto de partes inextensas, que são não obstante finitas em número e dotadas de qualidades perceptíveis, tais como cores. Os comentadores,
quase universalmente, lançam um véu sobre essa parte do trabalho de Hume.


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VIDA

Hume nasceu em Edimburgo em 1711. Originária das Borders, sua família lá viveu a maior parte do tempo, na propriedade que possuía em Ninewells, situada entre Berwick,
a leste, e Duns (onde Duns Escoto pode ter nascido, mas provavelmente não nasceu) a oeste. Seu pai morreu quando ele tinha dois anos, de modo que sua mãe, dedicada
e intensamente calvinista, foi a principal influência em seus primeiros anos. O lar e a religião da família teriam-no tornado profundamente antipático à tentativa
jacobita, em 1715, de instalar no trono o monarca católico legítimo, que teria sido James III.
Hume ingressou na Universidade de Edimburgo com a precoce idade de 12 anos, o que era bastante usual à época, deixando-a três anos mais tarde. Voltou-se então, de
má vontade, para os estudos jurídicos, embora dedicando a maior parte de sua atenção a Cícero e outros autores clássicos. Depois de um tipo de colapso nervoso e
de um breve período no escritório de um comerciante de Bristol, ele isolou-se por dois anos em uma área rural da França, vivendo frugalmente e escrevendo seu Tratado.
Publicou suas duas primeiras partes em 1739, dois anos após seu retorno, e a terceira parte em 1740. Dois volumes de ensaios, publicados em 1741 e 1742, tiveram
sorte um pouco melhor. Candidatou-se sem sucesso a uma cátedra de filosofia em Edimburgo e, necessitando de algum rendimento, tornou-se tutor, por um ano, do insano
marquês de Annandale. Em 1746 acompanhou o general St. Clair em uma invasão da Bretanha, que acabou sendo cancelada, e, um pouco mais tarde, viajou com St. Clair
a Viena e a


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Turim. Nessa época, em 1749, veio à luz sua Investigação sobre o entendimento humano, uma revisão um tanto mutilada do livro 1 do Tratado, e ele retornou a Escócia
para concluir a obra-irmã daquela, a Investigação sobre os princípios da moral, sua favorita entre todas as que produziu.
De 1751 a 1757 Hume administrou a Biblioteca dos advogados em Edimburgo, a melhor biblioteca do país e o ambiente ideal para o projeto de grande envergadura a que
então deu início: os seis volumes de sua História da Inglaterra. Os volumes sobre os Stuarts - que geraram alguma controvérsia pela tentativa de fazer justiça à
família - saíram em 1754 e 1756; em 1759 foram publicados aqueles dedicados aos Tudors, e, em 1772, os volumes sobre as dinastias anteriores, remontando a Júlio
César. Hume visitou Londres em 1758 e 1761, mas, de todas as viagens ao exterior, a mais prazerosa foi sua estada em Paris de 1763 a 1766 como secretário do conde
de Hertford. Ele foi agradavelmente festejado pelos philosophes, teve um sério romance, do qual se desconhece o grau de intimidade, com a condessa de Boufflers e
esteve diversas vezes com Rousseau, que trouxe consigo, como refugiado, em sua volta à Inglaterra. Rousseau logo retomou, disseminando implausíveis fantasias paranóicas
sobre Hume.
Sua carreira pública atingiu o ponto culminante com sua nomeação como subsecretário de Estado da província setentrional entre 1767 e 1769. Essa foi a época dos últimos
estertores políticos de William Pitt senior, idoso, doente e mentalmente perturbado. Hume parece ter desempenhado suas funções a contento. Em 1769 ele retomou a
Edimburgo e a seu círculo de amigos para seus últimos e felizes oito anos de existência. Antes de morrer de câncer de estômago em 1776, ele teve o prazer de irritar
Boswell com seu bem-humorado destemor diante da morte.
Hume era um homem de grande estatura, magro e ossudo quando jovem, mas cada vez mais corpulento e rubicundo à medida que passaram os anos. Simpático e gentil, sociável
e de bom temperamento, era um excelente amigo e um inimigo


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fácil de aplacar. Pôde ver méritos em um oponente sério e honesto como Thomas Reid, e dispensou um néscio presunçoso como James Beattie com o ameno comentário "um
camarada tolo e intolerante".
Nasci no dia 26 de abril, datação antiga, em Edimburgo. Vim de uma boa família, tanto do lado paterno como materno: a família de meu pai descende do conde de Home,
ou Hume, e meus ancestrais foram, por muitas gerações, proprietários das terras que hoje meu irmão possui... Passei com sucesso pelos estágios usuais de educação
e fui desde muito cedo tomado de um amor pela literatura que tem sido a paixão dominante em minha vida, e a grande fonte de meus prazeres. Minha disposição para
os estudos, minha sobriedade e aplicação, deram a minha família a idéia de que o Direito era uma profissão adequada para mim, mas eu sentia uma aversão insuperável
a tudo exceto a ocupar-me da filosofia e da erudição em geral; e enquanto eles imaginavam que eu me debruçava sobre Voet e Vinnius, eram Cícero e Virgílio os autores
que eu estava devorando. (Ess 607-8)

Nunca um empreendimento literário foi mais infortunado que meu Tratado sobre a natureza humana. Ele saiu natimorto do prelo, sem alcançar sequer a distinção de provocar
murmúrios entre os fanáticos. Mas como eu era de temperamento naturalmente animado e otimista, muito pronto recuperei-me do golpe e, tendo ido viver no interior,
retomei com grande ardor meus estudos. Em 1742 fiz imprimir em Edimburgo a primeira parte de meus Ensaios; o trabalho foi favoravelmente recebido e logo me fez esquecer
inteiramente meu desapontamento anterior. Continuei morando no campo com minha mãe e meu irmão e nesse período recuperei o conhecimento da língua grega, que havia
negligenciado demasiadamente em minha juventude. (Ess 608-9)

Mas não obstante essa variedade de intempéries a que meus escritos haviam sido expostos, eles ainda continuaram a fazer tamanho progresso que o dinheiro que me foi
pago pelos livreiros


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excedia em muito qualquer coisa anteriormente vista na Inglaterra; eu tornei-me não apenas independente, mas opulento. (Ess 613)

Aqueles que não conhecem os estranhos efeitos das modas jamais imaginarão a recepção que tive em Paris, por parte de homens e mulheres de todas as posições sociais.
Quanto mais eu me esquivava de suas excessivas cortesias, mais era cumulado delas. Há, entretanto, uma genuína satisfação em morar em Paris, pelo grande número de
pessoas sensatas, instruídas e refinadas que aquela cidade possui, em grau maior que qualquer outro lugar no Universo. Cheguei a pensar em instalar-me ali definitivamente.
(Ess 614)

Para concluir historicamente com meu próprio caráter, sou, ou antes, era (pois esse é o estilo que devo agora usar ao falar de mim mesmo, o qual me encoraja a expressar mais meus sentimentos); eu era, dizia, um homem de disposições brandas, de temperamento controlado, de gênio franco, sociável e bem-humorado, capaz de afeiçoar-se, mas pouco suscetível de inimizades, e de grande moderação em todas as minhas paixões. Mesmo meu amor pela fama literária, minha paixão predominante, nunca amargou meu temperamento, apesar dos desapontamentos freqüentes. Minha companhia não era desagradável para os jovens e despreocupados, nem para os estudiosos e homens de letras; e como eu tinha um prazer especial na companhia de mulheres recatadas, nunca houve razões para sentir-me descontente com a recepção que me concederam. Em
suma, enquanto a maioria dos homens de alguma eminência teve motivos para queixar-se da calúnia, eu nunca fui atingido ou mesmo atacado por suas garras malignas;
e embora tenha me exposto temerariamente à ira das facções civis e religiosas, elas pareceram, em relação a mim, desarmadas de sua fúria costumeira. Meus amigos
nunca precisaram justificar qualquer circunstância de meu caráter ou conduta; não que os fanáticos, como bem podemos supor, não tivessem ficado felizes em inventar
e propagar qualquer história que me prejudicasse, mas jamais puderam encontrar alguma que julgassem capaz de assumir ares de plausibilidade. Não posso dizer que
não haja vaidade nesta oração fúnebre que faço para mim mesmo, mas espero que não seja fora de propósito, essas são questões de fato que podem ser facilmente elucidadas
e verificadas. (Ess 615-6)


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PRESSUPOSIÇÕES FILOSÓFICAS

Hume é um empirista em dois sentidos. Em primeiro lugar, ele considera que a filosofia é uma ciência empírica. Essa é posição anunciada no subtítulo do Tratado:
"uma tentativa de introduzir o método experimental de raciocínio em assuntos morais". O método experimental é o que está na base da sublime façanha de Newton (embora
a matemática tenha também muito a ver com isso), de modo que é razoável atribuir a Hume a ambição de ser o Newton das ciências morais (isto é, humanas). Seu procedimento,
em boa medida, concorda com essa declaração de intenções. Ele procura mostrar como o complexo detalhamento de nossa vida intelectual produz-se de acordo com as leis
de associação de seus elementos primitivos, os átomos de pensamento que ele chama impressões e idéias. Mas não é por essa psicologia cognitiva geral, baseada em
princípios associacionistas, que ele é usualmente considerado importante.
Hume é, em segundo lugar, um empirista em uma acepção mais familiar, ao sustentar que toda a matéria-prima de nossos pensamentos e crenças provém da experiência,
sensorial e introspectiva. Ele aplica esse princípio, de fato, como um critério de significação. Nossos pensamentos estão desprovidos de conteúdo, e nossas palavras,
de significado, a menos que estejam conectados com a experiência. Hume também sustenta que a maior parte de nosso conhecimento funda-se na experiência, ou - visto
que o único conhecimento certo de que dispomos é de natureza matemática e diz respeito a relações entre idéias -, que todas as nossas crenças prováveis têm esse
fundamento na experiência. Pode parecer que ele estava comprometido com sua concepção de que a filosofia é uma ciência


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empírica em função de sua idéia de que todas as crenças factuais são empíricas, mas uma coisa não se segue da outra. Em sua maioria, os modernos simpatizantes de Hume
diriam que a filosofia - a "verdadeira" filosofia - é conceitual, não factual, e está, tanto quanto a matemática, dedicada ao exame de relações entre idéias.
Hume afirma ousadamente que a filosofia é a primeira ciência, ou a ciência mestra. Todas as ciências, ou corpos de conhecimento admitido são obra do entendimento
humano. Portanto, o estudo do entendimento humano é anterior a todos os outros. Enquanto Newton, na visão de Hume, havia explicado o universo material por meio da
lei da atração gravitacional, seu objetivo é explicar o funcionamento da mente por uma semelhante lei de associação.
As matérias-primas do pensamento, que é o ofício do entendimento, são as impressões e suas cópias, as idéias, de graus variados de vivacidade. As impressões dividem-se
em impressões de sensação, tais como cores e sons, e de reflexão, tais como emoções e desejos. Elas podem também ser simples -homogêneas e não-analisáveis - ou complexas.
Toda idéia simples pressupõe uma impressão simples correspondente. Isso não é necessário no caso das idéias complexas: todos nós reconheceríamos um dragão se um
deles cruzasse nossa frente.
As idéias se distinguem das impressões por sua vivacidade menor. Se não têm nenhuma vivacidade, são idéias de imaginação. Se são mais vívidas e preservam sua "forma
e ordem", são idéias de memória. Do mesmo grau de vivacidade, parece, são as idéias de expectativa, que são a forma elementar de nossas crenças causais. A crença,
em contraste com o mero exercício da imaginação, é uma característica das idéias de memória e de expectativa. Ela não é uma idéia adicional dado que, se o fosse,
poderia ser adicionada a qualquer outra idéia, por mais fantástica que fosse, produzindo-se a crença nessa idéia. Um ponto relacionado, estabelecido em um estágio
posterior, é que não há idéia de existência. A idéia de uma coisa é o


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mesmo que a idéia dessa coisa enquanto existindo. Hume procuraria estabelecer as credenciais empíricas da existência dizendo que ela está presente em toda impressão,
dado que impressões envolvem a infalível consciência de alguma coisa (mesmo que seja apenas uma mancha colorida no campo visual privado).
Hume admite que seu princípio da dependência universal que as idéias mantêm com as impressões é imperfeito. Alguém poderia reconhecer um tom de azul mesmo que nunca
o tivesse visto antes, apenas seus vizinhos imediatos no espectro. Mas essa é uma admissão desnecessária. O tom faltante poderia ser explicado como uma idéia complexa
produzida a partir do tom de azul próximo a ele, e da idéia, empiricamente bem exemplificada, de "um pouco mais azul que".
Há, na explicação humana das impressões e idéias, equívocos muito mais graves que esse. Uma idéia, para ele, é uma figura ou imagem mental. É verdade que pensamos,
até certo ponto, por meio de imagens, mas pensamos também com palavras, e com diagramas e esquemas que são, de certo modo, similares a imagens, embora não se possa
dizer que sejam cópias. O ponto crucial é que todos esses itens são veículos de conceitos ou significados. É fácil pensar em imaginações (sonhos e alucinações, por
exemplo) que são muito mais vívidas do que a maior parte do que percebemos, para não dizer do que meramente lembramos.
A posição de Hume de que imagens são os veículos primários do pensamento pode ter sido auxiliada por sua adesão à recusa de Berkeley das "idéias abstratas". Uma
impressão é uma impressão de uma coisa particular, inteiramente determinada. Como pensá-la como uma impressão de uma espécie, à qual algum termo geral apropriadamente
se aplicaria? Locke julgou que abstraímos as qualidades comuns a todas as laranjas e usamos a idéia abstrata resultante para reconhecer uma laranja particular como
sendo uma laranja. Berkeley rejeitou isso, dado que diferentes laranjas têm qualidades incompatíveis. Usamos uma imagem particular para "representar"


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todos os membros da espécie, mas uma imagem qualquer pode representar um sem-número de espécies: laranjas, mas também coisas redondas, coisas alaranjadas etc. Hume
enfrentou essa dificuldade dizendo que, quando alocamos algo a uma espécie em razão de sua similaridade com alguma imagem padrão, temos à nossa disposição muitas
outras imagens que podemos trazer à mente para guiar nossa classificação na direção correta.
Finalmente, nessa primeira parte do Tratado, Hume antecipa, com uma recusa geral da legitimidade da idéia de substância, pontos que irá desenvolver mais extensamente
à frente, ao tratar de objetos materiais e pessoas. Não há impressão da qual a idéia de substância possa ser derivada. Tudo que percebemos é uma coleção de qualidades,
persistentemente associadas umas às outras. Se substância for definida como aquilo que é capaz de existência independente, então as únicas substâncias são as impressões
e idéias.
É evidente que todas as ciências têm, em maior ou menor grau, uma relação com a natureza humana, e que por mais que qualquer delas pareça afastar-se, sempre retornam
a ela em uma ou outra passagem. Mesmo a matemática, a filosofia natural e a religião natural são em alguma medida dependentes da ciência do homem, dado que caem
sob a alçada do conhecimento humano e são julgadas pelos poderes e faculdades deste... Se as ciências da matemática, filosofia natural e religião natural exibem
essa dependência do conhecimento do homem, que se pode esperar nas outras ciências, cuja conexão com a natureza humana é ainda mais íntima e profunda? (T XIX)

Não há nenhuma questão importante cuja resolução não esteja compreendida na ciência do homem; e nenhuma que possa ser decidida com alguma certeza antes de nos tornarmos
familiarizados com essa ciência. Ao pretender, portanto, explicar os princípios da natureza humana, estamos com efeito propondo um sistema completo das ciências,
construído sobre uma fundação que é a única sobre a qual elas podem se erguer com alguma segurança. E como a ciência do homem é a única fundação sólida das demais
ciências, a única fundação sólida que ela própria pode receber deve provir da experiência e da observação. (T xix-xx)


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Todas as percepções da mente humana resolvem-se em duas diferentes espécies que chamarei impressões e idéias. A diferença entre elas consiste nos graus de força
e vivacidade com que afetam a mente e abrem seu caminho até nosso pensamento e consciência. As percepções que adentram com maior força e violência podem ser denominadas
impressões, e por esse nome entendo todas as nossas sensações, paixões e emoções, ao aparecerem à alma pela primeira vez. Por idéias entendo as tênues imagens das
anteriores, presentes no pensamento e no raciocínio, assim como o são, por exemplo, todas as percepções excitadas pelo presente discurso, com exceção apenas daquelas
que provêm da visão e do tato, e do prazer ou desconforto imediatos que ele pode provocar. Acredito que não será necessário empregar muitas palavras para explicar
essa distinção. Cada um de nós, por si mesmo, perceberá prontamente a diferença entre sentir e pensar. (T 1)

Para cada idéia simples há uma impressão simples que a ela se assemelha, e para cada impressão simples, uma idéia correspondente. (T 3)

Uma questão muito importante foi levantada em relação a idéias abstratas ou gerais, a saber, se elas são gerais ou particulares na concepção que a mente tem delas.
Um grande filósofo [Berkeley] contestou a opinião corrente quanto a esse ponto e afirmou que todas as idéias gerais nada mais são que idéias particulares anexadas
a um certo termo, que lhes dá uma significação mais abrangente e as faz evocar, quando preciso, outros indivíduos semelhantes a elas. Como considero esta uma das
maiores e mais valiosas descobertas feitas nos últimos anos na república das letras, vou esforçar-me aqui para confirmá-la por meio de alguns argumentos, os quais,
segundo espero, vão colocá-la além de toda dúvida e controvérsia.
É evidente que, ao formar a maioria de nossas idéias gerais, se não mesmo todas elas, fazemos abstração de cada grau particular de qualidade ou quantidade, e que
um objeto não deixa de ser de uma certa espécie particular em virtude de alguma pequena mudança em sua extensão, duração ou outras propriedades. Pode-se pensar,
portanto, que há aqui um claro dilema quanto à natureza dessas idéias abstratas que têm dado aos filósofos tantos motivos de especulação. A idéia abstrata de um
homem representa homens de todos os tamanhos e qualidades, do que se conclui que


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ela só pode fazê-lo seja representando de imediato todos os possíveis tamanhos e qualidades seja não representando nenhum deles em particular. Ora, uma vez que se
considera absurdo defender a primeira alternativa, já que ela implica uma capacidade infinita da mente, tem-se decidido usualmente a questão em favor da segunda,
tomando-se nossas idéias abstratas como não representando nenhum grau particular de quantidade ou qualidade. Tentarei mostrar, porém, que essa inferência é errônea,
provando, em primeiro lugar, que é absolutamente impossível conceber qualquer quantidade ou qualidade sem formar uma noção precisa de seus graus; e, em segundo,
mostrando que, mesmo que a capacidade da mente não seja infinita, podemos formar de imediato uma noção de todas as possíveis qualidades e quantidades, pelo menos
de uma maneira que, embora muito imperfeita, pode servir a todos os propósitos da reflexão e conversação. (T 17-18)

Todos os objetos da razão ou investigação humanas podem ser naturalmente divididos em duas espécies, a saber, relações de idéias e questões de fato. Do primeiro
tipo são as ciências da geometria, álgebra e aritmética, e, em suma, toda afirmação que é ou intuitivamente ou demonstrativamente certa. Que o quadrado da hipotenusa
é igual ao quadrado dos dois lados é uma proposição que expressa uma relação entre essas grandezas. Que três vezes cinco é igual à metade de trinta expressa uma
relação entre esses números. Proposições dessa espécie podem ser descobertas pela simples operação do pensamento, independentemente do que possa existir em qualquer
parte do universo. Mesmo que jamais houvesse existido um círculo ou triângulo na natureza, as verdades demonstradas por Euclides conservariam para sempre sua certeza
e evidência.
Questões de fato, que são o segundo tipo de objetos da razão humana, não são apuradas da mesma maneira, e tampouco nossa evidência de sua verdade, por maior que
seja, é da mesma natureza que a precedente. O contrário de toda questão de fato permanece sendo possível, porque não pode jamais implicar contradição e a mente o
concebe com a mesma facilidade e clareza, como algo perfeitamente ajustável à realidade. Que o sol não nascerá amanhã não é uma proposição menos inteligível nem
implica mais contradição que a afirmação de que ele nascerá. (E 25-26)


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CAUSAÇÃO

A explicação que Hume deu da causação é, com justiça, a parte mais bem conhecida e mais influente de sua filosofia. Enquanto outras de suas principais afirmações
são no máximo interessantemente provocativas, esta continua sendo um forçoso objeto de preocupação para os filósofos. Hume trata a causação como uma relação entre
objetos antes de expor suas desconcertantes opiniões céticas sobre nosso conhecimento dos objetos, mas isso é porque ele considera que todas as nossas crenças sobre
questões de fato - à medida que avançam para além das impressões que estão imediatamente presentes à mente, como o fazem todas exceto as mais elementares - são produto
de inferências causais. Isso, rigorosamente, não é correto. O gosto doce que eu infiro que se pode obter da laranja que vejo não é a causa nem o efeito da laranja
vista. Mas continua sendo uma "existência distinta", que poderia ter deixado de ocorrer mesmo estando a laranja presente. A inferência factual, da qual a inferência
causal é o principal exemplo, é o liame universal entre o observado e o inobservado, entre o que percebemos que acontece e o que deve ter acontecido ou deve vir
a acontecer.
A característica de ser uma causa, ou um efeito, não é uma qualidade das coisas, como ser vermelha ou redonda. Se o fosse, seria uma propriedade de todas as coisas,
assim como a existência, e não teríamos nenhuma impressão dela. Ela é, de forma bastante simples, uma relação: um complexo, tríplice, composto de contigüidade no
espaço e tempo, sucessão e conexão necessária. Nem a contigüidade, nem a sucessão são, de fato, essenciais à causação. Pode haver ação à distância, e causa e efeito
podem ser simultâneos (Hume tem um


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argumento engenhoso porém inválido para provar que não podem). A questão não é importante e, em todo caso, os exemplos mais diretos de relações causais têm termos que
são contíguos e sucessivos. Não é importante porque contigüidade e sucessão são empiricamente não-problemáticas; temos impressões de ambas. A conexão necessária
é o indispensável embora perturbador. Por mais atentamente que examinemos um suposto exemplo de relação causal (a bola branca entrando em contato com a vermelha
e a vermelha partindo em direção à caçapa), não observamos uma conexão necessária entre elas, embora acreditemos que exista.
Hume propõe duas questões. Por que pensamos que todo evento deve ter uma causa e por que pensamos que cada causa particular deve ter o efeito que supomos que tem?
O princípio causal geral não é nem auto-evidente nem demonstrável. Com destreza típica, ele despacha algumas das tentativas de provas. Locke, por exemplo, disse
que se o princípio fosse falso, alguma coisa teria sido causada por nada, mas o nada é muito fraco para causar qualquer coisa. Mostra-se facilmente que essa antecipação
de Lewis Carroll envolve uma petição de princípio. Tampouco se pode provar que um evento particular qualquer é causa daquilo que se toma como seu efeito. Causa e
efeito são existências distintas; não há jamais contradição, portanto, em supor que a primeira ocorra e o segundo não.
Quando acreditamos que dois tipos de eventos estão causalmente relacionados, acreditamos que estão constantemente conjugados em todos os tempos com base em nossa
lembrança de que estiveram constantemente conjugados em nossa experiência. A inferência da conjunção limitada que observamos para a conjunção universal envolvida
em nossa crença causal assume que o inobservado assemelha-se ao observado ou, de forma mais vaga, que a natureza é uniforme. Mas esta suposição, assim como o princípio
geral, não é auto-evidente nem demonstrável. O inobservado é "distinto" do observado; ele pode tomar qualquer forma que seja, e continuar compatível com o observado
ser do jeito que é.


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Tampouco podemos estabelecê-la indutivamente com base na evidência de que até agora, pelo menos, o inobservado tem se assemelhado em larga medida ao observado. Fazer
isso seria argumentar em círculo, assumir a validade da suposição em sua própria prova.
Escondida em meio a uma discussão sobre probabilidade, está uma interessante distinção entre conclusões prováveis baseadas em evidência insuficiente (conheci cinco
holandeses todos eles gostavam de enguia) e aquelas baseadas em evidência contrária (conheci cem holandeses e noventa e cinco deles gostavam de enguia). Em qualquer
dos casos, ao encontrar um novo holandês, concluirei que ele provavelmente gosta de enguia, mas não vou afirmar nada mais que isso. No segundo caso, estou confiando
na proposição geral de que dezenove entre vinte holandeses gostam de enguia, que é o produto de uma inferência indutiva a partir da proporção de apreciadores de
enguia que observei. A crítica de Hume, portanto, não pode ser contornada argumentando-se que a natureza provavelmente é uniforme, ou que o inobservado irá provavelmente
assemelhar-se ao observado, se for este segundo tipo de probabilidade que estiver em questão. Pois essa argumentação só poderia estar baseada na constância das freqüências
ou proporções observadas. Mas o primeiro tipo de probabilidade, que Hume põe de lado como figurando apenas nos primeiros anos de vida, o que é certamente incorreto,
não está sujeito a essa objeção. Tem-se argumentado que a proposição "se todos os As conhecidos são Bs então é provável que (ou seja, há alguma evidência, mesmo
que insuficiente, de que) todos e quaisquer As são Bs" é demonstrável. É por causa do significado da palavra "evidência" que a proposição acima sobre As e Bs é verdadeira;
ela enuncia uma "relação abstrata de idéias", não uma questão de fato.
Convencido, em todo caso, de que a inferência indutiva que está envolvida em nossas crenças causais, e em todas as demais crenças factuais que avançam além das impressões
presentes, não pode ser racionalmente justificada, Hume


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volta-se para o problema de explicar por que recorremos a ela de forma tão inveterada. Sua resposta é que, por influência da associação, nossa experiência de uma conjunção
constante leva-nos, por uma questão de costume ou hábito, a ter uma vívida expectativa de uma vidraça se despedaçando quando vemos um tijolo voando em sua direção.
A impressão da qual se deriva nossa idéia de conexão necessária não é uma impressão de sensação, mas de reflexão, de nos sentirmos compelidos a esperar que a vidraça
se quebre ao perceber o tijolo voando em direção a ela.
Hume conclui sua discussão principal sobre o tema oferecendo duas definições de "causa", que são definições de duas coisas completamente diferentes, ainda que relacionadas.
A primeira é dada em termos da conjunção constante dos dois fatores, a segunda, em termos do fato de que a impressão de um dos fatores determina a mente a formar
uma idéia vívida do outro. A segunda dessas definições parece exprimir o que Hume pensa que ocorre em nossas mentes quando temos ou formamos uma crença causal; a
primeira, o que efetivamente acreditamos. Elas não podem ser ambas corretas. A primeira é o que acreditamos, a segunda explica a crença e exprime, talvez, tudo o
que nos é lícito acreditar.
Até o século XX, a maioria dos comentadores de Hume tomavam-no como, seja a sério, seja frivolamente, um completo cético acerca de crenças causais e indutivas (e
acerca de muitas outras coisas mais). Hume, entretanto, expõe "regras para julgar causas e efeitos", assume claramente como verdadeiro que todo evento tem uma causa
(ao insistir, por exemplo que os eventos frutos do acaso são, na realidade, todos eles efeitos de causas desconhecidas) e, é claro, entrega-se, ele próprio, a um
bom número de inferências indutivas ao aplicar o "método experimental" ao funcionamento da mente humana.

Todos os raciocínios referentes a questões de fato parecem fundar-se na relação de causa e efeito. É somente por meio dessa relação



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que podemos ir além da evidência de nossa memória e nossos sentidos. Se perguntássemos a um homem por que ele acredita em uma questão de fato qualquer que
não está presente - por exemplo, que seu amigo acha-se no interior, ou na França, ele nos daria uma razão, e essa razão seria algum outro fato, como uma carta recebida
desse amigo, ou o conhecimento de seus anteriores compromissos e resoluções. Um homem que encontre um relógio ou qualquer outra máquina em uma ilha deserta concluirá
que homens estiveram anteriormente nessa ilha. Todos os nossos raciocínios relativos a fatos são da mesma natureza. E aqui se supõe invariavelmente que há uma conexão
entre o fato presente e o fato que dele se infere. Se nada houvesse que os ligasse, a inferência seria completamente incerta. (E 26-27)

Assim, se quisermos nos convencer quanto à natureza dessa evidência que nos dá garantias sobre questões de fato, devemos investigar como chegamos ao conhecimento
de causas e efeitos.
Arrisco-me a afirmar, a título de uma proposta geral que não admite exceções, que o conhecimento dessa relação não é em nenhum caso alcançado por meio de raciocínios
a priori, mas provém inteiramente da experiência, quando descobrimos que certos objetos particulares acham-se constantemente conjugados uns aos outros. Apresente-se
um objeto a um homem dotado das mais poderosas capacidades naturais de raciocínio e percepção - se esse objeto for algo de inteiramente novo para ele, mesmo o exame
mais minucioso de suas qualidades sensíveis não lhe permitirá descobrir nenhuma de suas causas ou efeitos. Adão, ainda que supuséssemos que suas faculdades racionais
estivessem inteiramente perfeitas desde o início, não poderia ter inferido da fluidez e transparência da água que ela o sufocaria, nem da luminosidade e calor do
fogo que este iria consumi-lo. Nenhum objeto revela jamais, pelas qualidades que aparecem aos sentidos, nem as causas que o produziram, nem os efeitos que dele provirão;
e nossa razão tampouco é capaz de extrair, sem auxílio da experiência, qualquer conclusão referente à existência efetiva de coisas ou questões de fato. (E 27)

Lancemos, portanto nosso olhar sobre dois objetos quaisquer, que chamaremos causa e efeito, e viremo-los de todos os lados, a fim de encontrar aquela impressão que produz uma idéia de tão


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grandiosa importância. Percebo, à primeira vista, que não devo procurar por ela em nenhuma das qualidades particulares dos objetos, dado que, para qualquer uma dessas qualidades que eu determine, encontro algum objeto que não a possui e, contudo, cai sob a denominação causa ou efeito. E não há, na verdade, nada que exista, seja internamente ou externamente, que não deva ser considerado ou uma causa ou um efeito, embora seja claro que não há nenhuma qualidade singular que pertença universalmente a todos os seres e lhes dê o direito a essa denominação.
Assim, a idéia de causação deve derivar-se de alguma relação entre objetos, e é essa relação que devemos agora esforçar-nos por descobrir. Vejo, em primeiro lugar, que quaisquer objetos considerados como causas ou efeitos são contíguos, e que nada pode operar em um tempo ou lugar distante, ainda que minimamente, do tempo ou lugar em que existe. Embora objetos distantes possam algumas vezes parecer atuar uns sobre os outros, o exame comumente revela que estão ligados por uma cadeia de
causas que são contíguas umas às outras e aos objetos distantes; e quando em algum caso particular não conseguimos descobrir essa conexão, presumimos ainda assim
que ela existe. Podemos, portanto, considerar a relação de contigüidade como essencial para a relação de causação, ou pelo menos podemos supô-la assim de acordo
com a opinião geral, até que possamos encontrar uma ocasião mais apropriada para esclarecer essa questão, examinando quais objetos são ou não são suscetíveis de
justaposição e conjunção.
A segunda relação que observo como essencial para causas e efeitos não é tão universalmente admitida, estando sujeita a alguma controvérsia. Ela é a de prioridade
no tempo da causa em relação ao efeito. Alguns alegam que não é absolutamente necessário que uma causa deva preceder seu efeito, mas que qualquer objeto ou ação,
no exato primeiro instante de sua existência, pode exercer sua qualidade produtiva e dar origem a outro objeto ou ação perfeitamente contemporâneos consigo mesmo.
Mas, além do - ato de que a experiência na maioria dos casos parece contradizer essa opinião, podemos estabelecer a relação de prioridade por uma espécie de inferência
ou raciocínio. É um principio estabelecido tanto em filosofia natural quanto em filosofia moral que um objeto que exista por um certo tempo em sua plena perfeição
sem produzir um outro, não é sua única causa, mas é assistido por algum outro principio que o desloca de seu estado de inatividade e faz exercer aquela energia que
secretamente possuía. Ora, se alguma causa for perfeitamente contemporânea a seu efeito, é certo,


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de acordo com esse princípio, que todos eles devem sê-lo, dado que qualquer um deles que retarde sua operação por um único momento, não se exerce naquele exato
tempo individual no qual poderia ter operado, e portanto não é propriamente causa. A conseqüência disso seria nada menos que a destruição daquela sucessão de causas
que observamos no mundo, e, na verdade, a completa aniquilação do tempo. Pois se uma causa fosse contemporânea com seu efeito, e esse efeito com seu efeito, e assim
por diante, é claro que não poderia haver nenhuma sucessão, e todos os objetos deveriam ser coexistentes.
Se este argumento parecer satisfatório, está tudo bem. Se não, peço ao leitor permitir-me a mesma liberdade, que usei no caso anterior, de supor que as coisas são
assim. Pois ele descobrirá que o assunto não tem muita importância.
Tendo assim descoberto, ou assumido, que as duas relações de contigüidade e sucessão são essenciais para a existência de causas e efeitos, sinto que cheguei a um
limite e que a consideração de qualquer caso singular de causa e efeito não me permite avançar mais. O movimento de um corpo é tomado, na ocasião do impulso, como
a causa do movimento de outro. Ao considerarmos com a máxima atenção esses objetos, vemos apenas que o primeiro corpo se aproxima do outro, e que seu movimento precede
o movimento do outro, embora sem nenhum intervalo perceptível. É inútil atormentarmo-nos com pensamentos e reflexões adicionais sobre o assunto. Não podemos ir mais
longe a partir da consideração deste caso particular. (T 75-77)

Temos, portanto de proceder como aqueles que, estando à procura de alguma coisa oculta e não a encontrando no lugar em que esperavam, vagueiam por todas as áreas vizinhas, sem nenhum pIano ou propósito definido, na esperança de que sua boa sorte vá finalmente guiá-los para o que procuram. É necessário que abandonemos a inspeção direta dessa questão concernente à natureza da conexão necessária que participa de nossa idéia de causa e efeito, e esforcemo-nos para descobrir algumas outras questões cujo exame pode talvez proporcionar uma pista para esclarecer a presente dificuldade. Dessas questões, há duas que passarei a examinar, a saber:
Primeiro, por que razão declaramos necessário que tudo cuja existência tem um começo deva ter também uma causa?
Segundo, por que concluímos que tais e tais causas particulares devam necessariamente ter tais e tais efeitos particulares, e qual


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é a natureza dessa inferência que fazemos das primeiras aos segundos, e da crença que nela depositamos? (T 77-8)

Não se pode demonstrar que é necessária uma causa para cada nova existência ou nova modificação de existência sem mostrar, ao mesmo tempo, a impossibilidade de que
alguma coisa possa começar a existir sem algum princípio produtivo; e caso esta última proposição não possa ser provada, não poderemos esperar conseguir provar a
primeira. Ora, é possível convencermo-nos de que essa última proposição é totalmente incapaz de receber uma prova demonstrativa observando que, já que todas as idéias
distintas são separáveis umas das outras e já que as idéias de causa e efeito são evidentemente distintas, é fácil para nós conceber um objeto qualquer como inexistente
nesse momento e existente no momento seguinte sem juntar-lhe a idéia distinta de uma causa ou princípio produtivo. Assim, a separação entre a idéia de uma causa
e a de um início de existência é claramente possível para a imaginação, e, conseqüentemente, a separação real desses objetos é possível à medida que não implica
contradição nem absurdo, e é, portanto incapaz de ser refutada por qualquer raciocínio a partir de meras idéias, sem o que é impossível demonstrar a necessidade
de uma causa. (T 79-80)

Só a experiência, portanto, permite-nos inferir a existência de um objeto a partir da existência de um outro. A natureza da experiência é esta: lembramo-nos de ter
observado freqüentes exemplos da existência de uma espécie de objetos, lembramo-nos também de que os indivíduos de uma outra espécie de objetos sempre os acompanharam
e sempre existiram segundo uma ordem regular de contigüidade e sucessão com relação a eles. Lembramo-nos assim de ter visto essa espécie de objeto que denominamos
chama, e de ter sentido essa espécie de sensação que denominamos calor. Temos igualmente a lembrança da constante conjunção desses objetos em todos os casos passados.
E, sem cerimônias, chamamos em causa a um efeito a outro, e, da existência de um, inferimos a existência do outro. Em todos os casos que nos instruem sobre a conjunção
de causas e efeitos particulares, tanto umas como outros foram percebidos pelos sentidos e lembrados, mas nos casos em que raciocinamos acerca deles, apenas um é
percebido ou lembrado, sendo o outro suprido em conformidade com nossa experiência passada.


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Avançando dessa maneira, descobrimos insensivelmente uma nova relação entre causa e efeito lá onde menos a esperávamos, e enquanto estávamos inteiramente ocupados com outro assunto. Essa relação é sua conjunção constante. A contigüidade e a sucessão não são suficientes para fazer-nos julgar que dois objetos quaisquer são causa e efeito, a menos que percebamos que essas duas relações são preservadas em vários casos. Vemos agora a vantagem de ter abandonado o exame direto dessa relação para descobrir a natureza daquela conexão necessária, que forma uma parte tão essencial dela. (T 86-7)

Tendo assim explicado o modo pelo qual raciocinamos para além de nossas impressões imediatas e concluímos que tais e tais causas particulares devem ter tido tais e tais efeitos particulares, devemos agora retroceder sobre nossos passos para examinar a questão que primeiramente nos ocorreu e que abandonamos pelo caminho, a saber: Qual é nossa idéia de necessidade quando dizemos que dois objetos estão necessariamente conectados um ao outro? Sobre esse ponto repito o que já tive freqüentemente ocasião de observar: que, como não temos nenhuma idéia que não seja derivada de uma impressão, devemos encontrar alguma impressão que dê origem a essa idéia de necessidade.
(T 155)

[Devemos] repetir para nós mesmos que a simples observação de dois objetos ou ações quaisquer, por mais relacionados que sejam, jamais nos dá qualquer idéia de poder ou de uma conexão entre eles; que essa idéia surge da repetição de sua união; que a repetição nem revela nem causa coisa alguma nos objetos, mas tem uma influência apenas sobre a mente, pela transição habitual que produz; que essa transição habitual é, portanto, o mesmo que o poder ou a necessidade, que são conseqüentemente qualidades das percepções, não dos objetos, e são sentidas internamente pela alma, não percebidas externamente nos corpos. (T 166)

Podemos definir uma causa como "Um objeto precedente e contíguo a outro, quando todos os objetos semelhantes ao primeiro exibem essas mesmas relações de precedência
e contigüidade com os objetos semelhantes ao segundo". Se essa definição for julgada imperfeita porque recorre a objetos estranhos à causa, podemos substituí-Ia
por esta outra: "Uma causa é um objeto precedente e contíguo a outro, e tão unido a este que a idéia de um leva a mente a formar a idéia do outro, e a impressão
de um, a formar uma idéia mais vívida do outro". (T 170)


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COISAS MATERIAIS

Tendo argumentado que todas as crenças em questões de fato - à parte nossa consciência imediata de nossas presentes impressões e, presumivelmente, as lembranças destas - Fundadas em crenças causais, Hume tentou mostrar que essas crenças não estão justificadas. Não estão justificadas pela experiência, dado que não temos nenhuma impressão de conexão necessária, nem pela razão, dado que o contraditório de qualquer princípio causal ou indutivo geral, ou de qualquer particular crença causal, é sempre possível. Tudo o que se pode esperar fazer é explicar como chegamos a ter as crenças causais que temos, e a fazer as previsões às quais elas nos conduzem; a saber, pela experiência da conjunção constante que instila em nós o hábito da expectativa.
A mesma estratégia é bastante empregada em suas explicações de nossa crença em um mundo externo de coisas materiais, e nossa crença em nós mesmos enquanto existências
continuadas. Ele abre uma discussão das coisas materiais distinguindo duas questões. Uma delas, a questão sobre "se há ou não há corpos" é, ele diz, "fútil levantar".
Contudo, "podemos muito bem perguntar que causas induzem-nos a acreditar na existência de corpos?". Acreditar na existência de corpos ou coisas materiais é acreditar
em algo que tem uma existência distinta e continuada, alguma coisa que existe em ocasiões nas quais não temos impressões dela e que, portanto, existe independentemente
de nós. Supor que os sentidos nos revelam a existência de coisas despercebidas (ou de segmentos despercebidos de sua história) é uma patente contradição. E essa
crença tampouco pode estar baseada em uma inferência causal a partir de nossas impressões, que é o que isso significa


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nessas circunstâncias, como na "filosofia moderna" de Locke. Não podemos experimentar uma conjunção constante entre D percebido e o impercebido, muito menos comparar
um com o outro para descobrir a semelhança (parcial) que Locke declara existir entre eles.
A questão "se há ou não há corpos" resulta "fútil" em dois sentidos. Dado que nem a experiência nem a razão podem respondê-la, não há resposta justificada que pudéssemos
oferecer à questão. Mas Hume também diz que "a natureza não deixou isso à [nossa] escolha e sem dúvida considerou o assunto de demasiada importância para ser confiado
a nossos incertos raciocínios e especulações". Não podemos justificar nossa crença em um mundo de coisas materiais distintas e continuadas, mas tampouco podemos
evitar essa crença. O que podemos fazer é explicar como ela se impõe a nós. A explicação reside na constância e coerência exibidas pelas impressões dos sentidos.
Levantamos da mesa para olhar pela janela e, quando retomamos, coisas exatamente iguais às coisas que antes apareciam sobre a mesa lá aparecem mais uma vez (constância).
O fogo que ardia na lareira quando saímos para fazer um longo telefonema está agora reduzido a brasas, do mesmo modo que outros fogos observados sem interrupção
foram vistos extinguir-se progressivamente em outras ocasiões (coerência).
A concepção ordinária, "vulgar", do assunto imagina ou "finge" percepções não percebidas para preencher as lacunas uniformes ou graduais. Isso é uma contradição,
mas a mente irrefletida passa por cima disso. O "sistema dos filósofos" (isto é, de Locke) é ainda pior, dado que supõe a existência de coisas que não estão causalmente
relacionadas, nem se assemelham, às impressões apresentadas como testemunho de sua existência.

Podemos muito bem perguntar que causas induzem-nos a acreditar na existência de corpos? Mas é fútil perguntar se há ou não há corpos.

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Esse é um ponto que devemos assumir como certo em todos os nossos raciocínios.
O assunto, portanto, de nossa presente investigação, concerne às causas que nos induzem a acreditar na existência dos corpos, e abro minha discussão desse tópico
com uma distinção que à primeira vista pode parecer supérflua, mas que contribuirá em muito para o perfeito entendimento do que segue. Devemos examinar separadamente
estas duas questões que são comumente confundidas, a saber, por que atribuímos uma existência continuada a objetos, mesmo quando não estão presentes à sensação;
e por que supomos que eles têm uma existência distinta da mente e da percepção? Sob esta última rubrica compreendo sua situação bem como suas relações, sua posição
externa bem como a independência de sua existência e operação. (T 186-7)
É evidente que nossos sentidos não nos oferecem suas impressões como imagens de algo distinto, ou independente, e externo; porque o que nos transmitem não é nada
mais que uma percepção singular, e nunca nos dão a menor sugestão de algo além dela. Uma percepção singular não pode jamais produzir a idéia de uma dupla existência,
a não ser por influência da razão ou da imaginação. Quando a mente olha além do que lhe aparece imediatamente, suas conclusões não podem ser creditadas aos sentidos,
e ela está certamente olhando além quando infere, de uma percepção singular, uma existência dupla, e supõe relações de semelhança e causação entre elas. (T 189)

Podemos observar, então, que não é nem em virtude do caráter involuntário de certas impressões, como comumente se supõe, nem de sua grande força e impetuosidade,
que atribuímos a elas uma realidade e uma existência continuada que recusamos a outras que são voluntárias ou tênues. Pois é evidente que nossas dores e prazeres,
nossas paixões e afecções, que nunca supomos como existindo fora de nossa percepção, são tão involuntárias quanto as impressões de figura e extensão, cor e som,
que supomos serem entes permanentes. O calor de uma chama, quando moderado, é tomado como existindo na própria chama, mas a dor que ele causa ao nos aproximarmos
não é considerada como tendo qualquer existência exceto na percepção.
Tendo rejeitado essas opiniões vulgares, devemos procurar alguma outra hipótese que nos permita descobrir quais são as qualidades peculiares de nossas percepções
que nos fazem atribuir-lhes uma existência distinta e continuada.


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Após um breve exame, descobriremos que todos os objetos aos quais atribuímos uma existência continuada têm uma peculiar constância, que os distingue das impressões
cuja existência depende de nossas percepções. Estas montanhas, casas e árvores que caem agora sob meu olhar, sempre apareceram a mim na mesma ordem; e quando deixo
de vê-Ias porque fechei os olhos ou voltei a cabeça, verifico logo em seguida que elas retomam sem a menor alteração. Minha cama e minha mesa, meus livros e papéis,
apresentam-se da mesma maneira uniforme, e não se modificam com a interrupção de minha visão ou percepção deles. O mesmo ocorre com todas as impressões cujos objetos
são tomados como tendo uma existência externa, e não ocorre com nenhuma outra impressão, seja branda ou violenta, voluntária ou involuntária.
Essa constância, entretanto, não é tão perfeita que não admita exceções muito consideráveis. Corpos muitas vezes mudam suas posições e qualidades, e, após uma pequena
ausência ou interrupção, podem tomar-se dificilmente reconhecíveis. Mas aqui se observa que, mesmo nessas mudanças, eles preservam uma coerência, e mantêm uma dependência
regular uns dos outros, que é o Fundamento de uma espécie de raciocínio a partir da causação e produz a opinião de sua existência continuada. Quando retorno à minha
câmara após uma ausência de uma hora, não encontro minha lareira na mesma situação em que a deixei, mas já estou acostumado, em outras ocasiões, a observar uma alteração
semelhante produzida em um período equivalente, quer eu esteja presente ou ausente, próximo ou distante. Esta coerência em suas mudanças é, portanto, uma das características
dos objetos externos, assim como sua constância. (r 194-5)


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O EU

O eu, considerado como algo dotado de uma contínua ao longo do tempo, também é vítima do estilo bidentado de ataque característico de Hume. Sei que estou tendo agora certas experiências e lembro-me de ter tido outras. Mas não tenho nenhuma impressão de um item imutável ao qual todas essas coisas pertençam. Dado que esse teria de ser um conteúdo inalterável e invariante de minha consciência, ele não poderia se fazer sentir, e teria o mesmo caráter empiricamente evasivo que tem a existência.
De fato, argumenta Hume, sempre que olho mais atentamente para mim mesmo, tudo que encontro é uma seqüência mais ou menos caótica de percepções, impressões e idéias
de sensação e de reflexão, sentimentos e pensamentos particulares.
A razão, por sua vez, requer tão pouco quanto a experiência essa suposição de um portador persistente de minha identidade através do tempo, um suporte ao qual inserissem
minhas experiências. Cada experiência ou "percepção" é uma existência distinta, da qual não se segue necessariamente a de nenhuma outra coisa. Esta é, de todas as
ousadas eliminações realizadas por Hume, a que os filósofos têm julgado a mais difícil de engolir. Não está ele refutando a si próprio quando diz "de minha parte,
quando entro no mais profundo disso que chamo eu mesmo, sempre tropeço em uma ou outra percepção particular?" Que é essa coisa que está fazendo a entrada? J.S. Mill
e outros julgaram impossível que uma simples série pudesse ter consciência de si mesma como uma série. Contra isso se poderia argumentar que um estado presente de
consciência poderia conter, ou ser, uma reminiscência de estados anteriores de consciência, a ele de algum modo relacionados.


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E, na verdade, tem parecido a muitos, particularmente a Locke, que a memória, no sentido de uma lembrança pessoal direta, é a relação que conecta um feixe temporalmente
espalhado de experiências ou estados mentais em um eu, mente ou pessoa, contínuo e singular. Hume rejeitou essa teoria, fiando-se no argumento de Butler de que,
como Hume o expõe, a memória não constitui a identidade pessoal, mas a descobre. Não posso julgar que uma certa idéia é uma idéia de memória e não de imaginação
a menos que já tenha descoberto primeiramente que a experiência supostamente lembrada era uma experiência minha.
Hume permaneceu insatisfeito com a explicação que ele ofereceu no Tratado para a relação que une uma série de experiências em um eu, a saber, que ela é um composto
de semelhança e causação. Talvez o argumento de Butler seja um pouco brusco demais. Decidir que alguma experiência passada é minha e que a idéia que tenho dela é
uma idéia de memória não são duas coisas das quais a primeira deva preceder a segunda; parecem muito mais ser uma e a mesma coisa.
Hume tem um longo e intrincado argumento sobre a imaterialidade da alma, uma tese de teólogo que ele maldosamente assimila ao monismo de Espinosa. O argumento depende
da suposição de que a alma é uma substância imaterial. Mas a alma ou o eu, mesmo se não concebidos como uma substância, mas como uma série, podem ser tomados como
não-materiais, como o próprio Hume parece fazer, e isso deixa aberta a possibilidade de sua sobrevivência após a morte do corpo. Ele retoma o problema em um atraente
ensaio. Se nossas mentes são feitas de algum estofo espiritual, por que esse estofo não poderia compor diversas mentes, do mesmo modo que a matéria entra na composição de diversos corpos? Além disso, "a alma, se imortal, existia antes de nosso nascimento, e se essa existência anterior nada teve a ver conosco, tampouco o terá a seguinte".
Há filósofos que imaginam que estamos a todo instante intimamente conscientes disso que chamamos nosso eu; que
sentimos


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sua existência e sua continuidade de existência, e que estamos certos, para além de qualquer comprovação demonstrativa de sua perfeita identidade e simplicidade.
A sensação mais forte, a mais impetuosa paixão, dizem eles, em vez de desviar-nos dessa concepção, apenas a firmam mais intensamente e fazem-nos considerar a influência
que exercem sobre o eu, pela dor ou prazer que produzem. Buscar uma prova adicional disso seria enfraquecer sua evidência, pois nenhuma prova pode ser derivada de
algum fato do qual estejamos tão intimamente conscientes, e nem haveria nada de que pudéssemos estar certos se viéssemos a duvidar disso.
Infelizmente, todas essas confiantes asserções são contrárias à própria experiência que é invocada em seu favor, além de não dispormos de qualquer idéia do eu segundo
a maneira aqui explicada, Pois de que impressão poderia essa idéia ser derivada? É impossível responder a essa questão sem incorrer em patente absurdo e contradição,
e, contudo, é uma questão que deve necessariamente ser respondida se quisermos que a idéia do eu apareça como clara e inteligível. Deve haver uma impressão determinada
para dar origem a cada idéia real; mas o eu, ou pessoa, não é uma impressão determinada, mas aquilo a que nossas diversas impressões e idéias supostamente têm uma
referência. Se há alguma impressão que dá origem à idéia do eu, essa impressão deve continuar invariavelmente a mesma ao longo de todo o curso de nossas vidas, pois
supõe-se que essa é a maneira pela qual o eu existe. Mas não há nenhuma impressão que seja constante e invariável. Dor e prazer, tristeza e alegria, paixões e sensações
sucedem-se umas às outras e nunca existem todas ao mesmo tempo. Portanto, a idéia do eu não pode ser derivada de nenhuma dessas impressões, nem de qualquer outra;
e, conseqüentemente, tal idéia não existe. (T 251-2)

Arrisco-me a afirmar que todas as demais pessoas nada mais são que um feixe ou coleção de diferentes percepções sucedendo-se umas às outras com inconcebível rapidez,
em perpétuo fluxo e movimento. Nossos olhos não podem girar em suas órbitas sem que mudem nossas percepções. Nosso pensamento é ainda mais variável que a visão,
e todos os outros sentidos e faculdades contribuem para essa mudança, não havendo um único poder da alma que permaneça inalteravelmente o mesmo sequer por um instante.
A mente é uma espécie de teatro no qual diversas percepções fazem sucessivamente sua aparição, passam, repassam,


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esvaem-se e misturam-se em uma infinita variedade de posturas e situações. Nela não há, propriamente, nem simplicidade em um mesmo momento nem identidade em momentos
diversos, seja qual for a propensão natural que tivermos para imaginar essa simplicidade e identidade. A comparação com o teatro não nos deve iludir: são as sucessivas
percepções, e só elas, que constituem a mente, e não temos a mais remota noção do lugar em que essas cenas são representadas nem dos materiais que entram em sua
composição. (T 252-3)

Como apenas a memória nos informa da continuidade e extensão dessa sucessão de percepções, ela deve ser considerada, principalmente por essa razão, como a origem
da identidade pessoal. Se não tivéssemos memória, não teríamos qualquer noção de causação, nem, conseqüentemente, dessa cadeia de causas e efeitos que constitui
nosso eu ou nossa pessoa. Mas uma vez que tenhamos adquirido essa noção de causação a partir da memória, podemos estender essa mesma cadeia de causas, e conseqüentemente
a identidade de nossas pessoas, para além de nossa memória, e podemos compreender ocasiões, circunstâncias e ações que esquecemos completamente, mas supomos, em
geral, que existiram. Pois quão poucas, dentre nossas ações, são aquelas das quais temos alguma lembrança? Quem pode dizer-me, por exemplo, quais foram seus pensamentos
e ações em 10 de janeiro de 1715, 11 de março de 1719 e 3 de agosto de 1733? Ou será que ele vai afirmar que, dado que esqueceu-se totalmente dos incidentes ocorridos
nesses dias, seu eu presente não é a mesma pessoa que o eu daquela época, subvertendo com isso todas as concepções mais bem estabelecidas sobre identidade pessoal?
Nesta perspectiva, portanto, não é bem que a memória produza a identidade pessoal, mas sim que a descobre, ao mostrar-nos a relação de causa e efeito entre nossas
diferentes percepções. Cabe àqueles que afirmam que a memória produz inteiramente nossa identidade pessoal explicar como podemos estender desse modo nossa identidade
para além de nossa memória. (T 261-2)


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CETICISMO

Como já mencionado. Hume foi tradicionalmente, como um cético extremado, alguém que solapou as pretensões de validade de todo o corpo de nossas crenças no mundo
exterior, no eu e na causação. Mais recentemente tem ganhado terreno a idéia de que ele estabeleceu ceticamente os limites da justificação racional, que ele voltou
a razão sobre si mesma para mostrar que essas crenças são não obstante naturais, instintivas e inevitáveis. Ao explicar de fato, a ter as crenças que temos, ele
mostra que estamos constituídos de tal modo que não nos é possível evitar ter essas crenças. Afinal, a menos que houvesse algo a dizer em favor delas, que pensa
ele estar fazendo ao explicá-las, dado que explicação consiste em subsumir coisas a leis causais?

A interpretação de Hume é dificultada por uma espécie de oscilação entre duas posturas que ele assume ao contemplar os resultados de sua própria investigação. Em
uma delas, ele se mostra deprimido e sem esperança diante desses resultados, sem saber para onde voltar-se. Em outra, mais bem-humorada, ele observa que, tão pronto
mergulhamos novamente em nossa vida quotidiana, os danos infligidos pela razão a si mesma desvanecem-se e retomamos confortavelmente a nossos hábitos de crença costumeiros
e naturais. Não devemos procurar algum suporte externo para esses hábitos, essa é uma missão fadada a um deprimente fracasso. Devemos perseverar neles com moderação,
conscientes de que não há certeza fora do reino das relações abstratas de idéias, ajustando-os perifericamente pela adesão aos "princípios estabelecidos do entendimento"
e a recusa às formas incultas e supersticiosas de formação de crenças.


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Filósofos analíticos do século XX (antecipados por J. S. Mill) tomaram os aspectos de nossa experiência que Hume usou para explicar nossas crenças acerca de objetos, eus e causas como - apesar das aparências - características definidoras do que essas crenças realmente significam. Esses filósofos definiram objetos como sistemas de impressões, reais e possíveis, cuja estrutura é indicada pelos fragmentos constantes e coerentes efetivamente experimentados (fenomenalismo); os eus como uma série inter-relacionada de eventos mentais (a teoria do "feixe") , e a causalidade como sucessão regular (teoria da regularidade). Isso é menos chocante, enquanto ceticismo, que a posição de Hume. Mas essa estratégia deixa-nos com o que parece ser um resíduo significativamente reduzido daquilo em que originalmente acreditávamos.
E o que é mais: no caso de objetos e causas, dado que a crença nessas entidades, mesmo nesta forma atenuada, é uma inferência aberta e generalizada a partir de uma
evidência parcial, ela permanece exposta à dúvida quanto à indução.
Tem sido sugerido que Hume estava realmente mais interessado nos tópicos práticos, concretos, dos últimos livros do Tratado do que na filosofia teórica do Livro
I; mais interessado em moral, política e psicologia do que na teoria do conhecimento. Como exibição pirotécnica dos limites de nossas mentes enquanto fonte de conhecimento
seguro, seu propósito era neutralizar o dogmatismo naqueles domínios de crença em que as paixões tinham forte participação.

Essa dúvida cética, tanto com respeito à razão como aos sentidos, é uma doença que nunca pode ser radicalmente curada mas sempre irá acometer-nos a cada momento,
por mais que a expulsemos e julguemos, às vezes, estar inteiramente livres dela. Não é possível defender, em nenhum sistema, nem nosso entendimento nem nossos sentidos,
e apenas os desmascaramos ainda mais quando tentamos assim justificá-los. Visto que a dúvida cética surge naturalmente de uma reflexão profunda e intensa sobre esses
assuntos, ela aumenta cada vez mais à medida que levamos mais longe nossas reflexões, quer em oposição, quer em conformidade


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com ela. Só a negligência e a desatenção podem prover-nos de algum remédio. Por essa razão, confio neles inteiramente e tomo como certo, seja qual for a opinião
do leitor no momento presente, que daqui a uma hora ele estará persuadido tanto de que há um mundo externo como um interno. (T 218)

A intensa contemplação dessas múltiplas contradições e imperfeições na razão humana tanto afetou-me e inflamou meu cérebro que estou pronto a rejeitar toda crença e raciocínio, e não posso considerar nenhuma opinião como mais provável ou plausível que qualqu